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Nós podemos até nem gostar do homem, podemos duvidar da sua honestidade, podemos desconfiar que está metido até às orelhas no caso Freeport, que mentiu no caso TVI, que tem amigos pouco recomendáveis e metidos em negócios de sucata, que está a levar o país bem ao fundo em época de crise, mas há limites para tudo.

 

Este foi sem duvida um momento muito triste, não sei o que estava a passar pela cabeça do apresentador, que foi sem duvida pouco sério e profissional, há coisas com as que não se brinca... e não, eu não tenho pena nenhuma do Primeiro Ministro.

 

Update: Entretanto saiu a noticia do pedido de desculpas pelo sucedido, podem ler aqui

 

Jorge Soares

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publicado às 22:17

Altar para o papa em Lisboa

 

Imagem do Público

 

 

Não me lembro de ter convidado o papa a vir a Portugal, nem tal coisa me passaria pela cabeça, afinal eu sou ateu e se há instituição que eu dispensava mesmo era a igreja católica, papa incluído evidentemente.

 

Mas se é verdade que eu não o convidei, não deixa de ser verdade que mesmo sendo ateu, mesmo sendo completamente indiferente à vinda do senhor, a verdade é que queira ou não queira, esta visita vai-me custar dinheiro,  e vai-me custar a mim, a si e  a todos nós, porque é dos  impostos de todos nós  que vai sair uma boa parte dos muitos milhares de Euros que estes 3 dias vão custar ao estado. A outra parte vai sair dos cofres da igreja, que de certeza não tem mais nada que fazer ao dinheiro.

 

Para a missa que se vai celebrar no Terreiro do Paço em Lisboa, vai ser erguido um altar que vai custar a módica quantia de 200 mil Euros (ver noticia do Público), durante mais ou menos uma semana o lobby da igreja tentou tudo e mais alguma coisa para que a câmara de Lisboa se chegasse à frente com o dinheiro,  mas foi em vão, logo será a igreja  a pagar 200 mil euros que servirão para uma estrutura que será utilizada umas 3 ou 4 horas e depois será destruída ... isto faz algum sentido?

 

No Porto o lobby da igreja teve mais sucesso e será a Câmara Municipal a pagar a factura, ou seja, todos nós, porque o dinheiro sai dos impostos de todos nós.

 

Para além destes gastos, há que contabilizar a ida de um avião da TAP a Roma buscar e levar o senhor e a sua comitiva, que papa que se preze não viaja em Low Cost nem em voos normais. No outro dia vi uma noticia em que se explicava que um dos helicópteros da marinha estará à disposição do senhor para as viagens, ir de Lisboa a Fátima e de Fátima a Lisboa de carro é uma seca. A juntar a tudo isto, há que somar o preço da segurança e de tudo o resto que gira em volta de uma visita destas... dinheiro, muito dinheiro que irá sair dos bolsos de todos nós... 

 

Ora, para um país que está em plena crise, um país onde supostamente se tenta cortar na despesa a todo custo, um país em que os salários vão estar congelados até pelo menos 2013, um país em que o desemprego cresce todos os dias, um país em que se acabam de cortar os benefícios fiscais em despesas de educação e saúde, todos estes gastos não seriam desnecessários? ,Será que não dispensávamos tudo isto e utilizávamos este dinheiro em coisas que realmente fossem úteis? 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:04

 

A lei da rolha no PSD

 

Imagem do HenriCartoon

 

Durante muito tempo havia 3 temas que eram tabu neste blog, o meu emprego, futebol e politica, mas eu sou uma pessoa com opinião e ter opinião e não falar de politica é difícil mesmo, principalmente num país como o nosso em que a politica é um tema constante.

 

Este fim de semana era difícil passar ao lado do congresso do PSD, não porque ache que neste congresso se estivesse a decidir o que quer que fosse, o momento actual deste partido é tão mau que dificilmente serão capazes de ter uma campanha em que consigam mostrar ao país o que quer que seja e muito menos capacidade de governar... e para amostra, basta ver as ultimas sondagens.

