Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




E se de repente fosse proíbido beijar?

por Jorge Soares, em 08.05.09

Beijo proíbido

 

Hoje nos meus habituais 45 minutos de solidão entre Loures e Setúbal decidi mudar de emissora de rádio, fui passando entre as que tenho gravadas na memória do rádio. Na Antena 3 estavam em amena cavaqueira 3 pessoas, achei a conversa completamente parva... eu sei que é uma emissora para gente jovem e irreverente... mas ou eu já não sou tão jovem e irreverente, ou aquilo não tinha ponta por onde se lhe pegasse.... siga!

 

Precisamente quando ia mudar de emissora a  conversa versava sobre a gripe A, ou gripe suína, ou lá como se chama,  e ouvi algo que me chamou a atenção.  "No Egipto lançaram uma campanha contra o beijo" .... é claro que demorei um bocadinho mais a mudar de emissora na esperança de ouvir algo sobre isso..em vão, a conversa continuou o seu rumo....  parva.

 

Quando cheguei a casa não resisti e fui procurar mais informação, no google noticias encontrei neste site o seguinte:

 

"O governo egípcio lançou uma campanha para evitar que as pessoas se beijem, que tem como objectivo impedir a propagação da gripe suína no país, informa nesta quinta o diário independente Al-Masri Al-Youm."

 

O ano passado houve uma epidemia de gripe em Portugal que segundo as autoridades nacionais de saúde, foi  directa ou indirectamente responsável pela morte de mais de 1500 pessoas. Não me lembro de ver ninguém de mascara, ou de se ouvir falar em pandemias, este novo vírus da gripe foi até agora responsável pela morte de umas dezenas de pessoas no México, duas pessoas nos Estados Unidos e uma pessoa no Canadá. A generalidade destas pessoas tinham doenças crónicas que foram agravadas pela gripe, como o seriam por outra gripe qualquer.

 

O que tem de especial esta gripe?.. o nome, Gripe Suína...  quanto a mim o nome é o culpado de toda a histeria que se formou à volta de uma simples gripe. Na Turquia mataram e enterraram todos os porcos, em Hong Kong mantiveram dezenas de pessoas encerradas durante uma semana num Hotel... no Egipto, gastam-se fortunas numa campanha que desaconselha os beijos.... é só a mim que tudo isto parece  ridículo?

 

Todos os dias morrem em África dezenas de pessoas  vitimas da malária, ou da cólera, ou de muitíssimas outras doenças bem mais graves e mortíferas que uma simples gripe... se déssemos a mesma atenção a estas doenças que a que se está a dar a esta gripe, quantas pessoas se poderiam salvar diariamente no mundo? Quantas crianças se salvariam? É claro que estas doenças acontecem em países pobres e não no quintal de luxo do Estados Unidos, nem nos colégios da classe média americana, logo, não incomodam ninguém... é a velha história do longe da vista.....

 

Se as coisas continuam assim, um destes dias proíbem os beijos no primeiro mundo, mas no terceiro, a Sida, a Cólera, a Malária e muitas outras doenças  vão continuar a matar, é  claro  nós vamos estar muito ocupados a beijar às escondidas.. e não vamos reparar nisso.

 

Jorge

 

publicado às 22:18

Eu no Historia Devida V :-)

por Jorge Soares, em 07.05.09

Historia Devida

 

Depois de O Quebra cabeças de arame, de O perfume daquela rosa, de A carta, e de  O Caminho dos Medronhos agora foi a vez de O menino Valente 

 

Recebi o seguinte mail da Antena 1:

 

"Caro Jorge Soares:

Queria avisá-lo de que, no próximo Domingo, dia 10, vamos ler a história que nos enviou, «O menino valente», numa emissão que tem como convidado o jornalista Pedro Pinto.

Pode ouvi-la na Antena 1, a partir das 13h.


Para se manter actualizado em relação ao programa, consulte o nosso blogue: 
ahistoriadevida.blogs.sapo.pt"

 

Cumprimentos, e boas histórias,
Inês Fonseca Santos.

