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Conto - Até Amanhã, Uma Herança

por Jorge Soares, em 13.06.15

até-amanhã.jpg

 

 
Dinheiro vivo, terras fecundas, imóveis em bom estado de conservação, testamento, joias, fotografias desbotadas feitas do jeito antigo à base de traquitanas analógicas e processo de revelação em quarto escuro. Aposto que a palavra herança te remete a essas figuras. Acontecia comigo, até que comecei uma fase estranhíssima de olhar para as coisas e para as pessoas de casa sem vê-las completamente. Tinha uma ponta de ausência enchendo o meu ver. Estavam todos ali, acordando, trabalhando, reclamando da falta de tempo, esperando o próximo aniversário para reunir a parentada num churrasco. Tudo criando raiz como a muda de manjericão que plantei na lata do achocolatado. Tudo por perto, mas me deixando a impressão de que me faltaria, de que terminaria a qualquer momento sem deixar fio, registro, vínculo.
 
Minha inicial em cursiva, cheia de voltas e um laço, num risco só. O guardanapo passado no prato antes de servir a comida no restaurante, a cor do meu cabelo, o desenho das unhas, a repulsa por queijo, a risada, uns desejos, umas melancolias. São hábitos e traços que fui pegando sem licença e passando para o meu nome. Constam no meu inventário imaginário. Não é preciso morrer para deixar legado. O herdar se faz até quando alguém toma para si uma maneira bem nossa de dizer, de fazer, de entender coisas, quando se ensina ou se aprende. Meu pai herdou o meu “até amanhã”. Não inventei a expressão, óbvio, mas costumo usar em todas as despedidas. Antes de dormir, depois do boa noite emendo um até amanhã. Digo até amanhã para as visitas, mesmo que nosso reencontro só seja possível no próximo verão. Assino meus e-mails com até amanhã. E na maioria das vezes tenho vontade, realmente, do contato no dia seguinte. Agora o pai entendeu onde eu queria chegar com o meu até amanhã e o adotou.
 
Não sei explicar, mas nunca quero viajar. Evito. Nem a passeio, menos ainda a trabalho. E na segunda eu precisava participar de uma reunião na capital. Ô, saco. Final de domingo e eu com o carro cheio de mala, livros, sacos de biscoitos, muito contrariada começo a partir e o pai ali, esperando para fechar a garagem. Resmungo que não quero ir, que me dói a barriga, torcendo para que ele ainda possa me mandar ficar. Não pode. A vida adulta herda dos pais o poder sobre os filhos. Vai tranquila, filha. Dirige com calma, deixa o telefone ligado, e volta assim que puderes. Vamos te esperar com uma janta especial na quarta, lembra disso. Bufo, faço beiço e me conformo: tá certo, pai. Então, até amanhã, já que não tenho alternativa. Até, me responde, com aquele sorriso sossegado que só ele tem. Dou play na Norah Jones e sigo devagarinho, quase desistindo de andar as quatro ou cinco horas de estrada, os olhos molhados. Sou ridícula com esse tanto de apego, mas estou sozinha e me deixo chorar um pouco alto. Dane-se o rímel. Meu pai, parado em frente ao portão, espera que meu carro suma no horizonte da avenida larga. O semáforo do primeiro cruzamento está verde para mim, é um sinal, penso. E penso pela última vez. A caminhonete no sentido perpendicular fura o vermelho, me atravessa e fim.
 
 
Andreia Pires
 
Retirado de Roda de Escritores

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publicado às 21:13

Este é um país de masoquistas

por Jorge Soares, em 12.06.15

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Imagem do Facebook 

 

Há qualquer coisa que me escapa na mente deste povo, passamos  os últimos quatro anos a ouvir falar da austeridade, dos cortes nos salários, da pobreza, do desemprego, da miséria... e mal chega a altura das eleições, dá nisto...

