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Não devolvemos os subsídios porque queremos ficar bem na fotografia

 

O primeiro-ministro argumentou nesta terça-feira que o Governo poderia dar uma “imagem precipitada” de Portugal se repusesse os subsídios de férias e de Natal no final de 2014

 

 

E eu que pensei que era porque não ia haver dinheiro suficiente para tal coisa, afinal, é só porque o senhor primeiro Ministro não quer que a malta fique mal na fotografia.

 

Ó senhor primeiro ministro, ouça lá uma coisa, se o senhor tem assim tanta certeza que está a correr tudo bem e que não vamos precisar de voltar a estender a mão para pedir mais carcanhol, devolva lá os subsidios à malta, é que sabe, o povo tem mais com que se preocupar, com as contas para pagar por exemplo, queremos lá saber se ficamos bem ou mal na fotografia.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:41

Abraçar a Maternidade Alfredo da Costa

por Jorge Soares, em 09.04.12

Maternidade Alfredo da Costa

Imagem de Arranha no Trapo

 

Custe o que custar, foram as palavras do primeiro ministro, na altura poucos terão percebido o verdadeiro significado daquelas palavras, pouco a pouco vamos descobrindo, mas há coisas que são dificieis de entender, esta decisão de encerrar a Maternidade Alfredo da Costa é daquelas que não se conseguem entender.

 

A MAC é a maternidade do país onde se realiza o maior número de partos, é a que tem as melhores equipas, os melhores equipamentos, a que está melhor estruturada e mais capacitada nos cuidados a gravidezes de risco e neonatais, é para lá que são encaminhados os casos mais graves e complicados de todo o sul do país.

 

Encerrar uma unidade de referência como esta só pode ser explicado pela lógica do corte cego na despesa, para este governo cortes na despesa significa cortar a eito, sem lógica e completamente indiferente ao que isso significa ao nível da perca da qualidade dos cuidados de saúde básicos da população.

 

O nosso sistema de saúde está longe de ser perfeito, sobram os exemplos  de como a cada vez maior falta de meios nos obriga cada vez mais a recorrer aos seguros de saúde e aos privados para evitarmos esperas de meses e até anos por uma consulta e/ou uma cirurgia. Todos sabemos que faz falta muito trabalho e organização para se conseguir melhorar, mas não será de certeza com o encerramento das unidades de saúde de referência que isto irá melhorar. 

 

Já vimos neste post no que resulta o encerramento de valências hospitalares, quantas mais vidas serão necessárias para que estes senhores entendam que não é este o caminho a seguir?

 

Hoje o ministro da saúde veio confirmar que a maternidade será encerrada durante esta legislatura, amanhã dia 10 ao fim da tarde, Profissionais, utentes e familiares vão realizar um cordão humano junto à Maternidade em defesa da instituição e contra o seu encerramento.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:57

Contemplar a solidão

por Jorge Soares, em 08.04.12

O mar e eu

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Eu também gosto de me sentar assim só e a olhar as ondas do mar, principalmente em praias como esta em que as ondas batidas a vento enrolam na areia dourada deixando no ar um cheiro a iodo e a maresia. Só, eu, os meus pensamentos e o mar... cumplicie silencioso de mim e da vida.

 

Praia do Meco

Sesimbra, Setúbal

Novembro de 2010

Jorge Soares

 

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publicado às 21:33

Conto: Preparativos de uma morte anunciada

por Jorge Soares, em 07.04.12

 Conto: Preparativos de uma morte anunciada

Imagem da internet

 

— Onofre, acabei de pegar teu exame. O médico disse que você vai morrer em uma semana.

— Hein?! O quê?!

— Você morre terça feira que vem. Dia 25. Dia do soldado.

— Mas... que coisa horrível!

— Horrível por quê? Melhor que morrer, sei lá, no dia do Índio. No dia da Secretária. No dia do Ginecologista.

— Meu Deus! Vou morrer em uma semana e você me conta assim, na bucha, sem me preparar?

— Deixa de ser infantil, Onofre. Você não é prato de bacalhau pra eu te preparar.

— Uma semana... Eu estou chocado! Se bem que...

— O quê?

— Quer saber? De certa forma foi bom saber logo. Assim aproveito o tempo que resta. Vou viajar, beber e comer tudo que eu tenho direito.

— Aí é que está, Onofre. Você vai ter que fazer dieta.

— Dieta?!

— Pra emagrecer. O caixão que a gente tem não é seu número. Com essa barriga, você não entra naquele ataúde de jeito nenhum. Só entra de lado. Você quer ser enterrado de lado, Onofre?

— Claro que não! Mas... não dá pra trocar de caixão?

— É da loja do teu primo. Fui do médico direto pra lá, e foi o que ele me deu. Ele só trabalha com modelagem única e a gente não tem dinheiro pra comprar outro.

— Mas não é justo! Tenho que fazer regime na última semana da minha vida?

— E ginástica. E cooper. Talvez até balé — que só regime não vai dar conta dos 15 quilos que você precisa perder. Já te matriculei numa academia.


— Mas...

