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Fim do News of the World

Imagem do Público

 

Sempre me fez confusão que exista este tipo de jornalismo, jornais feitos de boatos, meias palavras, meias verdades, completas mentiras ... faz-me espécie que existam pessoas que façam deste tipo de escrita modo de vida, assim como me faz especie que existam pessoas que mesmo sabendo que na maior parte das vezes o que lá vem escrito não passa de mais um episódio da imaginação de um qualquer escriba de ocasião, as comprem.

 

O News Of the World era um jornal com 168 anos, não sei quantos haverá no mundo mais antigos, de certeza que serão poucos, também não sei desde quando enveredou por este tipo de jornalismo de sarjeta. Hoje foi a sua última edição, em qualquer outro caso seria de lamentar a morte de mais um jornal, e para mais um jornal com esta idade, neste caso, só podemos lamentar que tenha demorado tanto tempo.

 

O sucesso deste tipo de de jornalismo mostra como somos cada vez mais uma sociedade voyeur, uma sociedade que dá cada vez mais importância ao acessório, ao fútil, ao que não deveria interessar a ninguém. Num mundo em que os jornais sérios, os que vivem de vender informação e noticias, tem cada vez mais dificuldades em sobreviver, as revistas cor de rosa e este tipo de jornais florescem como cogumelos a seguir às chuvas do Outono.

 

Curiosamente há muito que eram conhecidos os métodos deste jornal, há muito que se sabia que se faziam noticias com base em métodos ilegais, até agora as vitimas era só famosos, imagino que até agora se partiu do principio que ser vitima destes senhores era parte do preço a pagar por ser ser rico e/ou famoso. O escândalo e o encerramento do jornal só chegaram quando se percebeu que os métodos ilegais afinal servem para todos, ninguém está livre, é pena, se tivessem tomado medidas logo na primeira vez, não se teria chegado tão longe.

 

Mas o News of the Worls não é o único a viver deste tipo de jornalismo, há mais, muitos mais, esperemos que tenham rápidamente o mesmo fim.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:14

Conto, Se na noite, um estranho

por Jorge Soares, em 09.07.11

Se na noite um estranho

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

forçando a porta de entrada penetrasse em meu apartamento, e diabólico e cruel, explorasse com seus passos macios e premeditados a minha intimidade, devassasse a corrente dos meus pensamentos, extraindo dos cantos do meu cérebro as palavras não ditas, apenas pensadas, se invadisse os meus aposentos, revirasse as minhas gavetas, à cata do quê? jóias, se não as tenho, dinheiro escondido, muito menos, fetiches? tão ocultos jamais expostos, como aquela roupa íntima vermelha usada nos momentos do sexo mais pervertido, ou aquele pé de coelho que um dia me ofertaram com a promessa de que ele amaciaria os caminhos, se esse estranho embaralhasse a minha vida, violentasse o meu pudor sem a minha concordância, penetrasse a minha cozinha em busca de alimento, encontrasse aquela sobremesa especial que fiz com carinho, e com um bah de desprezo, atirasse tudo ao cachorro, não sem antes lhe dar um pontapé no traseiro, em seguida sem aviso, alcançasse a faca afiada e com ela me ameaçasse, se entregue ou eu te furo, e me atirasse ao chão e me possuísse sob gritos de meu protesto irado, se esse estranho me humilhasse de todas as maneiras, penetrando violentamente todos os orifícios de meu corpo em busca do prazer insaciável, achando que o meu dever era aceitar resignada a sua condição de macho de cetro impiedoso, e a minha de fêmea sempre pronta, pernas abertas, e se depois da posse, estirado ainda no ladrilho frio da cozinha, acendesse um cigarro e me olhasse com os olhos semicerrados, feliz com a sua conquista e vangloriando-se de ser bom amante, o querido de todas as mulheres do bairro, se esse estranho depois do ato do sexo, percorrendo com uma faca todos os contornos de meu corpo, parando em meus mamilos duros de prazer, penetrando a minha vagina ainda quente, riscando a minha pele eriçada, então se levantasse e ordenasse, faça um café, mulher, abra uma cerveja, se mexa, me agrade, que eu mereço pois afinal entrei na tua vida para te fazer feliz, ah, se ainda esse estranho resolvesse aportar na minha casa, e dela tomar posse, com promessas de mudança e de carinhos, se chegasse todos as noites depois de passar em meia dúzia de bares, embora para que ele não voltasse, eu rezasse todo os terços, que ele me arrancava das mãos pisava sobre as contas, gritando eu sou teu único Deus, e, se como senhor e dono me exigisse, me possuísse pele enésima vez, gritando, nenhum deus te dará mais aleluias do que eu, e depois de todas as vontades satisfeitas, deitasse na minha cama e dormisse a sono solto, até a manhã seguinte, e se assim fossem todos os dias, a relação de dois estranhos sob o mesmo teto, e se eu mais uma vez rogasse aos santos, sobre meus joelhos sangrando, para acontecer algum fato, mesmo que fosse uma desgraça, que interrompesse essa corrente, ou que a minha vontade predominasse por alguns instantes, o tempo suficiente para expulsá-lo de minha vida, eu agradeceria pelo resto da vida, mas se a fraqueza, o medo, o amor, o ódio ou o prazer, impedissem o cumprimento dessa vontade, e eu insensata o matasse com mil facadas perfurantes que lhe alcançassem a alma de coisa ruim, talvez seu espírito retornasse mais feroz do que o anterior desencarnado, e mais me torturasse, me penetrando, me violentando, me satisfazendo. Se esse estranho a cada dia se fizesse mais odioso e mais desejado, se minasse em meu íntimo dia a dia, minuto a minuto, a volição da vida, se arraigasse o desejo insensato de liquidá-lo na hora do orgasmo, a hora da distração e do alheamento, se despertasse em mim o lobo interior que leva à crueldade em vez da gazela que bale, se esse estranho me asfixiasse com seu suor, e num momento de fúria eu o estrangulasse ou o aleijasse cortando seus testículos recheados, e o banisse da minha vida escravizada, então talvez eu descansasse e abrisse as portas para a solidão se alojar. Se esse estranho não tivesse o riso cínico de superioridade estampado na face, a lubricidade sempre pronta, se não soubesse o poder de sua dominação, da força da perdição que impele à morte, a certeza do seu absolutismo, se esse estranho que invadiu a minha noite não tivesse consciência do quanto se tornou imprescindível, se desaparecesse assim como apareceu, com seus passos mansos e sua fala macia, com suas pretensas promessas de felicidade, se esse estranho que comigo hoje habita se fosse, desistisse de mim, então talvez eu me desesperasse.

