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Conto, O Caseiro

por Jorge Soares, em 19.02.11

 

O caseiro

Laura e Jair compraram uma casa na praia em 75 e no mesmo ano contrataram um caseiro, o Higino, filho de pescador, que tinha fama no lugar de ser um "rapaz direito". Higino foi morar num quartinho atrás da casa, ao lado da garagem. Quando Laura e Jair chegavam para a temporada na praia de todos os anos, sempre encontravam a casa bem cuidada, o jardim impecável, tudo no lugar. Durante vinte anos, a única coisa que desapareceu de dentro da casa foi uma foto emoldurada, de casamento, de Laura e Jair. Laura nunca mencionou o desaparecimento a Higino. Ele poderia se ofender, e ela não queria perdê-lo. O Higino era uma preciosidade.

 

Quando voltavam das férias, Laura e Jair sempre tinham histórias do Higino para contar. Da sua eficiência, da sua seriedade - e que cozinheiro! E, quando Laura e Jair voltavam para a cidade no fim do verão, Higino também tinha coisas para contar no Bar do Garça, sobre o casal. Um dia, disse: "Esse casamento não vai longe." Dito e feito. No verão seguinte, Laura apareceu sozinha na praia, explicando ao Higino que o doutor Jair estava com muito trabalho.

 

"Ela tá caminhando muito na praia à tardinha", contou Higino no Bar do Garça. Para Higino, caminhar muito na praia à tardinha, se não era para pegar marisco, era infelicidade. E a dona Laura chegava em casa sem um marisco.

 

"O seu Higino fez peixes maravilhosos. Conversamos muito. Ele não sabe, mas se não fosse ele eu teria enlouquecido neste verão. Acho que me matava", contou Laura na cidade. "Ela está comendo demais", disse Higino no Bar do Garça. Outro sinal certo de desgosto.

 

Laura ficou com a casa e no mesmo ano do divórcio apareceu na praia com um grupo mais jovem do que ela, inclusive um moço loiro com rabo de cavalo e brinco numa orelha, que os outros chamavam de Catupiri, ou Catupa, e que despertou uma antipatia instantânea em Higino. "Ela está rindo muito de nada", disse Higino no Bar do Garça, preocupado. "Sabe quando eu me convenci que estava fazendo papel ridículo?" - perguntou Laura na cidade. - "Quando vi a cara do seu Higino olhando a mecha azul no cabelo do Catupa. No mesmo dia mandei todo o grupo embora".

 

- Ele não me chamou exatamente de gorda - contou Laura na cidade, entre risadas, na volta de outro veraneio. - Só se recusou a me fazer qualquer coisa com ovo, batata ou açúcar. Eu implorava e ele nada. E sabe que eu emagreci?

 

Uma vez Laura emprestou a casa para duas amigas, por uma semana. Quando o Higino comentou, admirado, que nunca vira duas moças tão amigas, Laura explicou que elas eram lésbicas. O Higino fez que sim com a cabeça, sério, depois comentou: "Como tem aparecido religião nova, né?". Laura fez sucesso na cidade com mais outra do seu Higino.

 

Laura apareceu na praia vestida de uma maneira estranha. Cabelos compridos e despenteados, muito magra. Em vez de caminhar na praia, ficava sentada num lugar só, com as pernas cruzadas, olhando fixo para o horizonte e dizendo "Rama-sã, ramasã" Recusava-se a comer. Mas não resistiu quando o Higino fez um dos seus peixes na brasa e carregou no pirão, e quando chegou o fim do veraneio declarou ao caseiro que tinha abandonado a busca interior do seu eu cósmico e voltado à realidade e ao bom senso por causa dele. E o Higino, modesto, dissera: "Não foi nada, não, senhora".

 

Outro ano, Laura apareceu com um senhor muito distinto, cabelo branco, cachimbo, fitas de música erudita, que chamava Higino de "meu bom homem". Laura ficou cuidando a reação de Higino ao namorado novo, o primeiro desde o Catupiri que ela tivera coragem de mostrar ao caseiro. Higino não comentou a brancura do homem, nem o Hindemith no toca-fitas, comentou o friso das suas bermudas. Nunca vira frisos tão retos em qualquer coisa, quanto mais em bermudas. Quando voltou para a cidade, Laura desfez o namoro.