 

Curiosamente a única parte que ouvi em directo foi o discurso de Fernando Costa, um discurso directo e sem papas na língua. Para muitos terá sido boçal e até ofensivo, mas a verdade é que naqueles 15 minutos foram ditas muitas coisas, muitas verdades, muitas coisas que pelos vistos se diziam pelos corredores e pelos bares, mas que supostamente não se podiam dizer em publico. Há quem não tenha gostado, há quem o tenha achado inútil e baixo, eu achei o momento divertido.

 

Hoje li algures que não serviu para nada, não estou de acordo, os notáveis não terão gostado, mas os partidos são feitos principalmente pelo povo e não são aquelas dezenas de pessoas que estavam no congresso que vão eleger o próximo líder.. é o povo do partido, e eu diria que o povo gostou...e que o Passos Coelho deu um passo em frente.

 

Mas no fim, tudo isto deixou de interessar, por sugestão de  Santana Lopes, foi aprovada uma norma que impede os militantes de emitirem opiniões contrárias às da direcção do partido nos 60 dias anteriores às eleições, a lei da rolha em versão cor de laranja.

 

Curioso este PSD, sobretudo se nos lembrarmos da historia do défice democrático, e  das entrevistas aos jornalistas na comissão de ética, e da recente votação para a criação de uma comissão que vai averiguar a participação do governo numa suposta tentativa de controlo de meios de comunicação social. E é ainda mais curioso que o mentor tenha sido o Santana Lopes, quando há bem pouco tempo se falou inclusive de uma possível divisão do PSD e da fundação de um novo partido liderado por ele.. e quem mais que ele criticou as duas ultimas lideranças do partido? Será o PSD um partido com memória curta? Ou é mesmo o partido em que se suspenderia a democracia por um periodo de seis meses?

 

Também achei engraçadas as posições dos 4 candidatos a líder, os 4 são contra... ora, sendo os 4 contra, e estando todos no congresso com os seus apoiantes, como é que a norma passou com uma tão grande diferença de votos? Para candidatos a líder do partido, quer-me parecer que tem pouco poder de arraste.

 

 

Quem não viu o discurso de Fernando costa, pode ver aqui: a primeira parte, a segunda parte, a terceira parte

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:37

Bullying, a morte não pode ser a solução

por Jorge Soares, em 14.03.10

Violência nas escolas

 

 Professor vítima de bullying preferiu morrer a voltar ao 9º B

 

"Na véspera das aulas com aquela turma, Luís ficava nervoso. Isolava-se no quarto e desejava que o amanhã não chegasse. Não queria voltar a ouvir que era um "careca", um "gordo" ou um "cão". Não queria que o burburinho constante do 9.º B e as atitudes provocatórias de alguns alunos continuassem a fazê-lo sentir aquela angústia. O peso no peito. O sufocante nó na garganta. Luís não era um aluno. Tinha 51 anos e era professor de Música na Escola Básica 2.3 de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra. Era. Na semana antes do Carnaval, decidiu que não voltaria a ser enxovalhado. Pegou no carro e parou na Ponte 25 de Abril. Na manhã do dia 9 de Fevereiro, atirou-se ao rio."

 

Era assim que começava a noticia no público na passada sexta feira, definitivamente o Bullying é um tema que veio para ficar, mas esta noticia mostra-nos que a violência física e psicológica não atinge só as crianças, atinge também professores e restantes funcionários das escolas.

 

Mas há várias coisas neste caso que me deixaram perplexo, em primeiro lugar, segundo uma outra noticia do ionline o suicidio ocorreu a 9 de Fevereiro, mas só agora, após o caso virar noticia na comunicação social, o ministério da educação decidiu abrir um inquérito... isto quando era publico entre alunos e professores da escola que a situação era insustentável. O professor tinha feito pelo menos sete queixas à direcção da escola, queixas estas que não resultaram em nada... quer dizer, em nada não...  resultaram na morte de um professor.

 

Ainda voltando à noticia do publico, podemos ler o seguinte que foi dito por um dos alunos da turma em questão:

 

"Portava-me sempre mal, mas não era por ser ele. Somos assim em todas as aulas, é da idade", reconheceu um dos alunos que tiveram mais participações por indisciplina.

