Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Pedro Passos Coelho

Imagem do Público

 

Hoje tivemos um Passos Coelho igual a si próprio... igual, igual não, há uma evidente melhoria da utilização das palavras, imagino que seja das idas ao parlamento e da participação nos debates com os deputados da oposição... o homem já está tão mestre na fuga às questões e no utilizar as palavras para falar muito e dizer pouco, como qualquer outro político e já não mete os pés pelas mãos tantas vezes.

 

Dos comentários que fui lendo no Facebook, parece que há muita gente desiludida com o formato do programa, com as perguntas colocadas pelas pessoas, com a falta de debate, com a forma como se deixa o entrevistado fugir às questões ou dizer o que lhe apetece sem contraditório e sem confrontação.

 

Eu não tinha grandes expectativas sobre o que ia resultar dali, o programa tem tempo limitado, cada pessoa tem os seus problemas e as suas expectativas, cada um de nós teria outras questões para colocar, mas só cabem ali 20 pessoas.

 

Acho que as pessoas foram bem escolhidas e as perguntas foram abrangentes, foram tratados praticamente todos os problemas que fazem a actualidade e até alguns que até fazem sentido mas que andam um pouco esquecidos.. como a acessibilidade ao interior do país, leia-se Túnel do Marão, e a agricultura.

 

Mas este não era um programa de debate, era um programa de perguntas e respostas sem direito a contraditório, e de um programa de este tipo não se pode esperar muito mais que aquilo que saiu.

 

De resto não saiu dali nenhuma novidade, mesmo no caso do ministro Morais Sarmento, ele foi coerente consigo mesmo, minimizando o que de mau se está a passar.

 

Passos Coelho limitou-se a repetir o que vem dizendo desde que formou governo, continua a mostrar uma enorme convicção de que o caminho que está a seguir é o correcto e que não há alternativas.

 

Quanto ao programa, não sei como funciona noutros paises, mas nestes moldes não sei se faz muito sentido ou se pode trazer alguma coisa de novo.

 

Jorge Soares

publicado às 22:48

Isaltino Morais está preso

Imagem de aqui 

 

Tenho uma serie de colegas que vivem em Oeiras, a semana passada a vitória de Isaltino Morais, ou do seu movimento que é a mesma coisa, em Oeiras veio à baila mais que uma vez... e invariavelmente a conversa terminava naquela frase que me irrita solenemente:

 

- A verdade é que ele roubou, mas fez!

 

Até que eu me fartei e perguntei:

 

-Ouve lá, tu confiavas o controlo da tua conta bancária ao Isaltino?

-..... eu não!

- Então, se ele não é de confiança para gerir as tuas contas, como é que lhe podes confiar os milhões da câmara que além de serem teus e de todos, devem servir para o bem da população e não para o seu proveito pessoal? 

 

Fez-se silêncio e o assunto eleições autárquicas não voltou  ser tema de conversa de almoço.

 

Porque é que é assim tão difícil entender que seriedade e honestidade dos governantes tem que estar sempre em primeiro lugar? Como é que as pessoas podem confiar o destino do lugar em que vivem e em última análise o seu destino e o dos seus, nas mãos de alguém a quem não confiariam os seus bens?

 

Jorge Soares

publicado às 22:26

Livro - Maligna de Joanne Harris

por Jorge Soares, em 07.10.13

Maligna

Imagem de aqui 

 

Já aqui falei de 4 livros de Joanne Harris, já li outros para além desses 4, é a autora de um dos melhores livros que já li, Chocolate, que por sua vez deu origem a um excelente filme que também vi e até já revi com um enorme prazer. Os seus llivros não tem a magia do realismo mágico latino de que tanto gosto, mas tem uma magia diferente, talvez seja a influência do romance suave e subtil de chocolate, mas enquanto os leio  termino sempre por pensar em grandes histórias de paixão  nas margens de algum rio francês.

 

Como tem acontecido últimamente, foi a R. que o escolheu para mim, isto de que uma miúda de 14 anos me escolha os livros falará muito bem ou muito mal de mim? Foi um dos que levei para as férias... curiosamente umas férias em que a paisagem me recordou muito do que já li desta autora que nos consegue transportar para a França rural.. que descobri agora, existe mesmo como é retratada em Chocolate.

 

Maligna é o primeiro livro de Joanne Harris, talvez por isso tem pouco a ver com tudo o que ela escreveu depois, mas não deixa de ser um livro que nos prende da primeira à última página.

