Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Morre lentamente.. Ou Quem morre?

por Jorge Soares, em 19.07.10

Martha Medeiros

 

Já aqui falei das famosas Pedras no caminho uma frase que faz parte de um poema que meia internet atribui a Fernando Pessoa e que na verdade foi escrito por Augusto Cury, um poeta brasileiro.

 

Quem não recebeu um power point muito bonito com um texto que se chamava A Marioneta?, o texto era atribuído a Gabriel Garcia Marquez que supostamente o teria escrito para os seus amigos quando descobriu que tinha cancro. O escritor negou que alguma vez tivesse escrito tal coisa e que o que o poderia realmente  matar era que alguém pudesse acreditar que aquilo tinha sido escrito por ele.

Hoje vou falar de um outro poema que a maioria de nós já leu e que todos atribuímos a Pablo Neruda, como a própria fundação Pablo Neruda esclarece aqui, é na verdade da escritora brasileira Martha Medeiros.

 

A Internet é cada vez mais a fonte de informação por excelência, nela podemos encontrar praticamente qualquer assunto ou pessoa. Mas é também cada vez mais uma fonte pouco fiável e junto com muita informação verídica há também muita coisa que não é real ou não foi confirmada... devemos ter muito cuidado com o que tomamos por real.

 

O Poema de que falo é conhecido pela maioria de nós com o titulo Morre lentamente, na realidade o seu titulo é Quem Morre? e a sua versão real é esta:

 

QUEM MORRE?


Morre lentamente 
Quem não viaja, 
Quem não lê, 
Quem não ouve música, 
Quem não encontra graça em si mesmo 

Morre lentamente 
Quem destrói seu amor próprio, 
Quem não se deixa ajudar. 

Morre lentamente 
Quem se transforma em escravo do hábito 
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto, 
Quem não muda de marca, 
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou 
Não conversa com quem não conhece. 

Morre lentamente 
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções, Justamente as que resgatam o brilho dos 
Olhos e os corações aos tropeços. 

Morre lentamente 
Quem não vira a mesa quando está infeliz 
Com o seu trabalho, ou amor, 
Quem não arrisca o certo pelo incerto 
Para ir atrás de um sonho, 
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, Fugir dos conselhos sensatos... 

Viva hoje! 
Arrisque hoje! 
Faça hoje! 
Não se deixe morrer lentamente! 

NÃO SE ESQUEÇA DE SER FELIZ.

Martha Medeiros

 

Jorge Soares

PS: Imagem minha do Momentos e olhares

publicado às 22:41

Metade dos alunos com negativa nos exames de matemática

 

Imagem do Público

 

Há pouco mais de um mês foi algo que gerou uma enorme polémica, na altura falei do assunto, o titulo do meu post era: Alunos vão poder passar do 8º para o 10º ano .. ou, como se cria uma polémica parva. Não faltou quem acusasse a ministra da educação de fomentar o facilitismo, de promover a passagem dos alunos em prol da estatística, etc, etc, etc.

 

Na altura achei que se estava a criar uma polémica só por criar, a maioria apressou-se a tirar algumas frases do contexto ou simplesmente só leu o que lhe interessou e utilizou isso como arma de arremesso.  Também previ que naquelas condições em que: ... é preciso que se autoproponham às provas nacionais de Português e de Matemática do final do 3.o ciclo, em Julho, e façam ainda os exames a nível de escola em todas as disciplinas do 9º ano.Em caso de aproveitamento, transitam directamente para o 10º ano,... ... ninguém iria aproveitar esta medida.

 

As noticias de ontem vieram dar-me razão, segundo o público:

 

Nenhum dos 149 alunos do 8º ano que se autopropuseram aos exames nacionais “concluiu o ensino básico por esta via”, informou hoje o Ministério da Educação.

 

É pena que se criem polémicas com noticias destas, é pena que o ministério da educação perca tempo a pensar em coisas destas, é pena porque há tantas coisas na nossa educação que merecem ser discutidas, tantas coisas que merecem ser pensadas, tantos problemas por resolver. No mesmo Público de Sábado podemos ler o seguinte:  Quase metade dos alunos do 9º ano com negativa a matemática.

