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O que é perfeito não precisa de nada

por Jorge Soares, em 22.08.10

simplicidade azul

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

 

Sim, talvez tenham razão. 
Talvez em cada coisa uma coisa oculta more, 
Mas essa coisa oculta é a mesma 
Que a coisa sem ser oculta. 

Na planta, na árvore, na flor 
(Em tudo que vive sem fala 
E é uma consciência e não o com que se faz uma consciência), 
No bosque que não é árvores mas bosque, 
Total das árvores sem soma, 
Mora uma ninfa, a vida exterior por dentro 
Que lhes dá a vida; 
Que floresce com o florescer deles 
E é verde no seu verdor. 

No animal e no homem entra. 
Vive por fora por dentro 
É um já dentro por fora, 
Dizem os filósofos que isto é a alma 
Mas não é a alma: é o próprio animal ou homem 
Da maneira como existe. 

E penso que talvez haja entes 
Em que as duas coisas coincidam 
E tenham o mesmo tamanho. 

E que estes entes serão os deuses, 
Que existem porque assim é que completamente se existe, 
Que não morrem porque são iguais a si mesmos, 
Que podem mentir porque não têm divisão [?] 
Entre quem são e quem são, 
E talvez não nos amem, nem nos queiram, nem nos apareçam 
Porque o que é perfeito não precisa de nada.

 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

 

 

