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Férias... alguém quer pagar as tapas?

por Jorge Soares, em 11.08.09

Gato de férias...eu também

 

 

Sim... eu também tenho direito.... e bem que estou a precisar, eu e o resto da família, férias do emprego, férias da televisão, férias do telemóvel, férias dos computadores... ou seja, férias dos blogs e portanto, todos vocês vão ter férias de mim.

 

A Partir de este fim de semana, quem me quiser encontrar pode procurar ali para os lados do Sul de Espanha, Valência ou arredores, algures num parque de campismo... procurem bem, eu sou o gajo que está sentado em frente à tenda com o copo de gin tónico na mão a ver o fim de tarde sobre o mar... ou a fazer o mesmo que ali o amiguinho da fotografia.... esquecer o mundo e dormir.... mas se alguém quiser aparecer e pagar as tapas... esteja à vontade!

 

Espero que este ano corra melhor que o ano passado e claro, não quero voltar a ser atracção turística, até porque a vista desde o hospital do Outão é muito bonita, mas há muito barulho durante a noite....e em Setúbal há locais muito melhores para ver a vista durante o verão.

 

Ainda faltam 3 dias, 3 longos dias, mas há muitas coisas a preparar, pelo que a menos que aconteça algo de importante e que mereça a minha atenção, tudo o que aparecer por aqui até ao fim do mês, serão posts pré-publicados, (espero que gostem das minhas fotografias) .... podem deixar criticas e sugestões..... se tudo correr bem, eu volto no inicio do mês de Setembro...cheio de vontade de postar e com muitíssimas fotografias para mostrar... no Momentos e olhares

 

Espero que todos passem umas excelentes férias e....

 

Façam favor de ser felizes

 

Jorge Soares

PS:Imagem minha

 

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publicado às 22:06

Incentivos à natalidade ou à imigração?

por Jorge Soares, em 10.08.09

Incentivos à natalidade?

Imagem de aqui

 

Um destes dias, e a propósito dos meus posts sobre o incentivo à natalidade (este e este), uma amiga perguntava-se se a ideia do incentivo seria boa ou má?, e se não seria só mais um motivo para muita gente se deitar à sombra do estado.  É claro que 200 Euros não convencem ninguém a ter filhos, talvez os 25 mil da Alemanha....

 

A propósito do meu primeiro Post, o António Dias, dizia o seguinte:

 

"200 euros para daqui a 18 anos é mesmo estúpido como incentivo à natalidade, o que só mostra o desespero de quem escreve e oferece coisas destas num programa eleitoral.

Mas eu penso que ainda menos inteligente é o próprio conceito de incentivo à natalidade numa altura em que a população portuguesa continua a aumentar e em que a população mundial, que é o que verdadeiramente importa, está cada vez mais perto dos sete mil milhões de pessoas(http://www.census.gov/ipc/www/popclockworld.html). Será que alguém pensa que há tão pouca gente que é necessário incentivar o nascimento de mais? Será que a espécie humana está em perigo de extinção e é necessário uma protecção especial?"

 

Sim e não, é verdade que a população do mundo não para de aumentar, e uma grande parte vive abaixo do limiar da pobreza, por outro lado, a população na Europa está cada vez  mais envelhecida, a população Portuguesa praticamente estagnou e só não começou a diminuir porque nos últimos 10 anos existiram duas grandes vagas de imigração, do Brasil e dos países de leste, como podemos ler nesta noticia  do iol Diário.

 

Fará ou não sentido o incentivo à natalidade?, olhando para o comentário do António, eu diria que não, mas se calhar, e atendendo à sobrepopulação do mundo e ao envelhecimento da população na Europa Ocidental, fariam sentido incentivos à imigração. O Envelhecimento da populaçao fará com que mais tarde ou mais cedo haja falta de mão de obra em Portugal e na Europa, primeiro a menos qualificada e com o tempo a restante, mão de obra que por outro lado será cada vez mais abundante nos países mais pobres e menos desenvolvidos.

 

Ou seja, alguém deveria dizer ao Sócrates, que em lugar de prometer uns trocos que serão utilizáveis algures no futuro longínquo, deveria pensar em dar condições à vinda de pessoas com vontade de trabalhar e de dar novas cores e novas ideias ao nosso já velho país.