— Outra coisa. Não esquece de começar a convidar as pessoas pro velório.

— Eu?!

— É, ué. Não é você que vai morrer? Era só o que me faltava... você é que vai morrer e eu é que tenho o trabalho... Aliás, por falar em trabalho, arranja um bico extra essa semana pra conseguir dinheiro — pra pagar a dívida do mercado.

— Peraí... regime, ginástica, e agora... trabalho extra? Eu estou doente, estou cansado!

— Deixa de frescura, Onofre. Daqui a uma semana você vai ter tempo de sobra pra descansar. E se eu não pagar essa dívida, o seu Joaquim disse que me mata.

— Ele disse isso?

— Disse. E pode me matar em menos de uma semana. E aí eu vou ser enterrada no seu caixão. E você fica sem dinheiro pra comprar outro caixão. E aí você não vai ser enterrado. Vai ficar por aí, pelas ruas, em processo de decomposição.

— Meu Deus!

— Mais uma coisa. Você vai ter que visitar a tia Augusta.

— Ah, não! Visitar a tia Augusta não! Estou brigado com ela, você sabe disso.

— Vai na quinta feira. Já marquei.

— Assim não dá! Eu, pensando que ia passar uma semana boa, tranqüila, esperando pra morrer... mas nada. Já vi que vai ser um inferno. E se eu não for na casa da tia Augusta?

— Ela vai se sentir culpada por não ter feito as pazes antes de você morrer. E vai acabar morrendo de desgosto.

— E eu com isso? Não quero saber.

— Não quer saber? Acontece que está provado que uma pessoa leva, em média, uns seis meses pra morrer de desgosto.

— E daí?

— Daí que daqui a seis meses é o casamento da tua filha. E se a tua tia morrer, a gente vai ter que adiar o casamento. E se a gente adiar é capaz do noivo desistir de casar. Se ele desistir, tua filha vai ficar arrasada e pode sair por aí namorando o primeiro que aparecer na frente. E o primeiro que aparecer na frente pode ser um drogado. E tua filha pode virar uma drogada. E daí para o crime e para a prostituição é um passo. E daí ela pod...

— Chega! Eu vou visitar a tia Augusta!

— Ótimo.

— Que mais? O que mais você quer que eu faça nessa semana? Já tá perdida mesmo...

— Mais nada. Só cavar sua cova — pra economizar no coveiro, que coveiro está saindo pela hora da morte.

— Deixa eu anotar, senão esqueço... com tanta coisa... Cavar a cova.

— E não esquece de, no dia da tua morte, ir pro lugar do velório cedo. Pra morrer lá mesmo... pra gente também economizar no transporte do corpo. Vai de ônibus.

— Mas...

— De preferência atrás, agarrado no pára-choque, pra não pagar.

— É uma boa... No pára-choque. Só uma coisa. Uma dúvida.

— Fala.

— E se, por um acaso... eu não morrer?

— Tá maluco, Onofre? Depois desse trabalhão todo? Nem pensa nisso! Esquece essa possibilidade!

— É que de repente...

— De repente uma pinóia! Vê lá, hein, Onofre? Não vai me fazer a gracinha de aparecer no teu velório... vivo!

 

Elisa Palatnik

 

Retirado de Releituras

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publicado às 21:06

Ondas

por Jorge Soares, em 06.04.12

As ondas dos alfaiates

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

As ondas que passam

As ondas passam...
Os dias passam...
As ondas voltam e revoltam...
Os dias simplesmente passam e não voltam.

Os dias são simétricos e lineares.
As ondas não. São difusas, inconstantes, relativas.
Os dias são previsíveis, constantes, matemáticos.
As ondas são como almas, tão improváveis.

As almas sentem, se emocionam, se enfurecem, se acalmam.
São ondas sensíveis às marés.
As marés variam com a lua.
Às vezes exposta e risonha, outras tristonha.

A alma tempera a mente.
A mente calculista toca a sinfonia d’alma.
A alma passional e a mente racional formam o ser.
O ser pode pender ou equilibrar-se.

Nem alma e nem mente, apenas o corpo.
Malhado ou sofrível.
É a água e a areia das ondas.
Ondas que passam...

 

CARLOS ALBERTO REBOUSAS

 

Alfaiates sobre as águas cristalinas do Rio Pêra.

Castanheira de Pêra

Junho de 2011

Jorge Soares

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publicado às 21:31

Aguardo, Equânime, o que não Conheço

por Jorge Soares, em 05.04.12

Aguardo, Equânime, o que não Conheço

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

 

Aguardo, equânime, o que não conheço — 
Meu futuro e o de tudo. 
No fim tudo será silêncio, salvo 
Onde o mar banhar nada. 

Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

A ponte Vasco da Gama, o Tejo e o Céu de Lisboa

Parque das Nações,

Novembro de 2010

Jorge Soares

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publicado às 21:30

Passam lendas e sonhos e milagres

por Jorge Soares, em 04.04.12

Catarina de Bragança e a ponte Vasco da Gama

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

O Teu Olhar

 

Passam no teu olhar nobres cortejos, 
Frotas, pendões ao vento sobranceiros, 
Lindos versos de antigos romanceiros, 
Céus do Oriente, em brasa, como beijos, 

Mares onde não cabem teus desejos; 
Passam no teu olhar mundos inteiros, 
Todo um povo de heróis e marinheiros, 
Lanças nuas em rútilos lampejos; 

Passam lendas e sonhos e milagres! 
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres, 
Em centelhas de crença e de certeza! 

