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Europa, século XXI

por Jorge Soares, em 17.09.15

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Fronteira entre a Sérvia e a Hungria, 16 de Setembro de 2015, é assim que a Europa do século XXI trata quem foge da guerra.... não passou assim tanto tempo desde que este europeus fugiam de uma das muitas guerras que por ali passaram, não há duvida que temos a memória curta.

 

Tenho uma dúvida, sabemos que o objectivo destes refugiados não é ficar na Hungria, este país é só um ponto de passagem, o que fariam os húngaros se o destino fosse mesmo a Hungria? Usariam balas em vez de gás e canhões água?

 

Jorge Soares

publicado às 22:45

Eu Troiko, tu Troikas, ele Troika...

por Jorge Soares, em 16.09.15

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Imagem do Público

 

Sabemos que os portugueses tem memória curta, tão curta que após os não sei quantos anos de crise, mais os 4 de Troika que pelas minhas contas levaram pelo menos um quarto do nível de vida do país, as sondagens dizem que afinal falam falam, mas no fim, votam nos mesmos.

 

Quer-me parecer que sabendo dessa memória curta os senhores da coligação e dos do PS tentam assobiar para o lado e fazer-nos crer que afinal a Troika veio cá parar por iniciativa própria e não porque foi chamada.

 

Meus senhores, a minha memória não é assim tão curta e se bem me lembro, a Troika veio cá parar porque quem (des)governou o país nas últimas décadas gastou como se não houvesse amanhã, não soube, ou não quis, aproveitar as épocas das vacas gordas (acá fundos comunitários) e no fim levou o país a um estado tal em que não havia volta a dar,  a escolha era entre os cortes do PEC 4 do Sócrates ou a austeridade da Troika+coligação.

 

No fim nem importa muito quem os chamou ou quem os recebeu, nesta história não há inocentes, são todos culpados, o governo ( o actual e os anteriores) a oposição e evidentemente quem os elegeu... ou seja, todos nós.

 

Tomem lá nota, a mim não me serve de nada saber nesta altura quem os chamou ou quem escreveu cartas a apoiar essa chamada, a mim o que me interessa mesmo, e pelos vistos não há forma de saber, o que é que os senhores pensam fazer para evitar que ele tenha que cá voltar.

 

O que eu gostava mesmo de saber era o que pensam fazer para remediar os desastres que o Crato está a deixar na educação, a desgraça em que anda a justiça, como pensam resolver o caos na saúde que cada vez que muda e os portugueses se constipam, deixa os hospitais com esperas de horas e horas a fio. O que pensam fazer para atrair investimento que crie empregos reais e não dos que só servem para enganar os números,

 

O que os portugueses queremos é uma campanha a sério que nos esclareça, não jogos destes do empurra que só servem para distrair.... perceberam?

 

Jorge Soares

publicado às 22:04

Deseducação sexual

por Jorge Soares, em 14.09.15

aulas.jpg

 

Imagem do Público

 

Foi tema por cá no blog, em 2011 diziam as estatísticas que no nosso país 12 adolescentes dão à luz por dia  (mulheres entre os 11 e os 19 anos) e que Portugal é um dos países da Europa em que a taxa de gravidez em adolescentes é mais alta. Na altura eu perguntava-me porque será que estamos quase sempre no pelotão da frente das coisas más e no de trás nas coisas positivas?

 

Não há uma resposta simples mas no caso das adolescentes grávida nem é difícil perceber, no que toca a educação sexual nas escolas nunca estivemos mesmo na frente, vivemos numa época em que os jovens acordam muito cedo para a sexualidade, é necessário que estejam devidamente esclarecidos e conscientes dos perigos inerentes a uma vida sexual sem regras e sem controlo.  É claro que o papel de educar e formar começa em primeiro lugar em casa, mas é um papel de que a escola não se deve demitir.. e a julgar por estes números, algo está a falhar.

 

Isto era em 2011, entretanto hoje ficamos a saber que longe de ser uma meta a melhorar, a coisa só vai piorar segundo o público ... a  partir de agora, os alunos do 9.º ano dificilmente voltarão a ouvir falar de forma aprofundada de métodos contraceptivos e de doenças sexuais transmissíveis (DST) nas aulas de Ciências Naturais. O Ministério da Educação e Ciência (MEC) excluiu das metas curriculares para a disciplina aqueles conteúdos.

