Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Um natal Feliz ... mesmo sendo home made

por Jorge Soares, em 20.12.11

Natal Homemade

 

Imagens minhas do Momentos e Olhares

 

Há muito quem nesta altura se questione sobre o verdadeiro significado do natal, de há muito que a festa religiosa se converteu na festa da ostentação e do consumo, a partilha familiar deu lugar ao consumo desenfreado e a troca de presentes que se pretende simbólica, há muito que se converteu num ritual de ostentação em que mais que dar, interessa mostrar.

 

Para mim que até sou ateu, há muito que o natal se converteu mais que tudo na festa da família, uma altura em que para além de voltar às tradições, ao bacalhau com muito azeite, ao bolo rei, às rabanadas de vinho tinto, aos bilharacos, tento reviver um pouco do que era o natal da minha infância, quando as prendas eram trazidas pelo menino Jesus e não por um avozinho gordo de roupas berrantes e barbas brancas.

 

Por norma costumava fazer mil kms entre os dias 23 e 26 de Dezembro, Setúbal, Oliveira de Azeméis, Portalegre, Setúbal... ou ao contrário... sempre foram kms que não me pesaram, que fiz com gosto, porque com chuva ou com o sol frio do Inverno, no fim da viagem estava sempre o calor humano da família.

 

Este ano foi diferente, este ano e como prova de que o natal é quando a gente quiser, uma parte do natal foi mais cedo, um natal como mandam as regras, com viagens, com muito frio lá fora e o calor da lareira lá dentro, com peru, com bacalhau, com doces natalícias, com crianças felizes...e como não podía deixar de ser, com prendas que fizeram as delícias dos mais pequenos.

 

Foi também um natal adaptado aos tempos que correm, todos fizemos um compromisso de que para além de haver menos prendas,  estas seriam o mais possivel feitas em casa... e assim foi.. e até os enfeites de natal foram originais e feitos em casa... 

 

Todos sabemos que se avizinham tempos complicados, mas uma coisa é certa, o natal será sempre o natal, poderá ser mais pobre, com menos ostentação, com menos prendas... mas será de certeza muito mais genuíno e alegre como sempre.

 

Quero desejar a todos os que por aqui passam um muito feliz natal...e por favor, sejam felizes.

 

Jorge Soares

publicado às 22:10

Então e bom senso senhor Passos Coelho?

por Jorge Soares, em 19.12.11

Imagem recebida via  Facebook 

 

Não é nada de novo, já tinha sido sugerido por um dos seus ministros, de resto nem o ministro nem Passos Coelho disseram nada de estranho, somos um povo que na hora dos apertos não hesita em pegar na trouxa, já seja a mala de  feita de cartão ou de marca conhecida, e ir procurar a vida onde ela esteja. 

 

Há sempre um motivo, os meus tios há quarenta ou cinquenta anos tiveram que fugir à pobreza digna de uma sardinha para três, os meus pais há 30 concluíram que a única forma de dar uma educação aos filhos que não passasse pelo abandono da escola após a obrigatória quarta classe, seria procurar a vida onde ela estivesse.

 

Nos dias de hoje são os recém licenciados que se querem um emprego decente em que se pague mais que a miséria do salário minimo, tem que o procurar noutras latitudes, já seja a no Norte Rico ou no Sul pobre mas emergente.

 

Na verdade o primeiro ministro não disse nada que não saibamos todos, o problema é a mensagem que os membros do governo estão a passar ao debitar frases como as agora proferidas, uma mensagem de falta de confiança no futuro e em última análise, na sua capacidade para mudar o rumo das coisas.

 

Ao dizer que o melhor que alguém pode fazer é ir porcurar o futuro noutro país, o primeiro ministro está-nos a dizer a todos que não há futuro por cá e que nem ele acredita nas medidas que está a tomar. 

 

A falta de bom senso do primeiro ministro não é nada de novo, todos recordamos que a 1 de Abril de este ano ele garantiu que nunca mexeria nos subsídios de natal e ano novo, mas ele já teve tempo de aprender que há coisas que mesmo que se pensem, um primeiro ministro não pode dizer... a menos que a estratégia para o futuro do país seja .... ter para governar um país sem povo.

