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Bullying, a morte não pode ser a solução

por Jorge Soares, em 14.03.10

Violência nas escolas

 

 Professor vítima de bullying preferiu morrer a voltar ao 9º B

 

"Na véspera das aulas com aquela turma, Luís ficava nervoso. Isolava-se no quarto e desejava que o amanhã não chegasse. Não queria voltar a ouvir que era um "careca", um "gordo" ou um "cão". Não queria que o burburinho constante do 9.º B e as atitudes provocatórias de alguns alunos continuassem a fazê-lo sentir aquela angústia. O peso no peito. O sufocante nó na garganta. Luís não era um aluno. Tinha 51 anos e era professor de Música na Escola Básica 2.3 de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra. Era. Na semana antes do Carnaval, decidiu que não voltaria a ser enxovalhado. Pegou no carro e parou na Ponte 25 de Abril. Na manhã do dia 9 de Fevereiro, atirou-se ao rio."

 

Era assim que começava a noticia no público na passada sexta feira, definitivamente o Bullying é um tema que veio para ficar, mas esta noticia mostra-nos que a violência física e psicológica não atinge só as crianças, atinge também professores e restantes funcionários das escolas.

 

Mas há várias coisas neste caso que me deixaram perplexo, em primeiro lugar, segundo uma outra noticia do ionline o suicidio ocorreu a 9 de Fevereiro, mas só agora, após o caso virar noticia na comunicação social, o ministério da educação decidiu abrir um inquérito... isto quando era publico entre alunos e professores da escola que a situação era insustentável. O professor tinha feito pelo menos sete queixas à direcção da escola, queixas estas que não resultaram em nada... quer dizer, em nada não...  resultaram na morte de um professor.

 

Ainda voltando à noticia do publico, podemos ler o seguinte que foi dito por um dos alunos da turma em questão:

 

"Portava-me sempre mal, mas não era por ser ele. Somos assim em todas as aulas, é da idade", reconheceu um dos alunos que tiveram mais participações por indisciplina.

 

Da idade? desculpa?... da falta de educação, que não há idade que desculpe uma coisa destas, e depois foi caricato ouvir alguns dos pais das criancinhas, indignados porque eles é que eram as vitimas....

 

Definitivamente há algo de muito errado na nossa sociedade, não há nada que justifique a indisciplina e a falta de respeito nas aulas, assim como não há nada que justifique a violência sobre os colegas. Há sim uma enorme falta de educação e uma enorme irresponsabilidade por parte de pais que não vêem ou não querem ver que estão a criar uma geração que não respeita nada nem ninguém...  

 

Há uns tempos, neste post, escrevi uma frase que alguém retirou e que foi colocada em alguns blogs de professores, começo a perceber porquê, foi esta:

 

Hoje eles não respeitam os professores

porque já não respeitam os pais

e amanhã não vão respeitar ninguém.

 

Acho que está na altura de nós, como pais, como responsáveis pela educação de toda uma geração, comecemos a pensar o que estamos a fazer de errado, porque não tenham dúvida, a culpa é nossa, não é de mais ninguém. E chegou a altura de fazermos algo, porque a morte,  esta ou a do Leandro, não pode ser a solução.

 

Jorge Soares

publicado às 21:03


14 comentários

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De xana a 14.03.2010 às 23:59

