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olo de Benzema às Honduras

 

Imagem de aqui

 

E ao quarto dia tivemos a primeira decisão da tecnologia para validar um golo, foi ao segundo minuto do segundo tempo do França-Honduras, Benzema remata para o lado mais distante do guarda redes, a bola vai ao poste depois bate no guarda redes e dirige-se para a baliza. Nas várias repetições não é possível dizer com toda a certeza se o Guarda redes pára a bola depois desta ter cruzado completamente a linha de golo.

 

O árbitro validou o golo, nas imagens disponibilizadas pela FIFA e que são criadas com base na nova tecnologia, é possível ver que efectivamente a bola passou completamente a linha.

 

Como disse antes, em todas as repetições que vi dos diferentes ângulos, eu não consegui perceber se a bola entra ou não completamente na baliza, o recurso à tecnologia aparentemente resolveu o caso, mas que a julgar pelo que vou vendo pelas redes sociais não impediu as discussões sobre a validade do golo.

 

Sou dos que acha que o futebol e a sua credibilidade só têm a ganhar com o recurso à tecnologia principalmente em casos como o do golo do Benzema em que é quase impossível dizer com toda a certeza se foi golo ou não.

 

Quanto ao resto do jogo, não há muito para contar, a França foi muito superior, Benzema esteve nos três golos e graças à tecnologia não se ouviu falar de casos arbitrais.

 

O dia começou com o Costa do Marfim-Japão que não vi, a equipa de Drogba foi mais forte e conseguiu dar a volta ao resultado.

 

Seguiu-se o Suiça-Equador em que os Helvéticos também deram a volta ao resultado. A Suíça pareceu-me melhor equipa que o Equador, tem alguns jogadores jovens de excelente qualidade e com este resultado pode ter dado um passo muito importante para a sua classificação para a fase seguinte. Este grupo é de certeza o mais fácil de todos e não me parece que a França vá a ter muitas dificuldades.

 

O último jogo do dia é o Argentina-Bosnia que ainda está a decorrer, a Argentina está a ganhar dois a zero, com um Golo de Messi. O jogo começou com um auto golo da Bósnia e teve uma primeira parte fraca.

 

A Bósnia entrou com muita preocupação em não deixar jogar Messi e até certo ponto conseguiu, foi uma primeira parte com muito poucas oportunidades. Com um golo de vantagem a Argentina não conseguiu atacar, a Bósnia pressionava muito bem e recuperava muitas bolas a meio campo, mas não havia ideias sobre o que fazer com ela para chegar até à baliza da Argentina.

 

Na segunda parte as coisas mudaram, Messi conseguiu escapar e fez um golo à Messi que sentenciou o jogo. A Bósnia Mostrou ser uma equipa organizada que defende bem, tem bons jogadores mas faltam ideias no último terço do terreno. 

 

Não está a ser um grande jogo, a Argentina está recheada de estrelas, mas hoje pelo menos não se viu uma grande equipa... o jogo ainda não terminou, a Bósnia acaba de marcar e ao contrário do que tinha acontecido na primeira parte, está a conseguir criar ocasiões

 

Jorge Soares

publicado às 00:02

 

 

Imagem do Público

 

Dois dias em que até agora, ainda falta jogar a favorita Argentina, não se ouviu falar dos árbitros, o que depois das polémicas dos dois primeiros dias, são boas noticias. Os árbitros fazem parte dos jogos e erram como os jogadores e os treinadores, deseja-se que errem o mínimo possível e se possível sem ser sempre a favor dos mais favoritos.

 

O Sábado começou com um Colombia-Grécia, mesmo sem Radamel Falcão a Colômbia é uma excelente selecção, muito melhor que a Grécia e quanto a mim o resultado que talvez seja um pouco exagerado, é mais que justo. Fernando Santos tem feito um excelente trabalho mas a verdade é que a Grécia não tem argumentos para ir mais longe que a primeira fase.

 

No segundo Jogo do dia tivemos uma das maiores surpresas até agora a Costa Rica com um futebol muito agradável e um jogador muito acima da média, Joe Campbel, derrotou um Uruguai sem ideias e sem soluções.

