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Madalena

por Jorge Soares, em 17.10.09

Madalena

Imagem da internet

 

Queimava. Um sol amarelo, denso, caía a pino sobre a nudez agreste da Serra Negra. As urzes torciam-se à beira do caminho, estorricadas. Parecia que o saibro duro do chão lançava baforadas de lume.

Madalena arrastava-se a custo pelo íngreme carreiro cavado no granito, a tropeçar nos seixos britados por chancas e ferraduras milenárias. De vez em quando parava e, através dum postigo aberto na muralha das penedias, olhava o vale ao fundo, já muito longe, onde o corpo lhe pedira para ficar, à sombra de um castanheiro. O corpo. Porque a vontade fizera-a atravessar ligeira a frescura tentadora da veiga e meter-se animosa pela encosta acima. Tudo estava em chegar a Ordonho a tempo da sua hora. Por isso, era preciso reagir contra a própria natureza e andar para diante, custasse o que custasse.

 

Galgada a custo a última rampa, Madalena encarou com terror a imensidade da montanha descarnada e hostil. Cada fragão de estremecer! Blocos desmedidos, redondos, maciços, acavalitados uns nos outros, num equilíbrio quase irreal, ou então dispersos, solitários, parados e silenciosos pelo planalto além.

Começara a sentir as dores de madrugada, vagas, distantes, quase gostosas. E, a esse primeiro aviso, resolvera partir. Já agora, por mais um pouco, era levar a cabo aquele timbre. Sabê-lo, até ali, só ela e Deus. Nem o maroto que lhe fizera o serviço desconfiava. Sempre fora senhora do seu nariz. Dera o tropeção, é certo, mas em seguida conseguira esconder a nódoa dos olhos do mundo - a nódoa maior que pode sujar uma mulher. E nem mesmo ele suspeitava sequer do que se passava. Dias depois da desfeita, quando se lhe chegou com olhinhos de carneiro, a querer repetir a façanha, pô-lo a andar, sem de longe ou de perto tocar em tal assunto.

- Escusas de teimar: pega ou larga de vez. Se te não presto para uma coisa, também te não presto para outra... Resolve. Cães no rasto é que não quero!...

Fez-se desentendido. Lá casamento, isso não era com ele. Tinha a mãe, tinha as sortes, tinha a vida encalacrada.

- Pois então...

E virou-lhe as costas. Servir-lhe apenas de estrumeira, consentir que se utilizasse dela como de uma reca, não. É verdade que a disfrutara por inteiro naquela maldita tarde... Paciência. O que é, comera por uma vez. Danado, ainda rosnou. A engolir as palavras, deu a entender, numa cava, que sim e mais que também. De pouco lhe valeu. Ela cortara de tal maneira o mal pela raiz, que ninguém acreditou nas alarvadas. Graças a essa firmeza, estava quase a chegar ao fim do fadário na consideração de toda a gente. Bastava agora ter coragem e ânimo nas pernas. Não. Nem Roalde, nem o badana se haviam de rir. Dera com o nariz no sedeiro, realmente. Na primeira quem quer cai... Mas tomara a peito manter-se pura daí em diante, e fizera vingar a sua. Nove meses como nove novenas! Preferia morrer, a ficar nas bocas do mundo. Com o correr do tempo, vira-se e desejara-se para manter o disfarce. Os últimos dias, então, pareceram-lhe anos. Felizmente, até esses vencera sem se denunciar. Fechou-se em casa, com a desculpa de andar adoentada, e aguardou que chegasse o momento de largar. E, vinha o sol a nascer, este mesmo sol que agora lhe estonava a carne, metera pés a caminho.

Nem viva alma, ao sair da aldeia! Roalde em peso mourejava nos lameiros e nas cortinhas da Tenaria. O Agosto corria criador. E cada qual gastava-se nos bens, a regar os milhões, as hortas e os batatais. Em Roalde, graças a Deus, aguinha - era dar ao talhadoiro...

Água!... Se ao menos tivesse um golinho dela naquele instante! Bastava-lhe molhar a boca... já mal a sentia, de tão seca... Era um buraco encortiçado, por onde o ar passava em labaredas. Quase que lhe apetecia ferrar os dentes no toco dum carvalhiço, a ver se a humedecia.

