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Procuro a ternura súbita,

por Jorge Soares, em 03.08.10

Jovem brinca na areia da praia de Albarquel

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

 

Procuro-te

 

Procuro a ternura súbita, 
os olhos ou o sol por nascer 
do tamanho do mundo, 
o sangue que nenhuma espada viu, 
o ar onde a respiração é doce, 
um pássaro no bosque 
com a forma de um grito de alegria. 

Oh, a carícia da terra, 
a juventude suspensa, 
a fugidia voz da água entre o azul 
do prado e de um corpo estendido. 

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música. 
Chamo por ti, e o teu nome ilumina 
as coisas mais simples: 
o pão e a água, 
a cama e a mesa, 
os pequenos e dóceis animais, 
onde também quero que chegue 
o meu canto e a manhã de maio. 

Um pássaro e um navio são a mesma coisa 
quando te procuro de rosto cravado na luz. 
Eu sei que há diferenças, 
mas não quando se ama, 
não quando apertamos contra o peito 
uma flor ávida de orvalho. 

Ter só dedos e dentes é muito triste: 
dedos para amortalhar crianças, 
dentes para roer a solidão, 
enquanto o verão pinta de azul o céu 
e o mar é devassado pelas estrelas. 

Porém eu procuro-te. 
Antes que a morte se aproxime, procuro-te. 
Nas ruas, nos barcos, na cama, 
com amor, com ódio, ao sol, à chuva, 
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te. 

Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"

 

 

Praia de Albarquel

Setúbal

Junho de 2010

Jorge Soares

publicado às 23:49

Falemos de chumbos..e da nossa escola

por Jorge Soares, em 02.08.10

O N. a fazer salto mortal

 

Ouvi a noticia no Sábado, estava a ver televisão com o N.,  ele mal ouviu falar do assunto saltou e foi contar à mãe, "Vão acabar com os chumbos", não percebo quem escolhe os timings para dizer estas coisas, mas uma ministra da educação a falar de um assunto destes no dia 1 de Agosto quando está tudo a pensar nas viagens de férias e o que há pela frente é um mês com o país a banhos.... a mim deixa-me a pensar.

 

Por muito que o N. possa pensar no assunto, esta é uma medida que já não o vai afectar, como contei neste post, deu muito trabalho. Primeiro foi preciso convencer a professora, depois a professora de apoio. Foram necessários  relatórios da pedo-psiquiatra que segue a hiperactividade, da psicóloga do centro de apoio ao estudo e que  ambas falassem com as professoras pessoalmente.

 

Mas convencer as professoras não é suficiente, foi necessário preencher inquéritos e pedidos especiais... e aceitar as ameaças da falta de horários, de turmas e até vagas nas escolas,.... foram necessárias muitas coisas até que finalmente convencemos a escola e o agrupamento. Tantas coisas que acredito que a maioria dos pais não teria capacidade psicológica e até financeira (pedo.psiquiatras e psicólogos fazem-se pagar caro) para conseguir o que nós conseguimos, que o N. ficasse retido.

 

A verdade é que este anúncio da ministra não faz o mínimo sentido, há muito que se acabaram os chumbos, porque os professores não estão para ter trabalho, os pais ficam mais felizes fingindo que têm uns filhos perfeitos, a ministra pode mostrar uns gráficos muito bonitos como se fossemos um modelo de educação... é claro que na verdade estamos cada vez mais a criar um país de analfabetos funcionais e de frustrados.. mas ficamos muito bonitinhos nas estatísticas.. que parece que é o que interessa.

 

Olhando para trás, e mesmo que o N. ainda tenha algumas dificuldades em aceitar o assunto, cada vez mais sinto que fizemos o mais correcto, ele não está preparado, não tem conhecimentos suficientes e ir nesta altura para o quinto ano era criar um enorme problema. Mas foi uma luta complicada, existiram momentos em que me senti atado de pés e mãos e com um enorme sentido de frustração, porque achava que a minha opinião de pai não servia para nada, era como se o futuro do meu filho estivesse completamente fora das minhas mãos ,.. acreditem, descobrir que as coisas possam ser assim é um sentimento para além de frustrante, bastante estranho.. e houve um dia em que dei por mim desesperado.. porque quando achava que a professora estava finalmente convencida, apareceu a professora de apoio a dizer que ele tinha cumprido os objectivos... ainda estou para perceber como é que uma criança que tem não satisfaz em mais de 80% das avaliações, pode ter cumprido algum objectivo... juro que pensei em enfrentar a senhora e exigir uma explicação.

 

Diz a senhora ministra que se vão substituir os chumbos com mais acompanhamento e atenção mais personalizada, bom, se o apoio extra for como o que o N. teve na escola  nos dois últimos anos.... bem que pode a senhora ministra ficar sentada à espera que algo mude...

 

Antes de tomar decisões destas há que olhar para a realidade das nossas escolas, para as nossas  crianças e os seus problemas e pensar. Nós não somos a Finlândia ou a Suécia, não vivemos como eles, não pensamos como eles, temos muito pouco a ver com eles, porque raio é que os modelos deles se haveriam de aplicar por cá?

 

Dito isto, acho esta medida de acabar com os chumbos um completo disparate, algo que não faz o mínimo sentido... chumbar não é desprestígio nenhum, por vezes temos que parar para pensar.... e isso é válido em qualquer altura na vida.. e se dúvidas houvesse que chumbar nem sempre é sinal de menos capacidade, basta ler este artigo do ionline

 

Chumbar na escola não os impediu de ter sucesso

 

Jorge Soares

publicado às 22:14

Utopia - João Afonso

por Jorge Soares, em 01.08.10

Letra

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

 

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

 

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

Letra de José Afonso

publicado às 21:22

Pág. 4/4



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