Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Bom senso, educação respeito

Imagem de aqui

 

Já não sei o que me espanta mais, se a falta de bom senso das pessoas ou o facto de as empresas perderem tempo com coisas destas.

 

A notícia vem de Braga, no Hospital desta cidade há uma funcionária do departamento de comunicação que entre outras coisas, tem como tarefa periódica a monitorização da internet, leia-se: Facebook, blogs e restantes redes sociais, de modo a compilar tudo o que de bom ou de mau se diga acerca da instituição.

 

Não é algo assim tão estranho que as empresas se interessem pelo que delas se diz na imprensa, existem inclusivamente ferramentas do Google que servem para isso. O que já não me parece assim tão normal é que entre as pesquisas se encontre o facebook e o que dizem os seus funcionários. 

 

Mas tudo isto só veio a público porque entre o que foi compilado nestas pesquisas estão uma série de comentários pouco abonatórios  sobre o Hospital e as suas práticas, feitos por uma das funcionárias num grupo do Facebook destinado a trabalhadores do Hospital.

 

Convenhamos, já seria mau que  a senhora fizesse os comentários no seu Mural do Facebook onde os poderia tornar privados e só acessíveis aos seus contactos, mas faze-los num grupo aberto desta rede social é o cúmulo da falta do bom senso. Como seria de esperar, os comentários não tardaram nada a chegar aos ouvidos dos responsáveis do Hospital que evidentemente não acharam piada nenhuma e a senhora encontra-se sujeita a um processo disciplinar.

 

Há quem olhe para todo o caso e veja excesso de zelo por parte da instituição e até um ataque à liberdade de expressão, concordo que ir espiolhar o que dizem os funcionários no Facebook pode ser excesso de zelo... mas convenhamos que a atitude  da funcionária denota uma enorme falta de bom senso. Falar mal do Hospital e dos seus funcionários num grupo público do facebook é a mesma coisa que o fazer em voz alta num corredor ou numa das salas de espera das instituições e não me parece que alguém esteja para isso.

 

O Facebook é uma porta aberta a quem quiser entrar, convém que as pessoas tenham consciência disso, o que escrevemos no nosso mural, no dos nossos amigos ou conhecidos ou num dos milhões de grupos que existem é o mesmo que lançar folhas ao vento, nunca sabemos onde irão parar e nunca saberemos se elas serão esquecidas ou mais tarde ou mais cedo utilizadas contra nós.

 

Portanto, a próxima vez que entrar no seu Facebook, lembre-se: Bom senso, educação e respeito... nunca estarão demais.

 

Jorge Soares

publicado às 22:27

Catalina Pestana e os segredos de sacristia

por Jorge Soares, em 12.12.12

Catalina Pestana e os segredos de sacristia

Imagem do Público 

 

Não nutro a mínima simpatia pela senhora, poderá ter os seus méritos no trabalho que fez na Casa Pia, mas eu não consigo esquecer que a Catalina Pestana já por lá andava quando havia crianças a serem abusadas dentro da instituição, crianças a serem levadas para apartamentos por toda Lisboa e até para casas no Alentejo... e custa-me a crer que tudo isto tenha acontecido debaixo dos narizes de todo o mundo com responsabilidades na instituição sem que ninguém desse por nada.

 

Esta semana, após a descoberta de mais um caso de pedofilia na igreja católica, a senhora veio a público dizer que sabia da existência de mais casos, só em Lisboa serão cinco.

 

Sabe? e só agora veio a público falar deles porquê? Porquê esperar pelo aparecimento público de mais um caso para vir para os jornais falar do assunto? Sabe desde quando?

 

A senhora diz que avisou a hierarquia da igreja católica há mais de um ano... há um ano? Ela sabia de tudo isto há mais de um ano e não fez nada?  E porque não avisou directamente as autoridades como lhe competia? E se realmente denunciou o caso à igreja sem que esta actuasse, porquê se manteve em silêncio? porque deixou tudo no segredo das sacristias?

 

Quantas crianças já terão sido abusadas depois da senhora ter tido conhecimento desses casos? Quanto sofrimento terá causado com o seu silêncio cúmplice?

