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Poliamor

 

 

Normalmente às terças a P.  vê o Anatomia de Gray no canal 2, a seguir costuma dar uma entrevista com um escritor.. não sei como se chama o programa, eu estou no computador mas gosto de ir ouvindo.. na passada terça feira deixei-me estar... de repente dei por mim a ver a Ana Zanatti sentada com um grupo de jovens em animada conversa. O programa chama-se 7 palmos de testa e no site da RTP podemos ler o seguinte:

 

7 Palmos de Testa acontece só uma vez por mês. Dizemos “acontece” porque é um acontecimento. De cada vez, há sete pessoas que nunca vieram à televisão a dizer coisas que nunca se dizem na televisão – não por serem indiscretas e obscenas, mas por serem íntimas e verdadeiras.
Em vez de especialistas nas ditas conversas, pusemos lá amadores - daqueles que amam a vida perdidamente porque têm entre 16 e 22 anos. Foram escolhidos através de um blog.

 

Pela amostra daquele dia, os jovens foram muito bem escolhidos, jovens com ideias e com opinião sobre os assuntos de actualidade, jovens com mente aberta e com discurso seguro.

 

De repente a conversa vira para as relações, a Ana encara um dos jovens e diz o seguinte:

 

- Eu sei que você tem uma relação especial, uma relação poliamorosa, quer falar-nos disso?

 

E ele explica, ele vive com uma jovem, mas a relação é a três e os três amam-se entre si... a isso chama-se poliamor.

 

Atenção, não confundir com bigamia, não tem nada a ver e ele fez questão de explicar isso muito bem, na relação dele há um triângulo em que os três vértices se tocam, o que significa isso? Significa que para além de ele amar as duas e ambas o amarem, elas amam-se entre si, sendo que os três são livres de se o desejarem poderem estar com outras pessoas estranhas à relação sem que isto seja um problema para ninguém.

 

Reparem, ele falou de amor, falou de relação, acho que chegou a falar de confiança.... faz favor de não confundir com libertinagem, nada disso, é mesmo assim.... muito à frente... mesmo. A dado momento a Ana Zanatti perguntou o que poderia acontecer se em determinado momento no meio desta relação tão especial aparecesse um filho.. eu adorei a resposta dele.

 

- O que faz este tipo de relações tão especial, é que eu não faço ideia da resposta à sua pergunta!

 

É ou não é muito à frente?

 

Eu nunca tinha ouvido falar de tal coisa.... aqui entre nós que ninguém nos ouve.... não ouvi, mas acho que não me importava de ter ouvido... há uns 20 anos atrás .. é que isto é mesmo muito à frente. Eu fiquei curioso e fui ao google..  e descobri que existe até um Site.. o chama-se isso mesmo Poliamor...  e é cheio de coraçõezinhos. Mas o que importa é que tem uma definição para a coisa, vejam só:

 

Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo facto de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente.


O Poliamor pressupõe uma total honestidade no seio da relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela.

 

Mas o que gostei mesmo.. mas mesmo, foi isto:

 

... poliamor significa muitos amores, ou seja, a possibilidade de amar mais do que uma pessoa ao mesmo tempo.

 

Quem de nós não passou alguma vez na vida, horas a discutir se é possível ou não amar mais que uma pessoa ao mesmo tempo?  e aposto que todos concluímos mais que uma vez, que não, que não é possível.... pois  lamento dizer que estávamos todos enganados... é possível sim senhor, basta ser poliamoroso.

 

Fantástico como evolui o nosso mundo.

 

Já agora, o programa é interessante e mostra que nem tudo está perdido, ainda há jovens que pensam, que tem opinião..... e até boas ideias para o amor.

 

Update:Posts que referem este:Uma outra forma de amar - No Cantinho da Manu

 

Jorge Soares

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publicado às 21:57

 

A pedofilia na igreja católica

Imagem de aqui: https://1.bp.blogspot.com/_-M0KqG7Noxw/Sbxx9NVgptI/AAAAAAAAGVU/wPLeC21KIEU/s320/a.jpg

 

Ando há uns dias para escrever sobre isto, desde o fim da semana passada, era hoje, principalmente porque da parte da tarde enquanto desfrutava da beleza do aguaceiro sentado dentro do carro, ouvi algo que me deixou tão atónito que nem me consigo lembrar quem era a "eminência" eclesiástica que teve tal saída, dizia o senhor mais ou menos o seguinte:

 

"Existem países onde é obrigatória a denuncia destes casos à justiça e nesses países a igreja denuncia, nas nossas leis essa obrigatoriedade não existe, logo, a igreja não denuncia"

 

Fantástico, então e se eles souberem de alguém que não pertence à igreja e que comete este crime odioso... também não denunciam?

