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Tragédia na Madeira

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O que aconteceu na Madeira é lamentável, é sempre de lamentar quando se perdem vidas humanas, e na Madeira perderam-se muitas vidas humanas em poucos minutos.

 

É evidente que o nosso planeta está a mudar, podemos achar que as noticias sobre o aquecimento global e as alterações climáticas são mais ou menos exageradas, mas a verdade é que assistimos cada vez mais a fenómenos extremos, fenómenos que cada vez nos afectam de forma mais próxima e violenta.

 

Tenho estado a acompanhar as noticias através da televisão, hoje estive em casa e as imagens que nos vão chegando são sem duvida impressionantes e brutais.  Agora é hora de confortar os afectados, reparar os danos e seguir em frente, porque a vida segue sempre.

 

É claro que nestes dois dias as opiniões sobre o que aconteceu e sobre as suas causas, são mais que muitas, 99% das opiniões apontam para além da chuva, a incúria de quem decide. O 1% restante vem de uma única voz, alguém que para além de não aceitar as opiniões dos técnicos, diz que não fez nada de mal e que vai continuar a fazer o mesmo....  esta afirmação é para além de irresponsável, criminosa!

 

Ontem um dos repórteres mostrava uma rua convertida em rio e alguém dizia que aquele era o leito do  original do  rio, só que alguém o tinha desviado e encanado há uns anos, e no antigo leito do rio havia agora uma rua e muitas casas,  que evidentemente foram destruídas pela força das aguas que voltaram ao seu leito natural.

 

Este é o exemplo típico de aquilo que aconteceu na Madeira, leitos de rios desviados ou fechados entre 4 paredes, todo o espaço de cheia ocupado com ruas, casas, rotundas e até edifícios com um rio que os atravessa.... 

 

Se isto não é incúria, é o quê? Que o Sr. Alberto João Jardim é arrogante e desbocado nós já sabíamos, o que não sabíamos é que também é cego... sim, porque não há pior cego que o que não quer ver.

 

Por certo, ontem ao fim do dia havia 40 mortos declarados, durante a amanhã passou para 42, entretanto encontraram mais 5 de uma família que foi esmagada por uma grua...mas a contagem continua em 42..... não foi o Salazar que mandou mentir sobre os mortos das cheias na Lezíria?

 

Mas o que aconteceu na Madeira deveria de servir-nos a todos de exemplo, porque PDM's desrespeitados e/ou desenhados ao gosto do freguês imobiliário, há em todo o país.... assim como chuva, rios e ribeiras.

 

Podem ver neste post, como podem ajudar a Madeira.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:38


19 comentários

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De DyDa/Flordeliz a 22.02.2010 às 23:35

Admiro a tua coragem.
Falas abertamente sobre o que a Judite de Sousa não foi capaz de abordar porque se deixou intimidar pelos berros e o ar tresloucado do "João".
O homem controla, a polícia, os bombeiros, a protecção civil e a comunicação social.
Está com certeza preocupado com a situação e sofre como todos os Madeirenses no entanto já cansa ouvir falar na festa das flores (ainda bem que já passou o carnaval!...)
A situação é grave. Muito grave. Muito triste.
Com certeza ninguém fica feliz com situações destas.
Agora...podemos pensar alto, e temos o direito de pôr em causa se as coisas foram ou não bem-feitas.
Arre...
Proibido falar...
Proibido pensar...
Esperemos que pelo menos deixe o orgulho de lado e receba a ajuda necessário, sem se armar em todo-poderoso.
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De Rocky Balbino a 23.02.2010 às 00:18

Mas desde quando é preciso "coragem" para dizer a verdade em Portugal? Não somos uma Democracia? Na madeira manda o Bokassa, porque o povo analfabeto vota e ama o tirano. Lá, como cá, os políticos têm as mãos sujas de sangue, pelos motivos acima expostos e que exponho também no meu blogue. Se me quisrem processar, limito-me a levar a Tribunal técnicos que o confirmam!
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De DyDa/Flordeliz a 23.02.2010 às 01:06

