Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Eurodisney Paris

 

Imagem minha do Momentos e Olhares 

 

Vou começar por uma informação útil, se por acaso decidir comprar os bilhetes para a Eurodisney via internet, antes de comprar entre no site francês da Disneyland Paris e verifique o preço, não é sempre, mas a maior parte das vezes o preço é mais barato para os franceses.

 

Este ano as nossas férias foram diferentes, houve menos praia, menos montanha, menos natureza, em contrapartida, houve muitos mais horas dentro do carro, ao todo foram mais de 4400 kms, e há quem diga que houve mais diversão.

 

Estivemos a fazer as contas, se quiséssemos ir à Eurodisney de avião, a viagem mais a estadia de 3 ou 4 dias, ficavam bem perto dos 2500 Euros. As crianças acima dos 12 anos pagam tudo como adultos e cá em casa já são duas.

 

Nós fizemos a coisa por menos de metade, levámos uma semana para chegar a Paris, pelo caminho conhecemos sítios fantásticos, fizemos canoagem radical, subimos ao segundo andar da torre Eifel pelas escadas, andámos a passear nos Campos Eliseus e debaixo do arco do triunfo, vimos namorados a colocar cadeados na A Pont des Arts, descobrimos as ruelas do Quartier Latin, subimos ao topo da duna mais alta da Europa e até andamos nos comboios franceses à borla...


Esta vez não fomos ao Louvre, a fila era de centenas de metros e o truque que tínhamos utilizado da outra vez já não funcionou, mas vimos a catedral de Notredame e fizemos um picnic nos jardins das margens do Sena.


Para os miúdos o ponto alto foram os dois dias de visita aos dois parques da Disney.. mas eu acho que todos gostamos muito mais dos sete kms de canoagem "radical", sozinhos no meio da França rural... mas isso será história para outro dia.

 

As coisas podiam ter corrido melhor se tivéssemos feito melhor o trabalho de casa e reservado os parques de campismo de Paris e junto à praia em Arcachon e  se a tenda não nos tivesse pregado uma partida, quase 20 anos a comprar tendas italianas sem um único problema, esta vez compramos uma (caríssima) tenda inglesa que supostamente aguenta climas árcticos e logo no inicio da viagem partem-se duas varetas... 

 

Os parques que tínhamos escolhido estavam cheios, mas parques de campismo é o que não falta.. não são é todos iguais.. mas disso também falarei noutros posts.

 

A ideia inicial era levar uma semana para chegar aos arredores de Paris, passar uma semana por lá e demorar outra a regressar a casa. O problema com a tenda e a  escolha errada do parque que ficava no sopé  do sitio mais alto da Duna, abreviou a viagem de regresso e roubou-nos uns dias de praia, mas em contrapartida permitiu que conhecêssemos Burgos e a sua fantástica catedral...  felizmente por cá também há excelentes praias... e este ano a temperatura da água nem era assim tão diferente.

 

A maior parte das pessoas não consegue entender, mas não troco as minhas férias de campismo, natureza e aventura.... por nada!

 

