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Braga de Macedo Renuncia ao subsidio

Imagem do Público

Ministro da Administração Interna renuncia ao subsídio de alojamento 

Uma vitória da blogosfera e das redes sociais, o senhor afinal ainda tem um bocadinho de vergonha, resta saber quantos mais casos destes há, quantos mais membros do governo recebem estes subsidios e quantos serão os deputados? 

 

Jorge Soares

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publicado às 19:56

Conto: Retalhos místicos

por Jorge Soares, em 22.10.11

COXAS

Indisciplinadamente meu olhar passeia e sempre passeia por onde não devia, se por acaso existisse coisa que se devesse ou não. Meu olhar instigado pela imaginação, se desprende do real e se transporta desse mundo e dos outros que existirem, pois existem mundos muito mais do que esses permitidos. Posso ver o que quero quando crio. Aventura constante é o ato de inventar. Concretizar o abstrato por meio de algum sentido, como por exemplo, o sentido do olhar. O mundo enxergado é intenso e forçado ao silêncio. O não declarado domina. Apenas mirar o que o pensamento admitir, e legítimo será tudo. Assemelhar-se aos deuses ou mesmo ser um deles. Assombrar os mortais dispondo de seus corpos, alisando-lhes tudo com os olhos, tomando posse de seus instintos como se fossem nossos. Contar histórias enganosas, fatos acontecidos apenas no desejo da memória. Explicar os sons a partir da oitava nota, as cores além das presentes no espectro solar, as letras pelas que caíram fora do alfabeto. Com indecência ou modéstia olhar, não só com os olhos, mas com todos os sentidos, tudo e muito mais do que o cristalino puder desenhar.

 

Sonhos e propostas. Opção. Assisto ou não a esse espetáculo de coxas unidas e pernas controladas? Apesar de teu pudor teu gesto imita um falo. Olho e cobiço tudo que vejo para meu regalo. Quero. Você receptáculo eu projeção. Depois poderemos inverter nossos conceitos, nossa posição. Feito espelhos complementares serão duas superfícies lisas e iguais a refletir jogos ancestrais como se fossem novidades.

 

Convencionemos que não quero ver teu rosto. Quero teu busto. E quando desse modo te contemplo, acredito que o mundo ali está em teus mamilos rosados. (Fitarei só um deles para deixar o outro enciumado). A seguir recolherei tuas sensações em minhas pupilas e as distribuirei como uma benção, visando um mundo de sossego baseado na poesia carnal.

 

Meus olhos giram e gira teu corpo artesanado em curvas, definição absoluta do belo. Tua cintura atrai possibilidades fantásticas. Se mostrando assim você aquiesce a minha gula. Entende meu desejo alterado. Permite. Se deixa contemplar como uma escultura pagã, apontando-me o objetivo de minha insanidade.

 

Apenas alguns graus mais para esquerda está exposto teu traseiro. É ele uma porção de teu corpo para ser admirada de joelhos pela semelhança que trás com o altar das mais impróprias catedrais. Não concordo que esse teu pedaço seja só músculos e lipídios. É muito, bem muito mais. Trata-se de um retalho místico.

 

Dirijo meus olhos agora para teus acidentes frontais. Umbigo, púbis, buracos, depressões, caixas de ressonância dentro das quais se deveria gritar orações: - Te penetrarei por algum orifício imaginário, espécie de local por onde entra e sai o diabo.


E como de súbito e só com meu olhar conseguir teu repouso. Ali teu corpo molhado, extenuado, ofegante, cansado. Teu coração batendo. Enfim, uma mulher agradecida em minha frente, após o jogo de gente com gente.

 

Retalhos Místicos

Joyce Cavalccante  

 

Retirado de Joyce Cavalcante

 

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publicado às 21:19

Braga de Macedo recebe 1400 Euros por mês

Imagem do Público

 

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, recebe todos os meses cerca de 1400 euros por subsídio de alojamento apesar de ter um apartamento seu na área de Lisboa onde reside durante toda a semana. A assessoria de imprensa do Ministério da Administração Interna (MAI) afirma que o subsídio é legal, uma vez que o governante tem a sua residência permanente em Braga.