 

"Ele é casado? Tem namorada?", perguntaram a Laura, na cidade. "Não que eu saiba. A única vida social dele é no tal Bar do Garça."

 

No ano passado, quando chegou na praia, pela primeira vez Laura notou que Higino também estava ficando grisalho, e com um ar distinto. "Envelheci junto com uma pessoa que eu mal conheço", pensou Laura.

 

No ano passado, também pela primeira vez, Laura convidou Higino a sentar à mesa com ela depois que ele serviu um dos seus peixes maravilhosos. "Sabe do que eu precisava, seu Higino? De um marido como o senhor." Ele sacudia a cabeça, gravemente. Laura não sabe se por polidez ou concordando. Mas recusou o vinho branco.

 

No meio do ano passado, Laura apareceu na casa da praia sem avisar. Nunca ia no inverno. Mas estava com um problema sério e queria a opinião do Higino, que também se revelara um bom conselheiro em matéria de finanças e negócios. Higino não estava em casa. Laura foi procurá-lo no seu quartinho. Não o encontrou. Então viu a foto desaparecida do casamento sobre a mesa de cabeceira de Higino. Ele tinha rasgado o lado em que aparecia o Jair. Laura voltou para a cidade em seguida.

 

Laura não sabe o que vai fazer quando chegar na praia neste verão. Afinal, descobriu que durante todos estes anos o Higino dormiu com a sua foto ao lado da cama. Acha que vai ter que despedi-lo.

 

Luís Fernando Veríssimo


Retirado de Quem tem sede venha

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publicado às 21:05

Desencontro

por Jorge Soares, em 18.02.11

Desencontros

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Desencontro

 

Só quem procura sabe como há dias 
de imensa paz deserta; pelas ruas 
a luz perpassa dividida em duas: 
a luz que pousa nas paredes frias, 
outra que oscila desenhando estrias 
nos corpos ascendentes como luas 
suspensas, vagas, deslizantes, nuas, 
alheias, recortadas e sombrias. 

E nada coexiste. Nenhum gesto 
a um gesto corresponde; olhar nenhum 
perfura a placidez, como de incesto, 

de procurar em vão; em vão desponta 
a solidão sem fim, sem nome algum - 
- que mesmo o que se encontra não se encontra. 

Jorge de Sena, in 'Post-Scriptum'


 

Hoje desencontrei-me das palavras, há dias assim.

Bom fim de semana a todos

Jorge Soares

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publicado às 22:28

Cartazes da campanha contra o bullying homofóbico

 

Imagem do Público

 

 

Ideologia, s. f.

Ciência da formação das ideias.

Tratado sobre as faculdades intelectuais.

Diccionário Online Priberam

 

O projecto Inclusão, é um projecto da rede Ex Aqueo – associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros (LGBT) e simpatizantes, e financiado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) via Programa EEA Grants e pelo Instituto Português da Juventude. Pretende fazer frente à pouca informação e à discriminação ainda vigentes no campo da Educação em Portugal em relação ao tema da homossexualidade, e que resultam na transmissão de informação incorrecta, preconceituosa e estereotipada, assim como num ambiente negativo para o dia-a-dia dos jovens LGBT.

 

Entre outras coisas o projecto prevê a distribuição pelas escolas do país dos dois cartazes que vemos na fotografia e que pretendem sensibilizar os jovens portugueses para a igualdade de géneros,  chamar a atenção para os perigos do Bullying homofóbico e promover combate à homofobia nas escolas

 

A rede Ex Aqueo pediu apoio ao Ministério da educação para a distribuição dos cartazes na escola, segundo noticia do Público, esta ajuda foi negada por  dois serviços do Ministério da Educação (ME) porque, pasme-se, é de cariz ideológico.

 

Não sei o que entende o Ministério da educação por "cariz ideológico", eu estive uns minutos a olhar para os cartazes e para além de jovens sorridentes e frases simples, não consegui encontrar o tal cariz ideológico... se calhar tem letras pequeninas que não se vêem de aqui.

 

Tão ou mais grave que isto, é o facto de algumas das escolas recusarem a distribuição dos cartazes porque "não são de uma campanha contra a discriminação, mas sim de uma campanha de promoção da homossexualidade". Recorde-se que o projecto foi apoiado pelo Instituto Português da Juventude.

