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O Homem das 4 viúvas

 

A notícia é do Correio da manhã e portanto vale o que vale. Hoje à hora do almoço reparei na capa do jornal em cima de uma mesa  "Morto em assalto deixa 4 `viúvas´".. quatro?... e achava a malta que o Otelo com as suas duas famílias é um homem de coragem... afinal, parece que há quem tenha ainda mais coragem


O senhor ali da fotografia era assistente de voo na TAP e foi morto a tiro quando tentava impedir que assaltassem a sua mulher... bom, pelos vistos não era a sua mulher, era só uma das suas mulheres.


O assaltante foi capturado no mesmo dia do assassinato e está a ser julgado no tribunal de Sintra, acontece que na hora de apresentação de familiares ao tribunal, não só apareceu a senhora que foi assaltada, como apareceram, até agora, mais três senhoras que reclamam,supõe-se que com provas, que viviam em união de facto com o senhor.


É claro que o facto de em vida o senhor ser abastado ,de não ter filhos nem mais herdeiros conhecidos e de se prever que o tribunal venha a condenar o assassino ao pagamento de uma indemnização à família, deve ter algo a ver com este súbito aparecimento de viúvas.


Há tanta gente que não consegue conviver em paz com uma... e este senhor dava-se ao luxo de manter pelo menos 4 mulheres, aparentemente felizes, na sua vida.. é obra...e digno de um qualquer super homem.

 

Jorge Soares

 

PS:Sim, eu sei, é um post parvo, mas estou farto da crise, do governo, da TSU... farto.

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publicado às 21:12

O povo saiu à rua... para quê?

por Jorge Soares, em 16.09.12

Sinais de paz em Lisboa

Imagem de aqui 

 

Não, não fui à manifestação, infelizmente antes de sair a convocatória eu tive a infelicidade de marcar algo para o mesmo dia e a mesma hora, e portanto não deu... com muita pena minha, apesar de que neste blog sinto-me mais ou menos em manifestação constante.

 

Rezam as crónicas que estas terão sido as maiores manifestações desde o primeiro de Maio de 1974, mais de 600 mil pessoas na rua, é obra. 600 mil portugueses que de forma firme mas ordeira fizeram questão de mostrar a Passos Coelho, à troika, ao governo, à assembleia da República e ao presidente da República que afinal não vale tudo....

 

Será sem dúvida um dia para recordar por muita gente, mas será que os visados entenderam a mensagem? E sobretudo, será que todo aquele mar de gente que encheu as ruas de muitas cidades pelo país fora, entendeu a sua mensagem?

 

A questão é, imaginemos que amanhã se dissolvia a assembleia da República e que eram convocadas eleições para daqui a dois ou três meses, em quem votaria aquele mar de gente? 

 

É bom que o povo tome consciência de que estas medidas não podem ser a solução, é bom que todos tomemos consciência que este caminho não nos leva a lado nenhum.... mas também era bom que todo aquele mar de gente entendesse que a solução também está em nós e era muito bom que todos entendêssemos que para além de manifestações como a de ontem, onde realmente podemos fazer a diferença é no momento de votar.

 

Está mais que visto que estes senhores não vão mudar de rumo e dos que lá estiveram antes estamos conversados, a questão é, será que toda aquela gente está preparada para de verdade mudar o rumo do país e votar noutros, ou como tantas vezes ouvi durante esta semana vencerá de novo o "eles são todos iguais"?

 

Será que aprendemos mesmo alguma coisa com o que aconteceu neste país nas últimas duas ou três décadas ou estas manifestações são só fogo de vista como foi a da geração á rasca? ... que é bom recordar foi antes das eleições que levaram estes senhores ao governo.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:30

Conto, O doutor "adevogado"

por Jorge Soares, em 15.09.12
(foto: http://www.flickr.com/photos/ferran-jorda/3497520295/)

 


O doutor apareceu pela primeira vez em casa numa noite de sábado, entrou, acomodou-se na sala e acendeu um cigarro. De terno, gravata e gel melequento no cabelo, e, de quando em quando, cofiava o bigodinho a la Clark Gable.


