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Ainda a retenção das crianças no mesmo ano

por Jorge Soares, em 11.10.10

Por vezes é necessário dar um passo atrás para podermos dar dois em frente

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Vai fazer um mês que  recomeçaram as aulas, tal como tinha dito aqui e aqui o N. está a repetir o 4º ano, uma nova escola, novos colegas, uma nova professora, novos hábitos... e sabem uma coisa, passado este tempo temos a certeza absoluta que tomámos a decisão certa.

 

Se calhar tivemos sorte com a professora que nos calhou, que apesar de ser bem mais nova, ou talvez por isso, mostra uma experiência de vida a tratar com situações como a do N. que simplesmente nos deixou espantados.  Uma professora que mais que interessada, se mostrou motivada em lidar com ele e em ajudar a superar as dificuldades.

 

Passou um mês e até hoje não tivemos uma única queixa, um único escritinho para casa, não é que não tenham acontecido coisas na escola, sabemos que logo na primeira semana houve uma luta no recreio, ele mesmo contou, mas o que na outra escola e com a outra professora teria sido um enorme problema, nesta escola e com esta professora foi um assunto resolvido com um  pedido de desculpas de lado a lado e um aperto de mãos.. e foi só isso. Quando a P. a semana passada foi falar com a professora esta disse que não havia queixas, que ele se portava bem, que para além de algumas dificuldades de aprendizagem que já estavam detectadas, ... não tinha a menor queixa dele ou do seu comportamento.

 

Um ano é muito tempo na vida de uma criança, nós sempre achamos que para além da hiperactividade, do défice de atenção, da dislexia, um dos maiores problemas era a falta de maturidade... passou um ano e ele cresceu, é claro que as dificuldades continuam lá, mas a forma como olha  para as coisas, vai mudando.. e isto aliado a ter uma professora que não se preocupa em ter as crianças formatadas e todas certinhas, que realmente se preocupa com as que têm mais problemas, parece que poderá fazer o milagre....esperemos que sim.

 

Ao dia de hoje, tenho a certeza absoluta que tomámos a decisão certa, que apesar de ter havido algum constrangimento e alguma tristeza  no final do ano passado, o facto de repetir o ano não o marcou minimamente e que neste momento a forma como estão a correr as coisas, funciona como algo positivo para ele...

 

Setúbal, Outubro de 2010

 

Jorge Soares

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publicado às 21:45

Ser Criança

por Jorge Soares, em 10.10.10

Ser criança

 

Ser criança

 

Ser criança

é ter esperança

 

É ter a alegria

de viver o mundo.

 

É ter uma chave

uma chave para o futuro.

É viver no mundo de imaginação.

É encarar o mundo,

é tê-los nas mãos.

 

É olhar o mundo

de maneira diferente.

É sonhar é viver ,

É ser diferente.

 

Raquel Soares

10 anos

Retirado de aqui

 

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publicado às 21:44

Conto: Sade, o Lata de Água

por Jorge Soares, em 09.10.10

Sade O Lata de Água

 

Imagem da Internet

 

