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Deve ou não tomar a vacina?, pergunte ao seu  médico!

 Imagem do Público

 

Desde já as minhas desculpas se alguém fica melindrado com o que digo abaixo, mas há coisas que são sérias e devem ser levadas a sério.

 

Depois dos  Posts sobre a vacina e sobre a visita à médica, eu tinha decidido que tão breve não ia falar no assunto, até porque nem sou médico, nem tenho as ideias assim tão claras. Hoje  mudei de ideias, estive em casa, logo tive tempo para olhar para os logs do blog. Talvez porque hoje começava a vacinação das crianças desde o fim de semana que há imensa gente que cá vem parar mandada pelo google à procura  de coisas como "Devo tomar a vacina da Gripe A?", ou "vacinas da gripe A nas crianças", além disso tenho estado a ver na blogosfera algo que me tem preocupado, há muita gente que faz posts a perguntar se deve ou não tomar a vacina, e fiquei verdadeiramente horrorizado quando num dos blogs em que participo, vi escrito o seguinte:

 

"A pediatra do meu filho aconselhou-me ontem a vacinar o Garoto (ele tem 3 anos), devido a ele ter tido neste inicio de ano alguns casos de dificuldade em respirar, ter que ir ao hospital fazer máscaras e ter actualmente uma bomba de prevenção (ventilan) para usar se estiver atrapalhado...A pediatra suspeita que se trata de asma , mas ainda não tem diagnóstico definitivo, só com a passagem deste Inverno e vendo como isso evolui é que se faz o diagnóstico, se bem que temos alguns casos na família e a asma é hereditária.

....

A pediatra afirma ser uma vacina segura e inclusivamente ela já a tomou."

 

Para além deste post já vi vários outros em que os autores perguntam aos leitores se acham que devem ou não tomar a vacina.

 

Com o devido respeito por todos, até porque alguns dos posts são de pessoas por quem tenho bastante consideração, eu acho tudo isto muito grave, agora a opinião dos leitores dos blogs é mais válida que a do Pediatra? Se não confiamos nos médicos, confiamos em quem? nos amigos da blogosfera? A prática da medicina é um assunto muito sério e definitivamente não é algo para se vir perguntar num blog. 

 

Ainda no mesmo post, alguém deixou o seguinte comentário que nos deve deixar a pensar:

 

"eu não quis dizer nada...mas vou dizer... um menino vizinho da minha colega de trabalho tem asma, e esta infectado com a gripe A. Esse menino esta em coma no hospital há cerca de 3 dias... :/ epa... vê o que a pediatra te diz"

 

Para todas as pessoas que chegam aqui à procura de informações, a todos os que querem saber se devem tomar a vacina ou não, por favor, falem com o vosso médico, não é na internet que vão encontrar a resposta, até porque em 5 minutos consigo arranjar 20  sites que falam bem da vacina e 20 que falam mal.

 

Se quer saber se deve tomar a vacina, seja responsável por favor, pergunte ao seu médico.

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:37

El placer está en tus manos, o prazer está em ti!

 

Tinha lido a noticia no ionline, ontem foi noticia no DN, hoje decidi dar uma olhadela pelo jornais online espanhois para tentar perceber por onde iba la cosa.

 

Segundo o jornal Nueva España, o governo autonomo da Extremadura, decidiu gastar 14 mil euros numa "campaña de educación sexo-afectiva" dirigida aos jovens dos 14 aos 17 anos. Ainda segundo o mesmo jornal, tenta-se eninar aos jovens noções de sexualidade com incidência na anatomia, fisiologia sexual masculina e feminina, identidade, género, auto-estima e entre outros jogos eróticos, a masturbação

 

Tudo isto levantou uma enorme polémica na Espanha, de aí ser noticia em tudo o que é jornal português, quer dizer, tudo isto não, foi precisamente a ultima palavra o que levantou a polémica, vejamos os títulos dos jornais e revistas portuguesas:

Curso de masturbação causa polémica em Espanha - DN

Curso de masturbação causa polémica em Espanha Visão

Governo da Extremadura incentiva masturbação Expresso

 

De aqui concluímos que o conservadorismo vende, a parte das noções de sexualidade, e tudo o resto não interessa nada, assim de repente, um curso de educação sexual é resumido a umas aulas de masturbação. Sendo que exceptuando o i, todos os outros pegaram no mote da campanha, El placer está en tus manos e levaram à letra, deve ser assim que os jornalistas portugueses levam a sua sexualidade, só pode.... santa ignorância.

