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O que é a co-adopção?

por Jorge Soares, em 19.01.14

Co-adopção

 

Imagino que a estas alturas já devem estar todos mais ou menos fartos do assunto, desde sexta-feira que pouco se tem falado de outras coisas, o que não deve estar muito longe do que seria o objectivo dos responsáveis de toda esta palhaçada. Curiosamente li muitas coisas, muitas opiniões de quem é contra o referendo, muita gente que diz que vai votar SIM, mas muito pouco de quem é contra a adopção e a co-adopção. 

 

De tudo o que li há algo que me chamou a  atenção, a grande maioria das pessoas não faz ideia do que significa o termo co-adopção e não faz distinção entre adopção e co-adopção. 

 

Acho que era bom que as pessoas percebessem que adopção por casais do mesmo sexo e co-adopção são duas coisas distintas, a co-adopção é um acto jurídico em que alguém adopta o filho do seu conjugue. Ou seja, quando no âmbito dos casais do mesmo sexo falamos de co-adopção, estamos a falar de crianças que já vivem com dois pais ou duas mães e em que o único que vai mudar é que o laço afectivo que já existe passa a estar escrito num papel e a criança passa legalmente a ser filho do cônjuge da sua mãe ou do seu pai.

 

Dito isto, alguém me explica porque é que há políticos e pessoas neste país que são contra algo que faz todo o sentido e  que na prática não vai mudar em nada a situação social e familiar nem da criança nem do adoptante?

 

Há uns dias, quando publiquei a carta de Fabíola Cardoso (vão ler aqui) aos deputados,  achei que ante um caso como aquele ninguém teria dúvidas sobre a verdadeira necessidade e o objectivo da lei que permita a co-adopção e disse inclusivamente que seria necessário usar palas para não entender um testemunho como aquele, bom, pelos vistos no PSD ou há muita gente que não sabe ler, ou  usa palas!... ou então, tal como diz o cartoon, vivem na época e no século errados... triste é que queiram levar o país com eles e para a época deles....

 

Jorge Soares

publicado às 22:24

Conto - Desejo

por Jorge Soares, em 18.01.14

desejo

 

Olhou-a pelo canto do olho. Timidamente. Nada. Nenhum gesto, nenhum sinal de que ela o percebia ali tão próximo. Tossiu, esperando que o barulho a fizesse virar-se. Ao contrário. Ela abaixou ainda mais a cabeça na direção da revista que a entretinha. Podia jurar que a tinha irritado. Será?

Era assim já havia um tempo. Ele se consumindo de paixão e de tesão a cada vez que entrava naquela sala apertada. Se esta sala fosse maior...

 

Se pelo menos as nossas mesas fossem mais afastadas... Tolice. Consumia-se dia após dia entre os batimentos acelerados e a vontade que crescia dentro das calças. E agradecia a Deus e ao diabo pela mesa de trabalho que encobria os seus desejos. Talvez se eu tivesse coragem de conversar com ela, se eu pudesse mostrar que sou um cara legal... Ilusão. Só os dois naquela sala apertada; e ele travado. Rotina. Ele, com seus documentos e processos. Ela, sempre ao telefone, no computador ou na sala do chefe.

 

No fim do ano, na festa da empresa, esbarrara nela uma ou duas vezes. De propósito. Só para pedir desculpas e obrigá-la a dar-se conta de que ele existia. Mas nem um muxoxo. Enquanto ainda dizia “desculpe”, ela já tinha sumido. Um inseto. Uma mosca. Era o que ele era. Não. Uma mosca chamaria a atenção pelo barulho irritante, mas chamaria a atenção. Ele, não. Não era mosca. Nem isso.

 

Naquela manhã, entrou na sala com ares de “hoje vai”. Perfume francês que só colocava para ir a festas ou a motéis baratos, das raras vezes em que aparecia uma mulher para transar. Roupa de missa; sapatos de Ano Novo; cabelos de boate — com topetinho feito a gel. "Topa sair comigo hoje?". Não, não estava bom. “E aí, gata, que tal um barzinho hoje?”. Que droga! Nem que tivesse 15 anos. “Escuta, tem tempo que ando querendo convidar você pra sair...”. Assim estava melhor, com reticências. Afinal, o máximo que podia acontecer era levar um fora. Um fora, esse era o problema. Não pela rejeição, à qual estava acostumado, mas por antever como seria a sua vida naquela sala apertada depois do fora. Convivência impossível, vergonha, frustração.

