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Barriga de aluguer

 

Imagem do DN

 

O assunto apareceu já a madrugada ia alta, tudo a propósito do filho do Cristiano Ronaldo, por aqueles dias falava-se de uma barriga de aluguer, coisa em que eu não acreditava.. também não interessa nada, porque rapidamente deixamos a pobre (rica) criancinha para trás e passamos a discutir o conceito.

 

Dizia a Manu que é contra e que não consegue entender como é que alguém possa fazer algo assim... que ninguém que não seja estéril o deveria fazer, que não é a forma normal de ter um filho, e muito menos se for um pai sozinho a encomendar o filho, dizia ela que um homem não deve ter um filho sozinho... tudo argumentos que para a maioria serão válidos.

 

O nome em Portugal é "maternidade de substituição". Curiosamente, por estes dias no Dias do avesso da antena 1, a Isabel Stilwell e o Eduardo Sá, discutiam o assunto desde outro ponto de vista, principalmente o Eduardo Sá que se colocava no papel da mãe que do seu ponto de vista, vende uma criança.

 

Há muitas formas de olhar para um assunto destes, basta ver um filme ou uma série americana para vermos como este é um conceito comum nos Estados Unidos, tão comum que por vezes é e presta-se a ser, um negócio. Por vezes fico com a ideia de que existem mulheres que fazem disto quase um modo de vida, dar vida a um ser para que uns pais possam de alguma forma ter um filho. Podemos olhar e ver um acto de altruismo, dar felicidade a quem muitas vezes desesperadamente quer o filho que a natureza lhe nega, ou como um acto de egoísmo, gerar dentro de si um ser vivo a troco de dinheiro, muitas vezes muito dinheiro, sem o menor sentimento maternal por esse ser.

 

Não tenho uma opinião formada, qual a diferença entre uma destas mães que aluga o seu útero e outra que simplesmente ficou grávida porque não se preocupou mais que com viver o momento, decidiu ter o filho e depois entrega o mesmo para adopção?... haverá diferença?

 

Qual a diferença entre pegar em dinheiro, muito dinheiro, e ir por exemplo adoptar à Rússia, pagando a mediadores e centros de acolhimento, ou pagar a alguém para que mais fácil e rapidamente se  tenha esse filho?. Afinal, para quem vai criar essa criança não há diferença nenhuma, se a criança vem de um centro de acolhimento onde foi abandonada ou de alguém a quem se pagou.. é um filho, ponto final.

 

Em Cabo Verde em conversa com um dos taxistas, este contava-me o caso de uma mãe que ia a tribunal entregar mais um dos seus filhos para adopção, era  o terceiro processo e a quem a juiza perguntou directamente se ela era barriga de aluguer. Certamente não era, era só mais uma das muitos milhares de mães com uma dezena ou mais de filhos que não conseguem criar.. e que sabe que na adopção garante pelo menos a vida da criança.

 

Sou homem, nunca conseguirei sentir o que é levar um filho dentro de mim, não consigo conceber que se possa sentir tal coisa e não sentir algo por esse ser.. no entanto, já conheci mais que uma mulher que depois dos filhos nascerem, tiveram muitas dificuldades em sentir carinho por eles.. acontece.

 

Uma coisa posso dizer, sou pai adoptivo, e acredito que para mim não faria a menor diferença se os meus filhos tivessem sido abandonados algures ou nascido porque alguém decidiu ser barriga de aluguer..  e imagino que isto será verdade para a maioria das pessoas que adoptam.  A adopção por desejo de ajudar as criancinhas não existe.

 

Barriga de aluguer, será  um acto de altruísmo por quem não consegue cumprir os seus sonhos?, Será um negócio em que alguém se aproveita da ansiedade e do desejo das pessoas que querem ser pais e não conseguem?

 

Jorge Soares

 

PS:Andava à procura de uma imagem para o post..e encontrei este artigo do DN sobre o que se passa em Portugal.. a ler

publicado às 22:28


21 comentários

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De DyDa/Flordeliz a 27.10.2010 às 00:54

Estás a analisar pelo ponto de vista de quem quer um filho (o teu).
E nesse aspecto ser de barriga de aluguer ou adoptado, aqui ou na china, não fará com certeza diferença.
Importa o FILHO. PONTO.

