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Protestos na Grécia contra os planos de austeridade

Imagem do Público

 

"Nós não somos a Grécia" é uma das frases mais repetidas nos últimos tempos, é verdade, nós não somos a Grécia, mas hoje todos deveríamos olhar para o que se passa em Atenas e nas restantes cidades deste país e sentirmo-nos um pouco gregos.. 

 

Já nem sei por quantos planos de austeridade passou a Grécia, cada vez que é necessário mais dinheiro para fazer face a pagamentos de tranches da dívida é certo e sabido que há um novo rol de condições para a libertação da ajuda e um novo plano de austeridade. Esta vez para além de muitas outras coisas, exige-se um corte de 25% no salário mínimo nacional, corte que pode chegar aos 35% no caso dos jovens solteiros..

 

O problema não é este plano de austeridade, o problema é que este vem somar a todos os sacrifícios que já foram exigidos aos gregos nos últimos tempos...  planos que na verdade não resolveram nada. Quase dois anos depois da entrada da Troika na Grécia,  dois governos e muitos sacrifícios depois, a verdade é que ninguém vê melhorias na situação económica deste país, pelo contrário, a economia está em queda livre e não se vislumbra em lado nenhum o fundo do poço.

 

Entretanto o que se vê é um povo que cada dia enfrenta mais dificuldades para sobreviver e que a cada dia que passa vai perdendo um pouco mais a esperança e a paciência. 

 

Evidentemente tem que haver um limite para o que se pode exigir a um país e um povo, se as coisas continuam assim haverá um momento em que não haverá mais por onde cortar ou exigir, nessa altura a Troika fará o quê? simplesmente abandonará a Grécia à sua sorte? ou arrepiará caminho e passará a olhar para tudo isto de outra forma?

 

Assustador mesmo é sabermos que a receita que está a ser aplicada por cá é a mesma, e por muito que nós não sejamos a Grécia, também não estou a ver que os resultados  sejam brilhantes... era bom que os nossos governantes olhassem para o que se passa na Grécia com olhos de ver, e pensassem se realmente querem mesmo seguir com esta receita que está a levar os gregos ao abismo... é que como diz o velho ditado.. quando vires as barbas do vizinho a arder...

 

Jorge Soares

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publicado às 22:16

Whitney Houston, morreu a voz feminina

por Jorge Soares, em 12.02.12

Morreu a cantora Whitney Houston

Imagem do Público

 

E assim de repente sinto-me velho,  esta semana deparei-me com uma fotografia de Meryl Streep com a cara da sessentona Margaret Tatcher e fiquei a pensar que as estrelas também envelhecem, hoje dei de cara com a notícia de que Whitney Houston apareceu morta num quarto de hotel de Los Angeles. 

 

O tempo  passa e nós no dia a dia nem damos por ele, quando nos deparamos com estas notícia acordamos para a realidade, o mundo com o que aprendemos a viver vai mudando, as nossas referências vão desaparecendo à medida que vão envelhecendo ou morrendo. Tenho a certeza que a próxima vez que olhar para o espelho vou olhar para mim de outra forma, mais velho e metido num mundo que pouco a pouco vai ficando mais pobre e mais triste à medida que as coisas e as pessoas com as que aprendi a viver vão desaparecendo.

 

Para mim Whitney Houston era uma das melhores vozes que tive o prazer de ouvir, independentemente dos gostos, o mundo ficou de certeza mais pobre e mais triste.


 

 

Jorge Soares

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publicado às 12:36

Conto, Gaiola de moscas

por Jorge Soares, em 11.02.12

Mosca

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Zuzé Bisgate. Logo na entrada do mercado, bem por baixo da grande pahama se erguia sua banca. Quando a manhã já estava em cima, Zuzé Bisgate assentava os negócios. O que ele fazia? Alugava bisga, vendia o cuspo dele. A saliva de Zuzé tinha propriedades de lustrar sapatos.
- “É melhor que graxa, enquanto graxa nem há”.