Disse bem: Éramos uma democracia. Éramos!
Ultimamente, tenho a impressão, que fazemos parte da República "dos bananas" tal é a bandalheira que por cá reina.
Quanto ao "joão sabichão"...
Faz-me nervos, mas não é de agora. Deve ser de "outros carnavais".
Sempre que aparece no ecrã da TV e abre a boca parece que está a brincar ao faz de conta. Ou então, a tentar tapar uma cratera com um guarda-sol.
A situação é grave demais!!!

Cumprimentos

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De Jorge Soares a 24.02.2010 às 23:19

Bananas é mesmo na Madeira... bom, era antes de a chuvas as levar encosta abaixo... mas são bananas pequeninas, como a república do Alberto João...

:-)
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De Jorge Soares a 24.02.2010 às 23:17

Atendendo a toda a polémica dos últimos tempos e a tanto jornalista a chorar que nem uma Madalena ante os deputados.... não sei não...

Mas eu digo o que penso.... e mais nada.

Jorge
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De Jorge Soares a 24.02.2010 às 22:45

Olá

A Judite de Sousa é jornalista e trabalha para o estado, e o estado não admite certas coisas e muito menos agora que até parece que o contnente e o Alberto João parece que fizeram as pazes ....

Sim, temos esse direito e devemos fazer uso dele, porque é necessário aprender com os erros,... e tentar evitar que isto volte a acontecer... querer saber não é pecado, criticar o que está errado não é deitar abaixo é construir... sinto-me triste porque mesmo na blogosfera parece que não há quem entenda algo tão simples... enfim

Beijinho
Jorge

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De Abigai a 23.02.2010 às 08:56

"o que não sabíamos é que também é cego... sim, porque não há pior cego que o que não quer ver"
Infelizmente, não me parece que seja cego... sabe perfeitamente o que fez e o que dizem os técnicos... sabe perfeitamente o quanto é grave, não é cego, não é uma questão de não querer ver, é uma questão de fingimento, de faz de conta.
Importante é não dar muito alarido, é que o Turismo é mais importante do que as vidas que se perderam...
E quanto a servir de exemplo, tenho muitas dúvidas, é que quem manda em Portugal não costuma aprender com os erros dos outros!
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De Jorge Soares a 24.02.2010 às 23:22

Olá

No fundo, ele não faz mais que o que tem feito nos ultimos 30 anos, fazer de conta, por lá sempre se fez de conta que havia democracia e liberdade de expressão e pluralismo, agora faz-se conta que não passa nada e que o povo quer é festa, por isso em vez de se falar em luto, fala-se na festa das flores....

Mas tens razão, os portugueses são um povo de memória curta, nunca aprendemos nada com os erros.

Beijinho
Jorge
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De Leamar a 23.02.2010 às 11:52

A culpa ainda vai ser do electricista....

Todos sabemos que as alterações climáticas cada vez mais proporcionam notícias deste tipo, mas as precauções devidas não se tomam...pelo menos até que vá parar à CNN ou algo do género. Mesmo assim...calamidade?? Qual calamidade...isso é mau para o negócio!! Só é "bom" para vender jornais e notícias... Ah grande amigo madeirense! Os desaparecidos que aparecam, se enterrem e os sobreviventes que façam o que melhor sabem fazer...que é sobreviver! Mas depressinha para a festa das flores se realizar! Não podemos perder tal espectáculo...
Disse o entendidíssimo João Jardim que se não fosse o desvio dos leitos não haveria baixa do Funchal.
Pergunto eu: Não teria sido melhor não existir desde o principio? Não poderia a baixa ficar em outro sítio? Sei lá...num sítio mais alto, onde não fosse necessário tal intervenção? É melhor assim??
Mas quem sou eu???...Electricista é que não sou!!!