 

Das duas uma, ou a crise e a miséria são uma miragem, ou então o povo português gosta mesmo é de sofrer....está visto que este é um país de masoquistas... .que fala, fala, mas gosta mesmo é de sofrer.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:06

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Imagem de aqui 

 

A difteria é uma doença que estava erradicada na Espanha há mais de trinta anos graças aos programas de vacinação das crianças. 

 

Há uns dias, após a terceira vista às urgências hospitalares por parte de uma criança de seis anos sem que os diversos tratamentos tivessem qualquer efeito, um médico decidiu chamar alguém com mais experiência, um médico com idade suficiente para ter ouvido falar de doenças das que já nem se fala na formação dos médicos. Feitos os testes confirmou-se o diagnóstico, difteria.

 

A Doença é tão rara na Europa que nem na Espanha nem em nenhum país da união europeia havia os medicamentos necessários para o tratamento, tiveram que vir da Rússia.

 

Por influência de uma plataforma anti-vacinas, os pais da criança tinham-se recusado a vacinar o menino e agora este luta pela vida no hospital. Após estudos ao ambiente em que se movia a criança, concluiu-se que além desta há pelo menos outras oito entre as que este contactou, que deram positivo à presença da doença, como estavam vacinadas não desenvolveram os sintomas. 

 

Entretanto estas oito crianças foram obrigadas a ficar em casa, isto para evitar que contagiem alguma das outras que não estão vacinadas, calcula-se que entre 3 e 5 % das crianças espanholas não são vacinadas... 

 

Num destes dias na Radio Nacional de Espanha, ouvi um médico que era partidário de que tornassem todas as vacinas obrigatórios, isto porque os mitos sobre os efeitos malignos das vacinas e a moda de não vacinar as crianças, estão a contribuir  para que ressurjam doenças há muito erradicadas e que voltem a morrer pessoas por doenças que se supunha estarem controladas.

 

Entre as várias noticias que li e ouvi sobre o assunto chamou-me a atenção uma entrevista aos pais da criança doente que diziam sentir-se enganados pela plataforma anti-vacinas, a mensagem que lhes tinham passado era que não havia perigo nenhum em não vacinar o seu filho e agora o este estava ligado às máquinas no hospital...

 

Os meus filhos estão vacinados, tenho plena consciência de que há um risco associado a cada vacina, mas também tenho o conhecimento dos riscos inerentes ao facto de não as tomarem e que quanto a mim são muito superiores aos das vacinas.

 

Temos a noção de que há casos de crianças que reagem mal às vacinas e até podem terminar por morrer, é claro que é muito mais difícil de ter a noção de quantas crianças morreriam se não as tomassem. Acho que os pais desta criança espanhola ficaram agora com essa noção.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:59

Passos Coelho e a prova do Mito

por Jorge Soares, em 09.06.15

 

 

Por exemplo, aos professores excedentários que temos, e temos muitos, aconselharia a abandonarem a sua zona de conforto e a procurarem emprego noutro sítio?

- Em Angola e não só. O Brasil também tem uma grande necessi-dade, ao nível do ensino bási-co e secundário, de mão--de-obra qualificada. Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e, portanto, nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma, ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa.

 

 

Pois.. o mito

 

Jorge Soares

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publicado às 20:10

Cerebro-meu-257x300.png

 

Há quem consiga muito melhor que eu colocar por palavras muito do que eu penso, o texto abaixo é sobre o programa de ontem na RTP em que se falou de hiperactividade, de diagnósticos e de medicação, mas também é sobre a doença e os transtornos a ela associados  e quanto a mim, contribui e muito para desmistificar e esclarecer... usem 5 minutos para ler e reflectir.

 

O programa recentemente transmitido na RTP Cérebro meu – falsos diagnósticos de PHDA e os efeitos do metilfenidato – levanta uma séria de questões que não nos podem deixar indiferentes.

 

O diagnóstico de Perturbação de Hiperatividade / Défice de Atenção (PHDA) não pode ser tomado de forma leviana, pela primeira aparência. É uma regra de ouro da arte médica a importância da anamnese clínica cuidada e a recolha de informação de diferentes elementos, analisados de forma integrada.