 

A história é narrada a duas vozes, por  Rosemary e por Daniel Holmes que através dos diversos capítulos nos levam  às vidas  de Alice, Ginny e Joe.


Daniel é um jovem com 25 anos, intelectual e pacífico que vê a sua vida mudar no dia em que, de forma heróica, salva Rosemary de uma morte certa no rio. Rosemary é uma rapariga estranha, aparentemente frágil e vulnerável, é dona de uma beleza etérea, que deixa Daniel completamente apaixonado. Provoca no jovem uma impressão tal que Daniel nunca mais será o mesmo.


Cerca de 50 anos depois de Daniel ter salvo a vida de Rosemary, é-nos apresentada Alice, uma artista e pintora promissora que perdeu a capacidade de ser feliz no dia em que o namorado Joe, a abandonou. Quando este lhe liga, passados três anos sem dar notícias, para lhe pedir um favor que envolve Ginny, a sua nova namorada, Alice não lhe sabe dizer que não e acaba por ser arrastada para o meio de uma história de terror, com personagens sinistras e assustadoras.


O livro conta-nos uma história de vampiros, sem que, como nos conta a própria Joanne no prefácio, estes sejam alguma vez nomeados, é uma história que envolve sangue, mortes e investigações policiais, mas que apesar da crueza de alguma descrições, não deixa de ser de leitura fácil e agradável até para quem não aprecia este género de coisas.


É sem dúvida um excelente livro que recomendo.

 

Sinopse:

 

Algo dentro de mim recorda e não esquecerá...

 

Alice e Joe têm em comum a paixão pela arte - ela é pintora e ele é músico - e, em tempos, estiveram também unidos pelo amor que sentiam um pelo outro. As suas vidas seguiram diferentes rumos, mas o reencontro é inevitável. Joe tem agora uma nova namorada, Ginny, que provoca em Alice uma intensa perturbação. A beleza etérea e singular de Ginny repele-a, e o seu sinistro grupo de amigos atemoriza-a. Os hábitos estranhos da jovem deixam Alice suficientemente inquieta para levar a cabo uma investigação por conta própria. E o que descobre vai mudar tudo. Ginny tem em seu poder um velho diário que conta a trágica história de amor de Daniel Holmes e Rosemary Virginia Ashley, cujo poder de sedução não conhece limites. Só que Rosemary morreu há meio século... mas o seu magnetismo não está certamente extinto. À medida que as histórias se entrelaçam, passado e presente fundem-se; Alice apercebe-se de que o seu ódio instintivo em relação à nova namorada de Joe pode não se dever apenas ao ciúme, já que algo em Ginny a arrasta irremediavelmente para um universo de insondável obsessão, vingança, sedução e sangue...


Jorge Soares

publicado às 22:51

O que é uma pensão de sobrevivência?

por Jorge Soares, em 06.10.13

Pensão de sobrevivência

 

Imagem do Público 

 

Há uns dias Paulo Portas garantia que o governo tinha deixado cair a TSU dos reformados, esta era uma das medidas mais polémicas incluídas nas negociações com a Troika para futuros pacotes de austeridade e uma das pedras no sapato na relação entre Portas e Passos Coelho.

 

Contra todas as expectativas hoje a noticia é que o governo prepara um corte nas pensões de sobrevivência, isto parece uma enorme contradição com o que foi anunciado por Paulo Portas, será?

 

O que é uma pensão de Sobrevivência? Segundo o site da segurança Social, é: Prestação em dinheiro, atribuída mensalmente, que se destina a compensar os familiares do beneficiário da perda de rendimentos de trabalho resultante da morte deste.


Não confundir com a pensão social, que é a pensão mínima atribuída a quem não está abrangido por qualquer um dos regimes de protecção social.

 

Para uma grande parte dos pensionistas, esta corresponde a uma segunda reforma que acumula com a sua própria pensão. Este acumular é independente do valor recebido, é válido para quem recebe pensões sociais ou para quem recebe pensões de luxo.

 

Segundo o que ouvi no Telejornal, e que não vi referido nas noticias que li nos jornais, a ideia do governo é fazer um corte naqueles casos em que pessoas com pensões altas acumulam estas com a pensão de sobrevivência.

 

Sempre achei um absurdo que existam pessoas a receber pensões de mais de 4 ou 5 mil euros, que estas pessoas acumulem a estes valores 60 ou 70% da reforma do conjugue falecido, reforma que muitas vezes também era milionária, quando há milhares e milhares de pensionistas que recebem pensões de miséria, parece-me algo que não faz sentido nenhum.