 

Eu tento manter o blog activo e vivo, por vezes é difícil pensar num tema, ou ter vontade de escrever.... por vezes, como ontem, nem vontade nem escrita... há dias assim, em que saem umas coisas que são uma espécie de posts...  mas há dias em que a inspiração aparece mesmo e saem umas coisas de jeito...  hoje estou modesto.

 

Este é o quinto texto que escrevi para o blog e que enviei para a RDP que é escolhido para ser lido no programa... é motivo para estar assim um bocadinho orgulhoso.. até porque os textos fazem parte das minhas memórias e são um bocadinho de mim.

 

O menino Valente

 

 

As couves para o jantar do natal são plantadas mais ou menos pelo São Martinho, a minha mãe semeava o leirão no fim de Setembro, se o ano fosse bom e a geada não as queimasse, para o São Martinho estavam em condições de serem colhidas e plantadas na horta. Ela semeava sempre um leirão  a mais com a ideia de as ir vender.

 

De Alviães a Telhadela é mais ou menos uma hora de caminho a pé, por entre pinheiros e eucaliptos, o velho caminho de terra segue a encosta do rio Caima até que já à vista das primeiras casas o atravessa pela  velha ponte.

 

Eu devia ter uns 5 anos, a minha mãe acordou-me de madrugada, muito antes do sol nascer, o velho cesto com as couves arrancadas à terra na tarde anterior estava pronto. Um pouco de agua para que arrebitassem, cesto à cabeça, e fizemos-nos ao caminho. Noite escura como breu por entre os montes, sem luz nem lanterna,  lá fomos andando, sem medos que eram outros tempos. 

 

O menino valente

A seguir à ponte e antes das primeiras casas havia um bosque de castanheiros, estávamos quase a chegar, de repente por entre o mato ouvimos um ruído, o meu coração acelerou mas não dei parte de fraco:

 

-Mãe, não tenhas medo, eu estou aqui contigo!

 

Chegamos às primeiras casas com a aurora, em menos de nada todas as couves estavam vendidas e um punhado de escudos estava bem guardado, quando voltamos a passar pelos castanheiros já o sol se levantara e as castanhas eram visíveis dentro dos ouriços. Nessa altura o cesto que havia sido das couves molhadas, passou a ser das castanhas para o magusto.

 

Agora ninguém vai a Telhadela a pé, imagino que o caminho terá sido invadido pelas silvas e o mato, já ninguém vende couves num cesto à cabeça e já não restam meninos valentes.

 

Jorge Soares

PS:Imagens retiradas da internet

 

publicado às 21:29

Somos uns tristes?????!!!

por Jorge Soares, em 06.05.09

Triste?

 

Há muito que não falo aqui de sondagens ou inquéritos, este blog está a ficar muito sério, não pode ser.

 

Hoje, ao passar os olhos pelos titulos do DN chamou-me a atenção o seguinte titulo:

 

Portugueses são os mais tristes da Europa

 

A noticia que podem ler aqui, entre outras coisas diz o seguinte:

 

"De acordo com uma sondagem publicada, hoje, no jornal inglês The Economist, 92 por cento dos portugueses vêem a situação económica como má, 95 por cento estão deprimidos e mais de metade estão descontentes com a vida que levam."

 

Fiquei chocado, 95 por cento estão deprimidos!!!!!!, eu até percebo que os famosos 6 milhões de benfiquistas estejam tristes, a coisa não correu bem este ano, e que os Sportinguistas estejam pesarosos, mas 95% estão deprimidos???.. poupem-me.

 

Seremos assim tão tristes?... ou os ingleses não sabem fazer sondagens?

 

Jorge

PS:Imagem minha... 

publicado às 22:10

Preservativo feminino... conhece?

por Jorge Soares, em 04.05.09

 

Preservativo femenino

Imagem retirada da internet

 

Hoje é dia de voltar às coisas das minhas crianças, a R. é uma criança cada vez mais crescida, bom, as crianças de hoje crescem muito mais rápido que aquilo que conseguimos acompanhar.... também é verdade que estão sujeitas a estímulos que de forma alguma nós tínhamos.