 

É claro que eu sei que nem o PS nem ninguém se atreveria a uma "alarvidade" destas.... pelo menos agora, mas daqui a uns 30 ou 40 anos..... já veremos!!!!

 

Jorge Soares ( Quase de férias)

 

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publicado às 22:02

HISTÓRIA DE ROSA BRAVA III

por Jorge Soares, em 08.08.09

Roseira brava

Imagem minha retirada de Momentos e Olhares

 

Continuação do conto HISTÓRIA DE ROSA BRAVA, podem ler a parte II aqui

 

 

 III

 

   E o Chico? A grande vantagem do Chico era ser rapaz – entre raparigas. Não raro sucede, por tais sítios, sacrificarem-se as raparigas aos irmãos: quer nas atenções devidas, quer nos próprios bens. Se, como no presente caso, o varão é único no meio de irmãs, a quase toda a gente se afigura isso naturalíssimo.
   Pouco rogado se fazia o nosso Chico para impor os seus direitos de elemento másculo. Desde novito se mostrara indolente e autoritário, com perrices, caprichos e obstinações que faziam murmurar muita gente: «A culpa não é do garoto! Lá tem a quem saia.» E o caso é que, a não ser quando se chocassem, o pai lhe manifestava uma inesperada tolerância. «Rapazes querem-se bravos!», dizia nas costas dele. Com o pai, sempre Chico se encolhia um pouco. De modo que o pai não achava inteiramente mal que o rapaz desafogasse perante as mulheres os seus instintos de superioridade viril. 
   Aos doze anos, largou Chico a sua primeira sentença irónica sobre as mulheres. Nunca mais, daí por diante, as poupou o seu espírito cáustico. Estas mulheres eram muito particularmente a mãe e as irmãs. Sob condição, porém, de o servirem com pressurosa solicitude, Chico tolerava-as. Digamos que podia ir ao ponto de ter por elas uma espécie de condescendência compassiva, desdenhosa, com uma réstia de sentimentalidade, como de um protector pelos seres inferiores que lhe estão submissos. A idade não fez senão cimentar esta noção de que a condição da mulher (ou fêmea) é ser uma serva dócil do homem (ou macho). Era desses egoístas cuja melhor forma de amizade ainda é uma quase gratidão por quem lhes acarinha o egoísmo. Tal género de amizade, devemos confessá-lo, tinha-o Chico, às vezes, por Isabel e a mãe. A Marília, que era extremamente coquette com ele, tratava-a por gatinha ou boneca. Às vezes, peguilhava.
   Aliás, bem Isabel e a mãe lhe mereciam tal condescendência! Na sua rústica e bondosa simplicidade, não estava Isabel muito longe de em verdade ver no irmão um ente superior. Assim se afadigava a adivinhá-lo, a tratá-lo, a servi-lo – com a mesma instintiva noção de que mais ou menos nasceram as mulheres para escravas dos homens; principalmente, as irmãs do irmão único; e ainda muito particularmente, ela do Chico. Chico não deixava de se lhe mostrar reconhecido: Regra geral, punha um tom de excepcional benevolência nos epigramas que lhe dirigia.
   Quanto à mãe, breve se reconheceu sem autoridade nem vontade para o educar. De uma vez, era ele criançola, fizera qualquer maldade, ela dera-lhe dois sopapos. Ficou assustada com a reacção do pequeno! Como o pai viesse entrando, e o casal atravessasse um dos seus frequentes períodos tempestuosos, Margarida apontou o garoto que esperneava no chão:
   – Vê de que raça é o teu filho! Mas a culpa não é dele, não. Tem a quem sair. Ainda assim, sempre espero que saia melhor.
   E pôs-se a aplacar o filho castigado.
