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Guantanamo, quem é o heroi e quem é o vilão?

Imagem da internet

 

Tinha lido a noticia no Público, vai começar o julgamento do 11 de Setembro,  ontem estávamos a jantar e a ver o telejornal e o assunto apareceu, por entre imagens dos ataques com os aviões a embater nas torres, falaram do mentor de toda a operação,  da forma como estava preso em Guantanamo e de como foi interrogado e sujeito à tortura. 

 

Por momentos arrependi-me de estar a ver aquilo, um gráfico animado mostrava como o homem foi sujeito dezenas de vezes a uma tortura em que é colocado de cabeça para baixo e como esta é submergida num recipiente cheio de agua, ...dezenas de vezes.

 

Tinha lido sobre a polémica que o julgamento está a causar nos Estados Unidos, há quem queira que os culpados sejam julgados e condenados, há quem simplesmente pretenda que se esqueça todo o assunto, há familiares que clamam por vingança e outros que simplesmente querem seguir em frente. Imagino que haverá muita gente com medo que se comece a puxar o fio e se destape a panela dos horrores, não sei se haverá muita gente com vontade de ouvir o que realmente se passa em Guantanamo. Como se pode julgar alguém com base em testemunhos obtidos por meio de tortura?, como se pode querer justiça quando se tratam seres humanos, por muito culpados que sejam, daquela forma?

 

Voltando ao dia de ontem, os meus filhos estavam à mesa, fiquei admirado porque não sabiam do que se estava a falar, mesmo a imagem dos aviões a entrar pelas torres, tão familiar para nós, para eles era algo novo... é claro que é natural, eles tinham pouco mais de um ano quando aquilo aconteceu... já passaram 9 anos....e dizem que por cá a justiça é lenta.

 

Depois, como explicamos a uma criança de 10 anos que há um sitio onde se colocam as pessoas de cabeça para baixo com esta dentro de um balde de água? Naquela imagem quem são os maus e quem são os bons? Como explicamos que aquilo se passou no país onde supostamente se defende a democracia no mundo?, como explicar algo em que eu próprio me recuso a acreditar? 

 

Se eu já não consigo entender quem são os bons e quem são os maus, como posso explicar?

 

Jorge Soares

publicado às 22:14


22 comentários

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De Leamar a 27.11.2009 às 10:10

Filho - Pai, o que é democracia? .Pergunta o garoto de 4 anos.

Pai – Olha, por exemplo a nossa família.
*Eu tenho a minha fábrica, vendo os meus produtos e entrego o dinheiro à mamã. Portanto represento o capitalismo.
*A mamã que recebe o dinheiro paga todas as contas: Supermercado, escola, roupa etc. Representa portanto o governo.
*A Maria trabalha nesta casa há anos. É ela quem faz a comida, lava, passa, faz a limpeza. Portanto ela representa a classe operária.
*Tu que já estás na escola representas a classe estudantil.
*O teu irmãozinho que ainda é um bebé representa o futuro.

Na madrugada seguinte o garoto acordou com o irmãozinho a chorar.
Aproximou-se de berço e percebeu que o pequeno tava todo borrado.
Foi ao quarto da mãe chamá-la mas a mesma estava dormindo profundamente e o pai não estava lá.
Foi chamar a Maria e o pai tava lá ...a “aviar” a empregada.
Voltou para a cama devagarinho sem fazer barulho, entrou debaixo das cobertas, tapou os ouvidos e dormiu.

Durante o pequeno almoço da manhã seguinte disse para o pai:
- Pai, agora eu entendí o que é democracia!
- Muito bem, então diz lá.
- É assim: enquanto o governo dorme, o capitalismo vai “aviando” a classe operária, a classe estudantil fica perdida sem saber o que fazer e o futuro padece todo borrado!
Ehehehe...
Agora a sério... A Justiça é um fenómeno social. A justiça e injustiça, portanto, não pertencem à lista das faculdades naturais do espírito ou do corpo, como acontece com os sentidos ou as paixões. Torna-se por isso algo imposto de acordo com a ideologia de cada nação. O que é justo para um torna-se injusto para o outro. Para mim a tortura é crime, devendo por isso também ser julgada e punida. Mas em países onde se pensa que através da mesma se alcança a verdade, a tortura serve como meio para atingir um fim...aceitável portanto! Devemos lutar para que isso não se difunda nem se espalhe, como vem sendo hábito com tudo o que vem dos Estados Unidos. Eu não quero que a minha filha se reveja num conceito de justiça daquele tipo, embora explicar-lhe isso em tenra idade será sempre uma tarefa mmmuuuuiiiiiiitoooo difícil. Ela ainda só tem três aninhos...Vou esperar.
Já me vejo à rasca para lhe travar as birras, nem imagino como será explicar tais conceitos!! Vamos a ver como corre...
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De Jorge Soares a 29.11.2009 às 22:41


Há muito que não via essa anedota.

Pera... o que queres dizer com:

A justiça é um fenómeno social?

A justiça não é aplicada segundo regras e leis?, como pode ser um fenómeno social?

Talvez a forma como as leis são aplicadas e interpretadas seja um fenómeno social, mas isso não é a justiça, são as pessoas.... acho eu!

Tenho uma amiga que diz que é por estas e por outras que não se vê televisão ao jantar... o mundo está a ficar complicado demais.

Boa semana
Jorge
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De Leamar a 30.11.2009 às 09:23

Quando digo que é um fenómeno social estou a referir-me a que o conceito existe porque há uma sociedade. Quando o "pessoal" era nómada e não havia fronteiras...há "bué bué bué tempo"...o conceito justiça com regras de acordo com a mentalidade de cada nação não se aplicava!
Sendo um fenómeno social é obvio que tem de ter regras e leis...mas como sabes estas variam muito de país para país...por isso essas regras e leis não são universais. Dependem bastante daquilo que os "seres pensantes e fazedores de leis" pensam...
Pronto...o meu cérebro deu um nó...
Como explicar isto de maneira a que faça sentido??
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De Leamar a 30.11.2009 às 09:44

Sabes Jorge...esta coisa do fenómeno social aplicado ao conceito justiça, vem dos meus tempos de escola numa aula de filosofia!
Passámos também uma aula inteira a tentar defenir o termo e penso que o meu cérebro deu um nó também naquela altura... Não se chegou propriamente a uma conclusão definitiva. Apenas se chegou à parte do fenómeno social...
A partir daqui era uns a puxar para um lado, depois outros com exemplos a demonstrarem o contrário, depois lá vinha o "stôr" a por mais uma lenha na fogueira...chegou-se a uma altura que ninguém se entendia!
Aula idêntica em embrulhada mental foi sobre a diferença entre ser-se inteligente e ser-se esperto! Deu pano para mangas...

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