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 Gritos mudos

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Hoje é o dia internacional para a erradicação da violência doméstica, o ano passado morreram no nosso país 42 mulheres vitimas de violência doméstica, quase uma  por semana, este ano e até agora, morreram mais de 30 mulheres vitimas de violência doméstica, de quantas ouvimos falar?, basta que alguém morra vitima de um assalto para  ouvirmos falar do assunto durante semanas, porque não ouvimos falar destas mulheres que morrem às mãos das pessoas com quem decidiram partilhar a sua vida? porque é que a nossa sociedade que discute atá à exaustão temas como o do casamento homossexual, simplesmente decide olhar para o lado nestes casos?

 

O Crime de violência doméstica é considerado um crime público, qualquer pessoa pode fazer a denuncia quando suspeita  da existência de violência familiar, não olhe para o lado, não espere que seja tarde, denuncie!!!!!!! 

 

 

Gritos mudos

 

 

Neons vazios num excesso de consumo

Derramam cores pelas pedras do passeio

A cidade passa por nós adormecida

Esgotam-se as drogas p'ra sarar a grande ferida

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga sem nenhuma razão

 

E o coração aperta-se e o estômago sobe à boca

Aquecem-nos os ouvidos com uma canção rouca

E o perigo é grande e a tensão enorme

Afinam-se os nervos até que tudo acorde

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga sem nenhuma razão

 

E a noite avança, e esgotam-se as forças

Secam como o vinho que enchia as taças

E pára-se o carro num baldio qualquer

E juntam-se as bocas até morrer

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga com toda a razão

 

Xutos e pontapés

  

 

No Público Online

 

A lista interminável


 

Jorge Soares

 

 

publicado às 16:33


9 comentários

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De Óscarito a 25.11.2009 às 18:03

Acreditando nas notícias e relatos de que a imprensa dá a conhecer, que a violência doméstica é uma mal vertical na sociedade portuguesa, quer dizer que não é bem uma questão de cultura!
É mesmo uma questão de estupidez que não distingue classes sociais, ou melhor, que as engloba a todas.

Então e o pé? Já mexe? Ou ainda tens para mais uma semana de "estabilidade"?

Abraço e as melhoras/Óscar
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De Jorge Soares a 26.11.2009 às 23:54

Sim, sem a violência não é exclusiva dos pobres e sem educação, a estupidez e a cobardia atacam por igual a pobres e ricos, analfabetos e cultos... infelizmente é um flagelo que não escolhe alvos.

O pé vai mexendo.... vamos ver como isto agora corre.

Abraço
Jorge
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De xana a 25.11.2009 às 23:38

Senti-a na pele e na alma, sei o que pode fazer e destruir em nós qualquer acto de violência doméstica. Consegui livrar-me do agressor, mas não só há marcas que ficam para sempre, como o "medo" de um dia dar de caras com a pessoa em questão, que de vez em quando tenta contactar-me. Eu quando vou a uma grande superficie comercial aqui perto, vou sempre com os olhos bem abertos não vá ter a pouca sorte de me cruzar com tal pessoa que é de lá da zona. Na maior parte das vezes evito ir lá, optando por ir mais longe, mas onde as hipóteses de me cruzar com essa pessoa são remotas, apenas porque não quero ter uma reacção violenta se a pessoa me dirigir a palavra, que é o que pode acontecer se eu perder o controle, em vez de ignorar. Tive a sorte de as coisas descambarem para um ponto em que me pude livrar do agressor, mas sei que há muitas mulheres que não conseguem, e entendo tudo o que vivem, desde a violência verbal, à violência fisíca, entre outras coisas. Por vezes, basta a violência verbal, para a auto-estima da mulher baixar, aí será cada vez mais difícil sair daquela rotina, porque a mulher sente-se mesmo inferior, e acaba por não ter coragem de sair daquele terror, porque acha que tudo o que lhe apontam é verdade, por isso vai deixando as coisas descambarem. É uma situação muito delicada, o medo que se sente, baralha as ideias, a coragem que se tem num minuto, depressa é abafada pelo medo no minuto seguinte. Este é mesmo um tema que devia ser debatido em todos os meios, quer políticos, quer sociais, mas continua a ser sempre um problema dos outros... e muito poucos denunciam o que se passa dentro das paredes alheias...
bjks
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De Jorge Soares a 26.11.2009 às 23:58

Xana

Um enorme beijinho e parabéns pela tua coragem.

Jorge
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De Anónimo a 26.11.2009 às 10:32

Estou a comentar pela primeira vez embora seja uma leitora diária deste blog.
Sempre que preciso de uma pausa no trabalho abro a net e passo os olhos por alguns blogs. Este é passagem obrigatória.
Gosto muito da forma como aborda os vários temas da actualidade e acima de tudo a forma como respeita as diferentes opiniões.
Quanto ao assunto deste post não posso deixar de concordar consigo.
Porque sou mãe, porque gostava muito que a minha filha crescesse num país onde a sua liberdade fosse realmente respeitada e os seus direitos defendidos, choca-me que se perca tanto tempo a discutir assuntos do foro pessoal de cada um e tão pouco a discutir assuntos que afectam todos nós.
E pior que tudo isto é que a maior parte das vezes quando ouvimos falar de violência doméstica os comentários que ouvimos são depreciativos em relação às vitimas (sejam mulheres ou homens).
Infelizmente há muito poucas pessoas capazes de denunciar uma situação destas mas há muitas capazes de, depois de fecharem os olhos as agressões, apontarem o dedo à vitima.
Vou continuar a passar por aqui diariamente e embora me seja difícil comentar sempre que puder deixarei a minha opinião.
Bárbara
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De Jorge Soares a 27.11.2009 às 00:06

Olá

Obrigado por tão simpáticas palavras, é um enorme estimulo saber que há quem leia e goste.

Infelizmente é verdade, a mentalidade portuguesa ainda tende a culpar a vitima e a desculpar o agressor, como se existisse alguma justificação para comportamentos cobardes como estes.

Jorge
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De Leamar a 26.11.2009 às 15:39

Um dia, num serão lá de casa, este assunto veio à baila! E opinião do meu sogro é por demais hilariante:
"Ah...se ele lhe bateu é porque ela fez qualquer coisa!"
"Se ele a matou é por que se calhar apanhou-a com outro. É porque alguma coisa fez."

Opinião esquisita, mas muito comum...até mais do que seria recomendável.
Fiz-lhe uma pergunta muito simples, à qual ainda não obtive uma resposta:
"Se eu descobrir que o seu filho me enganou com outra mulher, acha que eu tenho o direito de o matar? Lembre-se de que não estou apenas a matar o marido que me traiu, mas estou a tirar-lhe o seu filho, o irmão das minhas cunhadas, o pai da minha filha!!"

Calou-se pensativo...
Não sei se mudou de opinião...
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De Jorge Soares a 27.11.2009 às 00:09

Infelizmente atitudes como as do teu sogro são muito comuns, por isso é que estas coisas continuam a acontecer e raramente são noticia, porque há quem arranje desculpas para tudo, como se existisse desculpa para a estupidez.

Gostei do teu raciocínio, é perfeito.

Jorge
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De Pedro Oliveira a 27.11.2009 às 11:44

O mais chocante é que este hábito,também, luso, se está a estender de forma grave ás relações antes do casamento, namoro.
Os números são aterradores, como vai ser daqui a uns anos com estes casais? e os Filhos?
abraço

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