 

Da idade? desculpa?... da falta de educação, que não há idade que desculpe uma coisa destas, e depois foi caricato ouvir alguns dos pais das criancinhas, indignados porque eles é que eram as vitimas....

 

Definitivamente há algo de muito errado na nossa sociedade, não há nada que justifique a indisciplina e a falta de respeito nas aulas, assim como não há nada que justifique a violência sobre os colegas. Há sim uma enorme falta de educação e uma enorme irresponsabilidade por parte de pais que não vêem ou não querem ver que estão a criar uma geração que não respeita nada nem ninguém...  

 

Há uns tempos, neste post, escrevi uma frase que alguém retirou e que foi colocada em alguns blogs de professores, começo a perceber porquê, foi esta:

 

Hoje eles não respeitam os professores

porque já não respeitam os pais

e amanhã não vão respeitar ninguém.

 

Acho que está na altura de nós, como pais, como responsáveis pela educação de toda uma geração, comecemos a pensar o que estamos a fazer de errado, porque não tenham dúvida, a culpa é nossa, não é de mais ninguém. E chegou a altura de fazermos algo, porque a morte,  esta ou a do Leandro, não pode ser a solução.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:03

A Doida e os Miúdos

por Jorge Soares, em 13.03.10

Certa noite, Sagüi acordou em sobressalto, ao barulho de alguém que resmungava. Mirrou-se mais contra as pedras, tapou a cabeça com a manta de retalhos. Mas a voz trespassava a roupa, tanto como os baques do coração sob a caverna do peito. «Quem seria, àquela hora?... Talvez ladrão que descobrira o esconderijo da fruta, ou espião mandado pelo senhor Castro».

A voz, aguda e áspera, parecia de mulher. «Se calhar era algum dos companheiros disfarçado, por brincadeira... » Espreitou por um rasgão da manta.

A fraca claridade da lua definia um vulto escuro, estendido sobre monte de caliça, como que à espreita também. Sagüi sentiu saudades da palhota da vinha em que dantes dormia, e onde nada mais chegava que latidos de cães.

«...E se aquele vulto fosse de cão raivoso?» Um calafrio gelou-lhe o corpo e as pedras da cama. «Não. A voz era de mulher.» Ouvia agora gemidos abafados e palavras sem nexo... Depois, o silêncio pesou-lhe nas pálpebras. Fechou os olhos, esquecido; mas logo voltou a fixá-los no vulto imóvel. Por fim, cansado, adormeceu profundamente.

Quando acordou, o dia dormitava ainda, e o vulto também. Aproximou-se dele. Era a Doida. Ao primeiro impulso pensou em fugir, antes que ela tivesse algum daqueles ataques em que corria, à pedrada e aos gritos, os garotos da rua. Mas viu-lhe o rosto pálido, empastado de sangue. Lembrou-se da mulher que veio na lancha, chorosa, a engalhar o menino morto – e apiedou-se.

Levemente, estancou-lhe a ferida com um trapo molhado. Ela abriu para ele os olhos tontos, susteve-o nos braços, chamou-lhe meu menino. Sagüi quis libertar-se daquelas mãos frias que o afagavam; mas, por medo, deixou-se embalar como criança de colo, fitando a Doida, de esguelha. Pelo decote da blusa, via-lhe o seio muito branco e uma nódoa negra no pescoço.

– Estás tão crescido, meu menino...

O sorriso dela era um esgar de amargura. Sagüi esboçou uma carícia que se perdeu no ar, e voltou mais a cara para o lado. Os olhos, porém, continuavam hipnotizados pela nesga do seio. Contra vontade, a mão prendeu-se também no decote, trémula e suplicante... A Doida beijou-o. E ele esqueceu-se que era menino ao colo de mãe...

No dia seguinte, Sagüi não vendeu fruta. Mas os companheiros andaram pelas portas, como de costume.

– Quer laranjas? Uma dúzia dez tostões.

– Se calhar são roubadas...