 

Jorge Soares

 

 

publicado às 20:42

Luis Figo, A vida é um negócio

Imagem do Público

 

O Luís Figo é o contrário do estereotipo do jogador de futebol Português,  é  uma pessoa inteligente que sabe muito bem o que quer, que sempre fez uma gestão séria e sóbria da sua carreira e que mesmo numa situação como a que o levou a trocar o Barcelona e a Catalunha pleo Real e  Madrid e a viver na primeira vez que jogou contra o Barcelona pelo Real Madrid, um dos momentos de maior tensão que algum jogador de futebol terá sentido, conseguiu sair por cima e seguir em frente.

 

Li com alguma atenção a versão em papel da entrevista do Figo ao Público, uma entrevista sóbria e em que como quase sempre, o ex jogador não se fica pelas meias palavras, muito ao seu jeito encara todos os assuntos com frontalidade, incluindo os mais melindrosos como a sua suposta entrada na politica nacional com o seu apoio a José Sócrates.

 

De toda a entrevista destaco 3 pontos fortes:

 

-Nunca ninguém obrigou a quem lhe fez ganhar muito dinheiro a assinar os contratos.

-José Sócrates enganou-o muito bem, tal como enganou muitos milhões de portugueses

-Está farto do país e quer vender tudo o que tem por cá.

 

Sendo que em grande parte a última deriva da segunda, o Figo está farto das consequências do seu apoio a Sócrates e da forma como este apoio surgiu.

 

Desde que deixou de jogar o Figo faz da sua vida um negócio, muita gente vê aquele pequeno almoço com Sócrates como uma entrada na política,  nesta entrevista o Figo tenta alimentar essa forma de ver o assunto, na realidade ele sabe que não se trata de nada disso. Aquele pequeno almoço não foi para o Figo mais que um negócio, não deixou de ser mais um contrato em que alguém lhe deu a ganhar dinheiro, muito dinheiro.

 

Ora, usando as palavras dele, ninguém o obrigou a assinar esse contrato, ele só o assinou porque viu que para além do negócio imediato, isso lhe poderia ter trazido muitas vantagens no futuro, acontece que o Sócrates passou à história e essas vantagens esfumaram-se... e Figo sente-se enganado, não porque Sócrates tenha sido um mau governante ou porque deixou o país na ruína, mas sim porque com a mudança de côr politica, o Figo passou a ter menos portas abertas.

 

Para o Figo a vida é um negócio, mas nem o país deve ao Figo mais que agradecimento e admiração porque como ele diz muito bem, fez parte de um grupo de jogadores que levou o nome de Portugal muito longe, nem ele precisa de ser ingrato ao ponto de culpar Portugal e todos os portugueses pela má opção de negócios que ele fez no momento em que assinou o contrato de muitos zeros com os responsáveis da campanha do José Sócrates...  

 

Jorge Soares

publicado às 21:28

O melhor desejo de natal de sempre ...

por Jorge Soares, em 17.12.11

a mensagem de natal mais original de sempre

Imagem do DN

 

“Esta é uma belíssima época, em todo o mundo, para desejar que haja paz, que se tenha saúde, que se viva com amor, que blah… blah… blah…”, pode ler-se na introdução. Depois de várias páginas com fotos de mulheres pouco vestidas, a mensagem continua: “E basta de farsas e de palavreado inútil! O que eu desejo, de todo o coração, é que tenhas relações sexuais incríveis, uma vida alegre e feliz, que trabalhes muito e que te paguem bem!”. “E agora não digas que não sou um teu grande amigo” 

 

Digam lá se esta não é uma forma original de desejar um bom natal e um feliz ano novo, aposto que mais de um vai copiar a ideia e enviar para os seus amigos... acontece que este desejo foi enviado pelo director da policia municipal , não para os seus amigos e sim para o email geral da Câmara municipal de Coimbra... por estas e por outras é que na empresa em que eu trabalho só o departamento de comunicação pode enviar mails para everione.

 

A frase ia inscrita num powerpoint com mais de 20 páginas profusamente ilustradas com meninas em poses sensuais e em trajes pouco natalícios... mas presume-se que apelativos. 

 

Não tenho nada contra este tipo de mensagens de natal, muito mais originais que os habituais e gordos pais natais, os mais que conhecidos presépios com ou sem burrinhos e vaquinhas ou os insossos anjos, convenhamos que enviar este tipo de coisas com o email profissional e para todos os endereços de uma câmara municipal é um bocado mau...  mas quem nunca tenha trocado um anexo, ou um endereço de mail que atire a primeira pedra.... acho um bocado exagerado que se peça a demissão do senhor por isto, a menos ele tenha estado a tirar as imagens da internet e a criar o power point durante o horário de trabalho e com os recursos da câmara.