Há cerca de um ano, numa reunião para se saber se iriam juntar todas as escolas primárias da freguesia, junta da escola 2/3 de Poceirão, um dos assuntos mais debatidos, foi a violência e má educação dos alunos da escolas 2/3, e como se iria reflectir nos mais pequenos do 1º ciclo ao juntá-los no mesmo recinto. Foi garantido que a nova escola do 1º ciclo já sobrelotada ainda antes de terminada, iria estar separada da outra por um muro, havendo apenas em comum o portão de entrada e o refeitório, onde os mais pequenos iriam estar sob vigilância, para que os maiores não roubessem a comida e para garantir que os mais pequenos comiam. Nada disto aconteceu, o muro de separação não existe, alguns do 2º ciclo aperecem na escola do 1º ciclo, às refeições parece que ninguém garante que os mais pequenos comem o indispensável. A D. almoça na ama, que a vem buscar para a refeição todos os dias, já para prevenir mesmo situações menos agradáveis. Acontece, que ainda na reunião do ano passado, e no meio da "discussão" sobre a violência, e sobre a educação dos miúdos, percebi que todos os pais presentes ( menos eu, que sou só a tia, e a minha irmã, mãe da D.) acham que é a escola que tem obrigação de educar os filhos deles. Para os pais são os professores e auxiliares que tem de educar as crianças, são estes os cuplados da má educação dos filhos. Os pais de hoje, chegam a casa e mandam os filhos para o quarto, não se interessando se estes estão a estudar, a ver televisão, a jogar, ou a falar com desconhecidos na internet. Depois, quando os miúdos fazem asneira, ainda tem a lata de perguntar o que é que aprendem na escola, porque não tem educação nenhuma... Ora perante isto, não me espanta que as coisas estejam neste estado. Eu daquelas que tem a certeza que a educação começa em casa, e que a escola é um complemento do que nós ensinamos aos nossos filhos. Para mim a escola é para se ensinarem as matérias e cumprir com o programa escolar, sendo a parte educacional de respeito pelos outros e boas maneiras apenas complementada, com a ajuda dos professores e auxiliares e colegas de escola, é o aprender a viver em sociedade. Os pais não se podem demarcar destes assuntos culpando a escola porque não dá educação às crianças, esse é o papel deles em casa, não é mandar os filhos para o quarto, porque tiveram um dia de trabalho muito cansativo. Assim mais vale terem um boneco de peluche que podem colocar num armário quando não estão com disposição para educar crianças. Eu fico de cabelos em pé, quando saio de casa e vejo as crianças à solta dentro de lojas, e por todo o lado, a mexer, estragar e os pais não dizem nada, ou quando o fazem é numa onda tão despreocupada que até os miudos gozam com a cara deles, mostrando claramente quem manda... Eu não sou apologista da palmada fácil, acho que boa educação, regras e respeito fazem toda a diferença, embora ainda que em rara ocasião um açoite não faça mossa, mas assusta. Não podemos usar violência gratuita com os miudos e depois exigir que eles sejam pacificos, mas também não os podemos deixar livres e à vontade para serem eles a mandar e a exigir, e a desrespeitar os outros. O respeito começa em casa, e parece-me a mim, que é o que falta às crianças portuguesas. As discussões do casal, a falta de respeito em frente dos filhos, são um ponto de partida para a má educação. Todos estes são factores que contribuem para o panorama actual. A juntar a todos estes factores, o ter sido retirada a autoridade dos professores, e o dar largas ao estatuto do aluno, estamos a acaminhar para o caos. Claro que não é preciso munir os professores de régua como antigamente, mas deixá-los darem um puxão de orelhas quando necessário nunca matou nenhum aluno, e nem ninguém ficou com umas orelhas tão grandes que hoje se envergonhe que lhe tenham sido puxadas. Por de castigo um aluno que bateu num colega, nunca fez mal a ninguém.
Já vai longo o comentário, mas ainda conto que na escola da D. há uma menina do 1º ano que tem probelmas de audição e tem necessidades educativas especiais, há umas semanas outras garotas do 1º anos, fecharam a menina numa casa de banho de despiram-na de cintura para baixo e chamram os outros colegas para ver. Ainda houve uma menina que tentou chamar alguém, mas não encontrou ninguém que ajudasse.
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De xana a 15.03.2010 às 00:06