 

Já aqui falei de educação sexual, nem imagino o alarido que seria por cá uma campanha como esta, mas a educação nunca está de mais, seja ela sexual ou de qualquer outro tipo.... talvez com algo mais de educação, polémicas como a do direito ao casamento não existiriam

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:19

 

Miguel Torga, a Paga

Imagem da internet

 

De Miguel Torga, Contos da Montanha

 

A Paga

As falas doces com que o Arlindo levava a água ao seu moinho não lhas ensinara o pai, não, que era um santo. Mas vá lá fiar-se a gente em sanguinidades! Famílias boas, sãs, dão às vezes cada filho que até se fica maluco. Ali estava, à vista de todos, a demonstração. Sem maus exemplos em casa, nado e criado numa terra limpa como Vale de Mendiz, e Deus nos defendesse de semelhante boldrego! Rapariga em que pusesse o sentido, pronto. Tanto fazia saltar como correr: tinha que ser dele. E então não se contentava com qualquer! Só lhe apetecia o melhor.

Mesmo no povo, desgraçou a Arminda, uma cachopa tão dada, tão bonita, que cortava o coração vê-la depois, desprezada de toda a gente e comidinha dos males que lhe pegou. Em Guiães foi a filha do Bernardino, pelos modos a coisinha mais jeitosa que lá havia. Em Abaças, escolheu a Olímpia, uns dezanove anos que nem uma princesa.

Mas nenhuma como a Matilde, o ai Jesus de Litém. Descobriu-a na festa de S. Domingos, e já não a largou. O Rodrigo, o melhor amigo dele, bem o avisou: - Olha que ali, tudo o que não seja nó de altar...

Não quis saber. Rapou do harmónio e abriu-o numa gargalhada.

- Borga, rapaziada! Haja alegria!

O poviléu, que não quer senão pândega, claro, a rodeá-lo, embasbacado.

Ora, isto de mulheres é o que se sabe. A tola, só por ver um fadista daqueles a derreter-se por ela, já pensava que tinha ali o rei de Portugal! A tia, a do Rito, no caminho, ainda lhe perguntou se não sabia que menino ele era. Sabia, e que ninguém se afligisse por via dela. E logo no Domingo seguinte, à tarde, toda desenganada a dar-lhe treta na fonte.

Moveu-se o povo. Tivesse tento na bola!

O mundo nunca parira rês de tão má qualidade. Ou já se não lembrava do que acontecera às outras?

Nada. Não ouvia ninguém. O que lá ia, lá ia. Águas passadas não tocavam moinho.

O rapaz assentara, falava-lhe com todo o respeito, e, tão certo como dois e dois serem quatro, recebia-a.

O manhosão, por sua vez, que também não, havia dúvidas nenhumas a tal respeito. Mal arranjasse a vida, casamento.

O mais mau é que ninguém lhe via arranjar essa tal vida. O Alfredo, o moleiro, a pedido de Litém, sondou a coisa em Vale de Mendiz, e voltou desanimado. Arraiais, tocatas, danças, e nada de onde se visse sair propósito de coisa séria. E como o namoro ia de vento em popa – um entusiasmo, uma loucura -, Litém, pela boca do prior, chamou a rapariga à pedra.

Pensasse no que andava a fazer. Fugisse das tentações. Desse uma cabeçada, e depois se queixasse. Tivesse vergonha na cara e tratasse de pôr os olhos num rapazinho da terra, honrado e trabalhador.

Mas a Matilde andava viradinha do miolo. Jurava sobre as falas do Arlindo como sobre os Evangelhos. Assim tivesse tão certa a salvação como ele nunca tentara pôr-lhe um dedo e só lhe falava em bem.

Com semelhante conversa, Litém resolveu aguardar. Não há como dar tempo ao tempo e deixar cada qual aprender à sua custa.

E viu-se o resultado. Um dia à noite, a Matilde prega-se em casa da Lúcia, põe-se a chorar, a chorar, e acaba por declarar tudo: o ladrão tinha-lho feito. Tantas loas lhe cantara, tantas juras, tantas promessas, que caíra como uma papalva.

