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Então e se o Obama fosse cá? era presidente?

por Jorge Soares, em 20.01.09

Então e se o Obama fosse cá? era presidente?

 

 

Imagino que todo o mundo estará cansado de ouvir falar do Obama, durante todo o dia não se falou mesmo de outra coisa, na rádio, na televisão, até na blogosfera, podemos até ter uma fotografia nossa ao estilo Obama.... viva a internet e a tecnologia.

 

Já não me lembro com quem estava a falar, mas acho que foi no Colombo naquele fim de semana pelo direito a uma família, em que estivemos lá a ver o mundo passar. Lembro-me de perguntar:

 

-Então e se fosse cá?, O Obama ganhava?

-Não, claro que não.

-Também acho que não!

 

Tenho frescas na memória as enormes discussões no Nos Adoptamos, havia sempre alguém que dizia que tinha colocado restrições de raça, invariavelmente saltava eu, ou alguém.... e a discussão era acirrada.... de um e de outro lado esgrimiam-se argumentos, o racismo, os direitos, a família...sei lá. No fim, havia sempre alguém que abandonava o grupo no meio de acusações, veladas ou directas,  de intolerância.

 

A semana passada estive na segurança social em Setúbal, uma das questões que coloquei foi se havia no distrito crianças que não se conseguissem colocar. Sim, há, 3 irmãos negros 2 meninas e um menino, o maior tem 6 anos, e algumas crianças negras de mais de 7 anos. E depois a conversa é sempre a mesma, casais dispostos a adoptar crianças de raça negra não esperam mais que dois anos, porque não há quem as queira.

 

Eu acho que somos um país racista, somos intolerantes e donos do nosso umbigo, fingimos que somos tolerantes, mas no fundo somos racistas.

 

Olho para o espectro político nacional e não vejo de onde possa vir um Obama, a hipótese nem se coloca, porque na nossa politica não cabem os políticos de cor... mas vamos lá colocar a hipótese:

 

E se fosse em Portugal, um politico negro podia chegar a presidente? o que acha?

 

Jorge Soares

 

PS:Imagem retirada da internet

 

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publicado às 21:16

As mulheres católicas o quê? II

por Jorge Soares, em 18.01.09

Violência familiar

 

Hoje à tarde no Rádio Clube o tema era  a violência familiar, somos um país estranho, por um lado somos pioneiros e dos povos que aderem mais rapidamente a algumas coisas, o multibanco, a internet, o telemóvel, por outro lado há coisas que não mudam, e temas que são tabu.

 

Todos ouvimos falar das vitimas de carjacking, ou do aumento da criminalidade, mas ninguém ouviu falar das 48 mulheres que morreram assassinadas durante o ultimo ano. 48 mulheres é quase uma por semana. Pessoas que morrem por vezes de forma brutal e macabra, mas que por algum motivo estranho não aparecem na abertura do telejornal, ou nas primeiras páginas dos jornais.... parece que há casos em que nos limitamos a olhar para o lado.

 

Morreram duas pessoas em assaltos de carjacking e estivemos dias, semanas a ouvir falar do assunto, morre uma mulher por semana vitima da violência familiar..... e ninguém ouve nada sobre o assunto... alguém me explica o que é que se passa?

 

A propósito do meu post de sexta sobre os comentários de Dom José Policarpo, dizia a minha amiga Flor o seguinte.

 

"Queimada Viva" é um livro que li que me chocou pela brutalidade e falta de dignidade pelo ser humano (neste caso a mulher).
Este relato é feito na primeira pessoa. Não é um crime do passado. É dos nossos dias (como muitos que não tiveram a sorte "se se pode chamar de sorte a sobreviver depois de ser queimado vivo por um familiar" de passarem até nós)!