 

Entretanto ao dar uma olhadela pelos blogs que costumo seguir, encontrei este texto da Telma Sousa no Vila Forte, como dizia alguém num dos comentários, a Telma, para além de que escreve muito bem, diz o que há para dizer .. doa a quem doer.

 

Um post digno da rubrica:Coisas que eu poderia dizer, se conseguisse escrever assim.

 

A Igreja quer vendar-nos os olhos! Mas eu já não gosto de jogar à cabra cega!

 

Estava eu a pensar que o meu post desta semana ia ser sobre as alterações ao código de execução de penas e eis que de repente fico indignada ao escutar as declarações do Exmo Tarcisio Bertone, número dois do Vaticano e não poderia deixar de escrever sobre isso.

 

Juro que pensei… ah não devo ter ouvido bem… Não foi bem isto que disse… Mas não! Lamentavelmente escutei bem, tão bem que me deixou perplexa, diria mesmo furiosa, o que no meu actual estado pode ser crucial. Estas declarações são perigosas, perversas e têm certamente a intenção de desviar a atenção para o que tem vindo a público. O que está em causa e é verdadeiramente importante é o acto em si, o crime da prática do acto. Porquê a necessidade de vir afirmar a ligação entre a pedofilia e a homossexualidade? Qual é o objectivo?

Assim como porquê vir estabelecer a relação entre o celibato e a pedofilia? Não concordo com o celibato obrigatório (deveria existir o poder de escolha), mas isso não significa que os padres tenham maior propensão para a pedofilia.

 

A pedofilia é classificada, pela Organização Mundial de Saúde, como uma desordem mental e de personalidade do adulto, como um desvio sexual (que pode ter inúmeras causas) e estas desordens, parafilias, claro que podem existir em homossexuais, padres, bispos, psicólogos, médicos, economistas pais de família aparentemente exemplares, ou seja, transversalmente, independentemente da cultura, religião, orientação sexual, raça, e afins.

 

A pedofilia não está relacionada com a homossexualidade mas sim com uma perturbação da personalidade!

 

O que me choca é a aparente ligeireza com que a Igreja, nos seus maiores representantes, tem lidado com a situação. “… a igreja nunca colocou entraves à investigação de casos de pedofilia que envolvem sacerdotes…” Não me venham atirar areia para os olhos porque o tempo em que as pessoas eram instruídas para nada questionar já lá vai. È claro que a Igreja tudo faz para que fique dentro de “portas” estas e outras situações que ao longo dos anos teimam em querer ignorar. Aliás como disse um padre num debate “A roupa suja tem de ser lavada em casa”. Não, não tem Sr. Padre. Este tipo de roupa suja tem de ser lavado na justiça civil, tal como qualquer outro crime cometido por qualquer outro cidadão.

 

Mais algumas pérolas que me fizeram revolver as entranhas “Se um bispo sabe que um membro é pedófilo vai denuncia-lo e entregá-lo à justiça”. Quem diria? Não se tem notado!

“Existe total transparência da Igreja!” Nem comento!

 

“Existem documentos com regras claras sobre o que fazer quando se encontram padres pedófilos: entregar à justiça civil e à Congregação da Doutrina da Fé para decisão e no máximo eventual expulsão”. Pois, acredito que exista e fui ver no site, mas o problema est+a na aplicação do que está escrito! No máximo eventual expulsão??? Então e qual a opinião da Igreja quando este crime é cometido por qualquer cidadão? Estranho a mão leve nestas situações quando depois a mão é tão pesada para situações como alguém que só porque está divorciado já não pode ser padrinho de casamento ou de baptismo (mesmo que fosse vitima de violência doméstica… têm que aguentar… o sofrimento traz redenção e o perdão dos pecados).

 

Não é minha intenção ser desrespeitosa para com a Igreja e com os seus crentes. Tive uma educação católica, encontro-lhe sentido, existem valores muito importantes, mas penso! Questiono! E sem dúvida que existem muitas e muitas coisas que me provocam indignação e não me permitem assistir sem me insurgir.

 

E é por isso que da mesma forma com que me indignei com o que aconteceu reiteradamente ao longo dos anos na Casa Pia, com o conhecimento de muitos, também me insurjo com o que está a acontecer na Igreja, sobretudo pela arrogância de muitas das declarações e por nos quererem distrair. O assunto é demasiado sério e grave para manobras de distração!

 

Telma Sousa

 

 

Telma, obrigado

 

Jorge Soares

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publicado às 21:42

Já tenho idade para deixar de ser inocente II

por Jorge Soares, em 14.04.10

Plágio é crime

 

Retirado de http://www.blogdicas.com.br/fotos/2007/08/o-plagio-de-textos-dos-blogs.jpg

 

Foi há mais de um ano que a Cigana escreveu um post que tinha como titulo Plágio é Crime, um post em que se falava de  plágio na blogosfera e na internet, na altura achei aquilo um exagero e os comentários deram para uma saudável troca de ideias em que escrevi coisas como estas:

 

Na verdade é coisa que não me preocupa .. também não sei quem haveria de me querer plagiar! ou "Eu tenho um blog de fotografias.... de vez em quando olho para os logs e vejo que me chegam pessoas de blogs que eu nem sabia que existiam... vou lá e é alguém que utilizou uma das minhas fotografias e colocou o link .... devo ficar chateado ou orgulhoso?"