Além disso, o preço dele era mais favorável. Cada cuspidela saía a trezentos, incluindo o lustro. Maneira como ele procedia era seguinte: o cliente tirava o sapato e colocava o pé empeugado do cliente sobre uma fogueirita. O pé ficava ali apanhando uns fumos para purificar dos insectos infecciosos. Zuzé Bisgate pegava no sapato e cuspia umas tantas vezes sobre ele. Cada cuspidela contava na conta. Passava o lustro com um pano amarrado no próprio cotovelo. Razão do pano, motivo de esfregar com o cotovelo:


- “Dessa maneira a minha saliva me volta no corpo. É que este não é um cuspe qualquer, um produto industrioso desses. Não, isto é uma saliva bastantíssima especial, foi-me emprestada por Deus, digamos foi um pequeno projecto de apoio ao sector informal. É que Deus conhece-me bem, pá. Eu sou um gajo com bons contactos lá em cima”.


Os clientes não se faziam enrugados. Às vezes até abichavam frente à banca dele. Fosse da saliva, fosse da conversa que ele lustrava. Verdade era que o negócio de Zuzé corria em bom caudal.


Quem não se dava bem com os cuspes era sua mulher Armantinha. “Não se pode beijar aquela boca engraxadora dele”, se lamentava. “Prefiro beijar uma bota velha”, concluía. “Ou lamber uma caixa de graxa”.


Armantinha sonhava para saltar frustração. Um dia, qualquer dia, haveria de beijar e ser beijada. Sonhava e resonhava. Lhe apetecia um beijo, água fazendo crescer outra água na boca. Lhe apetecia como um cacto sonha a nuvem. Como a ostra ela morria em segredo, como a pérola seu sonho se fabricava nos recônditos.


Avisaram o marido. Armantinha estava sonhando longe de mais. O homem respondeu em variações. “Beijo é coisa de branco, quem se importa. E depois, minha boca cheira a coisa falecida. Quem se aflije com matéria morta? Só os da cidade. Nós, daqui, sabemos bem: é do podre que a terra se alimenta”.


Acontece que Zuzé Bisgate se foi metendo nos copos, garrafas, garrafões. Tudo servia de líquido, Zuzé destilava até pedra. De toda a substância se pode espremer um alcoolzinho, dizia. Mais e mais ele desleixava a caixa de cuspos e lustros. Até que os clientes reclamaram: a saliva de Zuzé está ganhando ácidos, aquilo é bom é para de entupir as pias. E temendo pelos sapatos os demais se evitavam de frequentar a tenda banhada pela grande pahama.


Até Chico Médio, homem sempre calado, reclamou que a saliva dele lhe fez murchar os atacadores, pareciam agora cobras sem esqueleto vertebral. Pouco a pouco Zuzé perdeu toda a clientela e o negócio das salivas fechou.


Se decidiu então a mudar de ramo. Recordou, de seu pai, a máxima: a alma é o segredo de um negócio. Alma, era isso que se necessitava. E assim ele imaginou um outro negócio. E agora quem o vê, nos actuais dias, constata a banca com sua nova aparência. E Zuzé mais seu novo posto. Seu labor é um quase nada, coisa para inglês não ver.


Ali, na fachada, arregaça as calças, com cuidado para não as desvincar. Sempre com desvelo de burocrata, desembrulha um volume retirado das entranhas de sua banca: uma gaiola forrada a rede fina. Dentro voam moscas. Pois é o que ele vende: moscardos. Matéria viva e mais que viva - vital para o mortal cidadão. Pois, diz o Bisgate, cada um deve tratar as moscas que, depois de mortos, nos visitarão o túmulo.


- “São os nossos últimos acompanhantes”...
A pessoa passa por ali, se debruça sobre o vendedor e escolhem as voadoras bastas, as mais coloridas que engalanarão o funeral:
- “Esta há-de ficar mesmo bem na sua cerimónia”.
Ele convida o hesitante cliente a ir à banca ao lado, a banca da Dona Cantarinha. Para lavar as moscas, explica.
- “Lavar as moscas?
- Sim, é lavagem a seco”.
Armantinha cada vez mais se distancia daquela loucura. O marido se apronta é para grandes descansaços.
- “Ai nosso Senhor Jesus Cristão! Você, homem, você vende alguma coisa?
- “Faça as contas, mulher.
- “Que contas? Que contas se pode fazer sem números?
- Ainda hoje vendi uma manada de moscas a esse tipo novo que chegou à aldeia.
- “Qual que chegou?
- “Esse gajo que montou banca lá nas traseiras do bazar. Uma banca que até mete as graças, chama-se “Pinta-Boca”.
- “O homem se chama Pinta-Boca?
- “Qual o homem! A banca se chama”.