Minha mãe, cheia de sorrisos, desapareceu no quarto para os preparativos finais, enquanto eu o espiava desde a penumbra do corredor.
Muitos homens haviam passado por aquele sofá nos últimos meses, muitos mesmo. Minha mãe parecia desesperada em encontrar um substituto para meu pai, e errava de senhor em senhor, crente que algum deles aceitaria uma viúva com um pirralho na barra da saia, e nos levaria para morar em algum casarão ou numa cobertura de luxo.
Ao escutar o ruído da gaveta da penteadeira se fechando, corri para minha cama e me cobri, fingindo que dormia. Mamãe veio, beijou a minha testa e me desejou boa-noite.
— Vou sair para dançar, mas não volto tarde.
Uma lagrimazinha escorreu, mas ela não deve tê-la visto. Eu me sentia tão fragilizado sozinho naquele apartamento. Bastava que ela saísse, trancando a porta atrás de si, que era como se todas as proteções ruíssem e eu houvesse sido lançado para a morte certa. A noite era silenciosa e assustadora. Cada estalo nos móveis, cada ranger de porta, cada goteira, cada assovio do vento ou miados de gatos nos telhados vários eram perigos mil. Agora todos os bandidos, psicopatas e assassinos à solta pelo mundo farejariam o meu medo e viriam me pegar. Eu estava só e desprotegido, simplesmente porque a minha mãe baixota e magrela não estava por perto.
Ela também deveria se sentir desamparada e justamente por isto que ansiava tanto por um novo marido. Um macho para controlar o lar. Um braço para proteger-nos tanto a ela quanto a mim.
Nada aconteceu, nenhum criminoso perigoso veio. Dormi, para despertar apenas com o barulho do trinco e do toc-toc do salto alto de mamãe nos tacos da sala.
Pela porta entreaberta do meu quarto, chegou até mim o odor de perfume e cigarro, e os passos descompassados denunciavam que ela deveria estar bêbada. Quis me levantar, mas tive medo. Mamãe ficava imprevisível quando bebia, e podia sobrar para mim, que nada havia feito de errado.
Demorei muito para voltar a dormir, escutando-a tomando banho e depois se jogando na cama. Tive muita pena dela, desejei que papai não houvesse morrido tão novo. Odiei a morte, tão cruel e injusta!
Naquela noite, tive certeza que não veria mais aquele sujeito de terno, gravata, gel e bigodinho ridículo, mas, no domingo seguinte, assim que saímos da missa, minha mãe se agachou e, mirando-me com ansiedade, disse:
— Vamos almoçar com um amigo meu. Quero que você se comporte. Jura pra mim?
Com o polegar, fiz o sinal da cruz sobre os lábios, e o doutor logo surgiu com um carrão, daqueles de magnatas. No banco de trás, eu brincava com o vidro elétrico, a primeira vez que via algo assim na vida.
— Não mexa, senão vai estragar! — minha mãe gritou, mas o senhor interveio:
— Deixe o menino... Não tem problema.
Mas preferi obedecer minha mãe, a autoridade máxima, pois havia jurado que me comportaria.
Já no restaurante, fomos servidos e comemos em silêncio.
— O doutor Orlando é adevogado — disse minha mãe com toda a pompa, adicionando uma vogal como ela sempre fazia quando queria ressaltar a importância de algo: papai havia sido o pisicólogo e minha tia era uma adiministradora.
— E você protege os bandidos? — perguntei, lembrando-me de um filme de tribunal que havia assistido na noite anterior.
— Não — riu o doutor Armando — a minha área é Cível, não Criminal.
— Ah — balbuciei, sem entender palavra, sendo fulminado pelo olhar repreensivo de minha mãe. Mesmo assim, admirei o doutor, de terno até no domingo, dia santificado de descanso. Devia ser importante e poderoso, trabalhando até em finais de semana.
Voltei a ver o doutor adevogado em outras ocasiões e ele reapareceu lá em casa, corretíssimo no sofá da sala, cigarro na mão e bebericando uma taça de licor.
— Mãe, você vai casar com o doutor? — perguntei uma noite.
Ela sorriu com acanhamento, mexendo no cabelo.
— Não sei, querido... Ainda não decidimos.
— Será que papai aprovaria?
— Acho que sim... — ela se engasgou, talvez com vontade de chorar — Ninguém nunca será como seu pai, mas a vida segue adiante. Não temos escolha.
— Queria tanto que ele ainda estivesse aqui.
— Eu sei.
Então, o doutor Orlando se tornou uma presença habitual. Dormia com minha mãe e eu podia até escutá-los rindo e gemendo no quarto dela. Tive ciúmes, raiva e desejei que, na manhã seguinte, eu despertasse já adulto, para pegar minhas trouxas e cair no mundo, sem ter de presenciar estas sem-vergonhices. O que meu pai diria?
Por outro lado, fascinava-me muito o doutor, tão fino e imponente. Cheguei até a sonhar em tornar-me um advogado quando crescesse, de terno, gel, cigarro e bigodinho. E quando isto ocorresse podia até visualizar minha mãe dizendo para os outros, cheia de orgulho de mim:
— Meu filho é um baita adevogado! Dos melhores!