Já ouviste aquela parábola (penso que já a citei aqui num outro post):
Uma ponte caiu.
Vão o cimento, a areia, e o ferro a tribunal para ver de quem era a culpa.
O cimento diz: "A culpa foi da areia que era muito fina"
A areia diz: " A culpa foi do cimento que não prestava e era de má qualidade"
Então o juiz pergunta ao ferro: "Então e o senhor o que tem a dizer??"
"Eu, senhor Juiz...nem sequer lá estava! Como posso eu ter a culpa?"
Há por aqui muito ferro...
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De Jorge Soares a 24.02.2010 às 23:25

Do electricista não, mas do meteorologista que não avisou que era chuva a sério.. isso já ouvi algures... juro.

Ma solha que a anedota do cimento e do ferro de certeza que teria muito onde ser aplicada e explicava muitas coisas, de certeza absoluta.

Beijinho
Jorge

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De la Niña de las Pompas de Jabón a 23.02.2010 às 18:06

É impressionante a força da Natureza e como do dia para a noite, uma ilha que dizem belíssima (uma vez que nunca lá estive) se transforma num caos de lama, entulho, mortos, betão e lixo...
É, todavia, mais impressionante como moldamos a paisagem ao nosso prazer e desejo, julgando ser aquela a forma mais correcta de correrem os rios, desviando-os ou construindo sobre eles. É triste e lamentável que assim seja, que subestimemos o valor da Natureza que, dizem os pescadores mais velhos da minha vila, mais tarde ou mais cedo virá reclamar o que lhe roubaram.
E não consigo compreender como políticos como o Alberto João Jardim continua a governar o destino do povo...

Beijinhos*
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De Jorge Soares a 24.02.2010 às 23:30

Olá

Sim, é uma ilha muito bonita, principalmente pela beleza da natureza... que o homem se empenha em estragar..depois dá nisto.

Ele continua a governar porque mantém o povo feliz e a trabalhar para ele.... pobres mas felizes.

Beijinhos
Jorge



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De Zarco a 25.02.2010 às 01:46

Visite a Ilha e ficará a saber...
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De maripossa a 24.02.2010 às 19:43

Olá Jorge, boa tarde! Entrei no seu blog por acaso e gostei do que li. Realmente devemos chamar pelos nomes as coisas, como o fez aqui. O Alberto João, já nos habituou a este tipo de disparates há muito tempo, agora dizer, não vamos desmaterializar a situação.. porquê, está mais preocupado com o turismo que com o seu povo. Sei que ele controla tudo muito bem, mas ainda vamos ver daqui a pouco tempo, as pessoas a pedir, o que a enxurrada levou e não terem. Ele nem devia falar em festa, basta o povo sofrer o que está a sofrer, tem lá disposição para festas? uma brincadeira é o que é.
Abraço e vou voltar, gostei do que li. Lisa
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De Jorge Soares a 24.02.2010 às 23:46

Olá

Bem vinda ao meu humilde cantinho

Eu tento sempre chamar as coisas pelos nomes... e não tenho muito jeito para floreados e paninhos quentes

A parte da festa é chocante, porque as pessoas ainda nem foram a enterrar e já ele fala em festa, e parece que é o unico que o preocupa, a festa das flores... e há aldeias onde ainda há pessoas isoladas e sem meios, mas a baixa do Funcal está limpinha para os turistas... enfim.