 

Aí está algo que deveria juntar pais, professores, escolas e ministério da educação, juntos deveriam tentar perceber o que está mal com o ensino da matemática no nosso país, o facto de que metade dos alunos chumbe deveria ser motivo de preocupação, deveria colocar todos a pensar, a tentar perceber o que está mal com o ensino desta disciplina e a tentar resolver.. isso sim seria algo produtivo.

 

Jorge Soares

publicado às 22:38

Conto: Calor - José Saramago

por Jorge Soares, em 17.07.10

Rio

 

Imagem de Florbytes

 

O rapaz vinha do rio. Descalço, com as calças arregaçadas acima do joelho, as pernas sujas de lama. Vestia uma camisa vermelha, aberta no peito, onde os primeiros pêlos da puberdadecomeçavam a enegrecer. Tinha o cabelo escuro, molhado de suor que lhe escorria pelo pescoço delgado. Dobrava-se um pouco para a frente, sob o peso dos longos remos, donde pendiam fios verdes de limos ainda gotejantes. O barco ficou balouçando na água turava, e ali perto, como quem espreita, afloraram de repente os olhos globulosos de uma rã. O rapaz olhou-a, e ela olhou-o a ele. Depois a rã fez um movimento brusco, e desapareceu. Um minuto mais e a superfície do rio ficou lisa e calma, e brilhante como os olhos do rapaz. A respiração do lodo desprendia lentas bolhas de gás que a corrente arrastava. No calor da tarde, os choupos altos vibraram silenciosamente, e de rajada, como uma flor rápida que do ar nascesse, uma ave azul passou rasando a água. O rapaz levantou a cabeça. No outro lado do rio, uma rapariga olhava-o, imóvel. O rapaz ergueu a mão livre e todo o seu corpo desenhou o gesto de uma palavra que não se ouviu. O rio fluía, lento.
O rapaz subiu a ladeira, sem olhar para trás. A erva acabava logo ali. Para cima, para além, o solcalcinhava os torrões dos alqueives e os olivais cinzentos. Metálica, dura, uma cigarra roía o silêncio. À distância, a atmosfera tremia.
A casa era térrea, acachapadabrunida de cal, com uma barra de ocre violento. Um pano de parede cega, sem janelas, uma porta onde se abria um postigo. No interior, o chão de barro refrescava os pés. O rapaz encostou os remos, limpou o suor ao antebraço. Ficou quieto, escutando as pancadas do coração, o vagaroso surdir do suor que se renovava na pele. Esteve assim uns minutos, sem consciência dos rumores que vinham da parte de trás da casa e que se transformaram, de súbito, em guinchos lancinantes e gratuitos: o protesto de um porco preso.
Quando, por fim, começou a mover-se, o grito do animal, desta vez ferido e insultado, bateu-lhe nos ouvidos. E logo outros gritos, agudos, raivosos, uma súplica desesperada, um apelo que não espera socorro.
Correu para o quintal, mas não passou da soleira da porta. Dois homens e uma mulher seguravam o porco. Outro home, com uma faca ensaguentada, abria-lhe um rasgo vertical no escroto. Na palha brilhava já um ovóide achatado, vermelho. O porco tremia todo, atirava gritos entre as queixadas que uma corda apertava. A ferida alargou-se, o testículo apareceu leitoso e raiado de sangue, os dedos do homem introduziram-se na abertura, puxaram, torceram, arrancaram. A mulher tinha o rosto pálido e crispado. Desamarraram o porco, libertaram-lhe o focinho, e um dos homens baixou-se e apanhou os bagos, grossos e macios.
O animal deu uma volta, perplexo, e ficou de cabeça baixa, arfando. Então o homem atirou-lhos. O porco abocou, mastigou sôfrego, engoliu. A mulher disse algumas palavras e os homens encolheram os ombros. Um deles riu. Foi nessa altura que viram o rapaz. Ficaram todos calados e, como se fosse a única coisa que pudessem fazer naquele momento, puseram-se a olhar o animal que se deitara na palha, suspirando, com os beiços sujos do próprio sangue.
O rapaz voltou para dentro. Encheu um púcaro e bebeu, deixando que água lhe corresse pelos cantos da boca, pelo pescoço, até os pêlos do peito que se tornaram mais escuros. Enquanto bebia, olhava lá fora as duas manchas vermelhas sobre a palha. Depois, num movimento que parecia de cansaço, tornou a sair de casa, atravessou o olival, outra vez sob a torreira do sol.
A poeira queimava-lhe os pés. e ele, sem dar por isso, encolhia-os, para fugir ao contacto escaldante. A mesma cigarra rangia, em tom mais surdo. Depois a ladeira, a erva com o seu cheiro de seiva aquecida, a frescura entontecedora debaixo dos ramos, o lodo que se insinua entre os dedos dos pés e irrompe para cima.
O rapaz ficou parado, a olhar o rio. Sobre um afloramento de limos, uma rã, parda como a primeira, de olhos redondos sob as arcadas salientes, parecia estar à espera. A pele branca da goela palpitava. E a boca fechada fazia talvez uma prega de escárnio. Passou tempo, e nem a rã nem o rapaz se moviam. Então o rapaz, desviando a custo os olhos, como para fugir a um malefício, viu no outro lado do rio, entre os ramos baixos dos salgueiros, aparecer a rapariga. Outra vez, silencioso e inesperado, passou sobre a água o relâmpago azul.
Devagar, o rapaz tirou a camisa. Devagar se acabou de despir, e foi só quando já não tinha roupa nenhuma no corpo que sua nudez, lentamente, se revelou. Assim como se estivesse curando uma cegueira de si mesma. A rapariga recuou para a sombra dos salgueiros e com os mesmos gestos lentos se libertou do vestido e tudo quanto a cobria. Nua sobre o fundo verde das árvores.
O rapaz olhou uma vez mais o rio. Círculos que alargavam e perdiam na superfície calma, mostravam o lugar onde a  mergulhara. Então, porque o Verão queimava e era urgente negar o escárnio, o rapaz meteu-se à água e nadou para a outra margem, enquanto o vulto branco da rapariga se escondia entre os ramos.