 

Eu sempre achei e até já o disse aqui no blog mais que uma vez, que devia haver uma disciplina obrigatória de educação sexual nas nossas escolas, uma disciplina onde se abordassem os temas com a clareza e a profundidade suficiente para formarmos jovens esclarecidos e preparados. Pelos visto no ministério da educação acham que 12 jovens adolescentes por dia não são suficientes... se calhar acham que é assim que se combate o envelhecimento da população e por tanto decidiram retirar das metas o pouco que se dava nas aulas.

 

Hoje alguém que nunca na vida votou PS disse-me que o iria fazer por primeira vez, um voto útil para tentar garantir que este ministro da educação não continua a desbaratar o que de bom se fez pela educação portuguesa nos últimos 20 ou 30 anos.... Eu ainda não chego tão longe.... mas ....

 

Não deixa de ser incrível como um dos piores e mais retrógrados ministros da educação desde o 25 de Abril para cá se conseguiu manter no governo durante 4 anos enquanto à sua volta a educação pública portuguesa se ia desmoronando a todos os níveis

 

Jorge Soares

publicado às 22:33

Conto - Os pintassilgos

por Jorge Soares, em 12.09.15

Gaiola.jpg

 

 
O verão estava no auge. Das aulas já Albertino se tinha esquecido alegremente, nos seus treze anos ávidos de largueza campestre, o pé descalço, liberto, as roupas soltas, o chapéu desabado, mas confortável. O seu céu era a ribeira: um charco aqui, outro acolá; o resto, areal sombreado pelos amieiros, a frescura e o jogo das areias, duma firmeza indolente, a acariciar-lhe as solas dos pés a cada passada, a ceder languidamente com um ruído roçagante — música para os seus ouvidos. Em cima, o emaranhado dos salgueiros ou o horizonte mais alto das copas dos amieiros, ondulando suavemente; o sol a vibrar nos seus olhos ao ritmo da folhagem, a fisga preparada, a atenção concentrada. Qualquer movimento irregular da ramagem podia indicar um pássaro. As horas passavam, o prazer inebriava, só o estômago obrigava a regressar ao casarão familiar de telha vã.
 
A observação dos pássaros e da sua beleza, a fruição dos seus cantos, levava-o a querer engaiolar alguns e a tê-los à disposição para prazer auditivo e visual, mas também para ostentação do troféu. Com alguma habilidade construiu uma gaiola com uma tábua, vários galhos e arames velhos, na qual não faltavam comedouro, bebedouro e uma portinhola com mola. Sabia que não podia engaiolar pássaros que se alimentassem de insetos e larvas. Só os que comessem sementes. E destes, qual seria o mais bonito senão o pintassilgo?
 
Um dia descobriu um ninho de pintassilgos nos ramos de uma oliveira pequena. Três ovos. Foi-o guardando, mas evitando aproximar-se demasiado, sabendo que os pássaros chegam a abandonar os ovos, e até os filhotes pequenos, se notam que o ninho anda a ser controlado. Curiosamente, se os encontrarem numa gaiola — ouvia dizer — alimentam-nos até perderem a esperança de os ver soltos e então dão-lhes sementes venenosas para os matar. Por isso, planeou encerrá-los na gaiola poucos dias antes de poderem voar, e deixá-la pendurada na oliveira onde estava o ninho. Isso permitiria não os deixar escapar e esperava que os pais os alimentassem por mais uns dias, os suficientes para que eles conseguissem comer, por si, as sementes que lhes iria pôr na gaiola. E, então, trazê-la para casa.
 
Os dias foram passando arrastadamente, os passarinhos nasceram e foram-se emplumando. Quando achou que poderiam voar em breve, meteu-os na gaiola, com água no bebedouro e alpista no comedouro. Mas, como a oliveira era demasiado soalheira, temeu uma excessiva exposição ao sol inclemente de agosto e resolveu pendurar a gaiola no ramo alto de uma árvore frondosa que distava dali uns duzentos metros. A distância não seria problema, dado que os pássaros detetam com facilidade os pios uns dos outros. Lá os deixou e voltou feliz para o casarão. Já tinha os seus pintassilgos!
 