 

Quem tem conhecimento de casos de pedofilia e não os denuncia às autoridades competentes é cúmplice e tão culpado como quem comete os crimes.

 

Esta gente devia ter vergonha.

 

Jorge Soares

publicado às 22:41

  
Letra 
Debaixo Da Ponte

Há um vagabundo sem nome que dorme debaixo da ponte
Eu não conheço esse homem em que me tornei hoje
Vejo as luzes da cidade a brilhar ao longe
Onde mora a felicidade a mulher dos meus sonhos
Dizem que se eu procurá-la muito talvez a encontre
Dizem que casou com um homem nobre
Eles acharam-na cara demais para qualquer noivo
Mas eu vou convidá-la para sair a noite
Se ela aceitar vou levá-la até aos montes
Depois vou beijá-la e voltar a ponte

Olha há alguém no pontão velho(2x)
É o rei do rio que não chega ao mar(2x)

Há um vagabundo sem nome que dorme debaixo da ponte
Há um rosto enrugado no reflexo do lodo
Há algo de errado que este rio esconde
Desde o tempo em que tu eras naive e novo
Dizem que nasce todos os dias e a noite morre
Dizem que casou com um homem nobre
Hoje eu vou procurá-la num lugar bem longe
Mas se eu não encontrá-la vou voltar a ponte

Olha há alguém no pontão velho(2x)
É o rei do rio que não chega ao mar(2x)

Olha há alguém no pontão velho(4x)
É o rei do rio que não chega ao mar(4x)
Podem ouvir mais aqui

publicado às 18:53

Isabel Jonet, Take 3!

por Jorge Soares, em 11.12.12

Isabel Jonet, Take 3

 

Sim eu sei, não devíamos bater mais no ceguinho... mas é que ela põe-se mesmo a jeito. (Ver entrevista no ionline)

 

Eu sei que há muita gente que insiste em olhar para a senhora da fotografia e em lugar da pessoa ver a instituição Banco Alimentar, mas queiram ou não, a pessoa existe e diz coisas como esta, coisas que mostram uma mentalidade retrógrada e muito pouco social.

 

Há uma enorme diferença entre caridade e consciência social, a caridade serve para tapar buracos sem mudar nada, a solidariedade social serve para garantir que se dão condições às pessoas para que estas possam para além de viver, sair da situação em que estão e seguir em frente. Caridade é dar o peixe, solidariedade social é ensinar a pescar.

 

É claro que não retiro mérito à instituição Banco alimentar e ao seu papel em alturas como a que vivemos, mas vamos lá deixar de confundir a instituição com a pessoa e chamar aos bois pelos nomes.. esta senhora é a imagem acabada de uma época que felizmente há muito que terminou, a caridadezinha é algo de outros tempos... por muito que exista gente que precise que tudo se mantenha como está para assim poder continuar a sentir-se superior.

 

 

Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha

A senhora de não sei quem
Que é de todos e de mais alguém
Passa a tarde descansada
Mastigando a torrada
Com muita pena do pobre
Coitada

Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha

Neste mundo de instituição
Cataloga-se até o coração
Paga botas e merenda
Rouba muito mas dá prenda
E ao peito terá
Uma comenda

Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha

O pobre no seu penar
Habitua-se a rastejar
E no campo ou na cidade
Faz da sua infelicidade
Alvo para os desportistas
Da caridade

Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha

E nós que queremos ser irmãos
Mas nunca sujamos as mãos
É uma vida decente
Não passeio ou aguardente
O que é justo
E há-que dar a toda a gente


JOSÉ BARATA MOURA


É uma música Portuguesa, quem quiser pode ouvir aqui

 

Jorge Soares

publicado às 22:10

A morte não tem piada nenhuma.. mas a vida tem?

por Jorge Soares, em 10.12.12

Mel Greig e Michael locutores da 2Day FM

 

Imagem do Público 

 

Os dois senhores que na fotografia estão com cara de caso, são os dois locutores australianos que durante a semana passada fizeram um enorme sucesso na imprensa e na internet mundiais quando conseguiram a proeza de se fazerem passar pela rainha da Inglaterra e o Príncipe Carlos e com isso obterem em primeira mão do hospital informações sobre o estado de Kate Middleton.