 

José Saramago

Retirado de Contos de Aula

publicado às 21:00

 

3 anos depois continuam a haver abortos clandestinos em Portugal

Imagem do Público

 

Passaram 3 anos sobre a adopção da nova lei do aborto, aquela que foi aprovada como consequência dos nossos "Sim" no referendo. A efeméride foi noticia na maior parte dos jornais e telejornais, as abordagens foram diversas, na RTP a noticia era: 3 anos depois continua a existir aborto clandestino

 

Durante a hora do almoço tinha lido a mesma noticia no DN, não consigo entender, o que poderá levar uma mulher a um vão de escada, para praticar sem segurança nenhuma um acto que pode ser praticado de forma gratuita e com todas as condições de higiene e segurança num hospital?

 

Segundo esta noticia do Público, durante estes 3 anos foram praticados de forma legal e gratuitamente 54000 abortos, perto de 19000 por ano, um número que assim à primeira vista parece enorme e que mostra que para lá da aprovação da lei, há muito a fazer ao nível da educação e da informação. A percentagem de mulheres que nestes 3 anos praticou mais que um aborto anda pelos 1,5 %, mas o número de mulheres que falta à consulta de planeamento familiar obrigatória após a intervenção anda nos 2/3.

 

Estes números mostram que continua a faltar muito que fazer ao nível da  educação e formação, não basta aprovar uma lei, é necessário muito mais, falta educação sexual nas escolas, faltam campanhas de planeamento familiar, faltam muitas coisas.

 

3 anos é tempo suficiente para que se avalie e se pondere, avaliar se há aspectos da lei que possam ser melhorados, avaliar se o prazo de 10 semanas é o mais adequado, tentar encontrar maneiras de obrigar a que a lei se cumpra e que as mulheres não faltem às consultas de planeamento familiar..e sobretudo, pensar que  19000 é um número muito grande, enorme..e encontrar estratégias para o fazer descer.

 

Se 3 anos depois ainda há abortos ilegais em Portugal, se ainda há mulheres que continuam a arriscar a sua vida em "clínicas" de vão de escada, já seja por vergonha, por medo do estigma, ou porque deixaram passar o prazo das 10 semanas, é porque ainda não fizemos tudo o que havia a fazer.. estamos à espera de quê?