Mas com quem o Arlindo se foi meter! Com os de Litém, gente capaz de limpar uma nódoa com as lágrimas de Cristo! Fiava-se talvez em o pai da rapariga ter idade e os dois irmãos, o Cândido e o A]bino, estarem no Rio. Ora oitenta anos em Litém. não tolhem um homem, e o mar já não é o que era dantes!

O justo, no desejo de compor aquilo, ainda o procurou, a saber que destino queria dar à filha. Meteu os pés pelas mãos, que não podia casar agora, que as vidas estavam muito más, e mais aldrabices. Olha lá que o velho lhe dissesse nada! Calou-se muito calado, virou-lhe as costas, e, nesse mesmo dia, carta para o Brasil.

Entretanto, a nova fora-se espalhando pelas redondezas. E ao cabo de algum tempo o nome da Matilde simbolizava apenas a façanha mais atrevida e gloriosa do farçola de Vale de Mendiz.

- Não as deita em cesto roto! Isso é que ele pode ter a certeza! - garantiu o Brás, que sempre acreditara numa justiça imanente. 

- Tantas há-de fazer...

- Já fez... - respondeu-lhe o Rodrigo, que, embora amigo e companheiro do Arlindo, não engolia aquela de se ter enganado. - Com os de Litém ninguém brinca...

Em Março, quando Vale de Mendiz se cobriu de camélias e mimosas, o Alfredo, à frente do macho carregado de sacas, deu a grande notícia: os filhos do Justo tinham chegado do Brasil.

- Os dois? - perguntaram todos. - Os dois de uma vez ?!

- Olarila! -Então o Arlindo que se acautele. Mas nada parecia bulir naquele princípio de primavera. A Matilde há muito que calara as lamúrias; o pai, a todos que lhe falavam no caso, respondia secamente que a filha dele não era melhor do que as demais; e os irmãos encheram a irmã de prendas, tratavam-na como uma rainha, e nem por sombras falavam no sucedido.

- A mim até a alma se me apertava com tal sossego - dizia de vez em quando o Rodrigo.

- Os de Litém engolirem uma pastilha assim!

- Que pastilha?! Eu quis, a rapariga quis, quem tem lá nada com isso?

Farroncas. No fundo, também ele, Arlindo, andava de coração como a noite. Bem sabia que não se vem de repente do Brasil sem uma razão qualquer, e que se quisessem resolver o caso a bem já o teriam procurado.

Entrou Abril, passou Maio, principiou Junho, e o mesmo fado corrido.

- Estou varado! - desabafava o Rodrigo.

- Palavra que estou varado!

Mas em Agosto, no dia de S. Domingos, quando o Arlindo estava nas suas sete quintas - Ó Arlindo, toca lá isto, Ó Arlindo, toca lá aquilo! -, chega-se o Rodrigo ao pé dele e segreda-lhe:

- Os Justos de Litém, estão aí. O pai e os filhos...

Os dedos do meliante até se pregaram às teclas da sanfona.

- E ela?

- Ela veio cá o ano passado, e bem lhe chegou...

Já tinha saldo a procissão e quem rodeava a estúrdia enchia os ouvidos de som para o regresso a casa. E, como a música esmoreceu, foram debandando e descendo a serra. Agora a festa era para os que tivessem contas velhas a ajustar.

Começou então no adro um drama surdo, só interior. Os dois companheiros do Arlindo, o Rodrigo e o Gaspar, embora estroinas também, não estavam dispostos a arriscar um cabelo naquele sarilho.

- Quem as faz que as desfaça - dizia o Rodrigo, sempre que lhe falavam no caso.

E o Arlindo, à medida que a roda ia diminuindo, tinha a estranha sensação de que todos fugiam dele e o deixavam sozinho no mundo. Na ânsia de os reter, mudava de música. Pior. A instabilidade das melodias pegava-se à assistência.

Os Justos, sentados no fundo da escadaria, como a impedir-lhe a retirada, não mexiam um dedo. E a rarefacção do povo era ainda mais opressiva.

Começava a cair a noite dos lados de Constantim. As últimas vendeiras tinham partido já. A pipa de vinho, que o Pé-Tolo tivera à sombra do sobreiro, descia o monte vazia, aos solavancos no carro.

Ao fim de duas horas de suores frios, durante as quais o Arlindo puxara pelo harmónio como um galeriano, os Justos ergueram-se e deixaram a passagem livre.

- Bem, vamos andando... - disse o Arlindo, exausto. - Os homens não querem nada...

- Parece que não...