 

Desistiu, mais uma vez. Até a hora do almoço. Certo de que precisava dar um jeito no que sentia no coração e dentro das calças, tomou duas cervejas e um copinho de pinga durante a refeição. De comida mesmo, só umas três garfadas para forrar o estômago. Almoço de boteco: comida ruim, pinga barata. Que pena que não tenho grana pra mais um copinho, pensou, recontando o dinheiro. Conferiu o relógio de pulso e viu que ainda tinha uns trinta minutos, mas preferiu voltar para o escritório assim mesmo. Queria treinar o convite que faria a ela, antes de colocar na boca as balas de menta que comprara com o troco do almoço. Ah, hoje vai!, pensou, animado pelo álcool.

 

Assim que chegou, viu que o escritório ainda estava todo apagado. Dirigiu-se, então, à sala do chefe para fazer o que era de costume: quem chegasse primeiro, pela manhã ou depois do almoço, tinha a tarefa de ligar seu ar condicionado, arrumar sua mesa e recolher o lixo do cesto.

 

Entreabriu a porta. Silencioso e lento como sempre. E aí ouviu os gemidos. Parado na soleira, acostumou a vista à penumbra até conseguir enxergar os dois corpos contorcendo-se em sexo sobre a mesa de reuniões que ficava mais à direita, ao fundo. Macho e fêmea em sexo irrestrito. Sexo de braços, pernas, bocas e suor. Sexo com sons que ele nunca ouvira.

 

Pensou em sair bem devagar, pé ante pé. Depois, em sair e voltar para bater à porta. Por último, em sair e esquecer o que vira. No entanto, continuou ali, na porta, no escuro, consumindo a beleza daquelas nádegas que cavalgavam um corpo que bem podia ser o seu. Mas não era.

 

Ele e um medo súbito de ser visto. Ele e um medo covarde de que sua respiração entrecortada pudesse ser ouvida. Ele e um medo horrível de ser despedido e de ter que passar a viver sem ela, sem a sala apertada, sem o tesão embaixo da mesa. Foi quando lembrou que não era inseto. Não era mosca. Não fazia barulho. Nem isso. E seus olhos mergulharam novamente naquelas nádegas galopantes.

 

Cinthia Kriemler

 

Retirado de Samizdat

publicado às 21:50

Co-adopção

 

Hoje discutiu-se na assembleia da República uma aberração da democracia, uma lei que foi discutida, votada e aprovada, foi posta em causa porque a JSD decidiu que a lei era muito à frente para eles e portanto acham os jotinhas laranjas que ela deve ser referendada. Curiosamente a lei tinha sido aprovada com votos a favor de deputados do próprio PSD, ainda há quem vote em consciência, votos que esta vez terão que ser em sentido contrário, porque o partido impôs disciplina de voto, como se isto fosse um problema político e não da consciência de cada um.

 

Em primeiro lugar a mim faz-me confusão como é que num país que tem uma constituição que diz expressamente que ninguém pode ser discriminado com base na raça, em credos, religiões, etc, tenha que existir uma lei para permitir ou não a adopção, afinal somos ou não todos iguais perante a lei?

 

Em segundo lugar, todo o mundo esquece que nesta lei estamos a falar de crianças que na prática já vivem com dois pais ou duas mães, são crianças que já estão inseridas naquelas famílias e que a única coisa que muda é que a relação passa a estar escrita, de resto não muda nada.

 

Mas mesmo que estivéssemos a falar de adopção normal, a questão aqui não tem a ver com adopção nem com a existência ou não de crianças para adoptar, tem a ver com direitos e com sermos todos seres humanos e cidadãos deste país. Se todos temos direito a votar, se todos pagamos os mesmos impostos, se somos iguais para tudo o resto, porque havemos de ser diferentes para a adopção?

Depois irrita-me profundamente quando alguém fala de família tradicional, o que é uma família tradicional? Aquilo que todo o mundo chama casal convencional não passa de uma questão cultural, se formos por aí então para além dos casais do mesmo sexo temos que proibir também a adopção por pessoas singulares ... e já agora retirar os filhos aos pais e mães solteiras ... e a todos os homossexuais, se não são bons pais de crianças adoptadas porque hão de ser de filhos biológicos?