 

Jorge Soares

publicado às 21:22

Há alturas para tudo na vida... até para viver

 

Foi o tema do último post do Vila Forte (Pedro, é para quando o teu regresso aos blogs?), na altura ficou-me a ideia para um post, hoje e a propósito do que tem sido as férias dos dois mais velhos,  a minha meia laranja fez um comentário que me lembrou o assunto.

 

A minha filha faz 11 anos em Outubro, precisamente a idade com que comecei a trabalhar, começou por ser uma ocupação para os tempos livres das férias escolares e terminou por ser a ocupação dos meus tempos fora da escola. Eram tempos difíceis, os meus pais estavam há pouco mais de um ano na Venezuela e no início as coisas não correram lá muito bem, de repente o pouco que eu podia ganhar era uma enorme ajuda para a economia familiar e quando terminaram as férias escolares, eu fui ficando. Tinha aulas de manhã e trabalhava à tarde.

 

No ano seguinte entrei para o liceu, mais tempo de aulas.. menos tempo de trabalho.. mas trabalhava na mesma... fazia os trabalhos de casa ao fim do dia...  nunca estudava... mas havia algo que me levava, mesmo assim, a ser um aluno razoável... tinha a certeza de que no dia em que chumbasse um ano seria o ultimo e o trabalho passaria a tempo inteiro.

 

Olhando para trás sei que começar a trabalhar tão cedo foi importante para a pessoa que sou, mas nem tudo é positivo,  por vezes dou por mim a pensar que há imensas coisas que não vivi, enquanto os meus colegas jogavam à bola, passeavam juntos pelos jardins da cidade, iam ao cinema ou  à praia, namoriscavam, viviam a adolescência, eu trabalhava, era adulto à força... Há coisas que tem uma idade certa para se viverem ... e acreditem ou não, há coisas das quais tenho saudades porque não as vivi... por muito que isso possa soar estranho para a maioria.

 

Com 11 anos eu passava 12 horas atrás de um balcão de uma pastelaria, atendia as pessoas como qualquer outro empregado, fazia as contas de cabeça muito mais rápido que os meus colegas adultos e nunca me enganava. Hoje olho para os meus filhos com 10 anos e vejo duas crianças, super protegidas, não vão a lado nenhum sozinhas. Não os consigo imaginar a assumir alguma responsabilidade e muito menos a trabalhar.... mas para ser sincero, e ainda que algumas vezes me esqueça de tudo isto e ache que eles deveriam passar as férias a estudar e a preparar-se para serem melhores alunos.. a verdade é que não desejo para eles o que eu passei... eles não passam de  crianças e devem ter vida de crianças, brincar, fazer amigos, tropelias em grupo....

 

A vida são dois dias e há que vivê-la  no tempo certo, a responsabilidade e os valores são algo importante, mas virão com o tempo e na altura certa.. acreditem em mim, o único que ninguém nos pode roubar é aquilo que já vivemos... a mim roubaram-me uma parte da minha vida, não quero isso para os meus filhos.

 

Jorge Soares

publicado às 22:10

Isaltino Morais

Imagem do Público

 

Alguém me consegue explicar como é que se consegue governar uma câmara municipal desde a prisão?


Relativamente aos crimes que os desembargadores consideraram provados, Isaltino de Morais foi condenado por três crimes de fraude fiscal em quatro meses por cada um e na pena de 17 meses pelo crime de branqueamento. O cúmulo jurídico destes dois ilícitos é de dois anos.

 

O Tribunal da Relação de Lisboa aplicou hoje a Isaltino Morais uma pena de dois anos de prisão, pelos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais mas anulou a pena de perda de mandato.

 

 

É claro que deve haver uma lei qualquer que explique tudo isto e de certeza que o juiz terá elaborado um texto magnífico a suportar a sua decisão... mas a imagem que fica é que para a justiça portuguesa, lesar o estado em mais de um milhão de Euros não é crime suficiente para se impedir alguém de governar.... belo exemplo que se dá ao país.

 

Já agora, haverá alguma prisão em Oeiras?.... seria um bocado estranho que o presidente da câmara  governasse o município desde Alcoentre.. ou desde Custóias.

 

É claro que isso não importa nada, todos sabemos que a seguir sairá mais um recurso.... e daqui a uns 10 anos, ele será inocente e aqueles milhões que estavam na conta da Suíça eram os lucros do sobrinho  taxista....

 

Bonito serviço que se fez hoje à justiça Portuguesa.

