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O papa e a sua cruzada ridícula

por Jorge Soares, em 18.03.09

A cruz da vergonha

 

 

De vez em quando dou por mim a olhar para os logs do Blog e já não é a primeira vez que alguém cá chega depois de colocar no google a frase:

 

"Porque deus não faz milagres em África?"

 

As pessoas vão parar ao meu post que diz: deus não existe ponto final e não resistem a entrar.

 

Não deixa de ser uma pergunta interessante. Está claro que deus há muito que não vai a África, um continente onde uma série de flagelos continuam vivos e bem activos, parece que as sete pragas partiram do Egipto e se espalharam por todo o continente até hoje. Em África, quando não se morre numa qualquer guerra civil, morre-se de fome, ou de sede, ou de cólera, ou de malária, ou ao tentar fugir a todas estas pragas,morre-se afogado quando o barco em que se tenta fugir naufraga no mar. Uma das últimas grandes pragas que se instalou em África foi a Sida, países como o Congo, os Camarões ou Moçambique ,tem perto de 25% da sua população infectada pelo vírus.

 

Eu sou daqueles que não vejo na igreja nada de positivo, é uma instituição retrógrada que vive aferrada a dogmas e ao passado, não evolui e não quer evoluir. Esta semana o pretenso representante de deus na terra, o chefe da igreja católica, foi de visita a África.... de pessoas com a sua responsabilidade, à falta de mais, esperamos pelo menos o bom senso.. mas não, na igreja católica não há bom senso..e pelos vistos também não há inteligência nenhuma. Dizer que a distribuição de preservativos não melhora a situação só a piora, é muito grave...  é fechar os olhos à realidade, fingir que ela não existe... é criminoso.

 

 Por muito que eu tente não consigo perceber o sentido da afirmação do senhor, alguém me explica?

 

Jorge

 

PS:Imagem retirada de Arrastão

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publicado às 21:46

Ontem andava por aí  vaguear pela internet e encontrei este vídeo, contrariamente ao que é costume, não vou comentar, quero só recordar que sou pai biológico e adoptivo e que estou neste momento num segundo processo de adopção.... como dizia alguém no Sábado, estou oficialmente grávido.

 

Vejam o vídeo e se quiserem, comentem, digam da vossa justiça.... hoje, quero ouvir opiniões, as vossas opiniões sinceras, digam-me o que pensam.

 

 



Jorge

 

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publicado às 21:50

As Doulas

por Jorge Soares, em 15.03.09

Doulças

Retirada de aqui

 

Estive a rever os comentários ao Post  ao post No Parto sozinha ou acompanhada, a generalidade das mulheres prefere passar por aquele momento acompanhada pelo seu mais que tudo, como disse alguém: se ele esteve lá no inicio, é justo que esteja lá no fim.

 

Mas o que dizer de ter a companhia de uma pessoa estranha?, alguém que está preparado para acompanhar e grávida naquele momento? Uma Doula!

 

Ouvi esta palavra por primeira vez num dos Programas do A Viagem da cegonha e fiquei curioso, mas, o que é uma Doula? No Site da Associação de Doulas de Portugal, podemos ler o seguinte:

 

"Uma doula é uma mulher geralmente com experiência de maternidade, que está ao lado da mãe durante o seu parto, ajudando-a a sentir-se segura de modo a que ela consiga mais facilmente dar à luz."

 

Estive a dar uma olhadela pelo google, como não poderia deixar de ser, a Origem das Doulas está na América do Norte, durante os anos 70, dois investigadores americanos verificaram que nos hospitais da Guatemala havia mulheres que ajudavam as mães no momento do parto, como não havia uma palavra para designar estas mulheres, utilizaram a palavra Grega Doula, que significa "Mulher que serve"

 

Para que serve uma Doula?. De aquilo que consegui perceber, a Doula é alguém que acompanha a grávida durante algum tempo, dá conselhos e fala da sua experiência, na hora do parto está por ali, tentando dar conforto e garantir que a grávida tem tudo o que necessita naquela altura. No fundo, faz um pouco o papel de mãe.

 

Deste outro site da Internet, retirei o seguinte:

 

 

Faltava um dia para completar 41 semanas. A médica queria induzir o parto no dia seguinte. Eu não queria. Segui os conselhos da doula e da parteira, caminhei muito, fiz duches de água quente, comi comidas picantes, bebi chá de canela e framboesa... Às seis da manhã comecei a ter contracções, esperei um pouco para ver se eram regulares e estavam com intervalo de 10 minutos. Mandei mensagem à doula e fui tomar um duche. 