 

Jorge Soares

publicado às 23:09

Conto: Uma estrela

por Jorge Soares, em 17.12.11

Uma estrela, Manuel Alegre, Conto de natal

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

"Todos os anos, pelo Natal, eu ia a Belém. A viagem começava em Dezembro, no princípio das férias. Primeiro pela colheita do musgo, nos recantos mais húmidos do jardim. Cortava-se como um bolo, era bom sentir as grandes fatias despegarem-se da areia, dos muros ou dos troncos das árvores velhas, principalmente da ameixieira. Enchia-se a canastra devagar, enquanto a avó ia montando o que se chamaria hoje as estruturas, ou mesmo infraestruturas, junto da parede da sala de jantar que dava para o jardim. Eram caixotes, caixas de chapéus e de sapatos viradas do avesso, tábuas, que pouco a pouco ela ia cobrindo de musgo, ao mesmo tempo que fazia carreiros e caminhos com areia e areão. Mais tarde os rios e os lagos, com bocados de espelhos antigos, de vidros ou mesmo de travessas cheias de água. Até que todos os caixotes, caixas e tábuas desapareciam. Ficavam montanhas, planícies, rios, lagos. Era uma nova criação do mundo. Aqui e ali uma casinha ou um pastor com suas cabras. E todos os caminhos iam para Belém. 


Não era como o presépio da Igreja que estava sempre todo pronto, mesmo antes de o Menino nascer. A cabana, a vaca, o burro, os três reis do Oriente. Maria, José, Jesus deitado nas palhinhas. Via-se logo que era a fingir. Não o da avó, que era mais do que um presépio, era uma peregrinação, uma jornada mágica ou, se quiserem, um milagre. Nós estávamos ali e não estávamos ali. De repente era a Judeia, passeávamos nas margens do Tiberíades, andávamos pelo Velho Testamento, João Baptista baptizava nas águas do Jordão e aquele monte, ao longe, podia ser o Sinai ou talvez o último lugar de onde Moisés, sem lá entrar, viu finalmente a terra onde corria o leite e o mel. Mas agora era o Novo Testamento. A avó ia buscar as figuras ao sótão, eram bonecos de barro comprados nas feiras, alguns mais antigos, de porcelana inglesa, como aquele caçador que a avó colocava à frente dizendo: Este é o pai. Seguia-se a mãe, de vestido comprido, dir-se-ia que ia para o baile, mas não, saía de cima de uma mesinha da sala de visitas e agora estava ao lado do pai, olhando levemente para trás onde, entretanto, a avó já tinha colocado figuras mais toscas, eu, a minha irmã, os primos, alguns amigos, todos a caminho de Belém. 


- E a avó?, perguntava eu. 
- Eu já estou velha para essas andanças. 


De dia para dia mudávamos de lugar. E todas as manhãs deparávamos com novas casas, mais rebanhos, pastores, gente que descia das serras, atravessava os rios e os lagos. Os caminhos ficavam cada vez mais cheios. E todos iam para Belém. À noite tremulavam luzes. Acendiam e apagavam. Mas ainda não se via a cabana, nem Maria, nem José. 


Então uma noite, entre as estrelas do céu, aparecia uma que brilhava mais que todas. 


- Esta é a estrela, dizia a avó. 


E era uma estrela que nos guiava. Na manhã seguinte lá estavam eles, os três reis do Oriente, Magos, explicava o pai, que também não dizia Pai Natal, dizia S. Nicolau, talvez por influência de uma misse de origem russa que em pequeno lhe falava de renas e trenós e de S. Nicolau atravessando as estepes. 


Cheirava a musgo na sala de jantar. Cheirava a musgo e a lenha molhada que secava em frente do fogão. E os Magos lá vinham, a pé, de burro, de camelo. Traziam o oiro, o incenso, a mirra. Às vezes nós, os mais pequenos, juntávamo-nos e cantávamos: “Os três reis do Oriente / Já chegaram a Belém.” 


- Não chegaram nada, atalhava a avó, ainda não. 


Estávamos cada vez mais perto. E também nervosos. Confesso que às vezes fazia batota. Empurrava-nos um pouco mais para a frente, para mais perto de Belém e do lugar onde eu sabia que mais tarde ou mais cedo a avó ia pôr a cabana. Mas ela descobria. 