A realidade é que tudo isto não passa de discriminação, dizer que alguém não pode adoptar porque tem gostos sexuais diferentes é a mesma coisa que dizer que não pode adoptar porque usa o cabelo comprido, ou roupas fora de moda, ou por ser do benfica. 

As pessoas devem ser avaliadas pela sua capacidade de amar e de educar, não pelos seus gostos, tudo isto é uma estupidez e não deveria ser precisa lei nenhuma para que alguém pudesse adoptar, porque como cidadãos, desde que cumpramos todos os requisitos, todos deveríamos ter esse direito.

Quanto à questão da escola e da maldade das crianças, é evidente que as crianças são más, mas também o são com quem é gordo, com quem usa óculos, com quem tira boas notas, mas isso não impede os gordos ou quem usa óculos de ir à escola.

Além disso, é tudo uma questão de educação, se educarmos as crianças para a diferença elas saberão aceitar a diferença, se as educarmos para a homofobia, elas serão homófobas.

Eu adoptei duas crianças negras, que tem pais brancos e uma irmã loira, é claro que na escola há quem se meta com eles por isso, eu devia fazer o quê? Devolvê-los porque são gozados na escola? Ou só deveria ter aceite crianças brancas para que não fossem gozadas por serem adoptadas?

Eu confio na minha capacidade de os educar na diferença e de ser capaz de os ajudar a conviver com essa diferença, porque é os homossexuais tem que ser diferentes de mim?

 

Deixo o convite para que todos leiam o post Ao cuidado de quem é contra a Co-adoção - Um desabafo, um lamento e um pedido

 

Update : Os jotinhas sairam-se com a sua

 

Jorge Soares

publicado às 22:25

Fabiola

 

UM DESABAFO Chamo-me Fabíola Cardoso, tenho 41 anos, sou professora em Santarém e mãe de duas crianças com 9 e 11 anos de idade. Estas duas crianças são fruto de uma relação lésbica e têm crescido na realidade de uma família que em tudo as cuida, que sempre soube provir a todas as suas necessidades mas que não é reconhecida pelo Estado Português. Estas duas crianças têm como figuras parentais duas mulheres, a quem chamam mãe, ainda que nos seus documentos apenas conste o meu nome. Foi-me diagnosticado, em Julho deste ano, um carcinoma invasivo da mama. Na sequência desse diagnóstico fiz uma mastectomia no Hospital Distrital de Santarém e encontro-me neste momento a fazer quimioterapia, da qual já resultou a necessidade de um segundo internamento hospitalar.

 

UM LAMENTO Foi a situação da minha doença que alterou profundamente a minha visão da situação dos meus filhos e me leva a escrever-vos hoje esta missiva. Fomos até agora, as duas, capazes de zelar sempre pela segurança e o bem estar dos nossos filhos, mas esta situação de doença veio abalar significativamente a aparente estabilidade e firmeza. Que aconteceria aos meus filhos se eu tivesse morrido na mesa de operações? Conseguiria a sua outra mãe a tutela? Seria correto, face a essa situação, sujeitar as crianças a um processo legal deste tipo? Que enquadramento legislativo teria um juiz para decidir a favor das crianças e da manutenção da sua família real? Ou poderá alguém de bom senso e bom coração afirmar que será melhor para estas crianças serem entregues a um familiar ou até a alguma instituição??!! Estive uma semana internada, devido a uma complicação causada pela quimioterapia. Como pode a outra mãe destas crianças justificar perante a sua entidade patronal a necessidade de faltar para as apoiar se, legalmente, não lhes é nada?? Porque teremos nós, uma família que cumpre todos os seus deveres, de não poder beneficiar numa situação de infortúnio dos diretos que assistem às outras famílias?? Ficamos na dependência das simpatias, das disponibilidades de cada um. Lamento profundamente que, devido à situação legal existente no nosso país, eu tenha muitos mais motivos de preocupação do que aqueles que deveria ter neste momento e que as minhas crianças estejam numa posição de fragilidade que não deveriam estar.

