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Precários inflexiveis

 

Imagem do Público 

 

Aconteceu com os Precários Inflexiveis, mas podia acontecer comigo, porque também eu já aqui deixei patente a minha insatisfação com algumas empresas e serviços deste país.

 

Alguém enviou um mail a contar uma situação real com uma empresa (Axes Market), o mail é publicado num blog e na sequência há largas dezenas de pessoas que decidem dizer que já passaram pelo mesmo e que relatam um conjunto de situações no mínimo duvidosas. O que faz empresa em questão?, emite um comunicado a desmentir o que foi relatado?, processa as pessoas que estão a denegrir o seu nome? 

 

Não, a empresa que entretanto em poucos dias mudou de nome (Ambição Internacional Marketing) coloca uma providência cautelar para que os comentários sejam retirados do blog... note-se, a empresa em questão nunca exerceu qualquer direito de resposta,  nunca desmentiu o que ali era contado, nem no post nem nos comentários, não processou quem colocou o post ou os comentários, eles simplesmente optaram pelo mais fácil, se não podes contrariar a mensagem, mata o mensageiro.

 

O tribunal invocou o direito a manter o bom nome da empresa, decidiu que os donos do blog deveriam apagar todos os mais de 350 comentários que entretanto foram aparecendo. Apesar de reconhecer o “direito fundamental de liberdade de expressão e informação, cujo exercício não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura”, o tribunal sustenta que “tal direito de informação e crítica não é ilimitado”, na medida em que colide com o direito que os visados têm “a ver respeitada a sua honra” 

 

Ou seja, o tribunal decidiu que vale mais o direito da empresa a manter a sua honra que o direito que temos todos a relatar factos e acções praticados por esta, mesmo que estas acções violem leis e direitos. 

 

Então e no meio disto tudo, quem defende os direitos de quem se sente enganado e até burlado pela empresa? 

 

Como eu não acho que a liberdade de expressão é uma treta, aqui vão alguns dos comentários que foram deixados no post:

 

"Eu fui lá ontem,e achei que a empresa era séria,agora chama-se International Marketing Lda e encontra-se na Rua dos Fanqueiros Nº277 2ºesq,chamaram-me para ir lá hoje passar o dia e não sei o que fazer, sei que disseram-me o mesmo que vós disseram, mas não parece que estejam a enganar. mas hoje vou tirar isso a limpo com a Ana Santos"


"Boa tarde,

Fui a primeira entrevista ontem na rua dos fanqueiros e confirmo tudo o que está aqui, uma espanhola a falar a mil, fui "selecionado" para passar um dia com eles na segunda-feira, podem me explicar em que consiste o trabalho??"


"É para vendas porta-a-porta ou "peditórios", conforme a campanha com que estejam actualmente. É 100% à comissão, logo não tens direito a nenhum subsídio, ou seja, pagas a tua alimentação, roupa (que tem que ser formal!) e deslocações para o "escritório", e daí para o local para onde te enviem. Espera-se que trabalhes 12h/dia, de segunda a sábado.

Ah, e quando te vais embora não te pagam sequer as comissões das vendas que fizeste, que foi o que me aconteceu a mim."


"Olá a todos. Obrigada pelos vosso comentários. Recebi um mail de resposta à candidatura para o INTERNATIONAL MARKETING LDA, mas achei estranho a forma como estava redigido, centrando-se muito na "sorte" que se teve ao ser-se um dos escolhidos entre muitos. Também achei estranho o facto de termos de ser nós a telefonar-lhes e não oposto. Fui procurar na net informação sobre a empresa e não encontrei nada, deparei-me apenas com os vossos testemunhos.

Isto assusta-me muito. na realidade já existem empregos em que o patrão se aproveita do trabalhador perante a garantia do seu desespero em manter-se empregado. Questiono-me se não nos fizermos respeitar onde é que as injustiças laborais vão parar. O esquema dessa empresa parece-me um futuro negro que se pode multiplicar e tornar a realidade. Obrigada a todos."


"Só queria dizer, que fui a essa BF Group, e também passei o dia das 10h as 19h, com eles porta-a-porta, e rejeitei o que eles me pediam. Tou desempregado, mas hj vi um anuncio de emprego para essa international markting portugal, e obrigado pelos vossos testemunhos, mas assim ja n vou la fazer nada....."

 

Jorge Soares

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publicado às 22:23

O que significa empreendedorismo?

por Jorge Soares, em 22.05.12

espírito empreendedor

Retirado de aqui 

 

 

empreendedorismo 
(empreendedor + -ismo

s. m.
1. Qualidade ou caráter do que é empreendedor.