Chegada ao meio do planalto, as penedias metiam medo. Espaçadas e desconformes, pareciam almas penadas. Uma giesta miudinha, negra, torrada do calor, cobria de tristeza rasteira o descampado. Debaixo dos pés, o cascalho soltava risadas escarninhas.

Estalava de secura. Ao tormento do cansaço e à crueldade das guinadas traiçoeiras que a anavalhavam quando menos esperava, juntara-se uma sede funda, grossa, que a reduzia inteira a uma fornalha de lume. Mas já o seu avô almocreve dizia:

- Na Serra Negra, quem se quiser refrescar, tem de beber o suor...

Simplesmente, o avô era homem e corria o mundo escanchado num macho, com a borracha de vinho no alforge. E ela, Madalena, não passava de uma pobre mulher, que ia ali naquele ermo excomungado, trespassadinha, já sem forças para mais, com o maldito do filho dentro da barriga aos coices. E tudo por causa das falinhas doces do Armindo, daquelas falinhas mansas, repenicadas, que a levaram à desgraça! Ah, magusto, magusto do S. Martinho! Caras lhe estavam as quatro castanhas assadas que aceitara na cardenha da Tapada. O malandro até jeropiga tinha ali à mão! E ela, a tola, comera, bebera e, por fim, rolara na palha aos berros. Mas de nada lhe valera. De todo o jeito, era sempre sobre o seu corpo o corpo rijo do estafermo, tenso, quente, angustiado. E cedera. Um minuto de fraqueza, ou de piedade concedida a tamanho desespero, e ao acordar - perdera o melhor. Mas pronto. Estava feito, estava feito. Levantou-se, sacudiu a saia, e não tugiu nem mugiu. Fez de conta que nada acontecera. Só que daí por diante passou a desviar-se das ocasiões, embora sempre à espera. Calada como um testamento, aguardou que o rapaz viesse falar-lhe a sério. Lá com palavrinhas de amor, não! Batesse a outra porta. E queria os banhos na igreja e o casamento em Janeiro. Sem lhe dizer, é claro, que ficara naquele estado...

Mas o cão só pensava na carniça. Quando voltou, trazia apenas o vício assanhado. E mostrou-lhe o caminho.

- Para isso, vai às da Vila...

Tratou de enfaixar o ventre sob o saiote de lã, e foi vivendo. À noite, na cama, é que em vez de passar contas passava lágrimas... Como vivia só, ninguém, felizmente, dava fé das suas mágoas. E os meses iam correndo. Até que ao amanhecer daquele dia... Mas Roalde não havia de ter o gosto de lhe ouvir os gritos. Nem Roalde, nem o tinhoso do senhor Armindo. Não lhes dava essa glória. E ali se arrastava, quase morta, por ermos amaldiçoados, para que tudo continuasse entre ela e Deus. Meteria agora no segredo a Ludovina, a sua amiga de Ordonho, porque de todo não poderia governar-se sozinha em semelhante aflição. Em casa dela teria o filho. E depois... Depois... Ah, mas a sede cortava-lhe o tempo ao meio! O futuro para um lado, vago, distante, irreal; o presente para o outro, urgente, positivo. Água! Tivesse ela à mão a fonte da Tenaria, um olho marinho que fartava os lameiros e ficava na mesma, água a jorros com que matar a sede da boca, do peito, da barriga, do corpo inteiro, e tudo seria simples...

Mas água, só a que lhe inundou de repente as partes, e lhe escorria pelas coxas abaixo, quente, viscosa, pesada...

Estremeceu. Poderia ainda continuar? Poderia ainda arrastar-se, cheia de febre, extenuada, em ferida, pela serra a cabo? E as dores cada vez mais apertadas, que a varavam de lado a lado, a princípio rastejantes, quase voluptuosas, e depois piores que facadas? Não, não podia continuar. Agora só atirar-se ao chão e, como no dia de S. Martinho, rolar sobre a terra em brasa, negra, saibrosa, eriçada de tocos carbonizados, sem palha centeia a quebrar a dureza das arestas, e sem o desavergonhado do Armindo a cantar-lhe loas ao ouvido...

