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Porque é sexta ....

por Jorge Soares, em 19.09.08

 

Flor

 

 ..... e estou num daqueles dias em que não me apetece escrever.

 

Vai fazer um mês que cai e já não me consegui levantar, começo a estar farto desta vida, começo a ter saudades da praia, do jardim, de poder pegar na máquina fotográfica e ir por aí.... mas é o que temos... e por mais uns tempos. Está previsto que no dia 13 de Outubro me voltem a internar e que no dia 14 me voltem a abrir o tornozelo...... não sou de olhar para trás e pensar nos ses... mas bem que naquele dia eu podia ter tido cuidado......

 

É sexta, há muito que não era dia de vídeo, andava por aí a vaguear, e num dos blogs que costumo espreitar, encontrei este vídeo, digam lá que se a mulher não é linda.

 

Leona Lewis - Better in time (remix)

 

 

Ela e a musica.

 

Jorge

PS:A fotografia é minha...e foi a ultima que tirei antes de cair

publicado às 22:15

Isabel já não quer viver, só morrer!

por Jorge Soares, em 18.09.08

Mascaras de vida

 

Hoje fui com a P. buscar os miúdos à escola, fiquei uns minutos sozinho no carro, no Radio Clube Português passava um programa sobre as pessoas que vivem na rua.

 

Isabel vive na rua, uma vida que corre mal, um azar e ela viu-se na rua, achava ela que era só por uns tempos, mas a vida foi madrasta para Isabel,  17 anos depois ela continua na rua. Isabel já não pensa na vida, só na morte, ela há muito que não tem algo que se chame vida e já não quer viver, só morrer e só não se mata porque tem medo de não conseguir fazer bem o trabalho e ficar viva e a sofrer.

 

Ao contrário de tudo o que se possa pensar, a Isabel não está só no mundo, ela tem família, um filho e netos. O filho de Isabel por vezes ajuda a mãe, dá-lhe dinheiro, mas ele tem o emprego, a mulher e os filhos e não a pode levar a viver com ele, nem fazer com que ela saia da rua. E Isabel continua na rua, sozinha, sem esperança, sem querer viver, só morrer.

 

O programa continuava, mas a história da Isabel ficou por aqui, de seguida falavam os psicólogos, eu não ouvi mais, mas fiquei a pensar na Isabel e no seu filho. Por vezes acho que já nada no mundo me consegue surpreender, mas há sempre algo mais. Evidentemente não sei o que levou a Isabel à rua, nem o que a afastou da família, pareceu-me que ela tinha um discurso coerente e normal. Confesso que não consigo perceber como é que o filho da Isabel consegue ter uma vida normal, com o seu emprego, a sua mulher, os seus filhos enquanto a sua mãe está na rua, só, a querer morrer e não viver. 

 

Mas há no mundo quem tente evitar que existam casos como este, vejam este post da Cigana e se puderem ajudem o Daniel e o Masa

 

Jorge

Imagem retirada da internet

publicado às 22:14

Adopção:Conseguimos medir o amor?

por Jorge Soares, em 17.09.08

Pai

 

A semana passada recebi um email de alguém que é candidato à adopção, um casal com filhos biológicos que decidiu adoptar. Entre outras coisas havia a confissão de um receio, o receio de não se conseguir gostar da criança que irão adoptar da mesma forma que gostam dos filhos biológicos. Na verdade não é a primeira vez que ouço alguém confessar este medo, é uma questão comum a alguns dos emails que vou recebendo.

 

Curiosamente, a primeira vez que alguém me falou disso foi ao contrario, no primeiro encontro nacional de adopção que foi organizado em Setúbal, uma mãe adoptiva dizia-me que tinha medo de engravidar e ter um filho biológico, porque ela não sabia se alguma vez poderia amar outro filho tanto como amava aquele filho adoptivo.

 

Não há uma resposta fácil para estas questões, as pessoas sabem que tenho um filho adoptivo e uma filha biológica e tentam saber o que sinto. É claro que amo os meus dois filhos, são ambos meus filhos, mas gosto dos dois da mesma forma? Não, claro que não, eles são duas crianças completamente diferentes, com comportamentos diferentes, com atitudes diferentes, e nós como humanos gostamos de pessoas diferentes de forma diferente. Amo mais um que outro? Não, mas é claro que tenho mais afinidades com um que com outro. Mas isso não tem nada a ver com um ser adoptado e outro biológico, tem a ver com a minha capacidade de me relacionar mais facilmente com umas pessoas que com outras, e os meus filhos não são excepção.