 

E UM PEDIDO Venho pedir-vos a decência de aprovarem a Lei da Co-adoção, não porque a considero excelente, excelente seria simplesmente todas as crianças deste país terem uma família feliz onde crescer em segurança, mas porque nenhuma família deveria ter de passar pela situação que a nossa está a passar. Gostaria que, independentemente da cor do símbolo político que usam na lapela, pensassem honestamente nesta situação e se tentassem colocar, não no meu lugar, nem no da outra mãe, mas sim no lugar dos meus filhos. São eles os principais desprotegidos neste cenário e são-nos porque o Estado Português se sente na legitimidade de ilegitimar a sua família. Desejo o dia em que ninguém tenha de passar pelo acréscimo de sofrimento e insegurança em que a situação atual nos coloca. Nesse dia Portugal será um pais mais justo e mais democrático.

 

Está nas vossas mãos.

Obrigada, Fabíola Cardoso

(carta enviada às/aos deputad@s, dezembro 2013)

 

Retirado de Famílias arco iris 

 

E pronto, é isto, quem mesmo depois de ler as palavras da Fabiola não conseguir entender por que é necessária a lei que permite a co-adopção, é porque usa mesmo palas.. e mais não digo

 

Jorge Soares

publicado às 19:50

Escola de Braga

 

 

Imagem do Público

 

"Nélson tinha 15 anos. Colocou termo à vida, enforcando-se num pinheiro próximo de casa, em Adaúfe, Braga, na noite do passado sábado. Eram 23.36 horas. Deixou duas cartas: aos pais e à namorada. O que o terá levado ao suicídio não é ainda claro"

 

Talvez porque vivi estas coisas em carne própria, talvez porque já senti que os meus filhos podiam estar a passar por isto, o bullying é algo ao que sou muito sensivel. Hoje ao ler no JN online o artigo sobre o suicídio de mais um jovem, não queria acreditar no que estava ali escrito.

 

Segundo os colegas do Nelson na sexta feira este foi despido ou obrigado a despir-se no recreio da escola,  li também algures que não era a primeira vez que este tipo de coisas lhe acontecia, mas Fausto Farinha, director do Agrupamento de Escola Sá de Miranda em Braga onde está integrada a EB 2/3 de Palmeira, desmente a existência de "bulliyng". Segundo o senhor isto são brincadeiras inocentes.

 

Brincadeira? Que tipo de pessoa é um director de escola que acha que alunos que despem outros e os deixam em cuecas no pátio da escola é uma simples brincadeira? Para este senhor isto não é Bullying,  que será necessário para que ele considere Bullying? Arrancar olhos? Deixar os colegas nus e cheios de penas de galinha? Violar um colega? Talvez matar?

 

É precisamente por termos à frente da escola pessoas com esta mentalidade que jovens como o Nelson se suicidam, que outros se negam a ir para a escola e que muitos outros crescem com medo, traumas  e vergonha.

 

É claro que agora ninguém quer assumir as suas responsabilidades, a escola não sabia de nada, as autoridades não sabiam de nada, como é que ninguém sabia de nada se há colegas que dizem que falaram do assunto com os professores? Como é que o padre da aldeia sabia o que se passava na escola e os responsáveis não sabem de nada?

 

Bullying são muitas coisas, há muitos tipos de violência e muitos jovens que sofrem todos os dias em silêncio, é responsabilidade das escolas e das autoridades estarem atentas ao assunto, se enterram a cabeça na areia e dizem que tudo não passa de brincadeiras, estão a ser cúmplices de quem maltrata.

 

Para mim o senhor que diz que o que fizeram ao Nelson foi só uma brincadeira, devia ser acusado de homicidio, será que o senhor tem consciência? Como é que nós pais podemos estar descansados quando entregamos a segurança dos nossos filhos a pessoas como estas?

 

Jorge Soares

publicado às 22:25

Leitão à CDS

 

 

 

Imagem do DN

 

Antes demais um esclarecimento, não sou nem inscrito nem apoiante do CDS, e dificilmente apoiaria ou votaria em pessoas ligadas a este partido.