Aguilhoado de todos os lados, o corpo começou a torcer-se, aflito. E daí a pouco arqueava-se retesado, erguido nos calcanhares e nos cotovelos, a estalar de desespero. Dentro dele, através dele, um outro corpo estranho queria romper caminho. E, por mais que cedesse e alargasse, o inimigo mantinha-se insatisfeito, a reclamar maior espaço, a exigir as portas abertas de par em par. Sem a piedade dos intervalos de há pouco, as dores pareciam cadelas a mordê-la. De cada guinada vencida, nasciam outras guinadas, como rebentos por uma castinceira acima. E toda ela era um uivo de bicho crucificado.

Alheia a tamanha angústia, a serra dormia a sesta, impassível. Indiferente ao tempo, que parara ou deslizava sem lhe tocar a pele empedernida, fechara-se num egoísmo desumano. E quando Madalena, ao cabo de uma eternidade cega e raivosa, conseguiu finalmente sair do tronco de tortura, nada mudara. Os fragões sonhavam ainda.

Suava em bica. Escorria das fontes à sola dos pés. O sol já não estava a pino. Ia caindo, agonizante, para os lados do Marão. A última dor morrera há um segundo, ou há horas, ou há semanas? Não sabia. Sabia, sim, que o sofrimento se apagara de vez e a deixara, como deixa o cortiço o enxame que parte.

Nem um som, nem a presença duma aragem a quebrar a solidão que a cercava. Apenas num céu em fim de incêndio um mormaço cerrado.

Abriu de todo os olhos turvos. Entre as pernas, numa poça de sangue, estava caído e morto o filho. Carne sem vida, vermelha e suja. O segredo dela e de Deus!...

Exausta, deixou-se ficar prostrada, a saborear o alívio. As cancelas escancaradas fechavam-se lentamente... Por fim, cansou-se da própria imobilidade. Ergueu-se, então. E permaneceu assim alguns segundos a ouvir o silêncio, como a ver se lá do longe vinha resposta aos gritos desesperados que lançara. Nada! O mundo emudecera.

Com fetos verdes limpou-se. Depois deixou cair aquele pano sujo no charco onde o filho dormia. O pé, sem ela querer, foi escavando e arrastando terra... Aos poucos, o seu segredo ia ficando sepultado... O pé tentava deslocar agora uma laje que estava ao lado. Era pesada de mais. E as mãos ajudaram... O sol, cada vez mais baixo, lançava os últimos avisos da sua luz. E os olhos de Madalena viram claro. Eram horas de regressar. Eram horas de voltar à aldeia e matar aquela sede sem fim na fonte fresca da Tenaria.

 

Miguel Torga, Os Bichos

Retirado de Contos de aula

publicado às 21:54

Blog Action Day

por Jorge Soares, em 15.10.09

 Blog Action Day

 

Esta iniciativa tinha-me passado ao lado, felizmente não passou ao lado da DH, comentadora habitual (Obrigado) que me enviou um mail com a informação toda.

 

Podem ver aqui (http://www.blogactionday.org), do que se trata.

 

Acho que de uma ou outra forma já todos demos pelas mudanças que vão acontecendo no nosso planeta, mudanças para as que já seja de forma intencional ou pelo simples facto de existirmos cada um de nós contribui. Está na hora de tomarmos consciência, de termos atenção aos gestos diários, de contribuirmos para que as coisas não piorem e sobretudo, para levantarmos a voz para que quem nos rodeia e quem nos governa, tome consciência de que ou fazemos algo para que as coisas melhorem, ou não haverá mundo para os nossos descendentes.

 

 

 

 

 Jorge Soares

publicado às 20:52

Quimonda, crónica de uma morte anunciada

por Jorge Soares, em 14.10.09

Quimonda, crónica de uma morte anunciada!

Imagem do ionline

 

Foi quando escrevi o post da Caldeirada de Peixe que toquei no assunto , mais tarde nesse dia e via Messenger, uma amiga do norte veio-me falar do assunto. Estivemos a trocar ideias, a minha opinião era ( continua a ser) que qualquer dinheiro que fosse colocado na empresa seria dinheiro perdido, mais tarde ou mais cedo a empresa vai encerrar e só não encerrou na altura porque estamos em época de eleições e o governo não podia aceitar 800 despedimentos.