 

Quando contei à Cigana o que se estava a passar, ela não perdeu tempo a atirar-me com o post e os meus comentários da altura, hoje a Rita Tomás  nos comentários ao ultimo post fez o mesmo e quanto a mim muito bem... porque eu mereço.

 

Há quem diga que eu tenho mau feitio, que por vezes tenho, mas se há algo que sei reconhecer é que não sou dono da verdade e que a vida me pode ensinar que há mais formas de olhar para ela para além da minha... e desta vez, eu reconheço... se calhar não sou assim tão mau fotógrafo... e por vezes, o facto de alguém nos plagiar ou abusar da nossa boa vontade, pode ser motivo de raiva.... mesmo que como o António e a Sofia repetiram, esta não tenha sido bem uma situação de plágio.... foi mesmo inocência minha... ou como dizia a Flor... é a consequência de sermos bonzinhos.

 

Eu já disse isto nos comentários, mas vou repetir aqui para quem não leu, acreditem ou não, eu passei dois dias a remoer esta situação... e até dormi mal. No topo do blog há uma frase lapidar  "Viver é uma das coisas mais difíceis do mundo, a maioria das pessoas limita-se a existir!", limitar-me a existir teria sido deixar que utilizassem a fotografia depois daquele mail deles que considerei arrogante, seria passar o próximo ano a ver a minha fotografia em tudo quanto era sitio e em lugar de orgulho, sentir raiva pela arrogância deles... um ano é muito tempo..e eu gosto de sentir orgulho das coisas que faço... se dão raiva, é porque estão erradas... só me restava viver..e viver teria que ser dizer o que me ia na alma.. e foi isso que fiz.

 

Não vou discutir aqui quem tem razão ou não, quem leu o post de ontem percebeu que deixei a porta aberta a autorizar a utilização da fotografia, bastava que falassem comigo e discutissem as condições.. e cedia-a de forma gratuita... sim, eu sei, sou lírico e não aprendo nada... mas sou eu.

 

Consequência imediata de tudo isto... como dizia a minha meia laranja esta tarde, estou a fazer que paguem justos por pecadores, mas não só alterei o disclaimer do Blog, como coloquei código que vai dificultar a copia das fotografias.. não quero voltar a passar por isto... continuarei a ceder as fotografias a quem mas pedir ... mas definitivamente, a verdade é que vivemos num mundo em que quem dá a mão fica sem o braço...e está na altura de eu deixar de ser bonzinho.

 

Não quero deixar de referir  o Post do Shark sobre este assunto e estas suas palavras que subscrevo na totalidade:

 

E é mais um exemplo de como nós, autores que blogam, temos mesmo que nos pôr a pau com as utilizações (aproveitamentos?) possíveis do trabalho que publicamos de borla e, na maioria, sem a redoma do estatuto de figura pública, acautelando o necessário enquadramento de tudo quanto publicamos numa legislação que evite os abusos ou, como parece ser o caso, a simples falta de cortesia.

 

A blogosfera é feita de muitas coisas, e há pessoas que todos os dias criam coisas válidas... coisas que merecem o respeito de todos.

 

E sim, eu mereço mesmo que me atirem as minhas palavras naquele post da cigana pela cabeça abaixo.

 

Jorge Soares

 

PS:Para quem gosta de papoilas... vejam só estas belezas

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publicado às 21:37

A minha Papoila e a candidatura do Fernando Nobre

 

O que tem de comum um livro brasileiro sobre espiritualidade e a candidatura do Fernando Nobre à presidência da República? ambas utilizam uma fotografia minha que foi escolhida do meu blog Momentos e Olhares,  o que tem de diferente? de certeza que muitíssimas coisas, mas além de todas as outras tem de diferente que o autor do livro, antes de o publicar teve a delicadeza de me enviar um mail em que me perguntava se poderia utilizar a fotografia.... a comissão executiva da candidatura do senhor Fernando Nobre, pegou na fotografia, colocou-a online na página do facebook e depois enviou-me um mail a informar.

 

É verdade que eu tinha no blog um disclaimer onde autorizava a utilização das fotografias sempre que fosse referenciado o autor e o blog... mas vamos lá ver. Eu acho que existe alguma diferença entre utilizar uma fotografia para ilustrar um post num blog ou num trabalho escolar, e acreditem, já houve estudantes que me contactaram a pedir autorização, e utilizar a fotografia como símbolo de uma campanha para a presidência da república com tudo o que isso significa.

