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Ainda a retenção das crianças no mesmo ano

por Jorge Soares, em 11.10.10

Por vezes é necessário dar um passo atrás para podermos dar dois em frente

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Vai fazer um mês que  recomeçaram as aulas, tal como tinha dito aqui e aqui o N. está a repetir o 4º ano, uma nova escola, novos colegas, uma nova professora, novos hábitos... e sabem uma coisa, passado este tempo temos a certeza absoluta que tomámos a decisão certa.

 

Se calhar tivemos sorte com a professora que nos calhou, que apesar de ser bem mais nova, ou talvez por isso, mostra uma experiência de vida a tratar com situações como a do N. que simplesmente nos deixou espantados.  Uma professora que mais que interessada, se mostrou motivada em lidar com ele e em ajudar a superar as dificuldades.

 

Passou um mês e até hoje não tivemos uma única queixa, um único escritinho para casa, não é que não tenham acontecido coisas na escola, sabemos que logo na primeira semana houve uma luta no recreio, ele mesmo contou, mas o que na outra escola e com a outra professora teria sido um enorme problema, nesta escola e com esta professora foi um assunto resolvido com um  pedido de desculpas de lado a lado e um aperto de mãos.. e foi só isso. Quando a P. a semana passada foi falar com a professora esta disse que não havia queixas, que ele se portava bem, que para além de algumas dificuldades de aprendizagem que já estavam detectadas, ... não tinha a menor queixa dele ou do seu comportamento.

 

Um ano é muito tempo na vida de uma criança, nós sempre achamos que para além da hiperactividade, do défice de atenção, da dislexia, um dos maiores problemas era a falta de maturidade... passou um ano e ele cresceu, é claro que as dificuldades continuam lá, mas a forma como olha  para as coisas, vai mudando.. e isto aliado a ter uma professora que não se preocupa em ter as crianças formatadas e todas certinhas, que realmente se preocupa com as que têm mais problemas, parece que poderá fazer o milagre....esperemos que sim.

 

Ao dia de hoje, tenho a certeza absoluta que tomámos a decisão certa, que apesar de ter havido algum constrangimento e alguma tristeza  no final do ano passado, o facto de repetir o ano não o marcou minimamente e que neste momento a forma como estão a correr as coisas, funciona como algo positivo para ele...

 

Setúbal, Outubro de 2010

 

Jorge Soares

publicado às 21:45


12 comentários

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De aespumadosdias a 11.10.2010 às 22:50

Hoje estava a corrigir os mini-testes do 7º ano e um aluno que reprovou e que era meu aluno o ano passado tirou 80%. Às vezes uma reprovação não é o fim do mundo. Cada caso é um caso.
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De Jorge Soares a 12.10.2010 às 21:35

É verdade, cada caso é um caso e repetir um ano não é o fim do mundo, pelo contrário, pode ser o inicio de um mundo diferente.
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De xana a 12.10.2010 às 00:30

Não entendo essa lei de as crianças passarem sempre de ano... A D. hoje andava aflita porque tinha trazido para casa um trabalho numa folha A4 com um X trespassando toda a folha sobre o texto ecsrito. A tarefa dela consistia em reescrever de novo toda a história sem os erros que lá estão. Veio fazer-me a queixa, porque ela não tinha feito nada de mal. Peguei na folha, e fiquei espantada ao ler cada palavra nela contida. Espantada? É muito pouco para o que senti... Ao que parece é um trabalho de grupo (2 crianças) mas que não foi ela que escreveu, e eu sei que não porque não é a letra da D. e os erros não podem ser da D. de maneira nenhuma. Ainda me custa a acreditar que uma criança que escreve como a outra menina escreve, tenha transitado para o 3º ano. Cada palavra escrita naquela página é um erro ortográfico. Não tem pontuação absolutamente nenhuma, e céus... eu ainda nem consigo perceber como é que a D. não deu por a colega escrever daquela maneira. Segundo me parece a mim e á minha irmã, a professora mandou a D. fazer de novo todo o trabalho porque sabe que vai aparecer tudo feito como deve ser, tudo escrito sem erros graves ou mesmo sem erros nenhuns. Após um quesitionário breve fiquei a perceber que a professora colocou a outra criança ao lado da D. para que aprenda alguma coisa. Fiquei a saber que a outra menina copia tudo pela minha sobrinha, e pelo que li na folha escrita por ela, tem imenso que aprender.
A minha irmã vai falar com a professora, porque a situação não é benéfica nem para a D. nem para a outra criança. A D. é muito cabeça no ar, mas apanha bem as matérias, e ter uma colega ao lado que não sabe nada e ainda a pode distrair porque está sempre a copiar, pode ser mau para as duas. Tive de ter uma conversa séria com a D. e fazê-la perceber que não deve em caso algum copiar o que quer que seja pela outra menina, que mais vale ter uma pergunta errada, que errar todas porque copiou e não aprendeu nada. Expliquei que deve dizer avisar a professora, embora eu ache que a professora sabe bem o que se passa. Eu não consigo perceber como é que a outra criança está no 3º ano, porque segundo a minha sobrinha ela não só não sabe escrever como não sabe fazer contas. A D. escreve muitas histórias, e não tem dificuldades em fantasiar baseada nos livros e nos desenhos animados para escrever as suas histórias sempre cheias de moral e boas intenções. Não dá erros de português, embora como é óbvio numa criança da sua idade a construção de frases por vezes possa não ser a mais correcta, mas é algo que se vai aprendendo com o tempo. Sinto que a presença daquela colega ao lado da D. a prejudica, porque a outra menina quase posso dizer é analfabeta. Céus, eu ainda estou impressionada com tanto erro numa só frase, quanto mais no texto todo. A D. já começou a fazer o trabalho de novo, sozinha, e a diferença é como o dia da noite. Espero sinceramente que a minha irmã consiga falar com a professora, e que a situação mude, ou a D. vai sair prejudicada, e a outra menina também não vai melhorar, porque há ali trabalho de fundo para ser feito. Há casos em que as crianças devem mesmo repetir o ano, em vez de irem para um ano à frente e aumentarem ainda mais o fosso entre elas e os colegas.
bjks
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De Jorge Soares a 12.10.2010 às 21:37