 

Quando voltei da Irlanda, o tema era o preservativo feminino, e claro, deixou-me a pensar. Não sei bem porquê, mas durante uma das aulas da R. falou-se daquele senhor que estava grávido, a professora aproveitou o tema e falou do preservativo masculino e da sua utilização. Aproveitando a dica e o facto de que até se tem falado do assunto na comunicação social, alguma das crianças perguntou à professora como é que se utilizava o preservativo feminino.

 

A professora foi apanhada de surpresa e lá teve que confessar, que era uma coisa nova e que não sabia muito sobre o assunto....  A R. chegou a casa e veio perguntar à mãe... que teve que confessar a sua ignorância...a minha sorte foi que estava na Irlanda. Mas a R, não se atrapalhou:

 

-Não faz mal mãe, eu vou à internet e de certeza que está explicado algures.

 

Eu tenho uma vaga lembrança de há uns anos atrás quando o preservativo Feminino apareceu, haver uma campanha publicitária que falava do novo produto, depois disso a ideia que tinha é que foi algo que não teve sucesso e que desapareceu do mercado.

 

Entretanto seguindo a ideia da R., fui à internet, e para além deste site  que explica tudo direitinho, encontrei uma noticia do Jornal de Noticias de hoje que fala do assunto, está aqui, é uma noticia da Lusa e atendendo a alguns termos utilizados, deverá ter sido em grande parte retirada de algum site brasileiro...  entre outras coisas diz o seguinte:

 

"Quando a mulher está limitada ao preservativo masculino na negociação com o parceiro, tem de pedir para usar. Assim, a decisão é dela", destaca.

 

Gostei da parte a negociação...e do ter de pedir!.... desde quando é que isto se tornou numa questão negocial?

 

 

Já agora, aconselho mesmo o site:http://www.aidscongress.net/pdf/212.pdf... é mesmo informativo.

 

Jorge

 

 

publicado às 21:53

Livro:O Priorado do Cifrão

por Jorge Soares, em 03.05.09

O priorado do Cifrão

 

O João Aguiar foi o primeiro escritor Português que encontrei, desde bastante novo que sou um ávido leitor, mas tinha lido sobretudo escritores latino-americanos Garcia Marquez, Vargas Llosa, Isabel Allende, Romulo Gallegos. Sou um admirador confesso do Realismo Mágico e dos escritores latino-americanos e até chegar a Portugal, para além de algumas referências a Ferreira de Castro, pouco sabia da literatura Portuguesa.

 

Comecei por ler O Homem sem nome e depois fui lendo cada um dos livros do João Aguiar à medida que iam saindo... até ao A Catedral Verde, de que não gostei especialmente. Depois perdi-lhe o rasto, até que o meu irmão me ofereceu este  o Priorado do Cifrão de prenda de natal.

 

Como tudo o que escreve o João Aguiar, este é um livro bem escrito e que se lê facilmente... mas, nem sempre um livro bem escrito é um bom livro. Confesso, fiquei desiludido, talvez porque eu esperasse mais, talvez porque pelo meio li um excelente livro, talvez por ambas as coisas, o certo é que fiquei desiludido.

 

O livro pretende ser uma sátira ao Código Da Vinci e a todos os livros que aproveitaram o filão daquele tipo de escrita, é uma historia com pormenores muito rebuscados, uma historia com principio meio e fim , mas que termina por não ser nem carne nem peixe, fica a meio entre o romance, o policial e a sátira.

 

Talvez seja uma boa leitura para férias, um livro bem escrito, sem duvida, mas que a mim me deixou um vazio.... falta a arte do João Aguiar.

 

 Jorge

publicado às 22:30

A filha da solidão

por Jorge Soares, em 02.05.09

A filha da solidão

 

Na vida tudo chega de súbito. O resto, o que desperta tranquilo, é aquilo que, sem darmos conta, já tinha acontecido. Uns deixam a acontecência emergir, sem medo. Esses são os vivos. Os outros se vão adiando. Sorte a destes últimos se vão a tempo de ressuscitar antes de morrerem.