 

No diagnóstico de PHDA, é essencial considerar outras causas de desatenção e hiperatividade, incluindo variações cognitivas e comportamentais aceitáveis para a idade, desadequação pedagógica, práticas educativas ineficazes, disfunção familiar, ansiedade, depressão, autismo, atraso no desenvolvimento, défice intelectual, disfunção familiar, perturbações da vinculação, entre outras. “Nem tudo o que mexe é PHDA” disse certa vez numa entrevista para um artigo, e é bem verdade. É um diagnóstico complexo, realizado com informação comportamental, eventualmente auxiliado por avaliação objetiva da atenção e de outras funções executivas em alguns casos.

 

Mas é importante esclarecer que não existe nenhuma evidência científica de que o doseamento de neurotransmissores nem outro tipo de análise química seja útil no diagnóstico da PHDA ou do Autismo. O problema dos neurotransmissores está no cérebro, não no sangue. Não é útil para confirmar e não é útil para excluir. A verdade científica demonstra-se, não se estabelece porque alguém diz da sua opinião ou experiência. É muito errado disseminar esta informação falsa que só pode beneficiar os laboratórios que fazem estas análises. As crianças não.

 

Num congresso recente sobre PHDA, que reuniu os maiores especialista e investigadores mundiais nesta área, ficou bem patente que a PHDA é uma situação muito heterogénea. As crianças que recebem este diagnóstico são muito diferentes e, provavelmente por isso, não foi possível ainda identificar nenhum teste químico útil para o diagnóstico. Os mecanismos podem ser bastante diferentes de criança para criança, embora as manifestações possam parecer semelhantes à superfície.

 

Os medicamentos que usamos para a PHDA são como todos os outros – são para usar apenas quando existe uma razão clínica, enquanto for necessário e se produzirem um efeito benéfico. Sim, podem ter efeitos secundários como todos os medicamentos, até mesmo os ditos “produtos naturais”. O tratamento tem de ser estabelecido por uma pessoa com experiência nesta área, com monitorização dos efeitos e reajustes ao longo do tempo.

 

Frequentemente, as crianças mais jovens não notam nenhum efeito da medicação, quem nota são os cuidadores. Mas é preciso que alguém note. Se ninguém nota efeito benéfico na altura suposta, não vale a pena continuar. Por outro lado, muitos efeitos secundários melhoraram com um ajustamento da dose, ou podem ser razão para suspender o medicamento.

 

O que é lamentável na peça jornalística, é a tentativa de  generalizar experiências pontuais negativas ignorando os milhares de crianças a quem a medicação ajuda de facto. A medicação tem ajudado a interromper muitas espirais negativas de baixo desempenho, má auto-estima, desmotivação escolar, depressão, envolvimento em comportamentos de risco, incluindo o risco de acidentes, consumo de substâncias, envolvimento em delinquência e exclusão social. Contudo, é importante realçar que a medicação não é tudo e não resolve tudo. A PHDA é um desafio que precisa de ser abraçado por todos: a criança, os pais, a escola, os médicos e psicólogos, a comunidade. Existem inúmeros ajustamentos que se podem fazer para além da medicação com potencial de melhorar a qualidade de vida destas crianças e das suas famílias – a  chamada intervenção multi-modal.

 

Outra ideia errada é que a PHDA foi inventada por Leon Eisenberg em 1969. Nem precisava, a PHDA sempre existiu e foram encontrados relatos médicos que descrevem muito bem estes sintomas pelo menos desde o século XVIII.

 

Em alguns países como EUA, pode existir um diagnostico excessivo de PHDA, com prevalências até 14%. A prevalência mais consensual é 5%, bastante conservada entre os continentes. Não existe uma epidemia de PHDA mas existe uma maior reconhecimento e uma pressão crescente sobre o desempenho que torna mais evidentes as dificuldades da PHDA, por vezes em idades mais tardias.