Jorge Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:02

Conto - Desfaz o Jogo

por Jorge Soares, em 07.09.13
Desfaz o jogo
Fim de tarde na grande metrópole. Um acidente envolvendo um caminhão causava retenção no trânsito, gerando um engarrafamento que parecia dar um nó na cidade. Além do monóxido de carbono, a briga das buzinas tornava tudo ainda mais irritante. E, como diz um velho amigo niilista, filósofo de botequim, tudo sempre pode piorar. E foi aí que o carro morreu.
– #$@%*@!!!!!! O carro morreu. – o sujeito foi mais categórico do que médico desenganando paciente terminal.
– Por quê? Como assim, morreu? – ela, que de carro só conhecia volante e rodas, perguntou, mais assustada pela fatalidade do termo do que propriamente por perceber o transtorno criado.
– Não sei. – a voz dele denotava impaciência, e tinha o tom irascível que ele manifestava em situações de estresse.  – Acho que não pode ser a bateria. Troquei no mês passado. Também não é falta de combustível. Acabei de abastecer. Deve ser o motor de arranque. Bem que o Alemão me avisou. Devia ter trocado. – a cada frase, o tom de voz ia subindo, assim como o carro fizera antes de falecer, digo, morrer.
– #@#%*&##@!!!!!!!!!
– O que é que a gente vai fazer agora? – perguntou ela, arrependendo-se na hora por ter proferido uma questão tão complexa.
– Eu não mereço!#+*$*#@! Não é justo! Que @#$@#!!!!!! – vociferava ele, enquanto batia com as duas mãos no painel. Praticamente um Incrível Hulk em versão motorizada. A cada tentativa de ressuscitar o motor, todas as luzes do painel se acendiam para, imediatamente, se apagarem, frenesi dos estertores de um motor fatigado. Os ruídos emitidos pelo veículo tinham um ritmo de agonia moribunda que chegava a ser engraçado. Um lamento triplo, como uma tosse seca, e um suspiro. Um lamento triplo, e outro suspiro.
– Não é melhor ligar para o reboque? – sugeriu ela, tentando ajudar.
– Liga, #@$%#! – bradou ele, jogando a carteira com os telefones no colo dela, que, nervosa diante do caos que se formava, teve um histérico acesso de riso.
– Para de rir! PARA DE RIR! Qual é a graça?

Ela, tentando inutilmente conter a crise que a acometia nos momentos mais difíceis, emendou com choro, que se tornava grotesco porque se intercalava com as gargalhadas.
Um carro enguiçado na subida de uma ponte, uma mulher em crise nervosa, um homem impaciente aos berros e um trânsito caótico. Isso para não mencionar os comentários dos carros que passavam por eles:
– Brincadeira, hein?!
– Parou mal pra caramba, amigo... – e, em meio ao burburinho, as palavras encorajadoras do marido:
– Para de chorar, que você está me irritando.
Enquanto tentava ligar para o serviço de assistência a fim de solicitar o reboque, ouvia a sinfonia nada harmônica de buzinas, paralela à mensagem-padrão de atendimento.
– E aí, atenderam?
–  vão atender – dizia ela, agora uma Amélia pós-moderna, capaz de concordar com tudo o que ele dissesse, só para acalmá-lo.
– Boa-noite, senhora. Qual o seu nome?
– Olha. O carro morreu aqui na subida da ponte, e eu preciso solicitar um reboque... Estamos no meio do trânsito, e...
– Qual seu nome e CPF, por favor? – a atendente não a deixou terminar a frase.
– Vão mandar a @#$# do reboque ou não vão? – gritava ele, acrescentando um tenor em dó maior às buzinas, que faziam coro aos seus berros e ecoavam lá e cá.
– Fulana de tal, número tal. Olha só: nós estamos em lugar perigoso, e...
