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Os mimos da Sónia

por Jorge Soares, em 19.11.10

 

Isto de ter o mail publicado no blog tem que se lhe diga, para além dos anúncios  do viagra e de mais mil comprimidos azuis, dos não sei quantos métodos para aumentar o coiso e as coisas, vão directamente para o SPAM que ainda não estou nessa fase da vida,  recebo os mails de pelo menos dois blogs do Partido comunista, do blog da secção do PS de Setúbal e da secção do mesmo partido de Oliveira de Azeméis (ainda estou para perceber como é que o pessoal da terra me encontrou aqui), nenhum destes vai para o Spam.. gosto de estar informado... Aviso desde já que qualquer mail dos partidos de direita e extrema direita irão directos ao SPAM.... não tenham ideias. Há um senhor que me costuma enviar uns escritos estranhos sobre deus e as suas coisas.. já desisti de marcar como spam... mas depois do segundo passaram a ir directamente para a pasta deleted... o homem repete-se.

 

De vez em quando chegam umas coisas divertidas... e outras.. que nem sei como classificar, esta semana recebi um mail da Sónia mimos (o remetente era mesmo este) e dizia o seguinte.

 

"Ola , o meu serviço não é um convivio , eu dou massagens de corpo inteiro e apenas utilizo as mãos e a boca no fim para a descompressão se optares por massagem com descompressão.

 

O preço para uma massagem todo o corpo são 20 euros, e 30 com descompressão no fim e não tenho local por isso ou é na tua casa ou acrescenta o valor do quarto.

 

Faço uma massagem por dia ás 22.00 horas , se estiveres interessado basta marcares , atenção na zona de lisboa.

 

Não te vais arrepender

 

Beijinhos"

 

A parte da massagem a malta conhece.. mas fiquei curioso.. o que é que ela quer dizer com: utilizo as mãos e a boca no fim para a descompressão ?

 

Assim à primeira vista.. a minha mente marota levou-me logo para a malandragem... mas 30 Euros?... eu não estou muito a par dos preços de algumas coisas... mas  está-me a parecer muito barato... 20 Euros por uma massagem ainda vá que não vá.. mas 10 Euros pela descompressão?..

 

Já alguém fez massagens com descompressão e quer explicar á malta?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:33

as crianças e a institucionalização

 

Imagem de aqui

 

A maior parte de nós acha que escrever num blog é deitar palavras ao vento, que escrevemos para nós, que ninguém se interessa por aquilo que dizemos, eu há muito que percebi que isso não é verdade e tomei consciência que aquilo que aqui digo é lido por muita gente. Todos os dias há mais de 400 pessoas que por aqui passam, imagino que a maioria o fará com indiferença, vem ao engano trazido pelo google, entra mudo e sai calado, sem deixar marcas da sua passagem, mas entre todos esses há sempre alguém que encontra o que procurava e que o leva consigo.

 

O ter essa noção faz com que eu tenha algum cuidado com o que digo e como o digo, não sou dono da verdade e nem tenho pretensão de o ser. Na terça eu demorei imenso a pegar na escrita, cheguei inclusivamente a desistir e a pegar noutro assunto, mas voltei ao inicio, eu tinha que falar daquilo. Tentei que o post se cingisse áquele caso, à noticia, sem generalizar e tocando apenas nos pontos que me pareciam importantes e mais relevantes, porque sei que este é um tema muito controverso. Sem ir mais longe, na passada Sexta Feira estive em Braga reunido com uma série de pessoas  para discutir o assunto, em que falámos de casos, tentamos perceber como retirar ideias para que os processos sejam mais simples, mais claros, mais rápidos e com menos sofrimento para as crianças. Mesmo com todos os cuidados do mundo, há sempre quem não queira ver o mundo mais além do que conhece ou já viu..e foi isso que aconteceu nos comentários.

