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Porque: "A vida é feita de pequenos nadas" -Sergio Godinho - e "Viver é uma das coisas mais difíceis do mundo, a maioria das pessoas limita-se a existir!"
O post de há dois dias em que se falava de crianças e castigos, fez-me recordar algumas coisas... A Anabela é mãe de uma criança hiperactiva e nos comentários dizia o seguinte:
Por norma não há palmadas la em casa (por norma, porque às vezes a paciência falta...), até porque em crianças impulsivas com é o caso das hiperactivas, uma palmada pode levar a um ataque de fúria difícil de controlar. Mas há castigos. Passado 5 minutos de uma birra ou asneira, um hiperactivo esquece o que se passou, os castigos têm que ser imediatos e curtos, de nada adianta dizer "ficas proibido de computador 1 mês, porque passado 2 dias já não sabe porque está proibido, mas retirar algo no imediato, explicar bem o porquê e ir relembrando ajuda muito.
Lembro-me que numa das primeiras vezes em que tivemos um episódio com fósforos o N. ficou sem prendas de natal, conseguem imaginar o que significará para uma criança de 5 ou 6 anos passar o natal , ver as crianças receberem prendas e não poder tocar nas dela? Ele passou por isso. Qualquer um de nós ficaria com isso na memória e demoraria anos a voltar a fazer outra... o Natal é em Dezembro, ele faz anos em Maio.. se não me engano no ano a seguir não teve festa de anos,.. porque já tinha havido um novo episódio.
De resto, nem castigos, nem palmadas, nem gritos, a verdade é que nada adianta, como diz a Anabela, estas crianças são impulsivas e acreditem, lidar com elas pode ser desesperante. E se é desesperante para nós que temos consciência que tudo isto é resultado de uma doença, como será para os pais que não tem esta consciência? ... Ou para os que simplesmente se resistem a acreditar que seja mais que mau comportamento?.
Lembro-me que durante muito tempo eu achava que o conseguia controlar, que era uma questão de ser autoritário e de impor a minha autoridade de pai... até que tive que me render à evidência, há coisas que são mais fortes que eles..e que são muito mais fortes que nós.
É claro que estas coisas têm tratamento, que se não resolve, pelo menos ajuda a controlar. Cá em casa e por muito que a mim me custe, a Ritalina há muito que é a nossa melhor aliada, e a diferença entre o N. que toma o comprimido de manhã e o que não toma é tal que nos dias em que por algum motivo nos esquecemos, a professora pergunta logo porque é que ele não tomou o comprimido, tal é a diferença de comportamento nas aulas.
Eu sou e serei sempre contra a utilização deste tipo de medicamentos, há uns tempos a professora da R., que na altura era professora dos dois, sugeriu que ela também deveria tomar, disse logo que nem pensar.. mas no caso do N. e em casos como o dele, tenho que me render à evidência, se com o tratamento ele é uma criança difícil, sem ele imaginem como será.
Para terminar deixo aqui um trecho de este post da Anabela, palavras que todos os pais de crianças hiperactivas deveríamos ler e ter em conta:
... um hiperactivo sofre.
Sofre por não saber controlar-se, sofre por ser demasiado impulsivo, sofre por se sentir frequentemente rejeitado, sofre porque sabe que é diferente e é incapaz de controlar essa diferença, porque isso não depende da sua vontade.
Mas ser diferente também é ser especial e ser especial também é bom.
Não queria terminar sem deixar um apelo a todos os pais de crianças difíceis, a hiperactividade é uma doença, as crianças devem ser seguidas e tratadas, por muito que nos achemos pais capazes e com autoridade para os controlar, a verdade é que não o conseguimos, porque há coisas nesta doença que estão mais além deles e de nós... se suspeita que o seu filho possa ter esta doença, fale com o pediatra... quanto mais tempo passar sem ser diagnosticado e tratado, mais sofre ele e mais sofrem os pais.
E não deixem de passar pelo blog da Anabela.. é o Abigai
Jorge Soares