   Sem tirar o chapéu, o marido deu-lhe um pequeno piparote na aba. Chasqueou, de má sombra:
   – Eu também não tive a quem sair...?
   – Lá isso, tiveste: o teu pai dizem que arrastava a tua mãe pelos cabelos!
   Ele fez um gesto, com a mão fechada, como para a socar.
   Durante as suas negras crises de ciúme (recebera, há dias, participação de uma nova mancebia de Rodrigo), a submissa Margarida ousava falar-lhe assim. O desespero lhe dava coragem para o afrontar. Chegava a provocá-lo, como se desejasse vê-lo descer aos últimos excessos. Mas eram as únicas ocasiões em que, talvez por se reconhecer culpado, o seu senhor lhe toleraria tais insolências. Desta vez, porém, o que a salvou foi um dito do Chico. Despegando-se dos braços da mãe, o garoto saiu-se com esta:
    – Então, a culpa também não é do paizinho...
    Rodrigo deu-lhe para achar graça à intervenção do filho, cuja reputação de inteligente desde logo ficou afiançada. Olhando a mulher de certo modo – aquele modo que ao mesmo tempo a excitava e aterrava –, contentou-se com observar-lhe:
   – Tem ao menos vergonha do teu filho, que já entende o que dizes. E se tornares a bater-lhe, não lhe dês beijos depois.
   – Mal lhe toquei: fez um alarido!...
   – Nisso de alarido, também tem a quem sair.
   – Tocou, sim, pai – desmentiu o petiz –, bateu-me! Mas já disse que não torna...
   Como, no seu ódio, nem se resguardavam das filhas, algumas vezes assistiam elas a tais cenas. Marília, ainda criança, já os seguia com uma espécie de ávida curiosidade nos lindos olhos abertos. Isabel era quem mais se consternava, procurando meio de os distrair da contenda. Quanto a Rosa... Mas já falaremos de Rosa.
   E Margarida não tornou a dar sopapos no filho. Não ousaria tornar. Tanto mais que bem percebera: Rodrigo não gostara. «Se tornares a bater-lhe», dissera ele, «não lhe dês beijos depois.» Mas acentuara aquele «se tornares a bater-lhe».
   Fisicamente parecido com o pai ia o rapaz crescendo, talvez menos violento – quanto ao moral – mas ainda mais egoísta; 
   de modo que não só cria Rodrigo reconhecer-lhe saudáveis propensões para dominador, senão que também se revia na sua figura como num espelho que o devolvesse à juventude. Com um misto de orgulho e despeito pensava, lá consigo, que breve se lhe atravessaria ele no campo das proezas amorosas, tornando-se um concorrente perigoso: Pouco tardariam a preferir o patrãozinho novo as criaditas galantes, as mulheres da apanha da azeitona, as raparigas que vinham para a chacina, e até qualquer caça mais fina das vizinhanças. Sempre haveria sustento para ambos – consolava-se. Avaro de exteriorizações sentimentais, mal conseguia disfarçar o seu crescente fraco pelo rapaz. Comprara-lhe um cavalo. Intimamente, gostava de o ver também amar os cavalos e preferir a caça aos estudos. Nem os estudos eram muito pesados na Escola Agrícola, onde o pusera. E para que precisaria o moço de grandes letras? Precisava, sim, como todo o herdeiro de terras, de vir a saber governá-las. Era o que esperava lhe ensinassem lá na Escola de Évora.
   Em tais circunstâncias, como pudera ter Margarida senão veleidades sobre a educação do filho? Não só chegara a temê-lo, achando-o parecido com o pai, como a admirá-lo, e, numa certa medida, a querer-lhe. O filho acabara por lhe perdoar aquele abuso, que uma vez praticara, de uma autoridade materna muito discutível.