 

Um dos motivos que me levaram a adiar o assunto foi essa conversa com a minha amiga, dizia-me ela que um dos seus melhores amigos trabalhava na empresa e não estava nada preocupado, que achava que tudo era fogo de vista e que ninguém iria perder o emprego, até porque havia muitas encomendas e muito trabalho.

 

Passaram 6 meses desde essa conversa, não faço ideia quanto dinheiro terá o governo injectado na empresa, mas a verdade é que no dia a seguir às eleições e tal como eu havia previsto, a noticia apareceu, quase 600 despedimentos, que depois passaram para 500 e a promessa no mínimo estranha de que essas pessoas serão readmitidas em pouco tempo... se isso fosse possível não seria preferível manter o Lay off e poupar as indemnizações?

 

Há muito que a produção de componentes electrónicos passou para a China, onde se produz a metade do preço e com a mesma qualidade, é mais que evidente que ninguém compra componentes portugueses quando os pode comprar a metade do preço noutro lado, queriam enganar quem quando falam em manter a empresa a funcionar cá?

 

Disse na altura à minha amiga e em várias outras conversas, que achava que o dinheiro que se estava a investir na empresa deveria ser utilizado para tentar criar um pólo tecnológico e apoiar pequenas e medias empresas que se pudessem instalar ali, continuo a achar o mesmo, só que agora o dinheiro está perdido e vão-se perder 800 empregos.

 

É mais fácil e dá mais votos enganar as pessoas e dar esperança que enfrentar a realidade, mas também custa muito mais caro.

 

Acreditem este é um assunto em que preferia não ter razão

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:56

Eu hoje ia falar da Quimonda, ando há uns meses para falar do assunto, por um motivo ou outro não se proporcionou, era hoje, era... porque logo de manhã,  encontrei esta pérola:

 



Isto não passa de um vídeo parvo feito por alguém que aparentemente tinha sido colocada num pedestal por muitos portugueses e que hoje parece que caiu do altar abaixo.

 

Ora, para além da blogosfera, este vídeo foi noticia no Ionline, no JN, no DN, No Destak,  no Público,  na TVI, na  RTP e de certeza em muitos mais meios de comunicação.

 

A meio da tarde, recebi o mail com o link para a já inevitável petição online onde num texto sem caracteres portugueses, se pede para que seja proibida a entrada em Portugal da dita senhora (há bocadinho ia em 125 assinaturas, ainda que a noticia do DN fale em 2000).

 

Eu concordo que o vídeo não passa de uma pobre amostra da falta de cultura e de educação da senhora, mas sinceramente, justifica este barulho todo? Já passaram as eleições, a gripe A já deu o que tinha a dar, no PSD ainda se está no processo de afiar-se as garras para o que aí vem e portanto não há noticias... mas será que não havia mais nada de que falar nos jornais e nos noticiarios da televisão?

 

Estamos mesmo mal quando nos importamos com coisas e pessoas pequeninas como esta.

 

Jorge Soares

publicado às 21:41

Não é fácil ser pai hoje em dia

por Jorge Soares, em 11.10.09

Calvin contrariado

 

A Essência, terminou este Post com estas palavras:

 

"Os miúdos de hoje, não dão valor a nada, e o pior é que nós pais é que somos os grandes culpados."

 

A propósito do post e desta frase, não resisto a contar aqui algo que se passou cá por casa na passada semana.

 

A R. entrou este ano para o ciclo, com a nova escola vieram algumas coisas novas, entre elas um telemóvel. Não sou lá muito a favor, mas depois de esclarecido sobre as rígidas regras de utilização e controlo de custos, lá acedi meio a contragosto.  Na quinta feira por volta do meio dia tocou o telefone da P. e a conversa foi mais ou menos assim:

 

-Mamã, hoje o almoço no refeitório da escola é arroz de polvo, posso ir comer ao restaurante?

-Mas tu já não compraste a senha?

-Sim, mas não faz mal e já falamos com a mãe da L. ( a colega de turma e amiga de sempre)  e ela diz que podemos ir.

-Eu não sei o que diz a mãe dela, mas tu não vais

-Mas mamã ......

-R. tu já compraste a senha, o dinheiro custa a ganhar, não vais comer ao restaurante quando já compraste a senha

-Mas as minhas colegas vão todas ao restaurante.

-Mas tu não vais...