Ontem foi noticia a morte de Jacintha Saldanha, a enfermeira que terá falado com eles e que ante a enorme proporção que o assunto tomou se terá suicidado na sua casa de Londres.

 

É evidente que qualquer morte é sempre uma tragédia e é claro que as mortes não tem piada nenhuma, é lamentável que uma brincadeira parva tenha resultado no suicídio da senhora, mas de quem será a culpa?

 

Quantas brincadeiras como estas vemos e ouvimos todos os dias na rádio, na televisão, na internet? É claro que o humor deve ter limites, mas alguém me explica onde neste caso foi quebrado algum limite? Para além da mentira inocente de se dizer avó da doente, onde é que está o exagero naquilo que aconteceu?

 

Goste-se ou não e dê-se a importância que se dê aos membros da coroa britânica, Kate Middleton é uma figura pública, acho que ninguém tem duvidas que a sua gravidez irá nos próximos meses encher páginas e páginas de tudo o que é imprensa seja ela cor de rosa ou não. O assunto será tratado de todos os ângulos e formas possíveis, não há como fugir a isso, não pode valer tudo, mas há de certeza coisas bem piores, ainda que na maior parte dos casos não terminem em mortes. Não foi há muito tempo que alguém vendeu, de certeza por muito dinheiro, fotografias em topless da mesma Kate e não vi ninguém dizer que se ia suspender quem as publicou.


Todas as mortes são lamentáveis, mas esta morte será culpa dos dois radialistas agora lançados para a fogueira ou da enorme industria que se alimenta do escândalo e da fofoca? 

 

A morte não tem piada nenhuma, mas a vida tem? Vamos acabar com as brincadeiras e o humor por causa deste caso? E depois rimo-nos de quê? de nós próprios?

 

Jorge Soares

publicado às 22:10

Conto de Natal

por Jorge Soares, em 08.12.12

Presépio

Imagem de aqui


Sem dizer uma palavra, o homem deixou a estrada andou alguns metros no pasto e se deteve um instante diante da cerca de arame farpado. A mulher seguiu-o sem compreender, puxando pela mão o menino de seis anos.

— Que é?

O homem apontou uma árvore do outro lado da cerca. Curvou-se, afastou dois fios de arame e passou. O menino preferiu passar deitado, mas uma ponta de arame o segurou pela camisa. O pai agachou-se zangado: 

— Porcaria...

Tirou o espinho de arame da camisinha de algodão e o moleque escorregou para o outro lado. Agora era preciso passar a mulher. O homem olhou-a um momento do outro lado da cerca e procurou depois com os olhos um lugar em que houvesse um arame arrebentado ou dois fios mais afastados.

— Péra aí...

Andou para um lado e outro e afinal chamou a mulher. Ela foi devagar, o suor correndo pela cara mulata, os passos lerdos sob a enorme barriga de 8 ou 9 meses.

— Vamos ver aqui...

Com esforço ele afrouxou o arame do meio e puxou-o para cima.

Com o dedo grande do pé fez descer bastante o de baixo.

Ela curvou-se e fez um esforço para erguer a perna direita e passá-la para o outro lado da cerca. Mas caiu sentada num torrão de cupim!

— Mulher!

Passando os braços para o outro lado da cerca o homem ajudou-a a levantar-se. Depois passou a mão pela testa e pelo cabelo empapado de suor.

— Péra aí...

Arranjou afinal um lugar melhor, e a mulher passou de quatro, com dificuldade. Caminharam até a árvore, a única que havia no pasto, e sentaram-se no chão, à sombra, calados.

O sol ardia sobre o pasto maltratado e secava os lameirões da estrada torta. O calor abafava, e não havia nem um sopro de brisa para mexer uma folha.

De tardinha seguiram caminho, e ele calculou que deviam faltar umas duas léguas e meia para a fazenda da Boa Vista quando ela disse que não agüentava mais andar. E pensou em voltar até o sítio de «seu» Anacleto.

— Não...

Ficaram parados os três, sem saber o que fazer, quando começaram a cair uns pingos grossos de chuva. O menino choramingava.

— Eh, mulher...

Ela não podia andar e passava a mão pela barriga enorme. Ouviram então o guincho de um carro de bois.

— Oh, graças a Deus...