 

A sociedade da informação trouxe-nos muita informação útil mas também grandes desafios: distinguir o que tem fundamento, o que é fidedigno, o que é verdade, o que é generalizável, o que se aplica à nossa realidade e ao nosso caso. Nem tudo o que aparece no Google é verdade, alertava um jornalista nesta semana. Analise bem as suas fontes de informação sobre a PHDA, esclareça as suas dúvidas com os profissionais de saúde em quem confia e decida com liberdade, de forma verdadeiramente esclarecida.

 

FILIPE GLÓRIA SILVA

 

Retirado de Dormir e crescer

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publicado às 22:06

Conto - Liberdade

por Jorge Soares, em 06.06.15

mulher.jpg

 

Imagem de aqui

 

Numa visita íntima em presídio — nem privativa nem romântica, rápida e explícita, indigna do amor, imprópria para o prazer —, pegou menino. Fez um barrigão redondo e brilhante, lindo de se ver. Era a segunda criança dela concebida em contexto francamente infecundo.

Quando lhe perguntavam sobre o marido, ela baixava os olhos:

— Tá lá ainda.

— Sai quando?

— Depende do juiz.

 

Carlos assazonara Renilda fora da estação, na despedida da infância dela, quando o alto-relevo dos verdes seios começava a despontar sob a malha fina do uniforme do colégio.

 

A menina adolesceu mulher incompleta, com sabor prejudicado. Granulou à força, aguada, acuada. O sexo virou costume antes do encanto das mãos dadas, antes do olhar que precede o beijo. E por não saber sequer sonhar, a menina não teve escolha nem fez objeção: cedeu ao absurdo.

 

Quando aliciou a menina, ele tinha 26. Era homem arrematado, mais vício que virtude, mais rudeza que cortesia. Renilda foi aceitando a relação por medo, inocência, conformismo, falta de escolha (?) e tomou dó de si mesma. Fazia parte do imaginário coletivo: toda mulher estaria segura ao lado de um homem.

 

Renilda atendia o marido porque ele assim exigia e porque ela não queria culpa. Levava frutas, biscoitos, sabonete e também o próprio corpo — em caso de permissão oficial para as intimidades. Raramente carregava a filha, com receio de que aquela imundície pudesse contaminar a pequena de alguma forma.

 

Não sei com quem Renilda aprendeu tanto carinho, tanto zelo. Era uma mulher pobre, órfã, condenada a um homem preso, grávida do cafajeste pela segunda vez. Por que tão apta para o amor?

 

O marido desconfiava dela e lhe cobrava fidelidade, como se Renilda fosse capaz do contrário. E lhe ordenava presença, sem aceitar desculpa. Outro dia, mesmo com o bebê ameaçando romper prematuro, ela foi ao encontro do maldito.

 

Cada visita à penitenciária significava falta ao trabalho. Prejuízo também para a patroa de Renilda, que dependia de seus serviços domésticos. — Largue esse homem, menina. Traficante não vale nada. Dê-se ao respeito — dizia a chefa. A empregada pedia perdão, compensava as horas não cumpridas e repetia a transgressão trabalhista.

 

E nasceu Carlos Júnior. Saudável, calminho, fofo da Silva Santos. Renilda sentiu aquela paixão ardida de novo. Um bebê em casa! Mais gastos, mais cansaço, mais problemas, mais pobreza, muito mais amor. O sentimento pela primogênita também ganhou amplitude: a mãe de 24 anos e a filha de 9 passaram a compartilhar a maternidade de Juninho. Cumplicidade que dava gosto! O lar agora estava completo.

 

Só que a pena foi integralmente cumprida. Carlos voltou a casa para degradar a harmonia da rotina. Não sabia nada de equilíbrio nem de paz familiar. Nem parecia interessado em aprender.