Se numa noite, um estranho tentasse entrar em minha vida para se instalar, eu o teria impedido, teria trancado com todas as chaves a porta de entrada da minha casa, e mais as entradas de meus sentimentos, fechado o caminho do labirinto do meu corpo, ou gritado por auxílio, e se ele superando a minha força física e as minhas intenções, conseguisse o seu intuito, e me submetesse ao seu sexo, então eu o assassinaria, e seria em legítima defesa. E se ele implorasse, em nome do passado, do amor, da luxúria, eu recusaria para que ele fosse nada mais, apenas um estranho na noite tentando forçar a minha porta de entrada. Se na noite, um estranho tocasse a porta da minha alma e do meu destino,

 

Nilza Amaral

 

Retirado de Nilza Amaral Blog

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publicado às 21:17

Lixo, para a Moodys somos lixos.. para nós eles também o são

Cartoon do Público

 

 

Vamos provar à Moody's que podemos pagar... com a nossa nova moeda.

Num saco transparente, ponham uma parte do que tiverem no balde de lixo da cozinha. Colem ou atem um papel com a seguinte nota: 
"Debt Payment:
Portuguese Junk Money - The one and only.
Speculation free. Suitable for white-collar criminals."

Sejam criativos na produção, mas discretos na embalagem. Depois, colem um selo de Portugal bem bonito e enviem para a seguinte morada:

Moody's Investors Service Ltd.
Att.: Mr. Anthony Thomas
One Canada Square
Canary Wharf
London, United Kingdom E14 5FA

 

Retirado de Portuguese Junk Money 

 

Não está mal visto não senhor..... 

 

Jorge Soares

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publicado às 23:17

Guiné às escuras

Imagem do Sorrisos sem Cor


"Someday perhaps the inner light will shine forth from us, and then we'll need no other light" Goethe

"A Guiné-Bissau é um país sem luz.


Menos de 1% dos guineenses tem acesso à energia eléctrica.


Para além desta dura realidade que deixa o país praticamente às escuras é preocupante o facto de não conseguirmos ver uma "luz" ao fundo do túnel para as muitas crianças que são vítimas de abandono e da falta de condições de saúde e que levam as suas jovens mães a não resistirem ao parto e a deixá-las sozinhas, frágeis e vulneráveis.