– Entendo, senhora, mas eu tenho de preencher o formulário de solicitação.
 E aí? – novo grito.
– Vão mandar, sim – dizia ela ao marido, agora uma espécie de mediadora entre a atendente e ele, irracional pela raiva.
– Senhora, não estou conseguindo ouvi-la. A senhora pode acalmar o cavalheiro, por favor?
Estou tentando, pensava ela. Como estou!...
– Senhora – prosseguiu a atendente – o que a senhora é do titular do seguro?  – Taí! Boa pergunta, pensou ela, ainda mais àquela altura... – Eu sou mulher dele. O carro está no meu nome.
 – Senhora, vou estar transferindo a sua ligação, e...
– Não! Pelo amor de Deus, não sai da linha! – o tom da mulher beirava o desespero.
– Senhora, o procedimento...
– Eu não quero “procedimento”, moça, eu quero ajuda – ela implorava, clamando que aquela tábua-de-salvação-telefônica lhe trouxesse alguma saída.
 – Qual o número do chassi do veículo, senhora? – ela pareceu se comover.
 – Hã? Chassis? – será que as atendentes agora falavam Francês? Não. Se fosse Francês, ela entenderia. Até Grego. Talvez aquilo fosse Aramaico. Ou alguma linguagem de outra dimensão.
Essa não! Enquanto ela se perdia em considerações linguístico-automobilísticas, a ligação havia caído. Talvez a ET-atendente tivesse desistido dela, afinal.
 – Caiu a ligação, – informou ela, com o ar de quem carregará mais uma culpa pela eternidade.
 – Caiu???Como assim, caiu?! – berrava o sujeito.
 – Não sei, dizia ela, examinando o telefone, que estava desligado. – Acho que a bateria acabou, informou, temendo acrescentar mais essa falta grave aos pecados que havia cometido. Algo cármico, de encarnações pregressas, talvez pudesse explicar aquele inferno dantesco em que o seu dia se havia transformado.
  – Liga de novo – o sujeito jogou o celular em seu colo. – Usa o meu.
 – Ahnnn. Moça, eu liguei ainda agora...
...
Ligação feita, reboque agendado. A paz começava a querer retornar. E foi então que ele proferiu a frase lapidar, solene como um oráculo das tragédias gregas:
– Você vai ter que encostar o carro.
– Hã? Eu?! – ela não acreditava no que ouvia. Ela, que precisava de copiloto em pista de parques de diversões; ela, que ficava atolada naqueles carrinhos que batem uns nos outros, e que às vezes tinha pesadelos homéricos em que se via ao volante de um carro, sem saber conduzi-lo. Mas isso era muito pior do que os seus pesadelos mais tenebrosos. – Mas eu não sei nem ligar o carro.
– É isso ou empurrar, aqui na subida. Se você errar, o carro vai descer, e a gente vai bater no carro de trás. Vou contar até três. No “três”,  você solta o freio de mão, e joga o carro pra direita.
– Mas eu...
 1, 2..3!!!! Solta o freio de mão!!!
– Não consigo. – dizia ela, não sabendo se era para cima, para baixo ou para trás que deveria fazer força.
– Você não sabe soltar o freio???@#%&#!!
– Não! Como é? Ah, consegui.
– Vira o volante pra direita ao mesmo tempo.
– Tá... – ela tremia e suava, desesperada.
– Vai! Continua! – gritava ele.
– O volante não vai mais... – não podia chorar, e muito menos rir.
– Tá. Agora desfaz o jogo – gritou ele, enquanto empurrava.
– Ahnn???
 Desfaz o jogo, #@@#%$!
 O que é isso?  – perguntou, desesperada. Ela sabia o que era jogo-duro, jogo sujo, jogo marcado, e até jogo fechado. Mas como desfazer um jogo que ela não sabia ter feito?
– Vira pro outro lado. Você virou pra direita, agora vira pra esquerda! @##@!!!!
– Tá. – obedeceu ela, que nunca pensara que um volante pudesse ser tão pesado.
– Agora bota reto.