 

O trabalho aumentou sobremaneira com a chegada do ex-detento. Era mais roupa pra lavar, mais vasilha suja, mais humilhação. E a mulher tinha de se deitar com ele. O tormento das visitas íntimas era revivido cada vez que ele a tocava. Por mais que Carlos se lavasse, mais cheiro xadrez aquele corpo exalava.

 

O homem retomou rapidinho o serviço. O comércio de drogas continuou descarado, dentro de casa mesmo. Várias vezes, ela viu o marido molestar mulheres viciadas: as coitadas pagavam a droga como podiam. Ela consentia tudo, em silêncio. Não haveria redenção? Pingou mais dinheiro para o mercado, mas Renilda vivia apavorada, com presságio de morte. Foi demitida do emprego. O temperamento de Júnior mudou rapidinho. O anjo tornou-se agressivo e chorão. Acordava à noite gritando, denso de sonhos ruins e xixi. As notas de Tatiana baixaram por causa de desconcentração e tristeza.

 

Cinco meses de inferno nível máximo! Saudade de ser mãe solteira. Vontade de ser viúva. Mas a mulher resistia com paciência e serenidade, rezando por possível recondução do marido ao presídio. Faltava só coragem para denunciá-lo à polícia.

 

Foi quando ela viu, pela fresta da porta, a intensão do olhar de Carlos sobre Tatiana. Nojenta e insuportável intenção! Com saliva de lobo, ele observava a tenra ovelhinha. “Vai violar a filha em breve” — apavorou-se Renilda.

 

Escondida no banheiro, a mulher chorou. Doeu-lhe a infância arruinada, a frustração da espera, a verdade da própria história e o futuro dos filhos. Pesou-lhe toneladamente o desespero da desgraça.

 

E assim, mais desprotegida que nunca, apoderou-se de súbita esperança. Que ninguém contradiga a teimosia da vida! Sem que o diabo notasse, aprontou a mala, abriu a cela e partiu com os filhos.

 

Maria Amélia Elói

 

Retirado de Samizdat

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publicado às 21:13

marcosilva.jpg

 

Imagem do Público

 

Marco Silva levou o Sporting à vitória na taça de Portugal, o único troféu ganho pela equipa de Alvalade nos últimos sete anos.

 

Três dias depois ficou a saber que o clube o despede com justa causa... justa causa? O motivo deve ser ter terminado com o status quo no clube nos últimos anos, é culpado de ter conseguido ganhar alguma coisa.

 

Bruno de Carvalho anda há dois anos a gritar contra o sistema, na realidade a imagem com que passado todo este tempo ficamos é que este barulho todo e a vontade de aparecer, não é porque ele seja contra o sistema, é porque o sistema não o deixa entrar.... por muito que ele se esforce.

 

Os problemas do presidente do Sporting com marco Silva começaram quando este se recusou a dar passos maiores que as pernas, Marco sabia das limitações da equipa que treinava e tentou ser realista, Bruno de Carvalho não quer saber de realismos, o Sporting tem que ser campeão, mesmo que todo o mundo veja que não há nesta altura em Alvalade equipa para isso, o plantel do Sporting estava a milhas dos do Benfica e do porto.

 

Mesmo com um plantel inferior o Marco conseguiu dar luta aos outros dois candidatos, chegar ao terceiro lugar e ganhar a taça, mas para o Bruno isso não interessa nada... tinha que ser campeão, ponto final.

 

Hoje Marco Silva foi despedido com uma desculpa esfarrapada, o Bruno sabe que por muito bons que sejam os advogados do Sporting, não há por onde invocar justa causa, mas isso não  interessa nada, a justiça portuguesa vai demorar quatro ou cinco anos a decidir... e quando isso acontecer e se conclua que o Marco tem a receber o resto do contrato e uma indemnização, das duas uma: Ou o Bruno já não é presidente do Sporting, ou se continuam as loucuras como as desta semana, nessa altura j+a não há Sporting... .de todos modos não é ele que tem que pagar.