Armantinha se inflama logo de sonho. Já a boca dela se liquidesfaz. Sua boca pedia pintura como a cabeça lhe requeria sonho. E, logo nessa manhã, ela ronda a nova tenda, se apresenta ao novo vendedor. Ele se declina:
- “Sou Julbernardo, venho de lá, da cidade”.


Banca Pinta-Boca. O nome faz jus. Na prateleira ele tem uma meia dúzia de bâtons com outras tantas cores. As mulheres se chegam e estendem os lábios. Julbernardo pede que escolham a coloração. Moda as brancas, vermelhudas das beiças. Uma pintadela 250 meticais.
Armantinha, já devidamente apresentada, ganha coragem e encomenda uma coloradela.


- “Aqui, se paga em adiantado”.
Ela retirou as notas encarquilhadas do soutien. Vasculhou as largas mamas à procura dos papéis. Tinha seios tão grandes que nem conseguia cruzar os braços.
- “Está aqui seu dinheiro.
- “Não chega nem basta. Essa tabuleta do preço era na semana passada. Agora é 250 um lábio.
- “Um lábio?
- “Se for o de cima, o de baixo custa mais caro. Por causa que é maior.
- “Estou fracassada com você, Julbernardo. Vá, pinte o de cima, amanhã venho pintar o de baixo.
- “Está certo, eu vou pintar”.


Julbernardo pegou no bâton com habilidade de artista. Aquilo era obra para ser vista. Metade do povoado vinha assistir às pinturas. A gente seguia caladinha, aquilo era cena à prova de fala. Julbernardo metia um avental, ordenava à cliente que sentasse no tronco cortado do canhoeiro.


Armantinha obedecia ao ritual. Sentada, ergueu o rosto. Fechou os olhos, compenentrada em si. O pintador limpou as mãos no avental. Se debruçou sobre a tela viva e fez rodar o bâton no ar antes de riscar a carne da cliente. Sentada no improvisado banco Armantinha deu largas ao sonho. O bâton acariciava o lábio e tornava seu corpo misteriosamente leve, como se naquele toque se anulasse todo o peso dela.


Sonhava Armantinha e o sonho dela se apoderava. Nesse devaneio o bâton se convertia em corpo e já Julbernardo se inclinava todo sobre ela e os lábios dele pousavam sobre a boca dela, trocando húmidas ternuras. Mundo e sonho se misturavam, os gritos da multidão ecoavam na gruta que era sua boca e, de repente, a voz raivosa de Zuzé também lhe esvoaça na cabeça.


E eis que Armantinha abre os olhos e ali, bem à sua frente, o seu marido se engalfinhava com Julbernardo. E murro e grito, com a gentalha rodopiando em volta. De repente, já um deles se apresenta de desbotar vermelhos. Os dois se misturam e uma faca rebrilha na mão de Zuzé. Depois, num sacão, se separam os dois corpos. Estão ambos ensanguentados. Julbernardo com o avental ensopado de vermelho dá dois passos e cai redondo. Num instante, uma multidão de moscas se avizinha. Zuzé, vitorioso, aponta a mulher:
- “Vê? Vê as moscas que vendi a esse cabrão?”


Mas as moscas, em lugar de escolherem o tombado Julbernardo, circundam a cabeça de Zuzé. Alarmado, ele enxota-as. Em vão: já a moscardaria lhe pousa, vira e revira. Então, Zuzé Bisgate desce dos seus próprios joelhos e se derrama em pleno chão. O sangue se vê brotar de seu peito. Julbernardo desperta e se ergue, ante o espanto geral. Com mão corrige a mancha vermelha com que o bâton esmagado enchera o seu branco avental.

Mia Couto,
Contos do nascer da Terra

 

Retirado de Contos de Aula

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publicado às 21:11

Passos Coelho.. Porque no te callas?!!!!!

por Jorge Soares, em 10.02.12

Os salários dos politicos

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Por norma as conversas à hora do almoço são sobre culinária, sobre os filhos das minhas colegas, sobre a qualidade da comida ou sobre a empresa. Hoje foi diferente, hoje o tema da conversa era mesmo o Passos Coelho e a sua opinião sobre os salários dos políticos... e a julgar pelo que ouvi naquela mesa, Passos Coelho deve andar com as orelhas mesmo a arder.

