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Greve aos exames

 

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DECLARO:

QUE estou absolutamente contra qualquer coação que limite a minha liberdade de trabalhar.


QUE, por isso, estou contra as greves, piquetes sindicais e qualquer tipo de violência que me impeçam a livre deslocação e acesso ao meu posto de trabalho.

QUE por um exercício de coerência com esta postura, e como mostra da minha total rejeição às violações dessas liberdades,
EXIJO:

1 º. QUE me seja retirado o benefício das 8 horas de trabalho diário, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a jornada de 15 horas diárias em vigor antes da injusta obtenção deste benefício.

2 º. QUE me seja retirado o benefício dos dias de descanso semanal, dado que este beneficio foi obtido, por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso de domingo a domingo.

3 º. QUE me seja retirado o benefício das férias, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso os 365 dias do ano.

4 º. QUE me seja retirado o benefício dos Subsídios de Férias e de Natal, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de receber apenas 12 salários por ano.

5 º. QUE me sejam retirados os benefícios de Licença de Maternidade, Subsídio de Casamento, Subsídio de Funeral dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência, e me seja a plicada a obrigação de trabalhar sem usufruir destes direitos.

6 º. QUE me seja retirado o benefício de Baixa Médica por doença, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar mesmo que esteja gravemente doente.

7 º. QUE me seja retirado o direito ao Subsídio de Baixa Médica e de Desemprego, dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência. Eu pagarei por qualquer assistência médica e pouparei para quando estiver desempregado/a.

8 º. E, em geral, me sejam retirados todos os benefícios obtidos por meio de greves, piquetes e violência que não estejam contemplados por escrito.

9 º. DECLARO, também, que renuncio de maneira expressa, completa e permanente a qualquer benefício actual ou futuro que se consiga por meio da greve do dia 17 de Junho de 2013.

Alice Vieira

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publicado às 22:26

Brasil  
 Brasil  
   Brasil

 

Mundial de Futebol 33 mil milhões

Jogos Olimpicos 26 mil milhões

Corrupção 50 mil Milhões

Salário mínimo 678 Reais

E ainda acham que é por 20 centavos?

 

Imagens das manifestações que desde 6 de Junho tem estado a acontecer no Brasil, uma economia em crescimento mas onde o crescimento económico não chega aos pobres.

 

Jorge Soares

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publicado às 16:28

 

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Alguém me deixou o seguinte comentário no Post "Quem se importa com os professores?":

 

"... a verdade, é que somos nós, os alunos de 12º ano, que vamos ficar extremamente prejudicados, porque uma greve a um exame de Português significa que todos os prazos vão ter que ser adiados, inclusive as datas de colocações na universidade e o início do ano lectivo para os alunos do primeiro ano de faculdade. Para não falar de que as próprias greves às avaliações já vão ser um enorme problema, porque os alunos devem ir todos a exame sem ter a nota, e depois? E aqueles que depois do exame feito descobrem que afinal não tinham nota e o exame é anulado? Esteve o aluno a perder tempo a estudar para um exame que não lhe vai contar para nada quando podia ter estado a estudar para outros?
Estas greves vão ser portanto, brincar com o nosso futuro, o futuro daqueles que são o próprio futuro da país."


Eu cheguei a Portugal em 89, vinha para entrar na faculdade, já ninguém se lembra mas o ano lectivo de 89-90 começou em Janeiro de 1990, foi sair do ano novo para as inscrições na faculdade, se não me engano quem corrigia as provas de acesso estava em greve e portanto não havia notas para ninguém .. nem entrada na faculdade... como era muito tempo sem fazer nada, arranjei emprego...  

 

Reparem, não estamos a falar de duas semanas de atraso num exame, estamos a falar de quase seis meses de atraso... se isso teve influência no meu futuro?, teve, é claro que teve, aqueles meses a trabalhar foram muito importantes para decidir o que queria fazer na vida.. e ainda hoje é isso que faço.... e sim, de Janeiro a Julho deram-se dois semestres nas faculdades, e não me lembro de ouvir queixas por isso.

 

Hoje ao ouvir os comentários de pais e alunos, quase todos contra a greve e contra os professores, dei por mim a pensar em como é estranha a vida.. as pessoas acham que adiar duas semanas um exame porque os professores decidiram lutar pelos seus direitos é um atentado ao seu futuro.. as pobres criancinhas ficam com os planos de estudo estragados... estiveram a estudar para nada....

