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Saramago e a biblia, não havia necessidade

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“Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca”.

 

José Saramago

 

Não sou grande fã do Saramago, curiosamente ou não, o único livro dele que me encheu as medidas foi o "O evangelho segundo Jesus Cristo", desde então li mais dois e não apreciei especialmente. 

 

Hoje foi lançado o seu novo livro Caim  e desde já está garantida a polémica, o escritor aproveitou a apresentação do livro para proferir uma serie de expressões que no minimo se podem considerar polémicas.

 

Quem me lê sabe que sou ateu, Deus não existe, ponto final! é o segundo post mais comentado aqui no blog, mas o facto de ser ateu, não me faz olhar para o lado e ver que mal ou bem, toda a nossa cultura e educação é baseada na moral cristã que em ultimo termo está baseada nos ensinamentos da Bíblia.

 

Dizer que "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana”  é levar longe demais a vontade de promover o livro, um escritor que já ganhou um prémio nóbel de certeza que  não precisa deste tipo de coisas para vender livros.

 

Vou de certeza ler este livro, por aí, ele conseguiu os seus intentos, mas quantas pessoas o deixarão de ler depois de lerem estas palavras? Para quê comprar uma guerra com a igreja e até com as outras religiões?

 

Não havia necessidade.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:40


24 comentários

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De DyDa/Flordeliz a 19.10.2009 às 00:28

Eu, cristã não praticante me confesso.
Nunca li a bíblia e o que conheço são as passagens que o padre ia lendo na missa.
Muitas vezes dei comigo a pensar e a colocar em causa.
Por exemplo: Lembro-me da parábola do filho pródigo e pensava na época com os meus botões "mais vale ser malandro, uma vez que o pai, sempre vai preferir aquele que se portar pior desde que ele se mostre arrependido. Aliás, no seu regresso até lhe fez uma grande jantarada."
Ao contrário de ti não me chocam as suas declarações. Ele gosta de ser diferente. Gosta de provocar e com isso traz assuntos tabu para discussão.
Tens razão! Saramago não precisa deste tipo de publicidade para vender.
Mas a igreja precisa de umas abanadelas para acordar, e talvez ajude quando a figura é exactamente um "Prémio Nóbel"?!
Até tu já falas no assunto.
Boa semana
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De Jorge Soares a 19.10.2009 às 22:23

Olá

Vamos ver se nos entendemos, tu sabes que eu penso como ele, a bíblia é um livro com muitas histórias engraçadas, mas a interpretação que dele se faz na igreja e nas diversas religiões que a tomaram como o Santo Graal, não deixa de ser uma enorme parvoíce.

Não acho que seja a imagem fiel das piores crueldades da raça humana, mas não há duvida que não é para ser levada à letra...infelizmente há muita gente que o faz.

Vamos lá ver, a semana passada todos ficamos chocados com a Maitê e o que ela pensa de nós, eu acho que estas declarações estão ao mesmo nível das da senhora, ambos são figuras publicas e ambos devem ter tento na língua.


Jorge
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De António Manuel Dias a 19.10.2009 às 22:48

Eu não fiquei nada chocado com as declarações da Maitê Proença. Aliás, vendo o filme na totalidade (e não com algumas partes retiradas do contexto como fizeram nos serviços noticiosos) não vi nada de extraordinário, limitou-se a dizer a verdade.

Quanto à Bíblia, tem lá de tudo: violações, fraticídio, escravatura, inveja, incesto, crueldade de todos os feitios... muito do que de mal a mente humana foi capaz de conceber naquelas épocas, está lá. Com o acordo de Deus.
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De Existe um Olhar a 19.10.2009 às 08:09

Olá Jorge
Ouvi na Tv as afirmações desse senhor, (será um senhor?).
Sou católica e há muito não praticante, aprendi a respeitar outros credos e religiôes e leio muito sobre o assunto.
Espanta-me choca-me que um Nobel faça declarações tão perversas sobre a Bíblia, espantar-me- ia da mesma forma se o fizesse sobre um outro qualquer livro sagrado.
Que péssima estratégia que escolheu para promover o seu novo livro, se foi essa a intenção, que falta de imaginação!
De mim não verá nem mais um euro.
Bjs
Manu


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De Jorge Soares a 19.10.2009 às 22:28

Olá

Ora, lá está, era isso que eu queria dizer, porque eu até penso como ele, mas mais além daquilo que pensamos, está o respeito pelo que as outras pessoas pensam.

Beijinho
Jorge
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De Anónimo a 19.10.2009 às 10:47

Respeito profundamente as opiniões aqui anteriormente expressadas.

Certamente que há alguma acção promocional nas palavras do nosso Saramago, o que se compreende.
Mas estou certa que Saramago fala no seu livro daquilo que acredita, como ateu. Já no “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, Jesus foi relatado como um homem comum, um homem bom que praticava boas acções, mas que estava junto com Maria Madalena, algo que não me parece de todo ser desprimor para qualquer homem, sendo ele ou não Jesus Cristo.