Tarde de madeira e zinco. Com telhados pendurados, a cacimba a raspar-lhes. Molhadas, as pálpebras da tarde parecem soltar morcegos.
No bairro de caniço a paisagem beijada só pela morte. Sade regressa a casa, tropeçando pragas. É rasteirado pela cerveja, toda a tarde entornada no seu desespero.
- Amigos? Caraças, são os primeiros a lixarem um gajo!
Estoiram risos nos umbrais das portas.
- Riam, cabrões.
Remexe os bolsos. Cigarros: nada. Fósforos: nada. As mãos impacientes interrogam o vestuário. Apetecia-lhe o fumo, precisava da força de um cigarro, da segurança dos gestos já feitos.
- Olha o Lata de Água. A mulher nem sai da casa, desde que ele meteu-se na bebida.
Não era verdade. As mulheres sempre recebem o prémio de se ter pena delas. Sacanas dos vizinhos. Só estão perto quando querem espreltar desgraças. No resto ninguém lhes conhece.
Entrou em casa e fechou a porta. A mão ficou no trinco, distraída, enquanto ele passeava os olhos naquele vazio. Lembrou-se dos tempos em que a encontrou: foram bonitos os dias de Júlia Timane!
Tinha havido muito tempo. Estava sentado numa paragem à espera de nada, dessa maneira que só os bêbados esperam. Ela chegou e sentou-se ao lado. A capulana que trazia sobre os ombros parecia pouca para um frio tão comprido. Começaram de falar.
- Sou Júlia, natural de Macia.
- Não tens marido?
- Já tive. Por enquanto não tenho.
- Foram quantos os maridos?
- Muitos. Tenho os filhos, também.
- Onde estão esses filhos?
- Não estão comigo. Os pais levaram.
Ele ofereceu o casaco para a cobrir do frio. Ela ajudou-o a encontrar o caminho para casa. Mas acabou por ficar aquela noite. E as outras noites também.
Quando souberam que andava com ela, condenaram-no. Ela estava muito usada. Devia escolher uma intacta, para ser estreada com seu corpo. Ele não quis ouvir. Foi então que passaram a chamá-lo de Lata de Água. Em toda a parte, alcunha substituiu o nome. A água aceita a forma de qualquer coisa, não tem a própria personalidade.
Com o tempo foi-se apercebendo de uma coisa grave: ela não lhe dava filhos. Isto ninguém podia saber. Um homem pode ter barba, não-barba. Agora filhos tem que tirar: um documento exigido pelos respeitos.
Um dia disse-lhe:
- Temos que ter um filho.
- Não podemos, você sabe.
- Temos que arranjar maneira.
- Maneira, como? Se eu não tenho a culpa? O hospital explicou o problema: você que não tira os filhos.
- Não estou a falar de culpa. Já estudei o problema, a solução já descobri: abastece-se lá fora, mulher.
- Não estou perceber.
- Estou-te dizer: dorme com outro. Eu não vou zangar. Só quero um filho mais nada.
A noite ela saiu. Voltou muito tarde. As noites seguintes ela fez o mesmo. Foram muitas noites.
Ele perguntou:
- Uma vez não chega?
- Não quer um filho? É bom garantir.
- Faça lá maneira que vocês sabem. Mas rápido, não quero falta de respeito.
Júlia engravidou-se. Ele festejou a notícia. Aquelas primeiras semanas foram muito felizes. Até que uma vez ele acordou-a no meio da noite:
- Júlia, quero saber: quem o dono da grávida?

 

.... Continua

 

Mia Couto in Vozes anoitecidas

 

Retirado de: Contos de Aula

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publicado às 21:05

Ricardo Gonçalves, o deputado que acha 3700 Euros uma miséria

 

Já foi a semana passada, mas a mim tinha-me passado ao lado, há um deputado da assembleia da República que diz que os 3700 (três mil e setecentos) Euros que recebe por mês não são suficientes para sobreviver em Lisboa. Estive a investigar, o Salário médio em portugal  é de 894 Euros, significa isto que há muita gente, muitíssima gente, que sobrevive com menos de um quarto do que recebe o senhor deputado. Dizia o Sr. com alguma ironia que a cantina da assembleia da República deveria abrir à hora do jantar para que suas excelências pudessem jantar sem ter que ir gastar balúrdios num qualquer restaurante de moda.  Então e quem ganha o salário mínimo e para além de ter que se alimentar a si, tem que alimentar e vestir os seus filhos, não terá direito a ir lá jantar? Quantas destas cantinas serão necessárias para cobrir as necessidades de todos os que tem que sobreviver com menos de 894 Euros por mês?

