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Diário de um pai de licença parental

por Jorge Soares, em 06.04.10

Diário de um pai de licença parental

 

Foi em Fevereiro do ano passado que aqui falei de licença parental e que assumi que eu queria gozar a minha parte da licença, foi neste post e neste outro. Bom, começou ontem, nos próximos dois meses vou estar em casa, a P. vai finalmente dedicar-se ao doutoramento e eu vou-me dedicar à D. à R. e ao N..

 

Curiosamente no Vila Forte, a Telma  Sousa falava deste assunto. A Telma refere uma noticia do Expresso que fala da mudança da lei e do aumento do numero de pais que decidiu gozar pelo menos uma parte da licença, numero este que passou de 605 em 2008 para mais de 12000 em 2009. Os números falam por si e mostram que algo está efectivamente a mudar.

 

Durante muito tempo a maternidade era utilizada como desculpa em muitas empresas na hora das contratações, os 4 meses em casa eram um obstáculo para muita gente e eram utilizados como motivo para uma discriminação injusta e que inclusivamente muitas vezes impedia a chegada de mulheres a lugares de responsabilidade para os que estavam perfeitamente capacitadas. Podemos supor que à medida que mais homens utilizem este seu direito, estes preconceitos serão colocados de parte.

 

Como dizia num dos posts do ano passado, trabalho numa empresa com muita gente jovem e com muitas mulheres, há sempre alguém grávido e o tempo todo há colegas de licença. Curiosamente, o único caso de que tive conhecimento de um colega homem que partilhou a licença, também foi um caso de adopção, uns corajosos que adoptaram dois irmão com 8 e 10 anos. Ao contrario do que refere a Telma no Post do Vila forte, eu não ouvi piadas por parte de ninguém e não me foi colocado qualquer problema.

 

Curiosamente as conversas que fui tendo ao longo dos últimos dois meses foram reforçando a ideia que já tinha desde o ano passado, a maior dificuldade para que neste tema seja atingida uma verdadeira igualdade de direitos não virá tanto das empresas e sim das mulheres, a maioria vê os 5 meses como um direito seu e que agora lhes está a ser retirado... o que não deixa de ser um contra-senso.

 

Nos próximos dois meses haverá muitos mais posts sobre crianças e sobre o dia a dia de um pai de licença parental... esperemos que não se torne rapidamente num diário de um pai desesperado.

 

Jorge Soares

publicado às 21:05


18 comentários

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De DyDa/Flordeliz a 07.04.2010 às 01:28

Olá Jorge
"diário de um pai desesperado"
Por falar nisso: espero que nos dês o relato (versão) da interessada (a criança ) no assunto, para saber quem melhor a cuidou se pai se mãe?!

Brincadeiras à parte. Parabéns pela coragem.
Há empresas onde essa situação não seria possível.
Quando falo em possível...
Não é a lei, mas a forma como ela é cumprida e respeitada pelas entidades patronais.
Como sabes, nós por cá, cada vez temos menos médias empresas e as que são grandes são "jóias" raras (mais raras que o ouro que se vende em qualquer canto e esquina).
Como diriam os "gato fedorento": no Norte só temos pequenas empresas, micro, minis e outras ainda mais miniminiiiii.
Por aqui, depois de um homem meter licença parental (salvo raras e corajosas excepções – tipo funcionários públicos) era certo e seguro que a porta teria apenas um sentido - saída.
Os empresários (os que eu conheço"medo") ainda olham para o que ofuncionário coloca na orelha, o penteado, a roupa, se são casados ou juntos, já para não falar de outras situações…
Tudo serve de motivo para perseguição e para não deixar aquecer muito tempo o lugar.
Mas...
Isto é o que eu vejo. Parece que não é o que acontece pelo resto do país pelo que relatas (ou vai-se tentando alterar) e deve-se a pessoas como tu e a empresas como a tua.
Felicidades e que a licença seja aproveitada com tempo seco e muito bonito para grandes passeios ao ar livre (este ano não há parafusos como desculpa).
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De Jorge Soares a 08.04.2010 às 23:01

Olá Flor

Ai é?.. aí o norte é assim?... ou seja, aquele mito que no norte é que se trabalha está mal explicado..devia ser, no norte é que se sabe explorar a malta

Brinco amiga, não duvido que tenhas razão, mas está em nós fazer com que as coisas mudem... mudar mentalidades...e acabar com a discriminação.. que os homens também temos direito..

Beijinho

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