 

Às sete e pouco, o intervalo era de cinco minutos e aí já eram contracções fortes. Pensei que se a doula e a parteira não chegassem depressa a Joana nascia antes. Já estavam de três em três minutos quando chegaram, finalmente, ainda não eram oito horas. Fiquei tranquila com a presença delas.

 

Falavam muito baixinho, reduziram as luzes, respeitavam tudo o que me apetecesse fazer ou posições que me parecessem melhores. Estive em pé, de cócoras, de gatas, nada me foi imposto. A parteira não fez nenhum toque, só avaliou o bem-estar fetal duas vezes com o CTG. Foi tudo ao meu ritmo e agora sei que essa liberdade foi muito importante para a forma como as coisas correram. Foi muito rápido!

 

Confesso, fez-me impressão, uma coisa é ajuda e conforto durante o parto, algo muito diferente é aconselhar a grávida a ir contra a opinião médica, apesar de tudo ter corrido bem e do final feliz, não consigo esquecer que esta mãe colocou a sua vida e a do seu filho nas mãos de uma pessoa que não tem preparação médica. E se as coisas tivessem corrido mal? 

 

 

Jorge

 

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publicado às 21:58

Um coração desassossegado

por Jorge Soares, em 14.03.09

Na tradição de Ruivães não havia exercício tão escandalcoso. Três homens na vida duma mulher, era como que uma espécie de aleijão moral, de que a própria terra se devia envergonhar. Mas a verdade é que a Marciana fizera essa avaria, e ali estava mais uma vez viúva, quase sem lágrimas, a despachar o Bernardino, o último marido, para o cemitério.
O cunhado, o Daniel, que tratava da mortalha, movia-se entre o dever e o desespero. Honrado e alustero, fora casado com uma irmã dela, a Isaura, que falecera há pouco. E aquele parentesco, que o obrigava a enterrar-lhe quantos mantilhões arranjasse, custava-lhe os olhos da cara.
- Uma pessoa está guardada para cada conveniência!
- Que hás-de tu fazer! É família...
- Pois aí é que me dói! Uma deslavada, sem vergonha nem propósitos, e eu depois que a ature...
Desde rapaz que lhe tinha uma antipatia obscura, feita de nadas, e cada dia mais azeda. Namorava-lhe a irmã, mas era ela sempre que aparecia primeiro, a pretexto de o avisar de qualquer conversa que ouvira a seu respeito, de saber se havia ou não comédias na festa de S. Gonçalo, de se queixar das bebedeiras do pai. O Daniel agradecia a prevenção, dava-lhe a informação pedida ou justificava da maneira que podia as fraquezas do futuro sogro., e cerrava os dentes, mortificado.
- Estás em ânsias! - insinuava ela, ironicamente.
- Estou à espera...
- Tem de lavar a louça, primeiro. E porque a não lavava ela, em vez de se pôr ali de espantalho ? O que vale é que era discreto e paciente. Continuava silencioso, até que a namorada surgia, também discreta e paciente, no cimo da escada, e a Marciana, com ar de troça, os deixava em sossego.
- Nem parece tua irmã. Coisa mais reles!
- Olha que não. Estás enganado. Mete-se realmente na vida dos outros quando não devia, e gosta de levar e de trazer... É pena. Mas, fora isso, é como o pão...
- Azedo!
- Também nem tanto!...
- Cá por mim não a trago nem com açúcar!
- Hás-de ver que vos dais bem.
- Não me cheira. Nunca gostei de gente entremetida.
- Dá tempo ao tempo...
Infelizmente, o tempo só reforçou as razões do Daniel, como a própria Isaura teve de reconhecer.
Quando se receberam, o raio da rapariga parecia doida. Cantava e dançava como se fosse a dona da festa. E toda a gente se espantava com uma alegria tão despropositada.
- Ó mulher, tem juízo! Olha que quem se casa é a tua irmã!
Ficou pensativa e pálida por alguns momentos, como se a acordassem duma anestesia e a dor voltasse. Mas retomou o entusiasmo logo a seguir, e foi a última a deixar os noivos em paz no pobre tugúrio onde iam começar cinquenta anos de felicidade. Com os pretextos mais estapafúrdios, demorava a partida. Conversava, varria, compunha e descompunha a travesseira da cama, comia pires seguidos de arroz doce, e assim encurtava a noite que os dois desejavam - do tamanho da estrada de Santiago. Por fim, lá saiu. E o Daniel, enquanto trancava a porta, desabafou:
- Que cáustico! A Isaura, sabe Deus com que vontade, desculpou-a:
- Coitada, tem aquele feitio... Mas não é por mal.
- Pois olha que se é por bem, pode limpar as mãos à parede. A obrigação dela, de mais a mais sendo rapariga, era pôr-se a andar adiante dos outros.
- Nem pensou.
- Pensei eu, que estava com vontade de a esganar. Se não fosse por serdes vós Senhor quem sois... Bem se diz lá, que por causa dos santos se adoram as pedras!
- Não regula bem, coitada. Ninguém se mandou fazer...
E tanto não regulava, que um mês depois, do pé para a mão, casava-se também. Ruivães à missa, na sua boa fé, e o padre a ler-lhe os banhos! Ficou tudo abismado. Sem ter havido namoro que se visse, ou suspeita de tal, ia ser mulher do Marcolino.