 

O uruguai que jogou sem a sua estrela Luiz Suarez e que foi quarto no último mundial, não mostrou futebol para bater uma Costa Rica muito mais humilde e muito mais lutadora. Tendo em conta o que se viu no jogo a seguir a este, acho que estas duas equipas podem ir marcando a viagem para casa.

 

O último Jogo do dia foi o Itália-Inglaterra e para mim foi o melhor até agora. Há muito que não via a Inglaterra jogar e fiquei gratamente surpreendido, uma equipa muito jovem mas que tem ali jogadores com um futuro enorme, não sei se já estarão prontos para este mundial mas é sem dúvida nenhuma uma equipa com um enorme futuro.

 

A Itália que se viu ontem  foi uma equipa virada para a frente, continua a ter solidez defensiva mas sem rastos do catenacio, ganhou porque soube explorar melhor os momentos do jogo e porque mostrou mais maturidade que a jovem equipa inglesa.

 

Já vamos no quarto dia de mundial e até agora não tivemos nenhum empate e o único jogo com menos de três golos foi o México-Camarões, louve-se o futebol ofensivo e a veia goleadora.

 

Jorge Soares

publicado às 22:16

Conto - Olhares Paralelos

por Jorge Soares, em 14.06.14

Olhares Paralelos

EU SABIA QUE ELE PRECISAVA.

 

Na verdade, a necessidade que tínhamos não tinha nome, mas era nossa – não somente dele. Da parte dele talvez isso fosse um simples fato, só que da minha não. Foi ele quem me veio primeira vez falar da namorada, daquele problema que tiveram. Po r que ele achava que eu poderia ser o seu conselheiro, o seu guru? Acaso eu tenho lá cara de compadre Quelemém? Na verdade ninguém do compadre Quelemém soube a cara, mas dele o que sei apenas é a certeza, que hoje faço, de que “o diabo vige no homem”, nada mais.

 

E daí ele me veio. Não é que eu não queria que viesse, mas é que há muito tempo eu estava sem precisar daquilo tudo, a viver num rio de marasmo que desgostava, mas depois de tudo aquilo até passei a de alguma forma apreciar. No entanto, logo que chegou fiz a inferência um pouco falsa de que era algo que de algum modo precisava, daí ele ficou. Na vida tem coisas que nos vem. Há coisas que me vieram e eu não sei nem explicar porque as aceitei tão de bom grado como se fosse um grego recebendo um mendigo com a falsidade da espera de Hermes. E foi assim que ele me veio. E fui assim que eu de algum modo também se me fui a ele.

 

Estávamos naquele piquenique de família de final de semana. A mãe dele, dona Etelvina, parceira de décadas a fio de observatório da vida alheia com minha mãe. Não obstante, nunca havíamos nos visto, senão naquele dia em que descemos juntos do ônibus cheio suspirando, e caminhamos meio paralelamente até atravessarmos a mesma rua e entrarmos em portas paralelas. Olhamos um pro outro de relance com um olhar que de certo modo compreendia que alguma coisa em nossa vida um dia seria paralela. Mas o olhar que trocamos foi bem mais que paralelo e tenho a fraca, mas real impressão de que nosso olhar cansado de todo um dia de estudos longe de casa, e do suor, e do calor do Recife, e da umidade excessiva do ar, e de toda aquela loucura duma cidade que cresce como um adolescente sem a orientação de um adulto e fica assim desordenada, era um pouco do olhar do cão sem dono e vira-lata que vaga por aí meio que pedindo com a vista. Naquele dia entrei em casa com duas certezas que não eram certas, mas eram de algum modo certeiras em mim: finalmente eu conhecera o filho da vizinha e o olhar dele me pedia algo.

 

Naquela “excursão”, como meu pai fazia questão de anunciar, fomos meio que apertados como gado de corte nelore uns em cima dos outros e coube a nós dois ficarmos apertados pela tia Adalgiza que com sua gordura de anos a fio firmada no doce, ocupava dois lugares inteiros. Desculpa te apertar. Ele me disse. Sem problemas, cara. Eu respondi. Tia Adalgiza... – baixei a voz – tem certo medo de morrer de fome. Rimos. E foi aquilo, tínhamos sido amigos a vida toda e não nos dávamos conta. Por vezes descobrimos num amigo recém-achado, esse mistério místico do universo, de sentir nele alguém que já se conhecia há décadas – décadas que nunca foram.