Espero que voltes mesmo
Jorge
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De marta a 25.02.2010 às 16:35

Olá Jorge, não nutro qualquer espécie de simpatia pela figura boçal do Alberto João Jardim, nem pela política que pratica nem pelas ideias que defende, considero-o um ditadorzeco, mas desta vez, talvez só desta vez tenho que concordar em parte com a postura dele. Que me parece ter arregaçado as mangas e deitado já mãos à obra.
Não digo que não houve erros na construção da Madeira, apenas me parece que sempre que acontece algo de trágico, aparecem os profetas da desgraça, os que tudo sabiam. Não me choca ouvir o AJJ a querer fazer a festa das flores, é uma ilha que vive do turismo, a melhor ajuda aos Madeirenses é permitir-lhes continuarem as suas vidas e os seus negócios, choca-me sim, os que aproveitam a situação para ganhos políticos. E quanto à cobertura mediática, ou merdiática como se queria, é de fazer corar de vergonha.
Repetem-se as imagens até à exaustão e os testemunhos de sempre, seguidos pelos "analistas", especializados em casamentos, intempéries economia e liberdade. E em nome da liberdade de expressão, mostram-se imagens de cadáveres de bebés à hora do jantar e vendem-se jornais que quanto mais sangue exibirem na primeira página, melhor.... isto também me choca, isto também me parece um desrespeito pelos muitos que perderam a vida e os seus entes queridos e os seus bens.
Porque não mostrar um pouco de tudo, porque não mostrar o que sobreviveu na ilha, porque não mostrar também que a Madeira pode e deve continuar a receber turistas? Porque não imagens do que não sofreu danos?
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De Jorge Soares a 28.02.2010 às 23:51

Olá Marta

Respeito a tua forma de veres as coisas, mas como dizia num comentário acima, para além do luto, para além do sofrimento das pessoas, para além de tudo isto, é necessário tirar conclusões e lições do que aconteceu, porque isto não é a primeira vez que acontece, nem a segunda..e já morreram muitas pessoas antes,... e se simplesmente olharmos em frente e como disse o senhor, voltarem a colocar tudo como estava, de certeza que morrerá muita mais gente no futuro....

Beijinho
Jorge
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De Inês a 27.02.2010 às 21:28

Eu penso que não é o momento para se falar destas coisas. Não sou madeirense, como bem sabes, nem tinha especial afecto por esta ilha (como sabes também) mas vivi de perto tudo isto e magoa-me ouvir falar de "causas" por todo o lado, de PDMs, de falta de planeamento de território, de desvios de ribeiras. Magoa-me porque soa a "eu bem vos avisei" em vez de soar a um "estamos aqui para o que precisarem". Magoa-me porque não é isso que importa neste momento.
Deve falar-se das "consequências", do terror do que se viveu, do medo que as pessoas trazem consigo a partir de agora, do facto de não conseguirem dormir de noite, de terem perdido as suas casas, os seus familiares, vizinhos ou conhecidos, de deixarem de olhar para a chuva do mesmo modo, de julgarem as ribeiras assassinas e as montanhas como gigantes impiedosos.
É altura de deixar as pessoas fazerem o seu luto, o luto pela sua terra e pelos seus lugares. De as deixar ultrapassar o trauma que isto trouxe.

E só depois, bem a seu tempo, sim, devemos falar de planeamento, de ordenamento de território, de respeito pelos cursos da Natureza. Mas não é o tempo agora.

Pelo menos não para mim. E não tão cedo.

(Sabes que gosto muito de ti, que isto não é nada pessoal, mas como já não escrevo no meu blog venho desabafar para o dos outros ;)
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De Jorge Soares a 28.02.2010 às 23:56

Olá Inês

Tu sabes que tens a porta aberta pata vires desabafar as vezes que quiseres.

Tu para além de uma excelente pessoa, és alguém com formação na área, e sabes que dentro ou fora de tempo, a verdade é que as criticas tem razão de ser... e sabes que a culpa do que aconteceu é da falta de previsão..e da falta de aprender com os erros, porque morreu gente no Funchal em 1983, e tinha morrido muita antes, e se continuar tudo como está, voltará a morrer...e a culpa Inês, a culpa é de quem cala, de quem consente... eu não calo, por muito respeito que tenha pelas famílias que sofrem a perda dos seus, não me calo porque acho que se não queremos mais gente a sofrer no futuro, não nos podemos calar.

Beijinho Inês e espero que rapidamente voltes a escrever.

Jorge

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