Filha dos cantineiros portugueses, Meninita sempre foi moça comedida. Na penumbra da loja, ela atendia os negros como se fossem sombras de outros, reais viventes. A miúda se ia fazendo ao corpo - o fruto se adoçava em polpa açucrosa. A sede se inventa é para a miragem de águas. Pois nas redondezas não viviam outros brancos, únicos a quem ela entregaria seus açúcares.
A família Pacheco se pioneirara na aridez de Shiperapera, onde mesmo os negros originários escasseavam. Por que escolhera tão longínguas paragens?
- “Aqui, por trás destas altas montanhas, nem Deus me pode estreitar”...
Fala do português para enganar perguntas. Ninguém entende por que o Pacheco se internara tanto nas dunas desérticas de Sofala, condenando a família a não conviver mais com gente de igual raça. Dona Esmeralda, a esposa, se angustiava vendo o crescer da filha. A que homem se destinaria ela, naquele afastamento da sua semelhante humanidade? Deram-lhe o nome de Meninita para a ancorar no tempo. Mas a filha se inevitalizava. Na sombra imutável do balcão, ela desfolhava uma mil vezes repetida fotonovela. Sonhava aos quadradinhos...
- “Não espere consolo, filha: aqui só há pretalhada”.
A menina se consolava fechada no quarto, a revista da fotonovela entre os lençóis. Suas mãos se desprivatizavam em carícias de outro. Mas esse apagar de lume lhe trazia um novo e mais aguçado tormento. Quando, depois de suspirada e transpirada, ela se abandonava no leito, uma funda tristeza lhe pousava. Era como nascesse em si uma alma já morta. Tristeza igual só essas mães que dão à luz um menino inanimado. É justo poder-se assim visitar os paraísos e nos expulsarem? Lhe custaram tanto essas despedidas de si que passou a evitar seu próprio corpo. Vale a pena é trocar carinhos, receber as salivas do ventre de um outro. Mas outros ali não havia para a donzela Meninita.
- “Acha que essa nossa filha se vai meter com um preto?”
O pai se ria, cuspindo gargalhada. O riso dele tinha razão: a casa dos Pachecos se enconchara de preconceito. Ali se dizia no singular: “o preto”. Os outros, de outra cor, se reduziam a uma palavra, soprada entre a maxila do medo e a mandíbula do desprezo. Meninita cumpria os ensinamentos da raça. Recebia os clientes, sem sequer erguer a cabeça:
- “Qué quer?”
Massoco, único empregado, achava graça aos modos desdenhosos da pequena patroa. Ele era jovem como ela, carregava sacos e caixotes, conduzia a carroça dali para depois do horizonte.
As melancolias da Meninita cresciam. A revista já esfarelava, de tanto desfolhada. No dia em que fez dezoito, Meninita lançou fogo sobre si mesma. Se imolou. Mas não desses fogos comuns de combustão visível. Ardeu em invisíveis chamas, só ela sofria tais ardências. Ficou ardendo em demorada consecução. A febre lhe autorizava o delírio.
Veio a mãe, lhe abanou uma frescura. Veio o pai, lhe aplicou conselho logo seguido de ameaças. Tudo irresultou. Esse fogo se apagava era em corpo de macho, em água de duplos suores e carícias. A mãe lhe corrigia a ilusão da expectativa:
- “Minha filha, não deixe o corpo lhe nascer antes do coração”.
Adoentada, a moça deixou de atender ao balcão. Substituiu-a o moço Massoco, cresceram simpatias na loja. Meninita se internou em seu quarto, emigrada da vida, exilada dos outros. Massoco, ao fim do dia, se apresentava, em solene tristeza. Chegou a pedir:
- “Peço licença ir lá ver a patroinha”...