 

Não li o livro, acredito que reflicta alguns casos reais, há uma ou duas semanas atrás li uma reportagem no Diário de Noticias sobre a violência familiar em Portugal, havia 4 ou 5 relatos impressionantes, deixo aqui uma parte de um deles:

 

Numa discussão meses antes, o marido de Célia matou o cão e disse-lhe que era para não a matar a ela. Mas avisou-a de que seria tão fácil fazê-lo como fez com o animal. Ela já tinha escondido facas, já se escondera com os filhos, mas não descobriu a arma que ele guardava no quarto. No dia 17 de Outubro de 2000, ele não veio jantar. Ela só teve tempo de "arrumar a cozinha e tratar dos três filhos". O homem chegou e mandou-os para a cama. A filha mais nova viu o pai pegar na arma e gritou: "Não mates a mãe, não mates a mãe!" Nada o demoveu. Disparou três tiros sobre a mulher, que "perdeu os sentidos".

 

Isto não é algo que saiu de um livro, é algo que saiu da vida real, algo que se passou no nosso país, com pessoas reais, na reportagem não dizia, mas imagino que seriam católicas e casadas pela igreja.

 

Não faço ideia de quantos casamentos interreligiosos haverá por ano em Portugal, imagino que muito poucos, e entre católicos e muçulmanos haverá no máximo um ou dois, somos um povo racista...essas coisas ainda não acontecem.

 

Sei sim que durante o ano passado morreram 48 mulheres vitimas da violência, atendendo às estatisticas, 95% dessas mulheres seriam católicas e de certeza casadas pela lei da igreja, e disso não ouvi a o cardeal falar, bem pelo contrário, a igreja continua a ser contra o divorcio, continua a achar que a mulher deve ser submissa e aguentar, como sempre aguentou. Em suma, a igreja é cúmplice e fala de coisas que não interessam a ninguém, de coisas que só contribuem para acirrar os ânimos, mas não fala daquilo que realmente interessa..do que realmente se passa no país.

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

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publicado às 21:49

Rosa

 

Continuação do Conto Um rasto do teu sangue na neve de Gabriel Garcia Marquez, parte anterior aqui

 

- Macho não come doce - disse.


Pouco antes de Orleans a bruma desvaneceu, e uma lua muito grande iluminou a terra semeada e nevada, mas o tráfego ficou mais difícil pela confluência dos enormes caminhões de legumes e cisternas de vinho que se dirigiam a Paris. Nena Daconte gostaria de ajudar seu marido no volante, mas nem se atreveu a insinuar isso, porque ele havia advertido na primeira vez em que saíram juntos que não há maior humilhação para um homem que se deixar conduzir pela mulher. Sentia-se lúcida após quase cinco horas de bom sono, e além disso estava contente por não ter parado num hotel do interior da França, que conhecia desde pequena em numerosas viagens com seus pais. “Não há paisagens mais belas no mundo”, dizia, “mas você pode morrer de sede sem encontrar ninguém que lhe dê um copo d’água de graça!”. Tão convencida estava que na última hora havia metido um sabonete e um rolo de papel higiênico na frasqueira, porque nos hotéis da França nunca havia sabonete e o papel nas privadas eram os jornais da semana anterior cortados em quadradinhos e pendurados num gancho. A única coisa que lamentava naquele momento era haver desperdiçado uma noite inteira sem amor. A réplica de seu marido foi imediata.


- Neste instante eu estava pensando que deve ser do caralho trepar na neve - disse. - Aqui mesmo, se você quiser.


Nena Daconte pensou no assunto a sério. Na beira da estrada, a neve debaixo da lua tinha um aspecto macio e cálido, mas à medida que se aproximavam dos subúrbios de Paris o tráfego era mais intenso, e havia núcleos de fábricas iluminadas e numerosos operários de bicicleta. Se não fosse inverno, já estariam em pleno dia.


- É melhor esperar até Paris - disse Nena Daconte. - Bem quentinhos e numa cama com lençóis limpos, que nem gente casada.
- É a primeira vez que você falha - disse ele.
- Claro - replicou ela. - É a primeira vez que somos casados.


Pouco antes do amanhecer lavaram o rosto e urinaram numa pensão do caminho, e tomaram café com croissants quentes no balcão onde os caminhoneiros tomavam vinho tinto no café da manhã.