 

Jorge Soares

publicado às 21:02

O amor em directo

por Jorge Soares, em 12.07.10

Sara Carbonero

 

Imagem no Ionline

 

É um daqueles momentos que irá perdurar como parte da historia deste mundial, não me lembro de ter visto imagens do golo da Espanha, ou do momento em que foi levantada a taça, mas o vídeo do que passará a ser um dos beijos mais conhecidos de sempre estava em todos os sites dos jornais portugueses e espanhois pelos que passei os olhos.

 

Pelo facebook iam passando as mais diversas reacções, os mais românticos não terão evitado uma que outra lágrima, há quem tenha aplaudido a ousadia do Iker, há quem tenha questionado o profissionalismo da jornalista. Para a maioria dos portugueses terá sido um momento estranho, a verdade é que este é um beijo com história.

Sara Carbonero é jornalista desportiva de um dos canais privados espanhóis e é namorada de Iker Casillas, guarda redes titular da selecção espanhola. Costuma fazer a cobertura dos jogos da selecção e na condição de repórter de campo segue os jogos atrás da baliza da Espanha, baliza que costuma ser defendida pelo seu seu namorado.. jogos do mundial incluídos.

 

Desde o inicio do mundial tudo isto tem sido fonte de uma enorme polémica nos meios de comunicação espanhóis, com os outros jornalistas a questionarem o profissionalismo de ambos  e dizendo que a presença da namorada atrás da baliza fazia descer a concentração do guarda redes. Ambos tiveram que engolir muitos sapos, mas a verdade é que pelo menos no que toca ao guarda redes, o seu percurso foi imaculado, para além de capitão, foi uma das traves mestras da defesa e com uma enorme quota parte no sucesso que levou a selecção espanhola ao triunfo no mundial.

 

Ontem já na condição de vencedor, Ike decidiu servir a vingança a frio... e na hora dos agradecimentos a quem sempre o tinha apoiado...escolheu a maneira de certa.

 

Já agora um aparte, reparem bem na bandeira espanhola pintada na cara da jornalista, algo que por cá seria impensável, na Espanha as coisas são muito diferentes, os jornalistas vivem de uma forma muita intensa tudo o que tem a ver com a sua selecção, e até dos seus clubes, sendo normal o facto de haver jornalistas que admitem abertamente as suas simpatias por um determinado clube.

 

 

 

 

Digam lá que não é bonito o amor.

 

Noticias relacionadas:

Ionline: Casillas beija namorada em directo

Público: Iker Casilhas comemora mundial com beijo em directo

Expresso: Casillas beija jornalista em direto

 

Jorge Soares

publicado às 21:12

Conto: A menina do Interior

por Jorge Soares, em 10.07.10

La prostituta

 

Ozária morava no Tabuí. De família pobre, como pobre era a cidadezinha. Mas Ozária tinha um sonho e resolveu colocá-lo em prática para mudar de vida. Decidiu ir pra capital. Ganhar a vida como empregada doméstica. Ser doméstica na capital não era coisa pra qualquer uma não. E lá se foi Ozária, vestidinho de chita, precata roda, trança no cabelo preto amarradinho na ponta com palha de milho e uma maletinha de papelão com umas bugigangas variadas.
Ozária batalhou na capital. Passou um ano. Passaram dois. No terceiro, não resistindo às saudades, resolveu voltar à terrinha. Dia marcado, tava Tabuí em peso esperando por ela naquilo que era um arremedo de rodoviária. Um frejo danado. Todo mundo queria ver Ozária que, segundo se dizia a boca pequena, tinha mudado na vida.
Quando chegou a jardineira do Valdino tudo se fez silêncio. Cada um queria ser o primeiro a avistar a Ozária. Parece que a cidade só tinha homens. Cada qual se virava como podia. Os de trás na pontinha dos pés, pescoço esticadinho, mãos apoiando nas costas do companheiro da frente. E ela, só para fazer suspense, foi a última a descer da jardineira. Tão diferente estava a moça! Cabelinho curtinho tingido de amarelo. Ruge no rosto. Batom vermelhão nos beiços. Brincos com argolões nas orelhas. Pinta pintada bem grandona na bochecha esquerda. Vestidinho decotado, deixando livre mais da metade da peitaria e, curtinho, quase mostrando as coisas de baixo. Alguns da platéia depois juraram que a roupa de baixo era vermelha. Nas costas um ziper, daqueles que de cima a baixo rapidinho. No peito esquerdo o desenho de um coração com uma setinha e uma frase estranha, desconhecida daqueles olhos gulosos: "I love you". E para completar, Ozária usava uns sapatos com saltos dessa altura. E aquele bumbum empinado, que tinha já provocado muitos sonhos entre a machaiada de Tabuí, estava mais arrebitadinho ainda. Era outra Ozária. Pelo jeito, tinha mesmo mudado de vida... abrem
O povão começou a gungunar baixinho, uns a olhar para ela com olhos de fome, outros com um risinho de gaiato brotando no canto da boca até que um mais animadinho resolveu, sob o olhar curioso e angustiado de todos, num suspense danado, perguntar o que queriam saber, mas não tinham coragem para dirigir a palavra a uma donzelice tão distinta:
- Oi Ozária, cê tá tão diferente, né?
E ela, candidamente, dando uma empinadinha, ajeitando a bolsinha no ombro e olhando pro alto, com desdém para todos os machões, respondeu:
- Hã! Hã!... Emputeci!...

