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Missa de capacete em Lisboa

 

Imagem do Público

 

No fim de semana passado foi noticia a missa celebrada na igreja de Campolide em que todos, padre incluído, se apresentaram de capacete dadas as condições da igreja,  que segundo eles está muito próxima da ruína total. O edifício é do estado e a instituição Igreja exige a sua entrega a custo zero. Entretanto, não há quem faça obras...  que o estado não tem dinheiro... e a igreja não está para fazer obras no que não é seu.

 

Eu disse o estado não tem dinheiro?... pelo menos é o que nos dizem todos os dias, crise, orçamento, aumento de impostos, diminuição de salários, cortes nas despesas, etc, etc, etc. Mas parece que afinal não é bem assim, hoje no Público podiamos ler o seguinte:

 

Câmara de Lisboa ocultou gastos de 228 mil euros com visita de Bento XVI

 

O mais engraçado é que na altura a igreja fez uma enorme operação de charme para ver se a autarquia de Lisboa seguia o exemplo da do Porto e arcava com os gastos do famoso altar do cais das colunas..e o que nos foi vendido é que todos os gastos seriam pagos por doações de particulares.

 

Afinal não era bem assim,  aquela missa saiu-nos a todos muito cara, sim, porque é dos nossos impostos que saem estes 228 mil Euros..  Olhando para tudo isto, se calhar é mais fácil entender porque é que não há maneira que o raio da crise nos dê descanso..se até o papa cá vem para lixar ainda mais o Zé povinho.

 

Digam lá que os mais de 75 milhões de Euros que nos custou a malfadada visita, não dariam agora um jeitão para ajudar a diminuir o défice ... e já dizia a minha avó, quem não tem dinheiro não tem vicios, façam favor de não convidar mais ninguém para visitas destas!

 

E Já agora, sou só eu que acho que estes 228 mil euros tinham sido mais bem utilizados nas obras da igreja de Campolide?

 

Jorge Soares

publicado às 23:10

Viver .. era isso, mais nada?

por Jorge Soares, em 20.10.10

Viver .. era isso, mais nada?

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Viver

 

Mas era apenas isso, 
era isso, mais nada? 
Era só a batida 
numa porta fechada? 

E ninguém respondendo, 
nenhum gesto de abrir: 
era, sem fechadura, 
uma chave perdida? 

Isso, ou menos que isso 
uma noção de porta, 
o projecto de abri-la 
sem haver outro lado? 

O projecto de escuta 
à procura de som? 
O responder que oferta 
o dom de uma recusa? 

Como viver o mundo 
em termos de esperança? 
E que palavra é essa 
que a vida não alcança?

 

Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco'

 

A vida são muitas coisas, muitas escolhas, muitos caminhos cruzados, muitas oportunidades perdidas, muitas outras agarradas com ambas as mãos... mas no fim, tudo se resume a Somos o que vivemos.

 

Setúbal, Outubro de 2010

Jorge Soares

publicado às 22:22

Homem na cozinha

 

Imagem da Internet

 

Um destes dias lia num dos blogs do El Pais um post sobre desastres na cozinha, aquelas vezes em que decidimos inventar e por um ou outro motivo, as coisas não correm bem. Eu sou incapaz de fazer o mesmo prato duas vezes da mesma forma, raramente tenho os mesmos ingredientes e gosto de inventar… que me lembre nunca me saiu algo que não fosse possível de comer... mas de certeza que alguma vez será.

 

Há uns dias  cheguei a casa e a minha meia laranja ainda não tinha chegado, eu não gosto nada de escolher a ementa, é daquelas coisas que raramente faço...  coisa que até já deu o nome a este blog, como podem ler aqui,  naquele dia tinha mesmo que ser, fui ao frigorífico ver das possíveis opções ,.. havia bifes de Peru… podia ter pensado noutra coisa qualquer para fazer com os bifes… olhei para a Bimby…. Bifes de cebolada.