Mas começaste pelo tema "barriga de aluguer" e não chegamos a porto seguro com as divagações (não vou ajudar também).

Falo como mulher que carregou o seu filho e o sentiu mexer na sua barriga, amando-o desde o primeiro minuto em que soube da sua existência.
Nota-se muito o meu amor por ele?
Deixa lá, porque também se nota o amor imenso que sentes pelos teus mesmo sem os carregares!

Não consigo pensar que mesmo se eu estivesse a passar necessidades seria capaz de fazer "negócio" com a vida dele para que pudesse ter uma vida melhor.

Mas consigo pensar que em caso de necessidade e para a sua sobrevivência era capaz de o entregar a alguém (instituição) capaz de o alimentar e de lhe proporcionar segurança.

Quanto ao Cristiano desconheço os contornos do aparecimento da criança.
Faz lembrar o nascimento de Jesus. Mas esse sabemos que foi obra do "espiríto santo". Já o nosso heroi é tão bafejado pela sorte que por vezes chego a duvidar se alguma estrela derramou sobre ele os seus pós milagrosos.

Barrigas de aluguer sim ou não.

Eu nunca!
Porque não seria capaz de me separar de um filho por minha livre vontade.
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De Jorge Soares a 27.10.2010 às 22:19

Eu não tenho uma opinião formada... e deixei isso claro no post...

A forma como escrevi o post foi mesmo para apelar à discussão, quero saber as opiniões das pessoas... tu olhas para a situação como uma forma de fazer negócio..e haverá casos, muitos casos, em que o é.. dizes que não serias capaz de te separar dos teus filhos em troca de não passares necessidades.. em para eles não passarem necessidades?.. o que dizes das mulheres que pariram os meus dois filhos adoptados?.. será que elas não gostavam deles?

E se olharmos para isto não como um negócio e sim como um empréstimo?.. emprestar o teu corpo para que alguém possa ter a felicidade de ter um filho?, não achas que é outra maneira de ver as coisas?

Jorge
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De DyDa/Flordeliz a 28.10.2010 às 00:50

"o que dizes das mulheres que pariram os meus dois filhos"

Achas que quando as senhoras engravidaram, estavam a pensar alugar a barriga ou que te iam fazer ou deixar feliz?

Pudessem elas...
Ou tivessem condições... e verias se algum dia se separariam dos seus meninos.

Acreditas que as mulheres que são barrigas de aluguer ou quem as contrata estão preocupados com as crianças (salvo excepções).
As primeiras estão preocupadas com o fim da gravidez para receberem.
Os segundos preocupados em conceber um filho "deles".
Como diz e muito bem a "P" os genes...os genes....

Não será a maior preocupação de quem recorre a este método?

Eu respeito. São opções.
Mas na minha barriga NÃO. Seria meu para sempre.
Coisinha mais linda da mamã.
Ai que saudades do cheirinho de um bebé. Das patifarias. Do riso, do choro...
Ó homem há lá coisa melhor no mundo que ser mãe?
OK! OK! Não foste. Nunca saberás!
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De Abigai a 27.10.2010 às 09:40

Olá Jorge,
Sinceramente, também não tenho opinião formada a este respeito. Acredito que para um casal que queira filhos e não os possa ter de forma natural, é indiferente ser com barriaga de aluguer ou adopção. Contudo, tenho alguma dificuldade em aceitar que uma mulher consiga gerar um filho e senti-lo desenvolver-se e crescer ao longo de 9 meses para depois entregá-lo a troco de dinheiro. Por outro lado, também me parece que haja aqui uma questão psicológica, é preciso estar realmente preparada para não "sentir" esse filho como seu. Até mesmo para os futuros pais, porque correm sempre o risco de a "mãe de substituição" desistir de entregar a criança. Acho que é uma problemática ou solução que só dirá respeito a quem a ela recorre e uma questão de consciência.
O teu link para o artigo não deve estar correcto, pesquisei e o link certo é: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1660531
Gostei do post!
Anabela
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De Jorge Soares a 27.10.2010 às 22:27

Olá

Tocaste num ponto sensível... quem se sujeita a isto fá-lo preparado para o que lhe espera.. e isto é válido para quem leva a criança no ventre e para quem a vai receber.