Um dia chegou a Shiperapera uma veterinária do Ministério. Vinha inspeccionar o gado dos indígenas. Quando o casal soube da notícia decidiu ocultar a novidade da filha. Ela já andava tão alterada! O Pacheco foi à estrada, esperar a compatriota. Levou cerimónias e pastéis de peixe-seco. Acompanhou a doutora a uma casa de hóspedes que a administração em tempos construíra. Já deitados, os Pachecos trocaram as esperadas más-línguas:
- “Porra, a gaja parece um homem!”
E riram-se. Dona Esmeralda se satisfazia pela visitante ser tão pouco mulher. Não fosse o marido se devanear. Numa dessas noites, Meninita sofreu de um acesso grave. O casal, em desespero, decidiu chamar a médica veterinária. O pai acorreu à casa de hóspedes e urgiu comparência à veterinária. No caminho, lhe explicou a condição da filha.
Chegados à cantina, dirigem-se em silêncio profissional para os aposentos da perturbada jovem. Em delírio, a menina confunde a veterinária com um homem. Atira-se-lhe aos braços, beijando-lhe os lábios com sofreguidão. Os pais se embaraçam e acorram a separar. A veterinária recompõe-se, ajeitando imaginários cabelos sobre a face. Meninita com sorriso sonhador parece agora ter adormecido.
Pacheco volta a acompanhar a visitante. Vão calados, todo o tempo da viagem. Na despedida, a veterinária, rompendo o silêncio, expõe o seu plano:
- “Eu vou fazer de homem. Me disfarço”.
Pacheco não sabia o que dizer. A veterinária se explica: o cantineiro lhe emprestaria roupas velhas e ela se apresentaria, disfarçada de namorado caído dos céus. O português acenou maquinalmente e voltou a casa apressado em pôr a esposa a par do estranho plano. Dona Esmeralda riscou no lábio superior a curva da dúvida. Mas que se fizesse, a bem da pequena. E se benzeu.
Nas noites seguintes, a veterinária aparecia com seu disfarce. Subia ao quarto de Meninita e lá se demorava. Dona Esmeralda, na sala, chorava em surdina. Pacheco bebia, devagaroso. Passadas horas a veterinária descia, ajeitando no rosto uma inexistente madeixa.
Fosse pela qual razão, a verdade é que Meninita arrebitava. A veterinária, dias depois, se retirou, nuvem naquela estrada onde mesmo a poeira rareava. Meninita, na manhã seguinte, desceu à loja, a velha revista na mão. Sentou-se no balcão e inquiriu a sombra do outro lado:
- “Qué quer?”
Massoco riu-se, abanando a cabeça. E a vida se retomou, em novelo que procura o fio. Até que um dia, Dona Esmeralda despertou o marido, sacudindo-o:
- “Nossa filha está grávida, Manuel!”
Choveram insultos, improperiou-se. Os vidros das
janelas se estilhaçaram, tais as raivas do Pacheco: “eu mato o cabrão da doutora!” A mulher implorou: agora, sim, era assunto de ir à vila. O marido que quebrasse seu juramento e superasse as montanhas de volta ao mundo. De noite, o casal se fez à viagem, recomendando à filha mil cuidados e outras tantas trancas. E sumiram-se no escuro.
Na janela, Meninita ainda espreitou a poeira da estrada iluminada pela lua. Subiu ao quarto, abriu a revista das velhas fotos. Vencida pelo sono se ajeitou no colchão em rodilha de lençóis. Antes de adormecer, apertou a mão negra que despontava no branco das roupas.
 
 
Mia Couto, Contos do nascer da Terra
Retirado de Contos de Aula

publicado às 20:00

Há vidas assim!

por Jorge Soares, em 01.05.09

Encontrei este video no Margarida e Girassol, há coisas que nos tocam, por vezes esquecemos que para além da nossa realidade há mais realidades, realidades muito tristes, duras.

 

Vejam o vídeo

 

 



Talvez até seja só um filme, mas quantas vidas de estas haverá pelo mundo, quantas crianças viverão dos restos?  Quantos seres humanos viverão dos restos de tanto desperdicio? Chicken a la carte?

 

Jorge

publicado às 22:05

Pág. 3/3



Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D