 

Há algo que gostaria de deixar esclarecido, até porque há mentiras que de tanto serem repetidas correm o risco de se tornarem verdade, ser pobre não é doença nenhuma, há muitíssima gente neste país que é pobre e de uma honestidade e nobreza a toda prova. Muitíssima gente que é pobre e cuida dos seus filhos com muito mais carinho e dedicação que a maioria dos abastados, ser pobre não é delito nem é evidentemente motivo para se retirar uma criança a ninguém. A mim irrita-me solenemente quando as pessoas gritam a todo pulmão que lhes estão a retirar os filhos porque são pobres... utilizar a pobreza como arma de arremesso é para além de triste, uma injustiça para quem é pobre e vive feliz apesar disso.

 

Como diz a Cristina no seu comentário a disfuncionalidade das familias surge muito frequentemente associada a situações de pobreza, estando a duas situações interligadas. Por esta razão a maioria das crianças em risco ou institucionalizadas virá, julgo eu (não tenho dados para o afirmar), de agregados familiares mais pobres.

 

Infelizmente em Portugal temos uma enorme tendência para generalizar, confundimos muito facilmente a árvore com a floresta e achamos que porque já vimos um caso, já vimos todos... nada mais longe da verdade. Existem em Portugal mais de 10000 crianças em acolhimento, cada uma delas terá a sua história e cada uma delas é diferente de todas as outras. Entre todas estas haverá algumas injustiças?.. é claro que sim,.. mas é precisamente contra estas injustiças que eu e outras pessoas tentamos lutar... e não é deitando casos cá para fora como se fossem verdades absolutas que se resolve nada.. estamos a falar da vida de muitas crianças, eu sou o primeiro a dizer que há muitas coisas erradas no sistema, se não fosse assim não existiriam 10000 crianças em instituições, estariam todas com alguém que lhes desse amor e protegesse.. mas é o sistema que temos e o que há a fazer é lutar para que seja melhor.

 

Para terminar..e para vermos como casos há muitos, deixo este e este e este .

 

Jorge Soares

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publicado às 21:47

Dizem?

por Jorge Soares, em 17.11.10

Dizem?

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Dizem?

 

Dizem? 
Esquecem. 
Não dizem? 
Disseram. 

Fazem? 
Fatal. 
Não fazem? 
Igual. 

Por quê 
Esperar? 
Tudo é 
Sonhar. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

Desculpem lá, mas hoje não há opiniões... vou ali pensar numas respostas e já volto!

Jorge Soares

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publicado às 23:01

 

Crianças em risco

 

Imagem do Público

 

Li a noticia no DN à hora do almoço,  um país não é mais que o reflexo do seu povo, da sua cultura.. ou da falta dela. Haverá quem questione até que ponto o que se passa numa aldeia perdida de Covilhã poderá ser o espelho em que nos vemos reflectidos todos os dias... talvez sim, talvez não, mas depois do que li hoje, depois de  na sexta feira ter ouvido uma assistente social a queixar-se de que um Juiz não decide uma medida de protecção a uma criança e prolonga o limbo em que esta vive,  porque tem medo que os pais vão para a comunicação social..., eu já não sei qual será mesmo o país real.

 

"A GNR da Covilhã retirou esta segunda-feira da aldeia de Verdelhos, Covilhã, três assistentes sociais e uma professora, depois de terem sido ameaçadas pela população .."

 

Tinham lá ido " para encaminhar para a instituição duas filhas de uma residente, com 4 e 7 anos, na sequência de queixas por maus tratos e abandono."

 

Partimos do principio que a decisão de institucionalizar uma criança não é tomada de ânimo leve, imagino que antes de chegar a este ponto, teve que haver uma denuncia à CPCJ,  houve uma investigação, visitas à família e só após se ter concluído que existia perigo real para as crianças, se decidiu pela medida de protecção.  Quero acreditar que uma medida destas não se toma em cima do joelho e que é sempre em beneficio das crianças.

 

Já nem questiono o facto de a mãe tentar impedir que levem as crianças, quem maltrata e abandona os filhos não costuma ter consciência do que faz, mas a atitude do resto da população deixa-me a pensar. Estamos a falar de uma aldeia, onde as pessoas se conhecem e sabem o que se passa, não estamos a falar dos vizinhos a anónimos que mal se  encontram no elevador. Quem tenta impedir a aplicação de uma medida de protecção a uma criança, não só é irresponsável, como é conivente com o que de mal se passa com a criança.