 

 

Haveria que explicar ao MAI que há uma enorme diferença entre ser legal e ser moral, poderá ser legal, mas a verdade é que ante a situação actual do país, ante todos os sacrifícios que se pedem a todos os portugueses, isto é uma enorme imoralidade. O facto de o senhor se ter candidatado ao subsidio é de uma falta de vergonha que nem tem nome.

 

Com que lata é que depois estes senhores nos vem pedir sacrifícios quando eles aproveitam todas as oportunidades para chularem o estado? Quantos portugueses poderíam ter direito aos subsídios de natal e/ou de férias com os quase 16 mil Euros que o senhor recebe por ano à custa disto? E que tal ao menos terem um bocadinho de vergonha?

 

Jorge Soares

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publicado às 09:47

As redes sociais tornam os humanos estúpidos?

 

Ninguém duvida que as redes sociais vieram para ficar, fazem parte da vida de uma boa parte da humanidade, há muito boa gente para quem quase se converteram na sua realidade, eu continuo a achra que são só mais um meio de comunicação. Vivemos na era da informação, os computadores e todos os seus sucedâneos não são mais que o meio que utilizamos para aceder e partilhar essa informação, a forma como cada um um faz varia, sendo que haverá quem os converta numa arma poderosa para a evolução e quem deles faça uso para criar o seu próprio mundo e dessa forma se afastar da sociedade.

 

Já não é novidade nenhuma que as redes sociais mais que transmitir noticias, sejam elas próprias a notícia, esta semana não foi a excepção, e foi para o bem e para o mal.

 

Na primeira noticia falava-se de mais um daqueles estudos que agora abunda, segundo uns senhores de uma universidade inglesa "há uma relação directa entre os amigos que as pessoas têm nas redes sociais e o tamanho de determinados partes do cérebro." Segundo quem fez o estudo, mais amigos no Facebook normalmente implica mais massa cinzenta no cérebro. É claro que ninguém diz que isso implica mais inteligência, mas pronto, fica o registo de mais um estudo parvo.

 

O que sim está provado é que a utilização do Facebook deixa alguns seres humanos mais estúpidos, senão vejamos esta outra noticia:

 

Benito Apolinar, 36 anos, escreveu no seu mural uma mensagem evocando o aniversário da morte da sua mãe e enquanto vários amigos colocaram um "like" na publicação, a mulher ignorou a mensagem. Tal atitude levou a uma discussão com a sua esposa de quem estava recentemente separado, tendo-a mesmo agredido quando foi levar os filhos a sua casa.

 

 

É verdade que as redes sociais foram pensadas para acercar as pessoas, mas o divórcio não é suposto ser para as afastar?  quem é que é o suficientemente estúpido para continuar amigo do ou da ex no Facebook após o divórcio?

 

Já agora vejam o seguinte vídeo, uma sátira perfeita às redes sociais, como reagiríamos se alguém nos fizesse em pessoa os pedidos que nos fazem no Facebook?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:09

Morreu Khadafi, o fim do medo na Líbia

por Jorge Soares, em 20.10.11


morreu Muammar Khadafi

Imagem do Público

 

Morreu Mohamar Khadafi, é o fim de uma era de terror na Líbia, e esperamos nós, mais um passo na caminhada do mundo Árabe para a liberdade e a Democracia. Esperemos que a sua morte não sirva para que se coloque um véu sobre toda tirania e barbárie com que ele e os seus seguidores governaram o país durante mais de 40 anos, o povo Líbio exige e tem direito à justiça.

 

Não podemos também esquecer que tal como dizia há pouco tempo Mia Couto, "... os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são precisamente os que mais armas venderam a Kadafhi...", todo o sofrimento do povo Líbio é também culpa de quem durante estes 40 anos de uma forma ou outra contribuiu para o prolongar de um regime de terror.

