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Adopção, há pessoas com o coração do tamnho do mundo

 

Imagem da internet

 

Ontem estive umas horas no Stand da  associação  Meninos do Mundo na Natalis, apesar de que a feira estava morta, para um Sábado à noite havia pouquíssima gente, um Stand onde se fala de adopção chama sempre a atenção.

 

Já quase ao fim da noite e talvez porque o Meu N. e as duas miúdas da João pintavam a manta por ali à volta, acercou-se uma senhora e perguntou se tínhamos muitas crianças ao  nosso cuidado. Desfeita a confusão, a Meninos do Mundo é uma associação de apoio à adopção e não tem instituições com crianças, a conversa foi mais ou menos assim:

 

-Eu tenho 3 sabe?

-3, ... 3 crianças adoptadas?

-Sim, .. bom, adoptadas não, elas estão comigo, elas foram retiradas à mãe e estavam numa associação, como éramos os únicos que as visitávamos e eu disse que as queria, o tribunal entregou-mas.

 

A senhora, que já tinha um filho, tem à sua guarda 3 irmãos, sendo que a criança mais velha tem 13 anos e a mais nova 7...e tem um filho de 10 anos. As crianças estão à sua guarda há mais de dois anos. Não eram da sua família, eram crianças que ela conhecia e que se não fosse por ela estariam de certeza absoluta institucionalizadas e possivelmente separadas, dada a diferença de idades. Como as crianças lhe foram entregues à sua guarda e não como família de acolhimento, ela não tem direito a nenhum apoio do estado e todos os gastos de todos os tipos são por sua conta. 

 

Ela veio ter connosco porque precisava de informação, quer aquelas crianças mas não sabe o que fazer. A verdade é que não pode fazer muito, a mãe mantém o contacto, aparece de vez em quando, isto faz com que o tribunal não mude a medida de protecção, o mais certo é que as crianças passem o resto do tempo até serem maiores de idade com ela, porque mesmo que a mãe deixe de aparecer, e as crianças vão para adopção, numa situação como estas a segurança social deverá dar primazia à família com quem elas vivem, até porque com a idade delas, nunca haverá outros candidatos para estes três irmãos.

 

Há pessoas que tem o coração do tamanho do mundo, dizia-me a senhora que gostava de dar muitas coisas às crianças, não pareceu que passassem necessidades, mas com 4 filhos e como ela dizia, não há idas ao circo ou férias, mas eu vi nos olhos dela que trocava tudo isso por aquelas crianças de muito bom grado.

 

Bem haja para quem tem esta capacidade de amar.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:46


22 comentários

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De xana a 14.12.2009 às 00:01

Felizmente que o Juiz titular do processo, atribuiu a guarda das crianças á sra que disse querer a guarda das mesmas. Parece-me caso raro, tendo em conta o que se lê, e o que se vê nos noticiários, nas mãos de outros juízes, o mais certo era as crianças continuarem institucionalizadas à espera da familia as querer de verdade, ou as deixar de vez para adopção, o que com a idade das mesmas seria o mesmo que deixá-las intitucionalizadas até à idade de caminharem na vida por si mesmas.
Felizmente que há pessoas capazes de amar para além de todas as barreiras.
bjks
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De Jorge Soares a 15.12.2009 às 23:53

Olá Xana

Parece que tudo o que tenho escrito por aqui.... não caiu em saco roto... muito bem dito

Beijinho
Jorge
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De Existe um Olhar a 14.12.2009 às 00:01

Olá Jorge
É enternecedor saber que no mundo egoísta e conturbado em que vivemos, ainda se encontrem pessoas como tu, como a senhora com quem falaste e tantas mais... anónimas, sem esperar reconhecimento nem protagonismo.
Pena é que não hajam ajudas que contemplem todas as situações, mesmo não estando legisladas.
É impossível ficar indiferente ao ler o que escreveste e o que mais dói é a incapacidade que se sente para modificar alguma coisa.
Termino como tu:
Bem hajam!
Uma boa semana
Beijos
Manu
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De Jorge Soares a 15.12.2009 às 23:55

Há muitas coisas erradas em tudo isto... mas resta-nos o enorme coração destas pessoas.