 

 

.. Continua

 

In RÉGIO, José. Histórias de mulheres , Porto, Portugália, 1946, pp. 200-225.

Retirado de:Ficções

 

 

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publicado às 20:37

Morreu Raul Solnado.... a guerra acabou mesmo!

por Jorge Soares, em 08.08.09

Morreu Raul Solnado

Imagem do Público

 

Há noticias que não queremos ler ou ouvir, morreu um homem de um tempo em que se fazia humor, morreu Raul Solnado, depois de muitas guerras a brincar, esta guerra era a sério, e infelizmente ..esta ele não ganhou.

 

"O actor Raul Solnado morreu hoje às 10h50, aos 79 anos, na sequência da evolução de um quadro clínico Cardio-Vascular grave, informou a Direcção Clinica do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Raul Augusto de Almeida Solnado nasceu em Lisboa a 19 de Outubro de 1929. Entrou no mundo do teatro em 1947, enquanto actor amador, no Grupo Dramático da Sociedade de Instrução Guilherme Cossul."

 

Noticia do Público

 

 

Jorge Soares

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publicado às 14:30

Está aí alguém?...

por Jorge Soares, em 06.08.09

 os bebes não são eléctricos

 

Há coisas na blogosfera que me intrigam, esta imagem do Bartoon chegou-me por mail hoje de manhã, como tenho por principio não fazer posts desde o emprego, enviei o post por mail,  dei uma olhadela rápida, vi que aparecia e voltei à dura realidade..... no mês de Agosto ficam os nabos todos e só aparecem problemas entre o teclado e a cadeira.

 

Por volta da hora do almoço tinha um comentário da Rosa e presumi que estava tudo bem, por acaso estranhei que mais ninguém disse nada, até porque o nível de visitas estava relativamente normal para o mês de Agosto.

 

Há pouco fui ao blog e para surpresa minha a imagem não estava a aparecer, vá lá a gente perceber porquê, de vez em quando acontece, há imagens que simplesmente não querem colaborar, esta é uma destas. Depois de mais de dois anos, já mais ou menos aprendi os truques todos e consigo dar a volta ao assunto, mas há algo que me fica atravessado.... 

 

Durante o dia mais de 200 pessoas pessoas passaram por aqui, imagino que a maioria chegou por puro acaso e como entrou saiu, mas quero acreditar que uma pequena parte veio cá de propósito, pessoas que me conhecem, que até costumam comentar.... é pá.. porque raios é que ninguém me avisou?

 

 

Eu até percebo que muita gente se inibe de comentar os assuntos mais polémicos, afinal eu tenho mau feitio e tudo, há muito boa gente que quando a coisa vai para o lado do polémico, simplesmente prefere não comentar, o que é uma pena, porque ninguém é dono da verdade e eu muito menos, e já mais que uma vez que alguém me fez olhar para as coisas com outros olhos e é da troca de ideias que se faz luz, mas custava alguma coisa dizerem-me que o raio do cartoon não estava a aparecer?

 

Será que já está tudo de férias?... está aí alguém?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:39

Os bébés não são eléctricos

 

Post enviado por mail

Jorge Soares

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publicado às 10:26

A justiça é cega, a injustiça podemos ver

Imagem de aqui 

 

Há alturas em que ainda me espanto com a minha inocência, terminei o post de ontem questionando-me se depois de condenado o Isaltino Morais seria capaz de manter a candidatura, parece que nasci ontem, é claro que mantém, e a julgar por este comentário que o meu post mereceu no Câmara de Comuns, para além de inocente, falta-me o bom senso de não saber estar calado ou de falar antes de tempo.

 

Hoje à hora do almoço falávamos disto,   dizia eu que se o homem tivesse vergonha e moral, renunciaria de imediato ao cargo e à candidatura, resposta rápida da Catarina:

 

"Jorge, se o homem tivesse moral e vergonha, não estava agora a ser condenado, nem estávamos a falar disto, não achas?"   ..... e contra factos não há argumentos.

 

Estive a reler os comentários, diz o amigo Rolando que é Terceiro mundismo   falar de justiça de ricos e de pobres, talvez, mas a verdade é que seja qual for o mundo em que se vive, haverá sempre a justiça dos ricos e dos pobres, porque se é verdade que a justiça é cega,  quem a pratica não o é e haverá sempre quem tenha mais capacidade de chegar aos bons advogados e aos melhores conhecimentos, porque onde não se compra, dá-se a volta à lei.

 

Sobre a moral do senhor Isaltino Morais, estamos conversados, mas sobre a moral dos que apesar de tudo isto, apesar das contas na Suiça, apesar do dinheiro das campanhas desviado em proveito próprio, apesar das suspeitas de negociatas, continuam a votar nele, sobre a moral desses, nem sei o que diga. Porque há algo que não consigo entender, se a desculpa para a cada vez maior abstenção nas eleições é a falta de confiança nos políticos, se as pessoas acham que são todos iguais, se nem lá vão porque não vale a  a pena, porque continuam a votar no Isaltino?, ou na Fátima Felgueiras?, ou no Adelino Ferreira Torres?, afinal, está mais que provado que estes não são iguais, são bem piores  que os outros todos.