 

Não vou discutir aqui se os 3700 Euros são ou não suficientes para que um deputado sobreviva, já alguém o fez e quanto a mim muito bem, foi no O meu infinito Particular, mas a mim quer-me parecer que em momentos como este, num momento em que todos nos preparamos para pagar mais IVA, ter menos isenções no IRS, quando uma grande parte da população vai ver o seu salário diminuído no fim do mês, declarações como esta por parte de um deputado da República, caem mal, muito mal. Até porque só é deputado quem quer, ao contrário da maioria da população, o senhor pode voltar para a sua província e para a sua vida descansada, quando quiser, ninguém o obrigou a vir para Lisboa. Quando ele se candidatou já sabia qual seria o seu salário e as condições...  está à espera de quê para dar o lugar a alguém que realmente queira servir o país? E como alguém dizia aqui.. a julgar pela fotografia, ele não tem mesmo ar de se tratar mal.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:20

Mário Vargas LLosa

 

Imagem do Público

 

O primeiro livro de que tenho memória é A cidade e os cachorros (La ciudade y los perros), é um livro forte, com um tema forte e foi sem dúvida um livro que me marcou e que tendo sido lido quando eu tinha 13 ou 14 anos, contribuiu de uma forma decisiva para que me tornasse num leitor quase compulsivo e um fã  do autor.

 

Mario Vargas Llosa tem um estilo de escrita muito próprio, a maioria dos seus livros não é escrito de forma linear, à primeira vista é difícil encontrar um fio condutor, cada capítulo é uma parte da história contada desde o ponto de vista de um dos protagonistas, à medida que vamos lendo vamos entrando na pele de cada um dos personagens e na sua historia.

 

Li a maioria dos seus livros, ele é sem duvida um dos meus autores preferidos e um dos maiores expoentes do Realismo Mágico, o estilo de escrita lationo-americano que através da leitura nos leva a conhecer a realidade politico social da América Latina do século XX.

 

De entre todos os seus livros eu destacaria, para além  A cidade e os cachorros, A Tia Julia e o escrevinhador e Travessuras da Menina má,  de que já se falou aqui, dois dos meus livros preferidos e que nos mostram duas fases distintas da escrita deste autor.

 

Este foi sem dúvida um Nobel muito bem entregue, a um autor que para além da sua escrita se destaca como jornalista, politico, chegou a ser candidato a presidente do Peru, e lutador incansável pela justiça e bem estar social do povo do seu país.

 

Livros deste autor:

 

Os Chefes (1959)
A cidade e os cachorros ("La ciudad y los perros") (1963)
A casa verde (1966) (Premio Rómulo Gallegos)
Conversa na catedral (1969)
Pantaleão e as visitadoras (1973)
Tia Júlia e o escrevinhador (1977)
A Guerra do Fim do Mundo (1981)
Historia de Mayta (1984)
Quem matou Palomino Molero? (1986)
O falador (1987)
Elogio da madrasta (1988)
Lituma nos Andes (1993). Premio Planeta
Os cadernos de Dom Rigoberto (1997)
A festa do bode (2000) - novela sobre a ditadura do general da República Dominicana, Rafael Leónidas Trujillo
O Paraíso na Outra Esquina (2003) - novela histórica sobre Paul Gauguin y Flora Tristán.
Travessuras da Menina Má (2006)


Jorge Soares

 

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publicado às 13:16

A Capital, 5 de Outubro de1910

 

«Que escrever quando os olhos ainda se enublam de lágrimas de emoção, e o peito ainda palpita com a vibração da anciedade enorme que o agitou durante estes dias de gloria e de tragedia? Quem viveu esses dias inolvidaveis, unicos da vida, não julga possivel traduzil-os ainda na expressão mais bella e mais sentida da palavra humana.».

 

O texto, tal como a imagem, foi retirado do blog Dias que Voam, e terá sido transcrito de um exemplar do jornal A Capital do dia 5 de Outubro de 1910 que foi hoje distribuído, pela autora do post. A mim chamou-me a atenção a forma escrita das palavras anciedade, enublam e bella... ainda que poderiamos questionar na falta de acentuação de algumas outras.