 

Há muito que não via tal unanimidade na indignação, unanimidade total, "o senhor devia era passar uns seis meses a tentar sobreviver com um salário de 480 Euros, sem carro do estado, sem cartões de crédito, sem chofer,.. viver tal como vive muita gente a contar os tostões para tentar chegar ao fim do mês..." ao fim dos seis meses fazíamos a entrevista de novo  a ver se ele mantinha a opinião.

 

Pessoalmente eu entendi a ideia do primeiro ministro, se compararmos os salários dos nossos políticos com a maioria dos administradores das grandes empresas privadas o que ele disse é verdade, os políticos portugueses são mal pagos, e se pensarmos bem a responsabilidade de um governante é muito maior... é claro que se compararmos com o salário médio nacional a coisa muda de figura.... mas  tudo na vida é uma questão de perspectiva e a verdade é que só vai para político quem quer.... ou não?

 

O problema é que em alturas como estas em que cada dia se exigem mais sacrifícios, em que todos os anos se reduz os salários do cidadão comum, não se podem dizer coisas como esta....  como diziam as minhas colegas, assim de repente parece que o senhor está a gozar com todos nós, por um lado dizem que nós vivemos acima das nossas possibilidades, por outro eles que foram quem levou o país a esta situação, ganham pouco... o senhor só pode estar a gozar.

 

Desde o início da campanha eleitoral que foi notório que para além de preparação técnica e politica, falta a Passos Coelho capacidade de comunicação, agora ficamos a saber que para além disso, falta-lhe bom senso. Eu que ele ligava ao Sócrates e perguntava quem eram os seus conselheiros de imagem... porque a paciência para o aturar e às suas bocas parvas está mesmo no limite... e arrisca-se a perceber da pior maneira que os bons costumes se acabam e que não somos assim tão piegas...

 

É caso Para dizer... Passos Coelho.. Porque no te callas?!!!!!

 

Jorge Soares

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publicado às 22:12

Santana Lopes não é nada Piegas

 

Imagem do Público

 

Há quem ache que foi Sócrates o pior primeiro ministro da nossa história democrática, eu não partilho dessa opinião, acho que esse é um feito de Santana Lopes, a diferença é que ao contrário de Sócrates, a este não lhe deram o tempo suficiente para mostrar o que (não) valia, felizmente para nós Sampaio teve-os no sitio e na hora certa colocou um par de patins ao Santana e ao rogabofe em que estava convertido o governo do país.

 

Mas independentemente daquilo que se possa achar do senhor, uma coisa é certa, o homem não é nada piegas, e tal como já o tinha feito antes, ver aqui, não fica a dever nada a ninguém.

 

 

Não deixa de ser interessante também  a análise da seguinte frase: 

 


“Parece que chegou agora um contingente de pessoas que traz alguma luz, alguma iluminação providencial, que nós todos seríamos incapazes de ver o caminho sem chegar a providência”

 

Parece que há gente no PSD que ainda não conseguiu engolir os sapos todos por ter ficado de fora na hora da repartição dos tachos importantes.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:15

Somos piegas sim, é triste, mas é verdade

por Jorge Soares, em 08.02.12

E os piegas somos nós?

Imagem de Anterozoide 

 

Eu não consigo perceber tanto escândalo com as palavras do senhor, afinal o homem está carregado de razão.. só um povo piegas teria elegido um primeiro ministro destes depois da campanha pobre e cheia de contradições a que ele nos sujeitou e sobretudo, só um povo piegas se deixa entalar e roubar como este governo tem feito até agora sem dizer nem água vai....

 

Só quando ele decidiu que não há brincadeiras parvas de Carnaval para ninguém é que se ouviram uns ,poucos, gritos de contestação... mas isto não é ser piegas? ... então é o quê?