 

Dito isto, apesar do barulho que está muita gente a fazer, se realmente o corte não é às cegas e se se aplica só aos casos de valores elevados, esta vez eu estou de acordo com o governo.

 

A pensão de sobrevivência faz sentido nos casos em que a morte de um dos conjugues deixa o outro na penúria, não deve servir para acumular fortuna.

 

Jorge Soares

publicado às 22:14

Conto - Lembras-te?

por Jorge Soares, em 05.10.13
Lembras-te?
(Ilustração: Clotilde Fava)

Migu d’omê, sá kloson dê

(O amigo do homem é o seu coração)
Trazias nos olhos a longidão de um outro Atlântico, frio e brumoso, oceano profundo que deixaste na amurada de teus pensamentos lusos, viagem de emoções e expectativas. E nesse trajecto trouxeste cheiros de outros corpos e de outras plantas, retalhos de vidas que se aninharam na tua mente  entristecida e só, fruto de uma latinidade enregelada e fatalista.
Chegaste um dia. Lembras-te? Era Primavera no teu longe. Aqui, sabes, não há Primavera, não há o primeiro Verão. Aqui só vive e canta a chuva e o sol embrulhados em folhas de gravana ou desnudados em noites acaloradas como romances de amores proibidos, amores acasulados apenas com a nossa dimensão arquipelágica.
Trazias o voo dos teus pássaros migrantes, dicionário alado que tentaste reproduzir no solo ilhéu onde teus pés feridos e calejados de outros chãos repousaram por fim. Mas as tuas aves não vieram no teu peito nem na proa do navio grande que te trouxe nem se aninharam em tuas mãos rudes e prósperas de sonhos como de sonhos se despojaram teus braços. E abraços. E as aves não migraram nem cantaram nos teus dedos. Apenas ouviste delas o bater de asa, plumas de frio que não se habituam nunca a sóis tórridos nem a sombras quentes de cacauzais alaranjados.
Chegaste. Lembras-te? Dançavam puíta no quintal de Sam Gidiba, mulata sem idade como todas as mulatas, herdeira de uma juventude inacabada, sensual e provocadora, blága penaconhecida na Trindade e arredores mas que ainda saracoteava  suas ancas num ritmo tão frenético e endemoinhado quanto a dança de konóbia ao tomar seu banho matinal nas águas sobrantes das margens dos rios. E ficaste extasiado ao ouvir o som frenético dos batuques. Que sons seriam aqueles?! Que ritmos? Que requebros? Tudo soava a novo para teus ouvidos lusos onde o arrastar triste e melódico de uma guitarra era a única ressonância que trazias na tua caixinha de música, sons de montes escarpados e nus, flauta de guardador de gado em terras de neve e gelo, sons frios como o teu corpo franzino que um grosso casaco de lã revestia. Depois teus etéreos passos te levaram por toda a ilha que foi tão gentil contigo! A ilha e os seus produtos, misturaste-te com eles, comeste kalulu, d’jógó, sôo, manga d’ôbô, bebeste café de Bom Jesus, até no dia das cinzas comeste “bôcadu” em casa da velha avó Sam Zinha e quando enfim, despertaste do teu encantamento, já sob as ramadas dos velhos cacaueiros corriam, descalços e seminus, teus filhos  meninos.
Não vinhas para ficar… lembras-te? Vinhas para encher teu baú (que viajou no porão) de fortunas, especiarias, tecidos raros, vinhas para dar ordens, ensinar, amealhar e partir de novo como quem cumpre um roteiro escolhido numa qualquer conversa de amigos ou numa agência de viagens. Sabias ler, escrever, fazer contas, o que era um trunfo a teu favor naquele tempo em que eram muito poucos os que podiam exibir tais artes. Por isso vinhas, tal como Sandokan, conquistar facilmente um reino do qual um outro antepassado teu te contara maravilhas sem fim, maravilhas que passavam de boca em boca, se dispersavam em semicírculo às lareiras fumarentas de povos distantes. Era uma teia aquele contar e recontar de estórias da terra-mãe, da ilha onde a fortuna era fácil para qualquer homem de pele clara que nela aportasse… E tu trazias essas estórias coladas ao corpo, pregadas na alma como as mãos de Cristo no madeiro, e foi com elas que entraste no barco grande que te trouxe a esta terra. Que depois foi tua. Que amaste logo nessa noite em que o ritmo desenfreado da puíta se colou à tua alma como mais tarde se colou também ao teu corpo o corpo sempre sedento de Sam Gidiba…