Beijinhos
Jorge
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De DH a 14.12.2009 às 12:21

Obrigada por partilhares aqui esta "história".
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De Pedro Oliveira a 14.12.2009 às 14:25

Que esta senhora tenha a estrela que a continue a iluminar.
abraço Jorge
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De Jorge Soares a 15.12.2009 às 23:56

A ela e Às crianças... que bem merecem ser felizes.

Jorge
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De Ana a 14.12.2009 às 14:52

Pois é... se falasse com a D. Florinda e o Sr. João veria nos olhos deles que também eles tudo dariam pela felicidade da Xaninha!! Também eles nada receberam por estar com a menina, nada pediram! Só e apenas que ela fosse feliz...e como sabiam mais do que muitos de nós acerca da mãe e pai dela, agiram de forma extremada indo para tribunal. Apenas e somente para que a menina não sofresse. Disse a D. Florinda:
" Se eu tivesse a certeza que a Natália não bebesse mais e tratasse a Xaninha com amor e carinho eu jamais separaria mãe e filha!"
Pena que haja alguns que não acreditam nela e acham que ela quer ser mãe à força... fora da lei...
Depois de tudo o que tentaram para que Natália se recuperasse do alcool e da vida que levava...Doi muito!!!
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De Jorge Soares a 14.12.2009 às 15:10

Com respeito ao caso da Alexandra, não retiro uma virgula daquilo que disse anteriormente.

Continuo a achar que foi cumprida a lei e a meu ver, bem, assim como está a ser cumprida a lei no caso que apresento, aliás, uma das coisas que disse à senhora é que algo parecido lhe poderia acontecer e nessa altura ela deveria estar preparada para isso.

Existem em Portugal perto de 600 crianças em condições de adoptar e para os que não há candidatos, porque é que o casal não se candidata e adopta outras destas crianças?

Jorge soares
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De Ana a 15.12.2009 às 09:23

"Existem em Portugal perto de 600 crianças em condições de adoptar e para os que não há candidatos, porque é que o casal não se candidata e adopta outras destas crianças?"

Fez essa pergunta a essa senhora?
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De Jorge Soares a 15.12.2009 às 09:33

Há uma enorme diferença entre alguém que acolheu 3 crianças que estavam numa instituição e que nunca sairiam dali e alguém que quem sabe como e a troco de quê ficou com uma criança à margem de todas as leis.

Já agora, eu tenho um filho adoptado e estou num segundo processo para adoptar outro, a senhora além da preocupação com este casal, tem mais alguma preocupação com as mais de 11000 crianças que estão institucionalizadas neste país?, não acha que toda a energia e até dinheiro que já se gastou neste caso poderia ser gasto em prol de todas essas crianças?

A casa que queriam oferecer aquela família que vive a sua vida na Rússia e que quer é que os deixem em paz, não poderia servir para uma das muitas famílias necessitadas deste país?

E o Emprego que queriam oferecer à Natasha, será que poderia servir para um dos 500000 mil desempregados?

Não?

Jorge Soares

Jorge Soares
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De Ana a 15.12.2009 às 09:44

As minhas preocupações não são para aqui chamadas, até porque não me conheçe para estar a insinuar tal coisa...
Apenas estou a explicar o meu ponto de vista educadamente e tentando não ferir o seu ponto de vista. Eu compreendo-o!!!
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De Jorge Soares a 15.12.2009 às 11:57

Tem Razão e peço desculpa se a ofendi.

A mim irrita-me toda a atenção que dão a este caso encerrado, e não se dá atenção nenhuma às milhares de crianças que penam, esperam e desesperam nos centros de acolhimento nacionais.

Jorge Soares

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De Ana a 15.12.2009 às 14:03

Peço desculpa também...
Percebo o seu ponto de vista e não vou insistir mais neste caso encerrado, até porque o prezo demasiado para debater consigo!! E sei que tem bom coração e bons sentimentos...
Tem também toda a razão relativamente às crianças institucionalizadas...há que dar-lhes mais atenção! Há que mover as pessoas a pensar mais e melhor sobre esta matéria...o problema é fazer agir quem tem o poder e dever de agir!!
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De Ana a 15.12.2009 às 09:40

"aliás, uma das coisas que disse à senhora é que algo parecido lhe poderia acontecer e nessa altura ela deveria estar preparada para isso"

Existe lá alguma preparação para isso?? Substituirá uma outra criança o amor, carinho e preocupações que sentiu, sente e sentirá por aquelas crianças??