 

Somos sem duvida um país estranho.

 

Jorge Soares

PS:Já agora, bom senso o tanas, que o homem foi condenado!

 

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publicado às 21:14

Isaltino Condenado

 

Imagem retirada do Público

 

Isaltino Morais condenado a sete anos de prisão e a perda de mandato

 

 

Vinha de viagem e a ouvir as noticias na rádio, ouvi o homem entrar para o tribunal cheio de confiança e a presumir inocencia. Depois do caso Felgueiras, depois dos casos em Gondomar e em Macedo de Cavaleiros, já começavamos a duvidar que para algumas pessoas a justiça se pudesse fazer, afinal.... há esperança.

 

Agora resta saber, se um condenado a pena de prisão efectiva pode ser candidato, e se este senhor tem a lata suficiente para se manter candidato.

 

Jorge Soares

 

 

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publicado às 19:37

HISTÓRIA DE ROSA BRAVA II

por Jorge Soares, em 01.08.09

Imagem minha, retirada de Momentos e olhares

 

Continuação do conto HISTÓRIA DE ROSA BRAVA, podem ler a primeira parte aqui

 

II

 

Se Marília fruía, em parte, os privilégios de ser a última, em parte fruía Isabel os de ser a primeira. Como todas as mulheres demasiado amantes (e de um marido volúvel e cruel), Margarida era fraca mãe: A verdade é que quase não procurava os filhos senão por ataques. Mal se lembrava deles senão para os lembrar ao pai, como pretexto a retê-lo ou motivo a incriminá-lo. Também, às vezes, para se esquecer ela própria dos seus desesperos de amante menosprezada. Claro que a pobre mulher não descia a tais minudências dos seus sentimentos. Tão-pouco os que a rodeavam – excepção feita, em parte, para sua irmã Glória. Margarida julgava-se mãe excelente porque abandonava os filhos aos seus caprichos próprios, sem energia nem gosto para os contrariar; ou tinha por eles crises de tempestuosa ternura, tão despropositadas como efémeras.

   Eis porque Isabel – a boa, a activa, a discreta, a circunspecta Isabel – é que viera a ser verdadeira mãe dos irmãos mais novos: Ela quem tinha por eles a continuidade de atenções necessária; ela quem os lavava, os asseava, lhes engomava e ponteava as roupas, resolvia as suas pendências, os castigava, até, quando fosse muito preciso. Aliás não passavam tais castigos de lhes dirigir a censura merecida, ou simplesmente os tratar com um modo repreensivo e magoado. E tudo fazia com tão natural autoridade, que, posto nem sempre quisessem mostrá-lo, a respeitavam eles mais do que à mãe. Não só eles, demais: também dos pais, dos criados, de toda a vizinhança se fizera Isabel respeitar. Várias mães abastadas de filhos que principiavam namoriscando – muito intencionalmente declaravam diante deles: «Rapariga de juízo... aquela! Mais três ou quatro anos, fará uma bela nora. Cá por mim, não se me dava...»
   E passaram os três, quatro, cinco anos. A tal ponto, entretanto, se confirmaram e desenvolveram as virtudes domésticas da excelente Isabel, que a mãe lhe abandonou por inteiro o governo da casa. Então se deu o que nem sempre se dá: A virtude foi recompensada. Um óptimo partido se apresentou a Isabel na simpática figura do Bernardo Painho, jovem herdeiro de largas propriedades lá para bandas de Póvoa e Meadas. Bastante nova – Isabel ficou noiva. Oh, mas o noivo teria de ter paciência! Com vagar queria ela preparar o enxoval, e se preparar a si própria. O amor de Isabel era leal e constante, mas tranquilo.

 

.... Continua

 

In RÉGIO, José. Histórias de mulheres , Porto, Portugália, 1946, pp. 200-225.

 

Retirado de:Ficções

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publicado às 20:50

Pág. 3/3



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