 

A noticia que acompanha a imagem retirada do Facebook do CDS Algarve é do DN e diz o seguinte:

 

"No domingo à tarde, depois do Congresso do CDS, em Oliveira do Bairro, Aveiro, um grupo de militantes centristas do Algarve parou para almoçar num restaurante da Mealhada, Meta dos Leitões. Agora queixam-se de terem pago mais refeições que aquelas que consumiram por serem apoiantes de Governo "que rouba"."

 

Podemos ainda ler o seguinte:

 

"Segundo os centristas, "solicitado o livro de reclamações o mesmo não foi facultado, a quantia cobrada a mais não foi devolvida, pelo que irá aquele grupo de algarvios apresentar queixa na justiça."

 

Evidentemente tudo isto fez as delicias da blogosfera, das redes sociais e dos habituais clientes dos comentários dos jornais online, a coisa até tinha piada se os senhores do restaurante se tivessem ficado pela intenção e pela brincadeira e no fim tivessem devolvido o dinheiro cobrado indevidamente. Mas o que aconteceu não foi isso, o que aconteceu é que os clientes pagaram dinheiro a mais, quando tentaram reclamar foram mal recebidos e ainda por cima foi-lhes negado o livro de reclamações que é suposto ser obrigatório por lei... assim à primeira vista a mim parece-me que os senhores foram roubados indecentemente.

 

Não percebo porque é que ao ser negado o livro de reclamações eles não pediram a presença imediata da policia, para que tomasse conta da situação, se calhar os responsáveis do restaurante tinham repensado o assunto e feito as contas como deve ser, a esta hora não seriam noticia de jornal pelas piores razões.

 

Infelizmente este tipo de situações acontece cada vez mais, há muita gente que se acha esperto e acima da lei, provavelmente quem fez as contas achou que clientes em clima de festa não reparam e vai de aí mete-se mais uns leitões e umas garrafas de espumante na conta. Resta saber se é só aos militantes filiados que eles enganam descaradamente, ou se quem votou PSD ou CDS também tem direito a ser comido nas contas em nome da má governação dos dois partidos...

 

Uma coisa é certa, há muito que não como leitão, mas quando o voltar a fazer já sei onde não vai ser... e quem pensar um bocadinho no assunto de certeza que irá concluir o mesmo que eu, afinal a vida não está como para sermos enganados e roubados desta forma

 

Resta saber o que dirão de tudo isto a ASAE e as entidades de inspecção económica.

 

Jorge Soares

publicado às 22:02

Cristiano Ronaldo, Bola de Ouro

 

Imagem do Público 

 

Não é todos os dias que se vê um homem feito chorar, hoje o Cristiano Ronaldo chorou em directo para o mundo, ele bem tentava minimizar o resultado da eleição, mas na hora da verdade não há como esconder as emoções

 

Ronaldo trabalha todos os dias para ser melhor, mais forte, mais importante e mais decisivo dentro do campo, hoje todo esse trabalho foi recompensado quando ele foi eleito o melhor jogador do mundo para a época que passou.

 

Independentemente de  gostarmos mais ou menos dele como pessoa e como cidadão, o que se estava a eleger hoje era o melhor jogador de Futebol e do meu ponto de vista  ao serviço da selecção nacional ou do Real Madrid, ele foi melhor que toda a concorrência e a eleição que recorde-se é feita por treinadores e jogadores de futebol, foi inteiramente justa e completamente merecida. 

 

Anos houve em que a disputa terá sido mais renhida, mas que a eleição de Messi não chocou, acho por exemplo que em 2012 a eleição de Messi foi injusta mas a de Ronaldo também teria sido, teria sido muito mais justo que tivessem ganho Iniesta ou Xavi Alonso, mas este ano não me resta a mínima dúvida, Cristiano Ronaldo foi muito melhor  que todos os restantes e por tudo o que trabalhou e mostrou, o prémio está muito bem entregue.

 

Este ano é ano de mundial, esperemos que o capitão da selecção nacional continue inspirado e em forma por muito tempo, ele não joga sozinho, mas ter um Cristiano Ronaldo inspirado e com fome de vitórias é meio caminho andado para que a selecção possa dar algumas alegrias a quem gosta de futebol e da selecção nacional... ao resto, e a quem não gosta dele, tenham lá paciência.

