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As perguntas dos meus filhos.. ai a vida!

por Jorge Soares, em 08.11.10

 

 

O post de ontem foi longo, muito longo, e mesmo assim não deu para contar tudo.

 

Depois de ficarmos ambos completamente abalados, decidimos que não lhe íamos dar mais motivos para se fazer de vitima, depois daquilo tudo não houve palmadas, só castigos.. isto apesar de eu achar que a ele os castigos lhe passam ao lado.

 

Ficou instituído que até nova ordem não saia do quarto senão para ir à escola e para as necessidade básicas, e quando lá estava tinha que estar ocupado em algo produtivo, ou seja, ler, estudar ou dormir. Nada de brinquedos e nada de brincadeiras.

 

No Sábado à tarde estava convidado para uma festa de anos, de manhã ouviu a mãe falar da festa com a irmã, e o diálogo foi mais ou menos assim:

 

-Eu vou à festa?

-Não, claro que não, estás de castigo, por isso não podes ir.

-Estou de castigo porquê?

 

Dizem os livros que com crianças hiperactivas os castigos tem que ser imediatos e não podem durar muito tempo, passados um ou dois dias eles já deixaram para trás o motivo, já não sabem porque estão de castigo e este torna-se um motivo de preocupação e até revolta. Acho que ficou provado que os livros tem razão.

 

Ontem depois de escrever o post estive a pensar no assunto e decidi retirar o castigo... até porque o que sinto é que não está a ter qualquer efeito nele e ele aproveita qualquer ocasião para estar a brincar ou a fazer tudo menos o que é suposto.

 

Há bocado não pude deixar de me rir, a minha filha mais velha estava a perguntar à mãe a partir de que idade é que pode ter namorado.. a mãe disse que a partir dos 16... ela tentou negociar e descer para os 15.....  esta minha filha é um achado.. não sei se devo ficar contente ou preocupado..raio de coisa que é a vida.

 

Jorge Soares

publicado às 22:19

Perdido

por Jorge Soares, em 07.11.10

Perdido

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Tive uma semana complicada, há coisas que de um momento para o outro fazem com que nos questionemos sobre a vida, a forma como a encaramos e a vivemos.. coisas que nos deixam a pensar sobre o que somos e o que deixamos aos nossos filhos.

 

Na terça ao fim do dia comentávamos cá em casa o facto de uma colega da R. ter colocado a mãe no hospital com cancro de mama porque uma professora insistia em escrever na caderneta escolar os seus consecutivos esquecimentos. Longe de nós imaginar o que viria a seguir..e o que veio a seguir para mim funcionou com um gigantesco balde de água fria que consegui abalar completamente as minhas certezas como pai e como participe na educação dos meus filhos.

 

No dia a seguir encontramos a caderneta do N. que desde a semana anterior tinha um pedido para os pais irem à escola devido a um assunto disciplinar. A mãe tentou apertar com ele e ele lá contou que durante o almoço em conjunto com dois colegas tinham entrado na sala e rasgado alguns dos livros dos colegas.

 

O mais curioso é que ele tinha referido o episódio cá em casa e pasme-se, até se tinha queixado que por culpa de quem tinha feito tal coisa, estavam todos sem recreio até descobrirem os culpados. Pelos vistos a professora tinha sido capaz de encontrar os culpados. É claro que é uma situação grave, mas é daquelas coisas que fazem parte de ter uma criança impulsiva e muito permeável às companhias. O problema é que a coisa não ficou por aqui.

 

No dia a seguir minha meia laranja foi falar com a professora.. o que ouviu não foi uma historia de doenças e hospitais, mas foi algo que fez com que a escola ponderasse chamar a comissão de protecção de menores. Como desculpa para o facto de os pais não aparecerem na escola, ele inventou uma historia que metia sovas com cintos que o deixaram marcado e quase sem conseguir andar...

 

Vamos por partes, o N. é uma criança impulsiva e que age sem pensar, é claro que de vez em quando leva umas palmadas, principalmente quando nos cansamos de repetir uma e outra vez a mesma coisa, houve uma vez há dois ou três anos em que o episódio foi mesmo grave e em que saquei o cinto e o ameacei com ele.. mas é evidente que nunca levou uma sova que deixasse marcas ou que passasse do que é realmente razoável.

