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A Abelha

por Jorge Soares, em 22.08.09

A abelha, fernando pessoa 

 

Fotografia minha de Momentos e olhares

 

A abelha que, voando, freme sobre

A colorida flor, e pousa, quase

Sem diferença dela

À vista que não olha,  

 

Não mudou desde Cecrops. Só quem vive

Uma vida com ser que se conhece

Envelhece, distinto

Da espécie de que vive. 

 

Ela é a mesma que outra que não ela.

Só nós - ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! -

Mortalmente compramos

Ter mais vida que a vida. 

 

Ricardo Reis

 

 

 

Apr 19, 2009,Câmara: SONY DSLR-A350,ISO: 160,Exposição: 1/320 seg.,Abertura: 5.6,Extensão focal: 200mm

 

Um daqueles momentos que dá nome a este blog, há coisas que só vejo quando passo as fotografias para o computador, eU foquei e fotografei a flor e a abelha maior, a outra foi um bónus da natureza, nem me lembro de a ver por lá.

 

Detalhes de uma primavera que já esteve em flor

Setúbal, Abril de 2009

 

publicado às 15:53

Quinto Poema do pescador

por Jorge Soares, em 21.08.09

Monumento aos pescadores, Setúbal 

 

Fotografia minha de Momentos e olhares

 

Quinto Poema do pescador

 

Eu não sei de oração senão perguntas 

ou silêncios ou gestos de ficar 

de noite frente ao mar não de mãos juntas 

mas a pescar. 

Não pesco só nas águas mas nos céus 

e a minha pesca é quase uma oração 

porque dou graças sem saber se Deus 

é sim ou não. 

 

 

Manuel Alegre 

 

Fim de tarde em Setúbal

Monumento ao Pescador, Setúbal

Março de 2009

 

 

Mar 22, 2009. Câmara: SONY.  Modelo: DSLR-A350. ISO: 100. Exposição: 1/125 seg. Abertura: 9.0. Extensão focal: 55mm. Flash utilizado: Não

publicado às 15:50

O paraiso é por ali

por Jorge Soares, em 20.08.09

O paraiso é por ali, Parque Terranostra, Furnas, São Miguel, Açores  

 

Fotografia minha de Momentos e olhares

 

O paraíso é por ali. eu vou por aqui. aprendi que afinal há paraísos.

não há paraísos.

aprendi a dizer que não há.

há. 

é profunda a verdade. tão verdade que não há mentira.

ninguém mente.

tanto como o paraíso.

 

o paraíso é a palavra mais mentirosa do universo.

 

como a verdade. dimensional. metafórica. onda de abuso na violência da palavra - verdade. que não existe como forma. fórmula que os idiotas usam para esconder a cara.

afogam-se nela. triunfantes.

a maçã não existe.

articulo a palavra. abro as vogais. fecho o medo.

a verdade não existe. impetuosa. chata. segura. com efeito, não creio.

vamos lá ver o paraíso. eva. adão. não.

dê-me um gin-tónico.

 

 

Bandida. (Incluído no seu livro Apoplexia, pág.78)

 
O Paraiso é algures por ali, Parque Terra Nostra, Furnas, Povoação, São Miguel, Açores
Agosto de 2008
 
Câmara: SONY  DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/80 seg., Abertura: 10.0 Extensão focal: 18mm
 

 

publicado às 15:47

Sou um palhaço pobre

por Jorge Soares, em 19.08.09

Sou um palhaço pobre

 

Fotografia minha de Momentos e olhares 

 

Sou um palhaço pobre

De alma e coração

Salto

Tropeço

Arremesso

Como à mão

Faço mil diabruras sem ter onde cair

 

E mesmo quando salto...

E mesmo se tropeço...

De que vale lamentar meu coração a partir?

 

Sou um palhaço pobre!

Só me importa o teu sorrir!