 

Mas quanto a mim, tão grave como os factos é o desfecho de tudo isso, porque após todo o barulho formado e a intervenção da GNR, as crianças que iam ser institucionalizadas, "ficaram ao cuidado «de uma família idónea em Verdelhos» que se ofereceu para cuidar delas"

 

Ficaram?, por decisão de quem? como é que se retiram as crianças aos pais e se entregam aos vizinhos?, quem decide pela idoneidade desta família?, quem garante que os pais que as maltratavam não as vão continuar a maltratar mal as assistentes sociais saiam da aldeia protegidas pela GNR? Mas este tipo de decisões é tomada em arraial popular?, não deveria ser tomada pela CPCJ após a verificação das condições da família idónea?

 

Que conclusão podemos tirar de tudo isto?, é assim que se protegem as crianças em risco em Portugal?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:09

António costa não dá tolerância de ponto em Lisboa

 

Imagem do Público

 

Sou só eu que já não posso ouvir falar da cimeira da Nato? Começou logo pela manhã, às 8 da manhã metade das noticias eram com directos ao parque das nações onde não se passava nada, à hora de jantar metade do telejornal foi com reportagens por meia Lisboa sobre o quanto nos vai afectar a coisa.

 

Não sou dos que acham que devíamos abandonar a Nato.. bom, eu sou um bocadinho mais Radical, nós devíamos abandonar toda e qualquer pretensão a ter um exército, uma armada e uma aviação militar... tudo dinheiro deitado fora... mas pronto, maluquices minhas. Também não sou dos que acham que não devemos organizar eventos, achei que a Expo foi das melhores coisas que nos aconteceu, e o Euro foi um enorme estimulo para a economia... mas alguém me explica o que nos vai ficar desta cimeira?

 

Vamos gastar milhões em equipamentos, em bandeirinhas, em arranjos que deveriam ser feitos sempre e em todos lados mas que só vão ser feitos por onde vai passar o circo. Muito dinheiro gasto em segurança, em controlo de manifestações, em mais uma tolerância de ponto que ninguém sabe para que é necessária.. em carros de luxo, em blindados para a policia, em atrasos nos aeroportos, em tantas outras coisas... milhões que vão servir para somar ao já odiado défice que nos vai tirar salários e dinheiro em mais impostos.

 

Há empresas privadas na zona da Expo que vão fechar as suas portas durante 3 dias, restaurantes que não vão ter clientes, um centro comercial com acessos controlados, centenas de julgamentos adiados, como se a nossa justiça já não andasse a passo de caracol sem estas coisas, trânsito controlado nas zonas dos hotéis, ruas fechadas por toda a cidade... e tudo isto para quê?

 

Como é que depois de todo este circo e todo este gasto desnecessário em luxo e mordomias, nos vamos sentir quando em Janeiro nos entrarem ao bolso com a força toda? Alguém já fez as contas em quanto nos vai ficar mais esta função de circo?, depois dos 75 milhões de Euros da visita papal, quantos mais milhões vão ser agora?... e quantos mais com a greve geral do dia 24?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:04

Peixe ao vapor

 

Imagem da internet

 

Esta receita veio da Dulce (beijinho amiga) através da minha meia laranja, imagino que seja uma adaptação para a Bimby de uma receita de peixe no forno com ervas aromáticas que costumávamos fazer cá em casa. ...e que penso voltar a fazer.

 

Ingredientes

 

4 postas de peixe (pode ser congelado)

1 cebola pequena

alhos

coentros ou ervas aromáticas

Meio Limão

Azeite

Sal

 

Pique a cebola, os alhos e os coentros e misture, se for na Bimby, 5 segundos Velocidade 4

 

Coloque 1  litro de água no copo

 

Coloque as postas em papel de alumínio, pode ser individualmente ou as 4 juntas, polvilhe a mistura picada sobre cada uma das postas, adicione umas gotas de limão, um fio de azeite e sal ao gosto. Termine de envolver as postas no papel de alumínio tendo o cuidade de deixar uma pequena abertura na parte superior. Coloque-as na varoma e programe, 30 minutos, varoma, velocidade  1.

 

Dependendo se o peixe é congelado ou do tipo de peixe, poderá necessitar um pouco mais de tempo.