 

Terá sido coincidência, mas antes de entrar no Dias que Voam, tinha por puro acaso ido parar a um outro blog em que se podia ler: Este Blog Não adopta o acordo ortográfico. Nada de mais, já vi outros blogs com a mesma frase e quer-me parecer que tal como a fitazinha do Piaçaba, também esta irá virar moda. O problema é que depois de tentar ler o post que me levou até lá e mais um ou dois anteriores, a mim pareceu-me que o único que ali estava escrito em português, com ou sem acordo ortográfico, era esta frase, o resto era um monte de palavras abreviadas, meio escritas e com muitos k's pelo meio.. A mim custa-me entender que alguém  faça gala de ser contra o acordo ortográfico e depois não se dê ao trabalho de pelo menos tentar escrever num português decente...  e escreva coisas como esta: "atao tu qe tens uma biblioteca em casa"

 

Voltando ao texto transcrito, a mim deixou-me a pensar, partindo do principio que o jornal não vem com erros ortográficos, quantos acordos terão sido necessários para que anciedade passa-se a ser ansiedade e para que bella seja bela?

 

A maioria das pessoas que conheço é contra o acordo ortográfico e jura a pés juntos que nunca escreverá da nova forma, já se puseram a pensar que se não tivessem existido vários acordos desde 1910 até hoje, ansiedade continuaria a ser anciedade?... e que se não tivessem havido vários  antes desse, quem sabe o que estaríamos a utilzar hoje em dia para escrever? Segundo a Teresa na resposta ao meu comentário, "o primeiro acordo ortográfico (não formalizado enquanto tal) se deu com o pai de D. Dinis, o rei de cognome 'O Bolonhês' e por influência do antigo Provençal ('ñ' passou a ser grafado como 'nh' durante o reinado de Afonso III, um mero exemplo)"

 

Basta olhar para o texto para percebermos como a nossa língua é algo vivo, para vermos a forma como mudou em 100 anos... e para entendermos que não há nada a fazer, ela vai continuar a sua evolução natural

 

Tal como disse noutro Post,  As palavras também morrem ... ... porque nascem, e tudo o que nasce, mais tarde ou mais cedo, morre.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:22

5 de Outubro de 2010, 100 Anos de quê?

por Jorge Soares, em 05.10.10

Monarquia não!

 

Ouvi a pergunta na sexta na Antena 1,  o que há para festejar? é uma pergunta pertinente, passados 100 anos dificilmente haverá alguém que lá tenha estado e nos possa contar o que veio de novo com a República... afinal, o 25 de Abril foi há bem menos tempo e a maioria de nós não sabe o que veio de novo com ele, porque haveríamos de ter a noção do que ganhámos há 100 anos?

 

A diferença entre uma república e uma monarquia constitucional não será assim tão grande, na Europa da que agora fazemos mesmo parte, há várias monarquias  e eles sobrevivem... às vezes bem melhor que nós... mas isso é agora, há 100 anos as coisas eram bem diferentes.

 

100 anos a República pretendeu em primeiro lugar estabelecer uma tentativa de igualdade entre todos os cidadãos, no Portugal do inicio do século XX existia uma monarquia em que uma pequena parte da população tinha como garantidos uma série de direitos e benefícios que eram instituídos por tradição e por herança, o resto da população era considerada quase como cidadãos de segunda e que em muitos casos tinham como função de vida servir de servos aos senhores.

 

Estamos no século XXI, há muito que a ideia do sangue azul, de haver cidadãos de primeira e segunda, acabou, custa-me entender que existam pessoas que se sentem com direito a  ser reis por tradição, as pessoas devem ser eleitas pelos seus méritos, devem ser sujeitos a escrutínio e a eleição. É verdade que a nossa república não é perfeita, os nossos governantes não serão perfeitos, mas estão lá porque foram escolhidos e eleitos por nós.. e sabemos que passados 5 anos haverá novas eleições e uma nova possibilidade de escolher outros.. que farão melhor ou pior...  mas que serão sempre julgados e avaliados por nós... quem avalia um rei?