 

Buster Keaton  

 

Fotografia tirada na rua do Chiado em Novembro de 2008

Jorge Soares

 

publicado às 15:44

El silencio del mar

por Jorge Soares, em 18.08.09

 El silencio del Mar - Mario Benedetti

 

Fotografia minha de Momentos e olhares

 

El silencio del mar

brama un juicio infinito

más concentrado que el de un cántaro

más implacable que dos gotas

 

ya acerque el horizonte o nos entregue

la muerte azul de las medusas

nuestras sospechas no lo dejan

 

el mar escucha como un sordo

es insensible como un dios

y sobrevive a los sobrevivientes

 

nunca sabré que espero de él

ni que conjuro deja en mis tobillos

pero cuando estos ojos se hartan de baldosas

y esperan entre el llano y las colinas

o en calles que se cierran en más calles

entonces sí me siento náufrago y sólo el mar puede

salvarme

 

Mario Beneddeti

 

O escritor uruguaio Mario Benedetti morreu hoje na sua casa de Montevideu, informou a família. Deixa mais de 80 obras: romance, poesia e conto. No ano passado publicou "Testemunha de um mesmo" e em Setembro disse aos jornalistas que estava a terminar um livro de poesia chamado "Biografia para encontrar-se", escreve o site da televisão brasileira Globo.

 

Praia do Meco, Sesimbra, Novembro de 2008

Jorge Soares

 

publicado às 16:41

El mar

por Jorge Soares, em 17.08.09

 El mar.. o mar, Portimão

Fotografia minha de Momentos e olhares

 

 NECESITO del mar porque me enseña:

no sé si aprendo música o conciencia:

no sé si es ola sola o ser profundo

o sólo ronca voz o deslumbrante

suposición de peces y navios.

El hecho es que hasta cuando estoy dormido

de algún modo magnético circulo

en la universidad del oleaje.

No son sólo las conchas trituradas

como si algún planeta tembloroso

participara paulatina muerte,

no, del fragmento reconstruyo el día,

de una racha de sal la estalactita

y de una cucharada el dios inmenso.

 

Lo que antes me enseñó lo guardo! Es aire,

incesante viento, agua y arena.

 

Parece poco para el hombre joven

que aquí llegó a vivir con sus incendios,

y sin embargo el pulso que subía

y bajaba a su abismo,

el frío del azul que crepitaba,

el desmoronamiento de la estrella,

el tierno desplegarse de la ola

despilfarrando nieve con la espuma,

el poder quieto, allí, determinado

como un trono de piedra en lo profundo,

substituyó el recinto en que crecían

tristeza terca, amontonando olvido,

y cambió bruscamente mi existencia:

di mi adhesión al puro movimiento.

 

Pablo Neruda

Poemas del Alma

 

Portimão, Abril de 2009

Jorge Soares

publicado às 16:37

Poema da Flor Proibida

por Jorge Soares, em 16.08.09

Poema da flor proibida

 

Fotografia Minha de Momentos e olhares

 

Por detrás de cada flor

há um homem de chapéu de coco e sobrolho carregado.

 

Podia estar à frente ou estar ao lado,

mas não, está colocado

exactamente por detrás da flor.

Também não está escondido nem dissimulado,

está dignamente especado

por detrás da flor.

 

Abro as narinas para respirar

o perfume da flor,

não de repente

(é claro) mas devagar,

a pouco e pouco,

com os olhos postos no chapéu de coco.

 

Ele ama-me. Defende-me com os seus carinhos,

protege-me com o seu amor.

Ele sabe que a flor pode ter espinhos,

ou tem mesmo,

ou já teve,

ou pode vir a ter,

e fica triste se me vê sofrer.

 

Transmito um pensamento à flor

sem mover a cabeça e sem a olhar

De repente,

como um cão cínico arreganho o dente

e engulo-a sem mastigar.

 

 

 

António Gedeão

Obra Poética

Edições João Sá da Costa 

 

2001 

  

publicado às 16:34

Deus

por Jorge Soares, em 15.08.09

 Deus, Outão

 Fotografia Minha de Momentos e olhares

 

Deus

 

Às vezes sou o Deus que trago em mim

E então eu sou o Deus e o crente e a prece

E a imagem de marfim

Em que esse deus se esquece.

 

Às vezes não sou mais do que um ateu

Desse deus meu que eu sou quando me exalto.