Zunzuns no povo, porque seria, porque não, mas a verdade é que daí a três semanas estava arrumada. Na boda, repetiu-se a cena do casamento da irmã. Apenas com a atenuante de que agora todos se conformavam com aquele entusiasmo desabrido. O festejo era dela, fizesse como entendesse. E lá que se despedia da vida de solteira como ninguém, honra lhe seja. Agarrava-se ao cunhado, que tinha de dançar com ela mais uma valsa, mais outra valsa, mais outra, que o desgraçado, ainda por cima com malhada no dia seguinte, parecia um mártir a ganhar o céu.
- Coisa mais disparatada, nunca vi! - queixava-se ele, a caminho de casa.
A Isaura, sempre conciliante, punha água na fervura.
- Entusiasma-se e perde-se da cabeça. Tanto monta a gente afligir-se, como não.
- O que vale é que isto é uma vez na vida! Na sua sensata e honrada ética de cavador, o Daniel plantava cada acto social, seu ou dos outros, com a fundura duma raiz. Não concebia a vida sem horas sacramentais, irreversíveis, solenes como uma sementeira ou uma missa.
Mal ele suspeitava que passados dois anos tinha de tratar do enterro do Marcolino, e, decorrido mais um, estava novamente nos braços da cunhada a dançar outras valsas, pois se casava em segundas núpcias com o Carvalheira.
- Eu benzo-me! Até a gente fica não sei como... Faço ideia do falatório que para aí vai!... - lamentava-se à mulher, ofendido no seu bom nome.
- Tem paciência. Que se lhe há-de fazer? Não penses nisso...
Não pensaria, não, se a vida fosse doutra maneira. O pior é que não demorou muito que o Carvalheira esticasse também o pernil, e a cunhada, Deus lhe desse juízo!, não tratasse de pôr o sentido no Bernardino.
- Eu endoideço com semelhante criatura! Parece que anda de caçoada, a querer rebaixar a gente!
- Deixa-a lá. Que se governei Não vamos ao casamento, e pronto.
O diabo é que a Marciana, quando lhe deram a entender que não iam à boda, nunca mais os largou. Vinha, chorava, pedia, contava, jurava, que não houve outro remédio.
E o bom do Daniel lá teve de aguentar aquilo, a fazer das tripas coração.
Felizmente que o Bernardino era rijo, e os anos iam esterroando as arestas da vida como uma grade niveladora. A brincar, a brincar, os invernos tinham passado. Ruça, a Marciana perdera o ar de mula sem rédea. Vergada ao peso dos molhos de lenha e dos cestos de estrume, que o Bernardino, não era para brincadeiras, metia dó. Parecia uma alma pecadora em expiação. Mas mesmo assim, se encontrava o cunhado, toda ela se arrebitava numa conversa sem fim, cheia de calor e de confidências.
- Que língua de saca-trapos! Agarrou-me na Silveirinha, que não me largou. A água da poça a perder-se-me, e ela porque assim, porque assado... Eu já nem a ouvia!
Velha e doente, a Isaura deixara há muito de defender a irmã. Quando o homem lhe aparecia esbaforido a queixar-se dela, calava-se e continuava a torcer o fuso e a cozer os seus males.
- Tomaste o remédio?
- Eu não. O meu remédio, agora, é outro...
- Deixa-te de palermices e trata mas é de comer, que o cemitério tem tempo...
Gostava dela com a mesma frescura dos verdes, anos. E mal tinha olhos para ver como ela definhava dia a dia.
Comida de dores, morreu logo a seguir, duas semanas antes do Bernardino, que uma pneumonia liquidou também. E o Daniel, depois de enterrar a mulher, não teve outro remédio senão fazer o mesmo ao terceiro cunhado que a Marciana lhe arranjara.
Com a alma carregada do seu luto íntimo, encomendou-lhe o caixão, chamou padres, assistiu à missa de corpo presente. Mas, quando a última pazada de terra arrasou a campa do defunto, deu largas à sua indignação recalcada:
- Bem escusavas disto, se fosses outra! A Marciana enxugou as lágrimas postiças e levantou a cabeça.
- Outra, como? Já que o não compreendia, ou se fazia de novas, não pagava a pena estar-se a incomodar. De mais a mais, podia finalmente dá-la ao desprezo.
Largou e foi tratar das leiras. Embora os bens agora lhe não dessem gosto, era preciso granjeá-los como até ali. Enquanto se anda neste mundo, não há remédio senão fazer pela vida. E, mesmo sem a presença querida da velha companheira, lá ia tesourando, podando e curando as videiras.
Foi numa tarde de Maio, morosa e melancólica, que a cunhada de repente lhe apareceu no Tapado.
- Andas contra o míldio?
- Tem de ser. Houve um silêncio curto.
- As batatas estão bonitas!
- Assim, assim. Outra pausa.
- Merendaste?
- Merendei.
- Trazia-te aqui uma pinga... Desconfiado, fitou-a demoradamente. - Que estás a olhar?
- Nem sei...
- Olha, olha, a ver se descobres!... vão sendo horas...
Com a mão crispada na alavanca do pulverizador, o Daniel continuava a observá-la.
- Será possível?! - perguntou por fim. - E então? Era alguma coisa do outro mundo?
Desabrido, atirou-lhe o nojo à cara:
- Não estás farta, mulher?
- Não.
- Pois bates a má porta. Já te não posso valer. Duas lágrimas começaram a cair pela cara dela abaixo.
- Não é o que tu cuidas que me falta. Estou velha, também. O tempo dessas alegrias já passou.
- Então não te entendo...
- É o meu coração que não se cala. É ele que sempre gostou de ti e te queria...