 

 

 

 

Mario Filipe Cavalcanti

 

Retirado de Samizdat

publicado às 21:08

 

Iker Casilhas

Imagem de Marca.es

 

Não é coincidência que dois dos jornais espanhóis que espreitei tenham esta mesma fotografia no topo dos seus sites, na reedição da final do último mundial, a Espanha foi humilhada por uma Holanda enorme, 5 - 1 é um resultado que não é nada habitual num mundial e muito menos quando o derrotado é o campeão Mundial e da Europa.

 

Casillas não será o único culpado, na segunda parte toda a equipa caiu como um baralho de cartas, mas os falhos do Guarda redes são sempre mais notados e hoje Casillas falhou redondamente em pelo menos dois dos golos e teve culpas em e dos 5.

 

Hoje a Holanda foi muito superior à Espanha, com menos posse de bola mas com um futebol directo que apostou nas transições, deixou a Espanha sem velocidade e sem argumentos para se defender ante o caudal ofensivo, ou muito me engano ou entrou directo na bolsa de apostas como uma das principais candidatas ao titulo.

 

Não é a primeira vez que a Espanha perde no jogo de abertura de um mundial, mas o que está em questão não é tanto a derrota como a forma como esta aconteceu, com a Espanha a mostrar falhas enormes ao nivel defensivo e com dois centrais que para além de parecerem lentos, parece que não se conseguem entender no centro da defesa e ainda por cima não podem confiar no guarda redes.

 

É muito cedo para se fazerem apostas, mas esta Espanha cheira a fim de ciclo, dos 23 escolhidos por Del Bosque, 17 estiveram no mundial anterior na África do Sul. São jogadores que já ganharam tudo mas alguns dos que hoje foram titulares já estão na curva descendente das suas carreiras,  veremos se Del Bosque será capaz de fazer a necessária revolução e se terá entre os que não foram titulares jogadores à altura.

 

Para não variar também este jogo teve um caso de arbitragem, o golo da Espanha foi resultado de um penaltie inexistente.

 

No primeiro jogo do dia, o México que claramente jogou contra 14, para além de dois golos mal anulados ficou um penaltie por marcar, ganhou um zero aos camarões. Uma vitória mais que merecida, os Aztecas perfilam-se como candidatos ao segundo lugar no grupo do Brasil.

 

O Chile-Austrália está neste momento com 20 minutos de jogo, os chilenos vencem por 2-0 e dominam claramente uma selecção australiana que é sem duvida a mais fraca das que actuaram até agora.

 

Em suma, foi um dia marcado pela humilhação da Espanha, pelos frangos do Iker Casilhas e pelos erros arbitrais.

 

Jorge Soares

publicado às 22:35

Neymar no jogo inaugural do mundial

 Imagem do Público

 

Por norma os jogos inaugurais dos mundiais nunca são um grande espectáculo, o de hoje até começou muito bem, a Croácia apresentou-se no Itaqueirão de São Paulo desinibida e disposta a enfrentar o Brasil olhos nos olhos e sem medo.

 

O jogo começou com a Croácia em cima do Brasil e a tomar  as rédeas do jogo e nos primeiros 10 minutos silenciou o estádio, principalmente depois do auto golo de Marcelo.

 

Depois o Brasil foi surgindo a espaços e conseguiu empatar num remate com muita sorte por parte de Neymar.

 

Na segunda parte a Croácia não conseguiu voltar a jogar como o tinha feito no inicio, o Brasil marcou o segundo golo num penaltie inexistente e marcou o terceiro quando a Croácia já atacava em desespero.

 

Não foi um grande jogo, para o Brasil o resultado é muito melhor que a exibição.... este Brasil parece-me uma equipa à imagem daquela de Scolari que em 98 ganhou o mundial em França, joga o quanto baste para ganhar os jogos sem nunca convencer por aí além.... mas foi só o primeiro jogo, vamos ver se melhora a seguir. 