 

 

 

 

 

Manuel Alegre

Retirado de aqui

publicado às 21:17

Morreu Cesária Évora

 

Imagem do Público

 

Morreu  a diva dos pés descalços, a voz das mornas e coladeras, uma voz que descobri tarde mas que me cativou porque me fazia lembrar alguns dos sons da minha adolescência, e que fiquei a admirar de uma forma diferente depois da minha viagem a Cabo Verde o ano passado, porque percebi como havia tanto de um país e de um povo nas suas músicas... porque depois de lá estarmos é dificil deixar de sentir sódade.

 

É um dia triste para Cabo Verde e os caboverdianos, é um dia triste para quem gosta de boa música, um dia que nos deixará sodade, pela pessoa, pela voz, pela sua música e pelo que representava para o seu país e o seu povo.

 

Jorge Soares

publicado às 17:41

Hiperactividade, a visão de uma professora

por Jorge Soares, em 16.12.11

Hiperactividade

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Em todas as profissões há melhores e piores profissionais, os professores não são excepção, à medida que os nossos filhos vão crescendo vamos tendo a consciência plena disso, nós já passamos por quase tudo, desde a menina que achava que qualquer criança que saía um bocadinho da norma dela era um problema, tinha que ser avaliada e se possivel medicada, até à senhora professora à moda antiga, super disciplinadora, que levava a turma com mão de ferro, mas que olhava para qualquer diferença, cor da pele incluída, de lado, passando pela professora que tinha consciência plena do problema e que sabia como lidar com ele.

 

Com o tempo a sensação que fica é que a maioria não sabe ou não quer saber, já seja porque não se preocupa, porque simplesmente desistiram, ou porque se acham acima do problema... felizmente há excepções,.... hoje a Marta deixou-me um comentário ao meu post sobre a hiperactividade de terça-feira passada que não posso deixar de partilhar porque é importante termos a visão do outro lado. Obrigado Marta.

 

 

Jorge:
Voltei aqui porque este é um tema que me toca e gostaria de deixar aqui umas palavras, ainda que breves que o tempo é de avaliações e, DT de uma turma complicada, o tempo voa.


Já fui professora de vários alunos com as mesmas características do teu filho e este ano, tenho outro menino que,como referes, tem uma dificuldade enorme em se concentrar e trabalhar com algum silêncio. E, refira-se, em deixar trabalhar a turma.


Se é um desafio? Enorme e saberás melhor do que eu do que falo, mas é preciso nunca esquecer que não é algo intencional, muito menos reflecte directamente pouca vontade de colaborar.


Ou de aprender.


É mesmo mais forte que eles e, portanto, por muito difícil e exigente que seja no dia a dia, há que contextualizá-lo.


A maioria dos professores entende, conhece as particularidades desta doença e trabalha no sentido de os integrar e minimizar os impactos para ele e para os outros. E tudo deve ser feito no sentido de os incluir e socializar, eu sei.


Este meu aluno deste ano, passa ainda pelo processo de divórcio altamente litigioso entre os pais e, portanto, pedir-lhe que se acalme assemelha-se uma quase impossibilidade. Como directora de turma e receptora de todas as queixas, procuro ser assertiva e escolher os momentos que pedem, de facto, uma intervenção minha ou uma convocatória dos EE à escola. 


Até agora tenho conseguido atenuar os percalços e "acalmar" os ânimos , os do menino inclusivé.


Posso dizer-te que até a técnica da respiração abdominal e umas noções de Yoga tenho sugerido e treinado na turma e ele sempre participa na medida que vai conseguindo... Tem sido engraçado vê-lo tentar ficar quieto e, pelo canto do olho, ir olhando para os outros ;)


Outro dia desapareceu a meio da aula e fui dar com ele debaixo da banca do laboratório. Tive que conter-me muito para não rir (não fossem os outros querer imitá-lo depois), porque ele é muito engraçado.


Há que entender as características e as dificuldades que uma criança dessas passa, há que olhar com atenção os seus olhos e perceber que, às vezes, eles não conseguem nem ter os olhos focados num mesmo objecto por mais que uns segundos...


É um verdadeiro jogo de paciência, de harmonização entre interesses que se chocam e as necesidades de pedagogia diferenciada destas crianças. E tentamos corresponder.


Mas depois são todas aquelas pressões de cumprimentos de programas e metas de aprendizagem e sucesso educativo...E avaliações cegas.E toneladas de papéis que nos tiram energias...


Estamos atentos Jorge e tenho a certeza que muitos pensam (e agem) como eu.