Como é de esperar a mãe da criança dirigiu-se à escola, e segundo parece ninguém viu, ninguém sabe de nada, e agora a criança não que ir á escola, está traumatizada. Parece que na escola da D. nunda ninguém vê nada. As auxiliares façam os miudos o que fizerem, dizem que é normal, que são coisas da idade, os professores dizem que não querem queixinhas, e depois o que acontece são estas cenas de violência gratuita entre crianças, algumas delas com 6 anos.
Já me estiquei demais, e já "bati" em tanta gente... mas parece que os maiores culpados de tanta violência são mesmo os adultos, ou porque não educam, ou porque só querem saber, quando os acontecimentos saltam para os noticiários e o mal já está feito.
bjks
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De Jorge Soares a 15.03.2010 às 22:58

Olá

Tocaste num ponto fulcral, a maioria dos pais acha que é a escola que deve educar os filhos, nada mais errado, somos nós os pais que devemos educar e dar o exemplo, é em casa que se moldam as personalidades e que se educam as crianças, a escola serve para transmitir conhecimentos e dar alguns princípios, a responsabilidade da educação é nossa, dos pais, não da escola.

É triste o exemplo que dás no fim do comentário, mas é algo que infelizmente se repete muitas vezes, vezes demais..e a escola evidentemente desresponsabiliza-se .... isto não pode continuar assim.

Gosto dos teus comentários... tu és uma pessoa com opinião e que a sabe expressar como deve ser, muito melhor que eu... deverias apostar mais no teu blog e nestes temas... a blogosfera precisa de pessoas com opinião.

Beijinho Xana
Jorge
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De DH a 15.03.2010 às 09:14

Bom dia Jorge.
Só de te ler estou arrepiada. Não é que não soubesse da notícia do professor, mas ouvi no rádio sem prestar muita atenção...
Sei que depois do meu comentário no teu outro post sobre Bullying, tu tornaste a afirmar que "a escola é o lugar certo para educar", mas eu continuo a questionar as escolas que temos, se realmente formam ou deformam os filhos que amamos e "criamos" equilibrados e educados em casa....

As pessoas (as crianças também) actuam em grupo de uma forma que muitas delas seriam incapazes se pensassem pelas suas cabeças.

Beijinho
Dulce
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De Jorge Soares a 15.03.2010 às 23:14

Olá

Dulce, a escola é sem duvida o lugar certo para formar os nossos filhos, o lugar onde devem adquirir conhecimentos e competências, é isso que acho. Educar é dever e obrigação dos pais e isso faz-se em casa no dia a dia.

Neste momento há muitíssimas coisas erradas nas nossas escolas, mas nós devemos lutar para que isso mude, eu entendo que tu aches que os teus filhos estejam muito melhor em casa e contigo, mas acho que as crianças precisam de outras crianças para crescerem, e há coisas que só se aprendem com a convivência.... acho que vou voltar a falar disto :-)

Beijinho
Jorge
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De DH a 16.03.2010 às 13:26

Concordo contigo. As crianças precisam do convívio com outras crianças para crescerem saudáveis. É a única forma que têm para "treinar" as relações. Assim como acho que há sentimentos e interacções que só se treinam em casa, com os pais e os irmãos (sobretudo com estes últimos).

Mas quando estão na escola é bom que, principalmete nos primeiros anos, tenham ao seu lado pessoas especiais (mais velhas) que proporcionem dinâmicas que os ajudem a treinar essas relações e viver em sociedade. São importantes os escuteiros, os grupos corais infantis, os campos de férias... Tudo o que os tire de casa e lhes ajude a fortalecer as asas.

Em qualquer dos ambientes é necessário e urgente que seja o amor a ditar as regras.

Beijinhos
Dulce

PS. E se não concordares não há laranjas

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De aespumadosdias a 15.03.2010 às 09:41

Vida difícil a de um professor. Cada vez são menos a querer sê-lo.
É preciso que mais pensem como tu.
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De Jorge Soares a 15.03.2010 às 23:27

Sim, é uma vida difícil ... e todos deveríamos fazer o possível para que as coisas melhorem, porque está nas nossas mãos.