 

Tirando o detalhe do penaltie inexistente, gostei da arbitragem à inglesa do Japonês Nishimura.

 

Fora dos estádios, o dia começou com os já habituais protestos e repressão policial em São Paulo, veremos se com o rolar da bola as coisas arrefecem ou se será esta a imagem de marca do dia a dia do mundial do país do futebol e das desigualdades.

 

O melhor o inicio do jogo da Croácia, se conseguirem jogar assim mais vezes e durante mais tempo podem ir longe.

 

Gostei do pouco que vi na cerimónia de abertura, bela imagem da cultura brasileira, foi bonita a festa pá.

 

Jorge Soares

publicado às 22:47

Deus bom, deus mau, que deus?

por Jorge Soares, em 11.06.14

Solidão

 

"Deus existe porque o homem sozinho não consegue existir. Morre. Vive um bocadinho, faz umas coisas e depois morre. Deus existe porque a Arte não é suficiente. Deus existe porque o Amor não chega. Deus existe porque o homem sozinho é pior. É mais mau. É mais triste. É mais só."

 

Miguel Esteves Cardoso

 

 

Na semana passada por motivos de uma pequena cirurgia a uma vista, passei 24 horas na oftalmologia do Hospital Garcia da Horta, a meio da manhã antes de que me levassem para o bloco, para a cama ao lado da minha chegou um homem que manhã cedo tinha tido um acidente de trabalho, um descuido e se calhar a falta de óculos de protecção, fez com que uma vareta de plástico lhe acertasse em cheio numa vista.

 

Brasileiro, com um daqueles nomes que não lembra ao diabo, não se cansava de repetir a história a cada pessoa que se acercava da cama dele:

 

 

- Estava mesmo no fim do turno, já  quase ia para casa e de repente sentiu como aquilo lhe acertava na vista, de repente ficou tudo negro, sentiu sangue e ele só pensava que agora aos 50 anos, ia ficar sem a vista, como é que isso era possível?

 

-Felizmente deus é grande e nas urgências do hospital o médico tinha-lhe dito que era grave, mas não tão grave como parecia, que com um bocado de sorte, ele ia ficar bem... graças a deus, deus tinha sido muito bom com ele e não lhe tinha tirado a vista.

 

E a história era repetida uma e outra vez, a cada doente, enfermeira ou auxiliar que por ali passava... eu fui ouvindo em silêncio e só me apetecia perguntar ao homem, se deus era assim tão bom para ele, porque raios é que tinha permitido que a vareta lhe acertasse na vista, não era muito mais simples ter arranjado modo de  que nada daquilo acontecesse e ter-lhe poupado a ele o sofrimento e ao médico o trabalho de lhe estar a reconstruir uma parte do olho?

 

Finalmente levaram-me para o bloco, quando acordei a meio da tarde também já o tinham operado a ele, com anestesia local, imagino o que o pobre homem terá passado. Felizmente para ele os médicos fizeram um excelente trabalho e conseguiram resolver todas as desgraças que ele tinha sofrido naquela vista.

 

O tempo ia passando e ele ia contando a história agora também via telemóvel, estava feliz porque lhe garantiam que ia ficar bem, graças deus os médicos tinham-lhe conseguido salvar a vista... porque deus era grande e tinha-lhe salvo a vista. Das primeiras pessoas para quem ligou foi para o pastor da igreja, a pedir para fazer uma oração a agradecer que ele estava bem.

 

Não sei se era da anestesia pela que eu tinha passado ou do incómodo da vista operada, mas aquilo já me estava a irritar, o homem não se calava.

 

Chegou a hora das visitas, e com ela a pastora da igreja dele, com roupa, o carregador do telemóvel para ele poder continuar a contar ao mundo como deus é bom e lhe salvou a vista, comida e outras coisas pessoais. Depois chegaram mais pessoas, todas da igreja evangélica... 

 

Dei por mim a pensar que não fosse a igreja e ele não tinha visitas, nem quem lhe viesse trazer as coisas, nem quem o viesse buscar quando tivesse alta.... Um dos amigos que o vieram visitar disse isso mesmo, tinha estado 22 dias num hospital e não teve nem uma visita.. e foi lá, nesse hospital, que ele se virou para deus.