Flor silvestre do sopé da Arrábida

Setúbal

Maio de 2010

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publicado às 20:05

Conto: Os negros olhos de Vivalma

por Jorge Soares, em 21.08.10

Os olhos negros de vivalma

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

Há mulheres que procuram um homem que lhes abra o mundo. Outras buscam um que as tire do mundo. A maior parte, porém, acaba se unindo a alguém que lhes tira o mundo.
Este foi o destino de Vivalma, mulher entre as mulheres, cheia de desgraça, nem o Senhor punha oração nela. Mulher gorda, exibia os seios em cacho, carnes de muito volume e herança. Tanta redondeza, aliás, suprimia a curva. Viva] na era esposa do latoeiro Xidakwa, homem zangadiço e com nervo florindo na pele.
A volumosa senhora saía de manhã para o serviço de sentar no bazar, em banca rente ao chão. Eram tão poucas e abreviadas as coisas que vendia que ela nunca fazia as contas. A vida é um por enquanto no que há-de vir. Vivalma se deixava no assento, mais vagarosa que orvalho. Até a mão dela poupava esforços, num mesmo gesto de ida e volta: para lá, enxotava mosca; para cá, chamava cliente. Seus braços eram tão curtos que nem era capaz de arregaçar as mangas.
Pois Vivalma se dava a conhecer pelo modo como zarolhava, olho deitado abaixo. Razão de que o marido lhe batia, por dádiva daquela palha. Nem carecia de motivo: o murro era a língua dele, vingança de lhe fugirem desejos de sua vista. Todos se admiravam: Xidakwa até que parecia tranquilinho, sonholento, incapaz de violência. Mas os hematombos no rosto da mulher, o sangue pisado lhe enchendo a quotidiana pálpebra dela, eram provas indesmentíveis. Todos punham a devida pena na vendecora. Tão batidinha, coitada. E ainda por cima, sempre no mesmo olho. As colegas lhe sugeriam:
- “Você podia pedir a ele para variar-se: cada vez num lado, cada vez no outro”.
Ela sorria, parecia isenta de pensamento. A gordura era sua única resposta. Ela sabia: mais se engorda, menos se sofre. Com o volume a dor vai ficando mais e mais distante, perdida lá nas curvas das entranhas. As vendedeiras lhe puxavam o brio:
- “Mas você Vivalma, nem viva nem alma?”
Quem fala consente? E a mulher gorda suspirava:
- “Deus me reze, minhas amigas”.
Ela é que sabia. Xidakwa, seu marido, enganava era nas aparências. Ele era um mosca-viva, esgazelado, tratando-lhe a berro e fogo. Outros já lhe tinham chamado as atenções. Mas o latoeiro varria os reparos, explicando:
- “A vida é dura de mais para aceitar carícia: cabedal se cose é com dedal”.
As colegas do bazar insistiam:
- “Ora, Vivalminha, lhe deixe de vez, esse homem não vale uma vida. Você é como o nariz: toda a vida no meio, sem nunca fazer escolha”.
Em silêncio, Vivalma amealhava suas razões. Não que houvesse segredo: para ela, aquela era a ordem do mundo, estavam-se cumprindo destinos. Nem ela nem ele teriam tempo para uma outra ocasião. O mundo dele era de outra razão, um confim. Ele lhe queria à razão de pontapés? Que fosse. Ela não tinha querer nem ser. E quem não tem vontade, não tem lamento.
E era sem lamento que ela regressava a casa, tardes a fio, sempre última das vendedoras. Demorava os vinte e quatro ponteiros no caminho. Perto de casa colhia uma flor mas, ao entrar no portão, a deitava no chão. No pátio se acumulavam pétalas brancas, secreto e perfumado lençol da noiva que nunca houve.
Até que, um dia, o olho negro de Vivalma se apresentou piorado, em feio e ampliado derrame. As vendeiras transbordaram-se. Não, aquilo era de mais! E se conluiaram para desafiar o marido violento. Sem que Vivalma suspeitasse, umas delas lá foram a casa de Xidakwa. Enquanto pisavam aquele mar de flores desfeitas souberam o espantável: que o dito marido, Xidakwa, há tempo que se fora, amanteado com outra. As vizinhas diziam e comprovavam. Os tais derrames que Vivalma exibia no rosto eram por ela mesma fabricados, sem infligência de mais ninguém.
As vendedores regressaram ao bazar, caladas, sob uma bategazinha de Verão. A chuva caía tristonha como um luto, cada gota uma mulher em Outono, chuviuvinha. Ingrata é a morte que não agradece a ninguém. Vivalma teatrava, para que ninguém suspeitasse de seu abandono? Pois as amigas se compustararam em igual disfarce. Na Natureza ninguém se perde, tudo inventa outra forma.
Sucedeu, por astúcia do acaso, o seguinte percalço: a nova mulher de Xidakwa ouviu dizer que Vivalma continuava a revalidar suas equimoças, olho da cor do chão. Se assim era, quem mais poderia ser o batedor senão o dito latoeiro? E a moça, mais nascida que a gorda vendedeira, contraverteu caminho e foi agasalhar outra felicidade.
O homem, desconcertado, voltou a casa para afinar contas com Vivalma. Se admirou de ver o pátio varrido, limpo das habituais florinhas. Os vizinhos se surpreenderam, depois, a ouvir os gritos dele, batendo em sua original esposa.
Manhãzinha seguinte, viram Vivalma sair de casa, canteirando pelo jardim, a encher as mãos de petalazitas brancas. Haveria quê nessas flores: alegria de quem se ilude vencer? Ou eram pequenitas raivas, desapercebidas como lágrimas em seu rosto molhado? Só ela, a matinal vendedeira, sabe do valor dessas minusculinhas naturezas em seus dedos decepadas. Dizem, finalmente, que sob o véu de seus enegrecidos olhos havia, nessa manhã, uns fiapos de satisfeição. Poderá ela, alguma vez, ser sabida? Se, como diz nenhuma canção, a água corre com saudade do que nunca teve: o total,
imenso mar.

 

Mia Couto,
Contos do nascer da Terra

 

Retirado de Contos de Aula

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publicado às 21:00

Lá em baixo o mar agita-se

por Jorge Soares, em 21.08.10

A olhar o mar

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Sei eu se quando 
A tua mão 
Senti pousando 
‘Sobre o meu braço, 
E um pouco, um pouco, 
No coração, 
Não houve um ritmo 
Novo no espaço? 
Como se tu, 
Sem o querer, 
Em mim tocasses 
Para dizer 
Qualquer mistério, 
Súbito e etéreo, 
Que nem soubesses 
Que tinha ser. 

Assim a brisa 
Nos ramos diz 
Sem o saber 
Uma imprecisa 
Coisa feliz.