Jorge

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De Abigai a 15.03.2010 às 10:26

Ola Jorge,
Na m inha opinião a escola serve para instruir as nossas cianças, a educação é tarefa dos pais. Infelizmente muitos pais acham que é o papel da escola e em casa nada fazem para ensinar o respeito aos filhos. Eu não admito falta de respeito por parte do meu filho. Admito que cometa erros e faça asneiras, eu também as fiz, faz parte do crescimento saudável, mas o respeito é algo totalmente diferente. Não só a favor de correctivos por parte dos pais ou professores, pois respeito não é igual a medo, e entendo que não é preciso chegar a tanto. Se houvesse respeito dos alunos para com os professores e colegas, não se chegava ao ponto de ver o suicidio como unica alternativa.
Infelizmente hoje em dia os pais descartam-se das suas obrigação, dá ideia que têm filhos porque é "normal" ter filhos, mas depois não estão para educar....
Educar é difícil, é cansativo, eu sei...., mas não há nada melhor do que sentir o carinho de um filho e ver que, apesar de alguns castigos e algumas birras por não gostar dos castigos ou sermões, abraça-nos com muito amor porque entende que este é o papel dos pais, porque entende que amor também é educar!
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De Jorge Soares a 15.03.2010 às 23:31

Olá

Completamente de acordo, a educação dá-se em casa e os pais não podem simplesmente abdicar e deixar a responsabilidade a outros.. por é deles e de mais ninguém.

Educar é muito difícil e cansativo, mas é o nosso dever, os filhos trazem com eles a responsabilidade.. a nossa responsabilidade... infelizmente a maioria das pessoas parece que esqueceu isso rapidamente.

Jorge

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De Existe um Olhar a 15.03.2010 às 16:06

Olá Jorge
Depois de ler o teu post, lembrei-me de também eu desabafar e dizer o que me vai na alma sobre a difícil missão de ser professor nos dias que correm.
Hoje fala-se no suicídio de um professor e de uma criança, são motivos forte para serem notícia, mas silenciosamente outros dramas acontecem...professores em depressão profunda, que têm que se encharcar em medicamentos para sobreviver, casamentos que acabam, porque torna-se insuportável o convívio, o isolamento e falta de alegria de viver, a falta de entusiasmo, o desânimo...enfim, um número enorme de factores que levam a classe docente a desacreditar na sociedade e na profissão que abraçaram por amor ás crianças e ao ensino.
Os pais são culpados, não todos felizmente, mas a culpa maior vem do governo, que talvez para aumentar a sua popularidade eleitoral, fez crer aos encarregados de educação, que a escola pertence á comunidade e que teriam direito a imiscuir-se nos assuntos da mesma, usando e abusando da liberdade e falta de respeito e a criaram a péssima ideia de que a escola além de ensinar, deve também educar.
Hoje não se fala em insucesso escolar, já passou de moda, hoje é notícia a violência, o desrepeito, a insoburdinação, amanhã, outro assunto virá á baila, estes ficarão pelo caminho, sem solução, sem remédio, sem fim á vista...até quando?!

Beijos
Manu
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De Jorge Soares a 17.03.2010 às 00:15

E fizeste muito bem, porque o teu post está excelente.

Mas eu voltarei ao tema... de certeza

Jorge
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De Pedro Oliveira a 15.03.2010 às 17:29

Que saibamos respeitar es te professor e o Leandro, não deixando que este tema seja moda nos jornais, ou seja , que daqui a dias tudo não tenha passado de oportunidade jornalistica.O problema é de fundo e é de todos.Podíamos, EE, por começar a ir às reuniões na escola.....era um bom começo...pois o problema começa em nós...não sabiam?
abr
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De Jorge Soares a 17.03.2010 às 00:32

É isso que penso, este assunto não pode morrer... e por aqui não vai morrer de certeza.

De resto estou de acordo contigo, a maioria das pessoas não se interessa minimamente e nuca aparece... é aí que começa o problema

Abraço Pedro

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