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Porque: "A vida é feita de pequenos nadas" -Sergio Godinho - e "Viver é uma das coisas mais difíceis do mundo, a maioria das pessoas limita-se a existir!"

Este trilho contorna a Lagoa de Albufeira, passando pela Herdade da Apostiça e pelo posto de observação de aves da lagoa, oferecendo paisagens variadas ao longo de todo o percurso.
Entre o posto de observação de aves e a Herdade da Apostiça existe um troço de cerca de 2,5 km feito por estrada, onde é aconselhável algum cuidado, sobretudo em dias com mais trânsito.
Já tinha realizado este trilho duas vezes no passado, ambas durante o verão, quando a lagoa apresentava níveis de água mais baixos. Desta vez, encontrei uma realidade bem diferente: a lagoa estava cheia, o que reduziu a caminhada junto à margem e aumentou os troços de areia, tornando o percurso fisicamente mais exigente.
Uma das grandes surpresas foram as valas e pequenos ribeiros com bastante água. Entre os quilómetros 3 e 5, foi necessário aumentar significativamente o percurso devido à impossibilidade de atravessar uma das valas, completamente cheia. Pelo caminho, houve ainda lugar à travessia de um pequeno ribeiro a vau e à superação de um troço com bastante lama, que exigiu alguma atenção redobrada.
No final, foi uma caminhada diferente do habitual, com uma lagoa transformada e novas perspetivas sobre um trilho que já conhecia. Um passeio fantástico, ideal para quem gosta de natureza, desafio e descoberta.


Dados Técnicos:

Jorge Soares

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Todos somos estrangeiros em algum lugar...
Senti isso várias vezes na minha vida: quando mudei de aldeia aos 9 anos, de país aos 10, e novamente de país aos 20. Talvez por isso tente sempre colocar-me na pele do outro.
Mudar de sítio, deixar tudo para trás e cair sem paraquedas em algum lugar do mundo — seja noutra aldeia, noutra cidade ou noutro país — é sempre uma experiência dolorosa. Mas, por norma, ninguém faz isso porque quer… há sempre uma história por trás, muitas vezes uma história de terror.
Durante muito tempo fomos um país de emigrantes. Havia muita gente a fugir de muitas coisas. Sempre houve um outro país que, melhor ou pior, nos recebeu e nos permitiu seguir em frente.
Hoje somos um país de imigrantes e, a mim, que já estive do outro lado, custa-me ver que não somos capazes de retribuir… recebemos com ódio. A mim nunca ninguém me disse “Vai para a tua terra”. Eu não percebo como é que alguém é capaz de dizer isso.
Nasci em casa da minha avó, num pequeno lugar de uma aldeia. Com dois anos mudei para outro lugar da mesma aldeia; aos 9 anos mudei-me para outra aldeia; aos 10 mudei de país, para uma cidade com milhões de habitantes; aos 20 voltei à aldeia inicial por uns meses; depois caí de paraquedas num quarto em Lisboa, onde estive por seis anos; vai fazer 30 anos que me mudei para Setúbal…
Se tivesse de voltar para a minha terra, seria onde?
Jorge Soares