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Poliamor

 

 

Normalmente às terças a P.  vê o Anatomia de Gray no canal 2, a seguir costuma dar uma entrevista com um escritor.. não sei como se chama o programa, eu estou no computador mas gosto de ir ouvindo.. na passada terça feira deixei-me estar... de repente dei por mim a ver a Ana Zanatti sentada com um grupo de jovens em animada conversa. O programa chama-se 7 palmos de testa e no site da RTP podemos ler o seguinte:

 

7 Palmos de Testa acontece só uma vez por mês. Dizemos “acontece” porque é um acontecimento. De cada vez, há sete pessoas que nunca vieram à televisão a dizer coisas que nunca se dizem na televisão – não por serem indiscretas e obscenas, mas por serem íntimas e verdadeiras.
Em vez de especialistas nas ditas conversas, pusemos lá amadores - daqueles que amam a vida perdidamente porque têm entre 16 e 22 anos. Foram escolhidos através de um blog.

 

Pela amostra daquele dia, os jovens foram muito bem escolhidos, jovens com ideias e com opinião sobre os assuntos de actualidade, jovens com mente aberta e com discurso seguro.

 

De repente a conversa vira para as relações, a Ana encara um dos jovens e diz o seguinte:

 

- Eu sei que você tem uma relação especial, uma relação poliamorosa, quer falar-nos disso?

 

E ele explica, ele vive com uma jovem, mas a relação é a três e os três amam-se entre si... a isso chama-se poliamor.

 

Atenção, não confundir com bigamia, não tem nada a ver e ele fez questão de explicar isso muito bem, na relação dele há um triângulo em que os três vértices se tocam, o que significa isso? Significa que para além de ele amar as duas e ambas o amarem, elas amam-se entre si, sendo que os três são livres de se o desejarem poderem estar com outras pessoas estranhas à relação sem que isto seja um problema para ninguém.

 

Reparem, ele falou de amor, falou de relação, acho que chegou a falar de confiança.... faz favor de não confundir com libertinagem, nada disso, é mesmo assim.... muito à frente... mesmo. A dado momento a Ana Zanatti perguntou o que poderia acontecer se em determinado momento no meio desta relação tão especial aparecesse um filho.. eu adorei a resposta dele.

 

- O que faz este tipo de relações tão especial, é que eu não faço ideia da resposta à sua pergunta!

 

É ou não é muito à frente?

 

Eu nunca tinha ouvido falar de tal coisa.... aqui entre nós que ninguém nos ouve.... não ouvi, mas acho que não me importava de ter ouvido... há uns 20 anos atrás .. é que isto é mesmo muito à frente. Eu fiquei curioso e fui ao google..  e descobri que existe até um Site.. o chama-se isso mesmo Poliamor...  e é cheio de coraçõezinhos. Mas o que importa é que tem uma definição para a coisa, vejam só:

 

Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo facto de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente.


O Poliamor pressupõe uma total honestidade no seio da relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela.

 

Mas o que gostei mesmo.. mas mesmo, foi isto:

 

... poliamor significa muitos amores, ou seja, a possibilidade de amar mais do que uma pessoa ao mesmo tempo.

 

Quem de nós não passou alguma vez na vida, horas a discutir se é possível ou não amar mais que uma pessoa ao mesmo tempo?  e aposto que todos concluímos mais que uma vez, que não, que não é possível.... pois  lamento dizer que estávamos todos enganados... é possível sim senhor, basta ser poliamoroso.

 

Fantástico como evolui o nosso mundo.

 

Já agora, o programa é interessante e mostra que nem tudo está perdido, ainda há jovens que pensam, que tem opinião..... e até boas ideias para o amor.

 

Update:Posts que referem este:Uma outra forma de amar - No Cantinho da Manu

 

Jorge Soares

publicado às 21:57


33 comentários

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De Jorge Soares a 25.04.2010 às 23:40

Olá Daniel

Talvez porque já não temos a tua idade, e eu mantenho que me pareceu que as pessoas que estiveram naquele programa eram jovens com ideias e com personalidade, olhamos para as relações de outra forma, como algo mais definitivo... Ora, quando as relações se tornam mais definitivas, é natural que se pense em filhos... por isso foi normal que a pergunta surgisse no programa e é normal que eu ache a resposta estranha.

Olhando para a tua resposta e agora para este teu comentário, a conclusão que tiro é que afinal, o poliamor é só uma forma um pouco mais liberal de aquilo que todos fizemos na adolescência... v

Jorge
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De Daniel Cardoso a 26.04.2010 às 00:12

Não obstante, e isto não é despiciendo, a maior parte dos poliamorosos, em Portugal e no estrangeiro, são bem mais velhos do que eu - vários com idade suficiente para serem meus pais. Aí, a idade e a ideia da experimentação associada como algo "adolescente" caem por terra.

Corre-se o risco de simplificar em demasia aquilo que encontramos quando procuramos explicações simples como o "ser da idade", especialmente quando nos dirigimos a fenómenos macro-sociais e internacionais. Especialmente quando, segundo os estudos mais recentes, a maior parte dos poliamorosos americanos tem o ensino secundário ou superior, e a maior parte pertence à classe média ou média-alta.

Por fim, se as pessoas "mais velhas" olhassem para as relações como "algo mais definitivo", não teríamos uma taxa de divórcio que já chega aos 50% da taxa de matrimónio, e a prática da monogamia em série não seria socialmente aceite e instituída. Dá que pensar, não é?

:)
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De António Manuel Dias a 26.04.2010 às 18:33

"quando as relações se tornam mais definitivas, é natural que se pense em filhos"

Estás outra vez a generalizar, Jorge, e isso é muito perigoso quando se trata de comportamentos humanos. Neste assunto, posso apenas dizer-te que uma das páginas mais visitadas e mais comentadas do nosso site é precisamente aquela em que a Sandra se insurge contra a pressão da sociedade para as mulheres terem filhos: http://maracuja.homeip.net/opiniao/filhos
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De Jorge Soares a 26.04.2010 às 18:43

António, este tema já foi objecto de discussão aqui, eu acho que todo o mundo tem direito a decidir se quer ter filhos ou não, é da esfera pessoal de cada um e ninguém tem nada a ver com isso.

Mas isso não me impede de olhar para o mundo e ver o que se passa, a verdade é que a maioria das pessoas quando entra tem uma relação sólida e estável é natural que pense em filhos.. nota, eu disse é natural que se pense em filhos, não disse todas as pessoas pensa em ter filhos... seria generalizar se eu tivesse dito todas... além disso, acho que a minha afirmação faz todo o sentido no contexto em que se insere o meu comentário...

Jorge
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De Daniel Cardoso a 28.04.2010 às 03:24

Atenção que, se falamos aqui também de poliamor, "sólida" e "estável" são duas coisas diferentes... Relações poliamorosas podem ser sólidas mas são pouco estáveis. Embora eu prefira dizer, pouco estagnadas. :)

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