No dia seguinte, chegou a malhadeira, aquela máquina monstruosa, do tamanho duma camioneta de carreira, com os seus ruídos estranhos e movimentos sinistros, mas com capacidades maravilhosas, com que nessa década de sessenta se malhava o produto das searas. Recebia molhos de centeio desatados, por uma abertura superior, que, depois de suspeitados safanões, pancadas e outros tratos violentos no seu interior, vertia, por um bocal, o grão, que era aparado em sacas de serapilheira e lançava, pelo outro lado, a palha em borbotões. O cereal era acarretado para a tulha; a palha era acondicionada ao lado da eira em montões redondos de perfil ogival, para resistirem às chuvas. Ameaçadora era a longa correia de transmissão de movimento, que ligava um cilindro metálico giratório, num trator anexo, a um cilindro semelhante na malhadeira, o qual fazia funcionar todas aquelas peças em madeira que iam e vinham num ritmo contínuo e ensurdecedor, cumprindo tarefas difíceis de adivinhar no interior do engenho.
 
A meda do centeio era grande, a lide era contagiante; havia a novidade de toda aquela gente que lidava com a máquina com enorme destreza e rapidez, apesar dos perigos que ela representava. Contavam histórias de outras eiras, de alguém que, ao meter o centeio, tinha deixado ir a mão muito à frente e tinha ficado sem alguns dedos, ou daquela mulher que se desequilibrara e caíra lá para dentro...
 
Ao fim do segundo dia, cumprida a malha, foram-se todos embora: os ceifeiros, para as suas terras; a malhadeira, a caminho de outra eira. A paisagem nesta mostrava-se substancialmente alterada. A anterior meda em forma de casa, feita de molhos de centeio carregado de grão, transformara-se nuns cinco ou seis grandes montes de palha leve — cama de gado para o ano inteiro. Ficava no olhar um brilho de fim de festa. Voltava a calma, voltava a rotina de todos os outros dias.
 
De repente, lembrou-se. A ideia retiniu-lhe na cabeça em toque de alarme. Tinha-se esquecido completamente dos pintassilgos. Teriam os pais descoberto os filhotes? Tê-los-iam alimentado? Desatou a correr para a árvore afastada, em desatino. Trepou rapidamente até ao galho onde os tinha dependurado, mas o coração apertava-se-lhe — não ouvia qualquer pio. Por fim, assomou. O fim de tarde ia ainda quente, mas pelo corpo de Albertino perpassou uma onda do frio glacial das noites de fevereiro. O olhar tentava discernir o que o remorso persistia em enevoar. Daqueles três passarinhos, já todos cobertos de pequenas penas firmes e bem compostas, já a imitar a coloração dos pais, nada mais restava do que três novelos de penas emaranhadas, desgrenhadas, tombados no chão da gaiola.
 
Retirou-os. Estavam frios. Tinham morrido há muito. De frio? De fome? De sementes venenosas dadas pelos pais? Tanto fazia. Albertino só sentia que, pela sua cobiça pueril, pela sua negligência, tinham morrido três lindas avezinhas. Morte estúpida, perda pura.
 
Voltou para casa acabrunhado. Não chorou. Os adultos reprovavam o choro nos rapazes.
 
Joaquim Bispo

Retirado de Samizdat

publicado às 21:39

Para que servem mesmo os debates?

por Jorge Soares, em 10.09.15

debate.jpg

 

Imagem de aqui

Debate:

Discussão em que os discutidores procuram trazer os assistentes à sua opinião.

in Dicionário Priberam

 

Confesso, não vi o debate, não foi desinteresse, foram mesmo valores mais altos que se levantaram...Não vi, mas 24 horas depois parece-me que não perdi grande coisa, primeiro porque já ouvi mil e uma opiniões e é como se tivesse visto, segundo, porque me parece que na verdade, para além da fixação pelo Sócrates, pelos vistos pouco ou nada se esclareceu na hora e meia em que os senhores estiveram a falar.

 

Segundo as noticias entre os três canais, quase 4 milhões de portugueses seguiram o debate, era de esperar que com tal audiência os senhores candidatos a primeiro ministro aproveitassem para tentar esclarecer o país sobre as suas ideias e programas de governo... trazer os assistentes para a sua opinião...  A julgar por tudo o que li e ouvi e pelos comentários das pessoas com quem falei, segundo parece passou-se  completamente ao lado deste objectivo.

 

Ontem a seguir ao debate vinha a conduzir de volta a casa e para ser sincero fiquei na dúvida se os comentários na rádio eram sobre um debate político ou sobre um jogo de futebol, pelos vistos o que mais interessava não era mesmo o que se tinha debatido e sim, quem tinha vencido... Pelos vistos foi um empate, segundo alguns senhores Passos Coelho marcou golos na primeira parte e Costa na segunda.. .e ouvi dizer que na semana que vem vai jogar-se o prolongamento.

