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As palavras também morrem .....

por Jorge Soares, em 13.01.10

Buçaco.. é o que diz a placa

 

 ... porque nascem, e tudo o que nasce, mais tarde ou mais cedo, morre.

 

Vem isto a propósito das minhas dúvidas sobre como se escreve Buçaco e que expressei neste post do momentos e olhares, que não é uma dúvida só minha, basta dar uma olhadela pelo Google para verificar que a maioria dos naturais da daquela zona escreve Bussaco. de tal forma que até o Palace Hotel do Bussaco, fica no meio da mata do Buçaco... podem ir ver o site!

 

Tudo isto fez-me recordar o acordo ortográfico, que o Paulo Sousa explicou bastante bem no post  O que muda com o acordo ortográfico? no Vila Forte. A maioria das pessoas é contra o acordo, o ser humano é conservador por natureza, todos aprendemos a ler e escrever segundo as regras do livro amarelo... ou de outro qualquer descendente daquele, agora achamos que aquelas regras são sagradas e aí de quem  tente dizer que elas já não são válidas.

 

Se nos detivermos uns minutos a pensar, e foi o que fiz depois de ler o post e os comentários do Paulo, se calhar podemos mudar de ideias... eu mudei, vejamos:

 

Em primeiro lugar, não muda nada, simplesmente há uma serie de palavras que passa a ter duas formas de se escrever.

 

Os Brasileiros são 190 Milhões, comparado com o nosso é um mercado gigantesco, o facto de passar a haver regras comuns fará que aconteça o mesmo que acontece na América latina de língua espanhola em que a Real Academia dita as regras, qualquer livro editado no Brasil passará a ser aceite também em Portugal, o que em principio fará com que os livros desçam de preço, não é a mesma coisa fazer uma edição de 10 ou 20 mil livros que uma de 100 mil ou uma de um milhão.

 

Isto para já não falar dos muitíssimos livros que são editados no Brasil e que não o são por cá e aos que passaremos a ter acesso facilitado, ora mais livros no mercado farão descer os preços, como diz o Paulo e muito bem, basta olhar para os preços dos livros em língua Inglesa que mesmo em Portugal são mais baratos que os em língua portuguesa, economia de escala.

 

Além disso não vale a pena tentar enganar-nos, eles são 20 vezes  mais que nós, mais tarde ou mais cedo a evolução natural da língua ia levar a isto... Assim como o Bussaco evoluiu para Buçaco... ou o contrário... assim as palavras iriam evoluir para a forma utilizada pela maioria... afinal, não foi assim à tanto tempo que se escrevia Pharmacia.... certo?

 

Já agora, a fotografia foi tirada no Luso, se repararem bem, diz Buçaco......

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:52


5 comentários

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De Existe um Olhar a 13.01.2010 às 22:59

Olá Jorge
Já um dia deixei um pequeno apontamento no meu blog sobre o acordo ortográfico. Não escrevi sobre o que penso , porque tenho muitas dúvidas e ainda não tenho opinião formada sobre este assunto que é tão controverso.
Visto por um prisma comercial em que o preço dos livros descerá caso seja editada maior quantidade, aí concordo e acho magnífico, agora se se pensar na confusão que vai gerar quando se tratar de compreender e ensinar o significado de muitas palavras ás crianças, que já agora dão tantos erros, que acontecerá depois?
Beijos
Manu
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De Jorge Soares a 17.01.2010 às 00:58

Olá Manu

Na verdade não vão mudar muitas coisas, as palavras vão passar a ser válidas nas duas formas, imagino que a maioria de nós continuará a escrever como sempre escreveu.

Com o tempo as diferenças irão sendo menores e a maioria irá impor a sua vontade...

Beijinho
Jorge
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De xana a 13.01.2010 às 23:39

Segundo conheço este país, não me parece que vão baixar os preços dos livros, só porque no Brasil a edições são em maior escala. Basta ver que os cd de bandas internacionais tem o mesmo preço que o cd da banda do Zé da esquina, e que nos outros países os mesmos cd dessas bandas tem um preço mais baixo que em Portugal. Não é com esses argumentos que me convencem. Podiam ser 250 milhões no Brasil e mais não sei quantos milhões na África, que a forma de escrever devia se a portuguesa de Portugal, a língua deles deriva da nossa, não o contrário. Agora se vamos pelos milhões de habitantes em cada país, corremos o risco de ainda ter de escrever em língua índia ou em dialecto, afinal eles são muitos mais que nós. Se há uma coisa que marca a história e cultura de um país é a sua língua. É certo que historicamente já perdemos tanto, perder na forma de escrever português, é só mais uma forma de perder identidade, e já nem faz grande diferença no meio de tudo o que temos perdido nas últimas décadas. Eu não aceito a mudança, na forma como escrevo, vou continuar a escrever como sempre escrevi, se acharem que vou estar a dar erros, paciência, eu também posso achar que são os outros a escrever errado. Aceito que possam haver evoluções nas língua, na forma como a mesma é escrita, mas não assim.
Eu não sou contra as mudanças e evoluções, apenas acho que as coisas deviam ser feitas de modo a serem os outros a adaptarem-se á evolução do português de Portugal, não o Português de Portugal, adaptar-se ao Português do Brasil, afinal em África também uns bons milhões e não vai haver adaptação para o Portugês de África.
bjks
bjks
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De Jorge Soares a 17.01.2010 às 01:06

Olá Xana

Por acaso quando estava a escrever o post pensei que tu irias barafustar... acho que é a primeira vez que não estamos de acordo... alguma vez tinha que ser.

Xana, a língua deles e a nossa é a mesma, e não é deles nem nossa, é a língua e não faz sentido nenhum que para a mesma língua existam duas formas diferentes, se nos mantivermos numa posição de teimosia o que vai acontecer é que as diferenças vão aumentar e vão passar a ser duas línguas, com o tempo qual achas que se iria impor no mundo, a dos 200 milhões ou a dos 10 milhões?

A língua que levamos para lá não tinha nada a ver com a que falamos agora, evoluiu, também achas que não devia ter mudado e continuar a ser como era à quinhentos anos? não, claro que não.

Não sei a que chamas identidade, mas para mim não é de certeza mantermo-nos encerrados em nós mesmos, o mundo gira à nossa volta e ou giramos com ele ou ficamos para trás, aceitar a evolução não é perder a identidade, é construir uma nova identidade.

Beijinho
Jorge
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De aespumadosdias a 14.01.2010 às 20:08

Só conhecia a palavra Buçaco. Também sou contra o ortográfico. O nosso português é a língua mãe e parece que o querem destruir.

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