2. Atitude de quem, por iniciativa própria, realiza ações ou idealiza novos métodos com oobjetivo de desenvolver e dinamizar serviços, produtos ou quaisquer atividades de organização e administração.

(retirado do Priberam)

 

 

Hoje encontrei o seguinte vídeo:

 

Não há pior cego que quem não quer ver, eu percebo o ponto de vista do Herman, quando temos tudo à mão, quando a nossa única preocupação é arranjar mais uma piada parva (ou não) para fazer rir o povinho... acreditamos que tudo é possível, até fazer nascer as oportunidades.

 

Toda esta história do empreendedorismo fez-me lembrar outros tempos, quando eu vivia num dos países com mais recursos no mundo e onde apesar disso ( ou se calhar por isso) a crise se instalou. Como não havia Euro a solução foi proibir a venda de divisas e desvalorizar a moeda.. de um momento para o outro deixou de haver bens importados, a economia parou completamente e uma enorme franja da população viu-se sem emprego e na miséria.

 

Como era um pais em que mais de 50% da população tinha menos de 25 anos a solução foi o empreendedorismo, em pouco tempo todos os passeios das principais avenidas da capital se encheram de gente que vendia tudo e mais alguma coisa, desde roupa a cassetes piratas, passando por comida, verduras e até pequenos serviços. Em todas as esquinas e semáforos havia gente com baldes e panos que insistiam em lavar os vidros dos carros, mesmo que estes tivessem sido lavados no semáforo anterior, por entre as filas de transito havia crianças a vender pensos, pilhas, rebuçados...

 

É claro que há sempre aqueles que sonham mais alto, aqueles para quem um lugar num passeio em frente a uma loja chique ou numa esquina qualquer, não é suficiente... esses arranjaram armas e montaram outro tipo de negócios bem mais lucrativos... os sequestros expresso por exemplo.

 

De certeza que não era destes tipos de empreendedorismo que falava o nosso primeiro ministro Passos Coelho, devia ser mais do tipo Cupkakes de que fala o Herman no vídeo... mas não restam muitas dúvidas que é para ali que caminhamos... resta saber quem no meio disto tudo fará o papel do Hugo Chávez português.

 

Jorge Soares

 

PS: Por certo, no vídeo alguém falava da prostituição como saída... não sei se sabem, mas na Holanda, talvez já a pensar no futuro e numa de empreendedorismo, alguém abriu uma escola para prostitutas ... 

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publicado às 22:31

Foi a Sónia que através do Facebook me chamou a atenção para este vídeo, é uma reportagem da SIC sobre uma visita de crianças institucionalizadas a um quartel de Bombeiros na Guarda.


Para além de que uma vez mais a SIC se esqueceu que existe uma lei que protege as crianças institucionalizadas e que portanto não deveria nunca mostrar as crianças de forma a que estas fossem identificáveis, há uma parte em que a Jornalista nos conta como por puro acaso, se reencontraram irmãos que já não se viam há mais de um ano.


Ou seja, a mesma Segurança Social que é tão renitente em separar irmãos para adopção de modo a que estes não percam o contacto entre si, e há crianças que graças a esta renitência nunca são adoptadas, permite que irmãos que estão em instituições diferentes, se calhar a poucos quilómetros umas das outras, passem anos sem se verem...


Alguém me explica qual é a lógica disto?...Será que não havendo forma de colocar todas as crianças na mesma instituição, não haverá forma de garantir o contacto regular entre elas?


Como é possível que estas coisas aconteçam e que seja necessário um caso fortuito destes para que os irmãos se reencontrem após mais de um ano sem se verem?





Já agora, quem permitiu que as crianças fossem filmadas desta forma, será que os tribunais que as encaminharam para as instituições e que são os responsáveis legais foram consultados?


Jorge Soares

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publicado às 23:01

Miguel Relvas

Imagem do Público

 

 

Foi há 17 anos que Carlos Borrego, então ministro do ambiente de Cavaco Silva se demitiu após ter dito uma piada, mais recentemente foi o ministro socialista Manuel Pinho quem teve que deixar a pasta da economia após o  gesto dos chifres na assembleia da República, sendo que neste caso, para além do afastamento do ministro, o então Primeiro Ministro José Sócrates pediu desculpas públicas ao país.

 

Como são diferentes os tempos, "o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, rejeitou, neste domingo, que o ministro tenha “atacado a imprensa” e defendeu que “o Governo tem privilegiado muita transparência”. Ou seja, para Passos Coelho, tentar impedir que se publiquem noticias e tentar controlar o que se pode ou não publicar com recurso a ameaças aos jornalistas é privilegiar a transparência.