 

Para mais quando existe uma enorme diferença entre ceder a imagem e ceder os direitos de autor, será que o disclaimer que estava no blog lhes permite por exemplo fazer e vender merchandasing da campanha com a imagem?

 

Ainda para mais, quando eu enviei um mail a indicar que achava que me deveriam ter contactado antes e a perguntar onde estão as referências ao autor, eles respondem assim:

 

"A referência ao seu blog está feita desde o momento em que foi editada a NOTA  onde se define os símbolos da candidatura. Veja por favor na pagina da candidatura no separador NOTAS.
Não o contactámos previamente dado informar no seu blog que as fotos eram livres de serem utilizadas agradecendo-se no entanto referência à origem da foto. Não havia qualquer pedido de contacto prévio.Se houvesse, teria sido escrupulosamente  respeitado. Cumprimos na íntegra o seu legítimo pedido.

cumprimentos

C.Executiva da Candidatura de Fernando Nobre"


Sou eu que estou de pé atrás, ou há aqui alguma falta de humildade e até arrogância?

 

Li algures que a campanha deste senhor é a primeira verdadeiramente democrática desde o 25 de Abril.. pois, para amostra, muito democráticos com esta atitude.

 

Pois meus senhores, lamento muito, mas a fotografia é minha e nas condições actuais e a menos que decidam falar comigo sobre a forma como poderei ceder os direitos, não podem utilizar a minha fotografia na campanha.

 

Deixo também o aviso a todos os apoiantes do senhor e mesmo aos meios de comunicação social, não autorizo a utilização da imagem a ninguém, e tomarei todas as medidas necessárias para fazer valer os meus direitos.

 

E não é de dinheiro que estou a falar, eu não quero vender os direitos da fotografia, também não se trata de politica, não sou nem nunca fui filiado em partido algum, nunca apoiei nenhum candidato a cargo algum,  nem está em causa a pessoa do Sr Fernando Nobre. Bastava terem tido a humildade de reconhecer o erro e admitirem que sim, que me deveriam ter contactado antes, e eu teria esquecido o assunto, para mim a fotografia é um Hobbi, não vivo nem pretendo viver disso, trata-se de dignidade e respeito pelo trabalhos dos outros.

 

Update: Conforme foi publicado na página do Facebook da campanha, retiraram a fotografia e não a vão utilizar,  este é portanto um assunto encerrado

 

Jorge Soares

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publicado às 21:27

 


Criança triste, os filhos não se devolvem

Imagem da internet

 

Antes de mais um esclarecimento para todos os leitores e que a maioria dos jornalistas deveria ler, em Portugal não há devolução de crianças adoptadas, é um erro que vemos muitas vezes repetido já seja na imprensa escrita ou na falada. Depois de decretada a adopção não há diferença nenhuma entre um filho biológico e um adoptado, a devolução de um filho tem outro nome, abandono. O que efectivamente acontece algumas vezes, 16 vezes durante o ano 2009, é a entrega das crianças durante o período de pré adopção por parte dos candidatos a pais.

 

Mas o que me levou a falar deste assunto, foi esta noticia do IonlineNorte-americana devolve filho adoptado à Rússia, uma noticia que para os nossos princípios é chocante mas que à luz da realidade americana é algo comum, tão comum que em nenhuma das noticias sobre o assunto ouvimos falar de penalizações para a senhora. A cultura americana é muito diferente da nossa e mesmo nas séries americanas que vemos por cá, é muito comum ouvirmos falar da história de vida dos criminosos e da passagem por várias casas de acolhimento e de adopção.. é mesmo assim..e é evidente que não é muito difícil perceber um dos motivos que leva estas pessoas ao crime e à violência.

 

Mas estas coisas também acontecem em Portugal, esta noticia no DN fala do caso da casal que devolveu a criança porque não se dava com o cão, que será o motivo que mais nos choca, quer dizer....  qualquer noticia que fale de uma devolução de uma criança é uma noticia chocante. As crianças não são objectos, não se compram na mercearia da esquina e assim como não vêm com livro de instruções, não se devolvem. Nos últimos 10 anos conheci muitos pais e candidatos e muitas crianças adoptadas, tive conhecimento de uma devolução.. Um casal que recebeu dois irmãos e que passados dois ou três dias os devolveu.

 

Acreditem, para nós pais adoptivos, há poucas coisas que nos choquem mais..e na altura todos tivemos que engolir muitos sapos para não dizermos o que nos ia na alma.

 

Mas o que leva à devolução de uma criança?... há algo que eu costumo repetir muitas vezes, uma adopção é um processo em que de um dia para o outro nos entra pela casa dentro um estranho, e nós nem sempre temos capacidade de gostar de imediato dos estranhos que vamos conhecendo, ora, se este estranho fica a viver em nossa casa... e se ainda por cima este estranho é uma criança que já passou por situações de vida em que foi maltratado, violentado, abandonado.. o mais certo é que não seja o filho ideal que a maioria das pessoas sonhou. E do meu ponto de vista esse é o maior problema, as pessoas idealizam os filhos, criam uma imagem do filho perfeito que vai chegar ávido de amor e carinho e vai receber os pais de braços abertos.... meus amigos, isso não existe.