Às 7 horas da noite, chegaram com os trapos encharcados de chuva a uma fazendinha. O temporal pegou-os na estrada e entre os trovões e relâmpagos a mulher dava gritos de dor.

— Vai ser hoje, Faustino, Deus me acuda, vai ser hoje.

O carreiro morava numa casinha de sapé, do outro lado da várzea. A casa do fazendeiro estava fechada, pois o capitão tinha ido para a cidade há dois dias.

— Eu acho que o jeito...

O carreiro apontou a estrebaria. A pequena família se arranjou lá de qualquer jeito junto de uma vaca e um burro.

No dia seguinte de manhã o carreiro voltou. Disse que tinha ido pedir uma ajuda de noite na casa de “siá” Tomásia, mas “siá” Tomásia tinha ido à festa na Fazenda de Santo Antônio. E ele não tinha nem querosene para uma lamparina, mesmo se tivesse não sabia ajudar nada. Trazia quatro broas velhas e uma lata com café.

Faustino agradeceu a boa-vontade. O menino tinha nascido. O carreiro deu uma espiada, mas não se via nem a cara do bichinho que estava embrulhado nuns trapos sobre um monte de capim cortado, ao lado da mãe adormecida.

— Eu de lá ouvi os gritos. Ô Natal desgraçado!

— Natal?

Com a pergunta de Faustino a mulher acordou.

— Olhe, mulher, hoje é dia de Natal. Eu nem me lembrava...

Ela fez um sinal com a cabeça: sabia. Faustino de repente riu. Há muitos dias não ria, desde que tivera a questão com o Coronel Desidério que acabara mandando embora ele e mais dois colonos. Riu muito, mostrando os dentes pretos de fumo: 

— Eh, mulher, então “vâmo” botar o nome de Jesus Cristo!

A mulher não achou graça. Fez uma careta e penosamente voltou a cabeça para um lado, cerrando os olhos. O menino de seis anos tentava comer a broa dura e estava mexendo no embrulho de trapos:

— Eh, pai, vem vê...

— Uai! Péra aí...

O menino Jesus Cristo estava morto.


Rubem Braga


Retirado de Releituras

publicado às 21:09

Está preparado para o fim do mundo?

por Jorge Soares, em 07.12.12

O fim do mundo

 

Imagem do Pontos de Vista

 

 

O texto seguinte foi escrito em Abril do ano passado e já por ca´passou... mas dada a proximidade com o suposto dia do fim do mundo.. acho que se justifica o refrito... enjoy.

 

Um destes dias li algures uma noticia onde se explicava como acertar com o dia certo para se fazer um filho que nascesse no dia 11.11.11.. já vão tarde, escusam de começar a treinar. Isso fez-me lembrar a paranóia que foi com as crianças do ano 2000 ... e a quantidade de pessoas que tentou acertar com o 31.12 1999.. ou seria com o 1.1.2000?. Na altura eu andava à uns dois ou três anos a tentar ter um filho e não conseguia, não imaginam a raiva que me davam estas conversas parvas...

 

Entretanto, este post da Sentaqui chamou-me a atenção para a próxima data fetiche, 12.12.2012, dizem os entendidos que estará escrito algures na pedra de um  calendário Maya, que esse é o dia do fim do mundo.

 

Os Mayas eram uma civilização muitíssimo avançada que habitou os territórios da América central mais ou menos entre 3000 antes de Cristo e 1200 depois de Cristo, custa a crer que uma civilização que era capaz de prever o fim do mundo, não foi capaz de prever o seu próprio desaparecimento que ocorreu mais ou menos mil anos antes... mas pronto.

 

Estive a tentar investigar de onde saiu tudo isto e como foram feitos os cálculos que levaram a esta data, não é fácil, a maioria das coisas baseia-se em palavras e datas pouco precisas, não consigo perceber como pode alguém chegar a uma data especifica..se calhar era porque dava jeito.

 

Mas tudo isto tem logo um enorme problema à partida, o calendário gregoriano em que nos baseamos foi criado por Gregório XIII no Século XIV, tem por base uma serie de cálculos que colocam o ano 0 algures há 2000 anos atrás quando supostamente nasceu Cristo. Ora, logo aqui temos um pequeno problema, o nascimento de Cristo foi há 2000 anos mais coisa menos coisa,  ninguém sabe realmente quando foi, há quem diga que foi 5 ou 6 anos depois, há quem diga que foi uns anos antes... e depois há os que dizemos que não foi.. mas esses não contam.