Uma gritaria me despertou certa manhã.
Minha mãe discutia com o doutor Orlando, chamando-o de crápula, pústula e cafajeste. Ele retrucou à altura e saiu batendo a porta.
Transtornada, ela entrou em meu quarto e foi direto até o armário, de onde apanhou uma mala e nela lançou minhas roupas.
— Que foi, mãe? — cocei os olhos.
— Pegue suas coisas... Já!


Ela também arrumou as bagagens dela e, puxando-me pela mão, levou-me até a rodoviária. Sentada no portão de embarque, ela desabou a chorar, sem me explicar nada.


Meus avós nos receberam na casinha no interior e mamãe se trancou no quarto por dias, saindo apenas para tomar banho e beliscar o almoço, mal dizendo um ai.


Fui eu quem a encontrou inerte no chão gelado do banheiro, frasco vazio de comprimidos na mão. Pálida, lábios arroxeados, sem respirar.


O doutor Orlando, o ilustre advogado, não havia roubado somente os nossos bens, o apartamento, o carro e a poupança.


O que ele me tirou jamais poderei reconquistar.


Henry Alfred Bugalho


Retirado de Samizdat

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publicado às 20:05

 

 

letra

 

As flores pelo chão

Pisadas desde o baile

O vento frio

Só mulheres de xaile

 

Tudo me contaram

Quando eu dei aos ares de Espanha

Uns desceram para sul

Eu fiquei a ver Idanha

 

Ai de mim

Não faço nem ideia

Prometi partir na lua cheia

Pago por um  bagaço na estação

Nos olhos de um varão

Vejo a fera da fronteira

 

Ir pra angola

pode mesmo ser a salvação

Ou são Paulo

receber calor de um povo irmão

 

Ir abastecer

onde há quem dance

 

Promessas de verão

Os mar e nozes quebram

Praia fora vão

Se águas más lhe pegam

Num posso mais remar

Que terra se alevante

Se firme a procurar

Quero ir pra adiante

 

Ai de mim

Se tudo é ao contrario

Tenho de ir cumprir nosso fadário

Acabo de engolir num repelão

Pregunta um bom beirão

se isto era necessário

 

Ir embora

pode mesmo ser solução

Ver trabalho

o frio compensa pela aflição

 

Mas se isto não mudar

Eu não descanso

 

E se eu for

Quem espera Mariana

Faz de mim nas guardas quentes de sua cama

 

E se eu for

Quem me faz de tua estampa

Para onde irás se só voltar

pra encontrar a minha campa

 

Ai de mim

Não faço nem ideia

Prometi partir na lua cheia

Pago-te um bagaço na estação

Nos olhos de um varão

Vejo a fera da fronteira

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publicado às 21:48

 a quem interessam estas medidas de austeridade?

Imagem de aqui

 

Pedro Passos Coelho deixou claro nesta quinta-feira à noite que não está disposto a recuar em nenhuma das medidas recentemente apresentadas pelo Governo.


Não, claro que não, ele não recua, imagino que estando o país e todos nós ao borde do abismo, ele será o primeiro a dar o passo em frente.


Está mais que visto que só ele e os seus ministros não conseguem entender que tal como disse Manuela Ferreira Leite, com estas medidas estão a levar o país ao caos. Se até a Troika já se veio desmarcar das medidas que foram agora tomadas, o que será mais necessário para que estes senhores entendam que nos estão a levar a todos à miséria?

 

Ontem Ferreira Leite deixava um recado aos deputados do PSD e do CDS, que por uma vez sigam a sua consciência... será que ainda resta na bancada da maioria quem tenha consciência?