 

Antes de meter mãos à obra, decidi picar um molho de coentros para congelar, piquei na Bimby… depois foi só pegar no resto das coisas e seguir as instruções.. os coentros já lá estavam…   Um dos meus maiores problemas com a Bimby é acertar com a quantidade dos líquidos, as quantidades que estão nas receitas são sempre excessivas e normalmente resultam em pratos com liquido a mais. Os bifes de cebolada, para além de levarem 5 cebolas .. eu só utilizei 3 mas mesmo assim significa muito liquido, ainda levam vinho branco e concentrado de tomate.

 

Os bifes estavam mesmo bons, mas no fim tínhamos uma enorme taça de molho com imensa cebola, bem temperado e com um saborzinho alentejano a coentros…  como estamos em tempo de crise e cá em casa somos poupadinhos, a minha meia laranja pensou logo na forma de aproveitar aquilo tudo… e vai daí…  juntamos umas cenouras, uma batata, um frasco de feijão encarnado, uns 15 minutos a cozinhar e no fim tínhamos um delicioso creme de feijão… muito bem temperado.

 

A isto é ao que eu chamo uma receita improvável...  e não é porque não se possa provar, que pode e até deve, mas porque antes de começar a cozinhar, nem me tinha passado pela cabeça tal coisa!

 

Jorge Soares

publicado às 21:16

Geração Rasca

 

Há um evento no Facebook que se chama Passagem do cometa Halley (2061) e há muita gente que diz que vai participar...eu não sei se me apetece. Sou velho o suficiente para me lembrar da passagem anterior, fiz parte da geração Halley, cheguei a Portugal em 1989, a meio da luta contra a PGA, estava na faculdade quando apareceram as propinas, fui às manifestações e não paguei.. como não pagou quase ninguém, porque os estudantes que haviam estado unidos contra a PGA, estavam agora Unidos contra as propinas.

 

Uma geração que antes de se formar na vida, formou-se na contestação, na luta pelos seus direitos e contra os arbítrios dos sucessivos ministros da educação do cavaquistão.. e que participaria ainda na contestação aos aumentos na 25 de Abril... uma geração que foi um dia apelidada de geração Rasca... porque para além de tudo o resto que costumam fazer os jovens, sabia contestar.

 

Olhando para o que se passa em França por estes dias, podemos observar que uma boa parte da contestação vem dos estudantes, com escolas ocupadas e cidades invadidas, o movimento estudantil é parte activa na contestação que está a ponto de parar um país.

 

Não quero cair no mesmo erro que caiu quem a nós nos chamou geração Rasca, mas olhando para esta geração, a dos telemóveis, dos milhares de SMS trocados, a geração que nunca chumba, não porque saiba mas por decreto, a geração das calças caídas, a mesma que é contra o acordo ortográfico mas que não é capaz de escrever duas frases sem meter K's e abreviações,  eu pergunto-me.. que geração é esta?

 

Está à vista que vem aí tempos de contestação, tempos difíceis, mas olhando à nossa volta parece que a eles tudo lhes passa ao lado, cresceram com todas as vontades feitas e sem saberem de obstáculos ou dificuldades, só sabem pedir, não sabem o que é lutar por algo, traçar metas e desafios em prol de todos.  Vivem na era da comunicação e do conhecimento global.. mas é como se tudo o que  é realmente importante lhes passasse ao lado.

 

Daqui a mais 20 anos a geração Rasca estará a sair da vida activa... restará neste pais quem saiba lutar pelos seus direitos?

 

Jorge

 

PS:E não, eu não acho que todo tempo anterior foi melhor... viver nunca foi tão bom como agora.. mas há quem viva, e quem se limite a existir

publicado às 21:37

Sabem uma coisa?.. pai sofre!!!!!

por Jorge Soares, em 17.10.10

Pai sofre

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

Eu hoje ia colocar mais uma das minhas receitas... mas isto por cá não está fácil.. tentar escrever com miúdas a reclamar, crianças a chorar, o outro a  inventar coisas para chamar a atenção.... não dá mesmo.