Olho em mim todo um céu

E é um mero oco céu alto.

 

                    Fernando Pessoa

 

Fotografia na entrada do Hospital do Outão

Setúbal, Novembro de 2008

 

publicado às 16:32

Um Rei Assim, José Saramago

por Jorge Soares, em 13.08.09

José Saramago

 

Imagem de aqui

 

Na verdade eu nem sou grande fan do Homem, também é verdade que ainda não li a maioria dos seus livros, e dos que li, ou adorei ( O evangelho segundo Jesus Cristo) ou não gostei por aí além (Todos os nomes) problema o meu e dos meus fracos gostos, quem sabe e daqui a uns tempos retomo a leitura ... mas não queria deixar de partilhar este texto...  fantástico

 

Um Rei Assim, José Saramago

 

 

O rei assim é o sr. D. Duarte de Bragança, pessoa medianamente instruída graças aos preceptores que lhe puseram logo à nascença, mas que, não obstante, detesta a literatura em geral e o que escrevo em particular, primeiramente porque considera que no Memorial do Convento lhe insultei a família e em segundo lugar porque a dita obra é, de acordo com o seu requintado linguajar de pretendente ao trono, uma “grande merda”. Não leu o livro, mas é evidente que o cheirou. Compreende-se, portanto, que, durante todos estes anos, eu não tenha incluído o sr. D. Duarte, de Bragança, note-se, na escolhida lista dos meus amigos políticos. Não me importo de levar uma bofetada de vez em quando, mas a virtude cristã de oferecer ao agressor a outra face é virtude que não cultivo. Tenho-me desforrado apreciando devidamente as qualidades de humorista involuntário que este neto do senhor D. João V manifesta sempre que tem de abrir a boca. Devo-lhe algumas das mais saborosas gargalhadas da minha vida.

 

Isso acabou, a monarquia foi restaurada e há que ter muito cuidado com as palavras, não vão aparecer por aí, redivivos, o intendente Pina Manique ou o inspector Rosa Casaco. Como que restaurada a monarquia? perguntarão os meus leitores, estupefactos. Sim senhor, restaurada, afirmou-o quem tem as melhores razões para dizê-lo, o próprio pretendente. Que já não é pretendente, uma vez que a monarquia acaba de ser-nos restituída pelo drapejar da bandeira azul e branca na varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Os moços do 31 da Armada (assim os escaladores se designam a si mesmos) têm já o seu lugar assegurado na História de Portugal, ao lado da padeira de Aljubarrota de quem se desconfia que afinal não matou castelhano nenhum. Não é o caso de agora, A bandeira esteve lá durante alguma horas (haverá um monárquico infiltrado na Câmara para ter impedido a retirada imediata?), pretende-se averiguar quem foram os autores da façanha, e isto acabará como sempre, em comédia, em farsa, em chacota. O sr. D. Duarte não tem estaleca para exigir na praça pública, perante a população reunida, que lhe sejam entregues a coroa, o ceptro e o trono.

É pena que uma tão gloriosa acção vá acabar assim. Mas como, no fundo, sou uma pessoa cordata, amiga de ajudar o próximo, deixo aqui uma sugestão para o sr. D. Duarte de Bragança. Crie já uma equipa de futebol, uma equipa toda de jogadores monárquicos, treinador monárquico, massagista monárquico, todos monárquicos e, se possível, de sangue azul. Garanto-lhe que se chega a ganhar a liga, o país, este país que tão bem conhecemos se ajoelhará a seus pés.

 

Via  O Caderno de Saramago

 

Jorge Soares( em contagem decrescente)

 

publicado às 21:09

Ainda a natalidade e a sobrepopulação

por Jorge Soares, em 12.08.09

Sobrepopulação e pobreza

 

Eu sei que disse que ia de férias, mas também disse que ainda faltavam 3 dias..e que poderia acontecer algo que me fizesse voltar... bom, aconteceu este comentário do Antonio Dias,  o comentário dele é pertinente e o assunto não deixa de ser interessante... comecei a responder na caixa de comentários e terminei aqui... na caixa de posts... até porque quem sabe e não há por aí algum ou alguma antropóloga que queira ajudar a fazer luz.