 

Malta, foram vocês que o elegeram, agora aturem-no.... a ele e ás bocas parvas dele.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:55

A cultura será sempre o parente pobre

por Jorge Soares, em 07.02.12

Os lInda Martini são um dos grupos convidados ao CANADIAN MUSIC WEEK

Imagem de aqui

 

Há uns tempos foi noticia o facto de a selecção Portuguesa de futebol ser a que mais  vai pagar entre todas as que a meio deste ano vão estar no Campeonato Europeu, qualquer coisa como 33 mil Euros por dia. Tendo em conta que mesmo na pior das hipóteses  estarão por lá pelo menos 15 dias, é só fazer as contas... É claro que a selecção nacional tem patrocinadores que irão pagar uma parte desses custos...

 

Hoje podemos ler no Música Portuguesa, o seguinte:

 

A presença de cerca de 20 artistas portugueses no Canadian Music Week, em Março, em Toronto, poderá estar em risco por falta de apoio financeiro para custear deslocações e alojamento

 

Falta de apoios financeiros poderá vir a inviabilizar as actuações de artistas como os Linda Martini, David Fonseca ou os Expensive Soul

 

Segundo a notícia, sería necessária uma verba de perto de 160 mil Euros para garantir a presença dos grupos convidados pela organização do festival que este ano será dedicado a Portugal e Espanha, sendo que até agora todas as portas oficiais,  leia-se:Secretaria de Estado da Cultura, Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e Turismo de Portugal, se fecharam, o que torna quase impossível a ida ao festival da maioria dos músicos convidados.

 

Em Portugal, mesmo em tempo de vacas gordas a cultura sempre foi o parente pobre, não será agora que a crise veio para ficar, que as coisas irão melhorar, mas  será que 160 mil Euros é um valor assim tão fora de mão para levar pelo menos alguns destes grupos a representar o país a um festival que até será nos será dedicado?

 

Será que não valería a pena o investimento para mostrar ao mundo que no nosso país existe vida e muita música para além do fado e do futebol?

 

Então e alguns daqueles patrocinadores que vão entrar com milhões para levar as estrelas do pontapé na Bola ao hotel de luxo da Polónia, será que não davam uma partezinha para levar os nossos excelentes músicos ao Canadá?

 

Jorge Soares


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publicado às 21:23

Portugal continua a desperdiçar milhares de unidades do plasma separado do sangue colhido junto dos dadores, apesar de, em Outubro do ano passado, ter sido garantido que isso tinha deixado de acontecer.

Imagem do Público

 

Eu continuo a pasmar com estas coisas, sou dador de sangue e tinha ideia que o país não aproveitava completamente as dávidas porque não tínhamos a tecnologia que o possibilitava... hoje de manhã fiquei incrédulo quando nas noticias da Antena 1 se referiam a esta notícia do Público e diziam:

 

 "....veio a público a notícia de que, apesar de o IPS dispor, em Lisboa, de câmaras de frio para conservar o plasma desde 2002, estas estavam a ser usadas como armazém para guardar, por exemplo, papéis, e este componente do sangue ia para o lixo,.."

 

Ou seja, em 2002 o país gastou uma pipa de massa para comprar as câmaras e alguém achou que aquilo era jeitoso era para arquivar pastas... assim de repente, não podiam ter ido ao Ikea?... de certeza que encontravam uns arquivadores mais em conta.

 

Entretanto todos os anos se inutilizam perto de 350000 unidades de plasma porque não há forma de as transportar e armazenar, plasma que se exportado poderia ter um valor de mercado de perto de seis milhões de Euros, seis milhões por ano, já viram a quantidade de arquivadores e unidades de transporte que se poderia comprar com este dinheiro?

 

Por vezes perguntamo-nos como chegou o país a este ponto? depois de ler noticias como esta não é difícil de entender, porque imagino que exemplos como este haverá aos milhares em todas as áreas... Cabe na cabeça de alguém utilizar para arquivo câmaras frigoríficas que é suposto servirem para preservar plasma humano?..  e durante 10 anos as diversas administrações da saúde e do Instituto Português do Sangue viram esta situação e não mexeram um dedo para a resolver? porquê?

 

O problema é que não há veículos para transporte em condições?..e são necessários 10 anos para comprar uns veículos de transporte? por favor, isto é de uma incompetência e desleixo atroz, é inacreditável.

 

O senhor secretário de estado Leal da Costa, diz que vai tomar medidas, e que tal começar por identificar os culpados de que esta situação se tenha arrastado por 10 anos e os fazer pagar pela incúria e pelos prejuízos que causaram ao estado e aos portugueses?