 

O primeiro que faz uma criança adoptada é testar os limites dos novos pais, esticam a corda ao máximo e quanto mais corda damos, mais eles esticam, faz parte do processo normal. Até se sentirem seguros, até concluírem que a ligação é mesmo definitiva eles fazem trinta por uma linha.. com o tempo acalmam... mas entretanto mais de um pai que deveria ser babado, já entrou em desespero. Depois há que recordar que estamos a falar de crianças que vêm de instituições, crianças que a maior parte das vezes estão habituadas a viver com regras que não tem nada a ver com a vida familiar.. se a isto juntarmos a pouca auto-estima que tem alguém que já foi abandonado... temos uma mistura muitas vezes explosiva...e nem sempre estamos preparados para isto.

 

Mas a culpa vai mais além, muitas vezes as crianças não são preparadas devidamente para a nova situação de vida, há bem pouco tempo vimos uma reportagem na televisão, em que explicavam o caso de uma criança que foi levada a conhecer os supostos novos pais sem que nunca lhe tivessem falado do assunto antes, é claro que a criança rejeitou a adopção. Muitas das instituições não tem equipas técnicas capazes de preparar as crianças para a adopção, muitas destas instituições não acham que a adopção possa ser a solução .. portanto não é estranho que a responsável da segurança social de Lisboa tenha dito no encontro nacional de adopção que sabem perfeitamente se as coisas vão ser mais fáceis ou mais difíceis .. porque depende da instituição. E claro, há muita culpa em quem avalia crianças e candidatos, porque é difícil de acreditar que não se detecte nas entrevistas do processo de avaliação dos candidatos que a pessoa está a idealizar.. ou que o cão é mais importante que o filho que aí vem.

 

Muito mais haveria a dizer.. mas o post já vai longo.. só mais um detalhe, adoptar não é ir ao supermercado e escolher... adoptar é querer ter um filho e dar amor ... logo, FILIPA AMBRÓSIO DE SOUSA do DN, o titulo da noticia até pode servir para vender jornais, mas além de infeliz, é triste.. as crianças não se devolvem... porque os filhos não se devolvem... e é dos nossos filhos que estamos a falar

 

Jorge Soares



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publicado às 21:26

Conto: Confissões da sedutora

por Jorge Soares, em 10.04.10

Confissões da sedutora

 

A sedução tornou-se minha maldição. Era aprisionada por esse poder, como Cassandra não podia escapar a seu dom adivinhatório, o que a levou à desgraça. Eu era uma espécie de Cassandra, o poder que possuia - que as mulheres invejavam e fascinava os homens - me destruía, me afastava de toda a realidade. Buscava um métron, um equilíbrio, mas era tarde demais. Era feita do excesso. Excesso em minhas formas, em meu ser, em minhas virtudes e em meus defeitos. Com certeza, Deus estava drogado pelos perfumes do paraíso quando me fez.

 

Envolvia-me em situações caóticas, engraçadas, que me sugeriam eu era uma série de mulheres concentradas em um invólucro, um único corpo. Quantos homens me quiseram! Antes, porque queriam a si mesmos. A história é antiga: Helena era apenas o pretexto para que os heróis se disputassem em honra, força e virtude.

 

A sedução era minha vingança. Eu cavalgava, orgulhosa amazona, conduzindo seus ginetes. O problema é que cavalgava sem destino. Não é que não tenha podido optar, muitas opções se apresentaram para mim, embora deva dizer que, nos dias de hoje, ainda é quase impossível uma mulher escolher sua própria existência. Mesmo as revistas que se dizem feministas nos ensinam sempre como nos adequar melhor aos modelos que se julga serem os que os homens esperam de nós. Impressionante a quantidade de receitas para afastar o envelhecimento, como se, para sermos amadas, não pudéssemos ser humanas. É irônico que, talvez, as próprias mulheres ajudem a alimentar as imagens nas quais se aprisionam. Meu triunfo como sedutora vinha da recusa desses modelos. Os homens inteligentes queriam mais do que um autômato pasteurizado.

 

O primeiro  que me era oferecido era clássico: casar-me e ter filhos e conformar-me a uma  falsa, feita das migalhas da felicidade dos outros. Mas, eu, escrava?! Não. Preferia antes escravizar do que ser escrava. Quando fraquejei, e o que possuia foi excessivo para mim, pensei refugiar-me nesse caminho. O casamento uma armadura que me protegeria de mim mesma. Mas eu seria capaz de suportar a paralisia sob o peso dessa instituição de lata?