 

Está visto que há petróleo em Alvalade, mas não há vergonha nenhuma.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:25

Há petróleo no Alvalade XXI

por Jorge Soares, em 03.06.15

jesus.jpg

 

Imagem do Público

 

Andamos há dois anos a ouvir Bruno de Carvalho falar de contenção, ainda há uns dias dizia que nesta altura não faz sequer ideia de qual será o orçamento do Sporting para a próxima época, com o fim do patrocínio da PT e do BES é difícil saber de onde virá o dinheiro.. e de repente a noticia é que Jorge Jesus será o próximo treinador e com um salário que poderá chegar aos seis milhões por época.... será que alguém descobriu que aqueles problemas todos com o relvado do Alvalade XXI se devem à  existência de petróleo debaixo do estádio?

 

As noticias falam de que o milionário salário de Jesus será pago por empresários africanos, mas será que esses milhões todos não seriam mais úteis para garantir a permanência e contratação de jogadores de qualidade?

 

Depois de pagar a um treinador um salário que está ao nível dos clubes ricos europeus, com que moral poderá Bruno de Carvalho pedir aos seus melhores jogadores que continuem a ter salários ao nível dos clubes mais pobres? Com que argumentos irá evitar que todos tenham aspirações a ganhar mais já seja no Sporting ou noutro clube qualquer que esteja disposto a contratar?

 

O Sporting vai despedir o treinador que passados sete anos levou o clube a ganhar um troféu, um treinador que tinha mais dois anos de contrato e que dadas as condições e tudo o que aconteceu ao longo da época, fez um trabalho brilhante. Será que com as mesmas condições e os mesmos jogadores Jorge Jesus será capaz de fazer melhor? Eu tenho sérias dúvidas...

 

Está visto que ao contrário do que parecia, ainda não foi desta que chegou o realismo a Alvalade e ao futebol português.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:18

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Imagem do Facebook de Acção Directa

 

Antes de mais, eu sou um gajo do norte, nunca provei, não quero provar, caracóis não fazem parte do que eu poderia chamar um petisco, o que não quer dizer que não entenda que existam milhões de pessoas que gostam... também não fazia ideia que vão para o tacho vivos.

 

Quando a imagem acima me apareceu no Facebook eu fiquei a olhar para ela sem decidir se me ria ou não, há coisas que simplesmente não são para levar a sério, por muito séria que uma comunidade chamada Acção directa possa parecer.

 

Eu entendo que as pessoas se revoltem contra a forma como são criados os porcos ou os frangos de aviário, entendo e até concordo que achem que as vacas são um pesadelo a nível ambiental, entendo que exista quem lute contra o poder das multinacionais como a Monsanto e contra os vegetais transgénicos, não concordo com a maioria dos pontos de vista que eles defendem, mas entendo, agora os caracóis?

 

Pronto, eu sei, um caracol é tão ser vivo como um frango ou uma sardinha.... mas salvem os caracóis? a sério?

 

Aposto que a maioria das pessoas que participa nesta campanha nunca plantou nada no campo, bom, eu já plantei e a minha mãe continua a plantar e sabem uma coisa? Os caracóis são uma praga que se não for combatida é capaz de comer uma boa parte do que se planta lá na horta dos meus pais e nas hortas todas do país.

 

Couves, alfaces, ervilhas, tudo o que é vegetal, se não forem combatidos, aqueles bichinhos simpáticos são capazes de dizimar colheitas... ou seja, lá para o norte os caracóis não se comem, mas são dizimados de forma a que não destruam os vegetais que estes senhores que agora os defendem, comem todos os dias....

 

Eu gosto muito de carne, de peixe e gostava de marisco se tivesse dinheiro para ele, tenho amigos e conhecidos vegetarianos e respeito muito as convicções de cada um.... mas salvem os caracóis?... A sério? Então e as alfaces que são comidas vivas e frescas pelos ditos cujos e pelos seus defensores, quem as salva?

 

Jorge Soares

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publicado às 20:26

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