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:00

Sporting Falido

Imagem de Henricartoon

 

Não passou muito tempo desde o Verão passado quando três clubes nas meias finais da Liga Europa faziam do futebol Português um exemplo para o país, a final  entre o Porto e o Braga valeram ao futebol nacional um inédito primeiro lugar no ranking europeu. Na altura não faltou quem aproveitasse o momento para mostrar como o futebol podia ensinar o país a ter sucesso em momentos de crise.

 

Passado pouco mais de meio ano eis que a realidade aparece e mostra aquilo que todo o mundo sabe, mas que ninguém quer ver. esta semana o Sporting foi noticia, não só porque teima em não levantar cabeça no campeonato, mas também porque feita a auditoria às contas, a  conclusão a que se chegou foi que a instituição está há muito tempo na falência e  à imagem do país, a viver muito acima daquilo que seria possível.

 

É claro que a situação do Sporting não é única, no dia que façam auditorias ás contas de Porto e Benfica o resultado será o mesmo... aos restantes clubes não é necessário fazer auditorias, basta seguir as noticias da falta de pagamentos de salários para se perceber o que por aí vai....e sinceramente a mim faz-me muita confusão como é que clubes que todos os anos deixam de pagar em Novembro, conseguem ter jogadores e inscrever equipas no ano a seguir.

 

Hoje foi notícia Carlos Pereira, presidente do Marítimo, que reconheceu ter pago uma divida do clube ao fisco com um cheque careca... ora, fosse o senhor Carlos Pereira um cidadão normal e não um presidente de um clube de Futebol, a esta hora já teria a polícia á porta... como é do futebol que se trata, ele vem para os jornais cheio de razão e a reclamar justiça.

 

Quando olhamos para o futebol profissional deste país o primeiro que pensamos é que em algúm lado há um saco sem fundo, clubes que todos os anos dão prejuízo de muitos milhões, funcionam como se algures debaixo do estádio existisse um poço de petróleo, gastam-se milhões em jogadores, pagam-se salário milionários e vive-se como se não existissem contas. De onde sai o dinheiro para manter tudo isto é um enorme mistério, qualquer outra empresa ao fim de dois ou três anos no vermelho encerra as suas portas, os clubes de futebol passam décadas no vermelho e parece que cada vez há mais dinheiro... algo de errado tem que haver em tudo isto.

 

A realidade é que tal como o país, o futebol há muito que está falido, e ao contrário do que se tenta muitas vezes mostrar quando há resultados desportivos de mérito, não é exemplo para ninguém. Há muito que vive acima das suas possibilidades e só sobrevive, quando sobrevive, que há exemplos como o do Boavista, Salgueiros, Farense, ... graças a esquemas mais ou menos obscuros e para os que o resto do país teima em não olhar. É claro que também há os casos mais ou menos escandalosos daqueles que vivem em grande parte dos nossos impostos, graças à generosidade de regiões autónomas e algumas autarquias.

 

Não, o futebol não é exemplo para ninguém... bem pelo contrário.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:46

Conto, Alfredo é Gisele!

por Jorge Soares, em 04.02.12

Conto, Alfredo, é Gisele!

Imagem de aqui

 

Sora vê, daqui do táxi a gente sabe é cada coisa... Sabe e aprende, aprende até a não ter preconceito. Outro dia peguei um casal assim já de meia idade, bem apessoado, lá no centro, no Teatro Municipal. Eles tinham ido vê uma tal de uma Ópera, sei lá. Já eram umas 11 e meia da noite, a gente veio bem até o Aterro, entramos em Botafogo e o trânsito emperrou. A mulher já azedou na hora e foi falando para o marido:

- Que trânsito é esse, quase meia noite? Não é esquisito, Alfredo?

E o tal do Alfredo parecia um homem rico mas não era fino, sabe ? E não gostava mais dela, eu acho. O cara era uma múmia. A resposta dele pras conversas da mulher tavam mais pra rosnado, sabe?

- Alfredo, isso não é uma absurdo? Nós aqui parados num trânsito quase de madrugada, não entendo, é estranho, hoje é sábado. Será que é algum acidente, Alfredo?