 

Fernando Pessoa

 

Praia da Ilha do Pessegueiro

Porto Covo

Maio de 2010

Jorge Soares

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publicado às 10:01

O Cansaço

por Jorge Soares, em 20.08.10

Desespero

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

O Cansaço

 

O que há em mim é sobretudo cansaço — 
Não disto nem daquilo, 
Nem sequer de tudo ou de nada: 
Cansaço assim mesmo, ele mesmo, 
Cansaço. 

A subtileza das sensações inúteis, 
As paixões violentas por coisa nenhuma, 
Os amores intensos por o suposto em alguém, 
Essas coisas todas — 
Essas e o que falta nelas eternamente —; 
Tudo isso faz um cansaço, 
Este cansaço, 
Cansaço.

 

Álvaro de Campos

 

Olhando para o que resultou da faina de um dia... o mar nem sempre é pródigo, há dias assim.

Algures na ilha de Santiago, Cabo Verde

Fevereiro de 2010

Jorge Soares

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publicado às 20:04

Sim, talvez tenham razão

por Jorge Soares, em 19.08.10

Pequena Papoila nas pedras da calçada

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

 

Sim, talvez tenham razão.
Talvez em cada coisa uma coisa oculta more,
Mas essa coisa oculta é a mesma
Que a coisa sem ser oculta.

Na planta, na árvore, na flor
(Em tudo que vive sem fala
E é uma consciência e não o com que se faz uma consciência),
No bosque que não é árvores mas bosque,
Total das árvores sem soma,
Mora uma ninfa, a vida exterior por dentro
Que lhes dá a vida;
Que floresce com o florescer deles
E é verde no seu verdor.

No animal e no homem entra.
Vive por fora por dentro
É um já dentro por fora,
Dizem os filósofos que isto é a alma
Mas não é a alma: é o próprio animal ou homem
Da maneira como existe.

E penso que talvez haja entes
Em que as duas coisas coincidam
E tenham o mesmo tamanho.

E que estes entes serão os deuses,
Que existem porque assim é que completamente se existe,
Que não morrem porque são iguais a si mesmos,
Que podem mentir porque não têm divisão [?]
Entre quem são e quem são,
E talvez não nos amem, nem nos queiram, nem nos apareçam
Porque o que é perfeito não precisa de nada.

 

Alberto Caeiro

 

Pequena papoila que cresceu entre as pedras da calçada portuguesa

Setúbal Abril de 2010

Jorge Soares

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publicado às 19:57

O florir do encontro casual

por Jorge Soares, em 18.08.10

Borboleta na folha de palma

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

O Florir

 

O florir do encontro casual

Dos que hão sempre de ficar estranhos...

 

O único olhar sem interesse recebido no acaso

Da estrangeira rápida ...

 

O olhar de interesse da criança trazida pela mão

Da mãe distraída...

 

As palavras de episódio trocadas

Com o viajante episódico Na episódica viagem ...

 

Grandes mágoas de todas as coisas serem bocados...

Caminho sem fim...

 

 

Álvaro de Campos

 

Borboleta numa folha de palma

Setúbal, Abril de 2010

Jorge Soares

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publicado às 20:54

Bolas de sabão

por Jorge Soares, em 17.08.10

As bolas de Sabão

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

As Bolas de Sabão

 

As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.

 

Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.

Alberto Caeiro

 

Jardim do Bonfim

Setúbal

Junho de 2010

Jorge Soares

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publicado às 20:52

O tempo

por Jorge Soares, em 16.08.10

Relógio de sol

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Tempo — definição da angústia. 
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te 
Ao coração pulsátil dum poema! 
Era o devir eterno em harmonia. 
Mas foges das vogais, como a frescura 
Da tinta com que escrevo. 
Fica apenas a tua negra sombra: 
— O passado, 
Amargura maior, fotografada. 

Tempo... 
E não haver nada, 
Ninguém, 
Uma alma penada 
Que estrangule a ampulheta duma vez! 

Que realize o crime e a perfeição 
De cortar aquele fio movediço 
De areia 
Que nenhum tecelão 
É capaz de tecer na sua teia! 

Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'

 

 

Relógio de Sol em Setúbal

Abril de 2010

Jorge Soares

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publicado às 20:49

Bendito seja o mesmo sol de outras terras

por Jorge Soares, em 15.08.10

Pôr do Sol na praiinha

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Bendito seja o mesmo sol de outras terras 
Que faz meus irmãos todos os homens 
Porque todos os homens, um momento no dia, o olham 
como eu, 
E, nesse puro momento 
Todo limpo e sensível 
Regressam lacrimosamente 
E com um suspiro que mal sentem 
Ao homem verdadeiro e primitivo 
Que via o Sol nascer e ainda o não adorava. 
Porque isso é natural — mais natural 
Que adorar o ouro e Deus 
E a arte e a moral ... 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXVIII"

 

Pôr do sol na prainha, Praia, Cabo Verde

Fevereiro de 2010

Jorge Soares

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publicado às 20:00

Conto: A Minha primeira Morena

por Jorge Soares, em 14.08.10

 

A minha primeira Morena

Imagem da Internet

 

Enfim chegara o grande dia! Minhas mãos magras de menino se retorciam numa ansiedade ainda desconhecida, e suavam com o calor da espera que me ardia no rosto, nos olhos, nas pernas, no pulmão. Era um dia de sol típico dos verões de dezembro. Sentado no canto esquerdo da modesta sala, entre o sofá de couro e a cadeira de balanço do meu avô materno, eu segui religiosamente as instruções do meu pai: — Me espera sentado ali. Não faz arruaça. Veste uma calça comprida — e assim eu estava, sentado ali, sem fazer arruaça e com a melhor calça que eu tinha na época, esperando que meu pai voltasse rápido, ou que o tempo parasse de brincar de esconde-esconde comigo no relógio de madeira da parede. Aqueles 15 minutos demoraram mais de dez horas na minha alucinação infantil. 

Quando ouvi o portão da frente ranger, meu coração disparou feito bola de gude jogada com força, feito boiada estourando no pasto, feito bomba de festa de São João. Eu não sabia se obedecia as ordens do meu pai, invariavelmente severo e carrancudo, ou se cumpria a sina da minha vontade e me destrambelhava porta afora. Com medo de perder o jogo aos 45 do segundo tempo, controlei as pernas bambas e permaneci imóvel no local a mim destinado. 

Os passos mais densos do meu pai, cruzando o alpendre, indicavam que ele trazia consigo mais do que levara quando saiu. A barulheira aturdida da molecada da rua demonstrava que o que ele carregava era de muito valor para os nossos 10, 11, 15 anos. Meus 12 Natais passados pareciam se concentrar naquele instante.

No momento em que meu pai cruzou a porta da frente, estranhamente esqueci o pacote em suas mãos. O olhar daquele homem sério demais para seus poucos cabelos brancos, bravo demais para a minha sensibilidade infantil, longe demais para o amor da minha mãe, que havia morrido pouco antes, mostrava agora qualquer beleza desconhecida, entre o orgulho de satisfazer o filho e o desejo de expressar um amor que não se confessa. E eu o amei infinitamente.

— Toma! Demorou, mas ta aí — disse para mim, disfarçando a humanidade que nos inundava. E foi então que me concentrei no embrulho, quase do meu tamanho. Arranquei o papelão que a cobria com uma quase ira, um desejo incontrolável. Quando a vi, preta como o cabelo da vizinha mais bonita, quase desmaiei. Era linda! Mais linda que a coisa mais linda que eu já havia visto até então (e penso hoje, mais de 30 anos depois, que nunca mais tive tal deslumbre). Com o devido consentimento do meu pai, levei-a pra fora. Passei entre os olhares dos garotos vizinhos sem notar qualquer inveja e sem querer provocá-la. Montei-a com a paixão que nos finge donos e senhores do que é amado, quando somos na verdade meros serviçais. E com a inquietude da minha infância tão cheia de descaminhos, voei pelas ladeiras do bairro, sentindo no rosto o vento que a vida soprava em mim. 

Anos mais tarde, nas aventuras hormonais do meu primeiro amor, senti a mesma incerteza de descoberta, o mesmo atropelamento de sentidos, e quase levei um tapa na cara da namorada quando disse, cheio de orgulho: amo você tanto quanto amei minha primeira bicicleta. Quem entende as mulheres?

 

Giovana Manfredi

 

Retirado de Releituras

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publicado às 21:00



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