Nena Daconte havia percebido no banheiro que tinha manchas de sangue na blusa e na saia, mas não tentou limpá-las. Jogou no lixo o lenço empapado, mudou a aliança de casamento para a mão esquerda e lavou bem o dedo ferido com água e sabão. A picada era quase invisível. No entanto, assim que voltaram ao carro tornou a sangrar, e Nena Daconte deixou o braço pendurado pela janela, convencida de que o ar glacial das plantações tinha virtudes de cauterizador. Foi outro recurso em vão, mas ainda assim ela não se alarmou. “Se alguém quiser nos encontrar será muito fácil”, disse com seu encanto natural. “Só vai ter que seguir o rastro do meu sangue na neve.”, Depois pensou melhor no que tinha dito, e seu rosto floresceu nas primeiras luzes do amanhecer.


- Imagine só - disse. - Um rastro de sangue na neve de Madri a Paris. Você não acha bonito para uma canção?

 

Continua
Jorge
PS:Imagem minha, retirada do blog Momentos e olhares

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publicado às 21:10

As mulheres católicas o quê?

por Jorge Soares, em 16.01.09

 

 

«Casar com muçulmanos pode causar «um monte de sarilhos».


«Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Ala sabe onde acabam».

 

Quem disse as frases que copio acima foi José Policarpo, Cardeal patriarca da igreja Portuguesa, a máxima autoridade da igreja em Portugal....a voz da igreja católica no nosso país.

 

Vejamos a opinião de outro membro da igreja católica sobre a violência familiar em entrevista ao DN no dia 13 de Outubro de 2007

 

Passo a citar:


«NM- Na sua opinião uma mulher que é agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar-se?

Resposta - Depende do grau de agressão;


NM - O que é isso de grau de agressão?

Resposta - Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos;


NM - Então reformulando a questão: agressões pontuais justificam um divórcio?


Resposta - Eu, pelo menos, se estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amava verdadeiramente no resto do tempo, achava que não. Evidentemente que era um abuso, mas não era um abuso e gravidade suficiente para deixar um homem que amava.»

 

Pois, pelos vistos as mulheres portuguesas tem que ter mesmo muito cuidado.... mas não é só com os muçulmanos..... entretanto a igreja olha para o lado, e é contra o divórcio, contra o aborto, contra a contracepção,..contra tudo, até contra o bom senso.

 

Jorge

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publicado às 22:32

O que são células estaminais?

por Jorge Soares, em 15.01.09

 

Ontem no debate mensal na assembleia da Republica, o primeiro-ministro anunciou a criação de um banco de células estaminais. Hoje por volta da hora do almoço na Antena 1, acho que o programa era Antena Aberta, discutia-se a importância desta medida.

 

Recentemente dois dos meus colegas tiveram filhos e ambos optaram por preservar o sangue do cordão umbilical dos bebés, que é preservado congelado e em caso de necessidade poderá no futuro ser utilizado para aproveitamento das células estaminais. Por aquilo que percebi, ambos pagaram bastante dinheiro para esta preservação. Mas o que são células estaminais?

 

 

Neste artigo do Sapo saúde podemos ler o seguinte:

 

 

"As células estaminais são células indiferenciadas que podem dar origem aos diferentes tipos de células de um organismo. Estas células têm ainda capacidade de se auto-renovar. Iisto significa que uma célula estaminal ao dar origem a uma célula mais especializada (diferenciada) dá também origem a uma cópia idêntica de si mesma, e tem também capacidade de se multiplicar aumentando o número de células estaminais (expansão). Existem diferentes tipos de células estaminais.


Durante o desenvolvimento embrionário, estas células especializam-se, originando os vários tipos de células do corpo, desde as células do músculo cardíaco, células nervosas, glóbulos vermelhos ou células da pele, ou mesmo, por exemplo, as células que fazem parte do olho. Mais tarde, no indivíduo adulto, as células estaminais reparam tecidos danificados e substituem as células que vão morrendo."

 

 

O que se tentava discutir no programa era a utilidade deste banco público de células estaminais, os benefícios para o país e por fim a utilidade de uma medida destas numa altura de crise económica.