Gaitinhas corava sempre, enquanto que os companheiros protestavam:

– Nã sou ladrão. Fui comprá-las às Areias.

Guedelhas palmilhava três quilómetros de estrada, para vender a fruta toda noutra vila, de manhã. Depois, ia treinar-se com bolas de trapos, crente de que em breve lhe dariam admissão no clube desportivo. Os outros acompanhavam-no, ou então jogavam o chinquilho no Mirante.

Foi lá que Sagüi lhes falou, embaraçado, com olheiras profundas no rosto.

– Hoje nã vendi nada...

– Tás doente, pá?

– Não. Andaram uns gajos a ver a capela.

O bando assustou-se.

– Disseram-te alguma coisa?

– Perguntaram só se eu morava ali. O melhor é arrecadar as laranjas noutro sítio.

– Adonde?

– No telhal do Zé Vicente.

– Tás parvo. Qualquer dia vão pra lá arranjar o forno...

Gineto pôs termo à discussão. – Mudam-se logo à noite, pronto.

– É melhor de dia – contestou Sagüi. – Se os gajos desconfi aram, são capazes de lá aparecer logo, outra vez.

Gineto começou a duvidar das palavras atabalhoadas do pequeno companheiro.

«Outra história» – pensou.

Seguiu-lhe as passadas toda a tarde. Viu-o entrar na capela com embrulhos misteriosos, e depois correr as ruas como que à procura de alguém. Entusiasmado pela perseguição, escondeu-se atrás dumas pedras, entre ruínas, e, enquanto esperava, desejou ser polícia, mais do que ladrão de fruta. Um polícia assim como o «Rei dos Cow-Boys», que fazia justiça por

suas mãos, nas fitas de cinema.

Mas Sagüi apareceu com a Doida, que ria e gesticulava. Da boca do Gineto quase se desprendeu um assobio de pasmo, tão longe estava daquele desfecho.

«Ai o gajo!... Misturado com a Doida sem dizer nada aos amigos...». Riu-se.

«E a comer com ela as laranjas da quadrilha...».

Não sossegou enquanto não falou ao Sagüi.

– Atão tu, grande impostor, inganchas-te na Doida e vens pra cá enganar a gente.

– Eu?!

– Nã te faças de novas, que eu vi vocês dois, na capela.

Sagüi embatucou por momentos.

– Tive medo que tu lhe fizesses mal... A gaja até faz pena. Olha que às vezes nem parece que é maluca.

– Eu só quero é trincar também. Já sabes... – declarou Gineto, impaciente.

– Mas não digas aos outros...

– Digo nada.

Uma semana depois, todos os componentes da quadrilha gastavam os lucros do negócio em prendas para a Doida.

 

Soeiro Pereira Gomes, In Esteiros

 

Retirado de Contos de Aula

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publicado às 20:52

Sobre a homossexualidade e a pedofilia na igreja

por Jorge Soares, em 11.03.10

Pedofilia na igreja católica

 

Esta semana foi pródiga em noticias sobre a igreja católica, o Publico  dá conta da indignação do governo Alemão pela forma como a igreja trata os problemas da pedofilia que existem no seu seio. Na mesma noticia podemos ler que 18 das 27 dioceses alemãs estão a ser investigadas por suspeitas de abusos sexuais, num dos casos mais recentes está a ser investigado o abuso reiterado durante anos de crianças de um coro infantil, sendo que o irmão do papa foi reitor da instituição durante um período do tempo em que alegadamente ocorreram estes abusos.

 

Esta outra noticia no Ionline implica um alto dirigente do Vaticano na compra de serviços homossexuais, sendo que o intermediário foi um dos membros do coro do Vaticano, ele mesmo um prostituto.

 

Há bem pouco tempo, foi este artigo do the Guardian que implica o próprio Ratzinger, na altura cardeal e agora Papa, no envio de uma carta a todos os bispos e que ordena sob pena de excomunhão, o silêncio sobre todas as investigações de abusos de crianças por parte de membros da igreja. No entretanto surgiram denuncias de abusos sexuais na Áustria, na Irlanda,  na Holanda e não foi assim há tanto tempo o escândalo que abalou a igreja norte americana.