Meteram-se os três a caminho, aliviados duma carga que pesava a vida do Arlindo. Só no fundo do monte, quando o Rodrigo olhou para trás, é que viu que os Justos vinham em cima deles, calados.

- Isto dá grande desgraça, eu seja cego - avisou o Gaspar, transido. - E, se fosse por outra coisa, tinhas-me aqui. Assim, não. Lá te avém...

Iam já nas inatas do Infantado, quando os perseguidores cortaram por um atalho e se chegaram.

- Queremos uma palavrinha em particular aqui ao senhor Arlindo...

O Rodrigo, numa irresistível solidariedade humana que se tem com qualquer condenado no momento da expiação, ainda arranjou coragem para refilar:

- Três para dizerem uma palavra a um homem só?!

Mas, sem mais rodeios, um dos Justos deitou as mãos às abas do casaco do Arlindo, enquanto os outros dois, de pistola na mão, insistiam numa palavrinha muito em particular àquele cavalheiro.

O Rodrigo e o Gaspar, à vista de tais argumentos, foram andando.

E no dia seguinte, de manhã, o Arlindo entrou em Vale de Mendiz numa manta, capado.

 
Retirado de Contos de Aula

publicado às 21:12

 Somos o país das cunhas

Imagem retirada da internet

 

A questão do casamento entre  homossexuais está para durar, descansem, não vou falar disso, hoje no Blog Corta Fitas, falava-se da extensão do tema a adopção por esses mesmos casais, não, também não vou falar disso.

 

Chamou-me a atenção esta parte do Post do Luís Naves :


"A realidade é diferente: as crianças ficam nas instituições porque o processo de adopção leva anos e tem regras abstrusas, sendo muito contaminado pela cunha."


O que me chamou a atenção foi a parte da contaminação pela cunha, que não é nada de novo, todos conhecemos muitos casos que são difíceis de explicar, e como o Luís voltava a bater na tecla nos comentários, decidi puxar por ele, assim:


Estive a ler os comentários anteriores, e como pai e candidato à adopção, gostaria que explicasse melhor a questão das cunhas na adopção, tem conhecimento de casos específicos ou está só a generalizar e a falar do diz que disse? é que me parece muito convicto, que tal especificar e denunciar os casos que conhece?

 

É claro que o Luís se escapou pela tangente, que não, que não conhecia casos, mas que de todos modos, isso não era crime, opinião em que foi depois apoiado por outro participante.

 

É claro que é crime, quem é capaz de entregar uma criança a alguém através de uma cunha, também é capaz de saltar o processo de avaliação, por exemplo.

 

Nunca tive jeito para as cunhas, não sou capaz, mas sei olhar à volta, e sei sentir quando fui ultrapassado por alguém que meteu uma cunha, e quanto a mim, isso acontece vezes de mais. A cunha é uma instituição neste país, tudo se faz com cunhas, desde arranjar emprego para o filho, passando por arranjar lugar na escola à que não se tem direito, até vagas para cirurgias nos hospitais.

 

Onde nos leva tudo isto?, numa sociedade normal as pessoas surgem por mérito, os lugares mais importantes são ocupados pelos mais capazes, numa sociedade por cunhas, os lugares mais importantes são ocupados por quem tem mais cunhas, ou seja, a maior parte das vezes leva a incompetência até ao topo.  ....se calhar isto explica muitas coisas. 

 

Quem entrega uma criança a quem não o merece deixando para trás pessoas capazes e correctamente avaliadas, está a cometer um crime. Há todos os anos dezenas de rejeições de crianças, crianças que passam por um segundo abandono, será que já alguém investigou o porquê isto acontece?, quantos destes "pais" obtiveram essa criança através de uma cunha?

 

Hoje lia-se no Público que o ministro  das obras públicas quer criar um grupo de trabalho contra a corrupção, ora, deveria criar um contra as cunhas, porque é por aí que começa toda a corrupção

 

Eu não estou louco, isto é crime!...certo?

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:57

O São Martinho, as castanhas e as lendas

por Jorge Soares, em 11.11.09

castanhas.jpg

 

Hoje é dia de São Martinho, dia de comer castanhas e de provar o vinho, não guardo grande memória de magustos, na Venezuela não havia castanhas e num país em que é verão o ano inteiro, nunca ninguém ouviu falar do verão de São Martinho.