 

Então mas espera aí, eles estão à semanas a estudar e só porque adiam o exame duas semanas ficam com a vida estragada... então mas o que estudaram nos últimos dias esvazia-se se o exame não for hoje?.. fantástico.

 

É incrível como neste país as pessoas olham para o lado e esquecem tudo quando se sentem prejudicadas, de repente parece que todo o mundo menos  os professores esqueceu o estado lastimável em que está a nossa educação. Falta de segurança nas escolas, excesso de alunos nas turmas, falta de materiais, falta de dinheiro para aquecimento, salas em que chove lá dentro por falta de manutenção, escolas com cartões nas janelas porque não há dinheiro para vidros, etc, etc, etc... Tudo isso passa para segundo plano quando as criancinhas do 12º ano não podem fazer o exame no dia que estava marcado... fantástico.

 

E hoje pelos vistos valeu tudo, como li algures professores a  vigiarem exames para os quais não estavam preparados ; colaborarem em ilegalidades sem fim..trancarem as portas das salas para os alunos não saírem..e outros não entrarem...começaram os exames com 15 minutos de atraso...houve tolerância de 40 minutos..foram para refeitórios onde estavam 70 alunos...alguns vigilantes eram formadores dos Cursos Cef, de culinária...coadjuvante não existia..falavam com os alunos para os incentivar a continuarem...não se lembraram que estavam a ignorar um principio básico...a equidade.


Pelos vistos basta as pessoas se sentirem atingidas para esquecerem que os problemas que existem na educação nos afectam a todos de uma forma ou outra, não, não são os professores os únicos a serem afectados, porque todos temos filhos, irmãos, sobrinhos, amigos, conhecidos... que ou são alunos ou professores e é o futuro de todos eles que está em risco e é por esse futuro que se fazem greves... onde anda a consciência cívica deste povo?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:42

Bacalhau fresco

Imagem do Público 

 

Um dos pratos que costuma haver no refeitório onde almoço é peixe à Braz, um prato com o aspecto exacto do bacalhau à Braz mas que é confeccionado com outro peixe qualquer. Por vezes também há cogumelos à Braz, ou vegetais à Braz... é uma maneira diferente de comer batata palha... ideal para que não gosta de bacalhau... 

 

Parece que alguém copiou a ideia, em vez de à Braz fez com natas, colocou numa embalagem, congelou e pôs à venda no Jumbo... só que na embalagem estava escrito Bacalhau com natas, não peixe com natas.

 

Hoje era noticia no DN, o bacalhau com natas com marca branca do Jumbo era afinal, peixe Caracol com natas... não percebo como é que não se tinham lembrado de analisar os preparados congelados de bacalhau, se há quem venda cavalo ou porco por vaca, era mais que evidente que haveria quem vendesse peixe com sal por bacalhau...

 

Na mesma reportagem do DN dizia também que temos um dos melhores sistemas de fiscalização do mundo... pois, deve ser por isso que quem encontrou o peixe caracol foi o DN e não a fiscalização.

 

Já agora, alguém sabe quais foram as  multas aplicadas a quem vendia carne de Cavalo em vez de vaca? Ou porque é que continuamos a ver carne picada aos montes nas montras dos talhos das grandes superfícies mesmo depois daquela história dos nitrofuranos e contaminações fecais na carne picada dos talhos? Ou porque que é que talhos e grandes superfícies não são obrigadas a ter a máquina de picar a carne à vista dos clientes?

 

Há uns tempos compramos carne numa grande superficie e mandamos picar, a funcionaria pesou a carne,  pegou nela e foi para dentro das instalações, demorou imenso tempo... no dia a seguir uma parte da carne estava com a cor e o aspecto do fiambre... porquê?