 

Curiosamente cá em casa, a minha filha é mais apegada ao pai e o meu filho é mais apegado à mãe, pelo que as coisas estão equilibradas.

 

Resumindo, este é um receio comum à maioria dos pais adoptivos, um receio que de uma forma ou de outra todos superamos, pois basta ver o sorriso de uma criança, o sorriso dos nossos filhos, para percebermos que não há como não os amar.

 

Não, não conseguimos medir o amor!

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

publicado às 21:31

Livro:A Praia do destino

por Jorge Soares, em 16.09.08

 

Olímpia é uma rapariga de 15 anos que pertence a uma família abastada de Boston, foi educada pelo seu pai, longe das outras crianças da sua idade e do mundo. Todos os anos no verão vai passar férias com a família  para a casa de férias, em Fortune's Rocks.

 

 

Jhon Haskell é um médico e escritor com 41 anos, casado e com quatro filhos. Olímpia e Jhon conhecem-se num jantar patrocinado pelo pai dela. Entre os dois nasce um grande amor que não tarda em passar da simples atracão da adolescente pelo escritor para uma grande intensidade física.

 

 

Como todos os amores proibidos, um dia alguém descobre e conta ao mundo, de um momento para o outro, Olímpia dá por si sozinha, longe do mundo e grávida de um filho que lhe é retirado mas de quem ela não abdica.

 

Até há bem pouco tempo não conhecia esta autora, um dia encontrei o Luz na neve e fiquei fan. Este é um excelente livro, muito bem escrito e com uma historia que nos vai prendendo pouco a pouco, um livro que adorei e que aconselho vivamente.

 

Jorge

PS:Imagem retirada da internet

publicado às 21:49

Os agrafos

por Jorge Soares, em 15.09.08

Agrafos

Não sou pessoa que me impressione com a visão do Sangue, pelo menos com a visão do meu sangue, não me fez grande impressão estar acordado durante a operação e não me fez impressão nenhuma ver as duas cicatrizes uma de cada lado do tornozelo. Fez-me alguma espécie ver que em lugar dos comuns pontos que eu conhecia de quando tinha sido cozido em miúdo, haver duas filas de agrafos a segurar a pele.

 

Na passada Quarta-feira era dia de tirar os agrafos, por norma fico bem disposto e falador nestas alturas, faço piadas e brinco com as enfermeiras, imagino que seja uma forma como outra qualquer de espantar os nervos, mas a verdade é que para quem está de fora a imagem que passa é a de normalidade e boa disposição.

 

Cheguei cedo ao hospital e fui atendido rapidamente, era um enfermeiro, o mesmo que me tinha feito o penso na semana anterior. Não me senti lá muito falador, mas também não me sentia nervoso. Entrei, sentei-me na maca, o homem retirou as ligaduras e a tala e dispôs-se a retirar os agrafos. Começou por uma ponta e foi retirando um a um, a meio da coisa já eu suava em bica.. não estava calor nenhum, mas eu sentia grossas gotas de suor a descer pela minha cara. Ele ia retirando agrafos e eu comecei a sentir que o chão se estava a ir debaixo de mim. Não era a dor, na realidade quase não sentia nada, mas o suor aumentava e o mundo ia-se. Quando ele terminou com a primeira cicatriz achei por bem pedir água, ele olhou para mim e deve ter percebido pela minha cor o que se estava a passar. Mandou-me deitar e foi buscar a água, eu bebi, voltei a sentir o chão debaixo de mim e passei a suar menos.

 

Ele retirou os agrafos do outro lado com a mesma calma que os anteriores, disse-me que as cicatrizes estavam óptimas e perguntou se eu já estava melhor. Estava, fui directo ao bar, tomei um café e comi um bolo enorme.... mas quando cheguei à porta do hospital a recepcionista disse-me que eu estava branco...

 

Nunca na vida me tinha sentido assim, mas também nunca me tinham agrafado nem desagrafado um tornozelo.