 

 

Jorge Soares

publicado às 22:14

Os baptizados do Papa Francisco

 

Imagem do Público 

 

Já me acusaram aqui de querer ter sempre a razão, bom, não tenho, dou o braço a torcer algumas vezes e pelos vistos esta será mais uma delas.

 

Por norma  sou desconfiado em relação a tudo o que tenha a ver com a igreja católica e muito desconfiado em tudo o que tem a ver com papas, e fui dos que torci o nariz à eleição deste.  Disse na altura que se a ideia era mudar a igreja esta não seria a escolha certa, o que só mostra que para conhecermos alguém temos que ir mais além do que lemos na comunicação social e sobretudo a mim mostra-me que só depois de vermos as pessoas actuar é que podemos julgar.

 

Ainda durante esta semana quando foi aquele episódio do passeio do amigo no papa-móvel, eu fiquei a pensar se tudo isto não seria simplesmente resultado de uma campanha de marketing muito bem pensada e melhor sucedida... isto porque apesar da às vezes até exagerada proximidade deste senhor ao povo, a verdade é que a igreja é uma instituição antiga, velha e muito pesada onde não é fácil ver as mudanças.

 

Uma das coisas que mais critico na igreja, crenças e fé aparte, é a forma como tenta obrigar as pessoas a seguir as suas regras, especialmente as suas normas com respeito a meios anticonceptivos, a forma como discrimina os homossexuais, os divorciados, mães e pais solteiros, etc. Sempre olhei para isto como uma forma errada e artificial de angariar fieis, até porque a fé tem pouco a ver com a religião e não é excluindo que se chega às pessoas.

 

E é preciamente neste tipo de coisas que este papa se mostra cada vez mais um papa diferente, foi noticia hoje em toda a imprensa nacional e internacional que: "O Papa Francisco baptizou neste domingo, no Vaticano, o filho de uma mulher solteira e a filha de um casal casado apenas civilmente, durante uma cerimónia na Capela Sistina"

 

Dizem também as noticias que isto aconteceu por iniciativa expressa do Papa e acho que não restam duvidas que , tal com o já o tinha feito com os seus comentários sobre a forma como a igreja deve olhar para os homossexuais, Francisco tenta dar o exemplo sobre o que deve ser uma igreja inclusiva e aberta a todos.

 

Ainda um destes dias alguém me comentava que um padre algures numa aldeia do centro do nosso país se tinha negado a comparecer num funeral porque havia a suspeita de  que a defunta se tinha suicidado, são também comuns os relatos de pessoas que tem que deixar de comungar e até de dar catequese porque se divorciaram, já para não falar da enorme quantidade de pessoas que não baptizam os seus filhos porque não se casaram pela igreja... era bom que a Igreja Portuguesa olhasse para o exemplo que vem de cima.

 

Jorge Soares

publicado às 22:16

Conto - Cinthia Kriemler - Via dolorosa

por Jorge Soares, em 11.01.14

Via dolorosa

"...as prostitutas e os cobradores de impostos
vos precedem no reino dos céus".  

 

Começou a morrer no momento em que foi espirrada da barriga da mãe. Jogada em meio ao amontoado de imundícies do leito do rio, onde catadores bêbados, cachorros magros e ratos enfurecidos disputavam restos de comida, apodreceu em meio às cascas por algumas horas. Mas quis a sorte ou o azar que espremesse um choro azedo exatamente na hora em que Madalena, uma das putas da rodovia, fazia o seu ofício. Curiosa, a mulher escavou a montanha de entulhos e tropeçou os olhos no bebê, que se mexia muito pouco.
Kelly Cristina vingou nas mãos daquela mãe improvisada. E tomou mais corpo do que podiam suportar os olhos embriagados dos catadores e dos drogados que perambulavam pelas margens do rio. Aos 14 anos, já fazia a vida. Aos 16, tinha um dos melhores pontos no calçadão que margeava a rodovia paralela ao rio.  Era a preferida de motoristas e caminhoneiros, que a recolhiam embaixo do viaduto. Aos 17, mais tarde que a maioria, criou barriga. Como queria ver a cara da criança, escondeu a prenhez de Madalena, até que nenhuma das mulheres teve coragem de lhe fazer um aborto.
Viu a filha nascer bem cedo, em uma manhã de sexta-feira. E passou com ela pouco mais que um dia, antes de se levantar e ir trabalhar novamente. Na noite de sábado, apesar do cansaço, saiu para o ofício banhada e perfumada. Não sabia que, ao voltar, a criança teria ido embora. Madalena já tinha destino combinado para a menina e lhe deu sumiço sem avisar a ninguém. Kelly Cristina, histérica, esbofeteou-a para que dissesse onde estava a filha, mas tudo o que recebeu foi um abraço silencioso. Nunca mais soube da criança.  