 

Jorge Soares

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publicado às 20:48

As dúvidas do cidadão Cavaco Silva

Imagem do Público

 

“Mudou o Governo, mas eu não mudei de opinião”, afirmou hoje o Presidente da República, contestando a eliminação dos subsídios de férias e de Natal para funcionários públicos e pensionistas, que vê como a “violação de um princípio de equidade fiscal”. 

 

Tenho uma duvida existencial, será que ele se prepara para vetar o orçamento de estado ou para exigir ao Passos Coelho que estenda a medida a todos os trabalhadores?

 

Ou será que ele se queria mesmo referir ao escândalo das pensões vitalícias dos senhores políticos  que não estão sujeitas a cortes de nenhum tipo?

 

Vai uma aposta em como daqui até ao momento em que o orçamento lhe chegar às mãos ele muda de opinião e aprova a lei sem piar?

 

Mas ele não é o único com certezas destas, há pouco no noticiário da RTP ouvíamos o líder do PS a dizer que "não se deve somar austeridade a mais austeridade" e aconselhava os Espanhóis a não seguirem o exemplo do governo português.... significará isto que o PS não vai votar o orçamento? Não, claro que não, já todo o mundo sabe que o PS vai aprovar o orçamento.....

 

Dois casos de olha para o que faço não olhes para o que eu digo.... é caso para dizer que cada país tem os políticos que merece.

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:01

A luz ao fundo do abismo

Imagem de Henricartoon

 

Ao cuidado dos senhores ministros da saúde, das finanças e já agora do senhor Pedro Passos Coelho.

 

Supostamente há uma lei qualquer que diz que as médicas com filhos pequenos estão isentas de fazer os bancos no hospital onde trabalham. Em linguagem hospitalar, fazer banco é fazer um turno de 24 horas seguidas.. ou coisa pelo estilo. Evidentemente a maioria das médicas do serviço nacional de saúde aproveita este seu direito e não faz os bancos.

 

Hoje durante a hora do almoço alguém contava o seguinte: Há uma médica de um hospital algures a norte que tem filhos pequenos e portanto não faz os bancos, mas como na sua zona há falta de médicos nos hospitais, ela aproveita estes tempos livres para em lugar de estar com os seus filhos, fazer bancos em outros hospitais próximos, sendo que por cada turno recebe a módica quantia de 600 Euros.

 

Ou seja, a senhora recebe o seu ordenado do estado,  usa a lei para se furtar ao trabalho e depois recebe extra do mesmo estado mais 600 euros por turno para fazer o mesmo para que lhe pagam o salário. Com um bocado de imaginação, conseguimos ver uma médica do outro hospital onde ela vai receber os 600 Euros a  utilizar a mesma lei e vir receber os mesmos 600 euros para fazer os turnos dela... ou seja, o estado pode estar a pagar dois salários e mais 1200 Euros por cada turno para que as pessoas façam o trabalho que deveriam fazer com o seu salário.... E depois ainda nos admiramos pelo estado ao que o país chegou.. por cada banco que a senhora faz por fora, é um subsidio de férias ou de natal que se pagava... quantos casos destes existirão por aí?

 

Jorge Soares

PS:Tem mais histórias destas?, conte, a malta quer saber para onde foi o dinheiro

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publicado às 21:38

Desafios de ser pai, os vícios da leitura

por Jorge Soares, em 17.10.11

Os vícios da leitora

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Há vícios e vícios, cá em casa há uma miúda que tem o vicio da leitura, porque é que isso pode ser mau?, porque é compulsivo e tudo o que é compulsivo termina por atrapalhar, neste caso, atrapalha-a a ela e sobretudo aos nervos da mãe.

 

Para as férias nas Astúrias ela levou 3 livros, um deles era daquela série dos vampiros e tinha umas 500 páginas, ao fim de 3 ou 4 dias já os tinha lido, como não havia hipótese de comprar mais, ela ainda não lê em espanhol, recomeçou, quando demos por nós já tinha lido o das 500 páginas 3 vezes em pouco mais que uma semana. Assim à primeira vista não é tão mau, enquanto está a ler está entretida e não chateia ninguém, o problema é quando começa a aproveitar qualquer minuto para ler, do estilo:

 

- R. já fizeste a cama?