Como o homem não dizia nada, aí e eu interrompi: com todo respeito sabe o que é isso madama? Simplesmente aqui virou um lugar só de "homensexuais" e mulher sapatona. É cheio de barzinho deles, a rua toda. Fim de semana ferve. Quem quiser ver homem beijando homem e mulher se esfregando em mulher, é aqui mesmo.
- Você tá ouvindo, Alfredo? Meu Deus, eles agora tem até bar pra eles, até rua!? Não é um absurdo, Alfredo?

- Ô Onça, cê me conhece, sabe bem como é que eu sou. Pra mim isso se resolve é na porrada. Se eu sou o pai, desço do carro e não quero nem saber o que é que entortou, o que é que virou, não quero saber o que é cú e o que é fechadura, baixo o sarrafo na cambada! Eu, com sem vergonhisse, o sangue sobe, eu viro bicho.
- Pára de falar essas palavras de baixo calão, Alfredo. Hum! Fica de gracinha que a pressão vai lá nos Alpes, você sabe muito bem o que é que o médico falou ..., não é motorista? Alfredo não é muito esquentado?

Eu dei o meu pitaco:

- É madame, o negócio que ele tá falando é como eu vi no filme. Uma metáfora. Ele não vai bater, vai só ficar zangado.
- E o senhor sabe o que é metáfora? O senhor entende de metáforas? Escuta isso Alfredo! O que é metafora, seu motorista?
- Metáfora pelo que eu entendi é assim: aquilo não é aquilo, mas é como se fosse aquilo. Então, em vez da gente dizer que aquilo é como se fosse aquilo, a gente diz que aquilo é aquilo. Mas não é. É como se fosse. Foi?
- Eu acho que o senhor tá certo, mas na verdade eu estou é chocada com essa libertinagem. Olha aquele homem... que safadeza me Deus! E de bigode ainda! Escuta isso Alfredo!
- Escutar o quê, Coisa?
- O que eu estou vendo, gente! Ai, Alfredo, não está vendo? Parece que é cego, não é motorista?
- Hoje tá até fraco. Eu falei. Hoje nem tem os “general”?
- Quem são? Escuta isso Alfredo?
- General das sapatona é aquelas de coturno que parece mais com um macho do que qualquer coisa. E o outro general é o homem transformista que é a traveca, mas anda é na gillete mesmo.
- Tá ouvindo, Alfredo? A violência e a decadência como estão?
- E a gente vai ter que ficar parado nesta merda, ô Coisa?
- Calma Alfredo, não fica nervoso! Isso é questão do nível das pessoas. A gente que tem... não é motorista? ... mais condições, temos que entender essa...,essa..., como é que eu digo, meu Deus? Essa...
- Putaria!

Falamos juntos, eu e o tal do seu Alfredo com cara de doutor de num sei de quê.

- Cruzes Alfredo, não era isso que eu ia.... Alfredo, olha aquela moça! Gente, uma menina, dezoito no máximo, e a outra maiorzuda no meio das pernas da coitadinha, fazendo sabe lá o quê !!! Tá vendo Alfredo aquela alí? Alí, aquela Alfredo, em cima do carro! Olha lá Alfredo, a mão da grandona na menina! Elas vão ser beijar na boca, minha Nossa Senhora...
- Que transitozinho, hein? nunca mais viremos por Botafogo, tá decidido!
- Mas Alfredo olha a menina! Tá beijando, tá beijando, tá beijando Alfredo! Ela parece... Alfredo é Gisele! Alfredo! Nossa filha!?
- Filha da puuuutaaa...

E desmaiou o tal doutor, enquanto a jararaca da mulé ventou porta afora de sapato na mão atrás das duas e eu pensando: não quero nem saber, encosto aqui mesmo e espero o resolver, que uma corrida dessa eu não vou perder, que eu não sou bobo e nem sou rico. É ruim de eu ir embora, heim?

Então eu fiquei naquela situação: eu com um cara que era um ex-valente todo desmaiado no banco de trás parecendo uma moça, a mulé saiu pisando forte que nem um general, quer dizer, tudo trocado e eles reclamando da filha. Se eu pudesse eu ia lá defender a moça, mas não posso, já que o negócio é de família, né?


Eu não tenho preconceito, mas é isso que eu tava falando pra senhora: daqui a gente sabe cada coisa! E é cada um com o seu cada qual.

 

Elisa Lucinda

 

retirado de Elisa Lucinda

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publicado às 21:23



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