 

Os debates deviam servir para esclarecer os portugueses, para ajudar os muitos indecisos a escolher em quem votar, não se trata de um jogo de futebol e não deveria interessar nada quem ganhou ou quem perdeu e sim quem tem as melhores ideias para governar.

 

A mim não me interessa nada quantas vezes se falou do Sócrates ou se o Passos Coelho anda a aprender palavras novas. O que me interessa é saber quais são as ideias para a saúde, a educação, a justiça, como se vai combater o desemprego... O resto só serve para distrair e para ser sincero, farto de distracção ando eu há muito tempo.

 

Senhores políticos, mais trabalho e menos circo, pode ser?

 

Jorge Soares

publicado às 22:22

Já não há pachorra.

por Jorge Soares, em 08.09.15

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Imagem de aqui

 

Porque já não há mesmo pachorra e já me começam a faltar as palavras, sobretudo quando alguém partilha uma petição online claramente xenófoba e até fascista, contra a entrada de refugiados em Portugal. Deixo o testemunho de alguém que consegue expressar o que eu sinto mas muito melhor escrito do que eu alguma vez conseguiria

 

Já não há pachorra.

 

1 - Pachorra para explicar que existem cerca de 4 milhões de refugiados sírios nos países limítrofes, Turquia, Iraque e Líbano,

 

2 - Pachorra para contra pôr que existe uma diferença entre ser vítima de pobreza endémica por razões sociais, o que infelizmente acontece em todos os países do mundo mesmo os mais desenvolvidos, e fugir com os nossos filhos para lhes dar uma hipótese de viver.

 

3 - Pachorra para explicar que os tão temidos guerrilheiros do estado islâmico não vieram da Síria para a Europa, mas que grande parte deles na realidade foram da Europa para a Síria.

 

4 - Pachorra para contra pôr que existe um estatuto totalmente diferente, mesmo legalmente, entre um refugiado e um imigrante, a permanência de um e de outro, obedecem a regras diferentes.

 

5 - Pachorra para explicar que defender a obrigatoriedade de civilização de apoiar inocentes, mulheres e crianças que fogem da guerra e da morte não significa que se defenda que portugueses ou quem quer que seja durma na rua ou passem fome numa altura do nosso desenvolvimento em que mais riqueza se produz.

 

6 - Pachorra para explicar que antes pelo contrário defender o apoio aos refugiados de guerra é também combater a pobreza e a exclusão, dado que pior que ter fome e dormir na rua, é ter fome, dormir na rua e temer pela vida a cada hora e a cada minuto que passa.

 

7 - Por fim pachorra para explicar o medo, pachorra para explicar que temos todos medo, temos medo do muçulmano, do moreno, do negro, do que não conhecemos, sem perceber uma coisa, os Sírios também fogem desse medo, fogem do "Estado Islâmico" e do medo que ele impõe, e o que procuram na Europa, nesta Europa, é o esclarecimento, a ordem, no fundo a CIVILIZAÇÃO que este continente ainda representa para eles e para muitos povos no mundo, deveríamos orgulhar-nos disso, do facto deles nos procurarem por causa disso.

 

Eu tenho medo de muitas coisas, mas não tenho medo que os meus netos se convertam ao islão, não tenho medo que as minhas netas usem burka, porque existe algo que eu sei...o esclarecimento, a civilização ganha sempre ao medo e à ignorância.

 

Pode demorar tempo, mas é essa a lição da história, no fim a ignorância perde sempre. E nós europeus deveríamos saber isso melhor do ninguém. Foi aqui neste continente que o "tempo das luzes" começou a derrotar o obscurantismo, foi aqui que começámos a colocar em causa os dogmas da religião e escolhemos a ciência para grande parte das nossas certezas.

 

Sou ateu, mas não islamofóbico, os meus netos serão o que bem entenderem e por isso não temo a reconquista islâmica do país a partir de um descampado de Silves, temo sim a estupidez do racialismo de um povo que há cerca de dois séculos atrás um viajante inglês descreveu como sendo tão marroquino que era quase negróide. Ficariam chocados de saber que temos geneticamente mais a ver com os sírios do que com os suecos?

 

Haverá maior confissão de fraqueza do que o facto de recusarmos ajuda devido ao medo de sermos conquistados culturalmente por um homem com fome e uma criança nos braços? Somos assim tão fracos como país com centenas de anos de história?