Apesar das dificuldades por que passam desde que nascem e de serem verdadeiras sobreviventes de um país que pouco ou nada tem para lhes oferecer, estas crianças têm "energia" de sobra.


Por todo lado podemos vê-las a correr nas ruas de terra vermelha, a jogar ao pega-pega e a brincar ao surumba-surumba.


Os seus brinquedos são inventados com peças que encontram aqui e ali, divertem-se empurrando pneus e fazem de qualquer roda um verdadeiro carro de corrida.


Aqui quase ninguém vê televisão, usa o computador ou tem acesso à internet.


Aqui a luz que vai brilhando é apenas a do sol que teima em nascer todos os dias.


Era nos olhos destas crianças que queria ver brilhar uma luz: a da alegria e da esperança num futuro melhor..."

 

Joana Cruz no Sorrisos sem Cor 

 

Vivemos tão centrados nas nossas coisas, no nosso mundo que temos tendência a esquecer que existem mundos para além do que conhecemos,  é difícil acreditar que em pleno século XXI, exista um país em que menos de 1% da população tem acesso a algo tão elementar como a energia eléctrica, mas a verdade é que esse país existe mesmo.  

 

Todos nós damos por garantidas muitas coisas, os nossos filhos não se imaginam a viver sem elas, nós não nos imaginamos a viver sem elas.. luz, água, telefone, televisão, internet,... tantas coisas..e há tanta gente que nunca as teve.

 

Tudo na vida é uma questão de perspectiva, todos os dias nos queixamos de que estamos mal, de que as coisas estão mal,  hoje quando lia o post da Joana dei por mim a sentir de novo o que senti quando fui buscar a minha filha a Cabo Verde, afinal nós temos tudo e era preciso tão pouco para fazer tanto por tanta gente.

 

Só indo lá, vendo, sentindo o que tem e não tem estes povos, conseguimos verdadeiramente entender termos como terceiro mundo e subdesenvolvimento e  perceber que afinal, nós somos uns privilegiados.

 

Por vezes precisamos de ver o mundo pelo olhar dos outros para nos situarmos na vida.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:29

 Casal Homossexual adopta 5 irmãos

 

A noticia vem do Brasil, cá não seria possível, não porque não haja quem adopte 5 crianças de uma vez, que também há, mas porque as 5 crianças, 5 irmãos entre os 4 e os 10 anos, foram adoptadas por um casal homossexual.

 

Podem ler a noticia aqui, eu gostei especialmente desta parte:

 

"Pela lei brasileira, o estado civil e a preferência sexual não são relevantes para autorizar ou não a adopção. Os pretendentes devem ter mais de 18 anos, ser pelo menos 16 anos mais velho que o adoptado e comprovar a idoneidade moral. Também devem comprovar que possuem condição material de prover o sustento das crianças."

 

Ora lá está, o que interessa é o bem estar das crianças, não é o estado civil, não são os gostos, as preferências sexuais,, não é o que a sociedade possa dizer, não é o que possam dizer as outras crianças na escola, não é o que possa dizer o papa ou a igreja, .. o que interessa são as crianças e o seu bem estar, não a discriminação e os preconceitos.

 

É pena que por cá ainda se continue a pensar que é nas instituições que as crianças estão bem, não é adoptadas, não é com famílias que os amem, os saibam educar e dar-lhe condições para crescerem felizes.  É por isso que temos 10000 crianças institucionalizadas e umas poucas centenas vão para adopção.

 

Não posso olhar para este caso e para além de admirar estes dois pais, pensar, muito à frente, eles são muito à frente, como pessoas e como país... nós não passamos de um atraso de vida.. é por isso que estamos como estamos.

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:11

Fernando Nobre renumciou ao cargo de deputado

Imagem do Público

 

"Quanto ao Sr Fernando Nobre, é cedo para a campanha eleitoral..e se como presidente da Ami ainda não conseguiu colocar-se em perspectiva sobre a realidade do mundo em que vivemos, o melhor é que se continue a dedicar à Medicina e deixe a politica de lado."

 

A frase é minha e foi escrita neste mesmo blog no dia 17 de Fevereiro de 2010, o post tinha como título Tudo na vida é uma questão de perspectiva, tinha voltado de Cabo Verde há uns dias com mais uma filha e uma perspectiva do mundo muito diferente. Entretanto entre o episódio da utilização da fotografia nos cartazes de campanha e as reviravoltas do senhor, escrevi mais sete posts sobre ele... podem ver os títulos aqui.