 

Uma das coisas que sempre funcionou bem cá em casa é a hora de dormir das crianças, desde muito pequenos, quando chegava a hora de deitar, iam para a cama e ponto final.. se queriam ou não dormir era com eles, mas tinham que ficar na cama. E isto sempre funcionou, mesmo quando dormiam no beliche..e uma dormia como uma pedra mal caia na cama e o outro ficava às voltas durante horas. A medicação para a hiperactividade tira o sono ao N.,  e não há muito a fazer quanto a isso, o certo é que ele vai para a cama e fica lá, muitas vezes quando me vou deitar depois da meia noite ele continua acordado.. mas é ponto assente que não sai da cama.

 

O facto de termos em casa duas crianças com poucos meses de diferença de idade fez com que as coisas funcionassem, porque as regras eram as mesmas para os dois. Com a chegada da D. as coisas complicaram-se. Ela tem 3 anos, com 3 anos os mais velhos iam para a cama às 20: 30. Com dois pré adolescentes em casa, com actividades desportivas, trabalhos de casa, etc,.. raramente terminamos de jantar antes das 21....

 

A hora de deitar dos mais velhos é por volta das 22.. e claro que é impossível tentar deitar a D. antes disso..e é quando a deitamos que começa a guerra seguinte.. porque a mais pequena começa por não querer deitar... depois insiste em não ficar quieta na cama.. depois é claro que não fica calada.. desde chorar a cantar... ela tenta tudo para seguir a festa. Entretanto, na cama do lado há uma dorminhoca com 10 anos que quer dormir e reclama com todos os santinhos por alguma vez ter tido a ideia de pedir uma mana. Isto depois de maldizer pai, mãe e irmã porque não a deixam dormir.

 

O resultado de tudo isto é que andamos pelo menos meia hora de um lado para o outro, a mandar calar uma, reclamar com a outra, gritar com as duas para que se calem.. normalmente a mais velha adormece primeiro e a mais pequena vai atrás... isto depois de a mãe já estar com os cabelos em pé...

 

Já tentamos colocar a mais pequena a dormir antes.. mas ela não adormece antes de chegar a irmã.. e esta não está para esperar... e o raio do Euromilhões não há modo de me sair.. isto resolvia-se facilmente com um quarto para cada um... eu sei que quem corre por gosto não cansa.. mas pai sofre.. Mesmo!!!!!

 

Jorge Soares

PS:Pois.. eu sei, devia era ter escrito a receita.. que este post não tem ponta por onde se lhe pegue.

publicado às 22:08

Conto: Sade, o Lata de Água II

por Jorge Soares, em 16.10.10

Conto: Sade, o Lata de Água

Imagem da internet

 

Continuação do Conto.. podem ler o inicio aqui

 

- Júlia, quero saber: quem o dono da grávida?
- Armando, você jurou que nunca havia de perguntar
- Agora já quero esse nome. Não podes dar parto sem eu saber a verdade do pai dessa criança.
Júlia permaneceu calada e arrumou-se outram vez na cama. Ele sacudiu-a com violência.
- Vais-me dar porrada? - assustou-se ela.
- Quando não disseres, vou-te dar.
- Não serei eu sozinha a batida. E capaz que vais aleijar o teu filho.
Ele olhou para si mesmo: estava de joelhos, parecia estar de rezas. Um homem que exige não fica na posição dos que pedem. Levantou-se e foi acender o xipefo. Na sombra falou-lhe, já calmo:
- Dorme, Júlia, eu não quero ouvir esse nome. Mesmo quando te pedir outra vez: nunca fales essa pessoa.
Ela sorriu, destapou o lençol e mostrou aquele redondo da lua na barriga.
- É seu filho, Sade. É seu.
A criança nasceu. Ele confirmou, então, a suspeita de um sentimento: o miúdo era um estranho, um remendo na sua honra. Mas um remendo vivo, chorosa testemunha das suas fraquezas. As vezes gostava-o e ele era seu. Outras, o bebé era um intruso que o vencia.
Na vizinhança ninguém desconfiava da identidade do pai. Mas Sade estava cada vez mais inseguro: olhava a criança e parecia que ela sabia de tudo. Quis um filho para esconder vergonha. Agora, tinha um filho que ameaçava o segredo da sua vida. Cada vez mais era difícil aquela morada. Ciumava dos cuidados que a mulher dedicava ao pequeno rival. O futuro atrapalhava-o como um caminho escuro. Mais e mais vezes batia na mulher, cada vez mais passeava nas bebidas. Nunca bateu no miúdo. As porradas que lhe queria dar destinava-as na mulher.