 

Na verdade, para mim este dia recorda-me uma enorme solidão, estava em Lisboa, vivia num quarto, lembro-me de ser dia de São Martinho e ir do IST para São Bento a pé. Não sei porquê,  mas recordo-me de uma Rua de São Bento completamente deserta, talvez por isso dei por mim a pensar que naquele momento os meus pais estariam em casa a festejar o dia e a comer castanhas. Senti uma enorme solidão, uma sensação de não ser de ali, nem de lá, de não ser de lado nenhum.

 

Este é um dia de lendas, há a lenda do Santo, que no inicio era soldado e que um dia de Novembro, muito frio e chuvoso, estando em França ao serviço do Imperador, ia Martinho no seu cavalo a caminho da cidade de Amiens quando, de repente, começou uma terrível tempestade. A certa altura surgiu à beira da estrada um pobre homem a pedir esmola.


Como nada tivesse, Martinho, sem hesitar, pegou na espada e cortou a sua capa de soldado ao meio, dando uma das metades ao pobre para que este se protegesse do frio. Nessa altura a chuva parou e o Sol começou a brilhar, ficando, inexplicavelmente, um tempo quase de Verão.

 
A origem do magusto não é muito clara, mas há quem acredite  que é o vestígio dum antigo sacrifício em honra dos mortos e refere que em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babada dos defuntos”. .... felizmente já ninguém se lembra desta ultima parte, é muito mais lógico serem os vivos a comer as castanhas.
 
Quanto ao já famoso verão de São Martinho que é suposto instalar-se por estes dias, lembro-me de algures ter visto um metereologista explicar que mais ou menos por esta altura o nosso anticiclone costuma deslocar-se e permanecer uns dias de forma a impedir a entrada de massas de ar, o que nos costuma trazer um inicio de Novembro soleado, cruriosamente em França, lugar de origem do Santo, costuma chover e até nevar, o que só prova que ninguém é profeta na sua terra.... isso ou o anticiclone não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo
 
Fonte Municipio de Mirandela
 
Jorge Soares

publicado às 21:18

 Discriminação e preconceito

Imagem da internet

 

"O grande problema é que a maioria dos preconceitos têm por base a ignorância, o total desconhecimento do que verdadeiramente está por detrás de alguns estereótipos e acima de tudo uma grande falta de respeito pelo outro e total convencimento de que nós "os heterossexuais" é que somos os verdadeiros e merecedores de total respeito. E infelizmente isto não se passa apenas com a sexualidade! O que é diferente… é menor! Muitas pessoas só realmente entenderão algumas coisas se um dia tiverem alguém que amam verdadeiramente, por exemplo um filho, e este for alvo de preconceito, discriminação, ideias absolutamente estereotipadas… e cuidado… porque para ser alvo de tudo isto nem precisa ser homossexual, basta ser deficiente físico, mental… entre muitas outras coisas… 

 

 Infelizmente muitas pessoas continuam amarradas nos seus fantasmas (Uuuii que horror homossexual…. Ainda se pega!!!) que lhe foram incutidos socialmente e que nunca pararam para questionar e testar a validade dos mesmos. Mas enfim… ainda nos falta muito quando falamos de verdadeiro respeito pelo OUTRO!"

 

Telma Sousa no Blog Vila Forte

 

Como é bom de ver, este comentário foi feito a propósito da discussão sobre o casamento entre homossexuais, mas eu lembro-me de ter dito e/ou lido palavras muito parecidas com estas a propósito uma discussão muito diferente, mas que no fundo tratava do mesmo, discriminação. Foi há uns dois anos atrás quando no grupo de mail nós adoptamos se discutia o facto de haver muita gente que só quer adoptar crianças brancas e que se recusa sequer  a aceitar que uma criança é uma criança e todas merecem amor e carinho. Nessa altura senti que no fundo, era o meu filho que estavam a rejeitar, foi quando escrevi este post

 

Se há coisa que não suporto é a discriminação, seja ela do tipo que for, na altura fiquei irritado com o mundo, fora de mim. Toda esta discussão sobre família e casamentos já não me consegue irritar, hoje dei por mim a rir-me de alguns comentários no post do Vila forte, há argumentos que que só podem ser mesmo anedota, mas tudo isto me deixa muito triste, porque entre as parvoíces de uns e os argumentos mesquinhos de outros, pouco a pouco vou descobrindo que vivo num mundo muito mais conservador e virado para o seu umbigo que aquilo que eu podia imaginar e só me pergunto contra quê arremeterão a seguir.