Como foi importante para ti essa noite… Tu, meu longeavô, tu que vinhas colonizar e acabaste colonizado! Aceitaste os sons, a alegria exuberante, os cheiros intensos, o calor desmesurado e húmido, as doenças, os amores, sim, os amores, as nossas gargalhadas sibilantes, os nossos gestos futuristas como quem quer abraçar o mundo… Tudo tu entranhaste no teu ser como se tudo já fosse teu desde o dia em que viste pela primeira vez a claridade. Por isso dizias sempre que esta era a tua terra, que aqui estava o teu coração, aqui viviam os teus filhos, os teus netos e bisnetos, a tua posteridade…Nunca regressaste nem mais falaste da tua lusa gente e foi neste chão de basalto e de areia que se diluíram teus ossos pálidos e teus cabelos lisos e direitos como fio de prumo. Que estranho quando me olho ao espelho! Que estranho quando vejo a minha pele, quando sei que todo eu sou negro acetinado, negro carvão, pletu lu, lu, lu, como forro diz… Pois é, meu longeavô, quando me olho de alto a baixo quase quase me esqueço que sou um mosaico de raças, um cruzamento de terras de além do horizonte, um aventureiro de diferentes credos, um fruto de uma maré viva da nossa História tão pequena e afinal tão grande.
Hoje, meu longeavô,  hoje tenho mais do dobro da idade que tu tinhas,  quando aqui aportaste e estou exactamente no mesmo local onde pela primeira vez puseste teu pé em terra firme. Devo ser a tua quarta ou quinta geração, nem sei bem, bisneto de um filho teu que sempre falou de ti como de ti falaram as outras gerações que me antecederam. Que te conheceram e te amaram como tu os conheceste e amaste. Também fizeste erros, e muitos. Mas… quem os não faz?!
Fui ontem ao Arquivo Histórico. Foi o meu coração que me levou até lá. Como tu sempre disseste “ o amigo do homem é o seu coração”. Por isso estou feliz. Fui acertar contas com o meu e o teu destino, fui fazer as pazes com todas as raças do mundo porque com todas elas estamos entrelaçados. Quis ver de meus próprios olhos as letras redondas que desenhaste para os nomes dos contratados, escravos afinal, que durante tempos infindos aportaram nesta ilha. E, pela primeira vez, sim, pela primeira vez, meu longeavô, senti que estavas perto de mim, não pelo tempo cronológico que deixa suas marcas em nossos rostos mas pelos nomes que a tua mão direita desenhou nas linhas dos grandes cadernos das roças. Numa dessas linhas escreveste “Benguelino, contratado vindo numa leva de homens oriundos de Angola.” Quem seria este Benguelino, que histórias traria para contar nas ilhas, que roça o esperava?! Teria existido amizade entre ti e ele? Mas de certeza que dele muito falaste… Agora pergunto, meu longeavô, porque tenho eu o mesmo nome?! Seria mais lógico então ter o teu, António, tradicionalmente português, serrano, beirão, mas não, o teu nome e sobrenome diluíram-se em ti próprio pois não os deste a teus dois filhos mestiços. Sempre foi assim nas nossas ilhas, filhos mestiços com pai e sem nome. Mas eles, pelos vistos, pouco se importaram com isso e com a tua branquidão que se foi esbatendo até dela não restar senão lívida lembrança. Cruzaram-se com mulheres tongas, angolares, forras, todas elas de uma negrura que só a noite sem lua lhes iguala a cor. No entanto falaram sempre de ti aos teus vindouros, sussurraram o teu nome em sílabas dispersas na boca de minha avô Plácida, de minha bisavó Franzinha, de outras mais distantes ainda… Foste homem de muitas mulheres, disseram-me, mas de poucos filhos, segundo consta.
Fui ontem ao Arquivo Histórico, meu longeavô, e vi a tua mão direita deslizar firme e jovem, a caneta de aparo reluzente, a escrever “Benguelino, contratado vindo numa leva de homens oriundos de Angola”. Nesse dia, sem o saberes, passaste para o meu mundo… Serei eu, meu longeavô, serei eu, Benguelino da Costa Ferreira, condutor de táxi a tempo inteiro e plantador de cacau nas horas vagas, portador do teu sangue luso no meu corpo negro, serei eu que porei o teu nome ao meu filho que vai nascer pela lua cheia que se aproxima.