Sentiu a fora do vento na porta e acordou da lembrança. Sempre que se recordava trabalhavam facas dentro da alma. Estava proibido de ir ao passado. E tudo por causa de Júlia, raio de mulher. Fechou a porta com a decisão da fria.
- Sua puta!
E desatou aos pontapés. Queria feri-la, transferir para ela as dores que sentia. Caíram latas, num barulho enorme. Ele não esmoreceu: debruado sobre a cama insultava-a, cuspia-lhe, ameaçava-a da morte derradeira. Os vizinhos. ele já sabia, não viriam acudir. E, aquele noite, a raiva era de mais. Havia de lhe bater até sangrar. Puxou do cinto e usou-o com tanta vontade que o balanço o fez cair sobre a mesa. Pratos e copos caram, rasgando outra vez o silêncio da noite.
De repente, sentiu um barulho na porta. Quando olhou esse algum já tinha entrado. Era Severino, o chefe do quarteirão.
- Que queres, Severino?
- Calma, Sade. Para quê tudo isso?
Ele respirava como se alimentasse muitas almas.
- Senta-te, Sade.
Ele obedeceu. Nos suspiros cicatrizava o fogo da alma.
- Porque que você sempre faz isto? Já viu bater assim numa mulher?
Ele não respondeu. Tentava baixar aquela quentura dentro do peito. Ficou assim uns minutos, até que respondeu:
- Eu não estou a bater em ninguém.
Severino não percebeu. Deve ser está grosso, vai começar uma conversa de muitas coisas. Sade insistiu.
- Não há ninguém nesta casa. Só sou eu sozinho.
Severino olhou em volta, desconfiado. Não havia, realmente, ninguém.
- Pode ver em todo o lado. A Júlia não está, há muito tempo que foi-se embora. Eu não estou a bater contra ninguém.
- Desculpa, Sade. Pensei...
E como não encontrasse palavras decidiu-se a sair. Andava de costas como se a surpresa fosse uma cobra ameaçando saltar-lhe.
- Severino?
- Sim, estou a ouvir.
- Eu faço isto não sei porquê. E para vocês pensarem que ela ainda está. Ninguém pode saber que fui abandonado. Sempre que bato não é ninguém que está por baixo desse barulho. Vocês todos pensam que ela não sai porque sofre da vergonha dos vizinhos. Enquanto não...
Severino tinha pressa de sair. Sade estava com os braços desmaiados, caídos ao lado do corpo. Parecia que a carne se mudara em madeira e que a desgraça havia esculpido nela. Severino saiu, fechando a porta com o cuidado que se guarda para o sono das crianças.
Lá fora uma multidão aguardava das notícias. O chefe do quarteirão, com um gesto vago, espalhou a sua voz:
- Já podem ir. A mamã Júlia está bem. Ela está pedir que voltem para vossas casas, dormirem descansados.
Alguém protestou:
- Mas Severino. .. Afinal, como é?
O chefe do quarteirao, com sorriso atrapalhado:
- Eh, pá, você já sabe como são essas nossas mulheres.

 

Mia Couto in Vozes anoitecidas

 

Retirado de: Contos de Aula

publicado às 20:55

Borboleta Zebra

 

Iphiclides feisthamelii (Duponchel, 1832).
Espécie diurna, comum em Portugal..
Pertence à família Papilionidae Papilioninae Graphiini.
Os seus vernáculos são: "Zebra", "Papilio raiado" ou "Papilio zebrado".

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Por vezes sobram as palavras, a natureza é sempre fantástica.. basta saber olhar-

 

Setúbal, Setembro de 2010

Jorge Soares

 

publicado às 22:35

Blog Action Day 2010 - A água em Portugal

por Jorge Soares, em 14.10.10

 

 

 

Lembro-me de quando fizeram o poço no quintal dos meus pais,  quem escolheu o local foi a minha mãe, andou de um lado para o outro com um galho de macieira na mão, andou, andou.. até que disse: - É aqui. E foi, e fizeram o poço ali, e aos seis metros a água apareceu.. muita água, doce e do que me lembro, fresca e deliciosa.