 

Nós servimos com batatas cozidas, estava tão bom que até a R. que diz que não gosta de peixe, disse que estava muito bom.

 

Já agora, para quem não tem Bimby, a receita no forno é feita com um peixe inteiro, pode ser um robalo, uma dourada, ou outro peixe que dê para assar inteiro no forno. Prepara-se da mesma forma e vai ao forno entre 30 e 45 minutos, depende do tipo e do tamanho do peixe.. uma delicia.

 

Bom apetite.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:59

Conto: Traindo e retraindo

por Jorge Soares, em 13.11.10

Traindo e retraindo

 

Imagem do Momentos e Olhares

 

Chamou-o para o botequim de sempre, onde ele bebia chope e ela coca-cola. E comiam juntos uma picanha na pedra, quase ao ponto.

Viviam juntos há dezoito anos. Muito amor, sexo e... a empresa. Há algum tempo, no meio deles , rachando a cama em duas, revirando os lençóis, empurrando cada corpo para o máximo de lateral possível: a EMPRESA, porra! Ele na esquerda; ela na direita. E nenhuma partida.

Ela passava a vida no MOTI BANCO. Reunião pra cá, festinha pra lá; livro daqui, cd dali , depois me empresta aquele outro? ; saidinha após o expediente com a turma do uisquinho happy try — e ela não bebia. Mariposa era uma mulher séria, muito. Ele, Pacífico Ouriço, é que deitava e rolava nos vícios: cigarro, bebida . Mulheres não: há dezoito anos só dormia com a Mariposa. Aliás, Pacífico tinha vícios coisíssima nenhuma. Mariposa é que era certinha demais. A mulher não fumava, não bebia, não cheirava... nem fedia, quase não falava, mas comia muito, muitíssimo e — pasmem! — tinha o corpo impecável. Nem um pouquinho de gordura entornando no lugar errado.

Ele sempre confiara nela. Uma mulher daquelas jamais o trairia. Às vezes tinha ciúme, é verdade. Mas se sentia culpado, maldoso até. Ela casara virgem, cara! Sempre dele, só dele. Desconfiar de quê?

Mas voltemos ao botequim. Ela, exatamente agora, está dizendo para  Pacífico:

— Sabe, amorzinho, preciso que você saiba: estou saindo com o Gregório.

— Estão fazendo algum trabalhinho extra?

Parênteses: Gregório era colega de trabalho de Mariposa e amigo do casal. Sua mulher, Hermenilda, era pouco vista.

— Não , Pacífico. Tô dormindo com ele.

— Realmente devem ficar cansados, né amor ? A EMPRESA suga tanto ! Têm mesmo de dar uma descansada para agüentar trabalhar assim das oito da manhã às dez da noite. E quase todo dia!

Pudica (ah!), Mariposa não rasgava o verbo, como se diz vulgarmente. Continuou, discreta como sempre :

— Benzinho, tô dormindo e fazendo tudo o mais.

— Tudo o mais o quê, amor? — perguntou Ouriço.

— Tudo o que homem e mulher costumam fazer na cama — respondeu ela.

Silêncio total. Ele dá uma bicadinha no décimo primeiro chope da noite. Não está bêbado, apenas mais leve, levíssimo. Ultralaite, eu diria. E ela ali, firme na coquinha. E lúcida.E gostosa como sempre. E honesta como sempre. E firme, quase fria, como sempre.

E como sempre — epa! me distraí — come sempre — epa! outra vez me distraí. Escrevendo de novo . Ela comendo sempre — agora sim! acertei no alvo — a picanha com parcimônia, a ponto de deixá-lo envergonhado com sua avidez de glutão incorrigível.

Professor de Filosofia, acostumado a fazer joguinhos intelectivos com seus alunos, Pacífico começa a dizer, sem mais nem pra quê :

— Mariposa, Maposinha, tudo é nada. As b... as pontas se encontram. Por isso o tudo vira nada, que é nada e também tudo. Entendeu?

E, sem esperar resposta, continuou , depois de coçar a testa com   insistência:

— Maposinha, se o nada...

— Pacífico, meu amor, tô ficando cansada. Vamos embora.