 

E diz o senhor que "Infelizmente, não posso dizer que já atingimos esse limite e que não podemos pedir mais" ... não há pior cego que aquele que não quer ver.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:20

Desafios de ser pai, as birras

por Jorge Soares, em 12.09.12

Birras

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

É daquelas coisas que achamos sempre que só acontece com os filhos dos outros... connosco essas coisas nunca aconteciam... a verdade é que com os dois primeiros não aconteceu muito, a R. não era nada de birras, o N. tinha algumas, mas a verdade ao pé do resto, esse era mesmo o menor dos problemas... de resto, eu sempre achei que existe uma cura mesmo eficaz para as birras... continuo a achar.

 

Quem me lê desde os tempos dos diários de um pai em licença parental, deve lembrar-se como naquela altura a D. era quase a criança perfeita, amorosa, super meiga, simpática, bem disposta, tão querida e adaptada que durante muito tempo a minha frase preferida era: "Eles já deviam vir todos com dois anos e meio".. pelos vistos, também deveriam ficar para sempre nos dois anos e meio.

 

De então para cá, a miúda para além de crescer e ficar cada vez mais senhora de si e dona do seu nariz, também tem ganho alguns novos hábitos... sendo que o de fazer birras que levam qualquer ser humano normal ao desespero, é um dos piores.

 

Felizmente eu não sou um ser humano normal, e esperta como é, já percebeu que comigo ela não leva a melhor, além de que se sujeita a provar a cura 100 % eficaz para as birras... mas já seja com a mãe, com os irmãos ou com as educadoras e auxiliares da escolinha, a coisa está completamente descontrolada.

 

Um destes dias, ante o terrível relato do que tinha sido o dia na escolinha, dei comigo a pensar em que é que teríamos falhado para fazer com que aquela criança amorosa se tenha convertido num protótipo de rufia que teima em só querer fazer o que lhe apetece... não encontrei a resposta... quer dizer... há coisas que são evidentes.

 

O facto de ser a mais nova de três explica algumas coisas, a situação piora sempre que estamos a falar ou a prestar atenção aos irmãos, ou seja, ela descobriu que as birras são uma forma perfeita de chamar a atenção..e de uma forma ou outra, funciona sempre.

 

Por outro lado o facto de durante o ano passado ela ter tido uma educadora que lhe dava toda a atenção que ela queria, todos os dias quando eu a ia buscar ela estava sentada ao colo da senhora e os coleguinhas só tinham direito quando ela se ia embora... talvez também não tenha ajudado muito.

 

Este ano a educadora é outra e os afectos são mais repartidos... e a coisa não está  ser fácil.

 

Ontem decidi ter uma conversa séria com ela,... começou por ser uma conversa de surdos, porque um dos direitos que ela se atribui é o de não falar de coisas de que não gosta...e definitivamente ela não gosta de falar das birras ou dos comportamentos na escola.... sentei-a numa cadeira no quarto e tentei o diálogo. Em vão, porque ela olhava para mim e simplesmente não me respondia.

 

Disse-lhe que ela não saía dali sem falar comigo, ficou a olhar para mim e nem pestanejou.. deixei-a no quarto e fui tratar do jantar. Voltei passado um bom bocado, estava sentada no mesmo sitio... mas a vontade de falar era a mesma. 

 

Mais meia hora e voltei... acho que tinha percebido a ideia, porque apesar de não falar muito, acedeu a assentir com a cabeça e a trocar meia dúzia de palavras comigo.

 

Expliquei-lhe que as coisas não podiam continuar assim, e que as birras não podiam continuar... ela concordou e disse que não, que não gostava de birras e não fazia mais.... 

 

Hoje teve um comportamento exemplar na escola, não sei quanto tempo irá durar, mas é um principio... vamos ver.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:12

Homem detido por fotografar carro mal estacionado ao serviço de Aguiar-Branco

 

Imagem do Público 

 

Um homem foi detido para identificação no Porto, após fotografar um carro estacionado no passeio que estava ao serviço do ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, noticia a TVI. 


Aposto que se estivesse um larápio a furtar um carro na mesma rua os senhores polícias não se davam ao trabalho de o perseguirem e deterem, como era um cidadão (presume-se que honesto e preocupado) a documentar uma infracção de transito e um abuso de autoridade, deram logo por ele e até o levaram preso... viva o abuso de autoridade.


Se os membros do governo dão estes exemplos, o que esperam do resto dos cidadãos?