Desculpa-me o lençol,mas tinha que dizer algo e tentar ser solidária com pais que nos pedem ajuda.


Nesse caso, contigo.

 

Marta M 

 

Jorge Soares

publicado às 22:15

Casamento Homossexual, a reacção das crianças

por Jorge Soares, em 15.12.11


Reacção de uma criança ao encontrar pela primeira vez um casal gay e tentar entender essa relação. Reparem bem na reacção dele e na conclusão que ele retira da situação.

É curioso como uma criança consegue simplificar e desmitificar algo que a tantos adultos lhes faz confusão.

 

Jorge Soares

publicado às 13:11

 

 

Parece que este senhor se tornou conhecido porque fez parte do júri dos ídolos.... bom, eu nunca vi os ídolos, nunca tinha ouvido falar dele... é triste que músicos com esta qualidade precisem de participar em talk shows para ficarem conhecidos, quando deviam ficar conhecidos pela sua arte... esta música é sublime.

 

Jorge Soares

publicado às 21:09

Crianças hiperactivas

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

De vez em quando fico a pensar que os professores do meu filho deviam passar um fim de semana com ele... um fim de semana em que ele não tomasse a medicação, um ou dois dias em que pudessem lidar com o normal de uma criança com esta doença, talvez assim percebessem que não, que eles não são assim porque são malcriados, que não são assim porque são do contra, ou porque não lhes apetece fazer o que o professor manda.

 

Talvez se eles vissem e sentissem como é difícil para estas crianças estarem un segundo quietas, se vissem e sentissem o que passam alguns pais todos os dias, tentassem olhar para o assunto de outra forma e não tentassem resolver tudo com castigos, faltas disciplinares e baixas notas.

 

O N. desde o segundo ano que está sinalizado com hiperactividade, défice de atenção e dislexia, desde essa altura que a escola tem conhecimento e que ele está sujeito a apoio e condições especiais de avaliação de acordo com  o Decreto-lei 3/2008.

 

A lei diz que após a notificação, deverá ser elaborado um plano de apoio e avaliação específico e de acordo com as necessidades, a verdade é que salvo raras excepções, a maioria dos professores insiste em ver o assunto como um problema disciplinar e muito raramente elaboram planos de avaliação específicos. 

 

Num destes dias o N. teve uma prova de avaliação de matemática que para além de ocorrer ao fim da tarde, quando já passou o efeito da medicação, tinha mais de 40 alíneas... é claro que correu muito mal, mas havia alguma hipótese de correr bem?

 

Um dos maiores problemas do N. é com o inglês, apesar das muitas horas de estudo em casa, do apoio no centro de estudo e das aulas, não conseguiu fazer nada no teste... crianças hiperactivas e com dislexia dificilmente conseguem decorar... quando a P. tentou falar com a professora esta insistiu em que o problema era falta de estudo... e ela nem acreditava que ele tivesse dislexia.... Fantástico, andamos nós anos a gastar rios de dinheiro em especialistas, ele foi testado e avaliado por especialistas em dislexia, por psicólogos, por pedo-psiquiatras... e agora aparece uma professora de inglês que mandou esta gente toda às urtigas.. porque ela é que percebe do assunto... e avalia-o como a todos os outros alunos.

 

Infelizmente não há forma de contornar os horários das escolas, o horário é à tarde e não há volta a dar, dar-lhe a medicação a meio do dia está fora de questão, porque nesse caso, para além de que não consegue estudar ou fazer o que quer que seja durante a manhã, à noite não dorme. Resta-nos tentar que a escola entenda o problema e que aplique o que está na lei de modo a minimizar o problema, infelizmente a grande maioria dos professores insiste em olhar para estas crianças de lado, sem entender que o que ali está é uma doença como outra qualquer, não é um problema disciplinar. Ou será que como dizia a minha meia laranja um destes dias:

 

Será que chamam:

um pai de um filho cego para se queixarem que ele não vê para o quadro?

Um pai de um filho surdo para se queixarem que ele não ouviu a campainha do recreio, ou um ditado?

Um pai de um filho paraplégico para se queixarem que ele não conseguiu correr os 100 metros ?

Um pai de um filho com muletas para se queixarem que ele é sempre o último a entrar?

 

Então porque é que se chama todas as semanas um pai de um filho hiperactivo com défice de atenção para se queixarem

- que ele não está quieto na carteira

- que ele se distrai com facilidade

- que ele se esquece dos tpcs ?????

 

Jorge Soares

publicado às 22:31



Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D