 

É claro que a R. se fartou de chorar, mas a P. foi irredutível e a miúda  lá teve que ir sozinha ao refeitório da escola. À noite em casa comentávamos o episódio e não deixamos de reparar em como todas as outras mães tinham autorizado a ida das crianças ao restaurante,  isto apesar de quase todas terem comprado as senhas e irem portanto pagarem duas refeições. Estamos a falar de crianças de 10 anos, não sei como funcionam as outras crianças, mas a R. tem um valor estipulado por semana, que cobre as senhas do almoço e dá para num dos dias dar-se um pequeno gosto... idas ao restaurante estão evidentemente fora de questão, mas parece que é comum as outras crianças não gostarem do almoço e irem ao dito restaurante, onde se come pelo triplo do preço do refeitório.

 

Mas a culpa será de quem?.. não é fácil ser-se pai nos tempos que correm, principalmente quando os outros pais cada vez mais permitem tudo e mais alguma coisa...

 

O mundo muda mesmo muito numa geração, como eu dizia neste post, com 10 anos eu nunca tinha visto uma Bola de Berlim, a minha filha liga para casa a dizer que vai almoçar ao restaurante com as amigas.

 

Jorge Soares

PS:Em Setúbal volta a ganhar a CDU, espero que façam u melhor trabalho que n o mandato anterior.

 

publicado às 21:41

O Nóbel da paz que chegou cedo demais

por Jorge Soares, em 09.10.09

Obama galardoado com o Nóbel da Paz

Imagem do Público

 

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu hoje o Prémio Nobel da Paz "pelos esforços diplomáticos internacionais e cooperação entre povos"

 

Segundo a noticia do Público, o comité deu muita ênfase aos esforços de Obama para resolver a questão nuclear.

 

Sempre achei que Obama seria uma volta de página na politica americana, um ano depois, acho que essa volta de página está por dar. É evidente que há coisas que demoram a mudar, mas a manutenção de Guantanamo e a recusa de receber em solo americano os prisioneiros entretanto ilibados, a demora no abandono das duas guerras em que o país está envolvido, a demora nas necessárias reformas sociais, são coisas que me fazem duvidar se esse virar de página irá mesmo acontecer... discordo da entrega do prémio, acho que ainda fez muito pouco para o merecer....

 

Jorge Soares

PS:post via email

publicado às 13:44

Setúbal desde o rio

 

 

E pronto. é outra vez altura de votar, da última vez tinha muito claro em quem não ia votar, estava mais ou menos convicto sobre em quem votar, esta vez não sei mesmo.

 

No Domingo passado estávamos reunidos à volta de uma mesa um grupo de pessoas, todas de esquerda...acho eu,  todos pais e todos com filhos adoptados. A conversa versava sobre o facto de irmos votar ou não, sendo que entre umas 10 pessoas, havia uma que não votava e 9 que o tentávamos convencer que o deveria fazer.

 

Hoje nos meus 45 minutos de solidão na volta para casa, dei por mim a pensar naquela conversa, para as eleições do próximo Domingo não faço a mínima ideia em quem vou votar. Se a escolha fosse entre Rui Rio e Elisa Ferreira, eu saberia, se fosse entre Ana Gomes e Fernando Seabra, eu saberia, se fosse entre Santana e António Costa, saberia. Passei a semana a ouvir falar de debates nas grandes cidades, mas não ouvi nada sobre o que se passa e promete em Setúbal. Para dizer verdade mal sei os nomes dos candidatos à câmara... já para não falar na Junta de freguesia, da que não faço a menor ideia quem serão os candidatos..e ainda por cima, depois da mudança de casa, moro numa freguesia e voto noutra... vou lá para quê?

 

Eu sou uma pessoa minimamente informada, leio os jornais, vejo as noticias, sigo a blogosfera, o que falhou aqui?, não será dada importância demais aos grandes centros e muito pouca, para não dizer nenhuma ao resto do país?, que me importa a mim se Rui Rio vende os terrenos do Aleixo ou a Elisa Ferreira faz mais parque urbano?, se o Santana faz mais túneis ou o Costa apoia o TGV? é porque foi disso que ouvi falar nos últimos 15 dias.