 

Não é uma discussão fácil, quando penso em células estaminais o primeiro que me vem à cabeça são transplantes para cura da leucemia. Uma das convidadas em estudo dizia que a manutenção de um banco com aproximadamente 10000 amostras custaria ao país entre 1 e 2 milhões de Euros por ano.  

 

Podemos olhar para este valor de várias formas, podemos pensar que se com este dinheiro conseguirmos salvar nem que seja uma vida de uma criança com leucemia, o dinheiro será bem empregue. Por outro lado, alguém dizia que neste momento das colheitas feitas e preservadas, só 30% é aproveitável, já seja devido a problemas na colheita, na preservação ou das próprias células. Sendo que o tempo de vida máximo de uma colheita é de 20 anos, passado o que deixam de ser utilizáveis. Visto por este prisma, se calhar podemos pensar que o dinheiro poderia ser utilizado na saúde dos portugueses e salvar vidas de outras formas.

 

No fim do programa fiquei com algumas duvidas, por um lado uma vida humana não tem preço e qualquer dinheiro que se gaste com o objectivo de salvar vidas é bem empregue, por outro lado, parece-me que neste momento as coisas não são muito claras e fiquei na duvida se os mais de mil euros que os meus colegas pagaram às empresas de crio-preservação vão alguma vez servir para algo...será que o dinheiro não seria melhor empregue em centros de saúde, ambulâncias, cuidados paliativos, serviços de urgência dos hospitais?.......

 

Resta explicar que ao contrário dos bancos privados, as células guardadas no banco publico seriam para qualquer pessoa que as necessitasse e fosse compativel, e não propriedade do dador.

 

Não sei!

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

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publicado às 21:44

Adopção

imagem retirada da internet

 

 Esta semana recebi no meu email uma mensagem que chegou do grupo Nos Adoptamos

 e que entre outras coisas dizia o seguinte:

 

"Estamos a pensar adoptar uma criança entre os 5 e os 7 anos porque há  muitas crianças dessa faixa etária por adoptar e porque, pelo menos em  teoria, será um processo mais rápido. No entanto, uma pessoa conhecida aconselhou-nos a adoptar uma criança com 5 anos no máximo, porque após  essa idade já começam a ter uma personalidade bem vincada e mais  dificilmente moldável. Partilham desta opinião? O que é que a vossa  experiência vos diz?"

 

Há pessoas que ainda acreditam que as crianças são moldáveis, está-se mesmo a ver que não conhecem os meus filhos. O meu filho foi-me entregue com 1 ano, tenho uma filha biológica e pelos vistos devemos ser uns péssimos pais, porque cada um tem a sua personalidade..... que por certo são a antítese um do outro, e acreditem em mim, se eu pudesse mudava ambos. No outro dia e ante as queixas das professoras de um e de outro, a P. virou-se para uma das professoras e disse:

 

- Deus fez um péssimo trabalho com os meus filhos, conseguiu dar a mais a um exactamente o que deu de menos ao outro.

 

Uma criança é uma criança, não há duas iguais, conheço casos de adopção de bebés que à medida que crescem são uns autênticos terroristas e casos de crianças que foram adoptadas com 6 e 7 anos que são os filhos que todos sonhamos ter. 

 

A Sandra, na sua resposta ao email dizia o seguinte:

 

"Acho que as pessoas confundem a necessidade de 'impor regras' ou de ' estabelecer alguma disciplina ou organização' com o 'moldar a personalidade' ou 'obrigar a criança a obedecer cegamente'. A imposição de regras, de disciplina ou organização, mesmo com crianças teimosas como a minha ou desorganizadas ou qualquer outra coisa, acontecem naturalmente se lhes explicarmos o porquê dessas regras e disciplina, a função delas, o que acontece se não forem observadas. Não é necessário 'moldar' coisa nenhuma. Nem é necessário, nem sequer é possível. Daí essa observação não fazer sentido.

As crianças com cerca de 5, 6 ou 7 anos, começam é a desenvolver mais e melhor outras capacidades - de expressão, de pensamento abstracto, etc... Agora a personalidade não está em stand by e não se começa a desenvolver com mais afinco a partir de determinada idade! 