 

Depois disto é fácil perceber o porquê de não haver lei da educação sexual que se consiga fazer valer em Portugal, quando as pessoas olham para estes cartazes e vêem ideologias ou promoção à homossexualidade e não uma simples campanha informativa, está tudo dito, então e  a estupidez de desta gente, não será ideológica?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:15

Destino

por Jorge Soares, em 16.02.11

 

Detalhes

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Profecia

 

Nem me disseram ainda 
para o que vim. 
Se logro ou verdade, 
se filho amado ou rejeitado. 
Mas sei 
que quando cheguei 
os meus olhos viram tudo 
e tontos de gula ou espanto 
renegaram tudo 
— e no meu sangue veias se abriram 
noutro sangue... 
A ele obedeço, 
sempre, 
a esse incitamento mudo. 
Também sei 
que hei-de perecer, exangue, 
de excesso de desejar; 
mas sinto, 
sempre, 
que não posso recuar. 

Hei-de ir contigo 
bebendo fel, sorvendo pragas, 
ultrajado e temido, 
abandonado aos corvos, 
com o pus dos bolores 
e o fogo das lavas. 
Hei-de assustar os rebanhos dos montes 
ser bandoleiro de estradas. 
— Negro fado, feia sina, 
mas não sei trocar a minha sorte! 

Não venham dizer-me 
com frases adocicadas 
(não venham que os não oiço) 
que levo caminho errado, 
que tenho os caminhos cerrados 
à minha febre! 
Hei-de gritar, 
cair, sofrer 
— eu sei. 
Mas não quero ter outra lei, 
outro fado, outro viver. 
Não importa lá chegar... 
O que eu quero é ir em frente 
sem loas, ópios ou afagos 
dos lábios que mentem. 

É esta, não é outra, a minha crença. 
Raios vos partam, vós que duvidais, 
raios vos partam, cegos de nascença! 

Fernando Namora, in "Relevos"

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publicado às 23:15

Viver em Setúbal, Restaurante O Cupido

por Jorge Soares, em 16.02.11

Restaurante o Cúpido

 

Quando se têm 3 crianças não é fácil ter um momento a dois, ir ao cinema, a restaurantes, passeios a dois à beira mar, tudo coisas que até gostávamos de fazer, mas que nos últimos 11 anos passaram a ser raridades.

 

Num destes fins de semana aproveitámos a boa vontade da tia Lena, heroicamente ela ofereceu-se a ficar com os três enquanto tirávamos umas duas ou três  horas para nós e irmos jantar os dois calmamente.

 

Nem era a nossa primeira escolha, mas o Cupido encantou-me, amor à primeira vista. O ambiente é acolhedor e muito agradável com uma decoração leve e moderna e com musica de piano ao vivo.

 

A ementa consta principalmente de tábuas das mais diversas carnes, desde o tradicional porco ao bisonte, e inclui veado, avestruz e canguru. É claro que num restaurante de Setúbal não podem faltar os pratos de peixe.

 

Nós escolhemos uma tábua de picanha, é servida acompanhada de uma generosa dose de frutas tropicais numa combinação deliciosa e muito feliz. Acompanhamos com uma sangria de champanhe.. que estava no ponto.

 

Não é evidentemente dos mais baratos, pagamos perto de 40 Euros pelo jantar para dois, mas é sem dúvida um dos lugares mais agradáveis de Setúbal, a repetir... quando houver outra folga desta vida de pais.

 

Fica ao fundo da Luisa Tody quem vai para a Arrábida... e tem um site, aqui

 

Jorge Soares

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publicado às 22:39

 

Uma chuva de diamantes

 

Eu por norma sou um leitor fiel, se há um autor que me marca é certo e sabido que estarei atento aos seus livros e que vou ler mais. "Conheci" Sveva Casati com  o Baunilha e Chocolate, que é um daqueles livros de verão, de levar para a praia, uma historia de amor e desamor, bem escrito e de leitura fácil, foi um livro que não deixou marcas, e a escritora passou para a prateleira dos esquecidos, ia vendo as sucessivas publicações nas estantes, mas nada mais.