Imagino que será muito mais difícil para aquelas mulheres que engravidam por acidente e decidem levar a gravidez até ao fim para depois deixar a criança no Hospital.. ou não, se calhar até é igual.

Obrigado pelo aviso.

Jorge
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De rena a 08.02.2012 às 15:06

eu nao estou de acordo porque o filho quando nascer como vai ficar
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De rena a 08.02.2012 às 15:08

eu nao estou de acordo porque o filho quando nascer como vai ficar
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De Rosinda a 27.10.2010 às 11:24

Todas as coisas têm o seu lado positivo e o seu lado negativo. Tentando colocar de lado o sentimento de uma mãe que gerou, pariu e criou cinco filhos, não deixando de dizer que não seria capaz de dar um filho, de maneira nenhuma. Mas como dizia em relação a sim ou não a barrigas de aluguer; Alguns casos entendem-se, outros nem por isso. Qualquer dia as mulheres para não estragar o corpo , vão recorrer a esse serviço. A natureza está de pernas para o ar. Só portanto em casos muito específicos eu seria a favor.
Penso que a evolução médica está a intervir demasiado com a natureza.
Mas sou completamente a favor da adopção. Depois de nascerem as crianças têm de ser protegidas, venham elas de barrigas de aluguer ou de corações vazios do sentimento que é ser Mãe.
Um abraço
Rosinda
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De Jorge Soares a 27.10.2010 às 22:32

Não é a natureza que está de pernas para o ar Rosinda.. somos nós que temos uma forma de lidar com ela que a vira.... faz parte da nossa natureza.. é por isso que sobrevivemos e evoluímos como raça.

Na verdade, há muitíssima falta de protecção às crianças após o seu nascimento.. e aí é onde deveríamos colocar as nossas preocupações.

Jorge

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De P. a 27.10.2010 às 13:08

E já agora para baralhar as coisas, e o que pensam sobre a doação de ovulos e de esperma? E a adopção de embriões ??

Mas numa coisa não concordo, existe muita gente que não conseguiria adoptar, mas que estaria disposto a recorrer a uma barriga de aluguer. Os genes...os genes!!! E vice-versa.

Patricia
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De Existe um Olhar a 27.10.2010 às 18:43

Jorge
As minhas ideias ácerca das barrigas de aluguer continuam inalteráveis.
Há aqui dois aspectos diferentes: quem contrata uma barriga de aluguer pelas mais variadas razões, mas sobre isso não me pronuncio. O que mais me choca e por que sou mãe, lembro-me da alegria que vivi quando pela primeira vez senti o meu filho mexer. Lembro-me de cada detalhe e do amor que lhe devotei mesmo antes de nascer, por isso não entendo como pode uma mulher ficar insensível a estes momentos únicos, a troco de dinheiro.
Como dizia o Eduardo Sá na entrevista isto é prostituição uterina. Este mundo está cada vez mais desumano e ausente de sentimentos.

Beijos
Manu
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De Jorge Soares a 27.10.2010 às 22:38

Estás a assumir que há sempre troco de dinheiro.. o que não é verdade.. e estás-te a esquecer de uma parte dos sentimentos.. os sentimentos de quem recebe e dá amor a essas crianças....

Eu já passei pela alegria de ver nascer um filho..e pelo sofrimento de sentir que isso nunca iria acontecer... acredita, há tristezas que não se explicam...

Tenta colocar-te no lugar daquela mãe de Cabo Verde da que falo no post... será o amor dela pelos filhos menor porque decidiu entrega-los para adopção?..estará ela a pensar nela ou nos filhos que entregou?.. ou nos dois?