 

Muita gente olhou para Nobre e viu como uma alternativa aos políticos, um exemplo de cidadania, alguém que poderia fazer a diferença, bom, nem tudo se perdeu, em ano e meio ele conseguiu mostrar que as alternativas que nascem da cidadania são uma utopia. A capacidade politica, a liderança, a capacidade diplomática, não são algo que nasça espontaneamente. Os partidos políticos, todos os partidos políticos, são para além de mais escolas de liderança, com tudo o que de bom e de mau isso quer dizer. Não é líder quem quer, é líder quem tem a capacidade de o ser e se prepara para isso.

 

Foi a 17 de Fevereiro de 2010 que Nobre apresentou a sua candidatura à presidência da República, há quase exactamente um ano  e meio, desde então foi acumulando disparates e contradições. Hoje saiu a noticia da sua renúncia ao cargo de deputado. Pelos vistos  servir o país só tem piada quando estamos sentados na cadeira do poder, servir o país desde a terceira ou quarta fila da assembleia da República só dá trabalho, não dá prestigio. 

 

Espero que lhe tenha servido de lição, a ele, aos partidos politicos e ao país, a coisa não está para utopias e lirismos.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:43

O quarto .. ou .. quem tem filhos ....

por Jorge Soares, em 03.07.11

O quarto

Imagem da internet

 

Já me tinha acontecido na outra casa.  Quando mudámos de casa da outra vez tínhamos a R. a casa tinha 3 quartos, dois eram enormes, um para nós, um para ela e o outro, o maior, ficou para escritório. Passado pouco tempo chegou o N. que foi partilhar o quarto com a irmã. Entretanto eles foram crescendo... e um belo dia a minha meia laranja chegou-me com a ideia de que tínhamos de trocar de quarto com os miúdos. Como o nosso quarto era maior ela podia colocar as duas camas e as secretárias deles. De inicio ainda estrebuchei, a ideia de passar a a ter o quarto mais pequeno da casa não me agradou... nem era por nenhum motivo especial.. simplesmente gostava do meu quarto. No fim tive de me convencer, a alternativa era desfazermos o escritório e colocar um em cada quarto, o escritório e tudo o que lá estava não cabia no quarto mais pequeno.

 

Quando trocamos de casa há três anos  certifiquei-me de que ia comprar uma casa com quartos suficientes, de modo a ficar a coberto de mais surpresas... esta casa tem 4 quartos, a saber: escritório, o nosso e um para cada um deles. Entretanto chegou a D., mas a coisa já estava pensada, ela ia partilhar o quarto com a irmã... pensava eu.

 

Na semana passada senti que estava a ter um deja vu... a minha meia laranja acha que o quarto das miúdas é pequeno, colocar beliches não é nada prático, elas precisam de mais espaço... e no nosso quarto cabem perfeitamente duas camas, duas secretárias e ainda sobra espaço para elas.... A conversa foi assim meio para o surreal.

 

- O que achas da ideia?

- Não

- Não?!!, mas porquê?

- Eu gosto do meu quarto.

- Mas tu só lá vais dormir, e ainda por cima dormes poucas horas.

- Não.

- Estás a ser egoísta, ainda por cima a vista desde a cama do outro quarto é muito mais bonita. - Convém dizer que os quartos são parede com parede, a varanda é comum e a vista.. a mesma.

- Já disse que não.

- Estás a ser egoísta e teimoso, já estive a medir e a nossa cama cabe lá perfeitamente e ainda sobra espaço para as cómodas.

-......

-Eu já estive a pensar pintamos as paredes, a cama fica mais perto da janela e está virada ao contrário, ficamos com vista para a serra.

-..... Grrrrr

-Vá lá, eu deixo-te escolher a cor das paredes do quarto.

 

Está demais dizer que é uma batalha perdida, as mulheres desta casa são especialistas em guerra psicológica. Um destes dias cheguei e havia duas amostras de  tinta coladas na parede do quarto... mas eu posso escolher a cor...está mais que visto que estou condenado para o resto dos meus dias a ter direito aos quartos mais pequenos das casas..... também, quem me manda escolher casas pequenas... ou  querer ser família numerosa? Mas vou-me vingar, vou escolher uma cor berrante.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:12