 

Perceber que a escola esteve prestes a chamar a Protecção de menores devido à mentira contada por uma criança de 10 anos, deixou-me de rastos.. principalmente porque a mesma escola não se dignou a falar connosco, foi falar com as professoras do ano passado na outra escola, a averiguar da existência de indícios ou marcas de maus tratos, mas não se dignou a falar com os pais.

 

Eu sei que não sou um pai brando, sou especialmente exigente com ele, porque é uma criança impulsiva e influenciável, se calhar podia ser de outra forma, se calhar podia ter outro tipo de relação com ele, claro que sim... mas olhando para trás, só posso pensar que dadas as circunstâncias, duvido que as coisas fossem melhores se fossemos menos duros com ele.

 

Esta semana e ainda a propósito do livro o Fim da inocência, a Eugénia dizia o seguinte por email:

 


... Fez-me crescer e fazer escolhas. Mas, o respeito, a admiração e a consciência que eu tinha daquilo que os meus pais queriam e representavam para mim sempre falou mais alto e hoje, não tenho dúvida nenhuma que aquilo que sou é fruto da educação que tive e das escolhas que fiz baseadas nessa mesma educação e nos princípios e valores que me foram incutidos.

 

Depois dos episódios desta semana, depois dos vários episódios com o fogo, depois de tudo isto, a verdade é que eu já não sei nada, o exemplo que tentamos dar cá em casa é que os colegas devem ser respeitados, que não aceitamos mentiras, que as coisas que não são nossas devem ser respeitadas.. mas a verdade é que neste momento me sinto de mãos atadas. Não quero educar os meus filhos pelo medo, não quero que eles façam ou deixem de fazer as coisas porque têm medo das consequências.. mas por outro lado, já não sei até que ponto o mundo actual e tudo o que rodeia pais e filhos permite que eles se centrem nos exemplos e nos princípios que damos em casa... principalmente quando temos filhos que fazem tudo para agradar ao grupinho.. mesmo que isso implique a destruição de material dos colegas.

 

Sinto-me perdido... como pessoa e como pai, se calhar a minha meia laranja tem razão, eu deveria ler mais vezes o que aqui escrevo.. coisas como esta:

 

"Infelizmente muitas pessoas pensam que disciplina é sinónimo de castigos. No entanto disciplina vem do termo latino Discere que significa aprender"

 

Perder

 

Perder é começar. A minha vida 
foi movimento em cerne opaco e frígido... 
E quando sei que este momento eterno 
em mim percorre sulcos, veias, sonhos, 
outro momento abraça-me o porvir — 
e desconheço a margem onde navegar, 
onde aportar o peso do caminho. 

Perder é começar. Por isso a ténue sombra 
desenha no sigilo os abismais instantes 
onde existiu, uma vez, qualquer destino exacto.

 

António Salvado, in "Na Margem das Horas"

 

Jorge Soares

publicado às 22:12

Conto: Sombra dos olhos

por Jorge Soares, em 06.11.10

Sombra nos olhos

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Isso é muito pouco! Ele gritou, tão alto e tão grave que ela sentiu toda a raiva de seus pulmões cansados. Cansados de tudo. Da idade, da fumaça do cigarro, do ar condensado de mágoa, do silêncio, da indiferença, do abandono.

Ao ouvir isso, ela apenas o olhou por entre as sobrancelhas com ar de pena, soltando da boca uma nuvem branca de tédio que subiu até o teto de madeira entalhada em rococó. Perfeito como foi no início.

Contaminado de desgosto, ele contemplou longamente aquela mulher. Vendo seus olhos pintados de sombra cintilante e o cabelo ajeitado num penteado duro como seu olhar, lembrou-se de quando ela lhe disse pela primeira vez que o amava. Em seus olhos não havia sombra. Ao contrário. Brilhando a luz do Sol, as pupilas não eram negras, mas douradas, da cor do compromisso na mão direita.

Os dias se passavam como horas, e cada hora longe um do outro pareciam dias. Sempre juntos, já não se sabiam mais divididos.

Quando veio o outono, o frio chegou cedo demais e atacou a plantação e os negócios da família. E, como não bastasse, ele começou a sentir suas mãos leves demais, tremulando inconstantes feito as folhas secas que via, através do vidro, desprendendo-se dos galhos de salgueiro no jardim. Foi quando ele percebeu que o olhar dela tornara-se opaco. 