 

A solidão é algo terrível, não me parece que deus tenha tido nada que ver nem com o acidente nem com a cura. Se calhar se estivesse menos cansado depois de trabalhar a madrugada toda e usasse equipamento de protecção adequado, aquilo não tinha acontecido. Quanto à cura, sorte e bons médicos fazem milagres todos os dias.

 

Podemos pensar se deus é bom porque ele não perdeu uma vista, ou que é mau porque permitiu que aquilo acontecesse, mas não deixa de ser verdade que para ele e para muita gente que vive completamente só, a igreja, pelo menos a igreja dele, não deixa de ser uma coisa muito boa.

 

Já o disse aqui mais que uma vez, deus só existe porque falhamos como seres humanos, felizmente ainda há quem, como aquela pastora e aqueles amigos dele,  se agarre a deus para fazer o bem.

 

Dito isto, deus não existe, ponto final

 

Jorge Soares

 

PS: Não tem nada a ver, mas fui muito bem tratado pelo pessoal da oftalmologia do Hospital Garcia da Horta, simpáticos e atenciosos quanto baste e extremamente profissionais.

publicado às 22:20

Alguém desligue esta liga

por Jorge Soares, em 10.06.14

Mário Figueiredo

 

No princípio eram oito. Vai daí, um juntou-se a outro e ficaram sete. De seguida, outro foi anexado por outro e ficaram 6. Entretanto, um reuniu com outro e ficaram felizes para sempre. E ficaram 5. Saudades de casa ditaram que outro se juntasse a outro e temos 4. Mais eis que outro, ainda uma vez mais, procurou abrigo junto de outro. E restaram 3. E, no dia e hora aprazados, apareceram, não 3, mas 4 candidaturas. Quatro?

 

Quatro? não, afinal segundo as últimas noticias, é só um, Mário Figueiredo. Aparentemente, após a avaliação das 4 candidaturas entregues para os três candidatos, estranhamente, ou talvez não, só uma passou pelo crivo da mesa da assembleia geral da Liga, a de Mário Figueiredo.

 

Ora, Mário Figueiredo é o actual presidente da liga, o mesmo que um monte de presidentes de clubes andam há meses a tentar tirar de lá para fora.... pelos vistos, ainda não é desta.

 

Imagino que haverá uma explicação lógica, e esperasse que clara e transparente, para o facto que as duas listas de Seabra e a de Rui Alves terem sido rejeitadas, mas não deixa de ser estranho e no mínimo suspeitoso, que após tudo o que ocorreu nos últimos meses, a mesma mesa da assembleia geral que insiste em não fazer a vontade a uma maioria de sócios, agora chumbe os concorrente e estenda a passadeira vermelha a quem se mostra tão agarrado ao poder.

 

Há muito que a liga de clubes tem vindo a ser esvaziada de poderes e funções, neste momento pouco mais resta que a cada vez menos interessante taça da Liga e a organização dos  jogos dos campeonatos profissionais, na realidade o presidente da Liga pouco ou nada decide, pelo que não deixa de ser estranho que tanta gente se digladie para a controlar.

 

Desde há décadas que o futebol em Portugal  é completamente controlado pelos três clubes grandes que se esforçam por manter a situação de modo a controlarem e a fazerem e desfazerem a seu bel prazer. Mário Figueiredo foi eleito contra a vontade destes clubes e com os votos dos pequenos clubes com a promessa de iria lutar por um futebol mais democrático e menos polarizado.

 

Gabe-se a vontade do senhor, mas está à vista que isso é areia a mais para a sua camioneta e após dois anos o que se vê é que aparentemente todos ralham e ninguém tem razão, os grandes são cada vez maiores e salvo esporádicas e cada vez mais raras excepções, os outros estão cada vez mais para trás.

 

Se pensarmos logicamente, dos muitos candidatos que mostraram intenções de se candidatarem, o único que realmente deveria merecer os votos dos pequenos clubes é mesmo Mário Figueiredo, é o único que continua a tentar lutar contra o quase monopólio das transmissões televisivas, para que exista uma distribuição equitativa do dinheiro e que mostra vontade de resolver os enormes problemas que afligem 99% dos clubes.... pena que não mostre a mínima capacidade de ser capaz de o fazer.