 

Antes de ir para Roma compramos dois ou três livros, este Uma chuva de Diamantes foi comprado para a P... ela não gostou, eu peguei no livro com algum desdém, e a historia cativou-me. O livro está muito bem escrito, e apesar de um desfecho previsível, eu descobri a trama mais ou menos a meio da leitura, consegue manter a nossa atenção até ao fim, talvez porque é uma história de vida que toca muitos pontos sensíveis.

 

O livro narra a historia de vida de Sónia, a criança que nasce humilde numa aldeia da periferia de Milão. A sua infância é marcada por uma relação muito difícil com a sua mãe e por uma tentativa de abuso por parte de um vizinho que sofre quando ainda é muito pequena. Ficará "marcada" por isto para o resto da sua vida. Cresce e torna-se uma mulher de uma beleza rara e arrebatadora, esta beleza e os acasos da vida levam-na até às famílias mais ricas da cidade e colocam-na em contacto com uma enorme fortuna  e com um segredo que pode fazer a felicidade ou a tristeza de muita gente.

 

Apesar da beleza e da fortuna, Sónia é na verdade uma mulher cheia de uma enorme solidão que só consegue ser realmente feliz quando descobre que a sua felicidade não vai vir desse segredo nem da enorme fortuna que ele guarda... só somos realmente felizes, quando somos capazes de construir a felicidade por nós mesmos.

 

Em suma, um bom livro de leitura fácil e agradável.

 

Sinopse:

 

Um grande editor morre deixando aos filhos e netos um enorme património e um mistério inquietante: uma parte significativa da herança está pura e simplesmente desaparecida. Entre rancores e ciúmes, a leitura do testamento desencadeia uma desenfreada caça ao tesouro. A dominar a situação está Sónia, a nora do magnata - uma mulher generosa, bonita e voluntariosa. Face à crescente tensão na família, será apenas ela a encontrar forças para recomeçar uma nova vida.

Jorge Soares

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publicado às 22:26

No Japão o nome de casada vem por lei

 

É certo e sabido, mal se divorciam querem a toda custa deixar de ser a "senhora de", e isso implica passar a ter no bilhete de identidade divorciada e todos os documentos para o nome de solteira.... Na empresa onde trabalho as minhas colegas querem, evidentemente, mudar: o login, o email, os utilizadores de todos os sistemas e se possivel qualquer referência ao apelido ... uma coisa simples, acham elas, uma dor de cabeça achamos nós. Estão a ver o que significa que por exemplo que a directora do departamento de compras mude de um dia para o outro de email?, ou que todas as aprovações num sistema de documentração passem de um dia para o outro a pertencer a outra pessoa?.. sim, porque para os sistemas não há mudanças de login.. há, passar a ser outra pessoa.... um pesadelo.. E não há norma que nos valha, porque há sempre alguém importante que consegue e que passa a ser o precedente.

 

Acreditem que eu já tentei muitas vezes  perceber o que leva uma mulher a adoptar o apelido do marido quando se casa, ninguém me consegue explicar, porque mesmo aquelas muito donas de si e senhoras do seu nariz, no momento do casamento é certo e sabido que passam a ser a senhora de "alguém". Conheço uma senhora que não contente com um, adoptou os dois apelidos do marido, quando se casou chateou meio mundo para que lhe mudassem os dados no emprego...., passados 4 ou 5 anos fartaram-se... e não parou de chatear até que não restava um único resquício dos nomes em lado nenhum.... não há pachorra.

 

Há lugares onde a coisa até tem foros de lei, senão vejam esta noticia que fala do japão que a Sandra me fez chegar via Facebook, a sociedade japonesa é muito mais conservadora que a nossa, reza a noticia que para metade da população as mulheres nem deviam nunca sair de casa para trabalhar.

 

A sociedade Portuguesa mudou muito desde há 35 anos para cá, passou muito tempo desde que até para viajar era necessária a autorização escrita do marido , em que as mulheres passavam da propriedade do pai para a do marido e é claro que passou o tempo suficiente para que "porque é costume" deixe de ser uma resposta aceitável.

 

As pessoas evoluíram, em especial as mulheres, tornaram-se autónomas, profissionais tão ou mais competentes que os maridos, o que as leva a que na hora de dar o nó se rebaixem deixarem de ser quem são e que passem a ser a senhora de alguém? Alguém me quer explicar?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:18

Adopção, alguém quer abrir a caixa de pandora

 

Vai fazer 10 anos, há coisas na vida que simplesmente não esquecemos, o N. estava connosco há um ano, o processo de adopção estava quase concluído, faltava só a decisão do tribunal. Um dia recebemos uma carta do tribunal, estávamos à espera da adopção plena, o papel que faltava para que ele fosse nosso filho legalmente, porque no coração era-o desde o primeiro dia... , o tribunal informava que devido a que tinha aparecido o pai este teria que dar o seu consentimento e portanto o processo ficava parado.