 

Miguel Torga

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publicado às 22:00

Partos em casa? sim ou não?

por Jorge Soares, em 12.03.09

Barriga de grávida

Retirada de aqui

 

Um comentário da Su, no post sobre a presença do pai no parto de há dois dias, deixou-me a pensar, dizia ela:

 

bem... eu sou um ser estranho... eu quero ser mãe - medicamente acompanhada é claro - mas em casa. E para tornar a coisa ainda mais bizarra para o comum dos mortais, eu quero dar à luz dentro de água.

 

Susana, não és um ser assim tão estranho, na realidade, como podemos ler no site da associação Portuguesa de Famílias Numerosas, em Portugal o numero de partos em casa está a aumentar muito, já tinha lido sobre isso algures. Para as famílias bem,está a virar moda ter os filhos em casa.

 

Eu, assim como muita gente da minha geração, nasci em casa, com a assistência da parteira do lugar, que não imagino que formação teria, mas que seria de certeza  muito pouca para além da experiencia de vida e uns conhecimentos de ervas. Diz a minha mãe que eu dei muito trabalho para nascer, e que quando finalmente cheguei cá fora já vinha azul e mais para lá que para cá. As coisas foram complicadas mas felizmente para mim terminaram por correr bem... porque caso corressem mal .... não havia muito a fazer, e as probabilidades de ter assistência médica rápida eram muito poucas.

 

Eram tempos complicados, Portugal era um país atrasado, a mortalidade infantil era enorme e imagino que uma grande parte se ficava a dever ao facto de não haver assistência médica adequada no momento do parto.

 

É evidente que vivemos noutros tempos, a assistência está mais próxima e imagino que uma boa parte das pessoas que decide ter os filhos em casa terá posses para ter um médico a assistir, mas mesmo assim.... eu tenho as minhas duvidas. Todos já ouvimos falar que por vezes até nos hospitais privados com assistência médica de primeira e com partos que custam os dois olhos da cara, as coisas correm mal e as grávidas terminam num hospital publico e muitas vezes já é tarde.

 

Quando a R. nasceu, a nossa duvida foi se optávamos por um hospital publico ou privado e nunca nos passaria pela cabeça escolher que os nossos filhos nascessem em casa.... mas admito que haverá muita gente a pensar como a Susana... ainda que me custe entender... porque para mim isso é colocar a vida dos nossos filhos em risco.