Jorge
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De Existe um Olhar a 28.10.2010 às 18:46

Jorge
o meu comentário centrou-se apenas e só nas mulheres que alugam a barriga para gerarem um filho a troco de dinheiro.
O caso das mães que os entregam para adopção por não terem condições para os criarem é completamente diferente, é um acto de altruísmo e muito amor que envolve contudo muito sofrimento, mas ficarão tanquilas porque sabem que à partida estão a dar uma oportunidade aos seus filhos para que venham a ter uma vida melhor sendo adoptados.

Beijos
Manu
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De aespumadosdias a 27.10.2010 às 23:18

Lembro-me de uma novela brasileira que abordava este assunto já há muito tempo. Para mim a maioria das mulheres que aceitam ser barrigas de aluguer fazem-no por dinheiro.
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De Jorge Soares a 28.10.2010 às 22:39

Olá

É verdade, estas coisas terminam sempre por se transformar num negocio.. infelizmente.
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De stiletto a 27.10.2010 às 23:41

O que eu gosto no teu blogue é a tua tendência para encontrar temas polémicos (o que é muito positivo porque nos faz pensar). E este é mais um :)

A mim a ideia de uma barriga de aluguer parece-me um conceito estranho. Não me vejo a recorrer a uma. No entanto, respeito quem recorre a barriga de aluguer para realizar o sonho da maternidade. Realmentenão é assim tão diferente da adopção com a "vantagem" de se poder ter um filho com os seus próprios genes. Agora, como tu sabes melhor do que eu, não é por ter ou não os nossos genes que se vai amar mais ou menos um filho. E se formos a ver, quem faz tratamentos de infertilidade também paga para ter um filho não é?! É um assunto que mexe com sentimentos e isso torna tudo muito mais complicado não é?!

P.S. - Muito obrigada pelo aviso, o link já está corrigido.
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De Jorge Soares a 28.10.2010 às 22:42

Eu gosto de olhar para o mundo com olhos de ver... e vejo o blog como um ponto de encontro de ideias e opiniões, porque é na troca de ideias que aprendo e é de ouvir as opiniões dos outros que posso ver outros pontos de vista...

Este é um tema delicado, mas um destes dias a lei que o permite é aprovada e ninguém dá pro nada.. as coisas devem ser discutidas e explicadas.

Obrigado pelas visitas e pelos comentários.

Jorge
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De Oficinas RANHA a 28.10.2010 às 00:44

Eu acho que nenhum destes temas é linear.
Parece haver mulheres que muito antes de engravidarem já sonham e se comportam como se o estivessem, assim como há mulheres que a gravidez é apenas um meio para atingir um fim. Pelo meio haverá toda uma série de sentimentos que podem passar pelo gostar de estar grávida mas não "sonhar" com a maternidade, assim como o contrário, quem anseie pela maternidade assumindo que a gravidez, agradável ou não, é apenas uma passagem para essa condição.
Eu sou mais uma das pessoas sem opinião formada em relação ao tema, reagindo visceralmente contra o negócio. Acredito sobretudo que neste assunto há muito pouco de altruísmo , mas sim de egoísmo , aliás, como em toda a temática da parentalidade .
No fundo todos nós procuramos a nossa felicidade...
Ana Cristina
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De Jorge Soares a 28.10.2010 às 22:45

Acho que é um sentimento comum reagirmos contra o negocio... mas a verdade é que para quem recebe a criança é só outra forma de ter um filho...

Como em tudo na vida e na sociedade actual, rapidamente virou um negocio... mas é algo que existe e de que devemos ter consciência.

Jorge
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De Oficinas RANHA a 29.10.2010 às 13:31

Sim, claro. Não tenhamos dúvidas que, mais cedo ou mais tarde, essa realidade vai estar muito mais perto de nós do que pensamos. E enquanto uns pensam sobre a lei, outros irão criar formas e manter o negócio mas de uma forma mais ou menos subtil. Penso que será mais ou menos como a doação de óvulos
Ana Cristina
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De aluguel imoveis niteroi a 24.02.2011 às 15:10

Muito bom o texto!

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