 

Nesse dia eu percebi o significado da expressão, caiu-nos o mundo encima.... A maioria das pessoas não percebe, mas filho adoptado é só uma expressão, só tem significado para quem está por fora, para quem adopta e para quem é adoptado não tem significado nenhum... não há filhos adoptados e biológicos, há filhos, ponto. Naquele dia tudo nos passou pela cabeça, tudo.... mas uma coisa era certa, ninguém nos ia tirar o nosso filho, custasse o que custasse.

 

Sempre me foi dito que a adopção era uma situação definitiva e eu sempre acreditei que assim era, as crianças são seres humanos, não são mascotes, não são prendas, não se entrega um filho alguém para anos depois se chegar lá e dizer, "olhe, desculpe lá qualquer coisinha, mas alguém cometeu um erro, entregue lá o seu filho de volta".... bom, achava eu, porque pelos vistos e a julgar por esta noticia parece que afinal, é possível.

 

A maioria das crianças que vai para adopção vai contra a vontade dos pais biológicos, invocar neste caso que houve um erro porque a mãe não deu o consentimento é abrir uma enorme caixa de pandora, se por mero acaso esta senhora conseguisse os seus propósitos, seria sentado um precedente que teria consequências que nem quero imaginar, já viram o que seria se cada um dos pais que maltratava os seus filhos e não deu autorização para a adopção fosse para tribunal exigir estes de volta?

 

Há coisas em todo este caso que me deixam com os cabelos em pé, supostamente os dados da adopção são secretos, em caso algum deverá ser facultada aos pais biológicos qualquer informação sobre os adoptantes, não sei como mas esta senhora obteve esta informação e desde então dedicou-se a assediar tanto a criança como os pais....

 

Não me consigo colocar no lugar destes pais que desde há 3 anos tem um filho a quem dão o melhor de si e que de repente tem alguém a questionar a forma como o educam, a escola onde ele está, as condições de habitação, tudo... Os candidatos à adopção são avaliados nas mais diversas formas: condições financeiras, de habitação, psicológicas, tudo, quem deu direito a esta senhora a questionar a qualidade de vida destes pais?

 

Há coisas que não tem explicação possível.

 

Artigo 1989 do Código civil

 

Irrevogabilidade da adopção plena

 

A adopção plena não é revogável nem sequer por acordo do adoptante e do adoptado.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:22

Conto: A Pokã

por Jorge Soares, em 12.02.11

A Pokã

 

A pokã

À mesa,semblantes severos. Tios e tias de luto. O patriarca se fôra e mal ousavam falar. Para a morte, alguns eufemismos: partir, passar para, descansar. E lá merecia o velho feroz algum descanso, pensava a adolescente retirada no meio da noite do leito morno e quase surpreendida em sua doce lascívia das mãos curiosas sob os lençóis? Ainda bem que no dia seguinte, deveria apresentar o trabalho de pesquisa sobre a Guerra do Irã (ou seria Iraque?). Quase nada pesquisara, mesmo pela Internet, pois a Pat fizera quinze anos na véspera e batera pé para a festinha na cobertura ser no mesmo dia, não no sábado. A mãe não pudera com a birra, temendo ser catalogada de atrasada, em relação à sua própria, que não ousara proibí-la ao ser comparada à da Pat, tão in. Combinação de meninas: uma citava a mãe da outra para conseguir qualquer coisa... Cada mãe, temente de ser "out" e perder o amor da filhota mimada.


Levanta os olhos de grandes pestanas douradas,meio desfocados. Avalia os comensais. Um deles faz o mesmo e a apanha na teia de aranha que se instala entre ambos, de imediato. Ele aponta com o queixo, os demais, faz movimentos cômicos, taxando-os de chatos. Ela aquiesce mudamente, sorriso a meio, pronto para desmanchar-se se alguém a surpreendesse no mudo colóquio.