 

Na maioria dos casos são denuncias de abusos e maus tratos que se deram de forma continuada durante anos e anos, abusos que em muitos dos casos foram cometidos não por uma pessoa mas por um grupo de pessoas e ignoradas ou mesmo silenciadas por quem está à volta.

 

É para mim evidente que há algo de errado com a igreja católica, como é que uma instituição que se diz guardiã da moral e dos bons costumes, pode ter no seu seio tanta gente que tanto mal causa a crianças? Como é que se pretende silenciar tanto sofrimento causado a tantos?

 

Há bem pouco tempo vimos a forma como a igreja portuguesa foi tão feroz na sua cruzada contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e contra a homossexualidade, vimos e ouvimos bispos e cardeais a bater no peito como guardiãs da instituição família e até o Papa veio a terreiro falar do assunto. Então e se antes de virem a publico falar da família e pretender dar pretensas lições de moral, eles se debruçassem sobre o quehá de errado na sua instituição de modo a que este tipo de coisas não aconteça?

 

O que será necessário para que a igreja e o  mundo católico que a rodeia façam um mea culpa e uma reflexão sobre o que está errado e o tente corrigir? o que será necessário para que a igreja deixe de ser um mundo de homens sozinhos e reprimidos?

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:19

 

O velho que lia romances de amor - Luís Sepúlveda

 

 

Algures na Selva amazónica onde só os barcos chegam, vive António José Bolivar, um homem idoso que aprendeu a viver na selva com os indios Shuar. Depois de viver quarenta anos na selva longe do mundo onde nasceu e cresceu, os livros são o seu bálsamo que lhe permite enfrentar a dura realidade do mundo que o rodeia.

 

É em torno do velho José, da pobre aldeia perdida na selva em que vive e dos seus habitantes, que se desenrola a historia. Um dia o rio traz um cadáver de um gringo, rapidamente há quem tente culpar os índios da sua morte, mas o Velho António José sabe que não foram os índios e sabe também que haverá mais mortes, porque um animal acossado e no seu ambiente natural é um inimigo terrível.

 

Este é o mais conhecido dos livros do autor chileno Luis Sepúlveda, O velho que lia romances de amor foi  dedicado a Chico Mendes, morto numa emboscada por defender a floresta e os direitos das tribos amazónicas.

 

A grande floresta amazónica, um dos locais do mundo onde sobrevivem espécies raríssimas de fauna e flora é o verdadeiro protagonista do romance, cuja mensagem é transmitida pelos olhos de António José Bolívar, o velho eremita que vive na floresta e que lê romances de amor. 

 

Este é um excelente livro de um autor que tem um enorme sucesso no nosso país, ao melhor estilo do Realismo Mágico, a escrita descritiva leva-nos até ao interior da selva e à alma das personagens, quase que conseguimos sentir o calor húmido e os cheiros intensos que caracterizam a selva.

 

Sinopse

 

Sinopse: "Antonio José Bolívar Proaño vive em El Idilio, um lugar remoto na região amazónica dos índios shuar, com quem aprendeu a conhecer a selva e as suas leis, a respeitar os animais que a povoam, mas também a caçar e descobrir os trilhos mais indecifráveis. Um certo dia resolve começar a ler, com paixão, os romances de amor que, duas vezes por ano, lhe leva o dentista Rubicundo Loachamín, para ocupar as solitárias noites equatoriais da sua velhice anunciada. Com eles, procura alhear-se da fanfarronice estúpida desses gringos e garimpeiros que julgam dominar a selva porque chegam armados até aos dentes, mas que não sabem enfrentar uma fera a quem mataram as crias. Descrito numa linguagem cristalina e enxuta, as aventuras e emoções do velho Bolívar Proaño há muito conquistaram o coração de milhões de leitores em todo o mundo, transformando o romance de Luis Sepúlveda num "clássico" da literatura latino-americana."