 

Acho que não restam dúvidas a ninguém que o telefonema para a direcção do Público existiu, também não restam dúvidas sobre qual era o seu objectivo, orientar a linha editorial do Jornal num tema em que cada vez mais o Ministro e muito mais gente está a aparecer mal na fotografia, ora para mim isto é muito mais grave que contar uma anedota ou fazer um gesto. 

 

Se ameaçar um jornalista com a exposição de factos da sua vida privada não é atacar a imprensa eu não sei o que será, o Primeiro Ministro lá terá as suas razões para fazer estas afirmações. Mas assim de repente o que salta à vista após este caso e o caso Rosa Mendes em que se decidiu terminar com um programa de opinião na Antena 1 após uma critica a um prós e contras em que participou o mesmo Miguel Relvas, é que estes senhores gostam de ter a imprensa com rédea curta... vá lá saber-se porquê... 

 

Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos, especialmente o que irá dizer a ERC sobre tudo isto.... mas confesso que não tenho lá muitas expectativas, eu nem nunca percebi para que serve a ERC.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:50

Chelsea, o campeão improvável

por Jorge Soares, em 19.05.12

O Chelsea ganhou a liga dos campeões

Imagem do Público

 

Há quem diga que no futebol são onze contra onze, a bola é redonda e no fim ganham os Alemães, e hoje os Alemães tinham tudo para ganhar, o Bayern era claramente favorito, tinha a melhor equipa, jogava no seu campo, até marcou primeiro, mas contrariando o ditado e toda a lógica, quem ganhou foi o Chelsea.

 

Desde os quartos de final que os Blues de Londres eram vistos como o patinho feio desta liga dos campeões, contra todos os prognósticos que davam por garantido que Messi e o seu Barcelona estariam na final de Munique, o Chelsea em dois jogos em que o Barcelona teve acima dos 70% de posse de bola, mostrou ao mundo que afinal, o dream team da cidade condal não era imbatível.

 

Hoje as coisas não foram muito diferentes, a meio da segunda parte o Bayern, que tinha o jogo completamente controlado, tinha 14 cantos a favor e nenhum em contra... mas ao Chelsea bastou-lhe um para empatar o jogo e forçar o prolongamento.

 

Já no prolongamento o Bayern poderia ter matado o jogo quando teve um penalty a seu favor, mas  estava visto que os deuses eram ingleses e Peter Chech defendeu o remate de Roben

 

No fim o Chelsea saiu vencedor na lotaria dos Penaltys, a liga dos campeões é uma longa maratona e não há campeões injustos, talvez o Chelsea não seja a equipa que jogue o melhor futebol, mas a sorte também conta... e hoje a sorte sorriu aos blues de Londres... honra aos campeões.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:16

Miguel Relvas, obviamente demita-se

por Jorge Soares, em 19.05.12

Miguel relvas e a pressão para calar a imprensa

Imagem do Público 

 

Num telefonema à editora de política do jornal, na quarta-feira, Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. 

 

Evidentemente o titulo do post é retórico, todos sabemos que neste país não existe a responsabilidade politica,  nem o Miguel Relvas se demite nem, o Passos Coelho vai achar que os factos são o suficientemente graves para o demitir.

 

Mas a verdade é que os factos são mesmo muito graves, que um ministro telefone a um jornal a fazer ameaças de blackout noticioso é grave, que no mesmo telefonema o ministro ameace divulgar detalhes da vida privada da jornalista é muito grave... e já agora, como é que o ministro sabe esses detalhes? mandou as secretas investigar os podres da senhora jornalista?

 

Num país com políticos sérios estas coisas não aconteciam, num país em que existissem responsabilidades politicas o ministro demitia-se, num país com políticos com vergonha, o chefe de governo demitia-o, num país com jornalismo a sério o telefonema teria sido de imediato denunciado, e as noticias tinham saído na mesma.

 

No país que temos, o ministro acha que um pedido de desculpas resolve o caso, o primeiro ministro assobia para o lado, o jornal não publica a noticia e só assume que o caso se passou quando este foi noticia noutros jornais.... este país é surreal e assim de repente o que tudo isto mostra, é que a censura está instalada.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:44

Conto, Dessimetrias

por Jorge Soares, em 19.05.12
Dessimetrias


A sala enorme ficava debruçada sobre a rampa, sobre a rua, sobre uma zona ajardinada.


Uma sala com uma parede inteira em vidro transparente.

E, lá muito ao longe, via-se o casario da cidade.

E havia uma persiana.