Ele, que jamais contrariava a mulher, foi largando o décimo segundo chope sem beber, deixando dinheiro suficiente com gorjeta gorda. Pedir conta vai demorar! Maposinha precisa ir, precisamos ir.

E saíram. Ele passou o braço na cintura dela. Passaram por Gregório, que vinha andando pela rua. Pura coincidência. Respondeu ao boa-noite do colega da mulher. Aliás, responderam. Passaram pelo porteiro do prédio onde moravam. Passaram pela porta do apartamento. Passaram para a cama. Ele passou tudo de novo em sua mente: Mariposa e Gregório transando... uau! Mulher tem cada uma. Pior que criança!

Antes de dormir, ele coçou e coçou a testa. Depois disse, dobrado em posição fetal:

— Cê tem cada uma, mulher!

E dormiram o sono dos justos, justíssimos em seus pijamas de medo.

 

Márcia Carrano

 

Retirado de Releituras

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publicado às 21:03

Apadrinhamento civil e adopção

por Jorge Soares, em 11.11.10

Apadrinhamento e adopção

 

O apadrinhamento civil nasceu há um ano atrás, ante a impossibilidade de fazer a justiça, a segurança social e o acolhimento funcionar a uma só voz e em prol dos benefícios das crianças, o Estado decidiu tirar um coelho da cartola, uma solução que fica a meio entre o acolhimento familiar e a adopção, que não é nem carne nem peixe e que supostamente deveria funcionar como a solução milagrosa para esvaziar os centros de acolhimento.

 

Vamos lá esclarecer umas coisas, em primeiro lugar e ao contrario daquilo que podemos ler na comunicação social, isto não é adopção, adoptar é ter um filho, nosso..e só nosso, um filho que leva os nossos apelidos, que é criado por nós segundo os nossos princípios,  as nossas ideias, as nossas crenças. Apadrinhar não é isso, nem tem nada  a ver com isso. Acreditem em mim, quem adopta é egoísta e não quer partilhar os seus filhos com ninguém, muito menos com famílias biológicas. Conheço muita gente que já adoptou ou que quer adoptar, até hoje, não encontrei uma única dessas pessoas que estivesse disposta a apadrinhar uma criança nestas condições.

 

Depois há muitas coisas por explicar, é suposto ser uma medida definitiva, a criança é entregue a alguém que passa a ser a nova família, mas o que acontece se um dia a família biológica decidir que quer o seu filho de volta?, como se vai gerir o conflito?, o que acontece se simplesmente a nova família decide ir viver para outra cidade, ou para outro país, não pode?, como se garante o acesso da família biológica à criança? colocam um processo em tribunal a exigir que o filho fique?.. mais processos em tribunal? Há muitas perguntas sem resposta, além disso devemos recordar que estamos a falar de crianças que foram retiradas muitas vezes à força a famílias disfuncionais... não precisamente de pessoas normais e cumpridoras da lei..se o fossem as crianças não estariam entregues ao estado.

 

Curiosamente esta semana o apadrinhamento foi noticia em toda a comunicação social, será que o foi porque alguém se fez estas perguntas?, algum jornalista leu a lei e decidiu questionar sobre tudo isto? Claro que não, foi noticia porque alguém se lembrou de que a lei não diz explicitamente que os casais de pessoas do mesmo sexo não podem apadrinhar. E claro, apareceram logo os arautos da defesa da moral e dos bons costumes a iniciar uma nova cruzada em favor das pobres crianças que vão ser obrigadas a levar com dois pais ou duas mães... É o país que temos, com tantos buracos na lei.. eles só viram o mais pequeno de todos. Raio de gente.

 

No meio de tudo isto achei engraçado que há quem pense que isto só funcionaria se o estado pagasse o serviço aos padrinhos... então e porque não pagar a quem adopta?... e a todos os pais? ou ser padrinho é mais difícil que ser pai?

 

Jorge Soares

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publicado às 21:46

Que máquina fotográfica compro?

por Jorge Soares, em 10.11.10

 

Outono.. em folha

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

É uma pergunta que me fazem muitas vezes, as pessoas vêem as minhas fotografias e acham que eu percebo do assunto... e portanto devo perceber de máquinas... hummm, acho que estão errados nas duas coisas.