Olinda Beja

(Estórias da Gravana; escritora de São Tomé e Príncipe)
Retirado de Trapiche dos outros

publicado às 21:05

Rui Machete

 

Imagem do Público

 

E vai mais um, depois do Relvas, da ministra do Swaps, dos inúmeros senhores que teimam em limpar dos seus currículos as passagens pelo BPN, depois das muitas histórias das acções da SLN, agora este senhor decidiu que em nome da diplomacia tudo é válido, até acabar com a separação de poderes e até fazer tábua rasa sobre as decisões dos juízes.

 

Ante a indignação de meio país, a procuradora geral já veio dizer que com ela ninguém falou, resta saber se o senhor ministro tem outras fontes na PGR ou se simplesmente achou que ninguém ia dar pelas palavras dele e por tanto podia dizer uma ou outra mentira em nome da diplomacia.

 

Não faço ideia a que processos se estaria o senhor a referir, nem se referem coisas muito ou pouco graves, mas não me parece que os processos que correm nos nossos tribunais contra cidadãos de qualquer país possam estar de alguma forma nos temas abordados pelo ministro dos negócios estrangeiros e muito menos podem de alguma forma ser objecto de algum pedido de desculpa.

 

Hoje Cavaco Silva veio dizer que "ninguém está acima da lei nem há cidadãos de primeira e de segunda", ficamos então à espera que ele tome alguma medida com respeito a quem faz da mentira uma forma de governo, já que esperar que algum destes senhores se demita, é pura ilusão.

 

Senhor presidente da República, estamos à espera.... (sim, eu sei, é melhor esperar sentado)

 

Jorge Soares

 

publicado às 12:18

Paulo Portas e a Ministra das Finanças

Imagem do Público

 

Enquanto na Suécia Cavaco Silva fala ao mundo de um país maravilhoso e em forte crescimento que existirá algures na imaginação dele, e acusa de masoquismo quem diz que a dívida pública não é sustentável e que é necessário repensar a austeridade, por cá Paulo Portas e  Maria Luís Albuquerque anunciam que afinal as medidas extraordinárias começam a tornar-se definitivas.


Em 2014 continuaremos, pelo menos quem continuar a ter emprego, a pagar a taxa extraordinária de 3,5 %. Gostava de perceber como se consegue obter crescimento se a população mal ganha para chegar ao fim do mês... isso deve ser no mesmo país extraordinário que existe na imaginação de Cavaco Silva... no pais real, no país onde eu vivo, não me parece que isso vá acontecer.

 

Mas Cavaco tem razão numa coisa... somos mesmo masoquistas, afinal as eleições vão passando e quem nos levou e nos mantém nesta situação continua sempre a ter a maioria dos votos e a gerir os nossos destinos... só podemos ser mesmo masoquistas.

 

Jorge Soares

publicado às 21:45

Júlio Resende

 


Júlio Resende é já um dos grandes pianistas portugueses da actualidade. Resende começou a tocar aos 4 anos e tem formação clássica, mas cedo descobriu que não ficava satisfeito em ser intérprete de temas onde não pudesse improvisar.
 
Este disco é um novo desafio: trazer o Fado ao piano. Cantar as melodias com o piano, em vez de as acompanhar apenas. Com o piano exprimir tudo o que o Fado significa. Afirma Júlio Resende que “todos os pianistas têm o sonho de realizar um disco a solo. Eu queria fazer o disco a solo mais pessoal possível. Entendo a palavra “solo” como algo que tem a ver com terra, com raízes, com o chão que pisas, que habitas. Entre as minhas memórias musicais mais antigas está a voz da Amália a cantar “A Casa Portuguesa!” ou o avassalador “Estranha Forma de Vida” e ela serve de símbolo para esta viagem musical.”
 
Assim chegou ao disco que se prepara para editar em breve – Amália Por Júlio Resende. Uma obra onde revisita, apenas com o piano, alguns dos mais marcantes fados interpretados pela maior diva da música Portuguesa, Amália.
 
O resultado é um disco onde a tradição e modernidade convivem em harmonia, onde o património é preservado pela inovação.