Como se bota um volante reto, meu Deus? – mas isso ela não teve coragem de perguntar. Não devia ter matado aula de geometria. Volante reto. Volante reto. Quase um mantra.
– Eu disse RETO!!!
 – Eu não sei como se faz isso!
Os curiosos olhavam e riam, e ele gritava, defendendo-se:
 – Ela não sabe dirigir!

Isso era tudo o que ela precisava: parecia que eles estavam naquela situação por alguma incompetência ou erro dela, o que agora vinha se tornando muito comum. Quando irritado, ele agia de um modo que fazia parecer que a culpa era sempre dela, até em relação a coisas imponderáveis ou aleatórias. Não preciso passar por isso! Não preciso passar por isso!, bradava a voz interior, liberta do caos circundante.
Do meio do apocalipse em que aquele trecho se transformara, surgiu um ambulante-faz-de-tudo cheirando a bebida. Como aqueles maltrapilhos dos contos de fadas, aquele eremita contemporâneo prontificou-se a fazer o carro pegar no trancoOutra expressão para checar no Aurélio, pensou ela, antes de perceber, com os sucessivos trancos, aquilo a que ele se referia. O sujeito trazia mais quinquilharias dependuradas do que militar em festa de gala. Carregadores de celular, guarda-chuvas e biscoitos de polvilho adornavam-no do pescoço à cintura.
 – Fica calma, dona, que eu vou dar um jeito nisso. – o mau-hálito do sujeito deixou-a embriagada. É bom que eu relaxo, pensou ela, enquanto catava o Lexotan no fundo da bolsa.
            – É só mais um pouquinho, dona. Dick, para com isso.
            – SLURP! O vira-lata do Bigode acabara de lamber-lhe a boca.
            – Ele adora fazer isso. Dick, deixa a moça!....
– Não, moço. Tudo bem. – se ele fizesse o carro pegar, ela até beijaria de bom-grado aquele cachorro morrinhento. O pensamento desencadeou nela nova crise de riso. A cada tranco, Dick – que era, na verdade, Richard, numa pronúncia irreconhecível – pulava e continuava no seu colo. Vou evitar contato visual, senão o cachorro me lambe de novo.
  – Pronto. Agora é deixar solto, e descer de ré.
 – Daqui eu levo, obrigado. – o marido era só gentilezas com o homem-bafo. Deu-lhe uns trocados para a cervejinha, como se ele precisasse de mais uma.
 – Valeu, sangue! Até a próxima. – agradeceu o faz-tudo, com Dick pulando ao fundo, saudoso do perfume dela.
 – Próxima?! Como assim, próxima? – por ela, nunca mais passaria por aquele caminho amaldiçoado.  vou de barca. Isso se voltar lá.

 – Que beleza, né? Voltou a funcionar. – o doce de marido agora puxava conversa. Depois que o tsunami urbano estourou, uma calmaria cabralina apossou-se dele. Tentou até desanuviar o clima, ensaiando uma brincadeira, que ficou sem resposta. Para ela, não havia mais brincadeira possível. Agora se tratava de aprender a guiar, fosse um carro, fosse a vida. Mesmo que para isso precisasse desfazer o jogo.
Tatiana

 

Retirado de Samizdat

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:39

Há um dia para o sexo?

por Jorge Soares, em 06.09.13

 dia do sexo

 

Tudo começou com uma campanha de marketing da marca de preservativos brasileira, que sugeria a implementação do Dia Mundial do Sexo a 6 de Setembro  de 2008. O dia, que remete para um trocadilho entre o dia 6 e o mês 9, é agora um sucesso que pelos vistos veio para ficar.

 

Na realidade oficialmente não se comemora nada, mas na internet e especialmente no Facebook, isso não interessa nada, alguém disse que hoje é o dia do sexo?... pois, passa a ser, mesmo que não esteja escrito em lado nenhum.

 

"Dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, dia dos namorados. No meio de tantas datas comemorativas no nosso calendário oficial, por que não criarmos um dia em homenagem àquilo que deu origem a tudo: o Sexo?", lê-se no manifesto que foi lançado pela marca de preservativos.

 

Com tudo isto, no Facebook e no Twitter, o "Dia do Sexo" virou trending tópic, viral mesmo, centenas de comentários e a moda hoje, pelo menos entre os meus contactos femininos no Facebook, foram os locais preferidos... e viva a imaginação... agora é só mandar os maridos lerem os facebooks.

 

Fiquei na dúvida, o dia do sexo não devia ser como o natal, não digo todos os dias, mas pelo menos quando a malta quiser?

 

Jorge Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:31

Bombeiros

Imagem do Público

 

"Não quero que me mandem psicólogos para o quartel, quero que mandem pessoas para limpar as matas, quero que multem quem não limpa as matas, quero que mudem as leis por outras que sirvam para melhorar a floresta."


Luís Brandão Na RTP.

 

Luís Brandão é comandante dos bombeiros voluntários de Valença, corporação a que pertencia Fernando Reis, o bombeiro que morreu hoje em resultado de queimaduras que sofreu no combate a um incêndio no dia 29 de Agosto. É o sétimo bombeiro que morreu este ano em resultado do combate aos incêndios.

 

Vídeo aqui

 

Update: Hoje morreu o oitavo bombeiro, estava internado com queimaduras graves desde 1 de Agosto, era da corporação de Miranda do Douro

Jorge Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:18

Bombeiros

Imagem do Pontos de Vista

 

 

Hoje morreu mais um bombeiro em resultado dos combates ao fogo que tem assolado o nosso país, é o sexto desde o inicio do verão... ainda estamos no inicio de Setembro e o calor continua.