 

Ia falar das Doulas..... mas fica para amanhã... que eu não gosto de posts longos.

 

Jorge

PS:Aconselho a leitura do artigo da associação Portuguesa de famílias numerosas...é de veras interessante

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publicado às 21:20

Hugo Chavez, Ditador?, Porquê?

por Jorge Soares, em 11.03.09

Venezuela, um país para querer

Imagem Retirada da internet

 

É muito fácil fazer juízos valor quando estamos comodamente sentados em nossa casa, olhamos para o televisor, ouvimos as noticias que nos são debitadas, sentimo-nos donos do nosso primeiro mundo e claro, achamos que tudo o que sai da esfera daquilo que conhecemos e damos por garantido é terceiro mundo ou em ultimo caso, republica das bananas.

 

Cada vez que leio ou ouço algo sobre o Hugo Chavez, presidente  da Venezuela,  penso, mais um que olhou para a televisão, viu as noticias e agora fala de cor.

 

A maioria das pessoas não sabe, mas a Venezuela é a Democracia mais antiga da América Latina, ainda em Portugal o homem não tinha caído da cadeira e as pessoas eram enviadas para o Tarrafal e já havia Democracia na Venezuela. A democracia foi instituída em 1958... portanto, quando Hugo Chavez foi eleito por primeira vez em 1999, havia democracia há 41 anos no país.... muito tempo.

 

Eu vivi lá 10 anos, tempo mais que suficiente para perceber que aquela Democracia que tanto agradava à Europa e aos Estados Unidos, tinha que mudar. Era uma Democracia em que dois partidos se sucediam no poder cada 5 anos, 5 anos governavam-se uns, para nos 5 anos seguintes se governarem outros. Sim, porque ali ninguém governava, mas todo o mundo se  governava. Era o tempo do "Yo no quiero que me deem, yo lo que quiero és que me pongam donde hay".

 

A economia era completamente subsidiada, até ao ponto em que por cada litro de leite que se vendia, o estado pagava 3 à empresa produtora, tudo era subsidiado, ninguém pagava impostos e absolutamente nada se fazia sem untar as mãos a alguém, desde o policia da rua até a qualquer funcionário publico, absolutamente tudo tinha um preço. 

 

Não era necessário ser muito esperto para se perceber que mais tarde ou mais cedo as coisas teriam que mudar, mais tarde ou mais cedo, de uma ou outra forma, teria que aparecer um Chavez, porque um país não pode existir assim. 

 

Chavez foi eleito por primeira vez em 1999, nessa altura eu já lá não estava, mas se estivesse, votava nele, simplesmente porque o país não podia continuar assim, o país precisava de ser governado...e não de quem se governasse a si. 

 

Chamar Ditador a Chavez, é avaliar a situação por aquilo que conhecemos, na verdade a situação deve ser avaliada desde o ponto de vista do povo da Venezuela, e o povo que na sua grande maioria vive em bairros precários, o povo que vive nas favelas de Caracas, o povo, esse já o elegeu em eleições livres e democráticas, duas vezes, ....e vai continuar a eleger, porque olhando para o lado, olhando para a oposição, o que se vê, é mais do que já lá tinha estado antes.... ou o vazio.

 

A Venezuela, além de um dos maiores produtores de Petróleo do Mundo, é um dos maiores produtores de Ferro, bauxita (alumínio), Ouro, Diamantes, etc, etc, etc. É um país com todas as condições., com todos os recursos,.. o que falta?.... pois... não sei!

 

Entretanto nestes ultimos dias esteve em Portugal o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, que está no Poder desde 1979 e as únicas eleições a que se submeteu, foram a origem de uma guerra civil que deixou milhares de mortos... não se sabe quando vão ser as eleições.....mas eu não ouvi ninguém chamar ditador a este senhor..... curioso a forma como avaliamos as coisas em Portugal.

 

Jorge

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publicado às 22:01

No parto:Sozinha ou acompanhada

por Jorge Soares, em 09.03.09

Nasceu!

 

Este fim de semana uma conversa com a minha meia laranja deixou-me a pensar, hoje enquanto ouvia o A viagem da Cegonha (por certo... a miúda já nasceu, parabéns aos pais e á Sónia pelo excelente Programa) lembrei-me da conversa e de um dia, vai fazer quase 10 anos ... um dia muito especial.