 

Não era interessante que as autoridades publicassem as coimas que são aplicadas a quem comete estas fraudes contra a economia e a saúde pública?.. O que será que vai acontecer ao Jumbo depois desta historia do peixe caracol em lugar do bacalhau? Eu não consigo deixar de pensar que a ideia de impunidade em que fica tudo isto é um incentivo para quem quer fazer dinheiro à custa do bolso e mesmo da saúde dos portugueses.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:20

Um senhor muito velho com umas asas muito grandes



Um senhor muito velho com umas asas muito grandes


No terceiro dia de chuva tinham matado tantos caranguejos dentro de casa que Pelayo teve de atravessar o seu pátio inundado para atirá‑los ao mar, pois o bebé recém‑nascido tinha passado a noite com febre e pensava‑se que era por causa da pestilência. O mundo estava triste desde terça‑feira. O céu e o mar eram uma única e mesma coisa de cinza e as areias da praia, que em Março resplandeciam como poeira de luz, tinham‑se transformado numa papa de lodo e mariscos podres. A luz era tão fraca ao meio‑dia que, quando Pelayo regressava a casa depois de ter deitado fora os caranguejos, teve dificuldade em ver o que era que se movia e gemia no fundo do pátio. Teve de aproximar‑se muito, para descobrir que era um homem velho, que estava caído de borco no lodaçal e que, apesar dos seus grandes esforços, não podia levantar‑se, porque lho impediam as suas enormes asas.

 

Assustado por aquela visão aflitiva, Pelayo correu em busca de Elisenda, sua mulher, que estava a pôr compressas ao bebé doente, e levou‑a até ao fundo do pátio. Ambos observaram o corpo caído com um silencioso pasmo. Estava vestido como um trapeiro. Não lhe restavam mais do que uns fiapos descoloridos no crânio pelado e pouquíssimos dentes na boca, e essa lastimosa condição de bisavô ensopado tinha‑o desprovido de qualquer grandeza. As suas asas de abutre velho, sujas e meio depenadas, estavam encalhadas para sempre no lodaçal. Tanto o observaram, e com tanta atenção, que Pelayo e Elisenda muito rapidamente se recompuseram do assombro e acabaram por achá‑lo familiar. Então atreveram‑se a falar‑lhe, e ele respondeu‑lhes num dialecto incompreensível, mas com uma boa voz de navegante. Foi por isso que deixaram de preocupar‑se com o inconveniente das asas e chegaram à sensata conclusão de que era um náufrago solitário de algum navio estrangeiro, desfeito pelo temporal. Contudo, chamaram, para que o visse, uma vizinha que sabia todas as coisas da vida e da morte, e a ela chegou‑lhe um olhar para tirá‑los do engano.

 

‑ É um anjo ‑ disse‑lhes. ‑ Com certeza vinha por causa da criança, mas o desgraçado está tão velho que a chuva o fez cair.

 

No dia seguinte toda a gente sabia que em casa de Pelayo tinham cativo um anjo de carne e osso. Contra o critério da vizinha sábia, para quem os anjos destes tempos eram sobreviventes fugitivos de uma conspiração celestial, não tinham tido coragem para matá‑lo à paulada. Pelayo esteve toda a tarde a vigiá‑lo, da cozinha, armado com o seu garrote de aguazil, e, antes de deitar‑se, tirou‑o de rastros do lodaçal e fechou‑o com as galinhas no galinheiro alambrado. À meia‑noite, quando terminou a chuva, Pelayo e Elisenda continuavam a matar caranguejos. Pouco depois o menino acordou, sem febre e com desejos de comer. Então sentiram‑se magnânimos e decidiram pôr o anjo numa balsa com água doce e provisões para três dias e abandoná‑lo à sua sorte no mar alto. Mas, quando foram ao pátio com as primeiras claridades, encontraram toda a vizinhança em frente do galinheiro, divertindo‑se com o anjo, sem a menor devoção e a atirar‑lhe coisas para comer pelos buracos dos alambres, como se não se tratasse de uma criatura sobrenatural, mas sim de um animal de circo.

 

 

 

 

Gabriel Garcia Marquez

 

Retirado de Conta América

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publicado às 21:17

 

Abidal

 

Imagem de aqui 

 

Quando as coisas correm mal dentro do campo é comum ouvir-se dos adeptos as criticas de que os jogadores são uns mercenários, que não sentem nas camisolas, que só correm atrás do dinheiro, que os treinadores só colocam a jogar quem entendem e não os melhores, de tudo um pouco.

 

Há muita gente que ainda tem do futebol uma imagem de outros tempos, tempos em que se jogava com amor à camisola e em que quem jogava dava tudo pelo seu clube sem olhar a retribuições... Hoje, feliz ou infelizmente, os tempos são outros, os clubes são empresas, na maior parte dos casos são empresas falidas e inviáveis, mas são empresas e os futebolistas são atletas profissionais, que andam com as malas às costas e sempre prontos a partir para onde lhes paguem mais... ainda que muitas vezes tudo não passe de ilusões e na realidade não lhes pagam.. mas essa é outra história.