Outra grande vantagem das crianças mais velhas é que já têm uma compreensão da realidade muito mais profunda e concreta do que as crianças mais novas (resultante do desenvolvimento de competências e não do desenvolvimento da personalidade) que, no meu caso, tornaram toda a integração e adaptação muito, mas muito mais fácil."

 

Normalmente estou de acordo com a Sandra, desta vez faço minhas as palavras dela...  literalmente.

 

Qualquer criança adoptada passou por um abandono, e isso vai viver com ela para o resto da sua vida. Podemos pensar que as crianças mais pequenas sofrem menos com isso, ou que são menos marcadas, a minha experiencia diz-me que isso não é verdade, o meu filho cresceu com o facto de ser adoptado, e à medida que ia crescendo e tomando consciência do que isso significa, ia reagindo... umas vezes melhor, outras pior, mas é algo que todos tem de enfrentar. Se pensarmos bem, uma criança mais velha já interiorizou o facto, na maioria das vezes já o aceitou e está tão desejosa de uma família, de amor e carinho, que se vai entregar de alma e coração aos novos pais.

 

Jorge

PS:Sandra, eu sei que plagiar é feio... obrigado

PS:O grupo de mail Nós adoptamos é um grupo de discussão onde participam, pais, candidatos e adoptados.

 

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publicado às 21:47

A musica francesa é sensual!

por Jorge Soares, em 13.01.09

Sensual

 

No outro dia vinha a ouvir rádio e por acaso caí num daqueles programas onde participa o Pacheco Pereira, não faço ideia sobre qual seria o tema do programa, eu não gosto lá muito do senhor...  a minha primeira ideia foi mudar de emissora... até que ele se saiu com a seguinte frase:

 

-A musica francesa é extremamente sensual!

 

Vou-me confessar, não percebo uma palavra de francês, mas aí e só por esta vez, estou de acordo com o Pacheco Pereira, mesmo sem saber francês, ou se calhar por isso, acho a musica francesa extremamente sensual. Um dos blogs que mais me dá prazer visitar é o Ponto de Exclamação da Paola, porque para além dos textos fantásticos que ela escreve, adoro a musica, e eu nem sou muito apreciador de blogs com musica, mas a musica francesa que adorna os posts e que a Paola escolhe com extremo bom gosto, faz-me ficar por ali muito tempo depois de ler e de  reler os belos textos.

 

Há algo na pronuncia que me encanta, não sei  vocês, mas eu adoro musica francesa.

 

 

 

 

Gosto especialmente desta musica, há videos muito melhores que este no Youtube, mas infelizmente não dão para publicar...se quiserem podem lá ir e ou vir este, por exemplo:http://www.youtube.com/watch?v=ISA8fIhr3Ww

 

E Vocês, acham a musica francesa sensual?

 

Jorge

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publicado às 22:34

Receita:Lombo de porco com laranja

por Jorge Soares, em 12.01.09

Neve em Portugal

 

 

Hoje ia falar sobre o frio...bem, não era mesmo sobre o frio, era sobre as queixas, agora que o temporal passou, chegaram as queixas, quer dizer, elas já tinham chegado antes, mas hoje chegaram em força.
 
Somos um país cálido, normalmente as temperaturas estão acima de zero e neve e gelo é algo tão exótico que cada vez que aparecem dão direito a pelo menos meio telejornal. Evidentemente um país cálido onde não cai neve, não gasta dinheiro e recursos em limpa neves, nem tem montada a logística para o caso de ela cair eventualmente cair com a força suficiente para bloquear estradas. Isso é algo que todos entendemos, não?.... bom, quase todos, porque pelos visto há muito quem ache que devíamos ter algures uma frota de limpa neves em cada rua ... não vá a ser que neve. Curiosamente, nenhuma das pessoas que ouvi reclamar tinha umas simples correntes para a neve... que o país deve estar preparado.... mas nós não...... era engraçado, com a crise e a falta de dinheiro que temos, íamos agora encomendar limpa neves ... para ficarem a apanhar pó nos próximos anos.
 