 

Hoje é o dia de aniversario de Barbosa du Bocage, e é feriado em Setúbal, digam lá que o nascimento de um poeta não é um excelente motivo para um feriado municipal?

O Suspiro

Voai, brandos meninos tentadores,
Filhos de Vénus, deuses da ternura,
Adoçai-me a saudade amarga e dura,
Levai-me este suspiro aos meus amores:

Dizei-lhe que nasceu dos dissabores
Que influi nos corações a formosura;
Dizei-lhe que é penhor da fé mais pura,
Porção do mais leal dos amadores:

Se o fado para mim sempre mesquinho,
A outro of'rece o bem de que me afasta,
E em ais lhe envia Ulina o seu carinho:

Quando um deles soltar na esfera vasta,
Trazei-o a mim, torcendo-lhe o caminho;
Eu sou tão infeliz, que isso me basta.

                      Bocage

Jorge
PS:imagem reirada da internet

publicado às 22:16

Quero morrer lúcido!

por Jorge Soares, em 14.09.08

estrada da vida

 

Nunca fui pessoa de pensar muito na morte ou em morrer, não acredito no céu ou no inferno, acredito que está em mim tentar converter o meu mundo no céu dos que me rodeiam, porque inferno já ele é. A vida e a morte são dados adquiridos sendo que a segunda é o fim da primeira e chega quando tiver que chegar, não há muito mais a pensar.

 

No dia a seguir à minha operação no Hospital de Setúbal, o grande tema de conversa das enfermeiras era o senhor com 101 anos que estava internado. Por acaso, o homem foi transferido para o Outão na mesma ambulância que eu e para meu grande azar foi colocado na cama ao lado da minha.

 

No inicio no Outão, todas as auxiliares e enfermeiras acharam imensa piada ao homem, um algarvio de 101 anos que consegue dizer o ano em que nasceu  e que até está lúcido ao ponto de exigir ir mesmo fisicamente à casa de banho apesar da perna partida, é uma enorme novidade. Na verdade o homem não estava assim tão lúcido, a mudança de hospital para ele foi algo muito confuso e apesar de que o primeiro dia foi pacifico, a primeira noite foi um autêntico inferno, nem ele nem nenhum dos que estávamos na enfermaria dormimos, as enfermeiras e auxiliares também não e claro, a coisa deixou de ter piada. Na verdade houve um dia em que me apeteceu colocar duas senhoras na ordem, tal o desleixo com que tratavam o homem.

 

Nos dias a seguir o senhor foi acalmando, quando percebeu que o "dono da casa" não ia aparecer para pôr ordem como ele exigia, que as enfermeiras e auxiliares não o levavam à casa de banho e portanto tinha mesmo que utilizar a arrastadeira, que o dia era para estar sentado e não deitado para ver se a noite era para dormir, que a cama não ia cair apesar de a ele lhe estar sempre a parecer, etc,etc, etc.

 

Ao terceiro ou quarto dia dei por mim a pensar que não quero chegar aos 101 anos, não assim, quando deixamos de ter vida e de ter capacidade para viver por nós; quando deixamos de conseguir comer ou realizar as tarefas básicas que nos garantam o minimo de conforto, deve ser a altura de decidir que já vivemos e que é a altura de deixar os outros viver.

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

publicado às 22:43

Serei um extraterrestre?

por Jorge Soares, em 12.09.08

Detector de metais

 

 

Alguma vez pensaram que podem ser extraterrestres? não?, pois, eu também não, mas no outro dia em conversa com uma amiga ela virou-se para mim, colocou cara de espanto  e disse com todas as letras: "Tu deves ser extraterrestre".Estávamos a falar de aeroportos e de máquinas de detecção de metais, mas o melhor é começar pelo princípio.

 

O primeiro carro que tive foi um Starlet, vivia eu em Oliveira de Azeméis e costumava parar num bar que havia no terraço de um hotel, era amigo do Barman, quando o sitio fechava juntávamos mais 3 ou 4 conhecidos e íamos terminar a noite a outro sitio qualquer. Como eu era o que bebia menos,.... ou o que aguentava mais, era sempre no meu carro. À saída da cidade havia um poste de iluminação publica que sempre que eu lá passava desligava, o meu amigo barman fazia apostas com quem ia no carro.... e ganhava sempre. Sempre achei que era algo no motor do carro que de alguma forma interferia com o sistema eléctrico do poste.