 

Jorge Soares

 

 

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publicado às 21:49

Ainda o dia internacional da mulher

por Jorge Soares, em 09.03.10

 

A fazer pela vida

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Ontem e a propósito do dia da mulher, a conversa no messenger com uma amiga da blogosfera, foi mais ou menos assim:

 

Jorge says:

há mesmo quem festeje não é?

Amiga says:

 aqui os restaurantes estão à pinha

Jorge says:

 não consigo perceber

Amiga says:

 nem eu..grrrrrrr

 acho uma palhaçada

Jorge says:

 é mesmo

 porque amanhã volta tudo ao normal

 e ninguém mais se lembra

Amiga says:

 é um dia em que as mulheres aproveitam para se soltarem

 aquelas que vivem presas

 e quando mete sTripers masculinos,,,ui ui

Jorge says:

 lol

 mas isso não há o tempo todo?

Amiga says:

 mas hoje para aquelas que raramente saiem é uma maravilha

 em situações normais nunca iriam

Jorge says:

 estranho este mundo, em que as pessoas precisam de ter dias para se soltarem

 hummm..belo tem para um post

 

Já disse aqui que sou contra os dias, contra este e contra a maioria, porque na maioria dos casos as pessoas além de que não fazem ideia do que está na sua origem, terminam por desvirtuar o seu significado e estes convertem-se em mais um dia de incentivo ao consumo.

 

O dia da mulher foi instituído porque durante muito tempo o papel da mulher na sociedade era menosprezado pelo homem, durante séculos a mulher estava condenada a ter um papel secundário que a remetia para a cozinha e os fundos da casa. Durante a revolução industrial a mulher foi incorporada na mão de obra activa nas grandes fábricas, mas quase sempre em condições insalubres com jornadas de trabalho intermináveis e salários de miséria.

 

Estas condições levaram a que no inicio do século XX nos Estados Unidos surgisse um movimento de protesto que levou a que o primeiro dia da Mulher fosse festejado a 28 de Fevereiro de 1908. Em 1910 celebrou-se a primeira conferência internacional da mulher e foi determinada a existência do dia internacional da mulher. Mas é só em 1975 que o dia é oficializado pela ONU e passa  a ser festejado a 8 de Março.

 

Eu entendo que as  mulheres queiram ter o seu dia, sou totalmente contra qualquer tipo de discriminação e tenho consciência de que ainda há muito por fazer até que seja atingida uma verdadeira  igualdade. Agora pergunto, durante o dia de ontem aconteceu alguma iniciativa que contribua para a diminuição destas desigualdades? O dia contribuiu em algo para melhorar as mentalidades?, Alguém fez algo para lutar contra um dos piores flagelos da nossa sociedade actual que tira a vida a dezenas de mulheres todos os anos, a violência doméstica? Alguém pensou sequer no assunto? 

 

Como bem diz a minha amiga,  este dia está convertido em mais um dia para o consumo...e é pena, porque há tanto por fazer... mesmo.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:37

Mulher

por Jorge Soares, em 08.03.10

Rosa amarela

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 BELLA,

 

como en la piedra fresca

del manantial, el agua

abre un ancho relámpago de espuma,

así es la sonrisa en tu rostro,

bella.

 

Bella,

de finas manos y delgados pies

como un caballito de plata,

andando, flor del mundo,

así te veo,

bella.

 

Bella,

con un nido de cobre enmarañado

en tu cabeza, un nido

color de miel sombría

donde mi corazón arde y reposa,

bella.

 

Bella,

no te caben los ojos en la cara,

no te caben los ojos en la tierra.

Hay países, hay ríos

en tus ojos,

mi patria está en tus ojos,

yo camino por ellos,

ellos dan luz al mundo

por donde yo camino,

bella.

 

Bella,

tus senos son como dos panes hechos

de tierra cereal y luna de oro,

bella.

 

Bella,

tu cintura

la hizo mi brazo como un río cuando

pasó mil años por tu dulce cuerpo,

bella.

 

Bella,

no hay nada como tus caderas,

tal vez la tierra tiene

en algún sitio oculto

la curva y el aroma de tu cuerpo,

tal vez en algún sitio,

bella.

