Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Crianças

 

Há uns 2 ou 3 meses, a propósito de uma noticia que falava da existência de mais de 500 crianças no nosso país que ninguém quer adoptar, tive uma longa conversa com uma jornalista sobre os verdadeiros motivos que levam a que estas crianças fiquem encalhadas no sistema. Não vão voltar à família, o facto de ter sido decretado um projecto de vida que passa pela adopção normalmente significa que foram esgotadas todas as hipóteses de recuperação familiar. Por outro lado, não são adoptadas porque apesar dos milhares de candidatos que esperam um filho, não há quem consiga fazer o matching  com o candidato que as tire de um aparente limbo em que vivem.

 

Por norma o instituto da segurança social atira a culpa para os candidatos que só querem bebés, os candidatos que não querem bebés, eu por exemplo, atiram a culpa para a segurança social que só se preocupa com os seus candidatos e as suas crianças, sem se preocupar com o que acontece no distrito ao lado.

 

Uma das perguntas que me fez a jornalista foi, como é que isto funciona nos outros países? Na altura não lhe soube responder.. mas fiquei a pensar no assunto. Hoje alguém enviou por email este artigo da Isabel Stilwell no Destak onde podemos ler o seguinte:

 

"....é por isso que a Heart Gallery é uma ideia tão genial. A organização que se dá por este nome e defende que todas as crianças têm direito a uma família, percebeu a força de um bom retrato e conseguiu que 150 dos melhores fotógrafos norte-americanos aderissem à sua proposta: fotografar as crianças e os adolescentes que vivem em instituições ou em famílias de acolhimento, para um portfólio de crianças que precisam de pais a sério, e que pode ser visualizado em www.heartgalleryofamerica.org (vá também a www.time.com/time/photoessays/heartgallery/)"

 

Não é a primeira vez que ouço falar de algo assim, na Inglaterra há a semana da adopção, uma semana em que se chama a atenção para as crianças que estão para adoptar, fazem-se artigos nos meios de comunicação , reportagens na televisão em que se mostram as crianças, visitas aos centros de acolhimento, etc.

 

Como a maioria das pessoas que conheço, de inicio eu fiquei chocado, um filho não é algo que se escolha por catálogo ou porque se vê na televisão, mas a verdade é que está provado que durante essa semana muitas destas crianças são mesmo adoptadas porque alguém as viu e se apaixonou pelo seu sorriso. É uma forma de chamar a atenção para a adopção e de dar uma hipótese de vida a crianças que dificilmente as teriam de outra forma.

 

Como diz a Isabel Stilwell no artigo, é muito diferente ouvir falar de números, de que ainda por cima duvidamos, a ver rostos, crianças reais que existem mesmo. As experiências inglesa e americana mostram que as taxas de adopção aumentam significativamente e que são projectos de sucesso.

 

É claro que sei que Portugal não é os Estados Unidos, para o bem e para o mal estamos muito longe da mentalidade e das leis americanas, mas a verdade é que no nosso pais  o numero de crianças esquecidas aumenta todos os anos, e algo tem que ser feito. Por muito que a comunicação social repita até à exaustão que os candidatos só querem bebés, todos nós sabemos que isso não é verdade, há muitos candidatos que aceitam crianças mais velhas, que aceitam irmãos, que aceitam crianças com problemas de saúde... o que falta é a forma de juntar quem espera, a forma de juntar corações.

 

Passei algum tempo a olhar para as fotografias de sites como este: https://www.utdcfsadopt.org/heart_gallery.shtml, é verdade que quem vê caras não vê corações, é verdade que podemos pensar que escolher um filho por ali pode ser chocante.. mas se essa for a única forma de que estas crianças possam ter uma família, se for a forma de fazer com que a espera de tantas famílias seja menor .... será que não vale a pena? Será que é preferível que estas crianças  fiquem esquecidas para sempre nas instituições?

 

É claro que em Portugal não precisamos de ser tão radicais, não vamos colocar as fotografias das crianças na internet, mas que tal elaborarmos uma lista das crianças existentes, mesmo que sem fotografia, só com as suas características, que seja apresentada aos candidatos de modo a que estes possam pensar no assunto?

 

Todos ouvimos falar das 500 crianças... mas quando perguntamos, ninguém sabe como são, onde estão.. e elas continuam lá.. está na altura de fazermos algo para mudar isto... está mesmo.