*Eurico de Andrade*

 

Retirado de Malambas

publicado às 21:09

Pode a playboy ser uma revista puritana?

por Jorge Soares, em 08.07.10

Capa da playboy... o envangelho segundo Saramago

 

Se eu fosse um crente diria que a esta hora o Saramago estaria a rir a bandeiras despregadas lá onde estivesse... segundo esta noticia do Ionline, esta terá sido a ultima capa da Playboy Portuguesa:

 

"Theresa Hennessy, vice-presidente da Playboy Entertainment, garante que a publicação das fotografias é “uma violação chocante das normas” e não teriam sido publicadas se a Playboy tivesse conhecimento antecipado. Em declarações ao site norte-americano Gawker, a responsável garante: “Devido a esta e a outras questões com os editores portugueses, estamos prestes a rescindir o nosso acordo.”

 

Apesar de nunca ter comprado a revista,  tenho seguido através da blogosfera os comentários às diferentes capas, que podem ver aqui, na minha opinião, na sua maioria de péssimo gosto e algumas, a primeira por exemplo, de mais que duvidosa qualidade fotográfica. Não vi todas, mas atrever-me-ia a dizer que esta foi das mais bem conseguidas. Quanto ao resto da reportagem... do que tenho visto na blogosfera estará ao nível do que é costume, cenas lésbicas incluídas, a única diferença é que em todas as fotografias o senhor que aparece na capa com a beleza nos braços, está a observar atentamente o que se passa... e claro, a estragar as fotografias.

 

Num país como o nosso em que o facto de uma professora ter aparecido na revista causou mais barulho que as vuvuzelas do futebol, era claro que esta capa iria causar um enorme reboliço. Faz-me um bocado de confusão.... bom, muita confusão, que os responsáveis de uma revista que faz do seu negocio o mostrar senhoras despidas de preconceitos e especialmente de roupas, venha agora dizer que teria censurado esta reportagem só porque junto às meninas despidas aparece uma imagem de um senhor que está atentamente a olhar para elas.

 

Senhores da playboy, há limites para o cinismo e a hipocrisia, estão agora armados em puritanos porquê?

 

Update: Responsáveis da Playboy portuguesa negam que a revista vá encerrar

Jorge Soares

publicado às 17:25

A pequena borboleta

por Jorge Soares, em 07.07.10

Borboleta no pampilho

 

Borboleta no pampilho

 

Por vezes a natureza surpreende-nos completamente, eu andava à cata de insectos pelo sopé da Arrábida, perdida no meio de um mar de flores amarelas havia uma pequena borboleta de asas fechadas... era muito pequenina mesmo, peguei na máquina e foquei.. tirei várias fotografias tentando mexer-me o mínimo possível.. de repente abriu as asas.. e foi como se a tivessem trocado... era uma nova borboleta.. fantástica.

 

Adoro a Primavera.

 

Podem ver mais fotografias dela no meu picasa

 

Setúbal, Junho de 2010

Jorge Soares

publicado às 22:55



Ó pra mim!

foto do autor


Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D