Hoje também fiz o jantar, cheguei a casa e em cima do balcão da cozinha, estava o lombo de porco que compramos ontem, a P. não estava e deixou a carne estrategicamente colocada para que eu me lembrasse o que era o jantar... olhei para a carne...e lá inventei mais uma receita:
 
Lombo de porco com laranja....e mostarda!
 
Ingredientes.
 
Um lombo de porco
2 laranjas
Alhos,
1 caldo knorr
Pimentão
Pimenta
Cominhos
Ervas aromáticas
2 colheres de mostarda
 
Peguei numa taça e coloquei 2 colheres de mostarda, juntei um caldo Knorr, o sumo de duas laranjas espremidas na hora, Pimentão, pimenta moída, cominhos e ervas aromáticas. Mexi tudo muito bem até fazer uma mistura homogénea.
 
Piquei 4 ou cinco dentes de alho e coloquei num pirex,  juntei azeite quanto baste e coloquei a carne. 
 
Coloquei metade do preparado feito antes sobre a carne e levei ao forno a 180 graus. Passado uma boa meia hora, dei a volta à carne e coloquei a metade restante do preparado sobre ela. 
 
Depois disso esteve no forno mais 45 minutos....sabem uma coisa?, estava uma delícia.
 

 

Jorge

PS:Imagem da Dona Flor tirada do olhares sem autorização. 

PS2:Não, eu não vou falar do Cristiano Ronaldo

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publicado às 21:39

Comprar pensos higiénicos?.... claro, e?

por Jorge Soares, em 11.01.09

 

Homem a comprar produtos higiénicos
 
 
Todos os Sábados compro o DN, junto com o jornal vem a revista NS' e na revista a coluna "O Sexo e a Cidália", que costumo ler.
 
Esta semana a Cidália estava um pouco trapalhona com uma coluna que não era carne nem peixe, acontece a todos. Em determinado momento e a propósito de um senhor que estava à frente dela no supermercado, diz o seguinte:
 
"Ir buscar pensos é coisa de mulheres, claro está. Eu vou à mercearia do bairro e quando digo ao homem que quero pensos, ele diz como se tivesse nojo......"
 
Há uns 15 dias atrás, estava eu prestes a sair de Loures quando me liga a P., a conversa foi mais ou menos assim:
 
-Jorge, fazes-me um favor?
-Claro, o que é que precisas?
-Preciso que passes pelo supermercado.
-Ok, queres que compre o quê?
-Preciso de pensos higiénicos, não te importas?
-Claro que não.
- Queres de quais?
-Uns qualquer, compra um pacote dos mais pequenos que é só para desenrascar.
...
E lá fui ao supermercado, comprei a embalagem mais pequena que encontrei do tamanho médio. Fui à caixa paguei e vim-me embora.... sem problema, sem nojo e sem mais nada...e não dei porque alguém ficasse a olhar para mim.
 
Tendo atenção ao artigo da Cidália .... parece que houve algo que me escapou, para mim comprar pensos higiénicos não tem nada de mais, são um produto higiénico como outro qualquer. Imagino que todos estes pruridos tem a ver com o facto o período ainda ser um assunto tabu na maioria das casas, até ao ponto de muitas mulheres crescem e passam por ele sem perceber muito bem o que é nem como funciona... porque ninguém fala disso.... isto para já não entrar em detalhes mais íntimos em que é utilizado como desculpa por muitas mulheres.... que não sabem o que perdem!
 
Jorge

PS:Imagem retirada da internet

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publicado às 22:59

- Você é um selvagem - disse ela

por Jorge Soares, em 10.01.09

Rosa

 

 

Continuação do Conto Um rasto do teu sangue na neve de Gabriel Garcia Marquez, parte anterior aqui

 

 - Fiz de propósito - disse -, para que reparassem no meu anel.