 
 
Pablo Neruda
 
No geral sou contra os dias, contra este e contra todos os outros, está em nós fazer de todos os dias um dia especial para as pessoas que nos rodeiam, sejam elas mulheres, pais, filhos, amigos... de todos modos, deixo uma palavra de carinho a todas as mulheres do mundo.. que merecem, hoje  e em qualquer dia
 
 
Jorge Soares

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publicado às 21:41

As 7 maravilhas naturais de Portugal

por Jorge Soares, em 07.03.10

Serra da Arrábida e o portinho

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Eu estava indeciso entre voltar a falar do Bullying, até porque o comentário da Marta ao Post de sexta merece que lá volte e eu vou voltar, ou da adopção em Cabo Verde, que não tem nada  a ver com o que estamos habituados por cá e bem merece que se fale do assunto, entretanto decidi dar uma olhadela pelo Público online e encontrei o seguinte:

 

Revelados os 21 finalistas do concurso Sete Maravilhas Naturais de Portugal

 

Sou só eu que já estou farto desta história das sete maravilhas? Quando alguém diz as 7 maravilhas, já sejam elas do mundo antigo ou moderno, parece que limita o termo maravilha para estas sete coisas, fazendo com que tudo o resto seja desvalorizado e passe para uma segunda divisão, uma classe inferior com menos valor.  Ora se para as sete maravilhas do passado isto já poderia ser questionável, quando falamos de maravilhas actuais é completamente questionável, porque maravilhas da ciência e da tecnologia há aos milhares pelo mundo inteiro e qualquer eleição que escolha só sete pecará de certeza absoluta por deixar de fora sete mil.

 

Se tudo isto é válido para maravilhas construídas pelo homem, quando falamos de maravilhas naturais a situação piora de modo exponencial. O nosso país é todo ele uma maravilha natural de norte a sul, como é que alguém pode classificar mais ou menos maravilhosa uma parte da natureza fantástica que temos?

 

Olhando para a lista dos finalistas que copio abaixo, logo no primeiro item, florestas e matas,  e apesar de considerar realmente maravilhosas as 3 candidatas, já estive nas 3, eu pergunto, e então a Mata do Gerês? então e a serra da Freita?, e nas zonas Marinhas ou não Marinhas a Ria de Aveiro? e então e as Dunas de São Jacinto? e então as praias fantásticas e a perder de vista de Tróia?, e então e a Baia de Setúbal?, membro com direito de uma outra coisa que se chama as mais belas baías do mundo. E então alguém pode aceitar uma lista em que não esteja o vale do Douro?,e  o Douro internacional?..e de certeza que cada um de vós se irá lembrar de  mais sítios maravilhosos...

 

Maravilhas naturais é o que há mais no nosso país e quanto a mim, estão todas ao mesmo nível e qualquer tentativa de colocar rótulos vai sempre pecar por injustiça, porque vai desvalorizar tudo o resto.

 

 

Lista dos 21 finalistas:

 

“Florestas e Matas”:

Floresta Laurissilva

Mata Nacional do Buçaco

Paisagem Cultural de Sintra – Património da Humanidade

 

“Grandes Relevos”:

Paisagem vulcânica da ilha do Pico

Parque Natural da Arrábida

Vale Glaciar do Zêzere

 

”Grutas e cavernas”:

Algar do Carvão

Furna do Enxofre

Grutas de Mira de Aire

 

”Praias e Falésias”:

Pontal da Carrapateira

Portinho da Arrábida

Praia do Porto Santo

 

”Zonas Marinhas”:

Arquipélago das Berlengas

Ponta de Sagres

Ria Formosa

 

”Zonas Não Marinhas”:

Lagoa das Sete Cidades

Portas de Ródão

Vale do Douro

 

”Zonas Protegidas”:

Parque Nacional da Peneda-Gerês

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Reserva Natural da Lagoa do Fogo

 

Eu não penso votar, até porque não conseguiria escolher, mas para quem quiser, o site é aqui

 

Agora vou ali responder a uns comentários, que tenho umas dezenas em atraso.

Jorge Soares

 

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publicado às 20:53



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