Não sei se é Saramago que está a comprar uma guerra com a Igreja, se é a Igreja que compra uma guerra com todos nós, se não acreditarmos em Deus. Ora veja-se, por exemplo, a proibição imposta por alguns padres em não juntar em matrimónio uma pessoa baptizada com uma que não o é. Se a Igreja católica tem como princípio aceitar todos os Homens, com todas as diferenças que existem entre si, porque se recusa a executar um matrimónio entre um cristão e um não cristão?

A Igreja leva-nos a acreditar em histórias que foram escritas por homens, e interpretadas por homens. Pode haver algo mais enganoso e mais falível que isso?

Toda a gente fala da Bíblia, mas no fundo ninguém a lê. Posso-vos dar o meu exemplo, que não acredito em Deus, mas que em conhecimento e razão de causa acabo por contrapor sempre os princípios dos meus amigos e familiares católicos. O meu marido, por exemplo, andou na catequese desde novo, foi baptizado, e o seu crescimento foi sempre acompanhado pela Igreja, mas não conhece, nem de perto nem de longe, as histórias bíblicas que eu conheço. E posso dizer-vos que ele não é o único, no meu círculo de amigos e familiares, a desconhecer aquilo em que acredita.

Nesse aspecto, acho que, mesmo sem ter ainda lido “Caim”, o assunto já está lançado, e tiro o meu chapéu a Saramago por tê-lo feito. Não há assuntos intocáveis, há liberdade de expressão e respeito pelos temas abordados. Se um livro faz com que as pessoas se questionem sobre se Deus existe, ou sobre o conteúdo da Bíblia, e se por esses meios leva a uma abertura de discussões saudáveis, as quais podem diminuir ou reforçar o crédito que damos à Igreja, então, Sr. Saramago, os meus parabéns!

Se havia necessidade? Claro, na minha humilde opinião, há sempre necessidade de nos questionarmos sobre todos os factos, mesmo aqueles que nos são apresentados como verdades absolutas.
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De Jorge Soares a 19.10.2009 às 22:34

Olá

Antes de mais vamos lá esclarecer uma coisa, eu também acho que a Bíblia não passa de um livro de historias, também acho que a forma como a igreja vende o livro não passa de um monte de mentiras, mas isso não me dá autorização a falar assim da fé das outras pessoas.

Eu não questiono o que ele diz, o que eu questiono é a oportunidade e a forma como se expressa.

Eu não digo que não se possa dizer as coisas, eu também digo Deus não existe, ponto final, mas há muitas formas de dizer as coisas..e de certeza que ele no livro não coloca as coisas desta maneira.. apesar de dizer o mesmo.

Eu acho que ele não precisa de ser polémico desta forma ou de comprar guerras com a igreja, e definitivamente não acho que ele precise disso para vender livros.

Jorge
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De António Manuel Dias a 19.10.2009 às 19:19

Jorge, não é preciso ler muito da Bíblia, especialmente do Antigo Testamento, para saber que a afirmação que transcreveste de Saramago é verdadeira. Só se choca com esta afirmação quem nunca lhe pôs a vista em cima (ou nunca desligou o 'modo religioso' quando a estava a ler.

Podemos ler a Bíblia como historiadores, percebendo que, tendo sido escrita por seres humanos, reflecte a visão do mundo que estes tinham quando a escreveram e que era, logicamente, bastante diferente e de diferentes valores que a que se tem hoje. Ou podemos lê-la como religiosos, acreditando que é a palavra de Deus, universal e intemporal. E é quando se usa este segundo modo que começam os problemas...
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De Jorge Soares a 19.10.2009 às 22:37

António, acho que não me consegui explicar, eu não digo que ele não tenha razão no que diz, o que eu critico é a forma e o momento em que ele o faz.

Não é o que ele disse, que acho que é a realidade, é a forma como o diz.

Jorge
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De António Manuel Dias a 19.10.2009 às 22:53

Nós fartamo-nos de dizer mal de tudo. Do País, dos portugueses, dos estrangeiros, dos jogadores da bola, dos cantores, dos autores, do governo e dos governados mas, se alguém diz mal da religião, está o caldo entornado. Ora, porquê? Porque raio é que se tem que tratar a religião com paninhos quentes? Porque raio é que não se pode sequer questionar a coisa? Porque é que não se pode dizer A VERDADE e tem de se alinhar com a mentira, mesmo sabendo isso perfeitamente? Desculpa, mas não percebo.
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De Escondida a 19.10.2009 às 21:00

E eu que nem gostava do Saramago, tenho a confessar que fiquei a gostar um bocadinho!!

Concordo tanto, mas tanto com ele!