 

A R. nasceu quase com 41 semanas, A P. estava óptima, não parecia nada estar no fim do tempo, até que o médico decidiu dar um prazo, se não nascer até ao dia x... nós fazemos com que nasça. Na noite anterior fomos ao cinema...vimos Noiva em Fuga, lembro-me de passar o filme às gargalhadas, eu e o resto das pessoas..mas nem assim a miúda quis vir cá para fora... no dia a seguir lá estávamos no hospital às 9 da manhã... feitos os preparativos... lá foi passando o tempo, almoço, lanche, jantar....  foi um dia muito longo, que passamos  ambos numa sala de partos gelada. Por volta das 9 da noite, quando o médico decidiu ir jantar e nós já estávamos a ver que a coisa não era naquele dia... lá a miúda se decidiu a nascer. Evidentemente eu estive ali o tempo todo, antes, durante e depois do nascimento.. que ainda foram umas duas horas mais.

 

Lembro-me de me terem vindo as lágrimas aos olhos quando olhei para aquela coisa rosada e pequenina que foi rapidamente levada para não sei onde...  e de não sair dali... de ao lado da P. ... nem me passa pela cabeça que pudesse ser de outra forma.

 

Mas eu ia falar da conversa do fim de semana, dizia a P. que tem um colega que tem terror a agulhas e a sangue...e é evidente que nem pensar em acompanhar a mulher nos partos. Por acaso é uma conversa que já ouvi várias vezes, homens que não querem lá estar, mulheres que não querem os homens lá, mulheres que preferem ter lá a mãe, mulheres que não querem lá ninguém... uma vez ouvi  uma mulher que dizia que não queria lá o marido porque os homens depois de verem um filho nascer deixam de ter interesse sexual pela mulher....  há de tudo.

 

Eu vi a minha filha nascer, e para mim é um momento marcante, um momento que estará comigo para sempre.... além de que motivo nenhum do mundo faria com que eu deixasse a P. sozinha naquele momento...

 

E vocês?, o que acham?, as mulheres preferiam lá ter a mãe que o marido?..ou não ter lá ninguém naquele momento?...e os homens?, trocavam aquele momento por alguma outra coisa?

 

Jorge

PS:Imagem retirada de aqui:http://papoilas.do.sapo.pt/cegonha3.gif

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publicado às 21:29

Receita:Lasanha de Bacalhau

por Jorge Soares, em 08.03.09

Lasanha de bacalhau

 

Como sabem, aqui por casa o único que aprecia verdadeiramente o bacalhau sou eu, o resto da família é mais bacalhau escondido, não é fácil incluir o fiel amigo na dieta, a começar porque a minha meia laranja também já é da geração do escondido.... A solução é inovar...e um dos pratos que tem algum sucesso é a lasanha de bacalhau.

 

Já tínhamos feito duas ou três vezes, mas que me lembre esta foi a primeira vez que fui eu quem meti mãos à obra... bom, em quase tudo, porque o molho bechamel foi feito pela P.

 

Ingredientes:

 

Bacalhau desfiado

1 cebola,

alhos

Meio litro de leite

Ervas aromáticas

Pimenta

Azeite

1 cenoura ralada

Espinafres congelados

Queijo ralado

 

Coloque o leite numa panela e deixe aquecer, quando começar a ferver junte o bacalhau e deixe cozer durante 3 ou 4 minutos. Escorra o bacalhau e guarde o leite para o molho bechamel.

 

Numa frigideira  coloque o azeite, deixe aquecer e junte os alhos e a cebola picada, deixe alourar e junte o bacalhau, a pimenta e a cenoura ralada. Deixe cozinhar durante uns 10 a 15 minutos.

 

 

Entretanto vá preparando o molho bechamel.. (não fui eu que fiz..e não sei como se faz...)

 

Num pirex coloque 1 camada de massa de lasanha, junte uma camada do preparado de bacalhau, espinafres e molho bechamel, vá juntando camadas de massa, bacalhau, espinafres  e molho até o pirex estar cheio. Junte uma camada de queijo ralado por cima e leve ao forno durante 40 minutos

 

Estava uma verdadeira delicia... pelo menos eu achei.

 

Jorge

 PS:Imagem retirda da internet

 

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publicado às 22:38

A vindima

por Jorge Soares, em 07.03.09

Ao cabo de quatro dias de vindima na Arrueda, o cheiro do mosto embebedava os sentidos. E à noite, na cardenha, o Vitorino, com a namorada ali quase à mão de semear, não parava sobre a palha centeia, o colchão de todos. Era um rolar sem tino para um lado e para o outro, que metia aflição.