 

Além disso, há muita gente que diz que para além deste problema do ano 0, há inúmeros erros nos cálculos, o que nos leva ao pequeno detalhe de que 2012 tanto pode já ter sido há uns anos atrás, como pode ser daqui a uns anos.. quase certo é que não é este ano.

 

12.12.2012, é só mais um dia, no calendário que utilizamos é em Dezembro do ano que vem, mas não passa disso, de um dia num calendário que até podia ter outro nome qualquer, a probabilidade de bater certo com o que quer que seja que os Mayas previram..estará muito próximo de zero. Mais ,convém recordar que o nosso é só um dos calendários válidos.. e se pensarmos que por exemplo os chineses utilizam outro, nem será o mais utilizado, para além destes existe o judaico, o árabe e alguns mais.. todos com dias e anos diferentes. 

 

De qualquer modo, o mundo começa e acaba todos os dias, começa no preciso momento em que alguém nasce e termina no exacto momento em que alguém morre... muitos mundos, muitas vidas,  muitas coisas para ver e viver.. para que estarmo-nos a preocupar com um simples número?

 

O que tem de especial o dia 12.12.2012? absolutamente nada.... i Hope!!!!!

 

Jorge Soares

publicado às 21:01

 

 

«Dinheiros públicos, vícios privados» é uma grande reportagem de Ana Leal, com imagem de Gonçalo Prego e edição de Miguel Freitas.

 

Podia dizer muitas coisas, mas há quem o consiga fazer muito melhor que eu... vejam a reportagem e leiam a opinião do Daniel Oliveira que retirei do Arrastão:

 

A história que aqui vos conto, e que muitos dos leitores terão tido a oportunidade de ver na TVI (http://www.tvi.iol.pt/videos/13754874), é a de um grupo privado que nasceu à sombra da influência do poder político. E que, na área da educação, cresceu à custa de contratos de associação que desviam alunos das escolas públicas para colégios privados. Sem que tal seja necessário ou corresponda a qualquer benefício para os cidadãos.

 

Nas escolas públicas Raul Proença e Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, há lugares vagos. Mas construíram-se dois colégios privados, do influente grupo GPS: Frei Cristóvão e Rainha Dona Leonor. Concorrência? Nem por isso. Os colégios recebem alunos que são integralmente pagos pelo Estado. Porque as escolas públicas do concelho estão sobrelotadas? Não. Porque não têm condições? Pelo contrário. As públicas pedem mais turmas e isso é-lhes recusado. As privadas crescem e recebem, por decisão da DREL, muito mais turmas do que as escolas do Estado. Os alunos são desviados do público para o privado. E o Estado paga.

 

No últimos cinco anos a escola pública, nas Caldas da Rainha, perdeu 519 alunos. Os colégios com contratos de associação (financiados pelos dinheiros públicos) ganharam 514. Não por escolha dos pais, mas por escolha do Ministério da Educação. A Bordalo Pinheiro, que tem condições invejáveis, resultado de um investimento de 10 milhões de euros, poderia ter 45 turmas. Tem 39. Os alunos em falta vão para escolas privadas, pagos por nós, com piores condições.

 

Enquanto nas escolas públicas vizinhas há professores com horário zero, os professores dos colégios do grupo GPS são intimidados para assinar declarações que os obrigam a cargas horárias ilegais. Dão aulas a 300 ou 400 alunos. Há professores com todos os alunos do segundo ciclo na sua disciplina. Tudo com o devido conhecimento da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (AEEP).

 

Para além das aulas, há, casos de professores a servirem almoços e cafés, a pintarem as instalações, a fazerem limpezas, arrumações e trabalho de secretaria e contabilidade. Isto nas várias escolas do grupo GPS, espalhadas pelo País. As inspeções do ministério a estas escolas, testemunha um professor, têm aviso prévio. Isto, enquanto, só no concelho das Caldas da Rainha, 140 professores das escolas do Estado chegaram a estar sem horário por falta de alunos.