 

Alviães, pequeno lugar de Oliveira de Azeméis, no Distrito de Aveiro,  é um sitio com muita água, os poços tem por norma menos de 10 metros e há muitas fontes, nada que ver com os poços dos meus tios, do outro lado do rio Caima, onde era necessário escavar mais de 20 metros para se ter alguma água. Desde há muito que se diz que é ali, bem perto da casa dos meus pais, que serão feitos os furos de captação para abastecer de água toda a freguesia de Palmaz. Passou muito tempo desde que abriram o poço, muitas coisas mudaram em Alviães, mas há algo que não mudou, a única água a que tem acesso os meus pais é a daquele poço, é claro que apesar da falta de análises, há muito que sabemos que não é própria para consumo... e não se bebe... mas não há muito a fazer, porque abastecimento de água na freguesia é algo de que se houve falar mas que não há modo de se ver.

 

Não, não estamos a falar de uma freguesia do interior, estamos a falar de um concelho litoral e que até tem pretensões de vir a pertencer à área metropolitana do Porto...e de um lugar onde há muita água, muitas fontes.. o que falta?

 

No outro dia na grande reportagem da SIC, o tema era a água que se bebe em Portugal, segundo um relatório do estado, 98% da água que se consome no nosso país cumpre as normas de qualidade..a reportagem encarrega-se de mostrar como  esses números são uma enorme mentira.. e eles só controlaram a água da rede.. não faço ideia qual será a percentagem do país que não tem acesso a água de rede, agora, se a água que supostamente é controlada não cumpre os parâmetros, imagine-se o que acontece nos locais onde não há qualquer tipo de controlo. Qual será a percentagem da população deste país que só tem acesso a água imprópria para consumo? Quantas Alviães haverá em Portugal?

 

A água é um bem essencial para a existência da humanidade,  há lugares no nosso planeta onde é um bem escasso, felizmente no nosso país ainda existe em abundância, mas como podemos ver na reportagem da SIC, ainda não há a consciência do seu valor e da necessidade de um consumo pensado e responsável, faz falta educação e sobretudo consciencialização da importância de um consumo regrado, sob pena de estarmos a mal gastar um bem precioso e de não estarmos a cuidar da nossa saúde.

 

O dia 15 de Outubro é o Blog Action day de 2010, este ano dedicado à água, desde aqui faço um apelo aos responsáveis do conselho de Oliveira de Azeméis... e o Sr Hermínio Loureiro, presidente da Câmara, até é natural de Alviães, para que vejam bem o que se passa com o consumo de água na freguesia de Palmaz... e a todos nós, para que sejamos responsáveis no consumo diário da água.

 

A reportagem da SIC para quem não viu:

 

 

 

Jorge Soares

publicado às 21:19

Mineiros libertados da mina no Chile

 

Imagem do El Mundo

 

Ontem por volta da  meia noite as imagens em directo desde o Chile, mostravam várias pessoas de volta da cápsula que iria trazer de volta ao mundo os mineiros que há 69 dias estavam no fundo da mina. Desde que voltei de férias que tenho seguido dia a dia o progresso dos trabalhos, e confesso que ontem quando me fui deitar estava algo ansioso... a ideia de que por algum motivo a aquela cápsula ficasse presa a meio do caminho com um dos homens lá dentro... era arrepiante. Felizmente nada disso aconteceu e a esta hora estão a retirar o Vigésimo quarto, espera-se que até ao fim da noite todos estejam cá fora.

 

A forma como os homens ficaram presos na mina e tudo o que aconteceu desde aquele dia no inicio de Agosto até hoje, é um paradigma do estado da nossa sociedade.

 

Por um lado temos um país da América do Sul em franco desenvolvimento, dizia alguém hoje que o Chile é o país mais desenvolvido do sub-continente.. eu tenho sérias dúvidas que isto seja verdade, ou não existisse o Brasil ali ao lado, por outro lado temos a imagem de trabalhadores de uma mina que aparentemente continuam com as condições de há várias décadas atrás. Não é em balde que hoje ao sair da cápsula, um  dos mineiros nas suas primeira declarações referiu que há muito a mudar nas condições de trabalho das minas no Chile.