 

Está à vista que ainda não é desta que vai haver paz na liga Portuguesa de clubes... tudo isto cheira cada vez mais mal e se calhar, para bem do cada vez mais pobre futebol português, está na hora que alguém desligue esta liga.

 

Jorge Soares

publicado às 22:06

Capicua - A mulher do cacilheiro

por Jorge Soares, em 09.06.14

 

Letra

 

passa o passe pelo torniquete

espera que o portão abra assim que a hora chegue

para que o barco saia

ainda é de madrugada

o ar frio corta-lhe a cara

e no cais os sons metálicos são a banda sonora

 um grito de gaivota

um puto chora de com sono

enquanto a mãe tenta calá-lo

com um biberão de leite morno

e ela lembra-se dos filhos

que ficaram sós em casa

e dos filhos da patroa

pra cuidar na outra margem

já se vê Lisboa ao fundo

que amanhece sonolenta

e o motor do barco reza numa lenga lenga lenta

 

come bolacha Maria

ali sentada entre as mulheres

e na revista Maria fica a par dos fadi vers

mão gretada da lixivia

pele negra cabelo curto

saudade de Cabo Verde 

vontade de um mundo justo

porque é sempre mais difícil

pra ela que tem ... escolher a solidão

entre um bebado e um adulto

entre o pó e a sanita

vai limpar também as lágrimas 

e vai rezar também a Fátima

prá filha não estar grávida.

 

avé Maria cheia de graça

o senhor é convosco

bendita sois vós entre as mulheres

 

este balanço do barco

lembra o mar de Santiago

e ao largo do Barreiro

quase vê a ilha de Maio

quase sente o mesmo cheiro

e vai crescendo o seu desejo

de seguir no cacilheiro

é ir até Pedra Badejo

até que vê a ponte Salazar ali ao lado esquerdo

ou 25 de Abril como agora é bom dizer

e percebe que mesmo que façam pontes sobre o rio

ele é demasiado grande para que possam unir-nos

e ali no meio do Tejo

debaixo do céu azul

deu conta que até Cristo

virou as costas ao Sul

 

Ali no meio das mulheres

do barco da madrugada

sente a fadiga da lida

da faxina e da faina pesada

sofre da dupla jornada

pra por comida na mesa

com a força de matriarca

que arca com a despesa

e entre toda aquela gente

ela é só mais uma preta

só mais uma emigrante

empregada da limpeza

só mais uma que de longe vê a imponência imperial

do tal Terreiro do paço da Lisboa capital

mais uma que À chegada vai dispersar da manada

enquanto a cidade acorda

já elas estão na batalha à muito tempo

por que o metro, comboio, o autocarro

podem-nos faltar à gente

mas não a gente ao trabalho

são os outros cacilheiros

outras pontes do povo

porque a grande sobre o rio

mesmo se o estado é novo

tem nome de um grande herói da história colonial

e ela  mais uma heroína que não interessa a Portugal

em comum só este barco o mesmo rio o mesmo mar

e a mesma fé que esta vida foi feita pra navegar

em comum só este barco o mesmo rio o mesmo mar

e a mesma fé que esta vida foi feita pra navegar

 

navegar é preciso viver não é preciso

navegar é preciso viver não é preciso

navegar é preciso viver não é preciso

 