- Tu que tens? - perguntava-lhe o Rasga, farto de conhecer a causa do formigueiro.
- Nada... - e continuava a mexer-se, cada vez mais insofrido.
Como troncos derrubados, os restantes homens da roga jaziam estendidos e adormecidos no chão. Apenas os dois amigos velavam, a vigiar-se mutuamente.
- Vou até lá fora - disse por fim o Vitorino, sem poder mais. - Não me apetece dormir...
E saiu.
Pé ante pé, o Rasga foi-lhe no encalço. E o que havia de ver?... Um noivado ao luar, com a terra empapada de doçura a servir de lençol.
Passou a mão pelo restolho da barba, numa melancolia de faminto sem pão, e deixou os felizardos na paz do Senhor. Quando de madrugada o outro voltou à cama, só lhe disse:
- Valha-te Deus, homem! E agora?
- Agora caso com ela, pois então! Isto nem tira nem põe. O que se há-de fazer ao tarde...
Pela manhã a vindima continuou. Orvalhados, os bardos de moscatel eram polipeiros de olhos irónicos e coniventes. E a Lúcia, sumida no entrançado de vides e de folhas, enquanto cegava aquelas pupilas abelhudas, parecia um rouxinol:
 
Eu já vi a Tiraninha 
A beber numa cabaça, 
Olha a raça da Tirana 
Que até no beber tem graça.
 
Ninguém lhe levava a palma. Desde a saída de Lamares que não se calara mais. À frente da estúrdia, de xaile à cabeça e cesta no braço, atirava com a voz bonita pelos montes a cabo, que nem o pai, no maio, a semear milhão.
O harmónio repenicava-se todo em redor dela. Os ferrinhos a dizerem que sim, que sim. E o bombo, apesar da tristeza a que a pele de cabra o condenava, a fazer quanto podia para dar também um ar da sua graça.
A lama de cinco meses de inverno, que a primavera apenas endurecera, era agora uma camada de poeira fofa pelo caminho além, a escaldar. O sol, depois de empassar as uvas, queria empassar a terra. Invulnerável, porém, o raio da rapariga rompia por ali adiante, com asas nos pés. E, mal o Doiro apareceu lá em baixo, ao fundo, como uma veia aberta a escoar-se morosamente do corpo ciclópico dos montes, atirou logo:
 
Foi no Pinhão... 
Ia a vindimar um cacho, 
Vindimei-te o coração.
 
Tinham findado de todo os horizontes largos do planalto, onde a alma corre de fraga em fraga, sempre à vista do céu. Encostas negras, em escada, cobertas de estevas ou eriçadas de zimbro, faziam tudo para entristecer quem lhes passava ao pé. À esquerda, um despenhadeiro de meter medo; à direita, uma penedia por ali acima, que só de vê-la faltava a respiração; ao longe, mortórios escalvados e desiludidos. Mas o grande rio doirado, que a luz da tarde transformara numa barra cintilante, chamava a si toda a atenção dos olhos, e a paisagem emergia do abismo engrandecida e transfigurada.
Ou porque trazia dentro o fogo da paixão a aquecê-la, ou inspirada pela beleza do cenário., a Lúcia punha o coração a voar:
 
A oliveira da serra
O vento leva a flor...
 
Só mesmo por alturas de S. Cristóvão é que esmoreceu. Ao passar diante do cemitério aproado como uma galera de morte no mar verde dos vinhedos, uma tristeza súbita calou-a. Obra dum suspiro, apenas. Daí a nada arrebitou outra vez, e, ao chegar à Arrueda, levava tudo adiante.
 
Rita, arredonda a saia, 
Rita, arredonda-a bem...
 
Nem a cara seca e vermelha do Sr. Berkeley, o patrão, lhe meteu medo. Enquanto os mais, num respeito de escravos, se descobriam ou cumprimentavam aquele símbolo do trabalho e dos ganhos na Ribeira, continuou a cantar como se nada fosse, e à noite, ao deitar, ainda trauteava uma moda.
Foi a Guilhermina, já enfastiada, que a mandou calar.
- Não estás farta, mulher?! Riu-se e continuou na dela. E agora, ao cabo de quatro dias de azáfama, tinha ainda a voz fresca como uma alface. E com segundas...
 