Ele apanha farinha e escreve "fofa",sobre o feijão frio. Ela devagar, lambe os lábios, coração disparado. Pat lhe dissera, com a sabedoria das mocinhas de quinze anos, que os homens ficavam maluquinhos quando viam a ponta da língua. Por isso chamavam as mulheres de gatinhas. Ele arregala mais ainda os olhos sombreados, passa as mãos pelo queixo onde espetam centenas de fios de barba. Também fôra acordado no meio da noite para o enterro do avô. O telefone vibrara logo após uma petit mort. Seqüente a um grande gozo.


Subitamente, deixa o sapato do pé direito cair, sem alarde algum. Mocassim fácil de tirar. Estende a perna e deixa o pé descansar sobre as coxas úmidas da adolescente. Esbarra com calças jeans. Ela estremece. Ele escreve com a farinha: Tira. A garota o interroga com o olhar. Escreve então, da mesma farinheira: Como?


O moço ri. Apanha uma pokã. Descasca-a sem pressa. Pega dois gomos e mostra-os com calma à quase menina. Entreabre-os. Coloca entre eles, o polegar. A garota estremece de prazer. O coração parece que desceu e pulsa nela, lá em baixo, entre os gomos túmidos.


Tentando, sob a toalha de linho, imensa, fazer o mínimo possível de gestos, muito devagar, vai desabotoando os botões de metal. A calça apenas cobre o púbis. Consegue ir levantando as nádegas. Puxa as pernas da calça. Noite abafada na sala de fazenda, sem ventiladores. Acomoda o pé invasor. Segura-o como se isso bastasse para impedir um abuso maior. Mas tem vontade de acariciar o pé, um mini corpo. Quando se distrai, é tocada, qual uma corda de violão. Estremece e geme. Todos a olham, de súbito. Está vermelha. A mãe pergunta, preocupada:


-O que foi?


Ela fala baixinho,só para a inquisidora ouvir:


-Cólicas...


O pé já se recolhera. A mãe se aproxima e pergunta alto: Onde ela vai dormir? A tia mais velha conversa com outra, decidem logo e ela é convidada a ir tomar banho, antes de deitar-se. As adultas agora estão num canto, falando de absorventes, coisas de mulher. O primo primogênito apanha os gomos do desejo e os põe na boca. Todos se levantam. A empregada, ao recolher a louça, vê sobre o feijão escuro, a frase: Que pena! No quarto da donzela, sob o chuveiro, ela revê esses gomos sumarentos ao fechar os olhos. E com os olhos dos dedos, imita os dedos do sedutor.


Em pé, na varanda, ele pensa na fêmea madura que deixara à sua espera na capital. Enquanto come os últimos gomos da dourada pokã...

 

Clavane Pessoa

 

ReTirado de Clavane Pessoa

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publicado às 21:04

Mulheres portuguesas são as mais satisfeitas da Europa

 

Imagem do Público

 

 

A noticia é do El Mundo, foi citada pelo Expresso e depois repetida pela RTP, Público, etc ... Diz o estudo que as mulheres portuguesas são as mais satisfeitas da Europa quando se fala de sexualidade.

 

O Estudo que se chama  "O que querem as mulheres?" diz que 88% das entrevistadas disse que está satisfeita com com a sua vida sexual, sendo que 81% diz que tem relações sexuais pelo menos uma vez por semana... não é liquido que ter sexo uma vez por semana, ou duas, ou três, seja sinónimo de se ter bom sexo... pelo menos é o que eu acho.

 

A isto Júlio Machado Vaz responde o seguinte: "A verdade é que nestes questionários há uma tendência para se responder o que sabemos que fica bem dizer".

 

Quando há uns dias falei do problema da sexualidade entre adolescentes e do facto de termos 12 adolescentes por dia a dar à luz no nosso país, entre os comentários que me deixaram havia mais que um que diz que a culpa é dos pais, não há educação sexual na escola nem em casa e em casa não há porque os pais não podem falar aos filhos daquilo que não conhecem... Depois de ler os resultados do estudo, a conclusão será fácil... não são precisos conhecimentos sobre sexualidade para se ter uma vida sexual satisfatória....será?

 

E vocês que acham?, 88% é um número realista, ou como diz O Murcon,  as pessoas exageraram nas respostas ao inquérito?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:11



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  168. N
  169. D