Beijinhos
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De Jorge Soares a 19.10.2009 às 22:42

Eu não gostava..e continuo a não gostar... apesar de até achar que ele tem razão no que diz.. o problema não é o quê.. é o como... só isso.

Beijinho
Jorge
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De Maria a 19.10.2009 às 22:25

Eu discordo!

Em primeiro lugar porque tenho uma embirração natural pela instituição "igreja" e tudo o que sirva para a irritar, melhor! O argumento vale o que vale mas é sentido!

Em segundo porque concordo com Saramago. O livro, a biblia, escrito por homens, é mesmo um manual dos maus costumes. Um mero exemplo: A Eva foi feita da costela de Adão. Há pior começo que este?! ...

Boa semana!!
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De Jorge Soares a 19.10.2009 às 22:48

Olá

Bom, partilhamos a embirração, até porque deus não existe, ponto final!

Eu olho para a bíblia e vejo um livro de histórias, é claro que há péssimos exemplos, mas será que a maioria das historias infantis não o são também?.. afinal lobos que comem avós e desviam por maus caminhos meninas com capuchinhos são o quê?

Eu não critico a mensagem, só a forma.

Jorge

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De DH a 20.10.2009 às 09:34

Depois de ler o teu post, depois de ler alguns dos comentários... só me apetece dizer: parem e pensem no que estão a dizer.
É tão fácil, para manter as nossas convicções (e no fundo alimentarmos o nosso ego) criticar as convicções dos outros. E isto é válido para Saramago, para aqueles que defendem cegamente uma Fé e até para aqueles que têm "embirração natural" pelo que os outros acreditam profundamente. E isto é válido quando se trata do assunto adoptar ou ter filhos biológicos, quando se discute o ser ou não vegetariano, quando...
Para Cristãos e Judeus, a Bíblia é a história que Deus construiu com o seu povo. Nem o Antigo Testamento nem o Novo Testamento podem ser retirado do seu contexto, do momento em que foram escritos. Não creio que Saramago seja um estudioso da Bíblia (há quem a estude e não partilhe a Fé). As palavras dele são apenas ofensivas para milhões de cristãos e judeus. Tem o direito de as proferir?! Claro! Há liberdade. Tinha o direito de ofender?! Se o Ego dele assim se engrandece, mesmo que o homem não....
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De Jorge Soares a 20.10.2009 às 23:21

Olá

A mim as palavras do Saramago não me ofenderam para nada, aliás, eu acho que o que ele diz é verdade, acho sim que a forma como se expressou e sobretudo o objectivo, não são dignos dele.

Jorge
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De DH a 21.10.2009 às 15:15

Eu percebi que tu não te ofendeste e tudo o resto...
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De António Manuel Dias a 21.10.2009 às 01:03

Desculpa, mas estás a comparar alhos com bugalhos. Uma coisa é acreditar em factos ou defender princípios com argumentos válidos e comprováveis, outra coisa é acreditar em seres imaginários e defender os seus valores com a fé nesses seres ou com os argumento de estarem escritos em obras de ficção criadas há milhares de anos.

A diferença é grande e quando essas pessoas irracionais tentam (e conseguem) influenciar a sociedade com as suas crenças e o seu activismo acho muito bem que quem está em posição de as contrariar o faça por todos os meios (legais) possíveis. José Saramago tem-se servido da sua visibilidade de figura pública para o fazer. Ainda bem!
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De Pedro Oliveira a 20.10.2009 às 10:12

Nunca li Saramago e cada vez tenho mais certeza que tenho feito bem.É que qd vejo um livro dele nas livrarias, não consigo dissociar no ser que ele é.
abr
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De Jorge Soares a 20.10.2009 às 23:31

Olá Pedro... por acaso tenho o mesmo problema com um ou dois escritores portugueses :-)
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De Anónimo a 20.10.2009 às 11:53

Olá,

peço a quem nunca leu Saramago que abra as portas a este escritor. Não comecem já por ler "Caim", voltem alguns anos atrás e experimentem o "Evangelho Segundo Jesus Cristo", ou o engraçadíssimo "O Homem Duplicado". Vão ver que ficam surpreendidos com a escrita, e que lhe darão valor.

Considero a obra de Saramago de um valor inegável. Quanto à pessoa, e principalmente às suas últimas declarações, todos são livres de ter a sua opinião, assim como de a dar a conhecer, mas concordo que há formas e formas de dizer a mesma coisa, e que nesse aspecto Saramago quis "espicaçar" a curiosidade do livro.

Gisela
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De jota a 20.10.2009 às 14:37

Havia sim senhor, uma enorme necessidade. Há cada vez mais, aliás, essa necesidade de debater as vacas sagradas do pensamento místico e o papel das crenças religiosas na sociedade. Saramago foi certeiro e felizmente há cada vez mais saramagos entre nós.
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De DH a 20.10.2009 às 17:13

Esperemos que, como a história nos ensina, a uma "vaca sagrada" não se suceda um "boi sagrado"...

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