 

Jorge Soares

 

PS:Este post saiu um bocadinho para o comprido... desculpem lá.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:56


14 comentários

Sem imagem de perfil

De xana a 24.06.2010 às 23:40

"o que falta é a forma de juntar quem espera, a forma de juntar corações"
E com esta frase, disseste tudo! Mais palavras para quê?
bjks
Sem imagem de perfil

De Ana a 25.06.2010 às 09:33

Tá tudo dito
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 29.06.2010 às 19:47

Mas falta tudo por fazer

Jorge
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 29.06.2010 às 19:47

E é sobre isso que nos devemos concentrar.. sim.

Beijinho
Jorge
Sem imagem de perfil

De linda a 25.06.2010 às 09:54

Olá, Jorge.

Aposto que hoje, todo o mundo entendeu ;-)) não vais ter que te explicar...
Excelente post! Um tema (de)batido, mas com uma abordagem interessante! Nesta, como em muitas outras, matéria, tens um discernimento que falta a maioria das pessoas. E era tão melhor que tomassemos consciência que todos temos algo a fazer...

Beijinho

Imagem de perfil

De Jorge Soares a 29.06.2010 às 19:49

Falta essa consciência, continuamos todos a olhar para as crianças como os coitadinhos que estão nas instituições onde são alimentados..e o mundo mudou..e os coitadinhos são seres humanos..e nós devemos fazer com que sejam seres humanos com todos os direitos.

beijinho
Jorge
Imagem de perfil

De Rosinda a 25.06.2010 às 14:56

Olá Jorge!
Não vou falar do nosso sistema, não saberia fazê-lo!
Mas fui ver as fotos e o que senti foi; Se eu tivesse dinheiro para que nada lhes faltasse, apesar de ter criado 5 filhos biológicos,ainda hoje o faria, apesar de secalhar as assistentes sociais porem logo o entrave da idade...! Acho a adopção uma grande expressão de amor.
Um abraço e bom fim de semana.
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 29.06.2010 às 19:51

Nunca é tarde para amar... mesmo que a muita gente lhes custe aceitar isso.

Beijinho
Jorge
Imagem de perfil

De Existe um Olhar a 25.06.2010 às 18:34

Olá Jorge
Pouco do que sei sobre adopção tenho tomado conhecimento através dos teus posts. Hoje o que escreveste tocou-me especialmente porque fico com uma sensação de impotência por nada poder fazer, mas com uma vontade enorme de falar.
Gostei muito da ideia de elaborar uma lista de crianças e instituições acessível a toda a gente interessada e que fosse devidamente noticiada, para que todos tenham oportunidade, uns de encontrar uma família e outros de acolherem e fazerem as crianças felizes.
Esta é uma causa nobre pela qual te bates e espero que todos os teus esforços tenham eco nas mentes de quem tem o poder para decidir e legislar.

Beijos
Manu
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 29.06.2010 às 19:53

Parece uma coisa lógica, puro bom senso não é?... parece, deveria ser, mas até entre as pessoas que nos preocupamos com o assunto é complicada.

Em tantas coisas copiamos o que vem lá de fora, tantas vezes copiamos mal... e aqui, algo que funciona e que só parece positivo... temos muitas reticências... porquê?

Jorge
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.06.2010 às 20:35

Olá Jorge

Se quer ver a simplicidade com que se adopta nos estados unidos, não deixe de ler este blog....

http://www.cutegirlshairstyles.com/adoption/our-adoption-story/

uma adopção de um recem nascido em 3 semanas, deve ser um recorde imbatível em qualquer outro país.

P.S. É longo, mas vale a pena.
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 29.06.2010 às 19:58

3 semanas é menos que o tempo legal para que a entrega de um bebe para adopção se torne efectiva, as mães tem 6 semanas para poderem mudar de ideias...e depois há o longo processo em tribunal. Em Portugal qualquer criança que seja entregue com menos de 6 ou 7 meses é para desconfiar da legalidade do processo.

Mas há muitas coisas com as que deveríamos aprender lá fora, os bons exemplos deveriam ser seguidos, afinal copiamos tantas coisas más.

Jorge
Sem imagem de perfil

De Narsas a 26.06.2010 às 18:39

Excelente post . O tema é interessante e torna-se, ainda mais, quando tratado de forma inteligente e clara como aqui fizeste. Uma boa ajuda à causa. Cumprimentos
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 29.06.2010 às 20:00

Olá

Este é um tema sobre o que há muitas ideias feitas, muita informação errada, muitas verdades da comunicação social..e há tanto para dizer, tanto por fazer..

Abraço e obrigado
Jorge

Comentar post



Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D