O barco

meu coração não aguenta

tanta tormenta

publicado às 22:13

Conto - O amanhecer em quarto estranho

por Jorge Soares, em 07.06.14
O amanhecer em quarto estranho
Acordei e logo, percebi que meu corpo estava dolorido. Pensei que tinha apanhado. Então abri os olhos. Olhei ao redor e tentei reconhecer onde eu estava. Aquele quarto não me era familiar. Com certeza não era o meu. As estantes brancas, organizadas com livrões e enfeites e alguns bichinhos. Não era de alguém muito próximo. Eu conhecia o quarto das pessoas próximas a mim.
Não caí em desespero. Permaneci calmo. Afinal, não era a primeira vez que acordava em lugar estranho, e tampouco seria a última. Além disso o quarto era limpo e eu estava bem confortável. Uma cama excelente.  Diferente de acordar na rua, com o corpo gelado e sujo.
Fechei os olhos novamente. Esforçava-me para tentar lembrar o que tinha acontecido na noite anterior. Aos poucos algumas imagens surgiam.
Lembro-me que saímos para comer alguma coisa, mas era apenas uma desculpa para bebermos. Assim que chegamos no restaurante, pedimos algumas cervejas. Jantamos e continuamos bebendo. Acho que era próximo da  meia-noite, quando uma das meninas, que nos acompanhava, a mais bonitinha, disse que queria dançar. Eu não queria dançar. Não gosto de dançar. Mas ela era bem bonitinha e eu já tinha bebido algumas, achei que fosse uma boa ideia.
Cara, como ela era bem bonitinha. Bonita mesmo. Seu nome era Amanda. No fundo, eu sabia que não tinha nenhuma chance com ela, mas diabos um trago faz a gente pensar que pode tudo; faz acreditar que sonhos impossíveis são possíveis. Era certo, que em estado sóbrio ela nunca ficaria com um cara tímido e gordo, com uma barba de meses no rosto. Não sou muito propenso a fazer barba. Acho que os pelos em nossos corpos são naturais. Não gosto dessa estética plástica que nos impõem uma limpeza total dos pelos no corpo, com um esforço em tentar esconder a sujeira da humanidade. Às vezes, me pergunto, onde esta a sujeira da humanidade? Também não gosto de textos limpos demais, não me refiro só a linguagem, me refiro àqueles com um mundo cor de rosa, onde tudo se encaixa, tudo é perfeitinho. Menininho se apaixona pela menininha, se casam tem filhos e nunca falta dinheiro ou comida. Sempre estão felizes. Fico pensando que porra é isso!!?? Fico indignado. Talvez, por isso que eu gosto mesmo, é de acordar com do velho Johnnie e um texto do Bukowski.

 

Carlos Carreiro

 

Retirado de Samizdat

publicado às 20:36

Gil Martins

Imagem do Público

 

Era de certeza disto que falavam alguns políticos quando diziam que havia portugueses a viver acima das suas possibilidades e por isso o país está como está.

 

"Juízes confrontam Gil Martins com facturas de restaurantes de centenas de euros, várias delas datadas do mesmo dia mas passadas em localidades diferentes."

 

A resposta ás questões dos juízes foi a seguinte:

 

“O meu tecto de despesa eram 80 milhões de euros. Com um estalar de dedos, sem ter de justificar nada a ninguém”.

 

E pelos vistos o senhor gastou uma boa parte desses milhões todos em telemóveis, computadores, televisores, refeições em restaurantes de luxo, tudo isto para ele, para a família e amigos. Só com a família e amigos é que se consegue  ter seis refeições no mesmo dia à custa do erário público, em locais tão distintos como Coimbra, Espinho, Aveiro e Cadaval.

 

Curiosamente o que vemos todos os anos é que os incêndios alastram por falta de meios e morrem bombeiros porque combatem incêndios  com equipamentos que quase equivalem a ir para o fogo despidos.

 

Gil Martins  é acusado de ter desviado cerca de 118 mil euros dos fundos do dispositivo de combate a incêndios para pagar despesas suas, de familiares e de amigos, 70 mil dos quais gastos em refeições, muitas delas em restaurantes de luxo.  

 

Quando nos perguntamos porque está o país na situação em que está basta olhar para casos como este para se perceber, havia e há de certeza muita gente a governar o país como se algures existisse um poço sem fundos onde ir buscar mais dinheiro para se malgastar,  no fim o resultado é o que temos.

 

Resta saber o que sairá deste julgamento e se o país será de alguma forma ressarcido pela má gestão e pelo desbaratamento do dinheiro que deveria servir para que os bombeiros tivessem meios adequados para  trabalhar.

 

No limite este senhor devia ser acusado de homicídio pelas morte de cada um dos bombeiros dos últimos anos, quem sabe quantas vidas teriam sido salvas se esses 80 milhões de euros tivessem sido gastos em formação adequada e em material de protecção.

 

Jorge Soares

publicado às 21:17



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