- Não mãe.

- Vai lá fazer.

 

Ela vai, chega lá, olha para a cama e repara que está lá um livro, senta-se, pega nele, começa a ler e esquece que o mundo existe.

 

Ou:

 

R: Vai-te calçar.

 

Ela vai, como está com o livro na mão, senta-se abre o livro e .....  agora imaginem a cena de manhã, quando a mãe quer que ela se despache para sair de casa e descobre que em lugar de se vestir ela se sentou a ler, ou que quando achamos que ela está a tomar o pequeno almoço, ela está sentada à mesa com o pacote do leite e os cereais por despejar para a taça, mas com o livro aberto e absorta na leitura.

 

Depois há aquelas vezes em que acordo de madrugada e vejo que há luz no quarto... e lá está ela a ler... ou a dormir com o livro aberto ao lado. E não interessa quantas vezes já leu o livro, o interesse é o mesmo, quando não há novos ela pega num qualquer... o que interessa é que tenha letras.

 

É claro que isto tem vantagens, com tanta leitura o vocabulário e os conhecimentos aumentam rapidamente e os efeitos já se notam na escola, além disso, enquanto está a ler não está a ver parvoíces na televisão e além da paciência dos pais, não chateia mais ninguém.

 

Neste momento tenho dois problemas, arranjar livros para a idade dela que demore mais que um par de horas a ler, ela deve ser a única pessoa do mundo que lê mais rápido que o professor Marcelo, e lidar com os nervos e a impaciência da  mãe que já não aguenta o esquecimento e até desleixo que os livros provocam. ..... Ainda por cima a biblioteca de Setúbal, segundo as palavras dela, é uma miséria, só tem livros de há 30 anos atrás e mesmo assim, pouco que se aproveite. Por mim deixava-a ler a minha biblioteca toda, a começar pelo 100 anos de solidão, sempre queria ver se a velocidade de leitura era a mesma.... mas a mãe não vai na história nem em saltar etapas do conhecimento....

 

Mas como ela diz quando os gritos da mãe excedem os decibéis aceitáveis: Antes este vicio que os outros todos que poderia ter.

 

Pai sofre.

 

Jorge

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publicado às 22:11

Hipercatividade e défice de atenção

Imagem de aqui

 

 

Ao contrário dos nossos receios, a passagem da primária para o ciclo do N. está a correr de vento em popa, está completamente adaptado à nova escola, aos novos colegas, aos muitos professores e aos novos hábitos em geral. Não era necessário, mas tudo isto prova que a nossa insistência para que repetisse o 4º ano foi mesmo a melhor decisão,  até agora o aproveitamento nas aulas tem sido bastante bom e até tivemos elogios da professora de matemática.

 

Mas é claro que todos sabemos que a hiperactividade, o défice de atenção e a dislexia, são doenças que o vão acompanhar para toda a vida, podemos tentar tratar e minimizar os problemas mas não há milagres. Esta semana tivemos um vislumbre de como é a realidade. Num dos dias houve um recado da directora de turma que queria falar com a mãe. Após um breve interrogatório, ficámos a saber que teria havido uma resposta mais ríspida a uma das professoras o que resultou numa falta disciplinar.

 

Aconteceu que nesse dia a mãe saiu de casa mais cedo e sem supervisão directa, o N. esqueceu-se de tomar o comprimido de Metilfenidato (Ritalina ou Concerta). Sem a medicação ele é uma criança irrequieta, teimoso, com tendência para a oposição, que não consegue estar quieto mais que dois ou 3 minutos.  Mesmo para nós pais é difícil, durante as férias retirámos a medicação e acreditem, muitas vezes chegávamos ao fim do dia a maldizer a decisão. Para professores que tem que lidar com mais 20 crianças na sala de aulas, uma criança destas é um elemento de destabilização constante e nem todos tem a mesma sensibilidade para a questão.