Pregas esbranquiçadas que rolaram e taparam o vidro, e esconderam a rampa e a rua, e a zona ajardinada e o casario da cidade. Pregas que deslizaram devagarinho, e taparam também o sol intenso se bem que fosse já ao fim da tarde – a hora ela não pode saber ao certo, que nem tinha trazido relógio, e o que havia na sala de espera ficara exangue entre as duas e as três de um outro dia.


Ela não perguntou, e ninguém lhe disse.

Ninguém lhe disse mais que boa tarde e, num imperativo adocicado, que se sentasse:

– ali naquele banquinho.

Um banco em metal brilhante junto ao envidraçado.

Dava-lhe o sol em cheio antes de o homem ter corrido a persiana de alto a baixo.

E o coração dela a bater em descompasso, e Maria Irene a respirar em socalcos.


Estivesse a afogar-se em algum pego – água negra e profunda que nem poço – e não seria diferente aquele ficar-lhe o ar impedido e ela arfando, boca e narinas a latejarem num grito de socorro, e o ar apenas rondando. Tanto ar em volta e ela naquele desassossego. O ar deslizando-lhe para longe como que num jogo de esconde-esconde, e ela sentada muito quieta no tal banco, e os olhos, mais que tudo eram os olhos dela farejando. Maria Irene muda de receio e desconforto.


Ela à espera, e aqueles dois de um lado ao outro. Um homem e uma mulher azafamados:

– só mais um bocadinho dona, só mais um instante.

Na sala o chão era de soalho. Ripas brilhantes. Um espanto que fosse chão desse. Antes deveria ser chão de ladrilhos, tijoleira ou outro de melhor asseio, pensou Maria Irene a disfarçar a aflição que lhe era meter algum ar nos pulmões. E nem que fosse disso a sua queixa, que ela tinha dito ao médico: acho que cresceu. Um caroço de nada sob a pele.


E depois tinha sido o autocarro, e o combóio e ainda o táxi.

O médico apalpou, viu e disse-lhe: tem que fazer esse exame.


Meia dúzia de pelos a nascerem-lhe, muito loiros no local do bigode, e os olhos azuis sem qualquer brilho. O médico insistira numa vozinha turva: tem que fazer esse exame ainda hoje! e tinha-se levantado assim como que a dizer-lhe: não me vai pedir que lhe explique pormenores. Mas não disse. Levantou-se apenas, e fez que ela se erguesse na cadeira forrada em napa cor de vinho. Uma cor a dizer bem com as flores do cortinado na janela do consultório. E o médico desejou-lhe boa tarde a entreabrir a porta, e ela não perguntou o que quer que fosse.


Ainda bebeu um chá gelado na pastelaria que ficava defronte, e depois seria o autocarro e o combóio, e finalmente o táxi, e só então Maria Irene subiria a rampa.


E ainda fazia sol quando se sentou naquele banco.

Seria por volta do meio-dia quando saíu do consultório.

– vamos para ali, disse-lhe o homem a simular o gesto de ampará-la.

O mesmo homem que lhe tinha dito:

– tire tudo e vista isto.

Uma bata de material viscoso, um azul transparente estendido num braço peludo. Para que vestisse. E esse mesmo homem disse-lhe, depois:

– relaxe, dona.

E pegava-lhe num braço, numa perna, no tornozelo, no pescoço.

Pegava-lhe no corpo todo como se fosse coisa.

E finalmente, seco e preciso:

– e agora fique assim quietinha!

E foi só então que ela perguntou, sumida:

– quanto tempo?

Duas horas, tinham-lhe respondido.


E Maria Irene jura que foi nesse preciso instante que a sala enorme ficou reduzida ao tamanho do seu corpo. Nada mais que ela e a janela envidraçada e o cortinado. Tudo concentrado no seu corpo muito quieto por força do exame. E nem que fosse um pego, água negra e funda, nem que fosse isso, seria mais profundo o sorvo que ela desse para inspirar o ar necessário.


E foi nesse instante que Maria Irene jura que no cortinado se abriu uma fresta que se foi alargando. O cortinado a abrir-se lento.

E ela quis gritar que o fechassem.

Ela a respirar em sorvos e um frio de inverno a descer-lhe pelo corpo.

E nem terá gritado.

Maria Irene há-de contar que o sol entrou e encandeou-a. Um sol de meio-dia e era fim de tarde. Ou não seria.


Ela quis correr a persiana, mas o que havia era um cortinado longo, flores cor de sangue ou cor de vinho num pano que corria do lado de fora da porta envidraçada. Nem pensar em chegar-lhe, dirá ela, e dirá que o pano esvoaçava destapando o vidro.


O pano erguido pelas mãos de um e outro que passava.