 

Abidal é um jogador Francês, deu nas vistas no Lyon onde foi campeão 3 anos seguidos. Em 2007 é contratado pelo poderoso e milionário Barcelona que paga ao Lyon 14 Milhões de Euros pela transferência. 

 

Em 2011 é-lhe diagnosticado um cancro no fígado , foi operado e num tempo recorde voltou a jogar, em 2012 o cancro voltou, teve que ser submetido a várias operações e finalmente a um transplante, esteve um ano sem jogar mas em Março deste ano voltou aos treinos e ao jogo.

 

O seu contrato terminava e o Barcelona decidiu que não o queria mais, Abidal queria continuar mas o clube foi insensível aos desejos e apelos,  com 33 anos e com o seu historial entenderam que o jogador já não estava em condições.

 

O mesmo Barcelona acaba de gastar mais de 55 Milhões de Euros na compra do passe de Neymar, jogador brasileiro do Santos. Não se sabe quanto será o salário do jogador, será de certeza muitas vezes o salário de Abidal, mas sabe-se que no seu contrato há uma clausula que obriga o Barcelona a pagar a cada dois meses uma viagem de ida e volta do Brasil a Barcelona para que os amigos de Neymar possam estar com ele.

 

Esta clausula foi aceite pelo mesmo Barcelona que nega a Abidal o sonho de continuar a jogar com a sua camisola, será que o Neymar não ganha o suficiente para pagar as viagens aos seus amigos se tanto deseja estar com eles?..e será que o que o Barcelona vai gastar com isto não daria para pagar o salário do Abidal por mais um ano ou dois?

 

E os adeptos aceitam estas coisas? e depois ainda chamam mercenários aos jogadores? 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:53

Vamos fazer uma vaquinha para pagar a multa?

por Jorge Soares, em 12.06.13

1300 Palhaços

 

Imagem do Artigo 21 

 

O homem de 25 anos que foi detido no domingo passado em Elvas por difamar o Presidente da República, Cavaco Silva, foi condenado em tribunal a uma multa de 1300 euros.


O homem foi identificado em Elvas nas comemorações do 10 de Junho depois de ter dito: "Vai trabalhar mas é! Sinto-me roubado todos os dias”. Terá sido observado por dois policias à paisana e detido em frente à sua família.


Segundo a PSP, o homem só foi levado a tribunal após contactos com a presidência da república, caso contrário tudo não passaria da identificação.

 

Tal como Carlos Costal, todos nos sentimos roubados todos os dias, ele não fez mais que dar voz a uma grande parte da população portuguesa e haverá quem tenha de certeza palavras mais fortes e mais significativas a dizer... acho que era da mais elementar justiça que se fizesse uma vaquinha para se pagar a multa... que deveria ser entregue em Belém à porta do palácio... em moedas de um cêntimo.

 

Não deixa de ser fantástica a forma como em alguns casos a justiça é célere neste país... dois dias foi o que demorou a julgar este caso... e pensar que outros há que demoram décadas e até prescrevem porque não foram julgados em tempo útil.

 

Update: Os gestores do site artigo 21 do facebook, aqui estão em contcto com a família de Carlos Costal, o NIB para as contribuições ainda não foi disponibilizado, quando o for será divulgado no Facebook e evidentemente aqui.


Update 2: Eis o NIB para apoiar Carlos Costal:
......................................................
Espero com esta atitude não ter mais problemas pois nós apenas temos a intenção de pagar o que nos foi exigido! Com a vossa ajuda será muito mais fácil e tambem serve de contestação sobre a situação que nos atingiu... 
Queremos acima de tudo transparência e por isso agradecia que cada transferência nos seja informada com o devido montante e nome para que haja um maior controle da nossa/vossa parte e para que quando esteja o montante reunido podermos agradecer um a um! Tudo vale a pena! e desde já tambem vos informo que se o valor ultrapassar o pretendido que serão os 1300 euros mais as despesas do processo (ainda não confirmadas) todo o excedente será doado a uma instituição de caridade da nossa Vila! Agradeço muito muito esta ajuda preciosa da vossa parte e volto a referir que será uma transferência!