 

OOO
É tarde da noite. Da vida, também. Kelly conhece o veneno que sacia o seu sangue. Vai morrer do prazer que sente pelo sexo de todo o dia. Não lhe interessa a saúde comprovada pelos exames pagos pela ação social da igreja, uma vez por ano. Seu corpo morre é de vontade, não de descuido; o corpo de curvas sensuais que é disputado sob o viaduto. Há nove anos, provou seu primeiro homem. Tinha gosto de pressa. Nunca mais experimentou coisa melhor que os homens da estrada. Faz com pressa o ofício até hoje. E goza.
O corpo do traficante com quem se amasiou depois de parir a filha acaba de sair porta afora. Ela olha o cadáver, se lembrando das surras quase diárias. Mas também das pedras de crack que ele lhe trazia. O puto só lhe entregava o bagulho em troca de um boquete demorado. Pau mole de merda, pensava, enquanto tentava acelerar o gozo do companheiro. O único contratempo na morte do infeliz é que ela vai ter que arranjar as pedras em outro lugar. Nem o filete de sangue que escorre da sua barriga a incomoda.

 

Cinthia Kriemler

 

Retirado de Samizdat

publicado às 21:27

Eusébio no Panteão nacional?

por Jorge Soares, em 10.01.14

Eusébio no panteão nacional

 

Imagem de aqui

 

Não sei se será a altura certa para falar disto, está tudo muito fresco, mas quando ouvimos deputados a dizer que o assunto será debatido o mais rapidamente possível, percebemos que se calhar a altura certa é mesmo agora.

 

Mal Eusébio morreu começamos a ouvir falar de que deveria ser sepultado no panteão nacional, talvez porque durante muitos anos para mim o Panteão nacional era o sitio onde estão os heróis da pátria, é assim na Venezuela e na maioria dos países, a mim fez-me muita confusão que por exemplo Amália Rodrigues lá esteja. A senhora é uma figura incontornável do Fado e da música portuguesa, mas dificilmente entraria na galeria dos heróis nacionais.

 

Aceito que a minha visão do assunto não seja correcta e muito menos consensual, mas gostava que alguém me explicasse porque é que lá está Amália e não estão Fernando Pessoa e José Saramago? Se é pela relevância para a cultura e a difusão do nome de Portugal, haverá figura mais relevante para a nossa cultura durante o século XX que Fernando Pessoa e os seus heterónimos? E será que um Prémio Nobel da literatura não levou tão longe o nome de Portugal como Amália?

 

Concordo que Eusébio foi um nome incontornável no futebol do século XX, teve a sua época,  teve um enorme contributo para as conquistas do Benfica e para a extraordinária presença da selecção nacional no mundial de 66, mas será que Figo fez menos que ele? Afinal com Figo Portugal foi segundo num Europeu, foi terceiro noutro e também foi terceiro num mundial.

 

Então e Rosa Mota? E Carlos Lopes? Os seus feitos não levaram o nome de Portugal tão longe como Eusébio? Ganhar medalhas de ouro nos jogos olímpicos vale menos que ganhar jogos de futebol?

 

Tenho o maior respeito por Eusébio e pelos seus feitos, admiro a sua simplicidade e humildade, não digo que ele não mereça estar no Panteão, mas  como ele há  outros portugueses no desporto e em outras áreas da cultura e do país que pelos mesmos critérios também merecem e se usarmos estes critérios é melhor começarmos a abrir espaço no Panteão, se formos justos com todos os que tem a relevância e a importância para o país que tiveram Eusébio e Amália, vai ser preciso muito espaço.

 

Se calhar não era má ideia deixar passar um tempo, talvez um ou dois anos e voltarmos a este assunto com mais calma e ponderação, menos a quente.

 

Jorge Soares

publicado às 22:31



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