 

No outro dia li algures sobre um grande fotógrafo que andava sempre com a sua pequena máquina compacta e a grande maioria das suas fotografias, obras de arte fotográfico,  eram tiradas com essa pequena máquina... esclarecidos?

 

Antes de decidir que máquina comprar, há uma serie de perguntas que nos devemos fazer:

 

1- O que vou fazer com a máquina?

 

Quero uma máquina para tirar umas fotografias nas festas dos miúdos e nas férias? Quero-me dedicar à fotografia como um hobby? tirar boas fotografias para pendurar em casa e/ou colocar na internet? Quero viver da fotografias?

 

2- O que percebo de fotografia?

 

Sei a diferença entre velocidade e abertura?, sei o que é o ISO e para que serve? sei o que é uma macro e como se faz?, sei o que é a profundidade de campo, o que é dar prioridade à abertura e/ou à velocidade, sei o que é o White balance?

 

3- Quanto dinheiro quero ou posso gastar?

 

Depois de responder a estas 3 perguntas, eu diria que estamos aptos a responder à pergunta básica seguinte: Que tipo de máquina comprar.

 

Existem no mercado máquinas fotográficas que vão desde menos de 50  até aos muitos milhares de Euros... máquinas fotográficas que em 99% dos casos tiram boas fotografias. Não é uma escolha fácil. Mas vamos às respostas:

 

Se o que pretende é tirar umas fotografias aos miúdos e nas férias para mostrar aos amigos, não gaste mais de 200 Euros, compre uma compacta, há no mercado excelentes máquinas compactas a rondar os 100 Euros, fazem muitissimas coisas e tiram excelentes fotografias.. tudo o que gaste acima disso é dinheiro mal gasto.

 

Se o que pretende é ter um hobby, tirar muitas fotografias e presumir delas, então nesse caso, passamos à pergunta 2, se respondeu não a tudo, tem a certeza que quer este hobby?,

 

Conheço muita gente que gastou uma pipa de massa numa máquina fantástica e cheia de coisas..e depois só tira fotografias em automático, ora, em modo automático, qualquer Reflex de 1000 Euros é exactamente igual a uma compacta de 100 .. há muitas que até tem o mesmo software. Se não tem as noções básicas, eu diria para comprar uma compacta e gastar algum dinheiro nuns cursos de iniciação à fotografia, depois disso, e de tirar algumas fotografias, vai ter o conhecimento suficiente para poder escolher a sua máquina.

 

Eu comecei a tirar fotografias com uma máquina completamente manual, era necessário focar, acertar a luz, a velocidade, tudo... mesmo assim, ainda hoje, depois do curso de iniciação à fotografia e de mais de 20000 imagens com a minha máquina actual, eu estou a aprender.

 

Se depois de ler até aqui, ainda não se decidiu pela compacta, passamos à questão número 3, quanto quer gastar?

 

O mercado está inundado de excelentes máquinas digitais, para todos os preços. Entre os 300 e os 400 Euros existem excelentes cibershots como esta ou esta, máquinas com um zoom fantástico e que tiram excelentes fotografias. Excelentes para quem gosta de macros e não tem pretensões em comprar muitos acessórios para além da Máquina.

 

Para quem quer levar a coisa mais a sério, aconselho uma Reflex digital, eu tenho uma Sony Alfa 350 que é a menina dos meus olhos, já tem dois anos e ainda a semana passada no workshop de Fotografia da natureza, descobri novas e maravilhosas funcionalidades. Tanto a Canon, como a Nikon como as outras marcas, vendem excelentes máquinas desta gama, mais ou menos com o mesmo preço. E quanto a mim são as máquinas ideais para quem gosta de fotografia, tem algum tempo para dedicar e quer aprender mais.

 

Convém saber que à  medida que vamos aprendendo vamos querendo mais coisas: lentes, filtros, flashs, tripés, mais lentes... tudo coisas que custam dinheiro. Eu optei por gastar dinheiro em conhecimentos antes de gastar em mais  material.. e cada vez me convenço mais que fiz a opção certa. Porque quando não percebemos de fotografia, muito material e até muitas funções da máquina, só atrapalham.