Eu hei-de te amar, Tirana, 
Eu hei-de te amar, eu hei... 
Eu hei-de te amar, Tirana, 
Duma maneira que eu sei...
 
Os dois rapazes riram-se, num mútuo entendimento da significação oculta da cantiga. Depois, maldoso, o Rasga comentou:
- O que vale é que a Tirana tem as costas largas...
Ergueu o vindimeiro, ajeitou-o na troika e foi juntar-se aos outros companheiros, enquanto o Vitorino ficou a olhar com ternura a rapariga, bem feita, desembaraçada, certamente fecundada já pelo seu amor.
Dispersa pela encosta, a roga mais parecia festejar um deus generoso e pagão do que trabalhar. Os geios eram degraus do Olimpo, onde crescia e se colhia o espirito celeste. Cada canção - um hino de louvor. E os cestos acogulados, que desciam a escadaria de xisto aos ombros dos fiéis devotos, numa fila indiana, sonora e ritual - a dádiva desse amantíssimo Senhor, que só pedia contentamento em troca dos seus frutos.
Dir-se-ia que tudo naquele paraíso suspenso se movimentava lúdica e religiosamente. Nenhuma mágoa, nenhum ódio, nenhuma desconfiança do futuro. Alegre, a alma de cada romeiro entregava-se pressurosamente ao esquecimento colectivo que alijara do mundo as misérias e os desenganos. O tear mágico urdia desumanização. E só quando um dos fios da meada emperrava, e havia - um solavanco no ritmo do cerimonial, é que se via que uma vontade prática subjazia ali, vigilante e profana. Ainda o Vitorino não acabara de sair da sua contemplação, já o Seara, o feitor, lhe berrava aos ouvidos:
- Tu andas parvo ou quê? Mexe-te! Ergue e espera-me no armazém, que tens que preparar uma vasilha.
 
Chora videira, ó videirinha; 
Chora videira, ó vida minha...
 
Cantavam todos. E o bombo, com a sua voz pesada, como que dava forma à incorpórea harmonia que, descuidada, descia em cascata pelos socalcos.
 
Chora videira, ó videirão; 
Chora videira, ó meu coração.
 
Não havia tristeza que entrasse naquelas almas. Principalmente na de Lúcia, cada vez mais agradecida ao céu pela sua redenção terrena.
Entretanto, porque o deus da abundância não se cansava de multiplicar o mosto no lagar, para arranjar onde o meter, o Vitorino deslizava submisso pela portinhola dum tonel, tal as vítimas dos sacrifícios antigos pela boca do dragão.
Lá fora continuava o coro. E o Seara, por causa daquele barulho e do ouvido duro do Sr. Berkeley, quando daí a bocado chegou congestionado à vinha e deu a notícia do desastre, quase teve de berrar.
Foi então que a voz da Lúcia estacou de vez.
Garroteada como a do namorado, a garganta fechou-se-lhe num espasmo de perpétua agonia.
Transida e comandada por tão grave silêncio, a roga emudeceu também.
Só a Casimira velha, desgarrada numa valeira solitária, que não ouvira nada da morte do Vitorino, asfixiado dentro do bojo da cuba, continuou a agoirar a tarde com o seu lamento fanhoso:
 
A mulher é desgraçada
Até no despir da saia; 
Não há desgraça na vida 
Que aos pés da mulher não caia...
 
Miguel Torga, Contos da Montanha
Conto retirado de:http://contosdeaula.blogspot.com/

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publicado às 22:12

Eu hoje tinha planeado falar de bruxedos.... de afirmações tristes de um presidente da republica de quem não gosto e  que cada vez gosto menos. Ontem fiquei parvo quando ouvi esta reportagem:

 

 

Bruxedo.... ele disse mesmo bruxedo?

 

Estivemos mais de um ano a ouvir falar da Maddie, ouvimos como a policia Portuguesa foi insultada, ridicularizada pela imprensa Inglesa.... alguém imagina o que  teria acontecido se alguém tivesse dito que o caso Maddie era um caso de bruxedo?

 

Infelizmente as noticias hoje evoluiram da forma mais triste, o Afonso Tiago apareceu, apareceu morto no fundo do rio.... era a noticia que ninguém queria ouvir, mas era a mais previsivel...e sem recurso a bruxas.

 

Sr Cavaco Silva... por vezes é preciso ter consciência do ridiculo...eles até poderiam ter dito aquilo...mas escusava de vir repetir para a televisão.... ridiculo!

 

Jorge

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publicado às 22:24



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