 

Fonte: Santos da Casa

 

Para além das fantásticas interpretações ao Piano, Júlio conseguiu o feito de ressuscitar Amália, que graças às novas tecnologias dá a sua voz ao Fado Medo:

 

 

 

Letra

 

Quem dorme à noite comigo,
É meu segredo.
Mas se insistirem lhes digo:
O medo mora comigo
Mas só o medo...

E cedo, porque me embala,
No vai-e-vem da solidão,
É com o silêncio que fala.
Com voz que move onde estala
E nos perturba a razão

Gritar, quem pode salvar-me?
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me
Mas eu sei que ele há de esperar-me
Ao pé da ponte, do fim.

 

Podem escutar mais de Júlio Resende no A música Portuguesa

 

Jorge Soares

publicado às 00:51

Estilo, será estio?

 

Imagem de aqui 

 

Foi a primeira vez que vi o concurso "Quem quer milionário?" na versão Manuela Moura Guedes...e calhou logo quando estava lá a senhora ali da fotografia.

 

Muito antes desta pergunta eu achei que tudo era muito pouco natural, não faço ideia quantos programas passaram antes deste, mas à primeira vista Manuela Moura Guedes estava ali a fazer um enorme frete. Não parecia ter a menor empatia com os concorrentes, parece que falava de cima de um pedestal e com enorme sobranceria, não conseguia dar a dinâmica certa, não era natural. Quanto a mim é um enorme erro de casting... mas eu não percebo nada de televisão, sou só um espectador.

 

Imagino que para os concorrentes não seja fácil estar naquele lugar, a senhora pareceu-me algo nervosa e a apresentadora não contribuiu em nada para aliviar a tensão, bem pelo contrário... e as questões que foram saindo nem eram nada complicadas, a minha filha de 13 anos respondeu a quase todas.

 

Até que chegou a pergunta que está na imagem... não conhecia aquele provérbio, de inicio eu, que estava no computador e ia vendo, até li estio... e achei que sem dúvida sería aquela a resposta... passado um pouco é que percebi que era estilo o que estava lá escrito e tal como a concorrente fiquei baralhado... não fazia sentido nenhum.

 

Estiveram ali imenso tempo às voltas, a resposta inicial da senhora foi "Estilo", mas a Manuela conseguiu baralhar as coisas de tal forma que passados uns 10 minutos já se estava a pedir a ajuda ao público... ganhou estilo, se não me engano por 3 votos de diferença...

 

Mesmo assim a Manuela continuou às voltas com a senhora até que esta escolheu "Abrigo"  e foi eliminada.

 

Acontece que na realidade o provérbio diz: "Dezembro frio, calor no estio" ... ora estio não faz parte das alternativas.. alguém na produção do programa meteu água e a concorrente foi eliminada indevidamente.

 

Ante isto o que faz Manuela Moura Guedes? Reconhece o erro? Não, claro que não, ela vai para o Facebook  dizer o seguinte:

 

"Há dois provérbios sobre o 'Dezembro com frio...", um mais conhecido, ligado ao estio, outro ligado ao estilo. São, pelo menos, dez as fontes que sustentam esta afirmação

 

 Foi escolhido no 'Quem Quer Ser Milionário' o provérbio menos conhecido porque a concorrente já estava a responder a uma pergunta de nível 8, mais difícil. Provavelmente seria o outro, o do estio, se estivesse num nível mais baixo. (...) O que me parece ridículo é fazer considerações sobre gaffes e coisas afins partindo do princípio que 'estio' não faz parte do vocabulário de qualquer português com uma formação académica normal. Valha-nos esta erudição!"


10 fontes que falam de um provérbio que não faz sentido nenhum? E que não existe?... Só se for na internet... mas se a produção do "Quem quer ser milionário?" utiliza a internet como fonte para elaborar as questões,  estamos conversados sobre a seriedade do programa.

 

A Manuela Moura Guedes não só lhe sobra sobranceria com os concorrentes como lhe falta humildade e pelos vistos cultura geral, porque evidentemente a única resposta correcta não estava entre as opções apresentadas e a concorrente foi injustamente eliminada...

 

Hoje Edite Estrela e José Mário Costa vieram confirmar que efectivamente o provérbio apresentado não existe mesmo e a Manuela apagou as suas afirmações do Facebook... fico a aguardar que voltem a chamar a concorrente ao programa e assumam o erro.


Quanto a Manuela Moura Guedes, espero que tome uns banhos de humildade, para a cultura geral já vai tarde... que saudades que nós temos do Malato.


Jorge Soares

publicado às 22:37

Pág. 3/3



Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D