Ouça, eu não estou a desafiá-lo nem coisa que se pareça...Concordei consigo relativamente ao caso Esmeralda, mas no caso da Alexandra a situação parece-me um pouco idêntica a essa de que fala. Pareceu-me que para si o casal Pinheiro não passam de prevaricadores que fizeram tudo à margem da lei e essa senhora apenas tem bom coração!! Não estará ela a fazer o mesmo, sendo que os pais das crianças serão portugueses e não estrangeiros ilegais, e desta forma o processo não será certamente o mesmo?? Não será que agora, por ouvir e conhecer uma situação idêntica, a mesma não lhe terá chegado ao coração?? A da Alexandra é-lhe distante...portanto mais fácil de julgar.
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De Rolando a 14.12.2009 às 19:47

Meu caro Jorge

Vai sendo infelizmente... cada vez mais rara a capacidade de entrega desinteressada, o espírito de sacrifício a que a adopção obriga.

Os seis tempos em que conjugávamos os verbos ( eu, tu, ele, nós, vós, eles ) estão reduzidos a dois.

EU e ELES

O mundo é cada vez mais o umbigo de cada um. Portanto... bem hajam todas as excepções.

Um abraço.

PS. Jorge... estou de mudanças, não estranhes as coisas fora do lugar, ok?

Rolando
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De Jorge Soares a 15.12.2009 às 23:57

Cada vez há menos capacidade para amar... assim, sem pedir nada em troca, amar só pelo desejo de amar.

Abraço Rolando

Jorge
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De eva lima a 15.12.2009 às 16:00

Conheço um caso idêntico. Um casal amigo tem dois irmãos ao seu cargo, entregues pelo tribunal, porque quando foram retirados à família biológica e sendo ela madrinha da menina (à época com 3 anos) lhe foi perguntado se queriam/tinham condições para os acolher durante um tempo até a situação estar tratada (tratamento do alcoolismo dos pais). Ficaram e receberam durante um ano como família de acolhimento, depois foi-lhes comunicado que os pais não tinham condições para os reaverem e que as crianças iam para uma instituição (para duas diferentes e em cidades diferentes, por serem um menino e uma menina) ou podiam ficar com eles mas sem receberem como família de acolhimento (ninguém me pergunte por quê, porque nem eu nem eles sabem).
Assim dobraram o nº de filhos, têm dois biológicos e estes dois do coração.
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De Jorge Soares a 15.12.2009 às 16:25

Normalmente o tribunal nesses casos entrega a criança com a figura de Pessoa Idónea. A Pessoa Idónea é alguém a quem é confiada a criança temporariamente porque existe uma relação.

Não tem direito a ajuda de nenhum tipo porque na realidade não é entregue como família de acolhimento.

Há quem faça do acolhimento de crianças uma profissão, e esses tem direito a ajudas e a subsídios, quem faz disto profissão evidentemente que não cria laços de nenhum tipo com as crianças.

É uma estupidez e uma tremenda injustiça, mas é assim.

Jorge
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De mautemponocanal a 16.12.2009 às 11:06

Olá Jorge,
só hj vi este seu post e...deixou-me a pensar mais uma vez nestas questões de adopção de crianças. Eu tenho 2 filhas biológicas e uma casa com condições para acolher mais. Tenho uma enorme vontade de ajudar os outros. Porém, tendo em conta as condições da adopção em Portugal tenho vindo a adiar a minha decisão em m candidatar...
Uma vez que não tenho a coragem de enfrentar essas dificuldades, se por acaso houver alguma forma de ajudar na associação da qual diz fazer parte, por favor comunique. O mundo pode ser egoísta mas alguns de nós ainda podemos fazer a diferença.
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De Teresa a 17.12.2009 às 15:40

Ainda há pessoas com o coração do tamanho do mundo, felizmente.

Beijinho grande***

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