 

Por isso, publiquem os vídeos que quiserem retirados de contexto com refugiados na Hungria a rejeitar água sabe-se lá porquê, publiquem fotos de quão sujos e ingratos eles são, publiquem cartoons sobre o secreto plano árabe para nos conquistar.

 

Para mim suporto tudo isso para não ver mais nenhum miúdo de três anos afogado numa praia, chama-se a isso ser...europeu e civilizado.

 

PS - Sou descendente de judeus...e orgulho-me disso.

 

Paulo Mendes no Facebook

publicado às 21:09

O melhor do jornalismo em Portugal

por Jorge Soares, em 07.09.15

 

A meio da reportagem (????) alguém brinca com a situação e diz ao espantado estafeta que se calhar era para os apanhados.... será que não era? Eu acho que era, mas o apanhado não era o estafeta, somos todos nós.

 

Que raio de país é este em que a entrega de uma piza às 11 da noite numa casa de habitação tem direito a um directo televisivo de mais de 5 minutos?

 

Isto é jornalismo? A sério? E há jornalistas que se prestam a estas coisas? E pagam-lhes para peças de humor rasca como este?

 

Cá para mim a piza era mesmo o jantar para os jornalistas que agora se mudaram de Évora para Lisboa e como não tinham mesmo nada para dizer, aproveitaram para brincar com o pobre rapaz... ou isso ou o canal é patrocinado pela loja das pizas e isto tudo foi encenado.... com jornalistas destes já acredito em tudo.

 

E um pouco de vergonha e brio profissional senhores jornalistas, não há?

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:07

joana amaral dias.jpg

 

Imagem retirada do Público

 

Era difícil que isto me passasse ao lado, mas curiosamente a primeira vez que vi a fotografia da capa da revista em que Joana Amaral Dias aparece grávida  e nua com o seu companheiro, foi através de um post do Facebook em que alguém com afinidades ao partido socialista criticava tamanha ousadia.

 

Falta um mês para as eleições legislativas, não sei se será porque estivemos todos de férias ou porque a comunicação social se centra quase exclusivamente nos principais partidos, mas confesso que as propostas e iniciativas dos pequenos partidos e coligações me tem passado completamente ao lado.

 

Sei que existe o AG!R e que faz coligação com outros dois pequenos partidos, o MAS e o PTP, sei que há o LIVRE que acolheu entre outros alguns dos políticos que nos últimos tempos abandonaram o Bloco de Esquerda. Marinho Pinto tem também o seu partido cujas siglas são  PDR, mas para ser sincero, não faço a menor ideia do que propõe cada um destes partidos e movimentos políticos....o que não deixa de ser mais ou menos grave, porque tendo em conta que cada vez estou mais desagradado com os partidos do costume, estes deveriam ser os partidos dos que deveria estar mais próximo.... sobretudo porque não ir votar não faz parte das alternativas.

 

Evidentemente o timing escolhido pela revista e por  Joana Amaral Dias para aparecer desta forma não será nada inocente... polémicas à parte, a capa da revista colocou os focos sobre ela e em consequência sobre o Ag!r. Pode-se pensar que se podia ter adiado a publicação para depois das eleições, mas será que no caso de ela ser eleita se atreveriam a publicar fotografias nuas de uma deputada da república? E como deputada eleita ela seria capaz de autorizar a publicação?

 

É claro que  nesta altura só podemos olhar para isto como uma manobra de marketing que terá (?) ido longe demais. Pessoalmente não me choca nada o facto de ela ter aparecido nestes preparos na revista, não muda para nada a imagem que tenho nem como pessoa nem como política e para ser sincero não entendo o que melindrou tanto algumas pessoas.

 

Joana Amaral dias é para além de uma mulher muito bonita, uma pessoa frontal, inteligente e capaz de defender as suas ideias e é de pessoas como ela que o país precisa

 

Polémicas à parte espero que daqui até às eleições todos nós possamos ser melhor esclarecidos das propostas de todos os partidos, em especial dos que costumam aparecer menos e que estes possam ser verdadeiras alternativas aos mesmos de sempre.

 

Jorge Soares

publicado às 22:26

aylan.jpg

 

Imagem de aqui

 

Aylan Kurdi, é assim que se chama a criança da fotografia, Aylan o seu irmão Galib de 5 anos, a sua mãe Rihan Kurdi e o seu pai, estavam a fugir da guerra na Síria há meses, saltavam de cidade em cidade  a fugir de uma guerra que teimava em os perseguir...O sonho da família seria chegar ao  Canadá, onde supostamente tem família e onde não há guerras que expulsem as pessoas de suas casas.