 

Haverá quem diga que um rei serve para reinar, não para governar... mas na actualidade, no mundo em que vivemos, o que significa reinar? para que serve um rei?, estaríamos nós dispostos a prestar vassalagem a alguém que é igual a nós?, que simplesmente está ali porque tem um apelido?  estaria algum de nós disposto a prestar vassalagem a este senhor? E depois, o que faz de um rei um melhor governante que qualquer um dos restantes cidadãos de um país?.. isso vem por herança?

 

Desculpem lá, mas eu acho que o país já teve a sua dose de governantes idiotas... monarquia não!

 

Jorge Soares

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publicado às 22:17

IG Nóbel

 

Hoje foi entregue o primeiro Nóbel, foi o da medicina e foi para Robert G. Edwards, o pai da fertilização in Vitro, durante os próximos dias serão anunciados os próximos. O Nóbel foi instituido por Alfred Nóbel, o inventor da dinamite, como forma de apaziguar a sua consciência e para ser recordado como algo mais que O Mercador da Morte. O Prémio serve como o reconhecimento para as pessoas que com as suas descobertas contribuem para melhorar o mundo em que vivemos.

 

Mas nem só de grandes descobertas e investigações vive a ciência, esta é feita de muitas pessoas e de muitas coisas, para premiar as investigações mais bizarras, foram criados os prémios IG Nobel, que funcionam como uma paródia ao verdadeiro Nóbel, mas que não deixa de ser um prémio sério.. isto porque serve para reconhecer trabalhos reais e que foram publicados.

 

Na verdade o prémio foi criado em 1991 para destacar as investigações que nunca deveriam ter sido feitas e que não se devem repetir.

 

Vejamos alguns dos prémios deste ano:

 

Biologia - Documentação científica da presença de sexo oral em morcegos frugívoros. O sexo oral entre os morcegos prolonga o tempo de cópula. Premiados:Libiao Zhang, Min Tan, Guangjian Zhu, Jianping Ye, Tiyu Hong, Shanyi Zhou, e Shuyi Zhang, da China, e Gareth Jones, da Universidade de Bristol, Grã-Bretanha

Paz - Estudo que tenta provar que os palavrões aliviam a dor, ou seja, quando damos com martelo no dedo, se dissermos um palavrão, a dor é aliviada mais rapidamente. A relação foi provada. Premiados - Richard Stephens, John Atkins e Andrew Kingston, da Universidade Keele, Grã-Bretanha.

 

Engenharia - Aperfeiçoamento do método de recolha de muco das baleias utilizando um helicóptero de controlo remoto. Investigadoras  da Inglaterra e do México estudavam a saúde das baleias e queriam  um método eficiente para retirar amostras de muco e verificar se havia infecção. Solução: Os métodos existentes são dificílimos de executar, segundo os cientistas. O uso de um helicóptero com controle-remoto. Pesquisadores - Karina Acevedo-Whitehouse e Agnes Rocha-Gosselin, da Sociedade Zoológica de Londres, Grã-Bretanha, e Diane Gendron, do Instituto Politécnico Nacional, de Baja California Sur, no México.

 

Administração - Demonstração matemática de que as empresas lucrariam mais se promovessem os  seus funcionários aleatoriamente. Cientistas italianos partiram do pressuposto de que se todas as pessoas são promovidas até o nível máximo de incompetência delas, a melhor saída é promovê-las aleatoriamente. Pesquisadores - Alessandro Pluchino, Andrea Rapisarda e Cesare Garofalo, da Universidade de Catania, Itália


Medicina - Cientistas holandeses estavam investigando tratamentos para a asma e perceberam que a manifestação de emoções negativas ou positivas podem ajudar a dilatar os brônquios, facilitando a respiração de pessoas com a doença. Solução: uma volta na montanha-russa. Pesquisadores - Simon Rietveld, da Universidade de Amsterdam, e Ilja van Beest, da Universidade Tilburg.