 

Eu gostava mesmo era de saber se as Obras da Polis de Setúbal vão continuar ou não?, se alguém resolve de uma vez por todas terminar a variante da Mitrena até à auto-estrada, se resolvem o caos que é a entrada na cidade, se alguém faz algo para evitar as cheias na baixa, se a Etar que vai despoluir o rio vai funcionar ou não, se alguém promete devolver Tróia ao povo, se as escolas vão ter melhores condições, se..... tantas coisas. Mas disso, eu não ouvi nada...

 

Há algo de muito errado nas nossas campanhas eleitorais... sem dúvida.

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:15

Livro:O Físico - Noah Gordon.

por Jorge Soares, em 07.10.09

 

Antes de mais, para quem ainda não viu, criei um novo blog, o Clube de Leitura, a  ideia é ir colocando lá todos os posts que já escrevi sobre os livros que vou lendo. Mas um clube de uma só pessoa não é um clube, sei que há na blogosfera muita gente que gosta de ler, e muita gente que gosta de escrever sobre o que vai lendo. Deixo aqui o meu convite a todos a que participem no blog, já seja com novos posts ou com posts que já escreveram nos seus blogs. 

 

Deixem um comentário aqui, ou lá no Club, vamos partilhar conhecimento, vamos partilhar livros.

 

O Físico, Noah Gordon

Encontrei este autor por acaso, um dia de chuvas de verão no norte de Espanha, numa visita a um centro comercial, o nome e a capa de um livro chamaram a minha atenção, desde então já li uns 5 ou 6. Todos são romances históricos que tratam da vida dos Judeus, da história da medicina, ou de ambas. Todos são livros fantásticos que nos prendem a atenção do principio ao fim.

 

Este O Físico faz parte de uma trilogia que nos fala da história da Medicina, os outros são O Xamã e Opções, livros que nos falam da dinastia Cole, desde a idade média na Inglaterra até à medicina moderna e os seus dilemas na moderna cultura americana.

 

Rob J cole é uma criança que em pouco tempo se vê sozinho no mundo depois da morte da mãe, do pai e da separação dos seus irmãos. Num golpe de sorte é acolhido como aprendiz por um barbeiro  curandeiro que ao mesmo tempo que o leva por toda a Inglaterra medieval, o vai iniciando nas artes da cura. Rapidamente Rob descobre que tem um dom e que se quer realmente curar as pessoas, deverá aprender muito mais. Este desejo leva-o até ao oriente onde na altura estavam os grandes mestres da medicina. Sempre protegido pela sorte que abençoa os audazes, Rob consegue tornar-se no melhor dos alunos.

 

Pelo meio vamos tendo uma visão da vida na idade média na Europa e na Ásia, a religião, os conflitos, a guerra e o amor.

 

Tinha lido o livro há uns 7 ou 8 anos e foi com um enorme prazer que o reencontrei.. um livro que mais que ler, devorei.

 

Jorge Soares

publicado às 22:17

Quantos filhos querias ter?

por Jorge Soares, em 06.10.09

 

Quantos filhos querias ter?

Imagem da internet

 

 

No outro dia, depois de uma  conversa que entrou pela  noite dentro, que começou por Virus informáticos, passou por fotografia e por não sei quantas coisas mais, dei por mim a pensar no estranha que pode ser a vida.

 

A dado ponto a coisa foi assim:

 

Amiga says:qtos filhos querias?

Jorge says:

nunca pensei nisso

Amiga says:

nã ooo

Amiga: says:

então?

Amiga: says:

vá confessa-te

Jorge says:

não... tu não leste aquele meu post sobre os sonhos?

Jorge says:

eu não faço essas contas

Amiga: says:

devo ter lido 

Jorge says:

aquele em que eu falava do jipe e da casa com jardim

Amiga: says:

sim

Jorge says:

é o que eu dizia lá

Jorge says:

isto vai dar um belo post

Amiga: says:

ai valha-me a santa

Jorge says:

amiga.. eu não faço essas contas

Amiga:. says:

olha que eu estou a falr com a tua orelha amigo

Amiga: says:

não com o teu blog

Jorge says:

nunca fiz..a minha vida nunca durou o tempo suficiente na idade dos sonhos

 
É claro que a conversa continuou, falamos de muitas coisas, mas no fim não pude deixar de olhar para mim e sentir-me estranho, acho que assim como nunca tive jeito para sonhar, também nunca consegui ser pessoa de grandes planos. Nunca na vida pensei em quantos filhos queria ter... nem em se queria ter filhos ou não, simplesmente aconteceu, assim como nunca tinha pensado em ter um blog... até que um dia criei um. 
 