Descrente da hipótese de casar-me, cogitei internar-me em um convento e dedicar-me ao conhecimento. Eu renunciaria a todos os prazeres terrenos, protegeria meu corpo jovem da concupiscência até que ele se degradasse a ponto de perder todos os atributos que, aparentemente, o tornavam desejável. A idéia era mais do que atraente: murar-me e dedicar-me ao senhor. Ah, as delícias do conhecer! Eu seria uma nova Tereza d'Ávila, abriria meu seio e meu espírito para o  que neles quisesse cravar a sua lança. Em pouco tempo, porém, descobri não agüentaria. Não que não pudesse suportar a renúncia às coisas terrenas. Não agüentaria justamente porque os conventos estão longe da idéia de espiritualidade que eu buscava. Freiras são fêmeas ainda mais terríveis, porque privadas dos prazeres do sexo e, com frequência, sem nada para ocupar o lugar dessa falta. Eu seria trucidada, eu sei.

Farei uma concessão, uma auto-crítica: talvez eu não suportasse o convívio de outras mulheres. Competitiva, eu? Não! Não sou. Falo sério. Pelo contrário, costumava anular-me o tempo todo diante delas. Eu as temia. Reproduzia em todas as mulheres que conhecia uma mãe terrível que se imprimiu na fragilidade da minha adolescência. Criava mães em série, como uma máquina produz enlatados. Cresci angustiada pela idéia de que era a causa da infelicidade sexual de minha mãe. Era eu o objeto do desejo... de meu pai? Vivi minha adolescência torturada: exteriormente, porque minha mãe, por insegurança, vingava-se em mim dos atributos que julgava não possuir. Interiormente, por minha própria culpa em relação a ela. Por que nós, mulheres, estamos condenadas a esses tristes jogos?

Quando fazia faculdade, trabalhei como "acompanhante de executivos". Usei o dinheiro ganho na prostituição para fazer análise, o que colocava meu analista em um curioso dilema: curar-me seria fazer-me abandonar minha rendosa profissão e deixá-lo? Não importa, foi ali, na arena daquele consultório, onde eu era touro e toureira, que percebi o quanto era narcísica. Ali aprendi a aceitar meus rituais de morte e sedução. O que pode haver de mais narcísico do que a idéia de que era a causa da separação e do ódio entre meus pais? Então eu tinha culpa do incesto! Um incesto que se processava nos abismos mais recônditos da minha imaginação. Como são fáceis e confortadoras as verdades descobertas em análise!

O desejo é uma fruta proibida. Só se pode desejar o que não se tem. Eu o quis. A meu pai. Por ódio e por amor. Por vingança contra ele e contra todos os homens que secularmente nos perseguiram e desejaram, como se quisessem de volta o que Deus lhes roubara. Eu o quis e, de algum modo, o tive.

Estudei a sedução, decidida a fazer desse propósito a razão da minha existência. Aprender a seduzir era esmerar-me em uma arte, exercitar-me horas para tocar um instrumento com perfeição, embora o dom já tivesse nascido comigo. Li tudo o que se escrevia sobre o assunto, de Kierkegaard a Laclos, de Sade a Bataille. Estudei, desde o comportamento da serpente do paraíso, até a Madonna de nossos dias. Descobri que a sedução mais prazerosa, é aquela que se exerce sobre um espírito livre, um homem emancipado de mim, encantado pela alquimia das minhas poções, porém, não dissoluto em sua vontade.

Maquiavel exortava o Príncipe a se adequar às representações de virtude do povo que pretendia dominar. Eu me fantasiava para ser a representação ideal para as expectativas dos homens. Aos poucos, percebia, aterrorizada, que eu não existia mais, não passava de uma névoa. Essas artimanhas, contudo, não fui eu que as criei, são feitiçarias que as mulheres passam milernamente umas para as outras. As não iniciadas, mesmo conhecendo o potencial auto-destrutivo que esse poder oculta, dariam tudo para obtê-lo.

Deixemos a palavra a vocês, pobres homens, que há tantos séculos invejam nossa fertilidade e nossa força. Nós não necessitamos de alarde. Desfiamos fórmulas secretas, enigmas que, em outros tempos, nos levaram à fogueira. 
Somos feitas do silêncio,

 

Guiomar de Grammont

 

Retirado de:Tanto

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publicado às 21:00

Adopção em Portugal

 

Imagem da Internet

 

Confesso, eu não gosto da Idália Moniz, é muito difícil para mim gostar de pessoas que só olham para os números que lhes aparecem à frente, para o que está escrito e que se negam a acreditar que exista uma realidade para além das letras e dos números.