E era verdade, a missão diplomática em peso admirou o esplendor do anel, que devia custar uma fortuna, não tanto pela classe dos diamantes, mas por sua antiguidade bem conservada. Mas ninguém percebeu que o dedo começava a sangrar. A atenção de todos derivou depois para o carro novo. O embaixador havia tido o bom humor de levá-lo ao aeroporto e mandar embrulhá-lo em papel celofane com um enorme laço dourado. Billy Sánchez não apreciou sua invenção. Estava tão ansioso para conhecer o carro que rasgou o papel com um arrancão e ficou sem ar. Era um Bentley conversível do ano com estofamento de couro legítimo. O céu parecia um manto de cinza, o Guadarrama mandava um vento cortante e gelado, e era incômodo ficar na intempérie, mas Billy Sánchez não tinha ainda noção do frio. Manteve a missão diplomática no estacionamento sem cobertura, sem reparar que estavam congelando por cortesia, até que terminou de reconhecer o carro em seus detalhes recônditos. Depois, o embaixador sentou-se ao seu lado para guiá-lo até a residência oficial, onde estava previsto um almoço.

No trajeto foi indicando os lugares mais conhecidos da cidade, mas ele só parecia ter atenção para a magia do carro. Era a primeira vez que saía da sua terra. Havia passado por todos os colégios públicos e particulares, repetindo sempre o mesmo ano, até que ficou flutuando num limbo de desamor. A primeira visão de uma cidade diferente da sua, os blocos de casas cinzentas com as luzes acesas em pleno dia, as árvores peladas, o mar distante, tudo ia aumentando um sentimento de desamparo que ele se esforçava por manter à margem do coração. No entanto, pouco depois caiu, sem perceber, na primeira armadilha do esquecimento. Havia se precipitado uma tormenta instantânea e silenciosa, a primeira da estação, e quando saíram da casa do embaixador depois do almoço, para começar a viagem para a França, encontraram a cidade coberta por uma neve radiante. Billy Sánchez esqueceu então do automóvel, e na presença de todos, dando gritos de júbilo e atirando punhados de pó de neve na própria cabeça, se espojou na metade da rua, vestindo o sobretudo.
 
Nena Daconte percebeu pela primeira vez que o dedo estava sangrando quando saíram de Madri numa tarde que havia se tornado diáfana depois da tormenta. Surpreendeu-se, porque havia acompanhado com o saxofone a esposa do embaixador, que gostava de cantar árias de ópera em italiano depois dos almoços oficiais, e quase não percebeu o machucado no dedo. Depois, enquanto ia indicando ao marido os caminhos mais curtos até a fronteira, chupava o dedo de um modo inconsciente cada vez que ele sangrava, e só quando chegaram aos Pireneus pensou em procurar uma farmácia. Depois sucumbiu aos sonos atrasados dos últimos dias, e quando despertou de repente com a impressão de pesadelo de que o carro andava na água, não se lembrou mais durante um longo tempo do lenço amarrado no dedo. Viu no relógio luminoso do painel que eram mais de três da manhã, fez seus cálculos mentais, e só então compreendeu que tinham passado por Bordeaux, e também por Angoulême e Poitiers, e estavam passando pelo dique do Loire inundado pela cheia. O fulgor da lua filtrava-se através da neblina, e as silhuetas dos castelos entre os pinheiros pareciam de contos de fada. Nena Daconte, que conhecia a região de cor, calculou que estavam já a umas três horas de Paris, e Billy Sánchez continuava impávido no volante.
 
- Você é um selvagem - disse ela. - Está dirigindo há mais de onze horas, sem comer nada.
 
Estava ainda flutuando pela embriaguez do carro novo. Apesar de que no avião tinha dormido pouco e mal, sentia-se desperto e com forças de sobra para chegar em Paris ao amanhecer.

- O almoço da embaixada está durando até agora - disse ele. E acrescentou sem nenhuma lógica: - E afinal de contas, lá em Cartagena o pessoal está saindo do cinema agora. Devem ser umas dez da noite.

Ainda assim, Nena Daconte temia que ele dormisse dirigindo. Abriu uma caixa dos tantos presentes que tinham ganhado em Madri e tentou meter na boca dele um pedaço de laranja cristalizada. Mas ele evitou.

- Macho não come doce - disse.
 
......
Continua
Jorge
PS:Imagem minha, retirada do blog Momentos e olhares
 

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publicado às 21:32



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