 

Tinha escrito o texto a seguir há quinze dias atrás quando ainda estava na ressaca das férias, infelizmente desde então as coisas só pioraram.

 

E mais um ano, e mais um verão, e há coisas que não mudam, só pioram. Não faço ideia se a área ardida aumentou ou não, mas não restam duvidas que ao nível humano este estará a ser um dos piores anos, se não me engano, é o terceiro bombeiro que morre este ano no combate a incêndios... e o verão e o calor ainda não terminaram.

 

Há pouco ouvia o ministro da administração interna a dizer que todos os meios estão no terreno, que há dezenas de aviões e helicópteros a combater os incêndios... e acredito que seja verdade. Na realidade não passam de palavras que já ouvimos repetir muitas vezes, por ministros deste governo, do anterior e do anterior. São palavras que ouvimos todos os anos quando acordamos um dia e damos com o país uma vez mais a arder.

 

Palavras, só palavras, que servem para mostrar serviço no momento, a realidade é que mal caem as primeiras chuvas do Outono, todos esquecemos essas palavras .. até ao ano a seguir, quando tudo se repete e voltam as palavras.

 

De que vão servir estas palavras à família da bombeira que morreu hoje a lutar contra o fogo?, e aos seus colegas que ficaram feridos, e a todos os restantes que ano trás ano morrem ou ficam com marcas do fogo para sempre?

 

Quando será que haverá um ministro que chegue ao mês de Janeiro e em lugar de assinar contratos de aluguer de helicópteros e aviões, assine decretos que obriguem à prevenção?

 

Quando será que haverá um governo que faça cumprir as leis e obrigar os proprietários a limpar as matas antes do verão?

 

Quando será que haverá um presidente de uma Câmara municipal que em lugar de vir nestas alturas para os meios de comunicação culpar a coordenação e a falta de meios dos bombeiros, virá assumir as suas responsabilidades pela falta de limpeza das matas e dos caminhos do seu concelho?

 

Todo o mundo sabe que o problema dos incêndios em Portugal não está na falta de bombeiros ou de meios, o problema está na falta de prevenção, na falta de limpeza das matas, na falta de acessos às matas, na falta de consciência sobre a importância da sua manutenção. 

 

Todos os anos ouvimos dizer que é impossível combater os fogos porque para além da falta de acessos, a quantidade de combustível acumulada é tal que não há como os apagar, mas a realidade é que a única vez que a grande maioria das matas é limpa é quando há um incêndio.. e ninguém faz nada para mudar esta situação.

 

Update: Não há duvida que muitos destes incêndios, se calhar a  maioria, são provocados para alimentar a industria do fogo e a que s eaproveita dele, mas nada disso contraria o que disse acima, matas limpas não ardem ou se é com fogos fácilmente controláveis, não é por acaso que apesar dos milhares e milhares de incêndios que ocorrem todos os anos, muito raramente estes afectam as matas que são propriedade das celuloses.

 

Quantos bombeiros tem que morrer para que as coisas mudem?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:42

Somos ases do volante.. ou da falta de civismo?

por Jorge Soares, em 02.09.13

Excesso de velocidade

 

Imagem de aqui

 

Há pouco no telejornal da RTP uma reportagem falava dos 21 mortos  e  mais de mil feridos durante o período de regresso das férias, como todos os anos os acidentes contam-se aos milhares, este ano foram mais de 2700. Há quem culpe a qualidade das estradas e dos carros, isso seria no passado, posso garantir que as nossas estradas e autoestradas, tal como a maioria dos carros que nelas circulam, não ficam nada a dever às de Espanha ou da França.

 

Este ano durante as férias fiz 4440 kms na estrada: Setúbal - Bragança, Bragança - Vitória,  no País Vasco, Vitória - Poitiers, na França , Poitiers- Paris. O regresso foi mais ou menos a mesma coisa.