Enquanto se perdia de tudo e de si, também a perdia.

Certa manhã, ela sentou-se ao lado dele para o café numa proximidade infinitamente distante. No salto-agulha, os pés dela alfinetavam, assim como os da cadeira, o antigo tapete vermelho, agora desbotado, cor de carne sem sangue. Meia hora em que ela apenas mordia, sorvia e engolia sons. Ao fundo, ele só ouvia a vibração do ar entrando e saindo de seus pulmões, quase sufocado pelo peso dos próprios pensamentos.

Ali, naquele instante, ele notou pela primeira vez aquela sombra pérola nos olhos dela. E ela já não era tão bonita. Estrela apagada, tentava refletir alguma luz no brilho em pó sobre as pálpebras mirradas. No rosto marcado da mulher, ele lia os anos que passaram juntos, como em um álbum de família. Recordava os tempos bons, revivia-os. Escondia-se dela e de si na lembrança.

Naquela noite de inverno, em frente à lareira, sentiu-se asfixiado de um completo vazio. Uma pessoa-copo-plástico, descartável. A sala havia se tornado imensa para conter sua presença esmigalhada, mas minúscula para abrigar os escombros de vida sobre seus ombros.

Ela não estava partindo para economizar os parcos tostões que lhes sobraram, deixando-o mais confortável. Ao contrário, estava deixando-o, confortavelmente, para não precisar mais carregar aquele corpo pesado e doente. Não era nele que ela pensava.

Mas ele sim pensava nela, em tudo o que fez por ela. Construiu forças sobre os entulhos sentimentais e as soprou com todo o ar de seu peito.

Ouvindo aquele grito desesperado e profuso, ela deixou escapar seu último fantasma de fumaça, depositou o resto de cigarro ainda aceso sobre o cinzeiro e, mergulhada em si, levantou-se e saiu.

Enquanto escutava os pequenos passos se afastando, ele permaneceu calado, observando as fracas chamas na lareira. Refletidas pelas gotas de cristal do lustre, elas se espalhavam pela escuridão da sala feito chagas. Olhava, mas não via o fogo que quase se extinguia naquela última lenha velha, queimando o último pedaço, assim como o cigarro no cinzeiro.

 

Michelle Horst

 

Retirado de Releituras

publicado às 23:28

João Jardim e os roubos d eigreja

 

Imagem do Público

 

É uma medida que no seu conjunto irá poupar ao estado umas poucas centenas de milhar de Euros.. umas gotas no grande oceano das contas nacionais.. mas que para nós, que temos todos os dias que apertar o cinto porque os impostos não param de aumentar, enquanto os salários na melhor das hipóteses não diminuem.. tem um enorme significado moral.

 

Porque é da mais elementar justiça que alguém que serve o estado porque quer, não receba a duplicar ou em casos como o de Cavaco Silva a triplicar. Era uma medida que já pecava por tardia.. assim como peca por muito tardia o facto de não haver um limite máximo para  o valor das reformas.

 

O estado decidiu que a partir de e Janeiro, não vai ser possível acumular salários do estado e reformas, como disse antes, uma medida da mais elementar justiça. Só vai para a politica quem quer, as pessoas devem encarar os lugares de governo como uma missão e não como mais uma forma de ter mais uma remuneração.. quem não está de acordo com esta medida tem uma saída muito simples, abandonar os cargos e passar a viver da reforma dourada que a maioria tem. Haverá de certeza muita gente capaz que estará disposta a ocupar os seus lugares.

 

Mas basta uma medida destas para saber o que faz correr as pessoas, como podemos ler nesta noticia do Público, há quem ache mal...Alberto João Jardim acumula uma reforma de 4400 Euros por mês com o salário de presidente de governo... e quem sabe com quanto mais em ajudas de custo... e acha que esta medida é um acto de gatunos. O estado está-se a preparar para roubar os pobres reformados que ocupam os cargos politicos.

 

Dr Alberto João, na minha terra costuma-se dizer que quem está mal, muda-se...  faça lá um favor à Madeira, ao País e a todos nós... não se deixe roubar ..  deixe lá o lugar a alguém que não  o queira pelo valor do salário.. alguém que queira governar pelo bem da Madeira e do país... pode ser? olhe que já vai tarde.