Acho que foi Bretch que disse estas palavras:

 

Primeiro vieram buscar os Judeus,

não me importei, eu não sou Judeu

depois foram  os ciganos, 

não me importei, não sou cigano

Depois vieram buscar os comunistas 

Não me importei.

Não era comigo.

Quando vieram buscar os socialistas

Não me importei.

Não era comigo.

Quando vieram buscar, os padres, os homosexuais...

Não me importei.

Não era comigo.

Quando me vieram buscar a mim,

Já era tarde demais!, não restava ninguém para se importar!

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:21

Muros, eles continuam a existir!

por Jorge Soares, em 09.11.09

Muro de berlim

 

Foi há 20 anos que caiu o muro, o mais famoso dos muros, o que ficará para a história porque dividiu o mundo entre os bons e os maus, não sei bem de que lado estavam uns e de que lado estavam os outros, mas estavam separados por aquele muro, que naquele dia, há precisamente 20 anos, caiu. 

 

Com ele caíram muitas coisas, muitas certezas, muitos medos, muitas mentiras, muitos ideais e para muita gente nasceu uma nova era, uma era melhor.

 

A verdade é que aquele muro caiu mas há muitos outros que crescem todos os dias, quase todos separam mundos, todos sem excepção separam pessoas, vejamos em imagens:

 

Alguns são reais, como o que separa a Palestina de Israel

 

Muro da Palestina

 

Ou como este que separa quem vive, de quem sobrevive

 

Muros que separam quem vive de quem sobrevive

 

Outros são enormes, não os vemos, mas também não vemos o que está por trás deles, coisas como estas que não queremos ver, o mundo da indiferença

 

O que não queremos ver

 

Outros estão dentro de nós, dentro de mim, dentro de ti, dentro de cada um de nós, são os muros que nos impedem de ver que há mais mundo e mais ideias para além das nossas. O mundo da dicriminação

 

amor em branco e negro

 

A verdade é que vivemos entre muros, alguns bem mais assustadores que aquele que foi destruído há 20 anos atrás, porque é graças a esses,  que mais tarde ou mais cedo se termina por construir outro daqueles, e de novo iremos viver entre os bons e os maus, sem importar muito de que lado estão uns e outros.

 

Jorge Soares

PS:Imagens da internet

publicado às 21:38

O país do faz de conta

por Jorge Soares, em 08.11.09

O país do faz de conta

 

Há bocado lia este post da Abigai e voltei muito atrás no tempo, até aqueles dias em que olhava para Portugal com os olhos dos meus pais, e através dos olhos deles, olhava para um país que há muito não existia. Quando mudamos de lugar levamos connosco uma fotografia de aquele momento e é assim que o recordamos, entretanto a vida segue, os países mudam, evoluem, melhoram ou pioram, mas para nós continuam a ser aquele lugar maravilhoso que guardamos na memória.

 

Entretanto voltei para cá  e como a Abigai, tive que enfrentar a realidade de um país que não conhecia, ideias, mentalidades, usos e costumes, uma nova vida à que me fui habituando. Mas há coisas que resistimos em ver, quando se fala de insegurança e corrupção, eu teimo em continuar a ver aquele ideal, principalmente porque a realidade de onde vinha era de tal forma violenta que acho sempre que por cá, e como dizia neste post, continuamos  a viver no céu.

 

Este ultimo ano foi terrível para as minhas convicções, primeiro foi o caso BPN que arrastou para a lama uma boa parte do PSD, depois foi o caso Freeport que chapinhou o Primeiro ministro e bastante gente à sua volta, depois foi aquela trapalhada toda do PSD antes das eleições, agora foi o caso das sucatas, que mostrou o lamaçal em que vivem as empresas públicas e de novo mostra que o estado vive num mar de negociatas e compadrios.

 

Vivemos sem dúvida no país do faz de conta,  vejamos:Eu faço de conta que vivo num país de gente séria. Durante muito tempo o Presidente da República e o PSD fizeram de conta que no BPN não se passava nada. Depois o Primeiro Ministro e o PS fizeram de conta que no freeport não se passava nada e aquilo não era nada com eles. De novo o Sr. Cavaco Silva a fazer de conta que o país era parvo e a lançar noticias e suspeições, agora, segundo esta notícia do Publico, durante 4 meses o Procurador Geral da República esteve a fazer de conta que não se passava nada e a deixar passar as eleições para mandar investigar o caso das sucatas.

