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O São Martinho, as castanhas e as lendas

por Jorge Soares, em 11.11.09

castanhas.jpg

 

Hoje é dia de São Martinho, dia de comer castanhas e de provar o vinho, não guardo grande memória de magustos, na Venezuela não havia castanhas e num país em que é verão o ano inteiro, nunca ninguém ouviu falar do verão de São Martinho.

 

Na verdade, para mim este dia recorda-me uma enorme solidão, estava em Lisboa, vivia num quarto, lembro-me de ser dia de São Martinho e ir do IST para São Bento a pé. Não sei porquê,  mas recordo-me de uma Rua de São Bento completamente deserta, talvez por isso dei por mim a pensar que naquele momento os meus pais estariam em casa a festejar o dia e a comer castanhas. Senti uma enorme solidão, uma sensação de não ser de ali, nem de lá, de não ser de lado nenhum.

 

Este é um dia de lendas, há a lenda do Santo, que no inicio era soldado e que um dia de Novembro, muito frio e chuvoso, estando em França ao serviço do Imperador, ia Martinho no seu cavalo a caminho da cidade de Amiens quando, de repente, começou uma terrível tempestade. A certa altura surgiu à beira da estrada um pobre homem a pedir esmola.


Como nada tivesse, Martinho, sem hesitar, pegou na espada e cortou a sua capa de soldado ao meio, dando uma das metades ao pobre para que este se protegesse do frio. Nessa altura a chuva parou e o Sol começou a brilhar, ficando, inexplicavelmente, um tempo quase de Verão.

 
A origem do magusto não é muito clara, mas há quem acredite  que é o vestígio dum antigo sacrifício em honra dos mortos e refere que em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babada dos defuntos”. .... felizmente já ninguém se lembra desta ultima parte, é muito mais lógico serem os vivos a comer as castanhas.
 
Quanto ao já famoso verão de São Martinho que é suposto instalar-se por estes dias, lembro-me de algures ter visto um metereologista explicar que mais ou menos por esta altura o nosso anticiclone costuma deslocar-se e permanecer uns dias de forma a impedir a entrada de massas de ar, o que nos costuma trazer um inicio de Novembro soleado, cruriosamente em França, lugar de origem do Santo, costuma chover e até nevar, o que só prova que ninguém é profeta na sua terra.... isso ou o anticiclone não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo
 
Fonte Municipio de Mirandela
 
Jorge Soares

publicado às 21:18


5 comentários

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De LR a 11.11.2009 às 23:28

linda foto...já se comiam....
abraço

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De Pedro Oliveira a 12.11.2009 às 08:51

Lá em casa sempre se comeram castanhas neste tempo, á lareira.
Agora só as como em casa dos sogros ou pais qd os visito, este ano ainda não as provei, será no fds com uma boa jerupiga.
abraço
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De Óscarito a 12.11.2009 às 17:28

Confesso que os festejos populares não chamam a minha atenção quanto às suas origens ou ás razões porque existem.
Gosto de os comemorar e pronto!
É o que vou fazer hoje à noite, com umas castanhas assadas, outras cozidas, uns copos de vinho (água pé nunca foi da minha preferência; aliás nem sei se ainda se vende), e um bacalhau à lagareiro!
Abraço/Óscar
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De Sara Francisco a 28.07.2010 às 10:07

Obrigada pelas suas partilhas neste blog que só há pouco descobri... sou portuguesa nasci no estrangeiro eregressei a portugal após 6 meses do meu nascimento. A vida dá muitas voltas e estou de novo no estrangeiro, embora tivesse sido criada no centro-sul as suas "histórias" levam-me ao meu imaginário de qd ía de visita á casa de familiars no norte. Obrigada por fazer relembrar tão doces tempos. As suas descrições são fabulosas de tão reais que são..
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De CMN a 11.11.2018 às 15:14

Não aprecio castanhas só o convívio que daí advêm, contudo estou contigo na tua primeira parte da narrativa, também não tenho grandes memórias de grandes castanhadas na minha meninice...acho que foi o resultado de ficar sem mãe muito cedo, perdem-se para sempre as alegrias de grandes memórias

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