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Os meninos dos carrinhos de arame, Cabo Verde

 

Há coincidências na vida bem curiosas, hoje de manhã abri um mail que recebi há um ou dois dias da Eugénia, o Subject era:Obrigatório Ler... , lá dentro um Texto de Fernando Nobre em que se fala do valor do salário mínimo nacional e dos valores altos das pensões, no geral é um texto com o que concordo, efectivamente o Salário Mínimo é baixo quando comparado com muitos dos países da Europa comunitária e há pensões que são um escândalo. Mas o que me chamou a atenção e me levou a responder à Eugénia foi a seguinte frase:

 

"Os números dizem 18% de pobres... Não me venham com isso. Não entram nestes números quem recebe os subsídios de inserção, complementos de reforça e outros. Garanto que em Portugal temos uma pobreza estruturada acima dos 40%, é outra coisa que me envergonha..."

 

O sublinhado não é meu.

 

Dei por mim a pensar na conversa do Taxista numa das viagens para o interior da ilha em Cabo Verde. "O Salário mínimo são 9000 Escudos, mas eu conheço pessoas que ganham metade disso" Para obter o valor em Euros basta dividir por 100. Tudo na vida é uma questão de perspectiva, se tivermos em conta que o preço das coisas nos supermercados custa o mesmo ou mais que cá, se chamamos pobres a 40% da população portuguesa, o que dizer do povo de Cabo Verde? E dizia-me alguém que Cabo Verde é dos países com melhor nível de vida em África.

 

Curiosamente a meio da tarde vi esta noticia do Público em que o senhor diz que é candidato à Presidência da República. ... Para alguém que é presidente da AMI, alguém que deve ver muitas vezes situações piores que as de Cabo Verde, acho que as afirmações acima estão completamente fora de perspectiva.... e só as entendo se as enquadrar na pré-campanha eleitoral.

 

Quando estava em Cabo Verde e apareceram as crianças das fotografias com os carrinhos feitos de arame, lembrei-me de uma conversa com o meu pai, em que ele contava que quando era criança fazia os seus próprios brinquedos com arames e madeira, tal qual os que as crianças traziam. Reparem, o meu pai tem mais de 60 anos, estamos a falar do Portugal de há  de 50 anos atrás.... .. é essa a situação actual das crianças em Cabo verde. E eu vi muitas crianças nas ruas e nas estradas, mas para além de uma ou outra bola, não vi mais brinquedos que estes...e não me lembro de ter visto uma loja de brinquedos, ou um centro comercial.. aliás, para além de dois ou 3 supermercados e muitas lojas de chineses, não vi lojas.

 

Tudo na vida é uma questão de perspectiva,eu também acho que deve ser difícil viver com 450 Euros por mês, e concordo que o salário mínimo deveria ser aumentado, mas não me digam que 40 % das pessoas em Portugal são Pobres, nunca neste país se viveu tão bem, alguém deveria dizer ao senhor o que é ser pobre, e todos deveríamos de vez em quando visitar Cabo Verde, ou outro país onde realmente exista pobreza... só para entrarmos em perspectiva.

 

Quanto ao Sr Fernando Nobre, é cedo para a campanha eleitoral..e se como presidente da Ami ainda não conseguiu colocar-se em perspectiva sobre a realidade do mundo em que vivemos, o melhor é que se continue a dedicar à Medicina e deixe a politica de lado.

 

Jorge Soares

 

PS:imagens minhas do Momentos e Olhares

publicado às 21:31


23 comentários

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De xana a 17.02.2010 às 23:48

Eu tinha aqui um testamento... sem saber como apaguei... era algo que dava para uns posts catitas...
Para se ocupar poleiros como os canários, é preciso saber-se cantar... a perspectiva desse sr. é entre a diferença de salário de um médico que deve salvar vidas, e o salário do P.R. que deve governar vidas...
bjks
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De Jorge Soares a 18.02.2010 às 21:42

Opá..... só por casa disso, vou deixar o post amadurecer mais um dia... quem sabe e hoje não te inspiras e deitas cá para fora....