 

As condições das escolas do grupo privado pago quase integralmente com dinheiros do Estado deixam muito a desejar. Portas de emergência fechadas a cadeado, falta permanente de material indispensável, cursos financiadas PRODEP sem as instalações para o efeito e aulas a temperaturas negativas.

 

Falta de dinheiro? Não parece. Manuel António Madama, diretor da Escola de São Mamede, também do grupo, é proprietário de uma invejável frota de 80 carros. Só este ano, o grupo GPS recebeu do Estado 25 milhões de euros. Cada turma das várias escolas do grupo recebe do Estado 85 mil euros. Dos 3 milhões de euros vindos dos cofres públicos para, por exemplo, a escola de Santo André, só 1,3 milhão é que foram para pagar professores. A quando das manifestações contra a redução dos contratos de associação, decidida por José Sócrates e que Nuno Crato anulou (enquanto fazia cortes brutais na escola pública), a presidente da Associação de Pais quis saber para onde ia o dinheiro que sobrava. Ficou na ignorância.

 

A pressão para dar negativa a alunos que poderiam ter positiva mas, não sendo excelentes, poderiam baixar a média nos exames que contam para o ranking, são enormes. Até ao despedimento de professores e à alteração administrativa das notas. Os maus alunos, mesmo em escolas privadas pagas com dinheiros públicos, são para ir para as escolas do Estado. No agrupamento de Escolas Raul Proença há cem alunos com necessidades educativas especiais. No colégio vizinho da GPS, o Dona Leonor, com contrato de associação, quantos alunos destes, pagos pelo Estado, existem? Nenhum. Dão demasiado trabalho, exigem investimento e baixam a escola no ranking.

 

Como se explica o absurdo duplicar custos quando as escolas do Estado chegam e sobram para os alunos disponíveis? De ter escolas do Estado em excelentes condições, onde foi feito um enorme investimento, semivazias e com professores com horário zero, enquanto nestas escolas privadas se amontoam alunos pagos pelos contribuintes, sem condições e com os professores a serem explorados? A TVI contou, numa inatacável reportagem de Ana Leal, documentada até ao último pormenor e com inúmeros testemunhos, a razão deste mistério.

 

A GPS é um poderoso grupo. 26 escolas de norte a sul do País, invariavelmente ao lado de escolas públicas e com contratos de associação com o Estado. Em 10 anos criou mais de 50 empresas em várias áreas, do turismo às telecomunicações, do ensino ao imobiliário. António Calvete, presidente do grupo GPS, foi deputado do PS no tempo de Guterres e membro da Comissão parlamentar de Educação. Para o acompanhar nesta aventura empresarial chamou antigos ministros, deputados, diretores regionais de educação. Do PS e do PSD: Domingos Fernandes, secretário de Estado da Administração Educativa de António Guterres, Paulo Pereira Coelho, secretário de Estado da Administração Interna de Santana Lopes e secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, José Junqueiro, deputado do PS. Todos foram consultores do grupo GPS.

 

Mas entre os políticos recrutados pela GPS estão as duas principais figuras desta história: José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa de Santana Lopes, e José Almeida, diretor Regional de Educação de Lisboa do mesmo governo. Foram eles que, em 2005, assinaram o despacho que licenciava a construção de quatro escolas do grupo GPS com contratos de associação para receberem alunos do Estado com financiamento público. Ainda não tinham instalações e já tinham garantido o financiamento público dos contratos de associação. Ou seja, havia contratos de associação com escolas que ainda não tinham existência legal. Um despacho assinado por um governo de gestão, a cinco dias das eleições que ditariam o fim político de Santana Lopes. Depois de saírem dos cargos públicos foram trabalhar, como consultores, para a GPS. E nem um despacho do novo secretário de Estado, Waler Lemos, a propor a não celebração de contratos de associação com aquelas escolas conseguiu travar o processo.

 

Alguns estudos recentes falam dos custos por aluno para o Estado das escolas públicas e privadas. Esta reportagem explica muitas coisas que os números escondem. Como se subaproveita as capacidades da rede escolar do Estado e se selecionam estudantes, aumentando assim os custos por aluno, para desviar dinheiro do Estado para negócios privados. E como esses negócios se fazem. Quem ganha com eles e quem os ajuda a fazer. Como se desperdiça dinheiro público e se mexem influências.