Jorge Soares

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publicado às 21:34

o cão e Pedro Passos Coelho

Imagem de aqui 

 

Diz que o governo criou um manual para que os deputados do PSD e os membros do governo saibam responder aos jornalistas em questões sobre as medidas de austeridade que o Primeiro ministro nos serviu no outro dia ao jantar...... pudera, as medidas são tão estranhas e incompreensíveis que até os membros do governo e os deputados da coaligação precisam de um desenho para conseguirem entender a lógica da coisa...

 

A questão é: das 4 páginas A4 do manual, quantas terão sido utilizadas para ensinar os senhores a mentir ao povo sobre aquilo não ser um imposto?

 

Jorge Soares

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publicado às 21:45

A austeridade é uma pescadinha de rabo na boca

por Jorge Soares, em 09.09.12

Basta de austeridade

 

 

Li algures por aí que depois daquela comunicação ao país o Primeiro ministro disse no seu facebook que "os sacrifícios ainda não terminaram", ou seja, para além de ter conseguido a proeza de pela primeira vez desde o 25 de Abril fazer descer o salário mínimo nacional, Passos Coelho mostra que não aprendeu nada nos últimos dois anos.

 

A justificação para a necessidade destas medidas vem do decréscimo das receitas de impostos que aconteceram pela diminuição do poder de compra dos portugueses afectados pelas medidas de austeridade implementadas por este governo. Evidentemente (quase) qualquer palerma percebe que não é com mais austeridade que isso vai mudar, bem pelo contrário, se a economia já estava retraída devido aos cortes nos salários e subsídios, mais cortes só vão fazer que a economia se retraia ainda mais, o que por sua vez fará com que as receitas recaudadas em impostos diminuam ainda mais .. o que pela lógica deste governo levará inevitavelmente a mais austeridade, que por sua vez levará a mais diminuição, que por sua vez... 

 

Ou seja, as medidas de austeridade aplicadas por este governo são uma pescadinha de rabo na boca que em lugar de nos tirarem da crise, nos levam a todos os portugueses por um caminho que inevitavelmente nos levará à miséria.

 

Diz o Primeiro ministro que estas medidas servirão para aumentar a produtividade das empresas, a questão que se coloca é, tendo os trabalhadores portugueses uma diminuição real dos seus salários em mais 10% a somar ao seu já baixo poder de compra, quem irá ter dinheiro para comprar esse excesso de produtos que as empresas terão capacidade de produzir?

 

De que serve às empresas serem mais competitivas se não haverá no mercado quem tenha dinheiro para comprar os seu produtos... é claro que as empresas que se dedicam à exportação serão mais competitivas, mas qual é a percentagem de empresas portuguesas que produz para exportação?

 

No inicio da semana alguém do CDS dizia que na reunião com a  Troika iria deixar claro que o país não aguentava mais impostos.. onde andam esses senhores do CDS neste momento? Onde anda o Passos Coelho que justificou o veto ao governo do PS porque a austeridade não podia ser o caminho?

 

Quando diremos basta a todo este desastre? ... 

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:16

Conto, Fado de Coimbra

por Jorge Soares, em 08.09.12
Rosa branca

Imagem minha do Momentos e Olhares


Rosália tinha dezoito anos quando foi violada. Andava a apanhar lenha para casa num pinhal perto de Coimbra, quando um resineiro a agarrou. Mesmo que gritasse, de nada serviria, no ermo onde andava. Nunca contou a ninguém; guardou a mágoa para si.


Fernanda, filha de Rosália, tinha vinte anos quando foi violada. Era camareira num hotel de Coimbra; o patrão encurralou-a num dos quartos do terceiro andar, ameaçando-a de morte se gritasse. Não fez queixa dele, com receio da exposição pública. Guardou a revolta para si.


Vanessa, filha de Fernanda, tinha vinte e um anos quando foi violada. Era estudante universitária em Coimbra; foi atacada por um colega do mesmo curso, ao anoitecer, e obrigada a entrar numa casa em obras sob a ameaça de uma faca. Não teve oportunidade de denunciar o atacante porque ele cortou-lhe a garganta no estertor final da violação.


O acontecimento comoveu toda a cidade e milhares de pessoas acompanharam a rapariga à última morada. Há muito que não se via tão deslumbrante mar de lenços brancos a acenar. Na hora da despedida, Coimbra tem sempre mais encanto.


Joaquim


Retirado de Samizdat

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publicado às 21:49



Ó pra mim!

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