E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim, 
Amor, julgo trazer dentro de mim 
Um pedaço da terra portuguesa! 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

 

 

Catarina de Bragança com a Ponte Vasco da Gama ao fundo..... não me perguntem porque escolhi este poema.... .escolhi, pronto!

 

Parque das nações, Lisboa

Novembro de 2010

 

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publicado às 21:28

Sede

por Jorge Soares, em 03.04.12

A Pomba

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!

 

Florbela Espanca

 

Jardim do Bonfim

Setúbal, Janeiro de 2012

Jorge Soares

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publicado às 21:27

O Silêncio abre as mãos..

por Jorge Soares, em 02.04.12

Crepúsculo

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

Crepúsculo

 

Teus olhos, borboletas de oiro, ardentes 
Batendo as asas leves, irisadas, 
Poisam nos meus, suaves e cansadas 
Como em dois lírios roxos e dolentes... 

E os lírios fecham... Meu Amor, não sentes? 
Minha boca tem rosas desmaiadas, 
E as minhas pobres mãos são maceradas 
Como vagas saudades de doentes... 

O Silêncio abre as mãos... entorna rosas... 
Andam no ar carícias vaporosas 
Como pálidas sedas, arrastando... 

E a tua boca rubra ao pé da minha 
É na suavidade da tardinha 
Um coração ardente palpitando... 

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

 

 

Alviães, Oliveira de Azemeis
Março de 2011
Jorge Soares

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publicado às 21:24

Privacidade, sabem o que é?

por Jorge Soares, em 01.04.12

Privacidade

Imagem de aqui

 

privacidade 

s. f.
Intimidade de pessoal ou de grupo definido de pessoas.



Intimidade pessoal, é isso que se supõe que a privacidade protege, bom, parece que a privacidade anda nestes tempos pelas ruas da  amargura, na época em que vivemos a privacidade já não é o que era.

 

A semana passada foi notícia que há nos Estados Unidos empresas que nas entrevistas pedem aos candidatos a empregos o utilizador e a password do Facebook e quem se nega é evidentemente descartado.

 

Ao invés da Golimix, eu não vejo nesta situação um sinal de que os tempos estão a voltar para trás, vejo sim um sinal de que as empresas estão atentas ao que se passa á sua volta e tentam tirar partido da falta de consciência que a maioria de nós tem sobre as consequências de alguns dos nossos actos.

 

Eu tenho Facebook, não lhe dedico muito tempo, mas o pouco que dedico dá para perceber como a maioria das pessoas não tem a noção de como o Facebook é um livro aberto, desde declarações de amor mais ou menos veladas, a  fotografías comprometedoras, fotografias às claras de família, amigos e filhos, caso especialmente grave quando se trata de crianças adoptadas, há de tudo um pouco.

 

As pessoas não tem noção, mas no segundo a seguir em que colocamos algo na net, já seja num blog, num site pessoal ou numa rede social, não há forma de o esconder ou apagar, e não, o facto de termos o perfil protegido não serve de nada, porque não impede que alguém simplesmente copie o que mostramos e o coloque noutro sitio.

 

É evidente que não concordo nem desculpo estas empresas, mas também é verdade que se queremos privacidade devemos ser nós os primeiros a proteger-nos e a verdade é que a maioria não o faz... e para ser sincero, não sei se quem utiliza o Facebook para espalhar ao mundo a sua vida social, as suas taras e manias, será digno de confiança.

 

Por cá a notícia é que há organismos do estado que na altura da prorrogação dos contratos de quem está a recibos verdes, exige uma declaração de afinidades politicas, económicas e familiares com outros colaboradores e ex-funcionários. 

 

E de repente percebemos que sim que a Golimix tem razão, porque isto nem é uma questão de privacidade, é uma questão de cumprir leis, fazer cumprir o que diz a nossa constituição... e sim, já foi tempo em que neste país não havia liberdade de pensamento ou associação, felizmente há muito que esse tempo passou... o facto de isto aparecer agora é sinal de que ainda há quem tenha saudade desses tempos e muito mais grave, que há quem se aproveite da precariedade de quem está a falsos recibos verdes, muitas vezes há anos, para tomar atitudes destas.

 

Quero crer que isto seja a excepção, assim como uma andorinha não faz a Primavera, também não será uma atitude destas que irá fazer o tempo andar para trás.... não Golimix, não consigo sequer conceber que um destes dias apareça por aí uma nova Pide... tu, eu e muito mais gente como nós, nunca deixaríamos que isso acontecesse.

 

Jorge Soares

 

PS: O Blog vai entrar em modo automático até depois da Páscoa, desejo uma boa Páscoa a todos.. não comam muitas amêndoas.

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publicado às 22:02

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