EU SOU UMA LINDA MULHER OU O DIA EM QUE FUI JÚLIA ROBERTS


Em comum com a linda mulher na tela do cinema só a lingerie preta. Dentro de uma das taças do sutiã rendado um seio flácido, estriado e murcho. Dentro da outra taça, um seio novo, bem torneado e empinado, prótese insensível de espuma de borracha que escondia as cicatrizes que o câncer deixara. As dobras flácidas do abdome cobriam parte da renda preta da calcinha. Não havia a menor importância. Afinal, ninguém estava mesmo enxergando as roupas íntimas. Era a primeira vez que usava aquelas peças, mas as guardava há 14 anos. Desde o casamento. Incluíra no enxoval aquelas roupas sensuais com a esperança de manter o fogo do parceiro sempre aceso. Mas ele dissera que aquilo era roupa de puta e que mulher honesta não usava calcinha preta. As gordurinhas trazidas pelos anos sedentos de prazer diminuíram o tamanho das peças negras. 

Hoje, antes de sair pro cinema, eu morri de medo que ele desconfiasse que eu tava usando as roupas de puta. A mulher na tela tá fazendo papel de puta, mas ela não é muito puta, só no começinho do filme. Depois ela deixa de ser puta. Ai, aquele homem lindo, rico, estudado, maravilhoso, envolvente... Acho que ele seria capaz de me amar... Ele não tem preconceitos. Ele amou a linda mulher mesmo sabendo que ela era puta. Ele ia me aceitar mesmo sabendo que eu tô usando calcinha e sutiã preto e que o meu seio mais bonito é o de borracha. O filme devia ter mostrado o casamento, a casa que deve ser linda... Ela em casa, esperando ele pro jantar. Acho que ele não almoça em casa. Milionário não almoça em casa. À noite, ele serve champanhe com morango, como no primeiro dia, e a beija na boca como no final do filme. Há quanto tempo não beijo na boca! E faz amor porque ela continua usando a lingerie preta. Aquele dia, durante a lua de mel, escondi a lingerie preta envergonhada e só fui usá-la depois da cirurgia. Mas ele nem viu... O câncer me levou um seio e acho que agora ele não vai mais me chamar de puta. Acho que não existe puta com um seio só. O filme acabou, sinto que algo em mim tá mudado. Vou ao banheiro. Dentro do soutien, estão os seios da Júlia Roberts. Meu cabelo, que a radioterapia tinha deixado curtinho, cresceu. Minhas pernas estão lindas e durinhas. A barriga desapareceu e as duas pedrinhas de strass, na cintura da calcinha brilham como dois mini faróis. A luz acende assim que saio do banheiro. As pessoas na platéia me olham maravilhados. Faço cara de envergonhada, tento esconder minha beleza e saio do cinema. Meu marido, que espera por mim dentro do carro, me olha com olhos de cobiça. Não me reconhece. Resolvo não entrar no carro. Atravesso a rua e sinto que sou Júlia Roberts, eu sou uma linda mulher usando lingerie preta escondida debaixo da roupa discreta. Passo por entre as mesas na calçada e todos os homens me olham estupefatos com minha beleza sem maquiagem. Entro num táxi. Eu já ia pedir pro táxi me levar para Holliwood quando uma buzina doeu no meu ouvido como toque de recolher. 

Olhou para trás assustada e viu o marido acenando. "Aonde você vai?", ele gritou. "Você se esqueceu que eu vinha te buscar?" Desceu do táxi, entrou no carro e ele perguntou se precisava passar na padaria para levar pão e leite para o lanche, disse que o moço da televisão pegou o aparelho estragado e ficou de devolver no final da semana e que as crianças ligaram da praia dizendo que os tios insistiam para elas ficarem até o final do mês.

 

Lúcia Menezes de Oliveira e Paiva 

Retirado de Trapiche dos outros

 

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publicado às 21:03

Para poetizar uma flor

por Jorge Soares, em 01.07.11

Flor

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

Para poetizar uma flor
Sob o efeito de feitiço
Teria de proferir amor
E isso, eu não cobiço.

Para poetizar uma flor
Ante beleza evidente
Teria de expurgar dor
Como insecto demente.

Para poetizar uma flor
De perfume inebriante
Teria de inspirar odor
E magia todo o instante.

Para poetizar uma flor
Eloquente rima boa
Teria nascer trovador
Ou renascer em Pessoa.

 

Manuel

 

 

Com os desejos de um bom fim de semana

Jorge Soares 

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publicado às 23:03

Um disparate... foi o que ele disse, estamos todos de acordo... detesto políticos de memória curta.
Jorge Soares

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publicado às 17:02

Pág. 3/3



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