 

Tudo começou com a lista nacional de adopção, uma coisa que apareceu com a alteração da lei em 2003 e que hoje, 7 anos depois, continua a ser ignorada pelos centros distritais da segurança social que continuam a falar dos seus candidatos e das suas crianças.. e isto foi reconhecido por mais que um responsável de centros distritais em Outubro passado no Encontro nacional de adopção que se realizou em Lisboa. Durante anos, as assistentes sociais diziam aos candidatos, a mim disseram-me em 2008, que não existia uma lista nacional, ou que esta não é utilizada, e a senhora insistia em que esta existia e era utilizada...

 

Ontem foi entregue na assembleia da república o relatório sobre a situação das crianças em acolhimento, hoje ouvi mais que uma vez as declarações da senhora secretária de estado às televisões e confesso, deixou-me irritado... ela e a imprensa. O relatório falava das crianças em acolhimento, mas para não variar,  os títulos das noticias focavam a adopção... e os candidatos que só querem as crianças perfeitas..e as crianças que ninguém quer..e as crianças que são devolvidas...

 

Curiosamente, não vi ninguém perguntar porque é que há quase 300 crianças sem projecto de vida definidos, crianças estas que vivem no Limbo, porque é que das quase 10000 crianças entregues ao estado só  2776 podem ser adoptados, o que acontecerá às restantes?. Ninguém pergunta quem fiscaliza as instituições?, quem fiscaliza os tribunais?,  quem avalia as equipas de adopção? Porque é que há crianças que entram com meses para as instituições e só seguem para adopção quando já estão numa idade em que  será muito difícil serem adoptadas?

 

Depois temos as 500 crianças que supostamente ninguém quer, porque tem mais de 3 anos, porque não são brancas, porque tem doenças...  Vamos lá ver,  é verdade que há muitíssimos candidatos que só querem crianças brancas e menores de 3 anos, mas também é verdade que nós não colocávamos restrições de raça, queríamos uma criança até à idade escolar e aceitávamos doenças que não fossem impeditivas do desenvolvimento...  estavamos há espera há mais de ano e meio e as ultimas estimativas eram de quase 5 anos de espera.... então, e essas 500 crianças que ninguém quer? não havia nenhuma com menos de 7 anos, que não fosse branca e com algumas doenças?

 

Eu conheço muitíssimos candidatos à adopção, a R. e o P. são uns desses candidatos, eles aceitam irmãos.. a ultima estimativa era que tinham mais de 50 pessoas só no seu distrito à sua frente, que também aceitavam irmãos... mais de 5 anos de espera... então, entre essas 500 crianças não há irmãos?... podia continuar... tenho mais exemplos....

 

Das duas uma, ou esse número é um disparate para deitar a culpa aos candidatos, ou então, a informação sobre a existência dessas crianças à espera não circula e os candidatos de um distrito não são válidos para as crianças dos outros..e cada distrito vai acumulando as suas crianças até que aparece, no mesmo distrito,  um candidato que as leve. Só isso explica que em lugar dos poucos meses de que falou a Senhora secretária de estado, a mim  as assistentes sociais da segurança social de Setúbal, me falassem de anos, quase 5 anos.

 

É verdade que há muita gente que só aceita crianças até 3 anos, e brancas, e perfeitinhas... não concordo, já discuti várias vezes com pessoas destas. A minha opinião é que não se deveria poder escolher a idade, ou a raça... mas respeito quem tem uma opinião diferente... e a verdade, é que quem não coloca estas restrições tem que esperar na mesma... e ninguém resolve a vida das 7000 crianças que nunca irão para adopção.... vá-se lá saber porquê.

 

Noticias sobre este tema:

 

TVI 24: Há mais de 500 crianças que ninguém quer adoptar

 

Público : Oitenta por cento dos candidatos querem um filho adoptivo branco

 

Público: Há cada vez mais adolescentes internados nas instituições

 

Ionline : Há 574 crianças que ninguém quer adoptar

 

Jorge Soares

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publicado às 21:21

Diário de um pai de licença parental: Dia 1

por Jorge Soares, em 07.04.10

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Isto afinal não é assim tão mau... o dia correu relativamente bem, quer dizer, tirando o vidro partido e as solas de sapato gastas... mas isto promete..e de certeza que nos dois meses perco a barriga .... a médica vai ficar contente.

 

O dia por estes lados começa cedo, o despertador tocou às sete e meia, ao contrario do que era habitual a meia laranja levanta-e primeiro, veste-se,  e põe-se na alheta, não sem antes me lembrar que tenho que ver se a D. faz xixi ... é aqui que começa a minha parte.

 

A D. já está acordada e brinca com o N., acordo a R., mando-a levantar-se e vou tomar duche, à saída do duche a R. está sentada na cama, mando-a vestir-se, visto-me e vou vestir a D. a R. continua sentada na cama.... grito para que se vista. Já com a D. vestida, vou preparar pequeno almoço para todos...a R. já vestiu a blusa, só falta o resto.... e continua sentada na cama. Adivinhem quem perdeu a paciência?