 

Exceptuando uns 70 Kms entre a fronteira de Quintanilha e Zamora, todo este percurso é feito por auto-estradas e é incrível como basta atravessarmos a fronteira para notarmos uma enorme diferença de comportamento na estrada. No lado Português se formos a cumprir o limite de velocidade somos ultrapassados até pelos camiões, em Espanha e na França, já seja nas autovias ou nas auto-estradas, raramente vemos alguém a exceder o limite de velocidade.

 

Em Espanha ainda vemos alguns (poucos) aceleras, em França em todo o trajecto entre Biarritz e Paris, a única vez que vi alguém em grande excesso de velocidade eram dois carros com matricula portuguesa que iam juntos e pelos vistos a picar-se, nas imediações de Bordéus.

 

Mais de metade dos carros que circulavam pelas auto-estradas francesas tinham matricula estrangeira: belgas, holandeses, ingleses, alemães, polacos, mas absolutamente todo o mundo cumpria os limites, já fossem os 130 das auto-estradas pagas ou os 110 das gratuitas. 

 

A maior parte dos estrangeiros quando chega a Portugal diz que por cá se conduz mal e sem respeito pelas leis, eu também achava que era exagero, mas cada vez que vou para fora fico convencido que não senhor, não é exagero nenhum.

 

O mais curioso é que nem em Espanha nem em França vemos mais fiscalização nas estradas que por cá, em toda a travessia de Espanha, quer para um lado quer para o outro não vi uma única brigada de transito, em França vi uma no último dia, estava parada numa entrada para a auto-estrada.

 

Como explicamos esta falta de respeito pelas regras de trânsito e de civismo na estrada que pelos vistos nos torna tão diferentes dos restantes povos europeus?

 

 

Curioso mesmo é que depois de ter feito milhares de kms sem ver um francês em excesso de velocidade, já em Portugal na A25 e depois na A1, era ver os carros com matricula francesa em altíssimas velocidades... os nossos emigrantes que lá fora se comportam direitinho, mal entram no país voltam às origens e esquecem que há leis para cumprir e que deve haver civismo na estrada.

 

Jorge Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:31

Para que serve a constituição?

por Jorge Soares, em 01.09.13

Constituição

Imagem do Público

 

Este post era para ter como titulo, "Pedro e o lobo", na sexta-feira após mais um chumbo do Tribunal constitucional (TC) o primeiro ministro veio a público ameaçar com o fantasma de um novo resgate. Hoje, depois de ter ouvido as declarações do senhor na Universidade de Verão do PSD, fiquei a pensar com os meus botões, afinal, para que serve a constituição?

 

Se temos um primeiro ministro e um governo que acham que as normas constitucionais devem ser interpretadas ao sabor da maré e principalmente da forma em que der mais jeito ao governo de turno, para que se dão os países ao trabalho de elaborar uma constituição?

 

Para que havemos de estar a investir tempo e dinheiro com um tribunal constitucional, se depois queremos fazer e desfazer sem ter que dar cavaco a ninguém?

 

Alguém deveria recordar ao senhor Primeiro Ministro que a constituição é nada mais e nada menos que a lei fundamental que serve para regular os direitos e deveres dos cidadãos e de quem os governa. Ela existe não por capricho de uns poucos, mas sim como garante de uma serie de direitos, liberdades e deveres.

 

Ao contrario do que o governo parece entender ou desejar, não são os juízes que tem que interpretar as leis ao sabor do momento, é o governo que deve elaborar as leis de acordo com o que está escrito na constituição.

 

Está mais que visto que este governo tem uma enorme tendência para esquecer que a constituição existe e insiste em promulgar leis que não estão de acordo com o que lá vem escrito.

 

Se o governo acha que a constituição não serve para os seus propósitos só tem duas possíveis saídas: Ou consegue os votos necessários para a alterar e depois promulgar as leis de acordo com ela, ou  reconhece que é incapaz de governar de acordo com as normas existentes, mete a viola no saco e deixa que outros mais capazes o façam.

 

Não pode é estar constantemente a legislar em contra da lei e depois deitar a culpa aos juízes e muito menos tentar chantagear o país com o lobo do novo resgate... não vá a ser que este Pedro termine como o outro da fábula.

 

Jorge Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:11

Pág. 3/3



Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D