NIB: 0035 0198 0001 1772 6617 4
Ximena Costal


Retirado de Artigo 21 


Jorge Soares

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publicado às 19:47

Mira Técnica

Imagem de Aqui 

 

O último acordo do governo Grego com com a Troika previa uma redução de mais de 15000 funcionários públicos até 2015, até hoje não se tinha visto por onde ia a coisa, hoje começou a retirar-se a ponta do véu, a partir da meia noite são encerrados os serviços públicos de rádio e televisão.

 

A ERT, uma empresa pública com mais de 70 anos e com mais de 2700 funcionários deixa de existir a partir da meia noite e a Grécia torna-se no único país da Europa sem um serviço público de televisão. Tudo em nome dos cortes das gorduras do estado.

 

Segundo Simos Kedikoglu, porta vós do governo, a empresa era um caso estremo de opulência e desperdício de dinheiro e por isso será encerrada por tempo indeterminado. Tal como em Portugal, uma parte dos custos da empresa estatal era suportada pela população que paga uma taxa de 4,3 Euros junto com a factura da electricidade.

 

A Grécia conta com uma taxa de desemprego de mais de 28% que será agora aumentada com os jornalistas e funcionários da ERT, empresa de radio e televisão.

 

Mas o pior é que a coisa não deverá ficar por aqui, o presidente da República aprovou por estes dias um decreto do governo que permite aos titulares de cargos públicos o encerramento de organismos públicos sem qualquer tipo de explicação ou pedido de autorização ao parlamento... veremos quais as gorduras que se seguem no guião.

 

Até agora a Grécia tem sido como que o balão de ensaio para as medidas que se aplicarão depois no resto da Europa, estará a nossa RTP segura?

 

É verdade que se não há dinheiro não deveria haver palhaços, mas será que um estado pode abdicar assim tão facilmente dos meios de comunicação que deveriam ser o garante da imparcialidade na informação e da defesa da sua cultura? É verdade que num mercado aberto e competitivo já pouco diferencia as televisões publicas das privadas, mas não deixa de ser irónico que os estados em lugar de optarem por colocarem regras que diferenciem o serviço público do comercial, optem por simplesmente abdicar dos meios de comunicação e da defesa da sua integridade.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:08

condutores com saia

 

Imagem de aqui 

 

O senhor da fotografia chama-se Martin, é Sueco e maquinista de metro em Estocolmo. A empresa Arriva Sverige , que gere o sistema de metro de Estocolmo, proibiu os seus maquinistas de utilizarem calções no trabalho mesmo nos dias mais quentes do ano em que se chegam a atingir os 35 graus dentro das cabinas de condução dos comboios. Vai de aí alguns dos maquinistas resolveram que se não os deixavam utilizar calções, eles passariam a utilizar saias.

 

Noutro país qualquer as saias seriam proibidas aos homens, mas a Suécia é um país muito à frente e proibir a utilização de saias aos homens seria considerado descriminação em relação às suas colegas mulheres, já que a saia faz parte do uniforme delas.

 

Até agora, para além do Martin mais  11  maquinistas aderiram ao protesto, utilizam saias nos dias de calor e dizem que estas são muito mais cómodas e práticas que as calças.

 

Não há nota de protestos ou comentários mais atrevidos por partes dos passageiros... 

 

Uma maneira diferente, divertida e imaginativa de protestar e contrariar as normas e louve-se o valor dos Suecos para levarem um protesto deste tipo em frente, se fosse por cá duvido muito que existissem candidatos... a menos que fosse dia de carnaval.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:11

Conto, A história de Laura

por Jorge Soares, em 08.06.13

Menina com gato e piano - Di Cavalcanti

A história de Laura

 