Planeamentos de transporte – Utilização do Dictyostelium discoideum, um tipo de mofo, para determinar o melhor percurso para caminhos de ferro. O tal mofo ajudaria a traçar melhores rotas para ferrovias. Pesquisadores - Toshiyuki Nakagaki, Atsushi Tero, Seiji Takagi, Tetsu Saigusa, Kentaro Ito, Kenji Yumiki, Ryo Kobayashi, da Universidade de Hokkaido, Japão, e Dan Bebber e Mark Fricker, da Grã-Bretanha.

Física - Por causa das ruas íngremes em volta do laboratório dos autores da pesquisa, na Nova Zelândia, muitas pessoas afirmavam que a utilização de meias por cima dos sapatos ajudava a melhorar o atrito nas superfícies escorregadias. Como cientistas, eles revelaram que se sentiram obrigados a fazer um estudo minucioso que resultou na comprovação do método. Pesquisadores - Lianne Parkin, Sheila Williams, e Patricia Priest, da Universidade de Otago, Nova Zelândia

Saúde pública - A pesquisa americana surgiu de um desafio. Um colega de laboratório havia sido censurado pelos amigos porque deixava a barba por fazer, aumentando o risco de contaminação. Caso eles conseguissem provar, cientificamente, que isso era verdade, ele faria a barba. Resultado: micróbios se aglomeram mais em cientistas barbudos do que em investigadores sem barba. Pesquisadores - Manuel Barbeito, Charles Mathews, e Larry Taylor, do Escritório de Saúde Industrial de Fort Detrick, Maryland, Estados Unidos

Química - A prova de que água e óleo, ao contrário da crença popular, se podem misturar. Outra sátira. Dessa vez ao maior desastre ambiental dos Estados Unidos, o vazamento de petróleo no Golfo do México. Nenhum representante da British Petroleum, empresa responsável pela plataforma que explodiu, foi buscar o prêmio. Pesquisadores - Eric Adams, do MIT; Scott Socolofsky, da Universidade A&M do Texas; Stephen


Eu gostei especialmente do de administração...  o prémio consiste em:  um balão volumétrico (frasco de vidro utilizado em laboratório) cheio de bonecos de bactérias gigantes e uma placa com a gravação “Ig Nobel Prize 2010” escrito com cola colorida. O prémio monetário consiste na abssurda quantia de 10 trilhões de dólares, mas dólares do Zimbábue, moeda extinta devido aos desastre financeiro conduzido pelo ditador Robert Mugabe.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:37

Este senhor recebe 12000 Euros por mês... à nossa custa

Acumulação de pensões. Cavaco fora das medidas de austeridade

"O executivo de Sócrates vai apenas aplicar a medida para o futuro, ou seja, para os novos pensionistas e não para aqueles que já acumulam os vencimentos com pensões de reforma."

 

Medidas de austeridade a Lá carte era mesmo o que o país precisava nesta altura... o Sr presidente só recebe 5000 Euros de reformas mais 7000 de salário.. mais todos os gastos pagos... crise?, qual crise? ... a crise é só para os pobres.

 

Alguém me explica como é que uma medida que só vai afectar os novos pensionistas vai ter algum efeito no corte da despesa de que precisamos imediatamente? E aquela de cortar nos carros (Governo compra Mercedes de 131 mil Euros) ? Ora e se fossem todos à me....?

 

Jorge Soares

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publicado às 12:58

Conto: Como é mesmo o nome?

por Jorge Soares, em 02.10.10

Como é mesmo o nome?

 

Levou o manequim de madeira à festa porque não tinha companhia e não queria ir sozinho.

Gravata bordeaux, seda. Camisa pregueada, cambraia. Terno riscado, lã. Tudo do bom. Suas melhores roupas na madeira bem talhada, bem lixada, bem pintada, melhor corpo. Só as meias um pouco grossas, o que porém se denunciaria apenas se o manequim cruzasse as pernas. Para o nariz firmemente obstruído, um lenço no bolsinho.