 

Por outro lado, temos um mundo completamente globalizado que não só nos mostra em directo o que se passava no fundo da mina, como consegui em pouco tempo unir-se para levar até aos confins do  deserto  chileno a tecnologia e as condições para que hoje estejamos todos  a ver em directo cada nova saída e a festejar como se fosse cá.

 

É verdade que a globalização nos veio trazer muitas coisas más, mas alguém já pensou o que seria destes homens se em lugar de em 2010, tivessem ficado soterrados há duas ou três décadas atrás? Será que a tecnologia que permitiu o seu resgate existiria em condições de chegar até lá em tão pouco tempo? E será que existiriam os recursos ou sequer a vontade para conseguir colocar uma máquina deste tamanho em movimento? Existiriam a condições politicas no Chile que permitissem a entreajuda de tantos países?.... são muitas interrogações.

 

Felizmente o mundo evolui, as condições politicas evoluem e permitem que as condições sociais melhorem. Foi uma muito agradável surpresa ver como tanta gente de tantos países reuniu esforços em prol destes homens, esforços que para além de salvar estas vidas, servirão de certeza absoluta como exemplo e um precedente para salvar muitas mais vidas no futuro.

 

Bem haja pelo mundo.. é nestas alturas que concluímos que resta alguma esperança para o homem.

 

Jorge Soares

publicado às 21:59

Livro: A Lâmpada de Aladino, Luis Sepúlveda

por Jorge Soares, em 12.10.10

A Lâmpada de Aladino, Luís Sepúlveda

 

 

"Há mulheres cuja companhia convida ao silêncio, porque sabem partilhá-lo,  e não há nada  mais difícil nem mais generoso"

Luis Sepúlveda in Café Miramar

 

Eu gosto de contos, gosto de livros de contos e este livro agarrou-me logo na primeira página, o primeiro conto chama-se Café Mirarmar e é simplesmente fantástico. Tal como o são a maioria dos outros 13 que compõem o livro.

 

O Luís Sepúlveda é um escritor Chileno com um imenso talento, tem uma escrita fluída e que nos transporta para dentro do livro, neste caso transporta-nos pelo mundo. Com cada conto viajamos , de Alexandria  à Colômbia, de ali a Santiago do Chile e de ali a Ipanema, e a Hamburgo e de novo à selva Amazónica e de ali à Patagónia. Para além de viajarmos no espaço fisico, viajamos pelo tempo.. e com cada novo conto, com cada nova personagem, descobrimos um novo e diferente mundo cheio de cor, de significado social e até de magia.

 

É um livro que mais que ler, devora-se, eu li-o quase de um fôlego numa tarde de verão  sentado numa esplanada com vista para a serra da Arrábida, um livro fantástico, cheio de vida e de pequenas grandes coisas.

 

Sinopse

 

A Lâmpada de Aladino constitui o esperado regresso de Luis Sepúlveda ao território da ficção. Ao longo das histórias que compõem este livro reencontramo-nos com esse território de sentimentos que fizeram do autor um dos nomes mais apreciados da literatura da América Latina.

Enquanto os nomearmos e contarmos as suas histórias, os nossos mortos nunca morrem, diz a certa altura um personagem. Foi precisamente para resgatar do esquecimento momentos, lugares e existências irrepetíveis que Luis Sepúlveda escreveu A Lâmpada de Aladino, uma lâmpada de onde surgem, como por arte de magia, treze contos magistrais.

A Alexandria de Kavafis, o Carnaval em Ipanema, uma cidade de Hamburgo fria e chuvosa, a Patagónia, Santiago do Chile nos anos sessenta, a recôndita fronteira do Peru, Colômbia e Brasil, são alguns dos cenários deste livro. Nas suas histórias, cada uma delas um romance em miniatura, Luis Sepúlveda dá vida a personagens inesquecíveis, prendendo o leitor da primeira à última página.

 

Não deixem de ler.

 

Jorge Soares

publicado às 22:34



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