Que os mandassem embora, queria ela gritar e não podia.

Um desaforo eles ali olhando, uns atrás dos outros a espreitarem debaixo do cortinado.


E Maria Irene há-de jurar que eram muitos olhos espreitando, e que nem havia persiana e sim um pano. E dirá que também os olhos dela andavam a passear lá fora, e ela muito quietinha como tinham mandado:

– não se mexa, dona.

E tinham deixado acesa uma luz vermelha.

Uma única lâmpada do tamanho do dedo grande do pé direito de Maria Irene, que por nascimento é muito maior que o dedo grande do seu pé esquerdo.


MARIA DE FÁTIMA


Retirado de Samizdat

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publicado às 21:40

Primeiro Ministro Francês, Jean Marc Jean-Marc Ayrault

Imagem do Público

 

O senhor ali da fotografia chama-se Jean-Marc Ayrault, e é o Primeiro Ministro Francês, a França tem um primeiro ministro?, hoje o senhor foi notícia não pelas qualidades políticas das suas propostas ou por alguma decisão que tenha tomado, mas porque parece que em Árabe a palavra Ayrault significa pénis.

 

Sabendo nós o sensível que os árabes são a estas coisas, principalmente quando elas vem do ocidente, dá para perceber as dores de cabeça que estão a ter neste momento os responsáveis das redacções dos meios de comunicação por esse oriente fora.... cheira-me que o senhor não vai ser notícia muitas vezes . Não é que o Primeiro Ministro Francês seja notícia muitas vezes... mesmo por cá raramente ouvimos falar dele.. chame-se como se chame.

 

Mesmo assim tem mais sorte que Akbar Zeb, diplomata do Paquistão que foi rejeitado em vários países do médio oriente porque em Árabe do médio oriente o seu nome significa “a maior pila”....{#emotions_dlg.amazed}

 

Isto fez-me lembrar uma ex colega da minha meia laranja que é oriunda da Venezuela e é professora na Universidade do Algarve, de vez em quando esquecia que a palavra "Pila" tem significados diferentes em Castelhano e em Português e nas aulas de informática passava a vida a tirar e a colocar coisas na pila, em vez de na pilha....  estão a ver a cara dos alunos? {#emotions_dlg.lol} 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:50

Morreu Donna Summer

Imagem do Público

 

Deve estar algures lá em casa dos meus pais o álbum em vinil com a capa amarela, o "She works hard for the money" em que uma jovem e bonita Donna Summer vestida de empregada de mesa sorria ao mundo, morreu hoje, aos 63 anos de idade. .. ela já tinha 63 anos?, para mim continuava a ser aquela jovem da capa do disco.

 

Sabem uma coisa, sinto-me velho... velho e triste, porque o mundo perdeu uma excelente voz e uma grande artista da música.

 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:31

O Tiago e o André já não se tratam

Imagem do Expresso

 

É verdade que aquilo que se passava no transporte de doentes era vergonhoso, qualquer desculpa era boa para se chamar os bombeiros e havia muito boa gente a utilizar as ambulâncias como transporte para ir ás compras, era mais que evidente que a situação não podia continuar, havia que por cobro aos abusos,  definir regras e prioridades.

 

O que na realidade aconteceu é que com a nova politica passamos do 80 em que os bombeiros eram choferes, para o 8 em que há doentes que deixam de ser tratados porque não tem mesmo condições. Na saúde a politica do custe o que custar do nosso primeiro ministro está na realidade a  custar vidas humanas.

 

As noticias são do Expresso, numa coluna que não sei bem porquê se chama "Solidariedade Expresso", para além de noticiarem os casos não vi em lado nenhum alguma solidariedade, e entre outros casos apresentava o da Família do Tiago e do André e o da Glória Lucas. Ambos tem em comum pessoas, seres humanos, que sofrem doenças que exigem acompanhamento e tratamento permanente e que devido às novas regras de transporte de doentes, deixaram de ser tratados.

 

É difícil acreditar que estas coisas aconteçam, é de pessoas que estamos a falar, num país em que o direito à saúde está inscrito na constituição, há pessoas que deixamos de tratar porque o governo de turno decidiu que a forma de poupar era cortar a direito... recuso-me a acreditar que este seja o caminho, tem de haver outra forma, uma forma em que não se deixem as pessoas à sua sorte.

 

"A última vez que fui à médica, já depois de algumas faltas, ela perguntou-me como é que eu quero ser tratada se não vou às consultas e não faço os exames. Eu perguntei-lhe como é que ela quer que eu faça se não tenho dinheiro. Ficou calada. E ficámos assim."

 

E Ficamos assim?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:31



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