 

Passado algum tempo quando comecei a viajar, comecei a verificar que sempre que passo por uma máquina daquelas de detectar metais na entrada da zona de embarque dos aeroportos, o raio da máquina apita, sempre, sem excepção. Antes do 11 de Setembro a coisa era pacífica, olhavam para mim, uma revista rápida e siga. Agora a coisa pia mais fina é: Tire o cinto, tire os sapatos e o raio da máquina continua a apitar.

 

Na vez que passei pela Suíça estava a ver que a coisa se complicava, depois de ficar vestido só com umas calças e uma t-shirt mandaram-me entrar para um cubículo, uma polícia muito alta e loira entrou atrás de mim e calçou umas luvas de látex.... juro que apanhei um susto....  felizmente ficamos por umas apalpadelas .....

 

Quando soube que tinha de ir aos Estados Unidos fiquei deveras preocupado, já me estava a ver a ser revistado por um daqueles policias gigantescos que vemos nos filmes, é claro que o raio da máquina apitou, isto depois de ter tirado o cinto e os sapatos, que todo o mundo tira antes de passar pela bendita máquina, chamaram um policia, um negro enorme, veio com um detector de metais  manual que não apitou e lá me deixaram entrar, na realidade demorei mais a sair do aeroporto que a entrar,  eles na entrada no país não tem máquinas, mas tem uns fulanos gigantescos que perguntam tudo e mais alguma coisa.

 

Certo é que já passei por muitos aeroportos em 3 continentes,  as máquinas apitam sempre e nunca ninguém me conseguiu explicar o motivo, o que acham?, serei extraterrestre?

 

 

publicado às 22:03

Como o governo aposta no modelo errado

por Jorge Soares, em 10.09.08

Crianças

 

Como estou com mais tempo tenho estado com alguma atenção aos logs do blog, nos últimos dois dias tive algumas dezenas de entradas de leitores que chegaram até aqui desde o google pesquisando por familia de acolhimento ou por adopção. Por norma isto acontece cada vez que algum destes temas está em destaque nos meios de comunicação, esta vez não foi a excepção, além de um programa na RTP sobre centros de acolhimento, encontrei esta noticia.

 

Não vi a reportagem na RTP, mas a noticia da Rádio Renascença chamou-me a atenção, porque do meu ponto de vista, o governo está a apostar e a gastar dinheiro no modelo errado, está-se a apostar no problema e não na solução.

 

Até 2006 existiam em Portugal 15000 crianças depositadas em centros de acolhimento, e o ritmo de crescimento era de aproximadamente 1000 por ano, desde o ano passado a segurança Social fala de  11000 sem que ninguém tenha explicado o que aconteceu ás restantes. 

 

Certo é que o país tem institucionalizadas milhares de crianças, destas, aproximadamente 1000 tem como projecto de vida a entrega para adopção, as restantes tem como projecto de vida o limbo das instituições. O estado vai gastar entre 12 e 15 milhões de Euros para reforçar este modelo, um modelo em que as crianças são entregues ao estado e ficam esquecidas, em que as crianças passam toda a sua vida nos centros de acolhimento, sem direito a uma família e sem direito a sonhar. Será isto o que queremos para as crianças?

 

O modelo dos centros de acolhimento tal como está é completamente errado, porque as crianças ficam perdidas em instituições que não se preocupam com definir projectos de vida, instituições que recebem muito dinheiro por cada criança e portanto não tem interesse em que estas saiam.

 

Diz a noticia que as crianças ficam institucionalizadas até um ano, talvez fiquem até um ano nos centros de emergência, a verdade é que há milhares de criança que vivem institucionalizadas toda a sua vida e só saem dos centros quando são adultos. Entretanto há milhares de candidatos à adopção que esperam e desesperam por uma criança.

 

O estado deveria apostar em definir o projecto de vida de cada uma das crianças que tem a seu cargo e através disto no encerramento de centros de acolhimento. Reforçar a rede de centros de acolhimento sem apostar nos projectos de vida das crianças e sem se preocupar em que estas tenham uma família é uma aberração.