No relógio de ouro do pulso torneado, a festa já tinha começado há algum tempo.

Sorridentes, os donos da casa se declararam encantados por ter ele trazido um amigo.

— Os amigos dos nossos amigos são nossos amigos — disseram saboreando a generosidade da sua atitude. E o apresentaram a outros convidados, amigos e amigos de nossos amigos. Todos exibiram os dentes em amável sorriso.

Recebeu o copo de uísque, sua senha. E foi colocado no canto esquerdo da sala, entre a porta e a cômoda inglesa, onde mais se harmonizaria com a decoração.

A meia hilaridade pintada com tinta esmalte e reforçada com verniz náutico exortava outras hilaridades a se manterem constantes, embora nenhuma alcançasse idêntico brilho. Abriam-se os transitórios vizinhos em amenidades que o compreensivo calar-se do outro logo transformava em confidências. Enfim alguém que sabia ouvir. Relatos sibilavam por entre gengivas à mostra e se perdiam em quase espuma na comissura dos lábios. Cabeças aproximavam-se, cúmplices. Apertavam-se as pálpebras no dardejado do olhar. O ruge, o seio, o ventre, a veia expandida palpitavam. O gelo no uísque fazia-se água.

A própria dona da casa ocupou-se dele na refrega de gentilezas. Trocou-lhe o copo ainda cheio e suado por outro de puras pedras e âmbar. Atirou-se à conversa sem preocupações de tema, cuidando apenas de mantê-lo entretido. Do que logo se arrependeu, naufragando na ironia do sorriso que lhe era oferecido de perfil. A necessidade de assunto mais profundo levou-a à única notícia lida nos últimos meses. E nela avançou estimulada pelo silêncio do outro, logo úmida de felicidade frente a alguém que finalmente não a interrompia. No mais frondoso do relato o marido, entre convivas, a exigiu com um sinal. Afastou-se prometendo voltar.

O brilho de uma calvície abandonou o centro da sala e coruscou a seu lado, derramando-lhe sobre o ombro confissões impudicas, relato de farta atividade extraconjugal. Sem obter comentários, sequer um aceno, o senhor louvou intimamente a discrição, achando-a, porém, algo excessiva entre homens. Homens menos excessivos aguardavam em outros cantos da sala a repetição de suas histórias.

Não acendeu o cigarro de uma dama e esta ofendeu-se, já não havia cavalheiros como antigamente. Não acendeu o cigarro de outra dama e esta encantou-se, sabia bem o que se esconde atrás de certo cavalheirismo de antigamente. Os cinzeiros acolheram os cigarros sem uso.

Um cavalheiro sentiu-se agredido pelo seu desprezo. Um outro pela sua superioridade. Um doutor enalteceu-lhe a modéstia. Um senhor acusou-lhe a empáfia. E o jovem que o segurou pelo braço surpreendeu-se com sua rígida força viril.

Nenhum suor na testa. Nenhum tremor na mão. Sequer uma ponta de tédio. Imperturbável, o manequim de madeira varava a festa em que os outros aos poucos se descompunham.

Já não eram como tinham chegado. As mechas escapavam, amoleciam os colarinhos, secreções escorriam nas peles pegajosas. Só os sorrisos se mantinham, agora descorados.

No relógio torneado do pulso rijo a festa estava em tempo de acabar.

As mulheres recolhiam as bolsas com discrição. Os amigos, os amigos dos amigos, os novos amigos dos velhos amigos deslizavam porta afora.

Mais tarde, a dona da casa, tirando a maquilagem na paz final do banheiro, dedos no pote de creme, comentava a festa com o marido.

— Gostei — concluiu alastrando preto e vermelho no rosto em nova máscara —, gostei mesmo daquele convidado, aquele atencioso, de terno riscado, aquele, como é mesmo o nome?

 

Marina Colasanti

 

retirado de Releituras

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publicado às 21:22



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