                É uma expectativa comum, algo quase simbólico. Quando uma mulher entra na sala de parto, estando ela na atividade que nomeia a sala, a próxima coisa que se espera ouvir após os gritos e gemidos é o primeiro choro do pequeno ser que está por vir. Alguns dizem que a criança chora por desgosto, sabendo previamente as enormes dificuldades que qualquer um que nasce em nosso mundo enfrenta. Outros dizem que há uma prática um tanto sádica por parte dos médicos de, assim que a criança vem ao mundo, suja de sangue e de sabem eles quais outros viscos, meterem a mão no seu bumbum até que a criança comece a chorar.  Não importando a causa, é consenso que esse primeiro flagelo, que tanto se repetirá na vida do pobre serzinho, traz um imenso benefício, abre vias pulmonárias fazendo com que haja aquilo que, comumente, caracteriza a vida animal: a respiração.  No entanto quando Clara entrou na sala de parto, mesmo após três sofridas horas de gritos e choros, esses da voz já cansada e acostumada tanto com a respiração quanto com as adversidades da vida, mesmo após aquele pequeno parasita que habitava seu corpo havia nove meses sair, não houve choro. Não que a criança tivesse nascido morta, longe disso, Laura, como haveria de ser batizada, olhava curiosa pra tudo e pra todos, como se quisesse guardar pra sempre aquela sua primeira visão de mundo, entretanto, aproximando notava-se logo: Laura não respirava. Os médicos ficaram espantados com tamanha disparidade. A menina estava bem viva, disso tinham certeza, entretanto colando-se a orelha nas costas ou no peitinho, nada se ouvia. Coração e pulmões como os de um morto.  Vieram médicos e estudiosos de todos os cantos do mundo, todos impressionados e querendo estudar aquele caso tão inquietante, misterioso, miraculoso. Mas mesmo após meses e meses de estudo nada se concluía, e Laura, simplesmente, vivia.

 

A mãe Clara, já fatigada de ver a filha em camas de hospitais e mesas de raio-x, aos 8 meses de idade da filha levou-a pra casa definitivamente, recusando qualquer ajuda ou proposta das centenas de médicos. Afinal, com exceção de uma leve palidez, Laura era uma criança perfeitamente normal. De vez em quando, após algum tempo, ainda aparecia um estudante de doutorado da Universidade de Istambul querendo desesperadamente estudar o caso. Mas Clara, polidamente, dava-lhe com a porta na cara. A menina, como se descobriu, era bonita e esperta, assim como todos os filhos na visão de seus pais, e nada deixava atrás em relação às outras crianças apesar do seu conhecido infortúnio. Aprendera a andar, falar e a ir ao banheiro na idade comum que essas atividades acontecem, fora pra escola e lá fizera amigos. Sua mãe lhe ensinara a esconder o segredo das outras crianças, para evitar curiosidades e a não trapacear nas aulas de natação. Laura cresceu e assim as coisas foram correndo bem. Menos o sangue em suas veias.

 

Uma tarde, porém, no mês de Novembro, em um daqueles dias que o Sol da manhã já anunciou a chuva durante todo o dia, e agora se põe deixando os ventos e as nuvens fazerem sua parte, Laura já com catorze anos saia da aula com suas duas melhores amigas. Estas sabiam de seu segredo assim como de quase todo detalhe de sua breve vida. Comentavam as futilidades típicas da idade enquanto riam de praticamente qualquer frase. De repente algo aconteceu. Laura lentamente parou, com os olhos fixos em direção ao outro lado da rua. Sua mão, que segurava a de uma de suas amigas, suava um suor frio e seus pensamentos sobre a conversa qualquer pareciam ter sido sugados por algo como um buraco negro, de forma que sua mente encontrava-se completamente vazia, aérea… O alto de sua barriga estava frio, assim como quando se engole gelo, a sensação completa era a de estar em queda livre, como se de repente o chão da calçada de sua escola tivesse se aberto e o próximo passo que Laura deu foi em direção a um abismo desconhecido. Seus olhos, no entanto permaneciam fixos, encarando os olhos castanhos do rapaz de tênis vermelhos do outro lado. Então algo retumbou dentro do peito de Laura, algo profundo e interno, que ela sentiu vibrar nas têmporas. Então de novo, após um intervalo de tempo, e mais uma vez, agora mais próximo um do outro, logo em um ritmo. Pelas narinas de Laura começou a entrar algo quente e fluido, com um cheiro de asfalto e chuva que Laura desconhecia até então. Algo que a penetrou e percorreu. Seu peito se encheu dessa tal coisa, e, sem saber se causa ou conseqüência, nele ardia agora uma sensação estranha. Uma sensação boa, mas que chegava a doer. E então, finalmente, lhe saiu pela boca tal desconhecida substância em um suspiro. Suas faces subitamente ganharam a cor que nunca tiveram e ainda mais, ficando de um rosa intenso. E seus olhos ainda fixavam o mesmo ponto do outro lado da rua. A amiga agora reclamava que estava lhe apertando a mão. Laura respirava.

 

Os médicos afirmam categoricamente, Laura apenas confirma. Fora ali que sua vida começara de verdade.

 

André Pereira de Almeida


Retirado de Conta América

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publicado às 21:14



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