 

Já agora só mais um detalhe... muitas das fotografias fantásticas que vemos hoje em dia na internet não saem das máquinas, são trabalhos do fotoshop ou de programas do mesmo estilo, convém ter essa noção para não desanimar. .. e lembre-se, a máquina ajuda, mas quem vai tirar as fotografias é você.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:16

 

Rui Veloso

 

Foi uma daquelas noticias que de repente nos recordam como o tempo passa, passaram 20 anos. Há 20 anos eu era um jovem recem chegado de outro país, de outras culturas e para mim foi um encontro com a verdadeira música Portuguesa, um dia dei por mim a ouvir na rádio um "Não há estrelas no céu" .. e foi como se tivessem aberto uma porta que me levou a um mundo cheio de magia. De repente descobri que havia em Portugal música.

De mais está dizer que me tornei fã.. nunca esquecerei num concerto na Expo o Rui sentado no palco com a Guitarra na mão a perguntar: "mas vocês não se querem ir embora? Olhem que o animatrix já começou"... não, ninguém queria ir embora... ninguém queria ver mais nada.. só a ele..e não fomos, e ele cantou mais 3 ou 4, ali sentado no palco.

O Rui festeja 30 anos de carreira e 20 anos daquele álbum fantástico Mingo e os samurais.. que me levou a perceber que em Portugal existem grandes músicos.

Em jeito de homenagem, vou  copiar um post que escrevi há dois anos.. na altura era um desafio... mas na verdade mostra como o Rui canta a vida.

Nave lançou-me este desafio. É suposto colocar uma foto minha, escolher um artista e responder às perguntas com letras das musicas..... ando com alguma preguiça mental, o desafio veio mesmo a calhar.  Escolhi o Rui Veloso, um artista Português que admiro. Aqui Vai:

1. És homem ou mulher?

Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras

2. Descreve-te:

Cansado do movimento
Que percorre a linha recta
Fui ficando mais atento
Ao voo da borboleta
Fui subindo em espiral
Declarando-me estafeta
Entre o corpo do real
E a veia do poeta

3. O que as pessoas acham de ti?

O prometido é devido

4. Como descreves o teu último relacionamento?

Quanto vale o teu sorriso
Teu siso
Juízo da vida
Essa coisa escondida
Que me faz viajar
Quanto vale o teu consolo
Teu colo
Descolo prà lua
Essa coisa só tua
Para me azucrinar

5. Descreve o estado actual da tua relação com a tua  namorada ou pretendente:

Quanto vale a tua voz
Todos nós
Somos sós de paixão
Até ver o clarão
O mistério do dia
Quanto vale o teu afecto
Directo
Alfabeto do ser
E depois sem querer
Ter o dom da alegria
Dá-me luta, dá-me alento
Qualquer coisa pra lembrar

6. Onde querias estar agora?

Roendo uma laranja na falésia
Olhando o mundo azul à minha frente,
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,
No calmo improviso do poente
Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como prata
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas

7. O que pensas a respeito do amor?

Ontem as águas estavam serenas
Mantinham a distância certa
Éramos cúmplices apenas
Sem ter o coração alerta
Amiga era um sentimento
Sem fazer calor nem frio
Tudo entre nós era simples
Como as coisas em pousio
Foi qualquer gesto que fizeste
Qualquer coisa que disseste
Que mudou a situação

8. Como é a tua vida?

Sei quem canta no trabalho
E mexe no choro e no riso
Sei quem conhece um atalho
Para voltar ao paraíso
Há quem limpe chaminés
Há quem limpe corações

9. O que pedirias se pudesses ter um só desejo?

Todo o tempo do mundo
para ti tenho todo o tempo do mundo
Todo o tempo do mundo

10. Escreve uma frase sábia:

muito mais é o que nos une
que aquilo que nos separa

Bom, já está, é suposto passar o desafio..... bom, aqui está, sintam-se à vontade, é só pegar.
Valeu João!

 

 

 


 


Parabéns Rui.. que sejam muitos mais anos e muita mais dessa tua musica.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:15



Ó pra mim!

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