 

Digam lá se Portugal não está convertido no país do faz de conta? 

 

Jorge Soares

 

 

publicado às 21:30

 

Apareceu vivo no seu próprio funeral

Imagem do Público

 


.... al cabo de unos dias
de haber desaparecido
encontraron unos huesos
huesos muy parecidos
le hicieron un gran velorio
le rezaron la novena
le perdonaron su deuda
y lo enterraron con ella


Y no estaba muerto, estaba de parranda

 

Há bem mais de 15 anos que não ouvia a música, curiosamente este verão durante as férias voltei a escutar. Pelos visto há músicas  que se tornam realidade,  ontem quando via o telejornal e deram a noticia o primeiro que me ocorreu, foi:

 

Y no estaba muerto, estaba de parranda.... e não estava morto, estava a festejar!

 

Podem ler a noticia no Público online

 

Ademir Jorge Gonçalves passara afinal aquela noite num bar de estrada a beber cachaça com amigos e só soube que tinha sido dado como morto no dia seguinte quando – como é hábito no Brasil – já decorriam as cerimónias fúnebres, explicou a sobrinha do suposto finado, Rosa Sampaio, ao jornal brasileiro “O Globo”.

Já o velório decorria há cinco horas quando Ademir apareceu na funerária, às 8h da manhã (locais) e se identificou como sendo a pessoa que estava a ser velada pelos familiares.

 

Ora, entre estar morto ou a beber uns copos, até eu preferia estar nos copos!

 

Para quem gosta de dançar, aqui fica o vídeo

 

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:15

Referendar o quê? a discriminação!

por Jorge Soares, em 05.11.09

 Referendar a discriminação!

 

Já fez um ano que sobre casamentos disse, neste post, o seguinte:

 

"Para mim o facto de viver em sociedade significa que os meus direitos terminam exactamente onde começam os das pessoas que me rodeiam e evidentemente  espero que o resto do mundo se comporte assim quando olha para mim. Dito isto, a mim faz-me alguma confusão que a discussão da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo levante tanta poeira. Do meu ponto de vista, a pessoa com quem nos queremos casar é algo do foro pessoal, quando eu me casei com a P. só lhe perguntei a ela se  queria casar comigo, porque só  ela e a mim nos interessava o assunto, não me passou pela cabeça perguntar a mais ninguém e muito menos que haveria uma lei que permitiria ou não o casamento."

 

Esta semana dei por mim incrédulo a ler noticias em que alguém sugeria um referendo para decidir sobre este assunto, desculpem?... um referendo???!!!!!...  mas estamos parvos ou quê?

 

Sempre achei todo este assunto uma questão de discriminação, cada vez me faz mais confusão porque é que o facto de duas pessoas se casarem pode incomodar tanta gente? E acho ainda mais ridículo aqueles que dizem que essas pessoas até podem viver juntas e ter direitos, mas não se podem casar... afinal, que diferença faz um papel? O que os incomoda é o facto de as pessoas assinarem um papel? E querem fazer um referendo para ver se eles podem ou não assinar o papel?, mas estão todos parvos ou quê?

 

Nestes dias nos comentários deste post  do Pedro no Vilaforte, alguém falava da perca do  conceito de família,  repito aqui o que disse lá:

 

Para mim o conceito de família não tem nada a ver com casamento, sempre existiram famílias muito antes de existirem casamentos, o casamento é só um papel, um contrato assinado entre duas pessoas, que é perfeitamente dispensável para qualquer família. O que define o conceito família não é o papel que as pessoas assinaram, é a partilha e a convivência e para isso não é preciso papel nenhum assinado.

 

Toda esta discussão à volta dos direitos das pessoas a casarem-se ou não, não passa de conservadorismo triste e de um enorme sinal de que existe neste país muita gente que se escuda em supostos valores para discriminar quem não pensa ou age de acordo como eles. E pensava eu que tudo isso tinha acabado há 35 anos atrás, há coisas que demoram mesmo muito tempo a mudar.

 

Evidentemente esta sugestão de referendar este assunto é de quem já esgotou os argumentos válidos para poder discutir e se tenta socorrer do suposto conservadorismo do povo para impor os seus pontos de vista.

 

Aceitam-se sugestões para  coisas que não interessam a ninguém para serem referendadas.

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:33



Ó pra mim!

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