 

Passados 4 ou 5 anos do inicio da medicação, para mim continua a ser complicado, eu estou consciente dos benefícios que esta traz para ele, e mesmo acreditando que não haverá efeitos secundários que deixem sequelas, há coisas que saltam à vista. No dia em que ele não tomou a medicação chegou a casa ao fim do dia e caiu na cama redondo de sono, nos outros dias, muitas vezes são duas ou três da manhã e ele ainda anda às voltas na cama. Acho que ninguém tem dúvidas sobre  a importância do sono e do descanso para o correcto desenvolvimento de uma criança... a verdade é que as  crianças medicadas com Metilfenidato não dormem o suficiente.

 

A maioria dos médicos combate esta falta de sono com mais químicos, como eles não tem sono dão-se medicamentos para o sono em doses que vão aumentando à medida que estes vão perdendo efeito.

 

O outro efeito evidente é a falta de apetite, principalmente ao almoço, o que resulta em crianças que não dormem o suficiente e se alimentam mal. Com tudo isto não é de admirar que um dos efeitos secundários comprovados, 1 em cada 10 doentes, são os atrasos no desenvolvimento, se eles não comem e não dormem....

 

Para mim está muito claro que a medicação é essencial para que o meu filho tenha uma vida mais ou menos equilibrada e para que possa minimizar os efeitos de problema, ele não é mal educado nem um diabinho mal formado, é uma criança com doenças reais que sabemos que o vão acompanhar para toda a vida.

 

Mas também é claro que os medicamentos não o vão curar, só minimizam os sintomas, o que significa que ele os  terá que tomar a vida toda e que os riscos de entrar numa espiral de dependência são reais.

 

Felizmente para ele a directora de turma é uma pessoa experiente, ponderada e consciente da realidade dos problemas deste tipo de crianças e o episódio desta semana apesar de ter servido de aviso,  não passou disso.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:45

Mulher na maré baixa

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

Se eu fosse cega não poderia estar agora fazendo caretas ao sol. Nem enxergaria essa luz que em todos os janeiros ferem esta praia.

— Ei. Não faça sombra. Não tape meu sol, por favor. — Disse. E era voz de mulher, da mesma mulher que ainda há pouco considerava a possibilidade de ser cega.

— O sol não é só seu, dona. Mas eu ouvi ontem a senhora pedindo ao Zequinha pra passear na jangada dele — respondeu-lhe a voz de um homem. De um homem não. Digamos, de um homem bem jovem.

— E ele disse que não. Que não carregava muié pro mar — explicou, bem emburrada, imitando o falar do referido Zequinha.

— É. Ele num carrega não, mas eu carrego — adiantou-se logo o rapaz.

— E quem é você? — ela indagou àquele metido.

— Sou o filho dele, meu nome é Humberto.

— O meu é Alba.

— Eu já sei. Aqui todo mundo sabe de tudo.

Até aposto que estão fuçando minha vida. Fui o assunto da semana nesta vila de pescadores. Eles são tão engraçados. São tão diferentes do pessoal que eu conheço, julgou a moça. Ele foi se sentando. A areia, afinal, era pública. Abancou-se bem pertinho, querendo se chegar, já todo cheio das afinidades, já puxando conversa, já íntimo. Era doidinho para experimentar uma turista como aquela, uma dessas que aparecem de vez em quando pela vila. Todas muito formosas, vindas das cidades grandes. Se um dia conseguisse namorar com uma, ia ser tão bom.

Foi com essa intenção que começou a prosear, contar coisas sobre a vida dos pescadores, sobre o vaivém das jangadas, pois esperto, notou que Alba tinha um fraco por elas.

Ela ouvia com paciência, sem prestar muita atenção. Ali estava o primeiro nativo com quem travava amizade, e travar amizades era seu desejo. Tinha vindo para aquela vila com a esperança de conhecer gente despoluída, simples, quem sabe até um homem novo, puro, diferente dos outros que conhecera até o momento e que lhes davam enjôo. Alguém especial para lhe dar sentido à vida; sonho secreto que não larga as mulheres; a eterna perseguição da aventura do amor romântico.

 

Joyce Cavallcante

 

Retirado de http://www.joycecavalccante.com/ 

 

 

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publicado às 22:01



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