 

Quantas famílias carenciadas poderiam ser ajudadas com estes 15 milhões de euros?

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet.

publicado às 21:43

Afinal a culpa é da pílula.. ou do nariz!

por Jorge Soares, em 09.09.08

Divorcio

 

 

Dizem as estatísticas que o número de divórcios está a aumentar em Portugal, segundo o INE, de 1992 a 2001 a taxa de divorcialidade cresce 54.6%, passando de 1.2 para 1.8 divórcios por cada mil habitantes.
 
É claro que existem muitíssimas teorias que tentam explicar este facto, o machismo do homem Português, a emancipação das mulheres, o facto das mulheres agora trabalharem e por tanto poderem ser independentes monetariamente, o advento dos canais de desporto, etc. Bom, parece que nada disto é certo, alguém descobriu que a culpa é da pílula. Bom, na verdade a culpa é do nariz das mulheres, que é afectado pelos compostos químicos da pílula e as leva a escolher o par errado. Vejam a seguinte noticia:
 
"Estudo britânico revela que contraceptivo altera capacidade instintiva de escolher o parceiro. É tudo uma questão de olfacto A pílula pode alterar a capacidade instintiva das mulheres escolherem o seu parceiro. Segundo um novo estudo britânico, divulgado quarta-feira pela AFP, o contraceptivo altera a predisposição natural de escolher um homem com genes diferentes, de modo a garantir a diversidade favorável à espécie. É tudo uma questão de olfacto: as mulheres sentem-se atraídas pelo cheiro de homens geneticamente diferentes. Segundo o resultado deste estudo, publicado nos anais da Sociedade Real Britânica, «as mulheres, que começam a tomar pílulas anticoncepcionais, passam a preferir homens cujos odores são geneticamente similares», revela o principal autor da investigação, Craig Roberts, da Universidade de Liverpool."
 
Ou seja, se está à procura do seu príncipe azul, o melhor mesmo é parar de tomar a pílula, assim poderá seguir o cheiro certo e poupar muito dinheiro em advogados no futuro. É claro que o facto de não tomar poderá trazer outros gastos não planeados... mas isso são detalhes.
 
Jorge
PS:imagem retirada da internet

 

publicado às 21:47

Livro:A criança que não queria falar

por Jorge Soares, em 08.09.08

Torey Hayden

 

Sheila é uma menina de seis anos que rapta um menino de três, o ata a uma árvore e lhe prende fogo. É praticamente assim que começa o livro, uma criança que comete um acto irracional e que é condenada a ser internada num hospital psiquiátrico, como não há vagas no hospital, é colocada temporariamente numa escola onde há uma turma de crianças especiais.

 

Nesta turma há uma professora que se interessa realmente pelos seus alunos e que descobre que por detrás de toda a raiva e rebeldia há uma mente brilhante e uma criança como as outras, que simplesmente necessita de carinho e de atenção.

 

Sheila foi abandonada pela mãe que a atirou de um carro em andamento numa auto-estrada, vive com o pai, um homem  alcoólico e toxicodependente mas orgulhoso, num campo miserável e sem condições. Só tem uma muda de roupa que utiliza dia trás dia, mas o pai nega-se a que lhe ofereçam outra, eles não precisam.

 

Este foi um livro que me tocou, porque fala de abandono, de crianças difíceis e dos desafios que se colocam na educação de crianças que foram abandonadas.

 

O abandono é algo que marca uma criança para toda a sua vida, e essas marcas vão surgindo nas diversas fases do seu crescimento, eu sei, porque há coisas ali, poucas felizmente, que vi no meu filho.

 

O livro fala sobre a Sheila, sobre a sua professora, sobre o como ensinar e tratar crianças diferentes, mas fala também sobre o trauma do abandono, sobre as marcas que este deixa nas crianças, sobre as suas fragilidades e sobre como algumas coisas se devem tratar.

 

Há livros que nos marcam pela história, outros pela forma como estão escritos, outros porque os lemos na altura e circunstancias certas das nossas vidas, este livro marcou-me porque sou pai. Um livro que todos os pais adoptivos ou não deveríamos ler e  que todos os professores deveriam ler.

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

publicado às 22:20



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