 

Jorge Soares

publicado às 22:01

Chuva

por Jorge Soares, em 04.11.10

Chove

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Chove? Nenhuma chuva cai... 
Então onde é que eu sinto um dia 
Em que ruído da chuva atrai 
A minha inútil agonia ? 

Onde é que chove, que eu o ouço? 
Onde é que é triste, ó claro céu? 
Eu quero sorrir-te, e não posso, 
Ó céu azul, chamar-te meu... 

E o escuro ruído da chuva 
É constante em meu pensamento. 
Meu ser é a invisível curva 
Traçada pelo som do vento... 

E eis que ante o sol e o azul do dia, 
Como se a hora me estorvasse, 
Eu sofro... E a luz e a sua alegria 
Cai aos meus pés como um disfarce. 

Ah, na minha alma sempre chove. 
Há sempre escuro dentro de mim. 
Se escuro, alguém dentro de mim ouve 
A chuva, como a voz de um fim... 

Os céus da tua face, e os derradeiros 
Tons do poente segredam nas arcadas...

 

Fernando Pessoa

publicado às 23:27

Filhos são cadilhos... educar para a vida.

por Jorge Soares, em 02.11.10

Filhos são cadilhos.. educar para a vida

 

Imagem  do Momentos e Olhares

 

Ainda a propósito do Livro de que falei ontem,  O Fim da inocência, hoje lembrei-me de dois episódios que vivi, ambos do meu tempo de estudante em Lisboa.

 

O primeiro passou-se num autocarro, numa das muitas viagens entre Lisboa e Oliveira de Azeméis, sentou-se a meu lado uma miúda, não me recordo a idade, mas não tinha mais de 15 anos, mal se sentou puxou conversa e as mais de 3 horas de viagem passaram-se num longo desfilar de factos de uma vida que apesar de ser curta, já tinha visto muitas coisas. Por entre lágrimas foram desfilando as relações com o pai, piloto e a maior parte do tempo ausente, a mãe sempre noutra, o irmão e os namorados. Ali, ante mim um completo desconhecido, ela foi libertando todos os detalhes de uma vida que claramente para ela estava a ser pesada demais. Sai daquele autocarro com a consciência clara que havia mais vidas para além daquela que eu nos meus já mais de vinte anos tinha conhecido e de que estava ali alguém que precisava urgentemente de ajuda... de vez em quando lembro-me dela e de que se calhar poderia ter feito mais que simplesmente ouvir.

 

O outro caso aconteceu nos primeiros dias de aulas, eu acabava de mudar de vida, de cidade, de país. Já não me lembro a propósito de quê, mas uma das minhas novas colegas convidou-me para almoçar, fomos comer uma piza ali para os lados da avenida de Roma. Durante o almoço que ela insistiu em pagar, a conversa foi sobre o consumo de drogas de que ela era utilizadora ocasional. Tinha um irmão adicto, já tinha experimentado algumas coisas e de vez em quando fumava uns charros. Lembro-me que terminamos o almoço num impasse, apesar da situação do irmão, ela achava que não fazia mal nenhum e que se conseguia controlar perfeitamente.

 

Éramos colegas de turma, mas não voltámos a almoçar juntos, no segundo ano desapareceu, o último que soube dela  foi que estaria algures a fazer uma desintoxicação... pelos vistos, o vício não era assim tão fácil de controlar.

 

A mim estas coisas chocam-me, vivi 10 anos na Venezuela, estudei em escolas públicas, cheguei a andar na universidade, desde o liceu que bebíamos de vez em quando, todos tivemos a nossas experiências sexuais com as namoradas de ocasião, mas até chegar a Portugal nunca vi ou ouvi falar de drogas, nem na escola nem nos grupos de amigos ou conhecidos.

 

Hoje tenho consciência que em Portugal as coisas não são assim, mal cá cheguei tive consciência disso, em Lisboa entre os meus colegas de faculdade, por entre as conversas ia percebendo que a maioria já teria pelo menos experimentado as drogas. Mas isto é o que para mim torna o livro mais assustador. No fim do livro dei por mim a pensar entre os colegas da minha filha de 11 anos, quem seria a Inês, a Rita, o Bernardo, a Mónica... de entre todas as pessoas que conheço quantos Antónios haverá?