Gostei da tua análise do canto do canário... valeu

Beijinho Xana
Jorge
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De xana a 18.02.2010 às 23:51

As ideias perdem-se muitas vezes quando as deixamos cair ainda verdes... é o caso... mas acredito que as pessoas em Cabo Verde são mais felizes com muito menos que algumas pessoas em Portugal com muito mais. O problema em Portugal, é a pobreza escondida, não aquela que se vê, que é aparente(isso mesmo, aparente). Quem é mesmo pobre, muitas vezes ninguém sabe, porque as pessoas têm vergonha, e passam fome, frio e todo o tipo de necessidade, sempre escondidas. As pessoas que se vê na televisão, na maioria dos casos são pobres, sim, de espírito. Não há nada que mais me revolte que ver as pessoas na televisão a queixarem-se que vivem sem condições, em casas cheia de humidade, e depois vêm-se paredes negras da humidade, mas aí, é um caso de higiene, não de pobreza, porque uma vassoura, um pano e lixivia, tratam disso em três tempos, e acredita que sei do que falo, porque a minha casa leva as paredes lavadas a cada 15 dias, ou mesmo a cada 8 dias. As pessoas queixam-se que o Estado não as ajuda, quando são elas que não querem ser ajudadas, porque se aceitarem trabalhar, as coisas até nem são tão más, mas pronto o Estado que não as ajuda até lhes paga o rendimento social de inserção... as pessoas queixam-se, mas o que fazem? Continuam a queixar-se do Estado, que ninguém faz nada, e elas em nada ajudam porque recusam todas as ofertas de trabalho, em que tem de descontar para a segurança social, como tu, como eu, e como grande parte das pessoas que levantam o cú da cama, bem cedo para trabalhar e ter comida na mesa todos os dias. As pessoas muitas vezes dão-se ao luxo de deitar fora as roupas que receberam de instituições, e depois vão para os centros comerciais comprar roupa de marca no dia a seguir. As pessoa querem que o Estado lhes dê uma casa, com condições, quando nunca descontaram um cêntimo nem para impostos, nem para a segurança social, tu, ou eu, ou quem trabalha, não tem direito a casa, se queres um tecto, tens de pedir dinheiro ao banco... Eu que tenho um ordenado um pouco nada, acima do ordenado mínimo, se tivesse um filho com 6/7 anos, receberia 30€ por mês de abono de família, para fazer face à alimentação, despesas com educação, saúde, o normal que uma criança necessita, enquanto os que não descontam, ou nunca descontaram recebem mais, e mais ainda se tiverem mais filhos. Há umas semana vi um documentário, em que um casal tem 10 filhos, e só o pai trabalha, numa pequena empresa de brindes publicitários, que é sua. A mãe, não trabalha para poder dar apoio a uma familia tão numerosa, sendo que a mioria dos filhos estuda, e até são alunos exemplares. Este casal rcecebe de abono de família 30€ por cada filho... porque o pai é empresário e trabalha por conta própria. Este casal, tem filhos educados, que estudam com mérito, e que serão cidadãos honestos, e responsáveis no futuro, e não é ajudado, quando ajudou no crescimento do país com cidadãos responsáveis. Aqui ao meu lado há um casal com 5 filhos que recebe cerca de 600 € do Estado, para os filhos, mais o rendimento de inserção para a mãe. A mãe está grávida do 6º filho, de propósito, porque assim recebe mais para estar em casa e cuidar dos filhos, e ainda recebe comida da cáritas. Afinal, parece que a pobreza existe, sim, escondida, e para quem trabalha que não tem apoios de lado nenhum. Quem nunca descontou, ganha balurdios para não fazer nada, para se multiplicar em grande número de filhos que vão viver do mesmo, à conta da segurança social, que é paga com os teus, com os meus descontos, com os descontos de quem trabalha. Se o teu vizinho se queixar que tu maltratas os teus filhos, ainda que não o faças, tens a segurança social à porta, que depois os leva para uma instituição, lá o mais longe possível da tua casa. Nos bairros de lata, e aos ciganos a segurança social não vai retirar crianças, porque passem fome, frio ou sejam maltratadas, nem sequer passam lá perto, quanto mais lá entratrem... O Estado dá dinheiro aos ciganos, e a quem nesses bairros vive, e que não quer trabalhar, e dá-lhes casas. Eu tenho que trabalhar, descontar, e se for ao banco, vão-me dizer que o meu ordenado não é suficiente para pedir um empréstimo para uma casa, mas o Estado a mim também não me ajuda. O povo de Cabo Verde é pobre, mas o povo português, em grande número... é hipócrita!
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De Jorge Soares a 21.02.2010 às 22:21

Olá Xana

E mais não digo, porque não é preciso..

Beijinho e boa semana
Jorge

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