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Crise já chegou aos colégios.. ou não!

 

Imagem do Público

 

O assunto estava destinado para o post de ontem.. ainda comecei a escrever, mas não estava a ser o meu post e decidi mudar de tema. Numa daquelas coisas da vida, hoje de manhã encontrei a seguinte notícia no Sol: A crise já chegou aos colégios, e  uns minutos depois o seguinte no Público: Crise não está a afectar as inscrições no ensino privado, no mínimo caricato.

 

Mas tudo isto vem a propósito de uma conversa com a minha meia laranja em que ela me falava de um colégio onde  para aceitarem as incrições no ciclo fazem duas entrevistas à criancinha, uma com a família e outra individual. Isto claro, para aqueles que seja lá por que meio, conseguem chegar até à fase das entrevistas, o que dadas as listas de espera.... não costuma ser muito fácil. Tudo isto para se ter o privilégio de se pagar para cima de uma fortuna de mensalidade.

 

Dei por mim a pensar como seria uma entrevista com o meu filho de 10 anos... não consegui imaginar, e concluí que neste nosso cada vez mais estranho país, é mais fácil entrar numa universidade, seja esta pública (88% de colocados na primeira fase)  ou privada, que num colégio.

 

Mas desengane-se quem pensa que isto é só para o ensino secundário, no outro dia um dos meus colegas contava a odisseia que passou para colocar o rebento mais novo, que ainda não tem dois anos,  no infantário de um destes colégios de elite de Lisboa. Depois de muito penar e de muitas consultas a ver quem tinha a melhor cunha ou as melhores ligações com a igreja católica.. conseguiu... não digo aqui quanto vai ele pagar por mês porque acho completamente obsceno.

 

Em Lisboa há uma já famosa escola que abre as inscrições no dia 2 de Janeiro de modo a ter os pais acampados à porta e a fazer a passagem de ano à chuva e ao frio. É claro que nunca falta a notícia nas televisões e a consequente publicidade gratuita.. alguém me explica porque não abrem as inscrições noutra altura qualquer?, porque é que tem que ser a 2 de Janeiro?

 

Os meus dois filhos mais velhos estão no ensino público, isto depois de duas tentativas falhadas de recorrermos ao ensino privado, a primeira ainda no infantário, terminou quando verificámos que num dos colégios com mais nome em Setúbal,  as condições eram tão más que as crianças nem à casa de banho conseguiam ir. Isto para já não falar de uma reunião com os pais que terminou quando eu já incrédulo me virei para as senhoras (freiras) e lhes disse alto e bom som e bem na cara, que elas não eram sérias.

 

É claro que tanto nos colégios como nas escolas públicas haverá de tudo, mas eu desconfio sempre da qualidade da educação quando vejo que os alunos de uma das escolas mais selectas desta cidade, onde se paga 600 ou 700 Euros por mês, andam no apoio ao estudo onde andam os meus e tem exactamente as mesmas dificuldades e problemas que tem os meus na escola pública. E andam os pais a recorrer ao crédito e a desbaratar as poupanças para isto (ver noticias).

 

Como dizia acima, neste estranho país é bem mais fácil entrar numa universidade que num colégio ou em algumas escolas públicas... mas pelo menos não se ouve (ainda)  falar de ensinos primários tirados ao Domingo de manhã....

 

Jorge Soares

publicado às 21:17


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