Há muitos professores que seguem sempre o caminho mais fácil .. e o mais fácil nem sempre é o melhor para as crianças.. o que contas é claramente um caso de alguém que não quer ter muito trabalho

Jorge
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De Sandra Cunha a 12.10.2010 às 00:54

Boa N!! Força aí!

Sabes, Jorge, as tuas palavras vieram mais uma vez confirmar aquilo que penso. Acho que os diagnósticos psicológicos e os consequentes rótulos, estigmas e comportamentos que os acompanham são, muitas vezes, demasiadas vezes, o que mais dificulta o ultrapassar dos problemas...

Não estou a falar de casos extremos, evidentemente, mas sim de todos aqueles que (tantos, actualmente!!!) cada vez que entram num consultório psicológico têm sempre algum problema. Ou é o défice de atenção, ou é a hiperactividade, ou é a dislexia, ou os problemas de identidade, ou o trauma x ou y ou z. O problema não é o diagnóstico, que penso que até pode ajudar a compreender muita coisa e a lidar melhor com certas situações. O problema é o rótulo com que a criança sai de lá e que vai afectar toda a sua vida, se calhar, de forma mais dramática do que a própria doença!

Ainda bem que o N. se cruzou agora com uma professora inteligente!

Bjs
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De Jorge Soares a 12.10.2010 às 21:45

Olá Sandra

Durante muito tempo eu achei que era tudo uma questão de disciplina e mão dura... com o tempo tive que me render à evidência, há casos em que sem ajuda, sem apoio de medicamentos, se uma avaliação correcta, não vamos lá...e o N. nem é dos casos piores... mas neste momento tenho a noção que é assim.. e nem é preciso muito para me lembrar disso.. basta esquecer de lhe dar o medicamento um dia.. ou estar com ele uma semana nas férias sem a medicação.

Já aqui falei do assunto, é verdade que existe uma enorme tendência à desresponsabilização por parte de pais e de professores, ao primeiro problema envia-se a criancinha ao especialista, que invariavelmente encontra um problema qualquer.. afinal, o que é ser normal?.. depois as crianças crescem com rótulos..e tudo o que não seja formatado e perfeito é posto de lado.. eu vi a professora anterior do N. fazer isso ... mas há crianças que tem problemas reais..e essas tem mesmo de ser tratadas e acompanhadas.. ou ficarão para trás...

Jorge
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De Leamar a 12.10.2010 às 10:02

Fico feliz por saber... Ainda há Professores ao invés de professores!!! Espero que o N. singre e aprenda as matérias da melhor maneira possível e sem que lhe seja incutida a ideia de que é um mau menino!! Muitos desentendimentos são sanados na hora se houver acompanhamento real...
Felicidades.
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De Jorge Soares a 12.10.2010 às 21:47

Olá

Nem mais.. felizmente ainda há Professores..

Jorge
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De essência a 12.10.2010 às 11:37

Ainda bem que as coisas estão a correr pelo melhor.
E um ano é verdade que parece muito tempo, mas poderá ser um ano de crescimento interior e uma boa rampa de lançamento para o que aí vem...

Bjs
Paula
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De Jorge Soares a 12.10.2010 às 21:49

Olá

Eles crescem muito num ano..e mudam, e ganham outras perspectivas do mundo... e nem sempre é fácil perceber e acompanhar o que lhes vai por dentro

Jorge
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De António Carvalho a 12.10.2010 às 19:34

Jorge Soares
Permita-me que divulgue aqui o Blog "O CASTENDO" de António Vilarigues - antifascista. Seu pai Sérgio Vilarigues e sua mãe Maria Alda Nogueira foram dois comunistas que na ditadura de Salazar e Caetano lutaram por um Portugal livre da tirania.
Muito obrigado e
Saudações democráticas
António Carvalho
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De Jorge Soares a 12.10.2010 às 21:53

Olá

Já lá irei visitar.

Jorge Soares

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