Há várias formas de ir pela vida, nunca fui um sonhador, talvez porque nunca tive muito tempo para isso, ou porque nunca achei que tivesse direito a sonhar. Comigo as coisas simplesmente acontecem... ou não. Imagino que pessoas como eu nunca farão o mundo avançar mais rapidamente, afinal é o sonho que comanda a vida....... eu não sei sonhar... limito-me a fazer com que a vida aconteça...
 
Felizmente, para além de tudo sou uma pessoa de sorte...e a vida encarregou-se de me juntar a alguém que sonha por mim e por ela.... depois, basta empurrar.. que a vida corre.
 
Entretanto a minha amiga também deve ter ficado a pensar no assunto, porque quando ontem voltei a ligar o computador depois de um fim de semana sem olhar  para ele, tinha a seguinte mensagem:
 
"Jorge um homem que não sonha porque se bem os pensa logo os realiza e por isso não perde tempo com sonhos ou fantasias."
 
 
Nem tanto ao mar nem tanto à terra...mas digam-me lá, sou mesmo só eu que nunca pensei em quantos filhos queria ter?
 

Jorge Soares

 

PS:Nunca tinha pensado no assunto.. mas agora que perguntas.... ganhasse eu o euromilhões.... e enfeitaria a minha casa com muitas fotografias como a que preside a este post... um arco-íris de filhos!

 

publicado às 21:56

Quinta da regaleira

Imagem da Internet

 

 

Um destes dias a Jonas neste seu post em jeito de dúvida existencial perguntava quanto pode valer na vida, fazer aquilo de que gostamos. É uma pergunta pertinente, fazer aquilo que realmente gostamos e ainda por cima receber o dinheiro justo por isso... não está mesmo ao alcance de todos... e eu diria que não tem preço.

 

Hoje lembrei-me da Jonas e do seu post. Decidimos aproveitar o feriado para ir a Sintra e visitar a Quinta da Regaleira com os miúdos. Podíamos ter escolhido um dia mais seco, 90% da visita é ao ar livre pelos jardins do palácio e choveu a maior parte do tempo, mas não é disso que quero falar.

 

Já lá tínhamos estado há uns 10 anos atrás e na altura a visita correu muito bem, a guia era  uma pessoa muito simpática e toda a visita foi uma agradável lição de história. Hoje o guia chamava-se Ricardo e claramente estava ali a fazer um frete. 

 

Havia no grupo umas 4 ou 5 crianças, umas mais irrequietas que outras, mas quase todas muito curiosas. Num lugar como aquele, envolto em algum mistério, em que a visita vive muito desse mistério, o mais natural é que as crianças perguntem e queiram saber.  Ora, o senhor não estava para isso, porque não gostava de ser interrompido, porque não gostava que as crianças se chegassem a ele, porque não gostava quando alguém não percebia bem o que ele dizia e perguntava qualquer coisa, bom, enfim, um sem-fim de situações que chegavam a roçar o ridículo. 

 

Eu sei que nem todos temos a mesma paciência, nem sempre estamos bem dispostos, mas se estamos num sitio publico, se temos que lidar com pessoas, se ainda por cima aquilo que fazemos tem a ver com comunicar com as pessoas, devemos ter um mínimo de profissionalismo. Se não temos paciência para as pessoas, se não gostamos de crianças, se não gostamos de ser questionados, se não estamos para ouvir as perguntas e esclarecer... porque é que simplesmente não vamos fazer outra coisa qualquer? Que culpa tem os visitantes, que até pagaram para o ouvir, da falta de paciência do senhor? Que culpa temos nós que o senhor não goste daquilo que faz?

 

Eu não sei quanto ganhará um guia turístico, de certeza que a que nos calhou da outra vez, ganhava muito pouco para a forma como nos conseguiu interessar pela história e os mistérios da quinta, e de certeza que este senhor Ricardo, ganha muito para a forma como não consegue transmitir nada disto.

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:05

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