 

A reportagem da TVI não poderia ter sido mais oportuna. Quando vier de novo a lenga-lenga da "liberdade de escolha", das vantagens das parcerias com os privados, dos co-pagamentos, da insustentabilidade de continuar a garantir a Escola Pública, do parque escolar público ser de luxo... vale a pena rever este trabalho jornalístico. Está lá tudo. O resumo de um poder político que serve os interesses privados e depois nos vende a indispensável "refundação do Estado".

 

Daniel Oliveira

publicado às 22:02

Homem morre atropelado pelo metro enquanto as pessoas veem

 

Encontrei a noticia no El País, numa estação de metro de Nova Iorque após uma discussão com outra pessoa, Ki Suk Han um homem de 58 anos, foi empurrado para as vias do metro. levantou-se e tentou voltar a subir para a plataforma mas não o conseguiu fazer antes que o comboio chegasse e foi esmagado, vindo a morrer pouco tempo depois num hospital ali perto.


Tudo isto aconteceu na presença de um fotógrafo profissional que tirou várias fotografias e de várias outras pessoas. Houve inclusivamente quem tenha gravado a discussão com quem o empurrou, mas nas várias imagens publicadas no New York Times apesar de que se podem observar várias pessoas na plataforma, ninguém se acercou para tentar ajudar o homem a subir.


O fotógrafo Umar Abassi, que teve tempo para apontar a máquina e tirar várias fotografias, alega que tentou utilizar o flash para chamar a atenção do maquinista.

 

Há quem questione o Jornal por publicar as imagens, mas para mim a maior questão é, como é que chegamos a uma situação em que várias pessoas foram testemunhas da discussão, do empurrão para a linha e da tentativa do homem para salvar a sua vida e ninguém se acerca a ajudar?

 

Que tipo de sociedade é esta em que as pessoas se dão ao trabalho de gravar uma discussão entre dois adultos mas não são capazes de se mexerem para tentar salvar uma vida humana?

 

Como é que chegamos a um ponto em que a prioridade é tirar fotografias e não correr para salvar quem sabemos que vai morrer?

 

Que futuro existe para uma sociedade e uma raça humana que não está para se chatear ou simplesmente nãos abe definir prioridades?

 

Jorge Soares

publicado às 21:08

 
Video de Ain't no Sunshine - Elisa Rodrigues com Julio Resende

Podem ouvir mais músicas dela no A música Portuguesa
Elisa Rodrigues começou os seus estudos musicais em 1994, na Escola de Música da Costa do Sol, como membro do coro Pequenos Cantores do Estoril. Paralelamente aos Pequenos Cantores integra também o Coro dos Salesianos de Manique a partir de 1996 e começa aulas de guitarra.

Com apenas 15 anos, e algum contacto com repertórios clássicos, começa a interessar-se pela linguagem jazzística, depois de frequentar pela primeira vez o Workshop de Música de Cascais, leccionado por professores da JB Jazz.

Em 2003 entra para a escola de música Michel Giacometti, onde frequenta aulas de guitarra e Combo sob a direcção de João Rato. Dois anos depois inicia aulas de técnica vocal, com o professor Tiago Pereira Bastos.

Em 2007 participa como vocalista num projecto de nouvelle jazz, ELLE, em conjunto com José Dias (guitarra), Alcides Miranda (guitarra), Nuno Oliveira (baixo) e Alexandre Alves (bateria). É também nessa altura que conhece o pianista Júlio Resende com o qual tem vindo a trabalhar regularmente, em concertos um pouco por todo o país e no estrangeiro.

Em 2011 lança o seu primeiro disco, "Heart Mouth Dialogues", com Júlio Resende ao piano, Cícero Lee no contrabaixo e Joel Silva e Bruno Pedroso na bateria. 

Prepara actualmente um disco em parceria com o escritor Gonçalo M.Tavares e Júlio Resende, à volta da epopeia contemporânea "Uma Viagem à India".

Fonte Smooth Fm

publicado às 20:52



Ó pra mim!

foto do autor


Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D