 

8:45, pequenos almoços tomados... feito o segundo xixi da D., está na hora de a levar à escolinha e o N. ao ATL... pequeno detalhe, não encontro as minhas chaves... que a P. tinha levado com ela... não faz mal, a escolinha é ali em frente, o ATL é na baixa de Setúbal, junto ao rio... nada que não se resolva com uns 20 minutos para cada lado de passeio a pé.

 

Aproveito e levo a máquina fotográfica e depois de deixar o N. continuo o passeio... de fotografias nada, que a máquina tem a bateria descarregada..

 

10:45, Estou de regresso, hora de ir buscar a D à escolinha, lembrar de fazer xixi...  chego a casa; a R. está a ver televisão a uns 10 centímetros do televisor, mando-a sentar longe do televisor.

 

12:30 A R. vai almoçar com a avó, preparo o almoço para mim e para a D., almoçamos, xixi da D. ela vai dormir a sesta, chorou dois minutos e adormeceu. Ligam do ATL, supostamente as criancinhas estavam a dançar,  há sapatos a voar, o N. partiu um vidro e está para lá lavado em lágrimas. Não percebo porque é que as pessoas do ATL não conseguem impedir que as crianças façam uma guerra de sapatos... mas pronto. Aproveito a boleia da sogra e vou buscar a criança, que passa o resto do dia em casa a fazer trabalhos de casa..e não parte mais nada.

 

Quando voltamos a R. está a ver televisão.. sim, colada ao televisor... mando-a para trás...

 

15:00 a D. acorda...fazer xixi... a R. está a ver televisão, adivinhem?...  fartei-me, não há mais televisão, ela vai ler para o quarto. Ligam-me do emprego... qualquer coisa com contas de imobilizado ... pois.

 

Eu e a D. vamos brincar para o jardim, a R. continua a ler no quarto.. o N. faz trabalhos de casa.

 

17:00 Voltamos do Jardim, xixi da D., preparo os lanches, a R. aproveita e acende o televisor da cozinha.... adivinhem? dei um berro.. mais um!

 

Brinco com a D. até que a mãe chega. Vamos tomar café à rua, mais um passeio a pé.... definitivamente vou emagrecer....

 

19:00 Preparo o jantar.. felizmente a mãe trata dos xixis a partir daqui... não vi as noticias e não li blogs... pois, ser pai é um negócio ocupado..e amanhã é outro dia.

 

Jorge Soares

 

PS:Não se assustem, breve voltam os posts normais... acho eu!

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publicado às 21:36

Diário de um pai de licença parental

por Jorge Soares, em 06.04.10

Diário de um pai de licença parental

 

Foi em Fevereiro do ano passado que aqui falei de licença parental e que assumi que eu queria gozar a minha parte da licença, foi neste post e neste outro. Bom, começou ontem, nos próximos dois meses vou estar em casa, a P. vai finalmente dedicar-se ao doutoramento e eu vou-me dedicar à D. à R. e ao N..

 

Curiosamente no Vila Forte, a Telma  Sousa falava deste assunto. A Telma refere uma noticia do Expresso que fala da mudança da lei e do aumento do numero de pais que decidiu gozar pelo menos uma parte da licença, numero este que passou de 605 em 2008 para mais de 12000 em 2009. Os números falam por si e mostram que algo está efectivamente a mudar.

 

Durante muito tempo a maternidade era utilizada como desculpa em muitas empresas na hora das contratações, os 4 meses em casa eram um obstáculo para muita gente e eram utilizados como motivo para uma discriminação injusta e que inclusivamente muitas vezes impedia a chegada de mulheres a lugares de responsabilidade para os que estavam perfeitamente capacitadas. Podemos supor que à medida que mais homens utilizem este seu direito, estes preconceitos serão colocados de parte.

 

Como dizia num dos posts do ano passado, trabalho numa empresa com muita gente jovem e com muitas mulheres, há sempre alguém grávido e o tempo todo há colegas de licença. Curiosamente, o único caso de que tive conhecimento de um colega homem que partilhou a licença, também foi um caso de adopção, uns corajosos que adoptaram dois irmão com 8 e 10 anos. Ao contrario do que refere a Telma no Post do Vila forte, eu não ouvi piadas por parte de ninguém e não me foi colocado qualquer problema.

 

Curiosamente as conversas que fui tendo ao longo dos últimos dois meses foram reforçando a ideia que já tinha desde o ano passado, a maior dificuldade para que neste tema seja atingida uma verdadeira igualdade de direitos não virá tanto das empresas e sim das mulheres, a maioria vê os 5 meses como um direito seu e que agora lhes está a ser retirado... o que não deixa de ser um contra-senso.

 

Nos próximos dois meses haverá muitos mais posts sobre crianças e sobre o dia a dia de um pai de licença parental... esperemos que não se torne rapidamente num diário de um pai desesperado.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:05

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