 

Educar é uma tarefa muito complicada, devemos ter consciência que tudo aquilo que é retratado no livro existe mesmo, haverá maneira de educar de forma a que os nossos filhos passem por tudo isto sem cair?... de certeza que sim, a prova é que nós passamos ..estamos cá,.. mas eu estou de acordo com a Inês, a forma como se vive hoje, a forma como se educa hoje, a forma como os nossos filhos crescem, não tem nada a ver com aquilo que nós vivemos... e de nós depende que eles tenham o mesmo ou mais sucesso que o que nós tivemos.

 

Jorge Soares

publicado às 22:07

Livro: o Fim da inocência

por Jorge Soares, em 01.11.10

o fim da inocência - Francisco Salgueiro

"Hoje em dia os pais têm pouca ideia daquilo que realmente se passa com o filhos.

 

Julgam que as suas adolescências são iguais às que tiveram e deixam-nos à solta. Acontece que a realidade actual é muitíssimo diferente daquilo que oiço dizer que era nos anos setenta, oitenta e noventa.

 

É uma realidade em que o sexo e as drogas fazem parte do dia-a-dia"

 

É assim que começa este livro, uma nota escrita pela Inês e que funciona quase como que um aviso para o que nos espera nas páginas seguintes. Diz o autor que o livro é baseado em histórias reais contadas pela Inês, confesso que tenho sérias dúvidas, não é que todas estas coisas não possam acontecer com os nossos filhos, os filhos da vizinha, os de um colega de trabalho, alguém que conhecemos, eu tenho é sérias dúvidas que todas estas coisas possam acontecer com uma só pessoa.

 

No livro podemos encontrar todos os males da nossa sociedade, da simples utilização do telemóvel para partilha de coisas pouco inocentes, até à utilização do Facebook para fins mais ou menos morais.  Pelo meio passamos por tudo, absolutamente tudo, os perigos das salas de chat e do messenger, a droga na noite, a droga nos festivais de verão, etc, etc, etc.

 

A vida da Inês é quase um clichê da sociedade actual, filha da classe média alta, com pais separados, estuda num dos melhores colégios onde todos os seus colegas são copias quase idênticas dela. Crianças mimadas e com acesso a tudo ou quase tudo o que desejam.  Sem muitas preocupações monetárias e até escolares, vivem de acordo com o que está na moda, sendo que a moda pode passar por exemplo por  ir à internet ver fotografias e vídeos pornográficos. Com pais distantes ou que simplesmente não querem ver, vivem as suas próprias vidas desde muito cedo, não fazem escolhas, simplesmente deixam-se levar pela vida ao sabor do que está na moda, e não importa se é licito ou ilícito, caro ou barato, simples ou complicado.. mais que viver, o que importa é mostrar que se viveu.

 

O livro é um relato fiel de muitas coisas, coisas que no fim explicam a forma como nós como pais estamos a deixar que os nossos filhos se destruam. Tudo o que possam imaginar.. também muitas coisas que nunca imaginamos, está ali relatado, de uma forma dura e crua e em primeira pessoa

 

Independentemente de que toda a historia tenha saído da imaginação da Inês, da do Francisco Salgueiro, ou seja mesmo real, a verdade é que tudo o que está ali relatado existe mesmo, e a maioria de nós terá ouvido falar de tudo ou de quase tudo. É precisamente isso que me deixa na dúvida.. dificilmente alguém conseguiria passar por tantas coisas na vida .. e muito menos se no fim do livro a protagonista nem 18 anos fez.

 

Tirando o detalhe das cenas realmente chocantes, é um livro muito bem escrito, um livro que nos deveria deixar a pensar sobre a forma como estamos a educar os nossos filhos, sobre as muitas coisas que lhes damos todos os dias e sobretudo as que não lhes damos, atenção, formação e informação sobre o mundo real que existe lá fora.

 

"Se estiver a ler estas linhas e disser: Com o meu filho isso não acontece, porque é bom aluno e não o educo para se meter nessas coisas, talvez não seja má ideia ler o livro até ao fim.  Eu também era boa aluna e os meus pais não me educaram para me meter nessas coisas.

 

Sinopse:

Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional. Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas

 

Jorge Soares

publicado às 21:24

Pág. 3/3



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