 

Diz o António o seguinte:

 

"Acho que já disse isto dezenas de vezes, mas aqui vai mais uma. Tomando como facto que há mesmo pessoas a mais no mundo (ver http://en.wikipedia.org/wiki/Ecological_footprint ou http://www.footprintnetwork.org/newsletters/gfn_blast_0610.html ) temos três hipóteses de sair daqui:

1. Tomar medidas para voluntariamente reduzir a população mundial. Isto iria requerer uma coordenação de todas (ou quase) nações do mundo, iria levar alguns anos, dependendo das medidas adoptadas, e teria sempre como resultado que a população iria envelhecer. Porque é que uma população voluntária e controladamente envelhecida é um problema é uma coisa que ainda não consegui compreender.

2. Reduzir a população à força. Isto tem resultados muito mais rápidos... mas menos controlados. Ou seja, os efeitos laterais deste método podem atingir os seus executores.

3. Dizer que esta visão é pessimista, que ainda há lugar para muito mais gente ou que o excesso de população é apenas no terceiro mundo (esquecendo que a Europa é o continente mais sobre-povoado). Ou seja, enfim, deixar tudo correr como está e continuar com o velho esquema de pirâmide (http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquema_em
_pir%C3%A2mide ) em que é baseada a economia capitalista global. O resultado será deixar os processos naturais de controlo de populações actuarem o que, trocado por miúdos, quer dizer que não haverá recursos para todos e uns morrerão por falta deles e outros lutando por eles até que a população chegue a um equilíbrio sustentável.

O que eu acho lamentável é que a espécie humana escolherá esta última opção, apesar de ser provavelmente a primeira neste planeta que tem o discernimento para perceber isto e os recursos para o evitar."

 

António, Porque é que uma população voluntária e controladamente envelhecida é um problema?

 

Eu acho que é, por vários motivos, vejamos:

-Infelizmente o mundo não vive numa sociedade global, os recursos não estão distribuídos uniformemente e para conseguir sobreviver e alimentar os seus habitantes, cada país tem que conseguir produzir já seja os bens alimentares ou a riqueza para os poder adquirir. Quanto mais envelhecida for a população, menos produtiva se torna, até que chega a um ponto de rotura em que a parte da população que consegue produzir não o consegue fazer de forma a conseguir alimentar quem já não produz... e não, não estou a falar de reformas e coisas dessas, só estou a falar de capacidade de produzir.

 

Reduzir a população à força não é um conceito novo, há décadas que a China com a sua politica de um só filho o tenta fazer, não conheço o suficiente como para poder expressar uma opinião sobre os resultados desta politica, pelo que li, os objectivos foram conseguidos em alguns meios urbanos mas ninguém sabe o que se passa na China Rural..e de resto, eles já são mil e trezentos milhões e continuam a crescer... na China e em todos lados.

 

É claro que há soluções mais drásticas... mas acho que ainda não estamos o suficientemente desesperados para isso. 

 

Quanto ao ponto 3, partilho da tua opinião, de facto, no estado de evolução tecnológico e de capacidade de produção em que estamos, dificilmente haverá capacidade para alimentar de uma forma equilibrada toda a população actual, o que não quer dizer que no futuro não aconteça uma de duas coisas: a evolução nos leve a um estágio em que exista uma maior capacidade de produção, ou, como muito bem dizes, a própria natureza na sua constante tendência para o equilíbrio se encarregue de colocar tudo no seu devido sitio, já seja através da mão humana ( e aqui podemos voltar à redução à força ou não) ou através de uma qualquer gripe (uma a sério, não esta) 

 

Até agora a evolução humana e a distribuição da população ao longo do planeta, foi feita numa procura incessante de melhores condições, há algum tempo que atingimos um estágio em que já ocupamos o planeta inteiro e foi a comida que se passou a deslocar....se calhar está na altura de recomeçar... e ou muito me engano, ou não haverá quem pare este movimento.

 

E agora... volto para a preparação das férias.

 

Jorge Soares

publicado às 23:56



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