 

Infelizmente o destino tinha planos diferentes para o pequeno Aylan e a sua família, a viagem terminou muito longe do Canadá, numa praia para turistas na Turquia, depois de que o barco em que tentavam chegar à Grécia naufragasse.. Aylan, o seu irmão e a sua mãe morreram afogados...

 

Hoje as fotografias e a vida de Aylan correram mundo, a sua imagem tornou-se um símbolo do desespero dos muitos milhares que fogem à guerra e à miséria e tentam fazer-se à vida... nada como uma imagem de uma criança que sofre para despertar consciências....

 

Para mim esta imagem é um símbolo que nos devia envergonhar a todos, que deveria envergonhar quem acha que os milhares de migrantes e refugiados não passam de oportunistas que só querem ir viver dos subsídios. Todos aqueles que pensam que se devem fechar as fronteiras para passar a mensagem de que não são bem vindos. Os políticos Húngaros que acham que permitir a passagem é incentivar a vinda de mais...  vergonha mesmo.

 

Alguém imagina o desespero em que teria que estar esta família para se lançar assim aos perigos de uma travessia destas com os seus filhos de 3 e 5 anos?

 

Aylan morreu porque a sua família fugia a uma guerra que dura há anos, ninguém sabe quantos outros migrantes morreram até agora, mas calcula-se que sejam vários milhares só este ano... Entretanto a guerra continua.sem que ninguém faça nada para a parar... .se calhar a solução não é fechar as fronteiras, é fazer parar a guerra... Porque afinal, e como dizia algures um dos refugiados encalhados na Hungria, eles não querem chegar a lado nenhum, só querem fugir à guerra, se não houver guerra voltam para casa.

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:55

O direito a fazer-se à vida

por Jorge Soares, em 02.09.15

refugiados.jpg

 

Imagem de aqui

 

Hoje de manhã enquanto ouvia a noticia de que a câmara de Lisboa está disposta a disponibilizar dinheiro e meios para apoiar refugiados que cheguem a Portugal, fiquei a pensar quanto tempo demoraria até ouvir alguém dizer que deveriam gastar esse dinheiro para ajudar pessoas de cá.... não demorou muito, à hora do almoço alguém tinha colocado a noticia no Facebook e lá estava a frase "Deveriam era usar esse dinheiro para ajudar portugueses"

 

Passei uns dias de férias na Croácia, a pouca televisão que vi foi principalmente canais de noticias em especial italianos, que passavam horas e horas a falar e a debater o drama dos migrantes e refugiados... talvez porque eles e os Gregos são quem não pode fugir ao assunto... não há como devolver as pessoas ao mar, só lhes resta tentar encontrar uma solução.

 

O que se tem visto nos últimos dias é para mim que sou Europeu e já estive no papel do emigrante que tem que sair do seu país para poder ter uma vida decente, vergonhoso. A maioria dos europeus olha para este problema como se não fosse seu, esquecem que é de seres humano que estamos a falar, de pessoas que por um motivo ou outro tiveram que deixar tudo para trás e muitas vezes colocando em perigo as suas vidas e as dos seus, ir à procura de um sitio onde se lhes permita viver.

 

Hoje alguém dizia que a ideia do espaço Schenguen tem os dias contados, que esta crise irá fazer com que os países se voltem a fechar dentro das suas fronteiras.... se calhar tem razão.... mas servirá de quê?

 

Nos anos 60 e 70 Havia muitas fronteiras na Europa, isso por acaso impediu que milhões de portugueses chegassem à França, à Suíça, à Alemanha, ao Luxemburgo? É claro que não, não impediu na altura e não irá de certeza impedir agora.... quando as pessoas estão desesperadas e se querem fazer à vida, não há fronteiras que as impeçam.

 

A Europa tem a memória curta, não foi assim há tanto tempo que estiveram no papel de quem agora cá chega, quantos irlandeses, ingleses, gregos, polacos, húngaros, etc, etc, há nos estados Unidos? Quantos Portugueses, espanhóis, Italianos, turcos, há na América do Sul?.... Já fomos ajudados e bem recebidos por todo o mundo, agora é a nossa vez de ajudar, não?

 

Há quem diga que nos últimos 4 anos mais de 200 mil jovens portugueses tiveram que emigrar... e se tivessem erguido muros para que eles não pudessem passar as fronteiras?

 

Jorge Soares

publicado às 22:27



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